Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Terraplana já salvou o shoegaze com álbum “natural” (2025)

terraplana natural

Terraplana, como já escrevemos aqui, é uma das bandas que veio salvar o shoegaze nacional. E salvou muito bem. Em 2025, decidiu salvar novamente. E esperamos que continue salvando todos os anos. É um orgulho tremendo ver uma banda que acompanho desde o comecinho crescer tanto, se desenvolver tanto, ganhar muitos fãs de bolhas que ultrapassam o que a gente conhece como cena, estourar no Tiktok e em canais de esquerda (proletários de todos os países, uni-vos em prol do shoegaze). Ver pessoas jovens e mais velhas curtindo os shows, comprando merch e compartilhando esse som tão incrível. Mais incrível ainda é vê-los alcançando sucesso internacional, fazendo shows nos EUA e não duvido nada que logo mais tenhamos turnê na Europa. Me enche de satisfação e orgulho ver o shoegaze brasileiro sendo reconhecido internacionalmente por pessoas tão legais e comprometidas com seu som e sua essência. Nos faz lembrar do poder da música e de como ela pode transformar as coisas pra melhor. Eu não tenho palavras, mas vou tentar achá-las, prometo. O lançamento do disco “Natural” é um fenômeno que você não pode perder. Para mim, esse disco tem muita vibe de filme independente jovem alternativo, coming of age, vivendo na cidade, aproveitando a noite, uma experiência introspectiva e solitária. Apesar de eu ser muito fã de um reverb na voz, a Terraplana diminuiu consideravelmente esse efeito, também diminuiu as paredes de som que levavam esta jovem senhora que vos escreve à loucura. Um dia eu faço um movimento para trazer as paredes de som pesadonas de volta, mas hoje é o dream pop quem vai protagonizar. Shoegaze ou a mistura com seu primo mais acessível – dream pop – é a língua dos anjos, pode muito bem ser entendido e cantado junto perfeitamente nesse álbum. Nele também temos uma presença mais marcante vocalmente do Vinícius Lourenço, nosso Kevin Shields brasileiro, em faixas como “Amanhecer”, que é uma das músicas que eles já estavam tocando em shows há algum tempo. Gostei muito de ouvir as vozes mais presentes e pulsantes, apesar de dificilmente eu não gostar de algo que eles lancem. Neste caso, não há certo ou errado, mas o diferente é bacana. “Charlie” foi uma excelente escolha para ser um dos singles lançados antes do álbum completo. O refrão me traz uma sensação de familiaridade, e não é só porque acompanho a Terraplana desde o comecinho, mas por essa vibe noventista e nostálgica, aquela sensação de achar que viveu coisas que só viu nos filmes. O baixo de “Hear a Whisper”, começando super pujante, mostra que a escolha da Stephani Heuczuk como uma das inspirações da nossa lista de mulheres baixistas não foi à toa. E ter trazido a querida e adorável Winter para essa colaboração foi uma escolha muito certeira. Foi uma forma de trazer uma artista brasileira talentosíssima que brilha na cena independente americana e, ao mesmo tempo, uma maneira de a Terraplana ser mais conhecida e divulgada lá fora. Cantando em inglês ou português, shoegaze é a língua dos anjos, e, assim como nós apreciamos um bom shoegaze japonês, chinês e coreano sem entendermos nada do que está sendo cantado, os gringos também podem apreciar nossa música. “Todo Dia” me traz uma vibe muito dream pop, ainda mais com a combinação dos vocais da Ste e do Vini, alternados, às vezes funcionando como um diálogo, com uma melodia mais calma, cada um cantando sua parte e se complementando lindamente. “Desaparecendo” é um dos pontos altos para mim: mais pesadona, com mais paredes de som como a gente gosta, um vocal mais reverberado, muito forte e muito presente. Possivelmente, uma das músicas que a plateia mais vai gostar nos shows. “Horas Iguais” segue com o baixo pesadão, guitarras mais limpas, com foco total no refrão, que gruda muito facilmente na cabeça. E riffs muito bons que te fazem querer voltar a tocar guitarra. Assim como “Airbag”, que vem em sequência no álbum, começando mais presente e pesada, me trazendo referência a outro álbum célebre, “Frog in the Boiling Water”, do DIIV. Não sei se chegou a ser uma referência para eles, mas continua muito presente na minha cabeça e eu ainda continuo completamente obcecada. “SNC” também é outra faixa que traz os vocais do Vini mais presentes, contrastando muito bem com a doçura dos vocais etéreos da Ste e um efeito de pedal muito interessante, certamente trazido pelo Cassiano Kruchelski, que manda muito bem nas guitarras desse disco, com muita inspiração e talento. Eu também não poderia esquecer das baterias do Wendeu Silverio, que brilhou muito e foi crescendo e se desenvolvendo a cada álbum, mostrando seu talento e desenvoltura ao longo dos discos. “Morro Azul” nos despede desse álbum, mostrando que a Terraplana não é uma das minhas bandas preferidas à toa. É um orgulho tremendo poder presenciar o desenvolvimento desses jovens, vê-los tocando em outros países, ver cada vez mais pessoas andando com a camiseta deles no metrô, ver muita gente se apaixonando e se conectando também com esse som maravilhoso. Eu não posso dizer que “Natural” superou, para mim, o que foi “Olhar pra Trás”, já que esse é simplesmente o disco mais perfeito e sem defeitos lançado neste país. Porém, foi mais um excelente lançamento da nossa querida Terraplana. Eu ainda não superei “Olhar pra trás” e acho que vai demorar para que outro lançamento ocupe esse lugar tão cativo no meu coração, porém “Natural” pode facilmente figurar em segundo lugar, coração de mãe sempre cabe mais um álbum. Com certeza, vai ser incrível poder ouvi-lo ao vivo e cantar junto em abril. Aguardo vocês em São Paulo, Terraplana. Voem muito e ganhem o mundo, vocês merecem, meus queridos. Acompanhe terraplana nas redes: Site Spotify Bandcamp Instagram Youtube

Heretoir e a simpatia do blackgaze

heretoir blackgaze

Sexta feira santa é a data perfeita pra ver um show de uma banda de blackgaze/DSBM/atmospheric black metal alemã chamada Heretoir que eu jamais pensei que poderia ver no Brasil. Algumas bandas similares do gênero podem ser citadas como Deafheaven, Alcest (essas duas sendo as mais mainstream do gênero), Lantlos, Amesoeurs, Unreqvited, Les Discrets (saudades), Coldworld, Ghost Bath, Sylvaine e por aí vai. Particularmente gosto muito de todas essas que citei, e sou bastante fascinada tanto pelo blackgaze quanto pelo DSBM. Acho incrível a união do shoegaze com o black metal que podia parecer algo improvável, mas que soa tão bem e fica maravilhoso. E o DSBM tem o poder de consolar o coração de jovens depressivos por aí. Já tive minhas fases de só ouvir isso boa parte do dia, agora depende do meu estado de humor. Mas enfim, voltando a banda Heretoir. Foi criada em 2006, porém seu primeiro álbum full length homônimo só foi lançado em 2011. Justamente na época que bandas como Alcest, Les Discrets e Lantlos também lançavam álbuns que hoje em dia seriam relembrados como os mais marcantes do gênero. Em 2012, viria o álbum Substanz com algumas regravações do primeiro álbum e algumas faixas bônus. Em 2017, foi gravado aquele que pra mim e para muitos fãs da banda é o melhor e mais marcante álbum. The Circle pra mim é um dos melhores do blackgaze em si. A qualidade e a riqueza das músicas é um tesouro eterno. Recentemente, em 2023 lançaram o álbum Nightsphere e em 2024 anunciaram uma tour pela América Latina. O som estava muito bom, fiquei surpresa pela qualidade do som, eu nunca tinha ido na casa de shows House of Legends, que é uma casa que cabe umas 200 pessoas em média lá em Pinheiros. Me surpreendeu positivamente a quantidade de fãs no local, fiquei feliz com a aderência do público ao show em um feriadão. O vocal do Eklatanz é impressionante, uma potência vocal tremenda, com uma qualidade tão boa quanto do álbum. Foi incrível poder presenciar seus guturais e seu vocal limpo ao vivo. A banda cheia de carisma, simpatia e gentileza com o público. Pareciam genuinamente felizes de tocar por aqui, porque é algo que nem os fãs imaginavam e provavelmente nem eles também. Sempre chamando o público pro headbanging, por vezes podia ver a plateia se emocionar e fazer o headbang ao som da música, porque essa é a verdadeira forma que o metaleiro mostra que está gostando da música. Impossível não se contagiar. Pra mim os pontos altos foram as músicas do The Circle sendo tocadas, muito bonitas e músicas que me tocam bastante. Por diversas vezes senti o vocalista Eklatanz bastante emocionado e bem feliz. Um cara extremamente simpático e gente fina, além de muito talentoso e com uma presença de palco fenomenal. Foi um show que vou guardar na memória com muito carinho, apesar de não ter visto inteiro, porque moro longe e precisava pegar o trem (o drama do proletariado). Espero ansiosa pela volta deles, com outros álbuns, talvez em algum festival colaborando com outros artistas e com o talento de sempre. Setlist:ExhaleTwilight of the MachinesHeretoirFatigueGraue BautenGolden DustWastelandsThe Circle (Omega)Just for a Moment (Austere cover) (Only Eklatanz up on stage)Eclipse Acompanhe a banda nas redes: Facebook | Instagram | Bandcamp | Site

Wagner Almeida – Com Cuidado

Wagner Almeida - Com Cuidado

Faz um tempo que eu não posto por aqui. Às vezes por falta de inspiração, às vezes por ser atropelado por outras esferas da vida. O dia a dia tem sido cansativo demais pra gente poder se dedicar aos hobbies e coisas que a gente de fato gosta. Só o capitalismo como sempre minando o que há de melhor em nós. É o que dizem: trabalhe com o que você gosta e termine odiando o que você gosta. Mas, enfim… Eu não vou prometer uma frequência de postagem, mas o que eu acabo sempre fazendo é falar toda vez que o Wagner Almeida solta um disco novo. E estou muito triste de essa ser a última vez que escrevo sobre um lançamento dele na carreira solo, com esse nome e essa identidade. O Wagner é um dos meus artistas favoritos de longe. Quem acompanha o blog sabe que eu sou fã irremediável dele e de todas as coisas que ele lança. Quando ele lançar mais coisas sob novos nomes, projetos e bandas, também estarei lá para ouvir. Eu demorei um pouco pra conhecer o primeiro álbum dele Crescimento/desistência (2018). Apesar de vários blogs terem escolhido esse disco como um dos melhores do ano. Eu tô sempre perdida nos lançamentos (e na vida em geral), porém esse álbum foi amor à primeira ouvida. E tudo que veio depois dele também. Esse provavelmente é o álbum xodó de muita gente, mas eu tenho mais história com o Domingos a Noite (2019). Se fosse um cd físico (que eu também tenho) teria riscado de tanto ouvir.  Essas músicas me acompanharam em bons e maus momentos, muito mais em bons do que qualquer coisa, porque elas estavam lá comigo. Naqueles minutos que você ouve depois de enfrentar uma onda de raiva, os primeiros acordes te acalmam. No geral, o poder dessas músicas é de me acalmar e me fazer chorar. Nem sempre esse é o intuito, eu sei, mas é o que acontece. Letras sempre tão pessoais, mas que me atravessam de uma maneira como se aquilo tivesse acontecido comigo. Ou que eu posso muito bem relacionar a algo que eu vivi. Talvez por sermos da mesma geração, estarmos vivendo nesse momento no aqui e agora, sob a influência das mesmas condições. Uma geração de jovens tristes, angustiados, preocupados com o futuro e sem certeza de nada. O coming of age forçado, que a gente amadurece na marra, deixando para trás os amigos, as memórias e as vivências da adolescência. A vida adulta tem muito menos coisa legal do que imaginávamos, é muito mais cinza do que colorida. Esse contraste com as cores que a gente conseguia enxergar na adolescência e agora não consegue mais.  E eu vejo isso muito claramente nos trabalhos do Wagner quanto na vida em geral, pré-pandemia um cenário esperançoso, vivaz. E na pandemia e pós pandemia, a sociedade do cansaço, onde as responsabilidades tomam conta da gente, nossa personalidade, essência e quem nós somos ficam em segundo ou terceiro lugar. Em primeiro ficam todas as preocupações e emprego. É preciso muito mais do que férias, mais do que férias um do outro. Receber o e-mail com o álbum “Com Cuidado” na minha caixa foi uma das surpresas mais gratas dos últimos meses. Aliás, receber música nova do Waguinho é sempre uma alegria pra mim. E tenho ouvido esse álbum constantemente nas últimas semanas, acredito que pra muita gente já que a receptividade do público nas redes sociais tem sido grande desde o lançamento dos singles “Primordial”, “Saldo” e “Simples e Legal”. Nesse disco o Wagner vem com banda cheia nas gravações, contando com outro grande artista que admiro muito, o Fábio de Carvalho nas guitarras que já escrevi muito sobre aqui no blog, Gabriel Elias Sadala também nas guitarras e trompete, Clara Borges no baixo, João Pedro Silva na bateria e Mateus Gregs nos sintetizadores. É uma super banda que trouxe muito mais corpo e densidade para as músicas. Eu gosto muito do estilo de gravação “sozinho no quarto” do Wagner, porém achei que trazer uma banda completa foi uma decisão excelente e muito bem acertada.  Você pode ouvir o disco aqui: https://wagneralmeida.bandcamp.com/album/com-cuidado Wagner Almeida – Com Cuidado – Faixa a faixa O disco começa com a faixa “Irrompe”, muito marcada pelo violão no começo e depois pela entrada do restante da banda. Tímida, depois vai crescendo e explodindo. É uma boa escolha para abertura do álbum, pois seta o tom e nos apresenta uma pincelada do que virá daqui pra frente. É uma música longa, com 10 minutos, o que a faz ter várias nuances, se alternando entre dedilhado no violão como no início e trechos com banda completa que em vários momentos soam como uma parede de som advinda de discões célebres do shoegaze. Apesar de eu não considerar as músicas do Wagner como shoegaze, e sim como um folk, um rock alternativo, mais puxado para o lofi, dá pra ver claramente como o shoegaze tem bastante influência no que ele faz. O trompete nas músicas me traz muito para o midwest emo, principalmente uma vibe muito American Football. A segunda faixa é “Saldo” que foi um dos singles que vieram antes do lançamento oficial. Wagner nos contou nas redes sociais como foi o processo de composição das letras dessa música, que se não me engano, alguém lhe falou algumas palavras e ele foi criando em cima disso. Ele quis dizer que com isso nem todas as músicas tem algum significado muito complexo e elaborado, e que muita coisa pode virar música assim, do nada. E Saldo saiu assim, uma música muito boa por sinal, mais animada.  A música seguinte é a “5401”, também com a temática de ônibus como a 33, mas bem menos triste, com guitarras muito marcadas. Eu gosto de música de ônibus, especialmente músicas que fazem a gente refletir ou chorar no ônibus pensando na vida. Depois vem “Com Cuidado” em parceria com o Gustavo Scholz, bem mais shoegaze triste e reflexiva,

Fábio de Carvalho e Wagner Almeida: da introspecção ao visceral e as lágrimas

fabio de carvalho

Já tem uns dois meses que esse show aconteceu, mas eu só decidi terminar de escrever sobre ele agora. Rascunhei algumas coisas no dia seguinte ao show, mas nada me pareceu bom o suficiente. Depois de tanto tempo de hiato do blog, eu já não sabia mais se era possível escrever como eu escrevia antes. Tudo parecia melhor antes. Mas, enfim, vou escrever assim mesmo. No dia 22/01/23 aconteceu o show do Wagner Almeida e do Fábio de Carvalho em São Paulo. Confesso que eu esperei por um show do Fábio desde 2016, desde que o vi tocando pela primeira vez com a El Toro Fuerte na finada casa de shows chamada Breve. Foi nesse dia que conheci artistas incríveis que iriam me fazer gostar de muitos outros artistas incríveis e que também seriam um dos motivos para começar esse blog com o meu amigo Fábio Braga. Por ter esperado tanto por esse show, a expectativa era alta, e ela foi atingida e superada. Também esperava por um show do Wagner Almeida desse um pouco antes da pandemia, desde a sua passagem por São Paulo em 2019. Show esse que me emocionou muito (talvez eu tenha uma regra subentendida de sempre chorar bastante nos shows do Wagner) e todas as músicas que o Wagner lançou durante a pandemia foram meu mantra e meu grande apoio nesses tempos tenebrosos. Nem o Fábio e nem o Wagner têm ideia de quantas vezes eu me acalmei ouvindo suas músicas, de quantas vezes eu estava prestes a pedir demissão e dizer “foda-se essa merda”, mas respirei fundo, contei até 10 e lembrei de todas as contas que eu tenho pra pagar. Das vezes que chorei porque tive um coração partido, ou simplesmente quis acolher minha melancolia interior que me segue desde sempre. Das vezes em que as músicas falaram profundamente comigo, como se eu tivesse vivido todas as situações que eles descreveram, como muitas daquelas coisas também aconteceram comigo ou pelo menos acho que aconteceram. Parece tudo tão vívido e real, que por um instante parece que eu poderia escrever aquilo, se eu fizesse isso tão bem quanto eles. Assim como o Fábio e o Wagner escrevem sobre suas verdades, eu também tento escrever sobre as minhas. Ao longo dos anos alguns artistas que eu gostava antes já não fazem mais tanto sentido, mas esses dois têm um espaço cativo no meu coração. Seja pelas centenas de situações que eu passei e em que suas músicas me apoiaram, seja por sempre tratarem com doçura e atenção todos os fãs que se aproximam, pelo talento gigantesco e pela capacidade de moverem as pessoas de maneira sempre positiva. Eu sei que eu sempre pareço puxa-saco demais, mas eu tenho que falar o que eu acho que é verdade. E esses dois merecem todo o sucesso do mundo. Acho que a maioria das pessoas que estavam presentes no show provavelmente se emocionaram tanto quanto eu. Shows intimistas tem o poder de despertar isso na gente, quando só tem voz e violão (ou guitarra), parece que você se expõe mais, todo mundo tem só um lugar pra olhar, atenção plena e emoção à flor da pele. As letras te atingem de maneira mais forte, e quando você percebe, está chorando ao presenciar o momento, sem quaisquer lembranças de momentos anteriores. Eu tenho meus próprios motivos para chorar sobre músicas específicas, mas me vi chorando com outras músicas, como com Sob Nova Direção do álbum Eu Enterrei Uma Semente Aqui (2022). Obviamente essa música é imensamente triste, mas dessa vez ela despertou uma tristeza mais visceral, como se finalmente estivesse caindo a ficha. Outro tipo de emoção foi despertada quando Fábio de Carvalho cantou as músicas do disco Anjo Pornográfico (2021), e aqui vou ter que usar o visceral de novo, mas dessa vez como uma espécie de raiva guardada, um grito reprimido. Acabei gostando mais desse disco depois de ter visto sua performance ao vivo. É um disco diferente de tudo que o Fábio já havia lançado, um disco mais maduro, mais pesado, mais cru no sentido de deixar as emoções fluírem mais livremente, sejam elas quais forem, mais honesto. O conflito com deus presente mais uma vez, nisso a temática se repete das composições anteriores, e talvez esse seja um assunto infindável (pelo menos pra mim). Eu sinto como se desde a pandemia as pessoas estivessem cada vez mais carentes por emoção, aflitas por sentirem alguma coisa, qualquer coisa que se sinta, parafraseando Arnaldo Antunes. Então shows como esses vem em boa hora. Eu espero que os próximos shows não demorem tanto a acontecer, que produtores e casas de shows locais abram cada vez mais espaço para artistas independentes. É verdade que eu ficarei bem órfã quando o projeto Wagner Almeida tiver seu fim, no lançamento do próximo e último álbum, conforme anunciado em seu Instagram. Me acostumei mal com tantas músicas boas lançadas em um curto período de tempo, com a certeza de que em breve eu terei um álbum fresquinho e muito agradável me esperando. O Wagner deixou seus fãs mal acostumados. Com quais músicas irei chorar e ao mesmo tempo alinhar meu chakra daqui pra frente? Lamúrias à parte, desejo boa sorte e confio que todos os próximos projetos que ele lançar e participar terão a mesma qualidade e bom gosto de tudo que ouvi até agora. A fã continuará por aqui para o que der e vier. Me despeço com saudades desse show que já se passou e esperando ansiosamente pelos próximos. Até breve! Setlist Wagner Almeida: Cabo FrioFrank OceanSob Nova DireçãoMedo de VoarFaces, LugaresAvenidaFériasAfogarAcordarPeixe GrandeAo Meu Melhor amigo33 Setlist Fábio de Carvalho: FogoMão Vermelha No Coração da NoiteObsessorImagens (Jards Macalé)SábadoSobre uma festaPaz ImensaO amor é Aproveite para seguir os artistas nas redes: Bandcamp Wagner Almeida Bandcamp Fábio de Carvalho Instagram Wagner Almeida Instagram Fábio de Carvalho

Tears for Fears e as feridas do passado

tears for fears

Artista/Banda: Tears For FearsÁlbum: The HurtingGênero: Synth-pop / New WaveAno: 1983Destaques: The Hurting / Mad World / Pale Shelter por: Gabriel Marinho Tears for Fears é uma banda britânica encabeçada por Roland Orzabal e Curt Smith, que surge nos anos 80 em meio ao boom do “New Romantic” que tomou muito do que se fazia de synth-pop na época, trazendo algo mais introspectivo e carregado para a cena. O álbum de estreia da banda Tears for Fears, “The Hurting” de 1983, sonoramente falando pode soar meio datado, entretanto, ainda hoje continua relevante e traz consigo muitos significados. Com a maioria das letras sendo escritas por Orzabal, é possível dizer que acompanhamos vários períodos da vida (principalmente a infância) do protagonista dessa história (talvez o próprio Orzabal), com referências aos traumas que passou e com certo embasamento em cima da linha terapêutica do “Grito Primal”, criada pelo psicanalista Arthur Janov. A parte técnica do processo terapêutico envolvendo o “Grito Primal” consiste em trazer à tona seus traumas “primais” que desencadearam os seus atuais problemas, que desencadearam no ser em que a pessoa se tornou. Caso algum de nossos leitores seja da área e tenha algo a dizer sobre essa linha psicanalítica, adoraríamos ouvir na sessão de comentários. De mesmo nome do álbum – The Hurting – inicia o disco com uma batida que ecoa como uma estrada, a linha da guitarra entra dando o ritmo da canção, ela soa como uma busca, realmente parece que estamos ouvindo uma sessão de terapia gravada, ouvimos os cortes e as lembranças, algumas cenas desconexas, como se tudo tivesse vindo à tona de uma vez só e sem aviso… várias cenas são descritas ao longo da batida e em certos momentos é quase como se o psicólogo “entrasse”, guiando a viagem. “Get in line with the things you knowFeel the PainFeel the sorrowTouch the hurt and don’t let goGet in line with the things you knowLearn to cryLike a babyThen the hurting won’t come back” A segunda faixa – Mad World – é uma das minhas favoritas do Tears for Fears. É triste e com esse tom meio irônico, como se esse mundo triste em que o protagonista vive fizesse dele mesmo um louco também, afinal se ele não se encaixa acaba que também deve ser um dos loucos para quem está de fora o vendo e da mesma forma que ele soa como um espectador do mundo ao redor, nós ouvintes também viramos um espectador também daquela história. A música toda é bem melancólica, o protagonista é um claro “outsider” buscando entender o meio ao seu redor, provavelmente um adolescente ou uma criança, dado os cenários descritos. A música voltou a ser muito falada ao ser inserida como trilha sonora do filme Donnie Darko de 2001, em um cover no piano feito pelo cantor Gary Jules. Eu particularmente prefiro a versão original do Tears for Fears, essa atmosfera dançante e melancólica que eles conseguem passar, como se a tristeza e a loucura andassem juntas, é muito autêntica. “Went to school and I was very nervousNo one knew me, no one knew meHello, teacher, tell me what’s my lessonLook right through me, look right through me” A seguinte – Pale Shelter – fala sobre uma relação fria, onde um dos lados está claramente necessitado de uma certa atenção que nunca chega. Pode ser um filho por um pai, amigos, um casal, isso fica aberto para interpretação, mas o mais provável, tendo em conta a temática de volta a infância do álbum, que seja a falta de atenção dos pais, palpite meu. A música tem um riff bem marcante, como as outras duas faixas, também dando a impressão de estarmos indo de uma cena a outra da memória do protagonista, e o vídeo clipe ilustra bem essa sensação, meio onírico, com Orzabal e Smith andando por vários cenários como observadores. “When you don’t give me loveYou give me pale shelterYou don’t give me loveYou give me cold handsAnd I cannot operate on this failureWhen all I want to be isCompletely in command” Algumas músicas desse disco podem ser consideradas de difícil audição, tanto pelo peso que pode trazer para o ouvinte (por identificação com as letras), como sonoramente falando; a quarta faixa, “Ideas as Opiates”, foi feita, como as outras faixas, baseada no “Grito Primal” e no trabalho do psicanalista Arthur Janov, essa em particular com base no livro “Prisoners of Pain” de 1980. Aqui tem papel de “respiro” dos 3 hit’s anteriores e para o que enfrentaremos em “Memories Fade”, próxima faixa do disco. Essa quinta faixa do disco é a menos eletrônica de todo o álbum, é possível sentir todos os instrumentos de uma forma um pouco mais orgânica, com os sintetizadores aparecendo ocasionalmente apenas enquanto acompanham a introdução do Orzabal em um vocal quase “voice-over”, e com a inclusão de um saxofone que finaliza perfeitamente a canção. Ao contrário das outras, que têm uma jornada introspectiva quase inconsciente e guiada, nessa percebemos um tom mais “consciente” do protagonista, meio que se dando conta do que ocorreu e se perguntando o que fazer para seguir em frente. “I cannot growI cannot moveI cannot feel my ageThe vice, like grip of tension holds me fastEngulfed by youWhat can I do?When History’s my cageLook foward to a future in the pastMemories fade, but the scars still linger” A sexta faixa do disco, “Suffer The Children”, relata o que aparentemente parece ser a separação dos pais e como a criança lida com isso. A música tem uma atmosfera pesada, a estrutura toda dela não chega a ter um refrão, o que a torna mais difícil, exigindo mais do ouvinte. O ponto alto é a inclusão de um certo “coro” de criança (na verdade, feito por Caroline Orzabal, esposa de Roland na época) quase antes de finalizar a música, com Smith cantando “Suffer the Children…Suffer the Children…”. “And convince himJust talk to himCos he knows in his heart you won’t be home soonHe’s an only child in an only roomAnd he’s dependant on you” A

Helleno exalta a brasilidade e a liberdade em sua nova música ‘Pássaros’

Em um ano caótico e perturbador como o de 2020, somos colocados à prova diante de muitas questões, com os outros e com nós mesmos. No entanto, podemos recuar ou abrir os braços para os novos caminhos. Foi isso o que fez o cantor e compositor paulistano Helleno. O artista resolveu sair da zona de conforto e se desafiar em um novo universo musical em busca de sua verdadeira identidade. Sua história na música começa aos 11 anos cantando na igreja, mais tarde nos avanços da adolescência ele conhece o rock e o metal de artistas como Iron Maiden e Deep Purple. O êxtase da música pesada o leva a montar sua primeira banda, o Electric Age. Com o grupo, ele gravou o primeiro disco Good Times Are Coming (2013). O álbum foi distribuído em outros países e atingiu o número de 1000 cópias vendidas. O resultado foram diversos convites para se apresentarem em festivais grandes e renomados. Alguns como Sweden Rock Fest e o Monsters of Rock de 2013 no Brasil. O artista teve a oportunidade de tocar ao lado de nomes como Whitesnake, Aerosmith e Slipknot. Em 2015 ele entra em estúdio para gravar o primeiro EP ‘Open Secret‘ de sua outra banda o Desert Dance. No mesmo período se dedica aos estudos no Teatro Escola Macunaíma e integra a banda Viva Noite do programa Pânico na Band da TV Bandeirantes. Durante o período de isolamento social e em parceria com o produtor Rafa Freitas, ele dá vida ao projeto Helleno. Aqui ele flerta com a música brasileira, o pop, música eletrônica, teatro e poesia. Pisando em territórios desconhecidos, o artista busca se aprofundar nas sonoridades brasileiras juntamente com outros estilos que tragam novas possibilidades ao explorar sons e poesias. A música ‘Pássaros‘ é tida por ele como um poema dançante, e consegue trazer essa fusão de algo mais pop com atmosferas tropicais da MPB. As letras prezam a liberdade e a força de extrair coisas boas de si mesmo na procura do autoconhecimento. Batemos um papo com Helleno sobre sua carreira, ideias e a nova música, você pode conferir abaixo: Sua carreira teve início dentro do rock/metal, algo que pode ser muito excitante, mas ao mesmo tempo um pouco limitante se falando em sonoridade. Como você avalia isso e quais aspectos acredita que permanecerão com você no novo projeto? Primeiramente gostaria de agradecer o espaço e atenção de vcs!Todo esse fator limitante é o que, quase como um manifesto eu proclamo em Pássaros e com essa nova trajetória que estou iniciando, na música e na vida. Eu vivi uma vida no rock/heavy metal, lá as pessoas se sentem parte, como uma “tribo”. E se sentir parte de algo assim quando se é adolescente/jovem e periférico, te faz seguir em frente, acreditar, buscar possibilidades tudo por conta desse pertencimento que pra sobreviver na sociedade é imprescindível. Quando eu uso a palavra “tribo” é no lugar de costumes, hábitos, que você acaba aderindo. A gente sempre julgava a qualidade dos músicos das bandas, dos shows das estruturas, e muita das vezes pelo fator “ser diferente” isso sempre era rebaixado para ruim, péssimo no pejorativo. É algo que você vai fazendo sem se dar conta e se torna um hábito e é tóxico, porque você começa agir dessa forma com tudo em outros âmbitos da vida. Eu comecei me perguntando, “Pq eu não gosto desse álbum mais moderno do Metallica? E percebi que não tinha ouvido o álbum mas todo mundo do grupo dizia que era ruim, depois de anos quando me dei conta disso, eu resolvi ouvir e assistir e ler tudo que um dia eu disse que era ruim sem ao menos ter dado uma chance. Eu levo comigo toda a potência na voz e desprendimento com o público, a vontade de conhecer de aprender. Com o heavy metal, eu comecei a ler edgar Alan poe por conta de músicas do Iron Maiden, e mais uma grande lista de histórias de todo o mundo, a dramaticidade do estilo, a vontade de conta histórias, temas épicos, o interesse pela política e o sistema, idéias de álbuns conceituais contando histórias mágicas, por tudo isso e muitas coisas mais, sou grato a essa grande experiência que é viver o rock/heavy metal de forma visceral e levo tudo comigo. Helleno é uma nova faceta que você assume a partir de agora, como foi para você esse processo de transição pessoal e musical? Foi tudo natural, e digo que o Helleno sempre existiu, porém era como se ele precisasse amadurecer para assumir um espaço maior na minha própria vida. Veio o teatro e eu mergulhei fundo nas minhas fragilidades, medos, paranoias e percebi o quanto tudo isso me define, me expõe me deixa nu e essa nudez me faz encarar, enxergar, tudo isso que sou eu, e está tudo bem haha eu parei de lutar contra e comecei aceitando essas verdades, claro que o Teatro não é terapia mas ele te quer por inteiro, e assim como um exercício físico reflete no seu corpo todos aqueles questionamentos, circunstâncias, imagens refletem na sua alma, na sua mente, e alguma coisa acontece! No meu caso o Helleno também aconteceu e eu só posso agradecer, tudo é um processo totalmente aberto, eu entendi que essas mudanças/transições vão acontecer o tempo todo e de certa forma isso me conforta, me conforta estar aberto a essas possibilidades. Como foi lidar com a pandemia desde o ano passado, ao mesmo tempo em que você buscava tirar do papel suas ideias para essa nova fase? Foi e está sendo muito difícil, manter a positividade nesses tempos não é fácil, a arte com certeza tem sido além de tudo que já é, um refúgio, o dinheiro é escasso, e só sobra gastos, a saúde mental é o sinônimo de instabilidade, a dor da perda por tantas vidas é inestimável, não pôde ver as pessoas, não pôde subir num palco, essa crise política letal como o próprio vírus. Pro início desse

13 novos artistas da Groover para conhecer

Hoje trouxemos mais uma lista com 13 novos artistas super legais que conhecemos através da plataforma Groover. Se você ainda não conhece, a Groover é uma plataforma francesa que conecta artistas e mídias do mundo todo especializadas em música. Dessa forma, o artista paga um valor específico e consegue enviar seu material para blogs e sites darem feedback sobre seu trabalho, com a possibilidade de terem suas músicas adicionadas em playlists, entrevistas, notas e matérias, ou seja, um ótimo meio de divulgação do seu trabalho. A novidade é que a Groover agora chegou ao Brasil! Isso mesmo, agora é possível que artistas daqui se cadastrem no site e comecem a enviar seus materiais para blogs do mundo todo! Beach Scvm – Turquoise Apostando numa música que caminha entre o punk e a surf music, os garotos do BEACH SCVM acabam de lançar a nova ‘Turquoise‘. O clipe com cara de verão mostra a vida praiana e tem como trilha uma vibe positiva, cheia de riffs rápidos, ensolarados e viajantes e letras que falam sobre amores, sessões de skate, férias e memórias de jovens despreocupados. Entre as principais influências do grupo estão bandas como Wavves, Beach Fossils e Skegss. Uma boa pedida pra ouvir antes do nosso verão acabar! Facebook | Instagram | Youtube Gideon Foster – Dark Streets Quase como uma trilha cinematográfica, o som do Gideon Foster se desdobra em atmosferas noire, emocionais e melancólicas que passeiam pelo rock’n’roll e o folk, os vocais graves certamente vão te lembrar algo de Nick Cave durante seus discos dos anos 90. A faixa ‘Dark Streets‘ é seu single mais recente, lançada neste ano a música mostra um lado mais minimalista e melancólico, imagine-se andando sozinhos por ruas cinzentas e chuvosas. Facebook | Instagram | Youtube Emmrose – Ballad for the Boy Next Door Emmrose surgiu na cidade de Nova Iorque e começou a compor suas músicas aos 14 anos. Agora com 17, ela dá o start em sua carreira com o lançamento de ‘Hopeless Romantics’, seu primeiro disco de estúdio. As letras trazem poesias e vivências pessoais da artista, que fala sobre relacionamentos, ansiedade, corações quebrados e situações diversas da vida. O single ‘Ballad for the Boy Next Door‘ foi muito bem aceito pelos fãs de música pop alternativa, as letras falam sobre rejeição e o sentimento de contar como você se sente a alguém que se gosta e todos os sentimentos envolvidos nisso. Facebook | Instagram | Youtube Snap Border – Evil-tions (feat. Maxime Keller) Mesclando elementos do rock alternativo ao metal, os franceses do Snap Border chegaram a dividir palco com bandas conhecidas da cena metal como Lacuna Coil, Alestorm e Mass Hysteria. Recentemente a banda lançou seu novo EP ‘Icons‘ com cinco músicas e produção de Anthony Chognard, o disco traz a tona alguns assuntos que definem nossa vida e o sentimento de que estamos sozinhos e guiados por nosso coração, mente e alma. A faixa ‘Evil-tions‘ foi o primeiro single que antecedeu o lançamento e conta com a participação de Maxime Keller da banda Smash Hit Combo. Facebook | Instagram | Youtube La Chica – La loba O novo single ‘La Loba‘ da artista franco/venezuelana La Chica é o resultado de uma perda familiar recente, no entanto, a situação trouxe uma transformação pessoal em sua vida, assim ela decidiu se conectar mais com seu lado espiritual. A música conta a história de uma mulher-lobo que é ressucitada por um ritual, a lenda foi retirada de um conto da escritora Clarissa Pinkola Estés chamado ‘Mulheres que correm com os lobos‘. A sonoridade é uma forte combinação descompassada de ritmos latinos, batidas pulsantes e melodias de piano obscuras. Facebook | Instagram | Youtube Jindoss – Rendez-vous Jindoss é um projeto musical que teve início em um período solitário porém criativo durante o tempo de confinamento em casa. Inspirados, eles decidiram tirar do papel diversas ideias que rondavam suas cabeças e finalmente começaram a produzir novas músicas. Com cinco faixas, o EP levou o título de Rendez vous, as composições de momentos psicodélicos e aéreos tem influência de nomes como Air, Foals e Unloved. Facebook | Instagram | Youtube La Sanyea Dengue – Automobile O quarteto sueco La Sanyea Dengue surgiu a pouco tempo na cena musical, mas já tem duas músicas lançadas que mostram grande potencial. A última lançada ‘Automobile‘ foi inspirada por uma experiência de quase morte de Simon Lindberg que por pouco foi atropelado por um carro ao atravessar em uma faixa de pedestre, ao invés de perseguir o carro ele contou que ficou frustado e resolveu escrever uma música sobre o ocorrido. O resultado é uma música influenciada pelo ritmo enérgico do punk. Facebook | Instagram | Youtube Meresha – Red Headed Lover Meresha é uma cantora e compositora estadunidense, recentemente ela vem chamando atenção com suas composições, indo parar até no Top 40 Pop da Billboard. Seu lançamento mais atual é a faixa ‘Red Headed Lover‘, a música entrega uma ótima performance unindo a potência de sua voz com influências vindas do pop e da dance music. Até o momento ela lançou o EP ‘Enter the Dreamland‘ e alguns singles que abrem caminhos para seu futuro trabalho que deve ser lançado em breve. Facebook | Instagram | Youtube Creeptones – Vacant Winds A Creeptones vem de Nova Jersei e atualmente estão promovendo ‘Hell + Ice‘ seu segundo disco de estúdio lançado no comecinho do mês. O álbum abrange alguns estilos diferentes, desde o rock até as nuances mais eletrônicas, sem deixar de lado um pézinho no som psicodélico dos anos 60 que pode ser facilmente notado pelos sintetizadores espaciais em algumas músicas. Embora tenha muitas guitarras e elementos que compõem o rock, o disco pode agradar também aos fãs da música mais moderna. Facebook | Instagram | Youtube DeLaurentis – Pegasus ‘Pegasus‘ é a nova música de DeLaurentis, um projeto de música eletrônica francês liderado pela produtora, compositora e cantora Issey Miyake. A música fará parte do primeiro disco de inéditas que deverá ser

Sylvaine: emoções guiadas pelo celestial e o caótico

Sylvaine é a trilha sonora de paisagens geladas e desoladoras, um som que transita entre o celestial e o caótico, onde transluzem sentimentos profundos e também a busca por eles. A mente por trás do projeto é a multi-instrumentista Kathrine Shepard, nascida em San Diego, Califórnia, a cidade de seu pai, mas é em Oslo, na Noruega, a terra natal de sua mãe e também em Paris que ela vive. A música sempre foi algo fundamental na vida de Kathrine desde muito jovem, e foi dessa forma que ela buscou se expressar e também se encontrar em meio a sentimentos conflitantes. Foi em 2013, na cidade de Oslo, que surgiu a ideia de criar um projeto pessoal chamado Sylvaine. A proposta era fazer um som influenciado por gêneros como shoegaze, post-rock e black metal. Embora alguns classifiquem sua música como post-black metal, o mais justo seria sugerir algo como um metal atmosférico, visto que existem diversos elementos incorporados. Aqui nós já falamos dela anteriormente nas indicações de blackgaze, nicho onde ela mais se destaca e é frequentemente lembrada em indicações do gênero. Muito provável que você já ouviu falar do termo ‘one man band’ (banda de um homem só), que nada mais é do que um único músico responsável por tocar todos os instrumentos em uma banda. Aqui temos uma ‘one woman band’ (banda de uma mulher só). É Sylvaine que toca todos os instrumentos nas músicas, ao vivo ela conta com o suporte de um grupo de músicos, fazendo com que shows e turnê se tornem possíveis. O primeiro disco ‘Silent Chamber, Noisy Heart‘ foi lançado em 2013, e tem 11 músicas, inclusive, traz uma bela foto na capa, certamente influenciada pela pintura Ophelia de John Everett Millais. Nesse primeiro álbum, ela explora timidamente seu gutural poderoso, um álbum carregado de sentimentos comuns ao ultrarromantismo (período também conhecido como segunda geração do romantismo), e também ao spleen de Baudelaire, o fundador da poesia moderna. Um álbum subestimado, mas que marca presença no nosso coração e desperta sentimentos intensos. The world outside is laid to restOvertaken by darkness Loneliness protrudes within The sonnet soon to begin Trecho da música Silent Chamber, Noisy Heart Em Wistful (2016), seu segundo disco, notamos uma direção diferente, um equilíbrio entre momentos pesados a outros mais melódicos, gerando aquele sentimento de calma antes da tempestade. Essa bela fusão cheia de paisagens sonoras incríveis traz uma forte identidade ao som, Sylvaine alterna seus vocais em uma dualidade entre algo mais sutil e bonito a outros mais agressivos e selvagens, uma mistura que provoca um clima profundo, real e que dialoga bem com as nossas mudanças e percepções sobre a vida. Assim como essa dualidade e ondas de emoções que por vezes nos sufocam, são brilhantemente expressadas por Sylvaine nesse álbum. Atoms Aligned, Coming Undone (2018), o terceiro disco, mantém a essência de Sylvaine, que é compartilhar seus sentimentos referentes a essa dualidade de dois mundos, o belo e o caótico, o conflito interno e externo. Porém de uma maneira mais dark uma vez que encontrou seu nicho, decidiu explorar aspectos que a ajudaram a se consolidar no cenário do metal. Esse álbum é catártico, explora extremos como nunca antes visto. Mørklagt é uma das músicas mais brilhantes e emocionalmente significativas pra mim. Mesmo com suas letras em norueguês, é possível compreender tudo que ela expressa mesmo sem saber qualquer palavra no idioma. Os sentimentos são tão intensos que você se sente arrebatado, atingido de surpresa por um poder extremamente forte, preenchido pela bateria, e levitando com a parede de som e os vocais magníficos. É um sentimento tão intenso e poderoso que te transporta para outro mundo. O lançamento mais recente é o EP Time Without End (2020), em parceria com Unreqvited um artista que também faz blackgaze/atmospheric black metal de primeiríssima qualidade. ´É claro que a parceria desses dois artistas não poderia resultar em um EP que fosse algo além de incrível. Carregado de melancolia e uma tremenda sutileza, uma tristeza acolhedora. O vocal de Sylvaine é tão etéreo junto a piano quase nos faz flutuar em doces melodias, nos abraça e nos guia nesse caminho tortuoso. Sylvaine é uma artista incrível, dona de uma voz poderosa, multi instrumentista habilidosa, fiel a suas influências e a sua verdade, inspirada por artistas talentosos. Sua presença de palco é inspiradora, por vezes a vejo performando e tenho certeza de que ela chega a literalmente brilhar, ela é um exemplo de talento para mim. Uma das artistas que eu mais admiro e se pudesse, almejaria ser 1% do que ela é. Eu já a conhecia e acompanhava desde o lançamento de seu primeiro álbum, mas comecei a admirá-la mais e mais ao longo dos últimos dois anos. Além de uma artista excelente, super carinhosa e atenciosa com seus fãs, ela também é um uma pessoa admirável, que me conquistou com sua vulnerabilidade e honestidade. A ideia de ver um artista como um ser perfeito, onde a perfeição está justamente no fato de ser uma pessoa imperfeita, de encontrar obstáculos e de tentar viver a vida da maneira como pode, assim como nós. Toda beleza de suas músicas que ouvimos hoje é fruto de um trabalho duro, que deveria ser muito mais recompensado e reconhecido. O artista ao se expressar, permite que nós nos encontremos, sempre que ouço Sylvaine, começo um processo de autoconhecimento, de olhar para dentro e de entender o que eu estou sentindo, interpreto da minha maneira o que ela escreve. Por vezes me faltam palavras para descrever o impacto que a arte provoca em mim, mas as músicas de Sylvaine conseguem expressar belamente todo esse sentimento. Já escrevi muitas mensagens de incentivo a Kathrine, mas sinto que isso não estaria completo sem essa matéria e a esperança de que mais pessoas possam vê-la assim como eu a vejo e que passem a admirar seu trabalho. Entrevista com Sylvaine: Qual memória você traz do seu primeiro contato com a música? Sylviane: Eu cresci em uma

Dani Bessa e as novas ondas do indie brasileiro

A cena indie brasileira é um campo fértil de ótimos artistas, e os nomes que vemos hoje representam muito bem os rumos que a nossa música vem tomando, alguns buscando inspirações no passado, outros se arriscando em algo inédito e criativo. Hoje vamos falar de Dani Bessa, ele é um desses nomes e vem mostrando potencial com suas músicas. Cantor e compositor nascido e criado na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, Dani tem suas influências musicais calcadas no indie brasileiro e no rock alternativo. Em 2019, ele surgiu com sua primeira música, a sentimental ‘Kiss Me Every Time You See Me‘. No ano seguinte e apostando em composições também em português, ele lançou seu segundo hit ‘Se Você Tivesse Dito Sim‘, a música de clima gostoso e refrão grudento, teve ótima visibilidade nas plataformas digitais, chegando a mais de 22 mil reproduções, ale´m disso, fez parte da playlist oficial Indie Brasil no Spotify. O músico procura criar conexões de proximidade com o ouvinte, trazendo letras que retratam seus sentimentos e experiências pessoais íntimas cantados de forma habitual. Foi dessa forma que ele trabalhou em seu próximo single, a música ‘Passional‘, lançada no final de 2020. Desenhando uma mistura de ritmos entre o rock britânico, ska e música latina, ‘Passional‘ fala de alguém movido por uma paixão intensa, de pensamentos conflitantes e individuais, no entanto, essa pessoa mais tarde se aceita do jeito que é. A música traz duas atmosferas distintas, seu começo leve e praiano, claras influências do ska, termina em um instrumental mais intenso do rock. Dani Bessa nos contou um pouco sobre o processo de composição dessas músicas, como foi trabalhar durante a pandemia e quais são os próximos passos para o futuro, veja abaixo: Vamos começar falando sobre sua carreira na música, você já fez parte de alguma outra banda ou projeto, ou essa é sua estréia já em carreira solo? Entrei numa banda de rock de 2012 até 2016, era vocalista e guitarrista. Costumávamos tocar bastante covers e tinha pouco espaço pra músicas autorais, esse foi um dos motivos da minha saída. Fiquei oscilando bastante sobre querer voltar à ativa na música e decidi seguir carreira solo em 2019. Desde então, estou mais empolgado que nunca. Quais coisas te motivaram a começar a compor música e quais foram os desafios que você encontrou ao ser um músico independente? Tocar guitarra sempre me fez sentir melhor em momentos de bad. Normalmente quando estou passando por alguma situação complicada (ansiedade, insegurança, etc), gosto de compor como uma forma de extravasar e tudo. Pra mim, a maior dificuldade como músico independente é desempenhar praticamente todas as funções nesse início. A gente não pode ficar preocupado só com compor e tocar a música, precisa fazer com que ela chegue pras pessoas, precisa ver a estratégia de marketing que vai usar, produzir conteúdo freneticamente pra sustentar o algoritmo, essas coisas. Isso é bem difícil de fazer, ainda mais quando se é um artista solo em início de carreira.  Nos seus três singles lançados até agora, ouvimos diferentes estilos musicais, ska, música latina, rock. Quais são as suas inspirações musicais? Pois é! Bom, minhas referências principais são Tim Maia, O Terno, Boogarins, Terno Rei, Mac DeMarco, Arctic Monkeys, Strokes, Oasis, e por aí vai (acho que falei um monte, né?). Ultimamente ando ouvindo bastante Lô Borges também, ele foi uma das inspirações pro último álbum do Arctic Monkeys, achei isso incrível quando descobri. Quais outras inspirações fora da música você busca trazer para suas composições? Costumo compor sobre aquilo que acredito, tentando passar a minha verdade, nua e crua, usando expressões do dia a dia mesmo. Em algumas letras falo bastante sobre relacionamentos também, mas estou querendo sair um pouco desse clichê e explorar outros assuntos em composições futuras. Resumindo: componho mais quando estou passando por momentos de ansiedade ou insegurança, é minha forma de botar pra fora no momento. Estamos em um cenário caótico de pandêmia, mas minimamente artistas estão conseguindo encaminhar seus projetos, quais são seus planos para 2021, novas músicas, vídeos? A pandemia mexeu com todo mundo e ainda está muito difícil processar tudo que vem acontecendo. Em 2021 vou dar continuidade ao projeto que comecei ano passado (eu e meu produtor ainda não decidimos se será no formato EP ou álbum), pretendo lançar mais singles e atualizar as redes sociais com mais frequência. Espero atrai mais gente pra ouvir meu som!  Acompanhe Dani Bessa nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube Conheça outros artistas nessa matéria: Rebobinados indica #20: novidades nacionais pt. 1

Rebobinados indica #19: novidades nacionais pt. 1

Novidades nacionais pt. 1 é o tema e o retorno da nossa seção Rebobinados indica que está em sua décima nona edição. É aqui que reunimos nossas listas temáticas ou não de diversos artistas e seus trabalhos que recomendamos para ouvir. Dessa vez, fizemos uma lista com várias novidades musicais nacionais. Aproveite para conhecer e descobrir música nova! 🙂 Stall the Örange – It’s a Chromatic Circle, But O projeto liderado por Luiz Libardo busca influências nas bandas dos anos 80 e do indie, onde mescla sonoridades do dream pop, pós punk e rock alternativo, as composições se amparam nos acontecimentos ao redor de sua vida social, nas crises de pânico e percepções sobre a vida. Seu primeiro EP intitulado ‘It’s a Chromatic Circle, But’ tem 13 faixas e foi lançado pelo selo independente Nuzzy Records. Facebook | Instagram | Youtube Infante – Retalhos e Pensamentos Mal Costurados A banda Infante, natural de Jundiaí em São Paulo lançou seu novo EP ‘Retalhos e Pensamentos Mal Costurados’, resultado de um trabalho que durou cerca de dois anos, aqui eles exploram novas sonoridades, que conseguem unir a mpb ao rock alternativo, isso é parte de um processo de amadurecimento em diversos campos da vida, desde relações, introspecção e visões políticas. Facebook | Instagram | Youtube Mayí – Gritam-me Com letras inspiradas no poema ‘Gritaram-me Negra‘ da autora peruana Victoria Santa Cruz, Mayí lança sua primeira música ‘Gritam-me’. Representante da cena hip hop mineira, ela já fez parte do grupo Fenda composto por cinco mulheres, agora em carreira solo busca através da música externar suas vivências e a potência negra. Facebook | Instagram | Youtube Jessica Cohen – Fire A música ‘Fire‘ é o segundo single lançado pela artista Jessica Cohen, a musicista baiana também já foi vocalista da banda The Red Rivers. Aqui ela compartilha seu projeto mais pessoal, dividindo momentos sensuais e confiantes. A sonoridade tem elementos do r’n’b, jazz e música eletrônica, influencia vinda de grandes artistas como Nina Simone e Amy Winehouse. Facebook | Instagram | Youtube Yellow Boulevard – Living Like a Rockstar A Yellow Boulevard vem de Porto Alegre e faz um som influenciado pelo rock retrô, country e folk dos anos 60, mesmo assim conseguem agradar também o público moderno do indie. A faixa ‘Living Like a Rock Star‘ é o segundo single lançado em 2020 e antecede o primeiro EP que deve sair em breve, as letras falam sobre criar um estilo de vida prazeroso mesmo com as limitações atuais, fazendo analogia a vida de um rockstar. Facebook | Instagram | Youtube Riegulate – Júpiter Júpiter é o novo disco do Riegulate, projeto do compositor e produtor estadunidense Rieg Wasa lançado pelo selo Hominis CanidaeREC. Explorando sonoridades eletrônicas dos anos 80, ele traz em sua música muitas referências espaciais do sci-fi e cyberpunk. O músico, que vive em João Pessoa a mais de 20 anos produz artistas e tem um estúdio próprio na cidade, o BSB Estúdio. Bandcamp| Instagram | Youtube Depois da Tempestade – Conceitodissønante ‘Conceitodissønante ‘é a nova faixa da banda Depois da Tempestade em parceria com o produtor Murilo Nogueira (the.lazyb.). Saindo um pouco das raízes do rock, eles trazem uma fusão interessante e criativa entre o emo e o indie eletrônico, já nas letras buscam refletir sobre ansiedade, um mal que vem acompanhando a sociedade diante do caos mundial. Facebook | Instagram | Youtube Bordoá – Divagar Divagar é o novo disco da banda mineira Bordoá, as sete músicas que compõem o material passeiam por diferentes influencias vindas da bossa nova, indie, rock e jazz. Segundo eles, o disco dialoga sobre sentimentos individuais e interpessoais e o exploramento das suas relações e sua existência no momento da passagem para a vida adulta. Facebook | Instagram | Youtube Cayena – Medo Também representantes da cena independente mineira, a Cayena lança a nova ‘Medo‘. A música que fará parte do novo disco a ser lançado neste ano, surgiu de uma sessão de improvisos entre os músicos e mistura vários momentos que passam pela psicodelia, o brega, a mpb e a música latina, o resultado é uma sonoridade criativa, que inclusive ganhou um clipe conceitual incrível todo filmado em VHS. Facebook | Instagram | Youtube Os Fugitivos – Only You Liberdade é o sentimento que paira em ‘Only You‘, nova música dos alagoanos do Os Fugitivos. A atmosfera tropical com nuances da surf music e do indie são o ponto forte da canção que procura através de um clima leve, pegajoso e retrô se conectar ao ouvinte. A gravação e produção foram feitas pela própria banda nos estúdios Maná Records. Facebook | Instagram | Youtube Quer conhecer mais artistas e bandas, veja também essa matéria: Rebobinados indica #14 bandas brasileiras

Nycolle Fernandes, uma viagem ao limbo

Artista/Banda: Nycolle FernandesÁlbum: When the Sun ComesGênero: Folk / Alternativo / Ambient / InstrumentalAno: 2016Destaques: I’m so confused / In Limbo por: Gabriel Marinho Nycolle Fernandes é uma musicista de São Paulo, que teve seu primeiro lançamento em 2016 com o EP “When the Sun Comes”, mas antes disso já fazia covers de bandas grunge no soundcloud, como Alice in chains e Silverchair, mostrando um pouco de suas influências e alcançando mais de 7 mil audições apenas nessa plataforma, ganhando seu espaço na cena undeground lo-fi; é dela e de seu primeiro EP que falarei um pouco hoje. Conheci o trabalho da Nycolle em um grupo de shoegaze no facebook, em meados de 2015, naquela época o primeiro som que ouvi foi “I’m so confused”, música que viria a entrar em seu primeiro EP e que seria a primeira faixa do disco. A música começa com um dedilhado que ecoa forte a cada nota, é um som ambiente, soturno, leve e ainda assim um pouco angustiante, que por muito soa quase como um shoegaze devido a distorção vocal que acompanha os acordes, a única com vocal presente no disco. É um som sincero e palpável, sendo possível sentir o sentimento que ela quer passar, aqui o minimalismo torna a música muito grande, os versos que ecoam ao longo da faixa ficam por um bom tempo na cabeça ao fim da audição. A segunda faixa do disco, “In limbo”, soa como uma viagem dentro de um túnel, é um som místico, cada slide que Nycolle faz é acompanhado de sensações, de melancolia. Uma das melhores do ep, aqui ela marca fortemente sua personalidade sonora, que na questão de influência, me lembra alguns sons do Elliott Smith, ou ainda os sons que o John Frusciante fez ao sair do Red Hot Chili Peppers. A terceira faixa é cheia de suspense, soa como uma trilha sonora de um filme, Nycolle nos conta uma história através das notas de sua guitarra, como o nome sugere: “Sunset’s Shadows on the city”. Traz uma sensação de estreitamento nas sombras, minha visão é de que elas se escondem nas sombras, tem dias que não conseguimos enxergar uma saída dos problemas da vida e eles nos encobrem por muito tempo, a atmosfera da música cria essa ambientação propicia perfeita e uma cena se cria facilmente na mente, bastando fechar os olhos e se guiar pelo som. Sei que a Nycolle não escuta Katatonia, mas me lembrou um pouco a fase deles do Brave Murder Day, que é um doom metal bem soturno. “Moon and Mountains”, última e quarta faixa do disco, é um lindo folk, soa como uma caminhada, uma trilha na floresta, que começa a passos largos e logo se aperta correndo, uma perseguição, uma busca dentro de si. Mais uma vez de forma minimalista e profunda, a guitarra de Nycolle Fernandes fala e ressoa; em certos momentos é possível ouvir como se fossem gotas e um ponteiro ao fundo, acompanhando cada toque de seus dedos sobre a corda, é um mistério que perpetua a música toda, finalizando de forma perfeita o disco. “When the Sun Comes” é um disco intimista e muito pessoal, que da o ponta pé inicial na discografia de Nycolle Fernandes. Aqui somos levados a uma viagem em nosso subconsciente de forma soturna, misteriosa e muitas vezes mística; a melancolia que com certeza iremos encontrar nessa audição por vezes desperta fortes sensações, o que exige de quem estar ouvindo esforço para olhar para si enquanto é guiado por cada acorde, o que torna o ambiente pesado e bonito ao mesmo tempo, parafraseando Melancolia (filme de Lars Von Trier): “Melancolia irá simplesmente passar sobre nós e será a mais linda das visões” Siga a Nycolle Fernandes nas redes sociais: SpotifyInstagramFacebookBandcamp

TÔRTA: single ‘Você não faz ideia’ ganha belo vídeo e fala dos laços nas relações humanas

TÔRTA é liderada por May Manão (Crime Caqui), nesse projeto a artista busca sonoridades dentro das esferas experimentais eletrônicas, lembrando artistas como iamamiwhoami, Grimes e Björk. Seu primeiro single, a faixa “Iron Closet” falava sobre se assumir, auto aceitação e viver livre de julgamentos. Agora, ela retorna com ‘Você não faz ideia’, a música fala sobre uma paixão interna e os laços que unem essas pessoas. O vídeo, dirigido pela própria May, se inspira na Unmei No Akai Ito, uma lenda tradicional japonesa bem antiga que fala sobre um fio vermelho invisível indestrutível, capaz de unir duas almas gêmeas independente das situações. Sobre o vídeo ela diz: ”Esses fios se entrelaçam, se embaraçam mas continuam unidos, se transformando. Numa cama de gato, duas personagens se vêem presas nessa teia que elas próprias teceram com suas expectativas.” A música fará parte de seu novo EP que deve sair ainda este ano, no momento ela prepara uma live que será transmitida em março. A apresentação online contará com músicas já lançadas, além de outras que farão parte do disco de inéditas. Assista o vídeo oficial abaixo: Batemos um papo com May sobre as ideias que envolvem seu projeto entre outras coisas, confira logo abaixo: TÔRTA soa como um projeto mais pessoal e cheio de histórias a serem compartilhadas, como você definiria o seu trabalho e o que ele significa para você? Desde a concepção do projeto eu sempre tive uma ideia muito clara de que me serviria como um espaço de experimentação e reinvenção. E que com as músicas e tudo que se desdobra a partir daí, como videoclipes e apresentações, pudessem transmitir mensagens de transformação. Eu encaro como uma responsabilidade pessoal conseguir expressar tudo o que sinto ser importante discutir nos tempos atuais. E reconheço ser muito especial ter essa oportunidade no Tôrta. De onde veio a ideia do nome TÔRTA? Inicialmente era uma brincadeira com a gíria em espanhol em que “torta” significa lésbica. Depois refletindo sobre a palavra e o quanto ela remete a tudo que não se encaixa, e o quanto sempre me percebi assim, encaro como uma forma da gente tentar acolher nossas falhas também. O vídeo da sua nova música ‘Você não tem ideia’ é inspirado em uma lenda japonesa muito interessante, como você chegou até ela? Na verdade, o fio veio num brainstorm enquanto eu e Jess, produtora e co-roteirista, refletíamos sobre a música e os laços que construímos ao longo da vida e como nos relacionamos com esses vínculos. Depois quando o clipe já estava em execução, estava conversando com uma amiga em casa e ela viu o fio laranja, que havia usado para gravar algumas cenas, preso a parede. Assim que ela bateu o olho lembrou de uma exposição que havia visto no Japan House, em São Paulo, da artista Chiharu Shiota chamada “Linha Interna”. Conversando a respeito percebemos o quanto tudo se conectava. As relações modernas em grande parte são feitas de laços frágeis, a tecnologia tem um papel controverso nisso, ao mesmo tempo que ela nos aproxima também cria a distancia, qual a sua opinião sobre? Desde a pandemia nossa socialização mudou muito. Eu particularmente comecei a conversar com pessoas que nunca imaginei, de diversos lugares, relações muito bacanas. Algo bem fora da curva para eu que nunca fui muito de ter amizades de internet. Acho especialmente interessante o papel das redes num momento como esse em que nos restam poucas alternativas de nos conectar.  Você pretende lançar um EP inédito nesse ano, o que pode nos contar sobre ele? Posso adiantar que vai estar um pouco diferente das músicas que já lancei, hahaha. Se você pudesse escolher um filme para ter sua música como trilha sonora, qual você escolheria e por que? Eu sou muito fã do diretor polonês Krzysztof Kieślowski, me identifico muito com a melancolia presente em sua obra. Seria um sonho, ter podido criar a trilha para um de seus filmes. Para finalizar, um desejo para o futuro? Meu desejo é que as pessoas se permitam mais, se transformarem para que o futuro se transforme. Acompanhe Tôrta nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube

Amazonica quer que você conheça o doce som do Rock’n’roll

Na cena musical há cerca de dez anos, a cantora e DJ britânica Victoria Harrison lidera o Amazonica, seu novo projeto musical. O nome vem de uma lenda da planta Vitória Régia, conhecida em inglês por Victoria Amazonica. Sua carreira trilhou caminhos diferentes, das agitações da música eletrônica enquanto DJ e do rock através de parcerias incríveis com músicos importantes do rock e metal internacional, como Tommy Lee do Motley Crue e a banda de black metal sinfônico Cradle of Filth. No fim, os dois mundos se colidiram e resultaram em dois discos: The Trouble With… Harry (2003) e Songs from the Edge (2007) lançados sob o nome Harry. O primeiro single como Amazonica veio em 2018 com a música ‘Don’t Fear the Reaper‘ (2018) em um clima mais eletrônico moderno, dois anos mais tarde ela retorna com três faixas novas, High On You (2020), Memories (2020) e Stepping Stones (2020) single que acompanha mais duas faixas inéditas, sendo uma delas uma versão acústica. ‘Sweet Sound of Rock’n’Roll‘ é sua nova música e foi produzida por Luke Ebbin, que já trabalhou com Bon Jovi, Richie Sambora e Rival Schools. A faixa fará parte de seu novo disco previsto para ser lançado no segundo semestre de 2021. Você pode conferir o vídeo oficial abaixo: Conversamos com Amazonica sobre sua carreira e a trilogia de discos que ela pretende lançar além de outras curiosidades: Amazonica é um nome legal para banda, porém acho que você terá alguns problemas nas buscas na internet, então como você chegou a esse nome? Sinceramente, foram as buscas na Internet! Eu estava procurando por um novo nome que tivesse a ver com Budismo e a flor de lótus, e a internet e sua mágica me apresentaram Amazonica e pensei que soava como ‘Metallica’, então pensei SIM! Além disso, há uma lenda brasileira muito sombria e legal ligada a isso, que foi super comovente para mim. Não sabia que era você que cantava em ‘Temptation’ do Cradle of Filth, você fez uma ótima performance nessa música, como isso aconteceu, você já conhecia a banda? Acho que conheci Dani Filth bêbado em um Rock Club em Londres, mas a gravação real aconteceu anos depois, quando o produtor do álbum Rob Caggiano do ANTHRAX entrou em contato comigo depois que gravei ‘Making Me Crazy’ com Tommy Lee e disse acho que essa música ficaria ótima com você também. Então voei para Londres para fazer o vídeo e agora sou amiga de todos eles. Você vem lançando singles como Amazonica desde 2018, no começo podíamos ouvir um som mais eletrônico, porém você tem uma voz forte e poderosa para o rock’n’roll. Como foi essa transição para o rock em seu novo single ‘Stepping Stones’? Bem, é meio que ao contrário. Meu primeiro álbum ‘The Trouble with … Harry’ que eu gravei com o Youth do Killing Joke quando eu era adolescente era um disco de metal industrial pop misturado com rock alternativo, mas nenhuma das minhas músicas estavam disponíveis online antes devido a pesadelos contratuais com a gravadora. Mas no ano passado eu consegui os direitos de volta para todas as minhas próprias músicas, então estou relançando tudo esse ano. No primeiro álbum que fiz, misturei música eletrônica e rock. Sempre fiz músicas que misturam gêneros, mas agora é ótimo porque eu estava um pouco à frente do meu tempo e as pessoas realmente não me entendiam, mas agora as pessoas têm a mente mais aberta. Em alguns dias você vai lançar seu primeiro disco através de sua própria gravadora, o que podemos esperar dele? VAI SER DEMAIS! Acho que será uma ótima introdução e mal posso esperar para fazer uma turnê ao vivo e entrar no buraco! Ouvi dizer que será uma trilogia de álbuns, eles serão diferentes um do outro? Sim, ‘Songs From the Edge’ é puro rock alternativo e escrevi apenas na guitarra, meu primeiro álbum “The Trouble with .. Harry” é uma mistura de gêneros, já o novo álbum que estou terminando durante o lockdown é novamente uma mistura de gêneros mas foi produzido por mim mesma e usei muitas batidas do Trap com guitarras e sintetizadores e também há um grande momento cinematográfico com cordas que soam épicas, realmente mostram meu arco artístico. O que te inspira a escrever música? É algo que tenho que fazer, assim como respirar ou não me sinto bem. É estranho, fico mais feliz quando sou criativa, e os tempos mais sombrios da minha vida aconteceram enquanto eu não estava fazendo música. Isso salvou minha vida. Quais são seus planos após o lançamento do primeiro álbum, talvez um videoclipe? Espero fazer mais videoclipes, quero fazer muitos videoclipes, mas no momento é um desafio filmar devido às restrições da Covid. Se você pudesse escolher uma de suas músicas para fazer parte da trilha sonora de um filme, qual seria e por quê? Todas elas, são ótimas músicas para filmes! Obrigado pelo seu tempo e fique à vontade para deixar uma mensagem aos nossos leitores. Só quero dizer que, assim que for seguro viajar eu quero ir ao diretamente ao Brasil fazer shows malucos, vi que seu público e a energia parecem ELÉTRICOS! Mal posso esperar para conhecer o Brasil! Os discos em formato vinil já estão disponíveis e me sigam no Instagram: @DJamazonica Acompanhe Amazonica nas redes sociais: FacebookInstagramYoutube Quer descobrir mais artistas novos? Então confira também essa matéria: 11 artistas franceses para conhecer antes de 2020 acabar

Quem indica: Conrado Passarelli (Atalhos)

Estamos de volta! O Quem indica é a seção onde convidamos músicos e bandas para falarem sobre seus discos favoritos ou os que mais tem escutado. Estreando em 2021, hoje quem traz pra gente cinco indicações é Conrado Passarelli guitarrista da banda Atalhos. A Atalhos surgiu em 2008 na cidade de Birigui em São Paulo, hoje é composta pela dupla Gabriel Soares (Vocal, guitarra) e Conrado Passarelli (guitarra), até o momento foram lançados três discos de estúdio, são eles: Em Busca do Tempo Perdido (2012), Onde A Gente Morre (2014) e Animais Feridos (2017). O duo busca inspirações no mundo literário e cinematográfico, trazendo referências de alguns nomes conhecidos como: Sylvia Plath, Dante Alighieri e Ingmar Bergman. Em 2013 suas músicas chegaram em territórios vizinhos, o resultado foi uma pequena turnê pela Argentina, onde retornaram mais tarde em 2015 como parte do line-up do Festival Internacional Postpop Barenboim IV. Recentemente lançaram um vídeo para a nova ‘A Tentação do Fracasso‘, que dá uma prévia do que está por vir no próximo disco com previsão de lançamento para este ano. Você pode conferir abaixo: Acompanhe a Atalhos nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube As indicações: Tennis – Swimmer “Pop, romântico, esse álbum parece uma máquina do tempo. Basta ouvir uma vez a introdução de bateria da música “Need Your Love” para lembrar dela pelo resto do dia, talvez até pelo resto da vida.“ LCD Soundsystem – American Dream “Embora o álbum seja de 2017, ele apareceu na minha lista dos mais ouvidos de 2020 e tem  sonoridades dos anos 1980. O destaque vai para a música I Used To.“ Her’s  – Songs of Her’s “As guitarras dedilhadas de “What once was” e a bateria de “Dorothy” que segue pulsando em uma levada constante são duas características que me fazem admirar o trabalho dessa dupla que deixou o mundo da música de maneira precoce e inesperada.” BADBADNOTGOOD  – IV “É uma mistura muito bem feita entre jazz e elementos de música eletrônica. Instrumentos como o sax e sintetizadores ficam bem evidentes. A minha faixa preferida é Time Moves Slow, além da beleza na melodia tem a participação do Samuel T. Herring (Future Islands).” Bandalos Chinos – Bach “Grande álbum da banda Argentina. O convite para desfrutar dos bons momentos vem logo na primeira faixa: Vámonos de viaje.” Confira outros artistas e bandas que passaram pelo Quem indica clicando aqui.

André Prando, sutilmente marcado no tempo

Artista/Banda: André PrandoÁlbum: Estranho SutilGênero: Rock AlternativoAno: 2015Média: 10/10Destaques: Inverso ano luz / Linha torta / Vestido cor maçã por: Gabriel Marinho André Prando é um dos mais autênticos e inovadores artistas brasileiros de nossa década, e como a maior parte dos músicos do nosso país ainda não teve o total reconhecimento merecido. Ainda que sob o underground, é fácil notar a gama de fãs fiéis que obteve ao longo de sua “recente” carreira, já em 2015, com seu primeiro álbum, Estranho Sútil (lançado um ano depois do ep “vão”), já era possível perceber que ele era um dos grandes. Tive a chance de ver um show do André Prando em São Paulo em 2016 e a sensação e energia que ele emanava música após música é quase indescritível, quanta alma, quanta verdade… Nesse show ele cantou em sua maioria o repertório do disco de 2015, é dele que falarei um pouco hoje. Como grande parte do álbum, a primeira faixa – Inverso Ano Luz – é toda descritiva e mística, estabelece o sentimento e situação que o eu lírico se encontra, mas deixa alguns pontos para interpretação de quem escuta, é poético, melancólico e ainda assim meio esperançoso. “Hoje o dia não amanheceu porque eu não dormi,Eu não adormeço mais…Mas tá tudo bem.Boa noite, bem!Boa noite, bem!” É difícil descrever o trabalho sonoro do álbum, da aquela sensação de que você já ouviu esse tipo de música (algumas influências que conheço por exemplo, ficam claras no trabalho do André Prando), mas não sabe exatamente o que. A música segue com uma bateria marcada que acompanha um riff bem marcante, daqueles que se você ouvisse sem a letra, saberia muito bem qual a música é, aquelas de começo de show; no primeiro acorde você já abre o sorriso e vem a letra em mente?!. Os minutos finais da música ganham um pouco de peso, um grito em suplica do André guiam para o término; com um outro som vocalizado feito em acompanhamento (tchuru tchuru tchuru), que me lembra o som da abertura do desenho “Doug” rs. “Ah, eu vi de láLá do altoPó, poeira eu sou” A segunda faixa, “Amiga Vagabunda”, é uma das outras camadas que compõe o disco, essa é a mais animada de longe, quantas vezes já me peguei cantarolando essa música na rua, chega soa nostálgica, mas obviamente já é algo mais da minha experiência. A letra é quase metalinguística, André Prando vai descrevendo a forma com que os outros (a sociedade) o descreve e descrevem as pessoas (os rótulos, as percepções por senso comum, os preconceitos), em seguida, quase sem perceber, ele mesmo descreve a melhor amiga: “Me ensinaram que eu sou um vagabundoPorque meu pé tem marca de chineloE eu sento no chãoE porque eu fumoE tenho amigos que esqueço o nome” – “A minha melhor amiga é vagabundaPorque beija moças e rapazesTrabalha metade do diaBriga e faz sexo como as pazes” Sonoramente falando essa música mostra uma influencia forte de Raul seixas, principalmente nos minutos finais na forma de cantar e em alguns momentos até o próprio timbre do André, mas claro, sempre de uma forma que mantem a originalidade e a personalidade do mesmo. O riff que acompanha a música é bem dançante junto com a bateria, é muito artístico (seja lá o que isso queira dizer), é quase circense. E ao final, como todo o trabalho envolvendo o André, a letra finaliza de forma a tecer uma critica perfeita sob o que consideramos um estio de vida “correto” a ser levado: “Se eu não passo oito horas sentado numa cadeiraAtrás de um balcão fazendo todo santo dia a mesma coisaSem exercer meu direito como uma criatura criadoraeu sou vagabundo” “Linha Torta”, a terceira faixa do disco, é de longe a minha favorita. Ela começa e termina de forma sexy e triste, é um suspiro, um gemido em uma sexta-feira chuvosa. Aqui podemos perceber a versatilidade vocal do André Prando, a forma com que ele canta de forma firme e forte em cada passagem, e no refrão muda para um vocal fino e suave, é incrível e carrega um sentimento fortíssimo; e as nuances de cada riff ao longo da música ajudam a atenuar isso, de forma leve, soturna e muito, muito profunda: “Você invadiu minha residência sem limpar o péDeixou meu quarto sujo, bagunçado e atéMe fez tirar a roupa do lugar” (1° estrofe) – “Os ponteiros passaram e você não passouE a chuva cai lá fora, a chuva cai lá fora…” (1° verso) A estrutura sonora e letra da quarta faixa, “Circo Dos Palhaços Dixavadamente Imorais”, é bem inteligente e critica. Mais uma daquelas animadas do disco, e com um tom bem sério; na época em que estamos (e já faz um bom tempo que estamos nessa época), de que basta pensamento positivo que os problemas somem, André Prando usa essa temática para mostrar as dificuldades do dia a dia do proletário urbano e que ainda assim deve sorrir e fingir que está tudo bem, o que inclusive, me lembrou um bom texto da psicóloga Jô Alvim, ” A obrigação de ser feliz nos entristece”, fica a dica de leitura. Seguindo essa premissa, a música segue animada com André quase que falando consigo mesmo, dizendo “sorria mesmo que…”, ela segue com um certo gingado, meio funkeada, dançante. Em certo momento da música, em um estalo, uma tomada de consciência vem sobre ele, o eu lírico percebe o quão tolo é tudo aquilo, e a música acompanha essa reflexão mudando também, e em seguida indo por um som quase Reggae, quase Ska, mesmo sem ter visto André Prando falar dessa influência, me lembra um pouco a fase do “Preço curto…Prazo Longo” do Charlie Brown Jr.  Mais uma das baladas, com uma bateria marcada e um riff bem marcante, e um solo de guitarra bem reflexivo. A música fala sobre amizade, a valorização desse momento importante e as vezes passageiro em nossas vidas, parafraseando Renato Russo: “Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade”, esse dia

Novos artistas para conhecer nesse fim de ano

novos artistas - balthvs

O fatídico 2020 está chegando ao fim com uma lista de novos artistas para conhecer nesse fim de ano. Esse foi um ano bem ruim em todos os aspectos, porém o que podemos levar dele são as boas experiências que tivemos através da arte. A música foi uma válvula de escape bastante importante para mim esse ano e me ajudou muito a manter o restinho de sanidade que me restava. Espero que a música tenha tido um impacto positivo para todos vocês também e que 2021 seja um ano mais calmo e feliz. Nesses últimos dias do ano, trazemos mais uma lista de artistas novos que conhecemos recentemente, porque aumentar o repertório e descobrir músicas novas é sempre bom. Então vamos as indicações de hoje: MAIA Artista de trip hop/jazz/pop da Inglaterra. Até agora lançou um single chamado Bad Guy e planeja lançamentos para 2021. Facebook | Spotify | Instagram Bleach the Sky Banda americana de rock alternativo, tem uma pegada um pouco punk, um pouco grunge. Seu último lançamento foi o EP Acid Girl.Facebook | Instagram | Spotify CrumbSnatchers Banda americana de rock alternativo. Em 2016 lançaram o álbum Big House e em 2020 lançaram o single Satin Glow com uma vibe mais alegre, bem humorada e alto astral (extremamente necessária nesse período que estamos vivendo). Facebook | Instagram | Spotify Parlour Magic Projeto americano de música eletrônica do Luc Bokor-Smith. Esse ano lançou seu primeiro full álbum chamado The Fluid Neon Origami Trick. Ideal pra quem gosta de música eletrônica com sintetizadores e melodias no estilo Daft Punk. Instagram | Facebook | Spotify The Reytons Banda britânica de rock alternativo, com uma pegada de garage rock e stoner. A banda já lançou 3 EPs: Alcopops & Charity Shops (2018), It Was All So Monotonous (2017) e Kids off the Estate (2017). Red Smoke e Shoebox são seus últimos singles lançados em 2020.Instagram | Facebook | Spotify Cosmopolis Banda de art rock formada por músicos da Austrália, Inglaterra e Bélgica, com nome inspirado em uma revista europeia que circulava por volta de 1890. Como estão em locais diferentes, os músicos gravam sozinhos e produzem juntos em conjunto de maneira online. Brilhantemente, o nome do seu single chama-se The Distances. Os outros singles lançados esse ano são Sécheresse e God Hotel.Spotify | Facebook | Instagram Michael Dustan Artista australiano de folk music. Suas músicas nos transmitem muita calma e paz, você se sente cativado na primeira ouvida, então é uma excelente pedida pra você que está buscando músicas que tragam bons sentimentos. Michael lançou diversos singles entre 2017 e 2020, porém seu único full álbum chama-se In The Grand Scheme (2020) Instagram | Facebook | Spotify Yhu Kira Artista belgo de música pop francesa, esse gênero é mais conhecido pelo seu nome chanson. Traz várias influências de rap, R&B e trap. Seus trabalhos até o momento foram 3 singles lançados nesse ano: Tout est noir, Seul e Ciel. Em breve teremos o EP Pyramide nas principais plataformas. Spotify | Facebook | Instagram BALTHVS Banda colombiana de rock psicodélico com influências de funk, soul, R&B e música latina. Lançaram em 2020 um excelente álbum chamado M A C R O C O S M. Spotify | Facebook | Instagram Merry Christmas Banda britânica/japonesa de fuzz, folk e math pop baseada em Tóquio. Já lançaram o álbum The Flying Trombone Sisters (2014) e seu mais recente lançamento é o álbum The Night the Night Fell (2020) Spotify | Facebook | Instagram Playlist de novos artistas para conhecer – Groover discoveries Se você gostou e quer ficar ligado nas novidades musicais, basta seguir a nossa playlist no Spotify, ´lá você encontra vários artistas de diferentes gêneros musicais que descobrimos através da plataforma francesa Groover. Estamos atualizando frequentemente, depois conta pra gente quais você mais gostou.

Em outra estação, nas nuvens, com Moby

moby

Artista/Banda: MobyÁlbum: PlayGênero: Downtempo / Alternativo / TechnoAno: 1999Média: 8/10Destaques: Natural Blues / Why Does My Heart Feel so Bad? / Porcelain Você conhece o Moby? Não esse, o com Y… Não esse, o outro… ESSE! Hoje eu vou falar um pouco sobre o Moby, um cantor estadunidense que anda meio esquecido pela grande mídia, mas que com certeza marcou o final da década de 90 e o inicio dos anos 2000. Para ser mais preciso, falarei sobre seu quinto álbum (e único que ouvi) chamado “Play”. O álbum em si passa uma sensação nostálgica, mesmo lançado ainda na década de 90, ele soa muito anos 2000, toda a sensação que aquele período passou, uma certa esperança de mudança, deixando os anos de guerras mundiais pra trás, o pós-guerra, mas ao mesmo tempo carregado de incertezas, de “e agora?”; é existencialista, questiona a vida, a morte, as relações, os sentimentos, em cada passagem você vai de êxtase extremo pulando junto com os beats até se jogar na cama e refletir sobre o que você fez da sua vida até agora. A primeira faixa, “Honey”, olha para o passado, usando o sampler da música “Sometimes” de 1960, da cantora americana de blues Bessie Jones, para martelar uma incerteza em seus refrões, quase uma tragicomédia. Quando menos perceber vai estar batendo palma e cantando junto: “Get my honey come back, sometimesGet my honey come back, sometimesGet my honey come back, sometimes” Seguida por “Find My Baby”, que soa quase como uma continuação da primeira faixa, aqui Moby usa outro sampler dos anos 60, dessa vez de “Joe Lees Rock”, música gravada por Boy Blue, um cantor de Blues americano. Com a bateria bem marcada, é outra das animadas do álbum. A terceira faixa, “Porcelain”, é uma reflexão forte sobre um fim de relacionamento, começa com um som profundo, soa quase como uma fita sendo rebobinada, é possível se imaginar voltando a certos momentos e se questionar em relação ao que ocorreu entre os dois, sobre o que foi feito ou não… Aqui o piano dita a melodia melancólica em pausas, deixando a forte bateria marcar o tempo, a incrível backing vocal Diane Charlemagne suspira tão docemente que machuca, tamanho feeling e carga que a música carrega. “I never meant to hurt youI never meant to lieSo this is goodbye?This is goodbye” Em seguida, uma música tão simples e tão incrível que fez até mesmo o próprio Elton John aparecer de “surpresa” em um dos shows do Moby para ele mesmo cantá-la: “Why Does My Heart Feel So Bad?”. Assim como a anterior, é uma música reflexiva, profunda, existencialista; assim como no clipe, é fácil se imaginar sentado sob as nuvens escutando o refrão: “Why does my heart feel so bad?Why does my soul feel so bad?” Começa com um piano muito bonito, em seguida vem um beat bem forte acompanhando, vem a backing vocal quase que clamando, suplicando por uma mudança. Uma das primeiras que o Moby começa a flertar com uma “entidade” superior, com a fé, mas obviamente fica a interpretação aberta… Outro ponto interessante desse refrão cantado pela Diane Charlemagne é que não da pra saber ao certo o que ela canta, eu sempre entendi como “These open doors”, mas em alguns sites apresentam a letra como “He’ll open doors”, e talvez isso seja proposital! Cada ouvinte vai sentir algo diferente ao ouvi-la, a interpretação será moldada pela experiência pessoal do ouvinte, pela fase da vida em que ele se encontra. Com certeza em cada ouvida será uma nova descoberta “South Side”, quinta música do álbum, é uma boa música, mas é uma das esquecíveis, tem um refrão um pouco irritante, aqui pela primeira vez na jornada escutamos o som de uma guitarra, o que chama mais atenção na música o final das contas, talvez seja boa para fazer uma roadtrip , como a própria letra sugere. “Rushing” inicia um beat leve e tranquilo, não nega a vertente downtempo, me lembrando muito o bom e velho trip hop (que as vezes é difícil separar um de outro), álbuns como o “simple things” da banda Zero 7, que um dia falarei aqui ainda. A sétima faixa do disco, “Bodyrock”, é mais uma dançante, aquela formula marcante do álbum, beats marcados e samplers. Essa podia facilmente ter entrado na trilha sonora de Matrix, combina muito bem. A oitava faixa, “Natural Blues” usa o sampler de “trouble so hard”, música de 1939 da cantora Vera Hall, é cheia de simbolismo, o violino é soturno, mais uma suplica assim como a quarta faixa, a canção nos deixa reflexivos ao som de uma bateria bem marcada. “Run On”, a décima primeira faixa, mais uma das “tragicomédia” do Moby, usa samplers de “Run On for a Long Time” do Bill Landford and the Landfordairs. É uma música reflexiva também, vivemos de aparência? Estamos vivendo? Pra mim, se o álbum acabasse depois de “Natural Blues” com “Ru On” seria perfeito, mas ele se estende muito, as outras faixas que não comentei são completamente esquecíveis e genéricas, ainda assim, dito isso, é um álbum incrível e merece ser ouvido e mais falado. Mesmo cheio que músicas dançantes eu não recomendaria ouvi-lo com essa intenção, é um álbum pesado, você termina de ouvir e fica cansado mentalmente, mesmo depois de tantas músicas maravilhosas, ele é angustiante e incerto, como a vida pode ser em um outro momento, em uma ou outra faixa. Outras resenhas feitas por mim: Jeff Buckley Siga o Moby nas redes sociais: SpotifyInstagramFacebookSite

Shoegaze em 2020: cinco lançamentos

shoegaze em 2020 - pia fraus

Tá afim de descobrir novos lançamentos de shoegaze em 2020? Então continue lendo esse post. As guitarras barulhentas, cheias de camadas, vocais inaudíveis, múltiplos pedais e uma estética muitas vezes confusa, são as principais características do shoegaze, estilo criado no fim da década de 80, influenciado por gêneros como noise rock, pós punk e música ambiente. Em seu auge, no início dos anos 90, o estilo parecia ganhar força, com bandas como My Bloody Valentine, Moose, Slowdive e Lush, porém teve que lutar por espaço em meio a outros movimentos musicais que aconteciam na mesma época, como o grunge e o britpop, que juntos o desbancaram. Algumas bandas tentaram recorrer a outras influencias em sua sonoridade, mesmo assim por volta de 1996 o shoegaze decretou seu fim, nessa época o grunge já tomava conta das rádios em todo o mundo. Os tempos modernos chegaram e com ele um ato nostálgico que fez com que o retrô fosse considerado ”cool”. Posteriormente, muitos artistas decidiram ressuscitar seus projetos e bandas, caso do My Bloody Valentine. Nesse meio tempo, retornaram com um disco de inéditas após vinte anos desde seu último lançamento, o clássico ”Loveless” lançado em 1991 pela Creation Records. Inclusive, mesma gravadora dos ingleses do Slowdive, que lutaram para se manter durante o curto período em que o gênero esteve na ativa, apesar disso, são agora uma das mais adoradas pelos fãs de música alternativa. Muitos artistas ainda resgatam essa sonoridade, e outras muitas bandas estão surgindo ou lançando material novo. De antemão, e aproveitando que o ano está só começando, separamos cinco discos fresquinhos de shoegaze em 2020 que você precisa conhecer, confere aí! Pia Fraus – Empty Parks Em seu sexto disco Empty Parks, o Pia Fraus, banda da cidade de Taillin na Estônia mantém sua sonoridade mais sóbria. Com momentos mais delicados e melódicos, caminham com o indie rock, contudo, algumas passagens ”grosseiras” nas guitarras descrevem os flertes com o shoegaze. Se você gosta de The Pains of Being Pure at Heart, é uma boa pedida! Deserta – Black Aura My Sun Essa banda de Los Angeles, Califórnia dá o pontapé em sua carreira com um belo disco. O debut Black Aura My Sun traz uma sonoridade nostálgica, cheia de camadas, sintetizadores e mostra um apanhado de influências dos anos 90. Os toques mais modernos se apropriam de alguns momentos eletrônicos, ou seja, definitivamente influências de bandas como Slowdive e Cocteau Twins. Greet Death – New Hell Com uma vibe um pouco mais melancólica, o Greet Death traz um disco bacana, um som bonito, com boas doses de melodias e guitarras mais pesadas, às vezes com algumas quebras, temos até um folk como na faixa ”Leit it die”, tudo soa muito bem, sem ser tão genérico, o som aqui nos lembra bastante bandas como Nothing e DIIV. Floral Tattoo – You Can Never Have a Long Enough Head Start Em contrapartida, o Floral Tattoo se distancia do tradicional, em seu segundo disco, fazem um som barulhento e que vai se condensando junto de melodias, sintetizadores e ora spoken words, talvez os vocais fiquem devendo, mas as guitarras são o maior destaque destoando e também criando uma atmosfera bem ambiente sem cair em uma fórmula tediosa. Machine + – Samsara Por último, temos o debut Samsara do Machine+ (Machineplus). Aqui eles passeiam por estilos diferentes, experimentando mais com o eletrônico, ao mesmo tempo que, a junção de sons nos remetem a um lado mais etereal e barulhento, que como falamos é uma das características do shoegaze, se você gosta de música experimental, esse é pra você! Para ouvir os discos de shoegaze em 2020 na íntegra acesse: Pia Fraus BandcampDesertaGreet DeathFloral TattooMachine +

Mondo Noise – Jóias da Década

Mondo Noise, o universo expandido da música; Post-Metal, Post-Rock, Blackgaze, Doomgaze, Post-Black Metal, Math-Rock, Slowcore, Folk, Noise…

Melhores lançamentos nacionais de 2019

E aqui estamos nós com os melhores lançamentos nacionais de 2019. E você se pergunta, por que lançamentos e não álbuns? Porque queríamos ressaltar alguns bons EPs que foram lançados esse ano e que não poderiam ficar de fora da nossa lista de favoritos. Enfim, já que temos trocentas listas de álbuns do ano, vamos direto ao ponto. Tatyane Wagner Almeida – Domingos à Noite Jair Naves – Rente Apeles – Crux Labirinto – Divino Afflant Spiritu A sua alegria foi cancelada – Fresno Mafius – tela azul (EP) Fernando Motta & eliminadorzinho – Lapso (EP) maquinas – o cão de toda noite Sanguessuga – Ultraluna (EP) Raça – Saúde Fábio Thiago Pethit – Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação) Terno Rei – Violeta Boogarins – Sombrou Dúvida MC Tha – Rito de Passá Papisa – Fenda Ave Sangria – Vendavais Céu – Apká! Apeles – Crux Labirinto – Divino Afflante Spiritu maquinas – O Cão de Toda Noite

Melhores discos internacionais de 2019

Então é Natal e o que você fez? Quando essa música tocar, poderemos dizer que conhecemos artistas incríveis e ouvimos álbuns excelentes nesse ano. Algumas coisas que vamos mencionar aqui possivelmente não vão ser surpresa para vocês já que foram mencionadas anteriormente como destaques. A surpresa foi realmente notar que tivemos muitas coisas boas esse ano. Valeu a pena, né? American Football – American Football (LP3) É difícil ser emo, né? Esse álbum foi meu alimento dia e noite nesse ano, amo com todas as minhas forças, virou um dos álbuns preferidos da vida. Muito gostoso sofrer ouvindo essa belezinha, até fingi que tive algumas paixões inesquecíveis para poder sofrer com mais intensidade. Poucas coisas nesse ano me deram tanta paz e prazer quanto curtir esse álbum durante minhas intermináveis viagens de ônibus. É como se eu mesma estivesse me machucando, porém me curando ao mesmo tempo. Uma loucura, eu sei, é muito amor envolvido. American Football você quer o mundo? Eu te dou! Esse disco pra mim é como flutuar em uma galáxia repleta de doces melodias. Emo, midwest emo, post-rock, shoegaze e um math rock suave, e você ainda quer mais? Mike Kinsella te dá. E ainda te dá Elizabeth Powell, Hayley Williams, Rachel Goswell. Acho que não poderia ter sido mais perfeito. DIIV – Deceiver Provavelmente o meu álbum preferido do DIIV até agora. Não que DIIV tenha feito algo até agora que não fosse extremamente bom, mas esse álbum realmente me conquistou. Shoegaze totalmente original, com umas pitadas de alternativo raiz dos anos 90. Tudo que eu poderia esperar de uma banda de shoegaze DIIV me deu. 2019 valeu a pena por ter tido a benção de ouvir essa beleza. Mal posso esperar pela volta deles ao Brasil, vocês vão me ver pulando e cantando muito nesse show. Alcest – Spiritual Instinct Minha banda preferida da vida lançou um álbum, é claro que ele não ficaria de fora da minha lista de melhores do ano. Especialmente porque você nunca espera coisas previsíveis do Neige, são sempre surpresas, sempre tem um conceito gigantesco por trás de cada álbum, é uma junção de todas as artes juntas. Um dia eu gostaria de ter esse senso artístico refinado, por enquanto me resta recomendar álbuns aos meus queridos leitores por meio das minhas listas de indicações. Spiritual Instinct é um disco denso, carregado de emoções, transcendental, catártico, melancólico e turbulento. Duster – Capsule Losing Contact Capsule Losing Contact foi o maior presente que um fã de Duster poderia receber. 51 músicas dos discos Stratosphere e Contemporary Movement além dos EP’s e algumas músicas inéditas. Space rock, indie, shoegaze e slowcore de primeiríssima qualidade.  Caroline Polachek – Pang Caroline Polachek é uma das grandes surpresas pra mim nesse ano. Eu fui lerda e só descobri esse álbum incrível quando estava pensando nessa lista. A Caroline era do duo de indie pop chamado Chairlift. O álbum Pang é uma mistura excelente de art pop e música eletrônica. E pensa numa voz espetacular, poderosíssima, potente e angelical. Eu olho pra esse disco e a persona dele é tudo que eu gostaria de ser, um disco dançante, pra cima, dramático e intenso. Eu basicamente respiro rock alternativo, mas quando eu ouço músicas pop em uma qualidade tão boa quanto essas, eu sinto que tenho que compartilhar com o mundo também. Então acho que mesmo que pop não seja muito sua praia, acho bem impossível não curtir esse disco, vale a pena conferir. ​girl in red – BEGINNINGS Esse disco, que na verdade é uma compilação dos dois primeiros EPs da norueguesa Marie Ulven, foi escolhido por nós como um dos melhores álbuns do ano. Esse compilado marca o começo da carreira dela e o fechamento de um ciclo. Ela é um belíssimo exemplo de jovens tristes que fazem músicas em seu quarto, já que ela aprendeu sozinha a tocar guitarra e piano em pouco tempo. Começou a gravar suas próprias músicas e divulgar através da internet. Ela aborda diversos temas como saúde mental, sexualidade e autoconhecimento com muita verdade, o que faz a gente se identificar imediatamente. Uma voz doce e melódica, música alternativa, indie pop/dream pop da melhor qualidade. 2020 nos promete mais lançamentos desse ícone aí. Tamaryn – Dreaming the Dark Eu já tinha dado a dica no post de lançamentos de 2019 feito em março sobre esse disco excelente. Mas viemos reforçar a grandiosidade desse discão e dessa artista incrível. Um disco forte, cheio de personalidade, uma mistura de luz e escuridão. Basicamente música triste pra dançar enquanto você pensa na sua vida, dançando as mágoas e as dores, usando a tristeza como uma forma de se levantar e lutar, renascendo das cinzas com muito mais força, nesse momento você já está inabalável, pois o pior já aconteceu e você aprendeu a lidar com isso da melhor maneira que pode. Aquele disco pra você ouvir depois de tomar um pé na bunda pra se levantar e se lembrar da rainha empoderada que você é, né meninas? Poderosíssima como a espada de um samurai, fênix ressurgida, um ícone mesmo. Uma mistura de shoegaze com dream pop gótico e como ela mesma descreve, um lugarzinho entre o pop e o post-punk. As bandas de referência são Cocteau Twins, Tears for Fears, Depeche Mode e The Cure. Um rock alternativo cheio de referências pop com a melhor inspiração dos anos 80 possível. For Tracy Hyde – New Young City Para quem é fã de shoegaze, dream pop ou indie pop japonês, vale a pena conferir o lançamento da For Tracy Hyde. Eu sou suspeitíssima pra falar porque eu já fiz trocentos posts pra enaltecer o gênero, mas essa é uma das bandas que sempre chama minha atenção. Linhas de baixo lindíssimas, uma voz extremamente doce e relaxante, melodias felizes e dançantes, como um belo dia ensolarado. Eu gostaria muito de viver nesse mundo colorido e cheio de amor criado por  Eureka, 夏bot, U-1 e Mav. Bat For Lashes – Lost Girls “Lost Girls”

Lançamento: A tristeza acolhedora do álbum Sonho Violento – Wagner Almeida

Confesso que me senti bastante honrada e emocionada quando o Wagner me mandou o EP para que eu pudesse resenhar aqui no blog. Eu não costumo resenhar muito e talvez você nem possa chamar o que eu faço de resenha. Mas o que eu sei é que eu sempre escrevo sobre aquilo que eu gosto. E as músicas do Wagner são uma das coisas que eu mais gosto na música brasileira. Foto: Amanda Barros Solta o play: Youtube: https://youtu.be/yoPv1I6qWrs Spotify: https://open.spotify.com/album/2sYSTuY8Fjpy4LnmsIyamk É incrível como a arte toca a gente. Sempre me pego admirando como um artista coloca todas suas frustrações, angústias e tristezas em uma música e a nós do outro lado dos fones conseguimos sentir e entender exatamente o que ele está falando. Wagner faz parte de uma geração de artistas extremamente talentosos e jovens. Quando eu olho para o Crescimento/Desistência (2018) e para o Domingos à Noite (2019), eu sinto o maior orgulho da galera da minha idade ganhando o mundo com a música, me sinto privilegiada por ter conhecido uma pessoa tão legal e sincera sobre seus sentimentos. Nada mais real do que escrever, gravar e produzir suas músicas sozinho ou com ajuda de amigos, nada mais sincero do que o som alternativo independente. É sempre você contra o mundo. E eu acho que também deve dar um orgulho danado pro outro lado perceber que não está sozinho, que tem muita gente apoiando e curtindo o trabalho. Acho que é para poder fazer essa conexão e para que todos possam se unir que eu escrevo. É só por isso que a gente faz o que faz. Sonho Violento me lembra bastante o som dos diversos trabalhos do Phil Elvrum (Mount Eerie, The Microphones). As músicas me soam tristes, mas é uma tristeza acolhedora. É como aquele abraço reconfortante depois de um dia ruim. E eu me senti bastante reconfortada pelas músicas dele esse ano. Um ano difícil não só pra mim, mas para muitos amigos e conhecidos meus. Um ano que nós não sabíamos se conseguiríamos chegar ao fim, mas chegamos e aqui estamos. Meio baqueados, mas vivos o suficiente para ouvirmos esse álbum e nos sentirmos abraçados e compreendidos. O EP se inicia com Despertar, que é a literal descrição do momento em que vivemos “Ele tá baqueado, ela não sai mais da cama, e nada dá vontade de acordar. Tão calmo, tão quieto, piloto automático”.  Essa música é literalmente o que eu precisava ouvir, é uma leitura tão verossímil do que está acontecendo, a gente vivendo sem ter certeza do amanhã, porém inertes demais para levantar e lutar. O sentimento é de uma melancolia e inércia de um domingo à tarde. Você sabe o que vai chegar em breve, mas você não tem forças para encarar. Não é uma sensação de desespero, mas sim de um desabafo, admitindo o cansaço e que está tentando melhorar. Foto: Amanda Barros A segunda faixa Esperar traz uma guitarra plugada, reverb na voz. Simplesmente jovens cansados fazendo músicas tristes em seu quarto. Eu consigo imaginar todo mundo ouvindo essa no transporte público, voltando pra casa depois de um rolê, aquela sensação de se ver sozinho de novo “Eu ainda não sei se eu vou estar vivo na semana que vem”. Mas a gente sabe que semana que vem tem mais. Respirar é a terceira faixa, talvez a mais lo-fi de todas. Bem curtinha, mas bem interessante. Acho que literalmente um dos lo-fis mais bem feitos que já ouvi, realmente fiel a estética e realmente o que eu esperaria se me indicassem um lo-fi nota 10. Inseguranças, incertezas, falta de estabilidade, auto estima baixa e lo-fi são as coisas mais jovens que existem. Correr é a quarta e última faixa desse EP. Uma despedida de uma trajetória não tão longa, porém boa. É fim de noite, você está deitado, refletindo sobre seu dia, antes de conseguir dormir, antes de conseguir aquietar a mente. A desesperança com o passado, porém a positividade-esperançosa de que amanhã vai ser melhor. Suave como uma brisa, você fecha os olhos e o sono te carrega por um córrego tranquilo. O som do violão te acalma e você dorme. Foto: Amanda Barros Wagner é simplesmente um dos melhores artistas do país ao meu ver. Ele sempre acaba me surpreendendo por mais que eu espere criações boas dele. Ele compõe sobre coisas pessoais, sobre coisas que aconteceram com ele, mas cada um acaba interpretando à sua maneira e acaba criando laços profundos com a música. Parece até que foi feito lendo sua mente e suas experiências. Ele consegue capturar a mesma mágica que as músicas do Fábio de Carvalho, outro grande artista que eu admiro bastante, passam. E essa mágica nunca cessa de me impressionar. O Domingos à Noite que o Wagner lançou esse ano me marcou tanto que eu vejo muito dele nesse EP também. É uma continuação sem ser continuação, entende? É a continuação da vibe/espírito. São canções diferentes, são propostas diferentes, mas o impacto causado em mim foi praticamente o mesmo. A melancolia, calmaria e quietude dos dois projetos são bastante parecidas. Se tivesse um pouco mais de dedilhado nesse álbum, poderia dizer que são os álbuns do ano, um do começo e um do final, para nos mostrar o impacto que 2019 causou. Um ano terrivelmente difícil, mas um ano no qual  a música teve um papel protagonista nas nossas vidas, nos ajudando a segurar todas as barras que é ser um brasileiro vivendo em tempos de nefastos, incertezas políticas, medo e retrocesso. A vida não é doce, muitas vezes é amargo, às vezes é doloroso viver. Mas as coisas doem muito menos quando você sabe que não tá sozinho nessa e quando você tem o poder da música para te ajudar a superar. Tracklist: 1 Despertar 2 Esperar 3 Respirar 4 Correr Ficha técnica: -Todas as composições, vozes, violões e experimentações por Wagner Almeida; -Áudio captado por Wagner Almeida; -Mixagem e masterização por Wagner Almeida -Foto de capa por Caio Brandão. Siga o artista nas

Lançamento do projeto audiovisual: A Metamorphösis’ Tale de Lia Kapp

Lia Kapp lança no youtube, nesta sexta-feira dia 13 de dezembro, o capítulo 1 do projeto audiovisual “A Metamorphösis’ Tale”, inspirado no álbum Metamorphösis, lançado em 2018. Parte de uma história dividida em seis capítulos, o projeto contou com uma equipe de gravação completa formada por estudantes de cinema da Faculdade de Artes do Paraná e foi escrito pela própria artista, com o auxílio seu companheiro de banda, Gustavo Mazuroski. A fábula fala sobre a transformação que marcou a vida de Lia e, em seu primeiro capítulo, conta com cenas fortes de tortura que representam a depressão e as dores sentidas nessa época de sua vida. Lia Kapp tem 22 anos e é cantora e compositora. Lançou seu primeiro trabalho em 2015, o EP Conflito, que também serviu de referência para o projeto “A Metamorphösis’ Tale”. Atualmente, faz parte de uma banda que leva o seu nome, juntamente com Erich Zimmermann e Gustavo Mazuroski, com quem lançou, em agosto de 2019, o EP Jupiter, que contém criações de todos os integrantes e de seu ex-baterista, Gabriel Bryl. Cada capítulo será lançado separadamente e as datas ainda estão para ser divulgadas. Para acompanhar a história, siga Lia Kapp nas redes sociais: Youtube: http://youtube.com/c/LiaKappFacebook: http://facebook.com/liakapp.musicInstagram: http://instagram.com/liakappSpotify: http://bit.ly/spotify-liakappE-mail: bandaliakapp@gmail.com

Os shows marcantes da SIM SP: terraplana e Land of Talk

shoegaze brasileiro terraplana

A SIM SP fez um evento excelente durante os dias 05, 06 e 07/12. A melhor edição que eu fui até agora, afirmo isso mesmo tendo comparecido em apenas 2 festivais diferentes na noite de sexta feira. Só esses 2 já me fizeram ter certeza isso. 06/12 vai ficar marcado na minha memória.

Rebobinados indica #16

Moon Pics Se você pira no shoegaze e todo seu pacote de pedais e efeitos, essa banda é pra você, o Moon Pics acaba de lançar Fall / Like Rain, seus dois novos singles trazem o saudoso estilo dos anos 90 e aquela pegada bem espacial, literalmente pra viajar ouvindo. Versus 3 O trio paulistano formado por Murilo Lourenço (guitarra/voz), João Luis Paes (bateria) e Luiz Fernandes (baixo/voz), comemora o retorno após dois anos de hiato com o novo EP As Pequenas Coisas Que Morrem, a produção tá fina, são seis músicas cheias de ótimas letras e grandes momentos, peso e melodia na medida certa. Tuíra Nós definitivamente amamos bandas com mulheres, e eis que apresentamos aqui a Tuíra, banda queer carioca, que tem em suas influências o pop punk, hardcore e o indie que se misturam numa bela fórmula durante as canções de seu EP de estréia Calma e Força. Weedevil Seguindo a fórmula de um Black Sabbath dos anos 70 juntamente com sua própria identidade, essa banda paulistana apresenta seu stoner rock através de belos riffs de guitarra e vocais femininos, o que traz um certo ar inovador, esse ano lançaram seu primeiro single Morning Star. Deeper Relacionamentos, emoções e a saída para o melhor caminho, essas são os sentimentos que esse trio de Chicago traz em seu novo single Run , as composições trazem um som moderno, lo-fi com a fusão do indie e pós-punk. Gods & Punks And the Celestial Season é o terceiro disco de estúdio dessa banda carioca lançado via Abraxas, o primeiro single lançado é Escape to the Stars, o som é uma mistura de stoner, psicodelia e progressivo. Esquimós A banda enxerga Bonança, seu segundo disco, como uma calmaria após a tempestade trazida pelo primeiro lançamento, suas letras reflexivas e poéticas são bem traduzidas em um instrumental com toques de post-rock e rock alternativo, dentre as influências estão Frank Ocean e Radiohead. DIOKANE Se a sua praia é a música extrema, então dá o play agora, o DIOKANE, banda de Porto Alegre, extravasa seus sentimentos de descontentamento com o mundo através de um som intenso, sujo e pesado do jeito que tem que ser.

Alcest: transcendental e emocional em Spiritual Instinct

A espera foi longa, vivemos esse 2019 nos arrastando a espera do novo álbum. Esse não tem sido um ano fácil para nós, temos sido derrotados pelo capitalismo todos os dias. Mas tem algo que não pode ser tirado de nós é o amor pela arte. E Alcest é uma das coisas mais belas que a arte nos trouxe. Taty: Eu não consigo falar sobre essa banda sem me deixar levar pelas emoções e eu já sou muito emocionada sempre, então imagine… Sou fã incondicional, então espere muito amor sendo descrito nesse texto. Além de ser a minha banda preferida da vida, é uma parte de quem eu sou. Uma boa parte de todo o amor que há em mim é destinado ao Neige (eu diria uma enorme parte pra ser sincera). Alcest não é apenas música, é espiritualidade, é um espetáculo a parte. Antes de começar a gostar de shoegaze, eu gostei de Alcest e antes de começar a gostar de Alcest, eu gostava de música celta. Meus queridos franceses do blackgaze falam comigo profundamente assim como a música celta falava. Conseguem atingir aquele pontinho sensível do meu coração, acertam em cheio na minha alma, transmitem a mensagem e trazem um senso de compreensão inimaginável. Eu vou ser eternamente grata por ter tido a oportunidade de viver na mesma época que o Neige. Só por isso eu já me sinto sortuda demais. Às vezes eu acho que nem ser humano ele é, deve ser algum tipo de divindade. E essa divindade criou um álbum espetacular, melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. Talvez seja um pouco cedo pra dizer, mas provavelmente vai se tornar meu segundo álbum preferido. Não poderia se tornar meu álbum preferido, pois nada supera o Écailles de Lune (2010). E é incrível como Alcest fala de um mundo particular e espiritual de uma pessoa, são experiências pessoais e que não fazem parte do nosso cotidiano, mas que conseguem nos tocar e nos levar a algum lugar extremamente bonito e agradável. Aliás que se o cotidiano fosse bonito desse jeito, nós não precisaríamos sonhar e não iríamos querer escapar dele. Spiritual Instinct foi composto depois a turnê do Kodama (2016), uma turnê longa e cansativa. Durante esse tempo, os tempos foram um pouco escuros para o Neige, o disco não é algo otimista e alegre como Shelter (2014). É um disco forte, catártico, exuberante, turbulento, melancólico e tudo isso sem perder todos os elementos originais que nos fizeram amar a banda. Ainda é etéreo, cheio de referências a cultura pop, cheio de influência do shoegaze e post punk. Nesse álbum fica ainda mais claro toda essa dualidade que é essa questão da espiritualidade/religiosidade. Não exatamente falando de deus, mas sim de que há algo maior que alguns de nós acreditamos. Uma batalha interna, um tanto de existencialismo em forma de música, me fez pensar bastante. Esse episódio do Metal Talks me trouxe muitas lágrimas e uma enorme compreensão do que esse disco significa. Vale a pena ouvir: É difícil colocar em palavras nossos sentimentos. Por mais que a gente tente, às vezes parece que não chega exatamente no ponto que se quer alcançar. E ainda bem que a arte está aí para nos dar N maneiras para nos expressarmos, especialmente quando estamos sobrecarregados de emoções e pensamentos. Ao mesmo tempo que nos desliga de nossos problemas e nos leva a um mundo melhor. Outra coisa que recomendo bastante é ver o mini documentário que nos trouxe as imagens maravilhosas presentes nesse post, o La lumière autant que l’ombre, o documentário sobre a gravação desse álbum. Cada frame é mágico e surreal de tão bonito: Eu fiquei um tanto quanto arrepiada com a versão acústica de Protection que toca nesse álbum. Aliás, acho que vocês puderam perceber o quão arrepiada eu fiquei com tudo em relação a esse lançamento. A banda tem esse poder em mim, de me deixar impactada e maravilhada com a identidade visual, os videoclipes, os ensaios fotográficos, as entrevistas e tudo mais. Pode ser que eu fique boba facilmente ou porque realmente tudo é realmente perfeito e caprichado, pensado milimetricamente para se tornar um espetáculo. Imagino o quão surreal será esse show e desde já vou começar a implorar para que o meu produtor preferido traga a turnê da minha banda mais do que amada para o Brasil. Por: Fábio O Alcest é uma das únicas bandas dentro do metal que fazem música de forma totalmente sincera e emocional. Esses foram os aspectos que mais me chamaram atenção e fez com que eu criasse essa conexão. Aquelas melodias e momentos de nostalgia me davam calafrios e me tiravam desse mundinho chato pra um outro universo paralelo, bonito, agradável e que servia de consolo pros pensamentos, que às vezes vinham de uma só vez pra derrubar. O disco anterior, Kodama, não havia me cativado, afinal senti falta de melodias mais sensíveis, e até cheguei a pensar que Neige estava tentando agradar os fãs metaleiros mais chatos com esse negócio de gutural, guitarra mais ríspidas e etc. Em Spiritual Instinct, as minhas esperanças foram renovadas, começando por apresentar somente seis músicas, pra mim, menos é mais, senti saudade desse formato que começou com os primeiros álbuns. A primeira faixa ”Les jardins de minuit” tem a alma do Alcest e também traz um frescor. Os elementos que os fizeram ganhar atenção de muitas pessoas, ou seja, a união do metal com algo mais celestial, misturando de forma genial os guturais, blast beats, riffs rápidos e sonoridades mais atmosféricas e tocantes. Tudo isso muito bem composto e que nos faz voltar há alguns anos atrás, em discos como Écailles de Lune (2010) e Les voyages de l’âme (2012). “Protection” e “Sapphire” são músicas boas, e com resquícios passados que talvez sintetizem a transição do disco anterior até essa nova proposta, acredito que foram escolhidas como single pois são as mais ”comerciais”, inclusive, ganharam vídeo clipes. Em ”L’île des morts” somos agraciados por um instrumental que se

Spool, quarteto japonês traz a nostalgia do clássico shoegaze em seu primeiro disco

Há exatamente quatro anos atrás, quatro garotas oriundas da agitada capital de Tóquio, no Japão, se juntam para formar uma banda, a SPOOL (” スプール) é integrada por Ayumi Kobayashi (vocal, guitarra) , Sumika Syoji (guitarra), Minako Abe (baixo) e Aran Inagak (bateria). Grandes fãs da música indie e shoegaze, lançaram seu primeiro EP ‘watashiwaoyogu melonsoda’ em 2015 com três faixas, inicialmente flertando mais com o indie rock. Foi apenas em 2019, que seu primeiro disco cheio saiu, lançado via Testcard Records e com 12 faixas, o auto intitulado ‘SPOOL’ ganhou vida e trouxe em sua estréia o som nostálgico dos anos 90, feito por bandas como My Bloody Valentine e Lush. De faixas mais melódicas e espaciais como ‘Winter’, a outros momentos mais pesados, texturizados e barulhentos como o primeiro single ‘Be My Valentine’, a SPOOL já entrega de cara um disco que facilmente as coloca nos holofotes da cena shoegazer japonesa. Batemos um papo rápido para conhecer um pouco sobre a banda e sobre o primeiro disco lançado nesse ano. Como a banda começou, vocês já se conheciam antes ou tinham algum projeto musical? A vocalista e guitarrista Ayumi, a baixista Minako e a baterista Aran estudavam na mesma escola. Nós começamos uma banda cover quando ainda estávamos estudando, nunca tivemos outra banda. Ayumi criou uma música e subiu no SoundCloud, no ano passado a guitarrista Sumika entrou para a banda e nos tornamos um quarteto. Suas primeiras músicas surgiram em 2016, mas depois vocês não lançaram nada, a banda se separou ou foi apenas um tempo para compor e voltar com novas ideias? Depois de lançarmos ”I Swim, Melon Soda”, Ayumi perdeu a vontade de compor músicas e ter uma banda, como se estivesse esgotada. Mais tarde, sua motivação voltou e lançamos o disco. Recentemente estamos ouvindo muitas bandas interessantes surgindo do seu país, como é a cena shoegaze no Japão? Existem diferentes bandas de shoegaze no Japão, e há muitas que estão abrindo caminhos para novas surgirem. Acho que a melhor coisa é fazer o que você quer, independentemente do gênero. Como o seu primeiro disco tem sido recebido pela media e pelos seus fãs? Foi uma responsabilidade maior do que esperávamos. Ficamos surpresas e muito felizes que muitas pessoas compraram o nosso disco. Vocês tem dois vídeo clipes oficiais no Youtube, eles são simples mas ao mesmo tempo são autênticos, de quem são as ideias? Sobre ”Be My Valentine”, as imagens já estavam na cabeça de Ayumi e fizemos o vídeo baseado nelas enquanto conversávamos com o diretor. Todas nós pensamos no conteúdo durante essa conversa, gostamos muito de ambos os vídeos. Quais são os planos para o futuro da banda? Primeiro, um festival ao ar livre. O objetivo é fazer com que o máximo de pessoas ouçam nossa música. Confira o disco Spool: Siga a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp

Nothing: banda de shoegaze traz ao Brasil a turnê de seu recente disco Dance on the Blacktop

Um estilo que floresceu no final dos anos 80 e ficou mundialmente famoso com My Bloody Valentine, Slowdive e Ride, o shoegaze atravessou décadas com muita distorção. Atualmente é ainda bastante praticado por bandas que tanto escolhem a sutileza, ou aquelas que exploram o peso e a incursão de ruídos. No meio do caminho está a norte-americana Nothing, um colosso sonoro que oferece um turbilhão de sensações com seu shoegaze denso e melódico. No melhor momento da carreira e tida como referência desta nova geração do estilo, a Nothing estreia no Brasil dia 14 de dezembro, em São Paulo, no Fabrique Club. A realização é da Powerline. Nothing Nestes dois últimos anos, a Nothing ganhou enorme reconhecimento. Principalmente devido a uma extensa e concorridíssima turnê ao lado do Basement, a apresentação calorosa na edição deste ano do famoso festival Psycho Las Vegas (com Godspeedyou! Black Emperor e Defheaven como umas das atrações principais) e shows por toda Europa e até Ásia. Mas toda essa exposição é resultado do trabalho da Nothing em Dance on the Blacktop, o terceiro disco pela grande gravadora Relapse Records, em 2018. Absolutamente tudo foi composto por Dominic Palermo, o vocalista e fundador da banda, que é hoje, uma das mais brilhantes mentes criativas do indie rock mundial. O álbum teve a produção do experiente John Agnello (Dinosaur Jr, Sonic Youth, The Hold Steady, entre outras). Dance on the Blacktop colocou a Nothing em um patamar avançado da cena indie mundial, apesar de, musicalmente, ser um prologamento natural dos dois anteriores – Guilty of Everything (2014) e Tired of Tomorrow (2016). Mídias do mainstream, como NME, Pithfork, Pop Matters e Rolling Stone destacaram o álbum, sempre com elogios e reforçando a capacidade da banda em tratar de temas sensíveis e sociais com tamanha sensibilidade, usando diferentes texturas sonoras, ruídos, riffs e o que mais for preciso para expressar uma mensagem pertinente à contemporaneidade. Radical Karma O quarteto, formado por Fausto Oi (baixo, ex-Dance of Day e atual Direction, Good Intentions e Eu Serei a Hiena), Fernando Martins (batera, Horace Green), Gabriel Zander (vocal, do Zander) e Mateus Brandão (guitarra, do Chuva Negra), começou a tocar ao vivo desde o fim de julho e é sempre um show que atrai fãs do hardcore ao indie. Com o EP Entre o Fim e o Começo lançado no primeiro semestre do ano e um novo por vir, o Radical Karma é a banda de abertura deste evento especial dia 14/12 no Fabrique com a Nothing. Esta será mais uma oportunidade para ouvir a força das canções “Ainda Bem que Decidiu Ficar”, “Âmbar Báltico”, “Referente Ausente”, “Sinto Muito que Não Sinta Nada”, além de novidades. SERVIÇO Nothing (EUA) dia 14 de dezembro em São Paulo Evento: https://www.facebook.com/events/605196893350195/Data: 14 de dezembro de 2019Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1075 – Barra Funda/SP)Ingresso: R$ 110,00 (meia/promocional, 1º lote); R$ 220,00 (inteira); R$ 130 (meia/promocional, 2º lote)Venda online: https://pixelticket.com.br/eventos/4448/nothing-em-sao-pauloVenda física: Locomotiva Discos – sem taxa, somente em dinheiro (rua Barão de Itapetininga, 37 – SP/SP)Classificação etária: 16 anos(Promocional para não estudantes doando 1 livro ou 1kg de alimento não perecível) Ouça o mais recente álbum do Nothing, Dance on the Blacktop, no Spotify: https://open.spotify.com/album/4LSHNiX2fM8eKv4TyosARZ

Especial: Mulheres bateristas

mulheres bateristas

No especial de hoje, o tema é mulheres bateristas. E acho que se tem algo que incentiva mulheres a tomarem espaço na música é verem outras mulheres nos palcos, mixando, masterizando e produzindo arte em geral. Pelo menos pra mim funciona assim, eu vejo uma mulher fazendo algo muito legal e aí eu penso “tá aí, que bacana, também quero fazer isso!”. Coisas que a gente nunca tinha parado pra pensar antes que de repente se tornam possíveis e alcançáveis. Tem espaços que a gente não pensa em ocupar simplesmente por nunca ter parado pra pensar e não necessariamente porque a socialização nos impede. Por isso que trouxemos para vocês dessa vez um especial de mulheres bateristas! Exemplos são importantes demais. Foram mulheres tocando instrumentos que me incentivaram a tocar literalmente todos os instrumentos que eu já peguei e me dediquei. Começou com o violino quando vi a Máiréad Nesbitt (Celtic Woman), piano com a Nina Simone, guitarra (Bilinda Butcher e Rachel Goswell) e é bem possível que eu fique tentada a tentar outro instrumento assim que ver alguma mulher brilhante no palco. Durante o post vou dizer quais foram minhas inspirações para tocar bateria também. Aproveita e mostra esse post para alguma amiga sua que esteja tentando aprender algum instrumento, também já falamos sobre mulheres baixistas parte I e mulheres baixistas parte II, quem sabe ela se sinta mais motivada quando perceber todas essas referências excelentes, né? Fiquem à vontade para nos sugerirem outras bateristas que vocês conheçam aqui nos comentários, porém já fica o aviso de que teremos uma parte II… Aguardem! Cat Myers (Honeyblood e Mogwai) Anna Prior (Metronomy) Carla Azar (Autolux) Sandy West (The Runaways) Régine Chassagne (Arcade Fire) Cindy Blackman (Lenny Kravitz) Sheila Escovedo (Prince) Janet Weiss (Sleater-Kinney)  Sera Cahoone (Carissa’s Wierd, Band of Horses) Maureen “Moe” Tucker (The Velvet Underground) Mulheres bateristas brasileiras Temos uma infinidade de mulheres ULTRA talentosas tocando bateria no país e cada vez mais temos mais meninas se interessando por bateria e percussão. Ver mulheres bateristas no palco é uma das coisas que mais me emocionam. As queridíssimas que me levaram a tocar bateria são essas duas artistas incríveis que eu mostro a seguir: A Larissa Conforto e a Muriel Curi. Larissa Conforto (Àiyé, Ventre) Muriel Curi (Labirinto) Vera Figueiredo (Diana King, Zélia Duncan, Milton Nascimento, Rita Lee) Ana Zumpano (Antiprisma, Lava Divers) Camila Ribeiro (In Venus) Jéssica Fulganio (Ema Stoned, Dolphins on Drugs) Julia Baumfeld (Tarda) Isabelle Miranda (sapataria) Dori (Charlotte Matou um Cara) Silvia Fortini (Wagner Almeida) Quer conhecer mais bateristas? Então se liga nessa matéria do sopa alternativa

Garbo lança vídeo para novo single ‘A Nossa Música’

Na cena indie pop há cerca de dois anos, o paulista Garbo acaba de lançar mais um single inédito, a faixa ”A Nossa Música” ganhou vídeo clipe oficial e fará parte do sucessor de ”Jovens Inseguros Vivendo no Futuro”, disco lançado em 2018. Assista o vídeo abaixo: Siga o Garbo nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube

Rebobinados indica #15

Dizzy Wave – Feel the Wind ‘Fell the Wind’ é o primeiro single que antecede o primeiro EP da banda que deve sair até outubro desse ano, a sonoridade é uma viagem sonora que serve de calmante ao ouvinte, com fortes influências da psicodelia e do dream pop. Thiago Pethit – Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação) O quarto disco de estúdio do músico e compositor Thiago Pethit traz nove composições influenciadas por Orfeu, o personagem da tragédia grega vem reformulado e vive os desamores pelos pontos urbanos de São Paulo. A sonoridade que traz  uma mistura de MPB, música clássica e trip-hop cria uma aura às vezes obscura, melancólica e contemporânea. Vivian Kuczynski – Ictus A jovem cantora Vivian Kuczynski já vinha ganhando destaque com seu primeiro EP ‘Sonder’ lançado em 2017, que trazia um som maduro e um vocal singular, agora retorna com seu primeiro disco de estúdio, ‘Ictus’ traz nove faixas com influências de indie pop e momentos mais introspectivos. lllucas – Azul (single) lllucas é um projeto de dreampop de São Paulo, ”Azul” é seu novo single após um ano do lançamento de seu primeiro EP Creme Azedo. O nome azul foi escolhido pela associação da cor com a tristeza e solidão, nas letras lllucas fala sobre a solidão do jovem suburbano e é acompanhado por um instrumental leve e psicodélico. Applegate – Enfim (single) Applegate banda que surgiu em São Paulo no ano de 2016, lança ”Enfim”, o terceiro single apresentado antes do lançamento oficial de Movimentos Regulares, seu primeiro disco de estúdio que deve sair em outubro, a letra fala sobre auto-confiança e aceitação nos tempos turbulentos que vivemos. Sussurruído – Palavras Nos Muros (single) Esse é o primeiro single do novo EP da banda que será lançado em 05 de setembro, entre as principais influências está o rock alternativo dos anos 90 de bandas como Dinossaur Jr., Smashing Pumpkins, Pixies e Pavement. Flechas e Luzes – Dias de luta! Noites de luto! Dias de Luta! Noites de luto! é o primeiro EP da banda paulistana Flechas e Luzes com cinco faixas, de letras fortes acompanhadas de um rock moderno e de atitude. A música escolhida para primeiro single foi ‘O Mundo que Mudou de Cor’. Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.

Quanto custa ser uma pessoa decente?

Eu queria escrever sobre um negócio que tem me incomodado faz um tempo. Um negócio que está difícil de engolir. Eu estou tentando organizar meus pensamentos para que todo mundo entenda e veja com meus óculos o que eu estou tentando dizer. Espero que eu não soe pedante de alguma maneira. Eu estou escrevendo isso aqui como mulher, frequentadora de um espaço ou espaços em comum com um montão de gente da internet e da vida real, não como colaboradora de um blog sobre música independente. Porque hoje eu não vou indicar banda alguma, eu quero falar apenas sobre um assunto que tem pairado sob nossas cabeças já faz um tempo. Óbvio que como essa é minha visão, talvez ela possa parecer seja meio privilegiada e meio sem noção pra algumas pessoas, mas eu convido todo mundo a discutir isso comigo de alguma maneira também. A sua visão também é muito importante. Pode comentar aqui embaixo, mandar mensagem para a página do blog, mandar mensagem diretamente ou o que for. Se você quiser falar, eu vou escutar. Eu quis falar por aqui porque o blog é o lugar onde eu tenho voz, é onde podem me ouvir e talvez me entender. Não tô usando o blog de palanque pra nada. Eu só não quero que isso se perca em textões do Facebook, eu queria escrever sobre isso em um lugar que outras pessoas talvez possam entender. Da mesma maneira que eu “visto a camisa” pra indicar e torcer pelos artistas, eu sinto que eu tenho algo pra dizer agora também. Agora contextualizando… Nos últimos tempos (ou últimos meses) tem surgido denúncias frequentes sobre casos de assédio, abuso (físico e emocional) e umas coisas bem pesadas sobre a cena alternativa. Sobre cena eu me refiro aos espaços (virtual ou real) onde rolam coisas sobre música independente brasileira, o tipo de música que geralmente escrevemos por aqui, não tem gênero específico, é sobre o indie e alternativo em geral. E eu não me refiro somente a São Paulo. A gente sabe e ouve falar de casos que acontecem no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Goiânia e por aí vai. Eu não me lembro quando isso começou, eu só lembro de ter me assustado com a quantidade, tem horas que parece que toda semana tem algo novo rolando. Isso me assusta demais. Eu tenho deixado de ir em muito shows, eu tenho deixado de frequentar esses espaços, eu não vou a lugares que eu já ouvi boatos de que coisas estranhas acontecem, deixei de ouvir as bandas e artistas envolvidos com esses casos. Mas nada aconteceu comigo, eu não fui vítima disso. Se tá complicado pra mim, imagina pra quem sofreu e ainda tá sofrendo com tudo isso. Eu sinto muito pela cabeça de todas essas garotas que tão lidando com isso, que estão expondo, que estão dando a cara pra bater com seus relatos. Eu admiro todas elas pela coragem, mas eu imagino como elas devem estar se sentindo ao colocar tudo que as corrói pra fora, pra ver se algo acontece e esses caras sejam impedidos de continuar fazendo horrores. Mas eles não são. Alguns são “cancelados” por algumas semanas, até meses, mas logo eles voltam a ativa. Produtores voltam a organizar shows com eles, a fan base se renova, lançam novas músicas e as pessoas esquecem o que aconteceu. Parece que é um fato isolado e tudo está normal de novo. Não. Não tem nada normal acontecendo aqui, eu não consigo achar isso normal, eu não consigo achar isso certo. A ferida criada no físico e principalmente no emocional dessas meninas abusadas e silenciadas não se cura tão facilmente, algumas não se curam jamais. E o pior é que isso volta a acontecer, os casos estão ficando tão comuns que parece até que muitos fingem o que cantam. A cultura machista, a cultura do estupro, a cultura da soberania masculina domina. Os rapazes que muitas vezes estão em cima dos palcos acham que tem o direito de invadir e dominar essas meninas. Acham que sua “fama”, sua posição de poder os fazem irrecusáveis. “Como essa garota está dizendo não pra mim? Ela não sabe quem eu sou? Por que ela não iria me querer? Eu sou o máximo”. Eles não aceitam o “não”. Não conhecem os limites, não conhecem o respeito. A situação é gravíssima e parece não ter fim. Quanto mais se é denunciado, mais casos aparecem. Um pronunciamento aqui e outro lá e a história se repete. É óbvio que não existe lugar perfeito, todo mundo comete erros, nada é perfeito, mas em um lugar onde praticamente todo mundo se conhece, é de se esperar que haja conversa e compreensão. As coisas erradas não estão acontecendo lá fora, elas estão acontecendo aqui dentro. Não está seguro pra mim, não é seguro para as minhas amigas. Como que deixamos um imbecil medíocre segurando uma guitarra, cantando músicas de dois ou três acordes ter tanto poder assim? Como a gente para isso? Será que conversar resolve? Eu não tenho resposta pra isso, aliás eu já não tenho certeza de mais nada. Pra falar a verdade eu acho que eu tô errada, que eu erro muito, que eu faço pouco e que tem vezes que eu não faço nada. Da maneira que posso, tento oferecer espaço pra mais mulheres ocuparem e também exporem suas vozes. Talvez num ambiente rodeado de mulheres, os homens fiquem coagidos e não tentem fazer mais merda. Talvez num ambiente que nós estejamos em peso, eles consigam minar essas atitudes. Não sei se é falta de orientação e conversa enquanto cresciam, mas eu sei que precisamos conversar agora e colocar o dedo na ferida de assuntos assim para podermos criar um ambiente menos tenebroso pra todo mundo. A gente pode tentar culpar a socialização, achar explicação dentro da psicologia e filosofia, e o que for. Não acho que adianta. Acho que a gente tem que tentar resolver o problema. Falar sobre isso nesses espaços,

15 bandas de post-rock brasileiro para você se apaixonar II

post-rock brasileiro

Uma das matérias mais acessadas do nosso querido blog, a de post rock brasileiro finalmente ganhando uma parte 2. Essa é pra quem estava com saudade de ouvir um post rock brasileiro, instrumental e experimental daora. Dessa vez pedi ajuda a um ilustre colaborador, o Israel. Famosíssimo por seu conhecimento extenso em post-rock e por ser o maior fã de Immanu El, também é uma enciclopédia humana quando se trata de boa música. Muito obrigada pela ajuda nesse post! Aproveito também para quem sabe incentivar bandas de post rock brasileiro para nos mandarem material. Sentimos falta de vocês no cenário brasileiro, por favor, apareçam! Bandas antigas que estão em hiato, voltem!!! Há tanto potencial para bandas de post rock aqui no Brasil não sendo explorado. E você, caro leitor, quais outros estilos/gêneros de música quer ver aqui? Conta pra gente aqui nos comentários! Ema Stoned O trio paulista de rock instrumental/experimental é formada por Alessandra Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo) e Theodora Charbel (bateria). Até hoje lançaram os álbuns Gema (2013), Live from Aurora (2016) e Phenomena (2018). Banda incrível formada por mulheres super talentosas, vale a pena conferir. Instagram | Soundcloud | Bandcamp | Facebook Herod Banda paulista de post-rock, instrumental, experimental formada em 2006 por Daniel Ribeiro (guitarra), Azeite de Leos (guitarra), Elson Barbosa (baixo) e Bruno Duarte (bateria). Contam com 4 álbuns na bagagem: In Between Dust Conditions (2008), Absentia (2010), Umbra (2013),  as coletâneas The Rest 2006-2016 (2016) e The Best 2006-2016 (2016) e Herod Plays Kraftwerk (2017). Facebook | Spotify | Bandcamp | Youtube Hurtmold Uma das bandas mais antigas e famosas de post rock brasileiro, math-rock, instrumental e experimental do país, muito influenciada por jazz, punk e eletrônica. Formada em São Paulo em 1998 e atualmente conta com Fernando Cappi (guitarra), Guilherme Granado (teclado, vibrafone e eletrônicos), Marcos Gerez (baixo), Mário Cappi (guitarra), Mauricio Takara (bateria e trompete) e Rogério Martins (percussão e clarone). Os trabalhos lançados até hoje foram: Et Cetera (2000), Cozido (2002), o split Hurtmold/The Eternals (2003), Mestro (2004), Hurtmold (2008), Mils Crianças (2012). Facebook | Spotify | Instagram Dunas A banda curitibana Dunas se destaca por seu post rock ambiente meio experimental. Um som bem etéreo, sonhador, leve e um pouco psicodélico. Atualmente formada por Gabriel França, Guilherme Nunes e Lorenzo Molossi, a banda já lançou os trabalhos Incenso/Ascenso (2014), Boas Vindas (2014), Ad Astra (2015), Quarenta e Cinco Minutos (2015) e Descortinar dos Seres (2016) e o single Antecipei (2018). Bandcamp| Youtube| Facebook| Soundcloud| Spotify Veenstra A também curitibana Veenstra tem um som bem lo-fi, com nuances de dream pop, post rock, experimental e música ambiente. Formada por Guilherme Nunes, Leonardo Gumiero, Lorenzo Molossi, Lucas Leite e Marcela Mancino. Os álbuns lançados são Journey to the Sea (2012), Six Months of Death (2013), People & The Woods (2013), Map of the Limbo (2016). Atualmente se encontra em hiato. Spotify | Facebook | Bandcamp Let the Clouds Projeto solo do carioca Alef de Deus, diretamente de Duque de Caxias, de post rock/ambient/post metal. Seus trabalhos são Let’s the clouds EP (2017), My Soul (2018) e Sky and Rain (2019). Bandcamp| Facebook | Youtube Halfdream É uma banda paulista de post rock instrumental com metal progressivo. Fundada por um grande amigo meu (e se o destino permitir colaborador desse humilde blog em breve) chamado Marcelo Murata. Formada por Marcelo Murata (guitarra), Bruno Cabral (guitarra) e Vitor Nishikiori (baixo). O primeiro álbum, The Dark Melody, foi lançado em 2013. Seguido por Kaleidoscope em 2014. Em 2015 lançaram os singles Stellar Enigma e Electrosphere juntamente com o álbum Imaginarium. Em 2016 o single Trapped in Time. A banda está em hiato atualmente. Bandcamp | Facebook | Youtube| Site Some Sleepless Nights Mais um projeto do Marcelo Murata, dessa vez com influências de música eletrônica, música instrumental, música progressiva e trilha sonora de vídeo game. O único lançamento até agora é o álbum Do the Ghosts Inside My Head Also Cry? (2019). Spotify | Youtube Leaving The Planet Banda de João Pessoa (Paraíba), formada pelos guitarristas Diego Nóbrega e Lineker Diego, depois vieram Victor Hugo T no baixo e Daniel Alves na bateria. Influências de ambient, rock progressivo, música instrumental e post rock brasileiro. Lançaram até hoje Leaving The Planet (2014), o single Searching for the Sun (2017) e Space (2019). Bandcamp | Facebook Mais Valia Banda de Jaú (SP) formada por Alexandre Palacio, Ricardo Cezario e Vitor Martins. Post rock influenciado por experimental, stoner e space rock. Os singles e EP’s lançados até hoje foram: Flamingo (2016), Mesopotamia (2016), Desterro (2018) e Malária (2018). O álbum Mais Valia (2015) é um lançamento da Sinewave (um dos maiores selos do país – que só tem bandas pra lá de boas no casting). Bandcamp | Facebook | Youtube | Instagram Dibigode Banda de instrumental de Belo Horizonte (MG), influenciada por funk, jazz, samba, ritmos afro e folclóricos. Formada por Antônio Vinícius (baixo), Gabriel Perpétuo (guitarra), Guilherme Peluci (sax alto, flauta e piano), Tiago Eiras (bateria) e Vicente França (guitarra). Discos lançados são Naturais e Idênticos ao Natural de Pimentas da Jamaica e Preta (2014) e Garnizé (2015). A banda aparenta estar em hiato. Bandcamp | Facebook Laverna Projeto solo do curitibano Francisco Bley de música instrumental bem soft, delicada e gostosa de ouvir. Aquece o coração e alinha o chakra. Bandcamp| Playlist com todos os singles Polvo Nanquim/Namomo Costumava se chamar Polvo Nanquim, agora é Namomo. Banda curitibana de ambient, post-rock, lo-fi e experimental.  Formada por Lucas Bieni, Lorenzo Molossi, Seithy Handa e Yuri Grigoletti. A banda aparenta estar em hiato. Soundcloud| Spotify |Youtube Ankou Ankou é uma boa mistura de música eletrônica, experimental, instrumental, dream pop, house, hip-hop, vaporwave e por aí vai. Projeto do Leonardo Gumiero, lá lançou 3 discos: Toro (2019), Anête‘ytaba (2016) e Ascending Dive (2015). Bandcamp | Facebook The Large Quasar Group Projeto solo do Guilherme Nunes de post-rock/ambient/experimental de Curitiba. Lançamentos até hoje: o single tudo vai, tudo fica (2017), o single we found peace right at the bottom of the hill, so we never felt the need to climb it (2017), o single rain, 1993 (2015), o EP life is fragile (2015). Bandcamp | Facebook Quer saber mais sobre post rock brasileiro? Se você quer um pouco mais de experimentalismo/música ambiente/post rock brasileiro, confere o bandcamp do coletivo atlas com

Fogo Caminha Comigo lança disco de estréia influenciado por livro de Franz Kafka

Formada em Curitiba no ano de 2018, a Fogo Caminha Comigo conta com Rawph Rodrigues (Guitarra/Vocal), Richardyson Marafon (Guitarra/Vocal), Rômulo Dea (bateria) e Julio Donato (baixo). Suas músicas trazem influencias vindas do emo, dream pop e shoegaze. Pra antecipar os preparativos para o novo álbum que sai dia 29 de agosto, foram liberados dois singles, são eles ‘Capablanca’ e ‘2015’, faixas que estarão no disco que recebeu o belo título de ‘O Lamentoso cair de pétalas dança dentro da primavera de minha cabeça’. A ideia vem de uma passagem do livro ‘Cartas a Milena’ de Franz Kafka publicado em 1952. O disco lançado pelo selo NapNap Records foi gravado ao vivo no Estúdio Sabine em junho de 2019, e foi produzido, mixado e masterizado por Michael Wilseque, a capa foi feito por Nicole Gonçalves. Vocês poderiam nos contar como a banda começou e sobre a escolha do nome ‘Fogo Caminha Comigo’? Começamos tocando juntos com projeto do Rawph. Com o passar do tempo, compondo novas músicas juntos, resolvemos assumir a banda como nosso role.A escolha do nome veio do filme da Laura Palmer, parte da série Twin Peaks. A gente queria alguma coisa forte e que fizesse sentido pra nós, nisso vimos que não havia banda com esse nome e tratei de salvar no bandcamp. Como surgiu a influência do livro do Franz Kafka no conceito do disco? O nome do disco foi tirado de um trecho de Cartas a Milena. É uma leitura rápida/densa que te apresenta de Franz Kafka toda sua sensibilidade, apreensão, angústia e amor. Sinto que isso seja sincero o bastante! Enxergo o mundo de Kafka de um modo em que as coisas precisam mudar drasticamente pra se tornarem memoráveis. O que vocês podem nos contar sobre o disco, como o definiriam? Nos baseamos em algumas bandas dos anos 70 que gravavam ao vivo, foi assim que gravamos esse disco. Buscávamos trazer a maior naturalidade possível, afim de que nossos shows não soassem de uma forma tão diferente do disco em si. E entendemos que seria a melhor forma de conseguir representar nossas emoções para o/a ouvinte. Se vocês pudessem escolher apenas uma música dele para estar em um filme, qual seria e por quê? Sempre encaro algumas músicas de viagem, de estrar na estrada. Essa música em questão me descreve um carro andando solitariamente numa rodovia, fim de tarde quase noite. Há alguns momentos de clareza e escuridão nessa faixa, que eu a associo assim. Estamos vivendo tempos obscuros na política, isso impacta a banda de alguma forma ou é algo que vocês preferem não incorporar nas músicas? Impacta sim, é inevitável infelizmente ficar apar do contexto político que estamos. A faixa 2015 mesmo, foi feita sobre um ano muito conturbado pra todo mundo, teve o impeachment e toda aquela agitação vestida de verde e amarelo nas ruas. Outra vez, tocamos juntos com o Early Morning Sky no dia das eleições do primeiro turno. Fomos tocar com os resultados saindo e o desespero quase tomou conta. Mas, estávamos entre amigos e isso ajudou muito. Ter banda nesses momentos é uma válvula de escape pra cada notícia ruim que vem até nós diariamente. Quais são os planos após o lançamento, algum clipe em vista, em quais cidades vocês gostariam de tocar? Nossos planos de pegar a estrada existem sim. Devemos ir pra São Paulo, Maringá, Londrina, Ponta Grossa, e passar por algumas cidades de Santa Catarina. Gostaríamos de passar por mais cidades, porém, todos trabalhamos bastante e no final de semana, precisamos nos organizar melhor. Acredito que deve sair mais algum clipe… piramos em fazer lives tocando o disco cheio, é algo que deve ser feito também. Deixem alguma mensagem para os fãs. Façam bandas com seus amigos e amigas, antes de se verem como banda lembrem-se sempre de sua amizade em primeiro lugar. Confira o disco na íntegra: Siga a Fogo Caminha Comigo nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Instagram | Youtube Confira mais artistas e bandas na seção entrevistas.

Lançamento Jupiter EP + Entrevista com Lia Kapp

Primeiramente, já solta o play no novo EP Jupiter da Lia Kapp: Lia Kapp é uma cantora e compositora curitibana, sua carreira musical começou quando ela tinha 15 anos e começou a escrever algumas músicas, o resultado foi o primeiro EP ‘Conflito’. Em 2018 ela lançou seu primeiro disco de estúdio, ‘Metamorphosis’ que marca as transformações musicais e pessoais durante sua trajetória de vida. Na verdade, ele funciona como uma continuação do primeiro EP ‘Conflito’ lançado lá por volta de 2015 e que deu início a sua carreira musical. Lia é responsável por todas as composições, estética e produção do álbum, agora em 2019 ela retorna com seu novo EP ‘Jupiter’, mas dessa vez acompanhada de uma banda, formada por Gustavo Mazuroski (guitarra), Erich Zimmermann (baixo e teclas) e Gabriel Bryl (bateria), além dela nos vocais. O disco novo promete uma pegada mais doom, bem mais voltado pro metal, mais dark do que os outros trabalhos, sem perder a essência do vozeirão da Lia. A formação da banda veio pra dar peso ao projeto, para encorpar e aprimorar o que já era muito bom. Acho que já podemos intitular como Chelsea Wolfe brasileira, não? Aproveitando o lançamento das novas músicas batemos um papo com ela para saber como foi a transição de solo para banda, as composições e ideias do novo disco e planos para o futuro. No que o Júpiter se diferencia do Conflito e do Metamorphosis? LIA: A característica principal desse trabalho é que não é mais algo solo meu. O Jupiter foi criado por nós quatro (Erich, Gabriel, Mazu e eu), então há um pedacinho de cada, com influências que eu sozinha não tinha. Além disso, nós optamos por gravar todos os instrumentos organicamente, então não tem mais bateria de preset e nem timbre gerado pelos programas de áudio (ok, tem uma beatzinha em uma das músicas e a gente deu leves lapidadas nos timbres através do guitar rig, risos). Outra coisa é que o Mazu evoluiu muito na mix e na master, e tivemos auxílio de amigos nossos que também trabalham com produção, então tudo está muito maior, e eu considero ótimo, modéstia à parte, risos. A gente tem que gostar do que cria, né? Então basicamente é isso. A gente tá muito contente mesmo. É um passo enorme na nossa carreira e não dá nem pra comparar com os antigos. MAZU: Jupiter é um álbum que nasceu de ensaios, então diferentemente dos trabalhos anteriores, ele é um álbum feito para performance ao vivo. Isso refletiu na produção, nos vimos na obrigação de gravar as baterias e guitarras em estúdio, sem depender demais de plugin. ERICH: Com o Conflito eu nunca tive muito contato, mas o Metamorphösis eu vejo muito essa pegada meio épica, conceitual, super ambiciosa que eu acho muito foda… De certa forma então eu acho o Jupiter mais contido, porque pra mim ele é muito sobre quatro pessoas que queriam mandar um som, sacas? E aí nisso também entra algo que pra mim é muito característico do Jupiter, que nele a gente é permeado por um monte de influências cruzadas, porque cada um de nós tem um rolê completamente diferente e de algum jeito juntando tudo dá nisso aí. Acho massa que cada um esteja presente ali de maneiras variadas, mas que o resultado acabe sendo bastante coeso, como é pra mim o EP. Quais as influências desse álbum novo? LIA: Acho que a mais perceptível é que a gente bebeu das fontes do doom metal, o que eu particularmente gosto muito e não conseguia fazer, mas com eles veio fácil. No dia que a música “Jupiter” surgiu, a gente já notou que essa seria a vibe toda. De artistas acho que posso citar sempre nossa musa Chelsea Wolfe, mas dessa vez tem um certo saxofone no meio que nos influenciamos em trabalhos do Bohren & Der Club of Gore e Oiseaux-Tempête. Além disso, o Mazu trouxe o post-rock, o Erich, o black metal e o Gabriel, o jazz. ERICH: Na época eu estava ouvindo bastante black metal atmosférico, então rolava muito Deafheaven, Alcest, Amesoeurs, o rolê… Acho que acabou saindo ali um tanto de Black Rebel Motorcycle Club, um stoner que ouvi muito… E talvez um A Place To Bury Strangers na coisa meio batendo forte & lento… GABRIEL: Na minha visão, o álbum tem muitas influências bem mistas, num nível que acho muito difícil enquadrá-lo em um gênero específico. Pegamos muita coisa de post rock, ruídos e sopros, também tem orquestrações e momentos rápidos que transicionam para partes lentas. Acho que meus colegas de banda não concordariam muito com essa afirmação, mas eu acho que Jupiter chega a poder ser considerado um trabalho de rock progressivo. Como foi a transição de Lia Kapp artista solo pra banda Lia Kapp e como você conheceu os atuais integrantes? LIA: A transição ocorreu bem naturalmente mesmo. Nós estávamos ensaiando e eu tive a ideia de criarmos juntos uma introdução para os shows, e na hora a música simplesmente apareceu pra nós. No mesmo dia também decidimos reformular a música Verdict, do Metamorphösis, e aí surgiu a banda propriamente dita, visto que antigamente os meninos eram meus músicos de apoio. Quanto aos integrantes, o Mazu sempre esteve comigo, desde o começo. Na verdade, sempre teve um pedacinho dele, tanto nos shows quanto no próprio Metamorphösis. O Erich era amigo nosso (ele conheceu o Gustavo antes e em 2015 fomos apresentados) e sempre fez umas músicas muito interessantes e que eu aprecio muito. No começo da banda de apoio, a Ana (minha amiga que estuda comigo) era quem ficava nas teclas, mas ela não pôde viajar conosco para São Paulo, e então o Erich entrou no lugar dela, e assim permaneceu. O Gabriel surgiu num momento de desespero em que ficamos sem baterista e ele entrou correndo e tivemos apenas um ensaio antes do show do dia 14 de abril de 2018, que foi o primeiro show em que nós quatro tocamos juntos. Nos conhecemos na faculdade de

Rebobinados Indica #14: bandas brasileiras

Mais uma edição do Rebobinados Indica, dessa vez com bandas brasileiras. Temos opções para todos os gostos: indie, shoegaze, black metal, MPB, experimental e post punk. John Filme Às vezes a vida tem umas coisas muito doidas, do tipo que fazem você ir pro show de alguma banda independente pra conhecê-la. Fiquei muito brava porque ninguém havia me falado desses caras antes, apesar deles terem mais de 8 anos de carreira (talvez eu só seja a última a saber de tudo mesmo). Antes tarde do que nunca, apresento-lhes a John Filme. Chapecoenses recém chegados em São Paulo sendo contaminados por essa cidade maluca. Experimental, stoner, shoegaze, pop são algumas tags usadas no bandcamp da banda para descrevê-los. Eu diria que é como ouvir metal sem de fato ouvir metal… Estranho né? Dá pra fazer um headbanging maneiro durante o show e garanto que vale muito a pena vê-los ao vivo. Cada álbum segue uma estética diferente e isso torna o setlist é bem diverso. A banda é bem louca (no ótimo sentido), experimentalismo no talo, são engraçados pra caramba nas redes sociais e durante as performances também, garanto que levantam qualquer defunto por mais mal humorado que ele esteja e que impressionam bastante. O youtube é recheado de clipes maneiros e descolados, tem muita coisa engraçada, confesso que fiquei um bom tempo assistindo e dando gargalhada. Recentemente lançaram o curta abaixo mostrando o cenário de Chapecó com a John Filme, Marshnello, Carpanos e Cocobobonut: Próximo show vai ser dia 27/07, mais detalhes no evento Lançamento Do Zine Dezoito – Coisa Horrorosa e John Filme, confere lá! Youtube | Bandcamp | Facebook | Instagram | Spotify Ímã Ímã ou Ímã de nove pontas é uma super banda formado por: André Garcia (guitarra), Dayane Battisti (cello e voz), Francisco Okabe (cavaquinho e voz), Leonardo Gumiero (baixo, sintetizador e voz), Lorenzo Molossi (bateria e voz), Luciano Faccini (clarineta e voz), Má Ribeiro (percussões e voz), Melina Mulazani (percussões e voz), Yasmine Matusita (bateria e voz). 9 artistas super talentosos, alguns que eu já conhecia de outros projetos anteriores, prometem lançar um super álbum de 9 faixas de canções tortas. Só pela qualidade desse single, garanto que podemos esperar algo espetacular vindo em breve. Facebook|Spotify| Instagram Cãos O quarteto curitibano Cãos faz um pós-punk caótico e sujo, com letras sobre existencialismo, dor e sentimentos inerentes a qualquer ser humano, tudo isso muito bem incorporado nos vocais de Gustavo (vocal, eletrônico), Ariel (guitarra), Akio (baixo, sax) e Michael (bateria). A banda tem dois discos de estúdio, Cães (2016), Domesticado (2018) e o ao vivo Incapacidade Civilizatória (2018), lançados pelo selo Meia Vida. Youtube| Instagram | Bandcamp Apeles Apeles é o pseudônimo de Eduardo Praça, conhecido pelas incríveis Ludovic e Quarto Negro. O músico talentosíssimo e com muitos anos de estrada, prepara o lançamento do seu próximo álbum “Crux” em agosto. Tive a oportunidade de presenciar seu primeiro disco, Rio do Tempo (2017), sendo tocado ao vivo durante o último show junto com a Quarto Negro na Breve, foi uma experiência lindíssima e memorável. Pelos singles lançados até agora: Torre dos Preteridos, Reflexo Turvo e A Alegria dos Dias Dorme no Calor dos Teus Braços, podemos esperar mais um álbum grandioso. Facebook | Spotify | Instagram | Youtube | Site Jovem Werther É claro que essa banda seria relacionada com o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther do Goethe, um dos marcos e obra prima do romantismo. O emocional tem que estar um pouco preparado pra ouvir essa banda triste pra caramba, ou você pode apenas querer curtir a bad intensamente. Esse punk, emo, shoegaze e gritaria realmente mexe com a gente. O EP lançado em 2014 é uma das coisas que a gente guarda com carinho, porque a banda entrou em um hiato, ainda estamos aguardando esperançosos pela volta, também levamos a esperança de presenciar um showzinho, certo? A cena de emo/shoegaze/gritaria está carente e precisa de vocês (e nós também). Facebook | Instagram Lado Esquerdo Vazio Confesso que descobri a banda enquanto procurava indicações para esse post e foi uma surpresa muito boa. Uma mistura muito boa de shoegaze com black metal, o famoso blackgaze, com tons experimentais. Apesar da banda ter entrado em hiato depois do lançamento do EP Póstumo, boatos e posts no Facebook indicam que vem material novo ainda esse ano, vale a pena ficar de olho. Facebook | Bandcamp  Anil Anil é o novo projeto do Antíteses. Músico curitibano de MPB, emo, indie e lofi. Em junho lançou o Outono, primeiro de uma série de 4 EPs que serão lançados ao longo do ano. Ele expressa uma inadequação e sensação de não pertencimento, canções agridoces, transitando entre alegria e melancolia como ele mesmo descreve. Sábado agora, dia 22/07, é o evento de lançamento do EP em Curitiba, com abertura do Érico. Mais detalhes no link: https://www.facebook.com/events/2323715297747225 Bandcamp | Spotify | Youtube | Facebook

Especial Mulheres Independentes – Parte I: Amanda Conti

A divulgação de projetos de artistas independentes anda com passos de formiguinha, porém, aos poucos, chegaremos lá. Faz parte da minha missão como colaboradora desse blog divulgar cada vez mais projetos muito bons de mulheres independentes. E a gente espera que, de pelo menos alguma forma, o que fazemos aqui ajude a projetá-las para o mundo. Não sei se já comentei aqui, mas eu tenho a sensação de que é muito mais difícil achar mulheres na música do que parece. Não temos elas mandando seus materiais para  o blog, não temos muita divulgação na internet quanto deveria ou poderia. O que temos são projetos realmente incríveis de outras mulheres igualmente incríveis, que tentam fazer com que todas nós tenhamos oportunidades de subir ao palco. Gosto de sempre reiterar a importância de ajudarmos umas as outras da forma como pudermos: compartilhando, curtindo, comentando, apresentando para os amigos e indicando. É mega importante ter essa visibilidade tanto para quem já está no ramo da música quanto para meninas novinhas para se inspirar a tocar e cantar. Se vocês tem projetos legais pra indicar, mandem pra gente no Facebook, Instagram ou na página de contato. Na primeira parte do post eu vou falar sobre um dos dois projetos muito bons que conheci através do Sarau As Mina Tudo. E alô selos, coletivos e projetos para alavancar bandas/artistas de plantão, prestem atenção nas mulheres que estão começando na música. É muito importante contar com a ajuda de vocês na divulgação e para arranjar shows. Toda ajuda é sempre bem vinda e você pode estar perdendo uma artista de ouro. Se liga! Amanda Conti Um passarinho me contou sobre a apresentação da Amanda no sarau e eu decidi pedir uma entrevista. Amanda é uma cantora/intérprete/cantatriz/desenhista muito talentosa. Assim como Maria Bethânia, ela ainda não compôs nenhuma música de sua autoria, porém isso não quer dizer que ela não nos encanta quando solta a voz. João Gilberto (que descanse em paz) também se escondia um pouco atrás do violão e cantava timidamente. Amanda também, mas apesar de muito tímida, ela se liberta e mostra seu verdadeiro potencial nos palcos. Os estilos preferidos dela são MPB, Jazz e Soul. A tecnologia do Instagram não nos permitiu incorporar os vídeos do perfil dela aqui no post, porém você pode conferir eles tanto no IGTV (https://www.instagram.com/seis.mandacarus/channel/) quando os vídeos menores no feed (https://www.instagram.com/seis.mandacarus/) ENTREVISTA Primeiramente, para que nós possamos te conhecer, como você descreveria seu projeto e sobre o que você canta? Por que eu canto? Eu me pergunto isso sempre, e nos últimos tempos, em que cantar cada vez mais assume o lugar daquilo que eu quero fazer da minha vida, tenho me perguntado cada vez mais. Eu não encontrei ainda nenhum motivo muito significativo, simbólico, ou qualquer coisa do tipo. Acho que eu posso inventar mil motivos, mas o que me move de verdade verdadeira sempre acaba sendo o fato de que eu sou completamente apaixonada por cantar. Eu gosto, de verdade, e parece que eu sinto que eu existo mais quando eu estou cantando e quando eu estou no meio da música. É engraçado, mais pra mim, que sou uma pessoa com alguma dificuldade em me expressar oralmente, cantar às vezes aparece quase como uma alternativa. E eu penso muito na minha relação com cada uma das linguagens artísticas que eu estudo: artes cênicas, o desenho e a música; e acho que das três, a música, quando eu canto, é a que me deixa mais vulnerável, é a que mais me expõe. Do que eu fiz até agora no teatro, tanto como atriz quanto como dramaturga, sempre tem mediações muito claras entre eu e o mundo: os personagens, ou, se estou escrevendo, o próprio texto. É como se eu me revestisse de alguma coisa antes de me expor. E com o desenho também, o próprio desenho é a minha mediação. É claro que algo de mim está no desenho – inclusive tem desenhos profundamente pessoais – mas a mediação do papel é mais um nível entre eu e, sei lá, uma exposição. Mas quando eu canto, apesar de ter a mediação da música, sou eu quem está lá. E estou cantando com a minha voz, eu sou a Amanda cantando. E eu poderia dizer que até hoje eu não consegui compor nada autoral – não por falta de tentar – e então as composições de outras pessoas, as coisas que elas quiseram contar usando a música como linguagem, são uma mediação parecida com a dos personagens que eu interpreto como atriz. Mas eu nem sei de verdade até que ponto eu acredito nisso. A verdade é que quando eu canto eu me sinto sem revestimentos, eu sinto que não estou nem um pouco escondida. E ao mesmo tempo que é um pouco assustador, é uma coisa maravilhosa. Eu viro quase que uma cúmplice de mim mesma, fico até meio boba de vaidade. E cantar com outras pessoas, cantar com gente tocando, é quase como se todo mundo estivesse contando algum segredo seu, conversando. Acho que o que eu poderia falar de projeto meu agora é que estou num momento de procurar e tentar construir cada vez mais espaços pra música na minha vida: procurando lugares pra tocar, gente com quem tocar, tentando dar os primeiros passos me acompanhando sozinha. Talvez mais que um projeto, eu estou num momento de projetos, vários projetos. Projetos de duo, de banda, rascunhos de projetos, vídeos… Criar a conta no instagram, a seis mandacarus, acho que faz parte de um projeto de começar a me colocar de algum jeito, e nesse sentido até me fazer vulnerável, cantar pra pessoas. Foi uma saga pra criar a conta, por mil travações que iam desde vergonha até achar que era uma bobagem vaidosa e ruim ficar cantando e querer que alguém quisesse escutar. Talvez eu até ache isso ainda às vezes, mas gente que me apoia muito me dá uns empurrões quando eu mais preciso deles. Minha irmã foi quem me deu pra criar

A beleza do caos do EP lapso – Fernando Motta e eliminadorzinho

Talvez vocês já tenham se cansado de me ouvir falar do Fernando Motta nesse blog, porém eu não posso perder a oportunidade de falar dele de novo. Especialmente depois do lançamento do EP lapso em parceria com a eliminadorzinho. Esse EP foi uma pancada no coração que eu não estava esperando, aliás, acho que foi uma pedrada que nenhum de nós esperava. Foi uma surpresa extremamente boa. O desde que o mundo é cego lançado no finalzinho de 2017 era uma vibe completamente diferente, um álbum feito pra te acalmar, te tranquilizar e te impedir de xingar todo mundo. Pelo menos era esse o efeito que ele sempre teve em mim. Definitivamente é um dos meus álbuns preferidos da vida. Meus scrobbles do last.fm não me deixam mentir, é um dos álbuns que eu mais ouvi nos últimos anos. Falei muito bem dele nesse post aqui, porém acho que nunca o descrevi como ele merecia. Um dos poucos álbuns que eu posso afirmar que me salvou a vida (sem exageros). Teve semanas que eu o ouvia sem parar, quando eu estava prestes a explodir de tanto stress, ele era a calmaria de que eu justamente precisava. Era como pisar no freio quando meu corpo só queria acelerar até bater. Dito isso, lapso é o oposto do último disco. É algo que me surpreendeu positivamente. Nos últimos trabalhos a eliminadorzinho já vem apresentando seu lado mais emo, visceral, quebradeira e gritaria. Eles fluíram bastante na sonoridade desde o nada mais restará até o single Baixo Astral lançado esse ano. A eliminadorzinho é uma banda que sintetiza bastante a expressão rock jovem pra mim. Rock alternativo bravíssimo, cheio de vigor e raiva (a raiva que serve como agente de mudança e faz as pessoas acordarem, ou seja, o bom sentido). é incrível porque eu acompanho os dois projetos desde o começo e fico extremamente orgulhosa e na expectativa a cada lançamento. A evolução só culmina para o bem. E é também maravilhosa a influência que as bandas e artistas talentosos transmitem uns aos outros quando lançam projetos juntos assim. Lembro que o nada mais restará foi meu “disco de cabeceira” por tanto tempo, meu companheiro de karaokê na hora do banho e meu companheiro inseparável por conta da presença fortíssima do shoegaze trazida pela mix e master feita pelo Felipe Aguiar da gorduratrans. E vocês já perceberam que eu não enjoo de shoegaze por nada neste mundo, lembro de ter pedido muitas vezes para que a eliminadorzinho soltasse mais algumas músicas naquela vibe. Não lançaram, porém se redimiram comigo depois do lapso. Foi a influência shoegazer que os trabalhos do Fernando nem sabiam que precisavam. Certamente lapso não é um EP que você ouve de primeira e já assimila de uma vez. Requer várias ouvidas para poder assimilar tudo que tá acontecendo. É a beleza do caos, a desordem perfeita, o grito de alívio. Às vezes você só consegue encontrar paz na gritaria (meus amigos admiradores do blackgaze e post hardcore me entenderiam nessa hora). Eu estou ouvindo esse EP desde que foi lançado e às vezes eu me distraio e noto alguma coisa nova. As bpm são tão frenéticas que eu jamais me atreveria a tocar, porém admiro quem o faz. E também não existe essa de música com muito pedal, pedal nunca é demais e é sempre bem vindo. E a melhor coisa sinceramente é a música paranoia. Eu não sei nem o que eu poderia dizer sobre ela. Me traz a sensação de estar no meio do mosh ou fazer stage diving e ser carregado pelo público enquanto você grita e se liberta. Eu confesso que pouquíssimas vezes quis moshar tanto na vida quanto eu quis ontem ao assistir ao show no Almanaque Urbano. Ao presenciar a performance ao vivo, chega a ser um desperdício não moshar. Essa música é extremamente visceral e crua ao vivo. Dá vontade de ouvir de novo e de novo e de novo. E o conceito também é incrível, a arte do disco é maravilhosa (foto do Tiago Baccarin e arte do Bruno Queiroz), combina muito esteticamente com o som. Memória, nostalgia, paranoia e contraditória – tudo dentro do lapso. Tudo muito verdadeiro, tudo muito sincero e isso sempre acaba transparecendo. O Nando é uma das pessoas mais verdadeiras e sinceras com a arte que eu conheço. Desde que eu vi meu primeiro dele e meu primeiro show na Breve, lugar que posteriormente seria o reduto de boas lembranças atreladas a shows nacionais, já se via o carinho com o público. Põe o coração e a alma em tudo que faz. Colabora e ajuda a produzir outros artistas em início de carreira, faz o melhor que pode pros seus amigos e é sempre um amor com seus fãs. Se todos os artistas fossem pelo menos um pouco parecidos com ele, o mundo seria um lugar bacana. Eu só tenho a agradecer por algo que eu nem esperava, porém que veio na hora certa. Você merece todo o sucesso do mundo. Voa alto que o mundo é teu. Acompanhe os artistas nas redes sociais:

Sob clima leve e psicodélico, os alagoanos do Milkshakes lançam ‘Wanderlust’ seu novo disco

O Milkshakes vem da linda cidade de Maceió, no Alagoas. A banda foi formada em 2015 por Duda Bertho (vocal, guitarra, synths). Ele já vinha compondo algumas músicas, e então decidiu chamar alguns amigos para grava-lás. O resultado foi o primeiro EP intitulado ‘Technicolor’, lançado em 2015 com cinco faixas e produzido pela própria banda. A sonoridade psicodélica e nostálgica do grupo ganhou destaque em diversos meios de comunicação pelo país. Sendo o EP considerado um dos melhores discos do ano. Em 2019 eles retornam com seu novo álbum ‘Wanderlust’. Durante as oito faixas podemos escutar uma sonoridade leve, praiana e com influências que vão do indie, passando pelo pós punk e psicodélico, com características que conseguem unir o retrô e o moderno. Encontramos boas doses de psicodelia e viagem na faixa ‘Wanderlust’ que abre o disco, ou uma pegada mais eufórica em Summer. De repente, caímos na melancólica e romântica ‘Take Me to the Stars’ e dançamos ao som de ‘Highway’ com sua vibe mais pós-punk. Wanderlust mostra um som cada vez mais maduro, mais bem trabalhado, onde a banda procura experimentar mais e definir de vez sua faceta. Ouso dizer que já é facilmente um dos melhores discos nacionais desse ano. Aproveitamos esse lançamento para bater um papo com os integrantes e saber um pouco mais sobre a banda e o que tem rolado nesses últimos anos. O primeiro EP ‘Technicolor’ foi lançado em 2015 e de cara mostrou uma baita qualidade e maturidade. Como vocês o avaliam agora quatro anos após seu lançamento? Gostamos bastante. Eram músicas que tinham sido feitas desde 2012, e tinham um lado mais jovem, mais Wavves rockinho de praia, e a partir daí elas foram moldadas com as referências que eu e Chase (Fellipe Pereira) curtíamos na época. Bem dizer muito Innerspeaker, Lonerism e Currents (que foi lançado enquanto a gente gravava). Tem músicas ali que eu não conseguiria repetir. Acho que a inspiração vem do momento e simplesmente acontece, então olho pro ‘Technicolor’ com muito carinho e orgulho. Vocês acham que a cidade onde vivem tem grande influencia sobre o som e estética, ou isso tem mais a ver com suas influências musicais? A cidade influencia sim, mas acredito que as influências estéticas e musicais são muito mais fortes nesse aspecto. Acho que tem um lado de praia, da brisa do mar do fim da tarde que a gente pega de Maceió, mas consumimos tanto de tanto lugar que fica difícil dizer que é só sobre aqui. Em ‘Wanderlust’ vocês experimentam mais e trazem um trabalho que facilmente pode torná-los uma das melhores bandas do indie nacional, como foi trabalhar no disco? Muito obrigado pelo elogio. Foi um trabalho bem interessante e desgastante no bom sentido. Muitas noites viradas, muitas ideias puxadas do HD, músicas sem meio nem final sendo criadas sem fórmula. Algumas vieram de gravações que fiz em casa como ‘Breakfast With You’ e ‘Wanderlust’ e que mostrei pro Chase, já outras como ‘Outerspace’ foram moldadas com a banda. No fim, acabamos levando essas demos e ideias não acabadas pro Montana Records do Filipe Mariz que mixou o disco e nos ajuda sempre no rolê, fomos lapidando as músicas e criando um disco que conta uma história e faz sentido no fim. A produção é do Chase e minha, independente e com muito aprendizado no meio do caminho. Não toco bem, mas brinco com todos os instrumentos, e o Chase toca muito bem bateria e guitarra. O processo era basicamente: levar música estranha inacabada, passar pelo filtro Chase, melhorar melhorar melhorar, gravar, regravar e sair com algo legal. No fim, deu certo. Gravamos tudo em 2017 e nesse ano eu fui morar fora. Passamos um tempo num hiato por que não queria lançar sem poder tocar e investir o tempo nisso. O disco passou a fazer mais sentindo ainda quando voltei, tendo viajado o mundo e sentido um pouco o significado da palavra ‘Wanderlust’, que é a vontade de conhecer novos lugares, novas experiências. Se vocês pudessem escolher um filme para ter o disco ‘Wanderlust’ como trilha sonora, qual seria e por quê? Acho que seria um blend entre 2001: Uma odisseia no espaço, algum filme com pessoas dirigindo carros no deserto e um filme romântico com Owen Wilson na sessão da tarde. A verdade é que cada música desperta uma imagem diferente nas nossas cabeças. Quais são os próximos planos agora que o disco foi lançado? Consideram gravar algum clipe? Queremos gravar ao menos 2 clipes, possivelmente lyric videos e com certeza umas lives mais pocket, na linha desse de Oh Baby do Technicolor  – e algumas Lives completas. Existe algum lugar ou artista/banda que vocês gostariam de tocar? Gostaríamos de tocar em novos lugares aqui no Brasil, em um primeiro momento ir a São Paulo. Seria legal tocar com bandas como Boogarins, Glue Trip, Terno Rei e etc. Se fossem artistas de fora, amaríamos tocar com Homeshake, DIIV, Beach Fossils, Mac Demarco. Iríamos abraçar todos. Quais artistas independentes vocês indicariam para o público conhecer? A gente tem ouvido bastante a Taco de Golfe, uma banda instrumental muito boa de Aracaju. Gostamos muito da Mahmed, de Natal, também Obrigado pela disponibilidade em responder as perguntas, deixem um recado para conhecerem a banda. Valeu, gente, ouçam a Milkshakes! Nos aguarde na sua cidade. Confira o disco Wanderlust: Siga o Milkshakes nas redes sociais: Facebook | Bandcamp

ionnalee traz ótimas composições e visuais em REMEMBER THE FUTURE, seu segundo disco

A cantora, produtora e diretora sueca Jonna Lee conhecida por seu projeto audiovisual iamamiwhoami, surgido em 2009 durante uma série de vídeos com mensagens subliminares e três discos de estúdio lançados, resolveu ressurgir sob uma nova e simples identidade assinando apenas como ionnalee. Mesmo passando por alguns problemas de saúde e temendo perder sua voz durante a composição de seu primeiro disco, ela entrou em estúdio e trabalhou duro para que ele saísse como ela tanto queria. Eis que EVERYONE AFRAID TO BE FORGOTTEN foi lançado em maio de 2018, e mostrou uma artista mais aberta, se arriscando mais e com músicas consideradas até mais ”comerciais”. Como é o caso de ‘SAMARITAN’, o primeiro single, isso tudo rendeu uma bem sucedida primeira turnê mundial financiada pelos próprios fãs através do site kickstarter que teve passagem pelo Brasil em agosto de 2018. O êxtase de estar tão próxima de seus fãs, algo que não acontecia após anos de carreira como iamamiwhoami era claramente visto em todas as suas apresentações, tudo isso pareceu um novo recomeço. Em algumas entrevistas ela disse que o apoio dos fãs e a turnê lhe deu forças para continuar compondo um segundo disco, e isso rendeu bons frutos, depois de exatamente um ano ela retorna com novo single e o título do novo trabalho REMEMBER THE FUTURE. ‘OPEN SEA’ abre o disco, é o primeiro single e tem um dos melhores refrões que ionna já fez, enérgica, a música é um synthpop dançante que nos remete um pouco às músicas do disco BLUE, ganhou um vídeo clipe com um clima espacial muito bem trabalhado. Em seguida, temos ‘WIPE IT OFF’, mais ‘dreamy’ e cheia de sintetizadores (do jeito que a gente gosta) que envolvem a música até seu final mais dançante. ‘SOME BODY’ é a terceira faixa e o segundo single, também ganhou vídeo clipe, sua sonoridade é dançante e mistura alguns elementos antigos e novos, com um refrão também bem pegajoso. Em seguida, temos ‘MATTERS‘ que conta com a participação de Zola Jesus, uma música mais sombria e introspectiva, o clima logo muda com ‘ISLANDER’, uma faixa instrumental com uma pegada mais atmosférica e que vai evoluindo com batidas mais pulsantes. A faixa título ‘REMEMBER THE FUTURE’ é o terceiro single, tem boas influências de um pop mais anos 80, nostálgico e com vocais marcantes, é um dos pontos altos do disco, já em ‘CRYSTAL’ temos mais uma colaboração, dessa vez com a cantora também sueca Jennie Abarahamson, a canção também é um pouco mais introspectiva, tem alguns efeitos vocais bacanas e passa um pouco despercebida se você gosta de algo mais agitado. ‘RACE AGAINST’ é uma faixa instrumental e serve de interlude para a próxima, ‘SILENCE MY DRUM’, uma das melhores do disco, é incrível como a voz de ionna consegue criar climas tão belos, temos aqui uma música encantadora e envolvente. A versão de ‘MYSTERIES OF LOVE‘ é definitivamente apaixonante, originalmente composta por Angelo Badalamenti, famoso pelas trilhas sonoras de Blue Velvet e Twin Peaks, aqui temos mais um feat, dessa vez com o Röyksopp, o resultado foi algo profundo e emocional, uma vibe leve que paira até o fim, assim como dançar em slow-motion. O disco termina com ‘I KEEP‘, mesmo sendo a última do disco, ela entrega um clima mágico, dançante e tira qualquer ideia de música aleatória para finalizar um disco. REMEMBER THE FUTURE superou as expectativas, ele traz uma mistura de climas mais nostálgicos e etéreos que são marcas de ionnalee desde seus antigos trabalhos, mas tem também elementos mais novos, os singles foram bem escolhidos e toda a parte visual continua inspiradora e ótima como sempre.

Rebobinados Indica #13

Mafius – Tela Azul (2019) A expectativa para o lançamento do EP do artista mineiro Mafius era altíssima e a espera valeu a pena. Com seis músicas, incluindo o single Trânsitos Astrológicos, uma mistura muito doida de lo-fi, indie, alternativo e dream pop. Os gêneros que eu acabei de mencionar são apenas pra referência, porque ele não quer ser limitado em suas criações, o espírito criativo é livre e vasto. E ele muitas vezes se descreve como “filho do Mac Demarco” e eu acho que não tem como explicar melhor sua arte. Na minha opinião, num claro exemplo de como os filhos podem superar seus pais. Coloco muita fé nessa nova onda de artistas jovens e com sede pra ganhar o mundo, mostrar de onde vieram e com um potencial enorme para ir onde bem quiserem. Especialmente quando se é cria do coletivo Geração Perdida de Minas Gerais, reduto da maior parte dos meus artistas preferidos da música nacional.     https://mafius.bandcamp.com/track/tr-nsitos-astrol-gicos https://www.instagram.com/mafiusmefius/ Céu de Vênus – Por Todo o Inverno e a Primavera (2019) Outra boa surpresa foi o lançamento do álbum Por Todo o Inverno e a Primavera dos curitibanos da Céu de Vênus com seu intenso post-rock e math-rock. Lançamento da Sinewave a gente já confia e ouve com a tranquilidade de que vem coisa excelente por aí. E a recomendação do Rebobinados só vem para endossar o talento dos rapazes. Post rock revigorado com a candura para os ouvidos que só uma boa guitarra pode nos proporcionar. É uma das bandas que eu quero muito assistir ao vivo, na minha opinião uma das melhores bandas da música instrumental brasileira atualmente. A lindíssima arte da capa é da autoria da multi artista Stephani Heuczuk, baixista da terraplana. Bobeei de não ter dado essa dica antes para vocês, porém antes tarde do que nunca.   https://www.facebook.com/ceudevenus/https://www.instagram.com/ceudevenusoficial/https://twitter.com/ceudevenus Sublunar Express – Sublunar Express (2019) Esses dias recebi uma mensagem de um colega que conheci em um desses sites que você encontra pessoas com afinidades musicais em comum. E ele me disse que havia lançado o primeiro álbum da sua banda, a Sublunar Express. O trio québécois é formado por Denis Dufour, Emmanuel Heis e Daniel Paras. Trazem uma mistura interessante de krautrock (gênero atribuído a bandas experimentais alemãs da década de 60 e 70), stoner, post rock, rock atmosférico e psicodélico. Me lembrou bastante Kraftwerk, fica a dica para quem curte a banda. A capa foi feita pelo talentosíssimo Joan Llopis Doménech. Vale a pena conferir e ver o som muito bom que rola em terras canadenses. https://sublunarexpress.bandcamp.com/album/sublunar-expresshttps://www.facebook.com/sublunarexpress/https://www.sublunarexpress.com/ LVCASU – estrelas ocas: diários, notas, esboços (mixtape) – 2019   Esse lançamento até aqueceu o meu coração de tamanha saudade que eu estava de ouvir coisas novas do meu amigo e ídolo Lucas Silva, mais conhecido como Lvcasu. Foi inesperado para quem não o acompanhava no soundcloud, onde ele lança algumas pérolas de vez em quando (fica a dica). E uma grata surpresa pra mim – que morro de saudades de ver um show dele. A mixtape reúne experimentações e músicas – em tese inacabadas – que estavam guardadas na gaveta. Nada pretensioso ou com intenção de ser. Apenas a mente fluindo junto com a arte. O jeitão lo-fi continua em alta e os riffs marcantes também. Quem sabe Lvcasu volta se a gente pedir bastante? https://youtu.be/vue_On-Embo   https://www.youtube.com/watch?v=vue_On-Embo   Jair Naves – Rente (2019) Jair Naves é gigante, referência pra todo artista talentoso, percursor do meio alternativo e o cara que abriu e que continua abrindo caminho para possamos fazer e falar de música hoje. Sempre lúcido, com músicas profundamente reflexivas, honestas e brutalmente reais, seja na Ludovic ou com assinando com seu próprio nome. Consegue captar e transmitir em arte a atual conjuntura política e social brasileira, toda vez que se pronuncia consegue dar voz a uma geração aprisionada em seus próprios fantasmas, porém determinada a não deixar que os antepassados cometam os mesmos erros. Jair fala da sociedade e fala dele mesmo, atemporal apesar de falar sobre o que acontece no aqui e agora, expondo a complexidade do ser e as peripécias do viver. Se eu pudesse indicar um artista para que todos possam se inspirar, esse artista é Jair Naves. É sempre uma honra e um prazer vê-lo ao vivo. E você pode conferir o novo disco no evento Sounds Like FFFront IV – Jair Naves – 24/06 https://jairnaves.bandcamp.com/releases Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.

Música, brilho e escuridão com a drag king islandesa Mighty Bear

Máscaras brilhantes, visuais obscuros, misteriosos, homem, mulher ou apenas um ser?Mighty Bear (Urso Poderoso) é como se denomina essa drag queen islandesa, quem está por trás dessa persona artística é Magnús Bjarni Gröndal, conhecido também por assumir os vocais de sua antiga banda de pós-rock We Made God. Seguindo por caminhos totalmente diferentes, Mighty Bear parece algo mais pessoal, um encontro ao ”eu” de um musico que parece procurar novas possibilidades dentro da música. Batidas pulsantes, diferentes climas, experimentos e atmosferas que vão de momentos mais frenéticos a outros mais obscuros e vazios, parece estranho, mas essas palavras descrevem a música eletrônica islandesa, é como se esse som fosse o par perfeito para as paisagens desoladoras, bonitas e deslumbrantes que viram cenário de uma persona totalmente enigmática. Mighty Bear traz uma estética nova para o mundo drag, deixando de lado o visual espalhafatoso e colorido, aqui temos espaço para o brilho e a escuridão. Seu primeiro single ‘Leyndarmál’ foi lançado em 2016, seguido de ‘Hvarf’, mas foi apenas em 2018 que o EP ‘Einn’ ganhou vida, com quatro faixas produzidas por ele mesmo. Junho é o mês da diversidade, por isso decidimos bater um papo com Mighty Bear sobre sua estética, música e o mundo drag, além de questões políticas que estão inevitavelmente ligadas ao tema. Como começou a sua carreira musical, antes do Mighty Bear você participou de uma banda de pós-rock, mas antes de todos esses projetos o que você já havia feito? A música sempre fez parte da minha vida. Desde quando eu era pequeno sempre estive cantando e criando alguma coisa. Eu comecei a minha primeira banda quando eu tinha 16 anos, uma banda punk. Depois de um curto tempo nasceu o We Made God. Nós lançamos três discos e fizemos uma turnê no Reino Unido, Itália e China. Nós fomos uma banda por mais de 15 anos. O que você pode nos falar sobre essa persona Mighty Bear? Mighty Bear é uma extensão de mim mesmo. É uma combinação de ambos os meus lados masculino e feminino. Com o Mighty Bear eu me permito ser verdadeiro sem pensar muito no que os outros vão achar. Sobre a sua estética, geralmente drag queens tem um visual colorido e exuberante, o que você pensa sobre isso e como foi criar algo totalmente diferente, mais sombrio e misterioso? Foi importante para me expressar, e sempre gostei dos visuais mais obscuros. Quando eu era adolescente e encontrei o rock minha vida mudou completamente. Eu finalmente tinha encontrado algo que falava comigo. Quando eu estava criando o Mighty Bear eu queria muito expressar isso. Nesse projeto o seu foco é a música eletrônica, experimental, como foi essa escolha, você acredita que esse gênero é mais amplo? Sempre fui fã da música experimental e de fazer algo novo. Mas nunca foi uma decisão consciente criar esse tipo de música. Já que eu queria me expressar e sabia que eu teria que fazer tudo, então a música eletrônica foi uma escolha óbvia já que eu poderia criar tudo sozinho. Eu amo trabalhar com outras pessoas, mas o Mighty Bear foi sempre suposto a ser apenas a minha criação. Definitivamente penso que esse gênero é amplo e pode se expandir mais. Como é a cena drag na Islândia? A cena drag na Islândia ainda é nova mas está crescendo rapidamente. Nós temos um monte de drag kings o que é muito interessante. É algo muito diverso para um país tão pequeno. Atualmente o Brasil está ganhando destaque por sua cena musical queer, Pabllo Vittar é uma das drag queens com milhões de visualizações no Youtube. Você conhece nossas drags? Não conheço, mas definitivamente irei procurar sobre. Junho é o mês da diversidade e recentemente nossa justiça criminalizou a homofobia, isso é muito importante tendo em vista os momentos difíceis que estamos vivendo na política. Como são as políticas para as pessoas LGBT na Islândia? A Islândia é muito liberal quando se fala em políticas LGBT e sou muito grato por isso. Diálogos de ódio são ilegais já faz um bom tempo. Nós tivemos a primeira presidenta mulher do mundo e tivemos um primeiro ministro assumidamente gay. Ainda temos um longo caminho a percorrer, principalmente no que diz aos direitos trans. Quais são os seus planos futuros, está gravando música nova ou tem planos para um disco cheio? Atualmente estou trabalhando em um novo EP, que está quase pronto. Ele deverá ser lançado em breve. Se você pudesse escolher um artista favorito para se apresentar ao lado qual seria e por que? Tenho uma música que será lançada em breve onde trabalhei junto com Hans, uma drag king da Islândia e estou super animado com isso. Muito obrigado pela disponibilidade em falar com a gente, deixe um recado se quiser. Muito obrigado por mostrar interesse no meu trabalho. Visite: www.mightybearmusic.com para mais informações. Siga Mighty Bear nas redes sociais: BandcampFacebookSiteYoutubeInstagram

Uma jornada pelo rock instrumental do Hiroshima Bunker

Hiroshima Bunker é um quarteto que surgiu na capital de São Paulo, formado por Enzo Marco (guitarra), Eduardo Zeineddine (baixo), Gabriel Rego (guitarra) e Fernando Belchior (bateria). O pontapé na carreira veio com a gravação do primeiro single ‘Frankenstein’ , lançado em 2017 e influenciado pelo clássico livro da famosa autora Mary Shelley publicado há mais de 200 anos atrás, precisamente em 1818. A partir daí, surgiram shows por diversas cidades de São Paulo, esse era o start perfeito para começarem as gravações do tão aguardado primeiro EP. Batizado de Galáxia de Infinitos, o disco foi lançado em 2018, e apresenta cinco faixas que fazem uma jornada que transita por estilos como rock psicodélico, jazz, grunge e post-rock. Essas influências trazem momentos onde experimentam com várias texturas. Nas palavras do guitarrista Enzo Marco: ”À frente desse indivíduo — que poderia ser eu, você ou qualquer outro –, há territórios desconhecidos a serem explorados. São inúmeras as dúvidas que nos assombram, ao mesmo tempo, as mesmas dúvidas nos preenchem e se tornam possibilidades. O universo é colossal demais para não nos movimentarmos livremente. Não somos sólidos, mas sim pequenas partículas fragmentadas fluindo e, a qualquer momento, vamos deixar de ser essa massa densa para nos transformarmos em algo novo. É um ciclo sem fim. Somos mutáveis, como ondas sonoras que passeiam pelo universo através de um pedal de delay. Somos frequências que reverberam pelos planetas e invadem todas as dimensões inimagináveis. Estamos imersos em uma galáxia de infinitos.” Você pode escutar o disco na íntegra no link abaixo: Em 2019 a banda está se preparando para gravar um novo single, que deverá sair em breve, mas enquanto isso você pode escutar o EP nas plataformas digitais e ficar por dentro das novidades nas redes sociais, os links estão logo abaixo. Acompanhe o Hiroshima Bunker nas redes sociais: Facebook Youtube Instagram

Rammstein: após 10 anos retornam com sétimo disco em ótima forma

Desde o começo dos anos 90 que o Rammstein é considerado uma das melhores e mais bizarras bandas do heavy metal. Sempre muito críticos e irônicos, já foram censurados e proibidos de tocarem em alguns lugares, suas performances ao vivo são sempre cheias de grandes momentos que vão de pênis de borracha, caldeirão de fogo à mega explosões. Algumas  letras difíceis de entender ou clipes muito bem produzidos, tudo isso faz deles uma das melhores bandas do planeta. Agora em 2019, eles retornam com seu disco homônimo, o sétimo da carreira. O primeiro single ‘Deutschland’, traz claramente uma visão do que a banda e até alguns de nós temos sobre a Alemanha. Um olhar de raiva sobre seu passado triste e sofrido, mas também o renascimento e a construção de uma nova nação. A sonoridade é uma mistura do antigo Rammstein, mais eletrônico e cheio de sintetizadores com o peso de seus discos mais atuais Reise, Reise e Rosenrot. Em seguida, Radio, pesada, dançante e com um sintetizador marcante como na época do disco Sehnsucht. A música fala sobre a criação do rádio, com um refrão pegajoso que é praxe em grande parte das músicas da banda, e também com pitadas de críticas. Zeigh Dich, traduzindo para o português “Mostre-se”, a letra é forte e faz uma crítica dura às igrejas e religiões que promovem o sagrado, mas na verdade cometem o profano. O coro em latim no início, traz um ar de novidade para a faixa, mas no geral ela se encaixaria bem em um de seus trabalhos mais recentes. Mais uma vez os sintetizadores bem marcantes, em Aüslander temos batidas apelando para o pop, mesmo assim é uma das melhores do disco. Nas letras, Till usa o sarcasmo contra estrangeiros e cita algumas frases em diferentes línguas, como francês, italiano e inglês. Sexo sempre fez parte dos temas das letras do Rammstein, e agora temos isso de forma bem direta. A faixa Sex, é pesada, moderna, mas não traz muita novidade, mesmo assim não deixa de ser uma boa pedida para um set ao vivo. Puppe é com certeza um dos pontos altos, aqui conseguimos sentir toda a fúria dos vocais de Till, quase alcançando um gutural. Gosto do fato da sonoridade manter peso mesmo sem usar riffs rápidos ou pedais duplos na bateria, isso é algo que eles fazem muito bem. Em Was Ich Liebe a banda usa mais batidas eletrônicas, o que traz uma certa inovação para o som, mas no decorrer não temos tanta novidade. Temos em Diamant uma voz/violão no estilo Rammstein, sem muitos detalhes, com cordas de fundo, servindo como ponte para a próxima faixa. Weit Weg, aqui também não temos novidade, uma música que pode passar bem despercebida durante sua audição. Chegando ao fim do disco, Tattoo é mais um dos destaques, uma faixa pesada e enérgica, lembrando facilmente a sonoridade do disco Mutter (2000). E quem mais faria uma letra até poética sobre a tatuagem? Quem fecha o setlist é Hallomann, e como Rammstein também é cultura, aqui aprendemos até algumas expressões de conversação como ”Hallo kleines Mädchen, wie geht es dir? / Mir geht es gut, sprich nicht zu mir”. Em Sonne, do disco Mutter, aprendemos a contar do 1 ao 10, se lembram? Brincadeiras à parte, a sonoridade de Hallomann tem um clima de final mesmo, foi uma boa escolha. Em seu sétimo disco, a banda continua em ótima forma, misturando momentos de novidade com suas características que os fizeram uma das melhores bandas do metal, as letras são fortes e não deixam dúvidas ou enigmas, tudo é muito direto, mesmo com ótimo discos lançados após os anos 2000, o homônimo Rammstein mostra decentemente o poder do sexteto alemão. Siga a banda nas redes sociais: FacebookInstagramYoutube

Lançamento do clipe Ode – Ultraluna + entrevista

Quem acompanha o nosso blog desde o começo provavelmente já deve ter ouvido falar do Vinicius Mendes, certo? Já fizemos matérias aqui falando do Festival Pessoa que Voa que aconteceu no ano passado e fizemos uma entrevista com ele falando sobre o nosso querido e finado selo. Mas o que você talvez não saiba é que o Vinicius agora está com um novo projeto, chamado Ultraluna. Clipe de Ode Ode é bem diferente da primeira música lançada anteriormente, a Como uma Raposa nos Faróis (veja abaixo), é mais alegre, bem mais pop, grudou facilmente na minha mente o trecho “eu não vou sentir medo ou nem sentir culpa, só quero sentir seu braço na minha nuca”, me vi cantarolando essa parte pelo resto do dia quando ouvi as demos. Não posso dar spoilers do EP que será lançado em breve, porém posso adiantar que é um ótimo álbum, diferente de Mércurio que sempre me fazia chorar ou emocionava quando eu via ao vivo. Mércurio era bem mais voz e violão, right in the feels, o EP é mais “guitarrístico”, pop, refrões marcantes, solos de guitarra pra fazer você se apaixonar, pedal como a gente gosta e uma bateria animada e acelerada. Pelo menos que é a impressão que me passa. Ultraluna não é necessariamente um renascimento ou recomeço, é apenas uma das inúmeras facetas de um artista que procura diversas maneiras pra se expressar. O passado não ficou para trás, ele é sempre valorizado e querido. Mas temos que dar passagem para que o novo possa entrar e mostrar suas qualidades também. Acho que é sempre importante experimentar e ir descobrindo o que mais te agrada na música, confesso que as duas abordagens funcionam muito bem pra mim, tanto a melancolia quanto a alegria da juventude, aquela abordagem musical trazida pelo núcleo independente que eu chamo de rock jovem. O rock jovem me lembra do espírito da juventude, que muitas vezes eu perco (talvez eu já esteja velha demais pra isso), mas de vez em quando eu acho quando vou aos shows independentes. Essa abordagem dá um vigor pra discografia do Ultraluna, mostra as camadas criativas e a capacidade de se reinventar sem perder a essência, mantendo a alma, a paixão pela música e a criatividade. https://youtu.be/8Tb4dJ2yeSo Na entrevista abaixo, conversamos um pouco mais pra tentar entender os planos para o novo projeto: O que significa Ultraluna pra você? Uma mudança de nome ou estilo até um tipo de renascimento ou algo mais? Acho que o nome Ultraluna e o fato de ter mudado de nome não significa necessariamente uma mudança, porque meu estilo de compor e fazer música continua praticamente o mesmo, e nem um recomeço, porque gosto muito da minha discografia, e tudo que fiz nesse meio tempo. Acho que é um jeito de me distanciar da minha vida pessoal e poder ter mais liberdade em fazer o que eu me sinto confortável fazendo enquanto artista. Em qual direção as suas próximas músicas serão? (ex: vai ocorrer uma mudança de estilo/gênero) Então, eu não faço ideia. Essas músicas novas foram as ultimas que eu tinha guardadas, não tenho mais nada escrito, tudo daqui pra frente vai ser novo. Por enquanto, a ideia é fazer uma mistura desse som mais trabalhado do EP com o som acústico dos meus trabalhos anteriores, mas não comecei a escrever nada. A vontade agora é tocar esse EP ao vivo, junto das músicas antigas arranjadas com a banda pela primeira vez. Com quais artistas você vai colaborar nas músicas novas? Além da ajuda do Lucas (LVCASU), que desde sempre me ajuda na produção de tudo que faço, e fez as fotos e o vídeo de “Ode”, pela primeira vez tô contando com a ajuda do meu amigo talentosíssimo Nickolas (Marchioretto), que tocou bateria, guitarra e cantou em todas as músicas do EP. Nós gravamos lá no estúdio Fiaca, com o Yann Dardenne e com o Chris Kuntz, da Goldenloki, e eles ajudaram muito também a moldar esse trabalho todo. Quais são as inspirações pro álbum novo? Enquanto compunha eu ouvia muito Title Fight, Adventures, Mineral, I Hate Sex, Eliminadorzinho e o “Boas Pessoas São Feitas de Promessas Incompletas” do Marchioretto. Acho que o fim da PQV inspirou um pouco as composições e o jeito que eu tô lançando esse EP também. Quais são as histórias por trás das fotos do EP? As fotos da capa e do vídeo de “Ode” retratam um dos temas do EP, acho que essas canções lidam muito com amadurecimento, com o medo de crescer e finalmente lidar com a vida sem filtro algum. Queria que elas passassem uma história meio “coming of age”, de jovens crescendo e se descobrindo. Tem algum plano de show/tour em breve? O primeiro show da Ultraluna com banda vai rolar em julho, junto de artistas que sou muito fã. Não sei se vou conseguir fazer uma turnê tão cedo, porque minha rotina de trabalho é bem justa, mas tenho muita vontade de ir pra Minas e pro interior de São Paulo pela primeira vez. Tem algum outro músico independente que você gostaria de trabalhar? Sou muito fã da Lia Kapp, do Weird Fingers, da Ana Paia, do Nymo, do Juma e da Goldenloki, além do pessoal que era da PQV, como a Eliminadorzinho, Quasar, Pelocurto, e todo o pessoal. Pra qualquer coisa que um dia resolverem me chamar eu topo demais. Agradecemos ao Ultraluna pela entrevista e aguardamos ansiosos pelo disco novo! Quer saber mais sobre o artista? Bandcamp | Facebook | Youtube

Wagner Almeida – Domingos à Noite, a verdadeira beleza está nas coisas mais singelas

Eu queria ter tido tempo pra escrever sobre esse disco antes. Quando eu ouço discos como esse do Wagner eu me lembro do motivo de eu escrever nesse blog pra algumas pessoas lerem. Me dá vontade de continuar, renova minhas esperanças em continuar a escrever e renova a fé na música brasileira independente. Na esperança que alguém vá de fato ler e se interessar pra escutar o que eu estou indicando. Eu desejaria que fosse como aquele bom amigo que sempre tem bons conselhos sobre música, e eu ficaria muito brava se esse meu bom amigo não me indicasse um álbum bom desses pra ouvir. Solta o play: Antes de mais nada, espero que você já tenha ouvido falar no Wagner Almeida. O álbum crescimento/desistência foi um dos melhores discos de 2018, e eu me arrependo amargamente por não ter ouvido ele antes e não ter indicado antes pra vocês. De fato, eu me apaixonei verdadeiramente pelo álbum depois do show do Wagner na Breve e eu me arrependo disso por não ter curtido o álbum com a emoção que ele merece. Eu sempre tô atrasada com todas as coisas, mas dessa vez eu tentei não demorar muito. O ano ainda está na metade, mas pode ter certeza que esse já é um dos meus álbuns preferidos do ano e possivelmente da vida. Sabe quando um artista lança exatamente aquilo que você PRECISAVA ouvir. É literalmente isso. Provavelmente vocês já perceberam que eu sou uma grande admiradora das coisas que o Fábio de Carvalho e o Fernando Motta lançam, os discos deles significam muito pra mim e me marcaram bastante, com o Wagner tá sendo a mesma coisa. É inegável que Minas Gerais tem muita coisa boa, mas sinto que a gente não valoriza o suficiente. O Sentidor, mais conhecido como João de Carvalho, colaborou em grande parte com esse disco tanto na composição quanto na mixagem/masterização, e ele é outro grande artista que a gente deve se lembrar e se orgulhar de poder conhecer. Foi um encontro bastante feliz essa mistura magnífica das ideias do Wagner com as ideias do João. A atmosfera que existe nesse álbum é excelente, traz uma paz, uma calmaria, uma sensação de pertencimento gigante. Estar em casa ou estar em algum lugar tão confortável quanto (mesmo que seja no mundo de outra pessoa). Te faz esquecer da atual conjuntura política, de todos os seus problemas e te transporta pra um lugar melhor. Paz e quietude nunca estiveram tão em alta, o mundo moderno nos faz ficar tão ansiosos que é sempre bom encontrar um momento pra respirar e apreciar um bom disco. Eu sei que eu sempre dou uma boa viajada quando eu falo dos discos, porque eu só escrevo sobre aquilo que me marca e que eu não sei resenhar como muitos sabem, então eu só digo que descrevo todas as sensações e sentimentos que me marcaram nos álbuns. Então não me leve a mal. Agora voltando ao que importa… Não tem sequer uma música ruim nesse álbum e eu ainda estou tentando descobrir quais são minhas favoritas. Mas Cocada é certamente um ponto alto pra mim. As melodias se unificaram em algo tão bonito que eu tenho vontade de chorar toda vez que eu escuto, não é necessariamente uma música triste, mas ela consegue chegar àquelas notas que acertam certeiramente o meu peito e atingem aquele lugar sensível. Também perfeita para um estado de contemplação. As letras tanto desse disco tanto do álbum lançado no ano passado me fazem refletir sobre minha própria vida e sobre os caminhos que eu ando tomando, tenho me conectado bastante tanto com as melodias quanto com as letras. Tem me conectado com meu interior de uma maneira que eu nunca pensei, tem me feito refletir bastante e é muito curioso quando alguém que mal te conhece escreve um tantão de coisas que fazem você se sentir validado. Escutar esses álbuns tem sido uma viagem de autoconhecimento sem fim, pelo menos pra mim. Fora as vezes que eu me encontro extremamente sensível e desabo em lágrimas. Toda vez que eu ouço Cabo Frio, do último disco, eu SEMPRE choro. Vai diretamente na parte sensível que eu guardo a sete chaves dentro de mim. E domingos à noite é a mesma coisa. É um disco singelo, como se não precisasse de muitas coisas e firulas pra mostrar sua verdadeira beleza. A gente encontra a perfeição nas coisas mais simples, sinceras e diretas. Por exemplo, a música Toda Azul. Ela é simples e ao mesmo tempo tão fofa e tão bonita. Não precisa de mais nada, sabe? É isso, essa é declaração de amor que importa. Não precisa escrever milhares de coisas pra demonstrar que gosta (mas se quiser pode), essa música resume tudo isso, não precisa de mais nada. E é só isso, eu só tenho a agradecer por esse disco sensacional. Obrigada de verdade. Para saber mais sobre o artista, acompanhe as redes: https://www.facebook.com/wagneralmeidabh/ http://wagneralmeida.bandcamp.com https://www.youtube.com/channel/UCaylrmrftMlC8rIn5PY1hyA https://www.instagram.com/wagneralmeida_bh https://www.twitter.com/wagneralmeidabh E mais sobre o Sentidor: https://open.spotify.com/artist/1gXygxpZCVCaFMja7oHbq7 https://www.facebook.com/projetosentidor/ https://www.youtube.com/channel/UC7okdFyJxLSkCqFycLtUH2Q https://soundcloud.com/disritmiaesonho

Rebobinados indica #12: Lançamentos 2019

Pesta – Faith Bathed in Blood Faith Bathed in Blood é o segundo disco de estúdio dessa brilhante banda mineira de stoner/doom lançado em 28 de fevereiro pelo selo Abraxas Records, durante as oito faixas ouvimos um som pesado, riffs dinâmicos e um vocal poderoso, o foco aqui foi produzir algo mais orgânico, com uma sonoridade fiel aos seus shows ao vivo. A produção ficou por conta de André Cabelo da banda Chacal, com quem já haviam trabalhado anteriormente em seu também elogiado primeiro debut Bring Out Your Dead. As letras giram em torno de ações em nome das religiões, fanatismo, rituais ou pessoas que se julgam executores da justiça na Terra. TR/ST – The Destroyer, Part. 1 Já fazia um bom tempo que Robert Alfons, líder do TR/ST, não lançava nada novo, o seu último disco Joyland saiu em 2014, desde então apenas duas músicas novas foram apresentadas durante alguns shows que a banda fez. O surgimento da nova “Bicep” deixou os fãs animados, mas foi só em 2019 que o primeiro single “Gone” foi lançado e deu indícios certos de um disco novo, ainda foram apresentadas as faixas “Unbleached” e “Colossal”, mostrando que a sonoridade ainda trazia aqueles nuances dark eletrônicos bem agitados e os vocais frios e graves ou até desajeitados.The Destroyer, Part. 1 mantém o TR/ST em um bom patamar da música eletrônica alternativa, mesmo com um pé na cena dark, ele consegue atrair também os ouvidos do público mais indie, fãs de artistas como Grimes e ionnalee. Bomfim – Vazio Bomfim surgiu na cidade de Joinville no ano de 2017, trazendo uma mistura de rock alternativo com influências de shoegaze e dream pop, as composições ora trazem um som mais frio, melancólico ou uma guitarra delicada e mais aérea, cheias de letras afetuosas que criam uma ponte com o ouvinte, Arrepio, Astronauta e Medo provavelmente ficarão no seu repeat por algum tempo. O EP batizado de Vazio traz quatro faixas e foi lançado pela gravadora Nuzzy Records, a banda já se apresentou ao lado de nomes como Gorduratrans, Terno Rei e Adorável Clichê. Desert Crows – Age of Despair Goiânia tem sido a nova capital do rock, ultimamente grandes nomes vem surgindo de lá, e pode apostar que o Desert Crows é um deles. O power trio formado por Vitor Mercez (guitarra e vocal), Raul Martins (baixo) e Pedro Nascimento (bateria) nos apresentam seu primeiro disco Age of Despair. Com uma baita produção e um som moderno que transita entre o stoner rock e o grunge, esse é um daqueles discos pra ouvir no último volume, com músicas poderosas, pesadas e cheias de melodias que vão grudar na sua cabeça. O lançamento ficou por conta do selo Monstro Discos. Westkust – Westkust O novo quinteto sueco de Gotemburgo, Westkust, traz seu segundo disco auto intitulado. A capa fofinha com rosas em um campo (mas com uma péssima tipografia) nos dá alguma ideia do que está por vir. Um shoegaze/dream pop mais puxado para o indie rock, com guitarras barulhentas, mas também com melodias bonitas, assim como faziam os The Pains At Being Pure At Heart, os vocais se encaixam bem, o disco mesmo sendo curto não passa despercebido, é um bom lançamento, acredito até que a banda tem tudo pra ser mais conhecida, pois eles fazem o tipo de som que é agradável de se escutar em um festival, não deixe de conferir! FONTAINES D.C. – Dogrel Seria um erro não falar algo sobre esse disco por aqui, afinal o FONTAINES D.C. surgiu em 2018 direto de Dublin e em 2019 chegaram chutando tudo com Dogrel, seu primeiro disco de estúdio. Aqui eles trazem de volta aquele revival do pós-punk do fim dos anos 70, com um sotaque bem puxado, guitarras bem cruas e um som bem agitado, mas com espaço para algo mais ”comercial” como na ótima “Television Screen”. Não é toa que o disco tem atingido ótimos rankings pela Europa, e é também um dos mais comentados em sites de música especializada, a banda tem cerca de cinquenta shows marcados pela Europa e América do Norte. Uns dizem que o rock está morto, nada tão relevante tem sido lançado, talvez essa seja a hora de mudar isso! Ave Sangria – Vendavais Quarenta e cinco anos, esse foi o tempo entre o primeiro disco Ave Sangria (1974) e Vendavais que acabou de ser lançado. Essa importante banda do rock nacional surgiu em Pernambuco, naquela época, impressionaram pelo som com influências de psicodelia, progressivo e da já conhecida tropicália. Não sabemos ainda o por quê, mas depois de todo esse tempo a banda começou a ganhar mais reconhecimento, e tão rápido o disco homônimo de 74 estava nas graças do povo, considerado agora como cult. A parte boa é que a banda vendo o retorno decidiu se reunir para apresentar alguns shows e também gravar um disco novo, por que não? Há poucos dias Vendavais chegou aos streamings do mundo, um disco impressionante, potente, bem composto e bonito. Vida longa ao Ave Sangria! Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.

Wolfheart e Fleshgod Apocalypse fazem apresentações devastadoras em São Paulo

Fleschgod Apocalypse

Na quarta-feira de feriado (1 de Maio) São Paulo recebeu dois ótimos nomes do metal extremo. As bandas Wolfheart (Finlândia) e Fleshgod Apocalypse (Itália), se apresentaram na The House (antigo Hangar 110) com produção da EV7 Live. Cheguei na casa por volta das 18h50 e as portas ainda não estavam abertas. Uma fila com um número considerável de fãs aguardava, no entanto, em de dez minutos a entrada foi liberada. A estreia do Wolfheart no Brasil O primeiro show da noite começou por volta das 19h45 com o Wolfheart. A banda finlandesa é formada por Tuomas Saukkonen (guitarra, vocal), Mika Lammassaari (guitarra), Lauri Silvonen (baixo, vocal) e Joonas Kauppinen (bateria). Subiram ao palco fazendo sua estréia em terras brasileiras, essa é a primeira vez que a banda vem à América do Sul. O disco mais recente Constellation of the Black Light foi lançado em 2018 pela Napalm Records. A apresentação foi intensa e pesada, uma banda muito boa no palco, com riffs rápidos e destruidores. Ora tivemos atmosferas mais arrastadas e melódicas com influências do doom e folk que não são tão perceptíveis no som, mas sim nas letras que falam sobre natureza, guerreiros e apocalipses. O público ainda pequeno estava tímido, mas aos poucos foi ganhando intimidade, com moshpits, gritos e aplausos durante os 45 minutos de apresentação. O setlist mesmo que curto passou por toda a discografia, a faixa Boneyard já conhecida pelos fãs finalizou o show. A banda estava feliz por tocar pela primeira vez para o público brasileiro, agradeceu a presença de todos e saiu do palco muito ovacionada. Fleshgod Apocalypse e seu furacão musical Em menos de trinta minutos após o primeiro show, o palco já estava montado e todos os instrumentos prontos para receber a atração principal da noite. Essa é a segunda vez dos italianos do Fleshgod Apocalypse aqui. A primeira aconteceu em 2017 ao lado dos gregos do Septic Flesh. Exatamente às 20h53 os integrantes subiram ao palco para o delírio do pequeno público que os aguardava ansiosamente. Logo de cara deram início com a destruidora ‘The Violation’ do disco Agony. Em seguida, ‘Healing Through War’ do disco King de 2017, uma dobradinha matadora capaz de quebrar o pescoço de qualquer um. Uma pequena pausa e continuaram com ‘Cold As Perfection’ que se destaca pelos vocais de opera, feitos pela incrível Veronica Bordacchini que excursiona com a banda ao vivo. Mais uma pequena pausa para conversar com a audiência, e o vocalista Francesco Paoli disse que eles iriam lançar um disco novo chamado Veleno. Em seguida, tocaram uma música desse disco, a resposta foi imediata, então seguiram com ‘Sugar’, primeiro single. O setlist contou com músicas de todos os discos e parece ter agradado os presentes. Destaque também para mais uma música nova que estará no novo disco, intitulada ‘Fury’. Não podiam faltar também ‘The Fool’, ‘Epilogue’ e ‘The Egoism’. Já fui em alguns shows de metal extremo, mas nenhum comparado a esse, é difícil ficar parado em qualquer música. Essa mistura de death metal com orquestras, duetos entre guturais e vocais de ópera femininos e masculinos fazem com que tudo fique mais ”freak”. Mais uma pequena pausa e a banda volta ao palco para finalizar sua apresentação com ‘The Forsaking’. Os fãs abriram uma grande roda de mosh pit no meio da pista para fechar também com chave de ouro. As duas bandas fizeram apresentações impecáveis, poderosas e devastadoras. Era visível que cada integrante estava se doando, e imagino que esses caras devem ficar bem cansados com toda essa intensidade. O ponto fraco ficou por conta do público que desapontou, acredito que não haviam nem trezentas pessoas presentes ali. Isso é algo que a própria bandou notou ao se despedir dizendo que ”com certeza irão voltar e que esperam que tenham um público maior e maior e maior… ”. Uma pena, visto a qualidade de ambos e sabendo que é tão difícil ter um show dessas bandas por aqui. Mas já notamos que os brasileiros acabam se acostumando com ”mais do mesmo”, shows do Iron Maiden e Metallica, continuam com sold out, mesmo não trazendo nada de novo aos fãs. Parabéns a produtora EV7 Live pela iniciativa em trazer bandas com esse tipo de som e obrigado pelo credenciamento. Acompanhe o Fleshgod Apocalypse nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp Confira o disco Veleno: Confira outras resenhas de shows acessando aqui.

Entrevista: De Carne e Flor

Primeiramente eu quero pedir desculpas. Admito que demorei demais para ouvir essa banda tão boa. Eu sempre demoro demais para ouvir coisas novas, apesar de ter todos os incentivos do mundo para fazê-lo, mas acho que são falhas comuns do ser humano. Ainda há tempo para corrigir essas falhas e se você ainda não ouviu, talvez eu possa te convencer a ouvir também. De Carne e Flor é formada por Bruno Araújo (voz), Guilherme Xavier (guitarra), Vitor Ferrari (baixo), André Jordão (guitarra), Eliton Si (bateria/voz). No final de 2018 eles lançaram o álbum Teto Não Familiar, uma mistura visceral de emo, post rock, screamo e post hardcore. Confesso que apenas a citação dessa mistura de gêneros já me deixaria curiosa para conhecer a banda, porém para o deleite de todos nós, tem muito mais do que só isso. Acho que poucas bandas conseguiram me conquistar e me emocionar de imediato. Talvez eu esteja sensível demais, propensa ao choro ou a banda é realmente boa demais. Apenas 4 músicas foram necessárias para atingir aquele pontinho certeiro do meu peito, atingindo aquela zona sensível onde moram os sentimentos. Foi como revisitar algo doloroso que eu já havia vivido, sabe aquela expressão “bateu a bad”? Bem clichêzona, porém é a real. Talvez porque família seja um tema complicado, que está na realidade de todos nós, talvez sejam as belíssimas letras das músicas, talvez sejam os pedais, talvez seja o grito do Bruno, mas algo me conectou com esse álbum. É como se cantassem os sentimentos mais profundos e dolorosos que temos dentro de nós, alguns sentimentos que estão tão profundamente escondidos que nem sabíamos mais que existiam. O grito é a libertação dessa dor, ou ao menos uma maneira de se expressar e tentar se livrar do fardo carregado ao longo de tantos anos. Batemos um papo para conhecê-los melhor… Como vocês descreveriam a banda para quem nunca ouviu? R: Emo da sessão de descarrego. A sonoridade é caótica, urgente, melódica, dissonante e voraz. Gostaríamos de criar uma atmosfera capaz de transportar o ouvinte a este ambiente adequado para receber o drama que as vozes carregam. Para isso usamos estruturas de screamo, (pós-)hardcore e pós-rock, sem medo de acrescentar o que a gente sentir vontade. Como está a recepção das pessoas depois do lançamento e durante os shows? R: Sobre o EP, quando alguém diz pra gente que curtiu o som normalmente é por suas próprias razões, encontrando referências que nem eram a nossa intenção! Isso é interessante pois mostra como mesmo algo trazido de lugares muito específicos por nós, pode ser interpretado ou recebido de forma diferente pra quem ouve, dependendo da bagagem de cada um, tornando o sentido geral da coisa ainda maior. Sobre os shows, já ouvimos que nós criamos uma apresentação com o andamento interessante com começo, meio e fim, repleto de passagens marcantes. Nos esforçamos pra valer a pena conferir! Da onde vem a inspiração para o álbum e como foi a composição das letras? R: Desde a época da Black Clovd (banda de hardcore melódico pique More than Life onde dividi guitarras com o Guix entre 2014 e 2016), chegou um momento onde eu tava sendo mais produtivo escrevendo letras do que melodias, por me sentir cheio de coisas pra contar, não ser muito bom em expressar de forma direta as coisas mais sérias da vida e não me sentir muito afim de desabafar ou incomodar alguém. Quando a tal banda acabou coincidiu do Vitor (baixo) querer montar este projeto. Parte das letras foram escritas num momento de vazio por conta de desemprego e falta de rumo (tinha acabado de terminar um curso técnico o qual não me via exercendo profissionalmente). Me encontrei relembrando amizades antigas e pensando em como cada um seguiu seu rumo e eu fiquei no mesmo lugar (nas poças se transforma, provavelmente a letra que tinha guardada por mais tempo). Também escrevi sobre percalços pelos quais passaram meus familiares (de um teto não familiar), a descoberta e receio de sentir um novo afeto (em medo e em desejo). A primeira faixa (A âncora que jogamos) foi escrita por último, após o Victor (ex-guitarrista) ter trazido o nome da banda (que tem como referência a música De Carne Y Flor da banda espanhola Viva Belgrado), além de ser um lamento inicial também apresenta o clima do EP, batizado com o nome do segundo episódio de Evangelion porque o lado otaku falou mais alto. Quais são as bandas que vocês se inspiram? R: Alexisonfire e U2 (risos). A banda canadense de post-hardcore Alexisonfire, uma das inspirações da De Carne e Flor Vocês tem outros projetos musicais? R: Também tô de vocal num projeto chamado Ravir com o Guimo e o João (ambos membros da Jovem Werther, banda que me influenciou muito e que cheguei a tocar durante o ano passado e hoje se encontra em hiato). A ideia é fazer um pós-hardcore mais mewithoutYou e Fugazi. O Guix (guitarra) também toca no Institution e o André (guitarra) é o cara mais multifacetado da banda, toca na O Bicho de 3 Cabeças (instrumental fudidásso), Lapso (grind/black metal) e Obscvre Ser (blackened hardcore) e também foi parte da Jovem. Vale citar que o Elitinho (bateria) tocava na We are Piano (pós-hardcore/experimental) e não pensei duas vezes em chamar ele quando fui montar a banda. Bandas brasileiras que vocês admiram e gostariam de tocar junto? R: Acho Colligere incrível e boa parte do pessoal que nos viu tocar diz que a gente tem uma veia em comum. Mesmo que a banda se apresente muito raramente, torcemos para que um dia ocorra essa oportunidade! Das que pararam mas já fizeram minha cabeça, Envydust e 3 Segundos Antes da Queda. Atualmente, tá rolando muita coisa boa tanto em rolês mais pesados (Sendo Fogo, Rastilho, Surra, Desventura, Uhrutau), experimentais (Hiroshima Bunker, Rakta, Ema Stoned, Labirinto) até os mais de boa (Superbrava, eliminadorzinho, Raça) e além de ser tudo banda foda (algumas citadas já tocamos junto) seria legal ver como a

O Cientista Perdido: projeto traz rock atmosférico com influências que vão de Radiohead a Björk

O Cientista Perdido é como o brasiliense Rodrigo Saminêz batizou seu projeto musical, que ganhou vida em 2018. O primeiro single “Cientista” traz um sonoridade leve, etereal, capaz de te transportar para um mundo paralelo. Nas palavras de Rodrigo: “Cientista” é a minha resposta pro mundo à uma pergunta que eu nem sei qual é. É algo que quero dizer e que sinto que precisa ser dito já faz tempo. Foi escolhida a dedo como primeira canção, a única música cujo eu-lírico sou eu mesmo, e não o personagem que criei pra me relacionar com a música. Na verdade, essa é uma música dedicada à este personagem, para que ele siga qualquer caminho sempre lembrando de sua própria essência.” Alguns meses depois, o novo single “Before” foi lançado, este traz um sentimento saudosista: ”Quem nunca sentiu aquele sentimento confuso de sentar para assistir fitas VHS com compilados de memórias da sua infância? Ver a si mesmo no passado pode ressuscitar as alegrias e os questionamentos mais antigos e “auto-inerentes”. E é justamente a extrema individualidade da situação descrita que inspirou o segundo single d’O Cientista Perdido. “Before” traz, junto ao seu videoclipe uma paz que é, ironicamente, saudosista e inquietante, e repete constantemente a pergunta: “o que você quer ser quando crescer? “. O single acompanha uma faixa instrumental bônus, intitulada “In the Shadows”. Para compreender melhor as ideias, batemos um papo com Rodrigo sobre o início de seu projeto, suas composições, o futuro EP e o próximo single que sairá no dia 26 de abril. Quando e como foi o seu primeiro contato com música? Acho que o primeiro contato que de fato começou a mudar algumas coisas dentro de mim foi com Clocks, do Coldplay, que tocou num filme que eu tava assistindo – eu devia ter uns 10, 11 anos. Eles sempre foram minha banda favorita, muito por causa disso. Foi a partir deles que comecei a não só ouvir, mas a me conectar com a música. O primeiro álbum completo que ouvi foi o A Rush of Blood to the Head, aí depois fui seguindo os outros discos deles. Cada álbum era único, e eu fui me encantando cada vez mais pela ideia de discos de estúdio, conceitos sonoros, identidade musical… por aí vai. Sobre o seu processo de composição, o que vem primeiro as letras ou o instrumental? Isso depende. Gosto de enxergar cada música como um universo particular, logo as regras do jogo sempre vão mudando. Cientista começou há uns quatro anos atrás, quando quis escrever uma música explicando o nome do projeto de uma maneira bem indireta. Aí a letra veio antes de tudo, tanto que só fui de fato finalizar a música no fim de 2018. Já a Before surgiu depois que eu toquei exaustivamente os dois acordes da base da música e tentei cantar algo por cima deles. Mas não gosto, e nem pretendo ter um ponto de partida fixo p’ras minhas músicas. Isso tudo depende do que tá rolando na minha cabeça no momento. Foi difícil definir qual seria o estilo das suas músicas? Não só foi, mas é tão difícil que até hoje eu não sei dizer direito! Um dos pilares d’O Cientista Perdido é flutuar dentre os gêneros de uma forma fluida e orgânica, e é isso que venho tentado fazer, tanto nesses singles avulsos, quanto em projetos futuros. Tem sido muito difícil encaixar minhas músicas em alguma fôrma justamente pelo fato do processo criativo delas ser muito imersivo pra mim. Fico tão dentro de cada universo que fica difícil sair pra olhar aquilo tudo por fora. Mas é justamente que eu tenho um grupo seleto de amigos, que sempre acompanha todas as etapas das músicas e vai me guiando sobre o que eles acham, sentem e se recordam enquanto ouvem.   Mas no fundo, no fundo, as músicas são, sonoramente, um reflexo de tudo que eu ouço. Tudo acaba sendo uma porcentagenzinha de cada artista que estou ouvindo no momento, que no fim compõem uma identidade própria. Qual a sua opinião sobre a cena independente nacional e a facilidade que artistas tem ao poder criar suas músicas sem ajuda de alguma gravadora? Eu sou muito otimista em relação à cena independente. O público de artistas independentes é específico, mas é sempre um público muito caloroso e apoiador. Falando especificamente sobre Brasília, minha cidade, o que eu vejo é uma rede enorme de artistas e amigos que estão extremamente dispostos a se ajudar e se conhecer, valorizar mutuamente os trabalhos. No entanto, a facilidade do acesso à softwares de gravação caseira e coisas do gênero as vezes parece ser desculpa para alguns artistas se manterem na mediocridade e na mesmice. Fico feliz disso não ser recorrente na minha cena, ou ao menos não com os artistas que conheço, mas é comum ver alguns artistas de Bandcamp que tem uma falsa ambição e uma vontade de crescer que é maior do que o carinho e da alma que são colocados na música. Isso é triste, mas ao mesmo tempo, é facilmente ignorável, devido à enorme gama de artistas incríveis que tenho o prazer de acompanhar, sempre ambiciosos e extremamente zelosos. Pretende lançar um disco completo ou EP? Meu primeiro EP tá a caminho! Pretendo lançar entre junho e julho desse ano, mas não prometo nada! Quem quiser alguns spoilers fica ligado nas redes sociais pra ver quando vai ter show, a gente já tá tocando algumas músicas dele. Quais são suas influências não musicais? Estudo letras inglês na UnB, então a literatura (canônica ou não) é um elemento que geralmente se encontra presente nas minhas composições, em termos de letra. Sempre tento parafrasear alguma coisa que li para alguma matéria e chamou minha atenção. Mesma coisa pra alguns filmes. Além disso, as músicas geralmente surgem de situações, hipóteses, histórias imaginárias. Posso dizer que existe pelo menos uma música pra cada uma desses elementos listados na frase anterior dentro do meu EP. Deixe um recado para quem ainda não conhece sua

Polly Terror: composições sombrias e melancólicas em “Special Fiend”, seu EP de estréia

Poliana Marques é a mente por trás de Polly Terror, seu novo projeto musical. Ela é conhecida por sua participação nas bandas Duna, Brisa e Chama, e também por ser uma das fundadoras do evento Chá das Mina, um coletivo que tem o intuito de enaltecer e divulgar mulheres artistas da cidade de Betim em Minas Gerais e entorno, através de exposições, shows e rodas de conversa. Em sua nova banda, Poliana experimenta através de diferentes estilos, como rock, metal e industrial. Entre suas influências estão artistas como Chelsea Wolfe, Emma Ruth Rundle e The Cure. Special Fiend é o nome do seu EP de estréia, um disco com cinco músicas produzido pela própria Polly em parceria com Fábio Mazzeu (Mayen e ex-Lively Water) e Porquinho (Grupo Porco e Fodastic Brenfers). As composições trazem momentos mais sombrios, melancólicos e experimentais, abordando suas experiências pessoais. O lançamento ficou por conta do selo Abraxas de São Paulo e Geração Perdida em Belo Horizonte, ambos responsáveis por trabalhar com bandas importantes do cenário musical nacional e internacional, como Lupe de Lupe, Necro, Neurosis e Kadavar. Acompanhe Polly Terror nas redes sociais: FacebookInstagram

Fleshgod Apocalypse: banda italiana de death metal sinfônico retorna ao Brasil com nova turnê

A história do Fleshgod Apocalypse começa na pequena capital de Perúgia, na Itália onde se juntaram no ano de 2007 para gravar a primeira demo. No ano seguinte, lançaram o split Da Vinci Death Code, e em seguida tocaram como banda de apoio em uma turnê europeia ao lado de grandes nomes como Behemoth, Napalm Death, Dying Fetus entre outras. O primeiro disco Oracles foi lançado em 2009, e trazia uma mistura do peso do death metal com música clássica, o que chamou atenção do público amante da música pesada. Dois anos mais tarde, eles assinaram com a Nuclear Blast e lançaram mais três discos, sendo eles: Agony (2011), Labirynth (2013) e King (2016). O quinto e novo disco intitulado Veleno será lançado no dia 24 de maio, também pela Nuclear Blast e para divulgá-lo a banda retorna após dois anos desde sua última passagem pelo Brasil. As duas apresentações acontecem em 01 de Maio em São Paulo e em 02 de Maio em Curitiba com produção da EV7. A banda finlandesa Wolfheart, conhecida por seu som que mistura death e folk metal, será a convidada especial para abrir as apresentações da turnê latino americana, essa é a primeira vez que eles tocam na América do Sul, então se eu fosse você não perderia essa apresentação histórica que promete quebrar tudo no Hangar 110. Enquanto o disco não sai, você pode conferir o clipe do primeiro e novo single, “Sugar”: Abaixo você encontra todas as informações das duas apresentações da banda no Brasil: Fleshgod Apocalypse + Wolfheart  em São PauloData: 01/05/2019Local: The HouseEndereço: R. Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro, São Paulo/SPClassificação: 18 anosIngressos: https://ticketbrasil.com.br/show/6864-fleshgodapocalypseewolfheart-saopaulo-spInformações: www.facebook.com/events/391711238293896/ Fleshgod Apocalypse + Wolfheart  em CuritibaData: 02/05/2019Local: JokersEndereço: R. São Francisco, 164 – Centro, Curitiba/PRClassificação: 18 anosIngressos: https://ticketbrasil.com.br/show/6865-fleshgodapocalypseewolfheart-curitiba-prInformações: www.facebook.com/events/334361783875394/

Lançamentos de 2019: Internacionais

Imagem de um fone de ouvido ao lado de um celular com player de música aberto.

Lançamentos de 2019: fizemos uma lista com alguns discos que não saem dos nossos players de música, se você está a fim de conhecer música nova, confira quais são esses álbuns que já podemos considerar como nossos favoritos do ano. American Football – LP3 O terceiro álbum do American Football lançado na sexta feira veio para agraciar todos aqueles que sofrem de dor de amor (sejam estes reais ou imaginários) e de saudades do midwest emo. Eu sou sempre lerda para acompanhar os lançamentos, quase sempre sou a última a saber, mas esse eu já ouvi umas 6 vezes no mínimo e cada vez que eu ouço eu quero ouvir mil vezes mais. Simplesmente perfeito. Com toda a certeza do mundo vai constar na minha lista de melhores do ano. E o que dizer das colaborações? Elizabeth Powell (Land of Talk), Hayley Williams (Paramore) e a perfeita-e-dona-do-meu-mundo Rachel Goswell (Slowdive), sinceramente eu não conseguiria pensar em uma combinação melhor. Incrível, vale a pena demais ouvir. Duster  – Capsule Losing Contact Uma das minhas maiores alegrias dos últimos dias foi ver a notificação do Spotify avisando que Capsule Losing Contact estava disponível. 51 músicas deliciosas dos nososs amados Stratosphere e Contemporary Movement além dos EP’s e algumas músicas inéditas. É o maior presente que qualquer fã de Duster e de música boa poderia receber. Qualquer coisa que eu possa falar de Duster será suspeita, porque eu simplesmente adoro essa banda. Duster é vida, Duster é o ar que eu respiro, Duster é tudo. Só acredite no meu bom gosto, ouça e concorde comigo depois. Tamaryn – Dreaming The Dark Na última terça feira fomos presentados com a presença da grande rainha toda poderosa Tamaryn em terras brasileiras e na sexta feira foi lançado o tão esperado Dreaming the Dark. O show de terça já contou algumas músicas novas (basicamente os singles lançados até então), e elas são excelentes ao vivo. Aliás, Tamaryn é uma artista completa, interpretação perfeita, luzes, ambiente, o som estava perfeito e a performance: impecável. Desde que entrei na casa de shows já tive vontade de sair dançando e cantando. A presença de palco dela é simplesmente magnética, não consegui desgrudar os olhos do palco. De longe um dos melhores shows que eu já vi, vou guardar pra sempre no meu coração. Perfeito em tantos níveis que eu só posso ficar triste por quem não pode comparecer. Vale a pena curtir o álbum lançado e torcer para essa deusa pisar em terras brasileiras em breve.   La Dispute – Panorama Quem é emo e/ou corno (apelido carinhoso) se deu bem essa semana, especialmente os fãs de La Dispute, que puderam comemorar ariando os chifres no chão com o novo álbum Panorama. Para ser bem sincera, não me conquistou na primeira vez que ouvi. Talvez eu deva dar mais chances e quem sabe eu vá me apaixonar até lá. Porém recomendo pelo carinho que tenho com os outros álbuns e pela história de dor e lágrimas que tenho com algumas músicas da banda. Nilüfer Yanya – Miss Universe Confesso que essa artista eu conheci buscando mais lançamentos para poder escrever aqui e me surpreendi positivamente. Mais uma das boas surpresas vindas dos lançamentos dessa semana. Cantora e compositora britânica de indie pop/ indie rock, se inspira em artistas excelentes como Jeff Buckley, Nina Simone, Pixies e The Cure. É uma das promessas de novos artistas e provavelmente esse álbum vai constar na lista dos melhores do ano de muitos blogs aclamados por aí. Os toques de soul, a graciosidade da guitarra e o sotaque britânico fazem esse álbum ser diferente das últimas coisas que tenho escutado e bastante especial também. Gostoso o suficiente para ser escutado por pelo menos mais umas dez vezes. Uma ótima oportunidade para conhecer artistas novas e talentosas. Já disseram que 50% dos novos guitarristas que estão surgindo são mulheres, e a Nilüfer é um excelente exemplo para as garotas se espelharem. Mulheres na música é tudo de bom. Crocodiles – Love is Here Já fazia um tempinho que essa dupla estava sumida, porém esse ano saiu Love is Here, o sétimo disco de estúdio do Crocodiles. A banda faz um indie rock com influências de noise, shoegaze e pós punk, aqui eles mantém a qualidade do que já vinham fazendo, portanto se você espera algo inovador, não é o caso, no entanto, é um álbum muito bom. Acredito que por ser o sétimo da carreira, valeria dar uma arriscada ali ou aqui pra sair um pouco da mesmice, mas mesmo assim não tem como, eles são ótimos e continuo adorando esses caras, se você gosta de Jesus and Mary Chain é uma boa pedida! Sneaks – Highway Hypnosis Se você não conhece Sneaks então para tudo e corre agora pra escutar todos os discos, principalmente se você gosta de novidades e de um som mais minimalista. Comandado por Eva Moolchan, esse é um projeto de um artista só, nos dois primeiros álbuns as composições são bem influenciadas por pós punk, as músicas não tem guitarras, então foi amor a primeira ouvida, as linhas de baixo vão do dançante ao lado mais ”punk”. Em Highway Hypnosis as coisas são diferentes, se prepare pois aqui temos altos flertes com hip hop e RnB, mesmo indo por um caminho diferente as composições são ótimas e gostosas de escutar. Le Groupe Obscur – Selesca Esse é o primeiro disco dessa banda francesa, ainda muito nova no cenário, mas que de cara impressionam, não só pela aparência que é algo que chama muita atenção, com suas vestimentas teatrais e soturnas, mas pelo som. É inevitável não fazer comparações com o que os Cocteau Twins fizeram durante o fim dos anos 80, aqui temos influencias muito notórias disso, mas mesmo assim eles tem seu próprio tempero que os fazem diferentes das outras bandas que encaram algo parecido em seu som. Acredito que eles tem tudo para serem mais reconhecido e tocarem em festivais ao lado de grandes nomes. Gostou? Confira também

Especial Mulheres Independentes

Dia 8 de março tivemos o dia Internacional das mulheres, uma data historicamente representativa, uma data que marca a luta das mulheres na sua busca por mais direitos e liberdade, sendo apropriada para fins comerciais e superficiais. Um dia para que o patriarcado possa se sentir menos culpado ao dar flores, ser gentil, dar mimos e dar os parabéns. Dar parabéns pelo quê? Nós mulheres estamos em uma luta diária, ininterrupta para sermos ouvidas, reconhecidas, legitimadas e aceitas. Os parabéns e os tapinhas nas costas os fazem se sentir menos culpados, mas não nos fazem sentir que devemos lutar menos ou que já estamos em pé de “igualdade” com os homens. É preciso mais, muito mais. É preciso que mais mulheres ocupem todos os espaços possíveis. Eu poderia fazer um texto enorme sobre isso, porém eu vou focar apenas no que eu posso fazer como singela colaboradora deste blog: dar mais exposição para os trabalhos que eu admiro feitos por mulheres. Principalmente mulheres independentes. Festival Hard Grrrls 19 Esse foi um dos festivais mais legais que eu já tive o prazer de comparecer, em 2018 escrevi sobre ele nesse post. É um festival incrível feito pelas minas, com exposições das artistas Breeze Spacegirl, Camila Visentainer. As bandas que vão participar do fest esse ano são Malka, dd dagger (ᴛx-ᴇᴜᴀ), Bioma, Não Não-Eu e Luana Hansen. Vale MUITO a pena, recomendo de verdade. Link do evento: https://www.facebook.com/events/2248396038716734/Página do facebook: https://www.facebook.com/hardgrrrls/ In Venus no Quinta Independente do CCJ Banda de post punk com letras feministas e anticapitalistas, formada por Cint Ferreira (voz e teclado), Jiulian Regine (bateria), Rodrigo Lima (guitarra) e Patricia Saltara (baixo). O primeiro single, Mother Nature, saiu em 2016. Em 2017 lançaram o disco Ruína e em 2018 o EP Refluxo. No dia 21/03 tem o show no Centro Cultural da Juventude, que fica na Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641, Vila Nova Cachoeirinha – a 20 minutos do Terminal Barra Funda e ao lado do Terminal Cachoeirinha. O show é gratuito, e a banda é uma das mais cativantes da cena feminista independente, vale a pena conferir! Página da banda: https://www.facebook.com/invenusband/Link do evento: https://www.facebook.com/events/255193782023974/Bandcamp: https://invenus.bandcamp.com/ Hayz Das coisas boas que aconteceram no dia 8 de março podemos citar o lançamento do EP da banda Hayz de queercore. A banda foi formada em 2018 por Josie Lucas (guitarra e voz), Bruna Provazi (baixo e voz) e Roberta Bergami (bateria). Bandcamp: https://hayz.bandcamp.com/releasesInstagram: https://www.instagram.com/hayzband/Facebook: https://www.facebook.com/hayzband/ Tarda Tarda é um projeto formado por Julia Baumfeld, Paola Rodrigues, Randolpho Lamonier, Sara Não Tem Nome e Victor Galvão. Artistas que misturam música, fotografia e vídeo, multifacetados e plurais. É difícil descrever um projeto como a Tarda, então vou usar as palavras deles: “Tempo de fluidez de água e uma demora grave, sons que ficam e demarcam um lugar de acolhimento familiar e inóspito onde não podemos ser nós mesmas, mas aquilo que nos assombra.” Soundcloud: https://soundcloud.com/tardatardeFacebook: https://www.facebook.com/tardatarde/Instagram: https://www.instagram.com/tarda_/ Girls Rock Camp Brasil O Girls Rock Camp é uma ONG que procura empoderar meninas através da música.  Funciona como um acampamento musical de férias, que meninas com idades de 7 a 17 anos tem uma experiência completa e empoderadora na qual aprendem a tocar um instrumento, formam uma banda, fazem uma composição e uma apresentação ao vivo para a comunidade. Desde 2013 o projeto já atendeu cerca de 450 meninas através do voluntariado feminino. Nos links abaixo você pode conferir mais sobre esse projeto super bacana que busca a inclusão verdadeira das meninas e mulheres na música. Site: https://www.girlsrockcampbrasil.org/Facebook: https://www.facebook.com/ladiesrockcampbrasil/Facebook: https://www.facebook.com/girlsrockcampbrasil/ Efusiva Um selo independente feminista do Rio de Janeiro criado em 2015, inspirado no riot grrrl e no feminismo interseccional. Divulga projetos artísticos e produções fonográficas, valoriza práticas de empoderamento feminino, LGBTQI, racial e social, realiza rodas de conversa de temáticas de gênero, raça e classe, promovem oficinas de audiovisual, montagem de palco, instrumentos musicais, pedais de efeito, defesa pessoal, grafite, e etc. Artistas do selo: Belicosa, Bochechas Margarinas, Catillinárias, Charlotte Matou um Cara, Clara Ray, Chico de Barro, Drugged Doll, Errática, Floppy Flipper, In Venus, Kinderwhores, The Lautreamonts, Melinna, Pata, Trash No Star e Tuíra. Site: https://www.efusiva.com.br/Facebook: https://www.facebook.com/efusivadiy/ União das Mulheres do Underground É um blog colaborativo e interessantíssimo que divulga qualquer tipo de arte (visual, sonora, eventos e etc) produzidos por mulheres, especialmente os DIY. Já conheci muitas bandas/artistas incríveis por conta desse blog, nele também encontramos materiais de apoio para quem tá interessado em entrar nesse mundo underground, sobre como divulgar seu trabalho, entrevistas, artigos/textos extremamente relevantes quanto à questão de gênero, representatividade dentro do movimento feminista e muito mais. Se você quiser ficar por dentro do que tá acontecendo no underground, fica de olho tanto na página do Facebook quando no próprio site, vale a pena! Facebook: https://www.facebook.com/uniaodasmulheresdounderground/Site: https://uniaodasmulheresdounderground.wordpress.com/ Se você tem alguma sugestão de banda/evento/página/selo ou qualquer tipo de arte feita pelas minas, manda pra gente!

Conflitos, política e música: conheça o Pussy Riot, grupo russo feminista que se apresentará pela primeira vez no Brasil

O grupo começou em 2011 na capital de Moscou, mas foi em 2012 que o início de carreira foi marcado por conflitos e prisões. Acontece que as meninas se juntaram pra fazer uma apresentação não autorizada na Catedral de Cristo Salvador, a apresentação durou poucos segundos e as integrantes foram imediatamente retiradas e presas acusadas de vandalismo. O ato foi feito em manifestação contra a igreja ortodoxa e o presidente Vladimir Putin. Putin, que é um dos principais alvos do grupo disse que elas ” haviam infringido os fundamentos morais da nação e estavam recebendo o que pediram… ”, além disso o grupo foi responsável por outras manifestações, como a do jogo no final da Copa do Mundo 2018 entre França e Croácia, onde uma integrante entrou no campo durante a partida para protestar contra Putín. Em suas apresentações ao vivo ou em entrevistas, as integrantes cobrem os rostos e usam roupas incomuns, geralmente blusões e calças largas, para sair fora dos padrões impostos sobre as mulheres. No total, o grupo tem cerca de 25 pessoas, entre artistas e assistentes que filmam e editam seus vídeos. Aqui no Brasil elas se apresentarão no dia 20 de abril no festival Garotas à Frente realizado pela agência Powerline que contará com outras bandas nacionais, no Fabrique Club, o evento contará também com workshops, debates e muito mais. Aproveitando a passagem pelo país elas participarão do projeto Girls Rock Camp e também se apresentarão no festival Abril Pro Rock em Recife no dia 19 de abril. O que será que vem por aí? Alguma manifestação contra Bolsonaro e seu governo? Quem sabe… só indo pra ver, abaixo segue as informações sobre a apresentação delas por aqui! Confira todas as informações para não perder esse show: SERVIÇOPussy Riot no festival Garotas à FrenteEvento: https://www.facebook.com/events/285488125446518/Data: 20 de abril de 2019Horário: a partir das 16 horasLocal: Fabrique ClubEndereço, Rua Barra Funda, 1071 (Barra Funda – SP)Ingressos online: R$ 80,00 (1º lote – promocional e estudante)-ESGOTADO, R$ 100,00 (2º lote – promocional e estudante)https://pixelticket.com.br/eventos/3119/festival-garotas-a-frente-pussy-riotCensura: 12 anos

O sludge nacional em 10 bandas

O Sludge Metal é um dos subgêneros do heavy metal, surgiu no início da década de 90 lá no sul dos Estados Unidos. Em suas características, os riffs arrastados vindos do doom metal, e ora brutais e rápidos como no hardcore, que fazem com que o estilo seja um dos mais dinâmicos do metal, capaz de criar diferentes momentos intensos em uma só música. A partir dos anos 2000 o sludge passou a ganhar mais força, se bandas que deram vida ao movimento ainda estão em ativa e lançando discos, caso do Neurosis e Melvins, muitas outras surgiram pra carregar essa bandeira pela frente, como Isis, The Ocean entre outros. Aqui no Brasil, ainda que esse não seja tão explorado, temos grandes nomes na cena, que inclusive tem reconhecimento na gringa também, caso do Jupiterian, que ultimamente tem realizados shows pela Europa ao lado de grandes nomes. Abaixo listamos dez bandas do estilo que você precisa conhecer! Reiketsu Basalt Noala God Demise Jupiterian Goatmantra Carahter Ourang Medan Marte Câimbra

Especial: Mulheres baixistas II

baixistas - esperanza spalding

Ainda assim, você pode conferir os outros especiais de mulheres na música nos links a seguir: mulheres bateristas I, mulheres baixistas I, mulheres guitarristas I e guitarristas II. Como prometido, aqui está a segunda parte do especial mulheres baixistas. Se você perdeu a primeira edição, pode conferir nesse link a primeira parte desse especial. Queria agradecer a todo mundo que curtiu a primeira parte, tive uma boa recepção de vocês, principalmente de várias garotas que estão iniciando ou querem começar a tocar baixo. É muito importante esse tipo de apoio para quem está começando em algum instrumento, é ótimo ter boas pessoas para se inspirar. E quando a gente vê lista de melhores baixistas (ou outros músicos em geral), a maior parte das listas só lembra dos homens. Vamos tentar dar mais visibilidade e crédito as minas também né. Mas como a gente sabe, o meio alternativo não é tão inclusivo quanto poderia e deveria ser, falta mais representatividade para que todos nós possamos nos ver refletidos em artistas que a gente gosta e admira. Se vocês quiserem (confesso que está nos meus planos) podemos fazer mais especiais destacando mulheres do underground/alternativo em geral que tocam outros instrumentos, produtoras, selos e etc, manda suas sugestões e comentários pra gente. Ayse Hassan – Savages Tal Wilkenfeld  – vários Esperanza Spalding Kendra Smith – Dream Syndicate/Opal Debbie Googe – My Bloody Valentine/Primal Scream Carol Kaye – vários Para quem quiser mais de Carol Kaye: Sharin Foo – The Raveonettes Suzi Quatro Gail Ann Dorsey – David Bowie/Tears for Fears/etc Patricia Morrison – The Sisters of Mercy Josephine Wiggs – The Breeders Hiromi “Hirohiro” Sagane – tricot Laura Lee – Khruangbin Kathi Wilcox – Bikini Kill Ringo Deathstarr – alex gehring Kim Field (The Stargazer Lilies) Simone Butler (Primal Scream) Baixistas brasileiras Rafaela Araújo – Bertha Lutz Simone do Vale – Autoramas Selma Viera – Autoramas Fernanda Horvath – Dominatrix Cíntia – Menstruação Anarquika Flavia Couri – Autoramas Katharina – Charlotte Matou um Cara Karolina Escarlatina  – Escarlatina Obsessiva Mayra Biggs – The Biggs Tamy Leopoldo – Eskröta Dan Marighetti – Sapataria Elke Lamers – Ema Stoned

Rebobinados indica #11

Teenage Wrist Esse trio californiano lançou seu primeiro disco Chrome Neon Jesus pelo selo Epitah, as 11 músicas trazem influências de shoegaze, emo e grunge, lembrando bastante o rock da década de 90 de bandas como Puddle of Mudd e Bush. Destaque para as faixas “Chrome Neon Jesus”, “Stoned, Alone” e “Dweeb”. Projeto 412 Esse duo de Osasco apresenta em sua composição um som forte, marcante e de atitude, traduzido apenas por guitarra e bateria, assim como The Black Keys, Death From Above 1979 e White Stripes, que inclusive são suas influências. O primeiro single se chama ”Jovens Reis” é dá um gosto do que está por vir. Mind Cinema Com uma sonoridade calcada no dream pop e psicodélico, e dois discos de estúdio lançados, essa banda mexicana atualmente está preparando seu terceiro álbum e recentemente gravaram um cover para “All the Flowers in Time Bend Towards Sun” interpretada por Jeff Bucley e Elizabeth Fraser (vocalista do Cocteau Twins). Alles Club Fazendo um intercâmbio entre Brasil e Suíça, o Alles Club começou a compor seu primeiro EP intitulado “Décollage” no ano passado, a sonoridade é influenciada pelo shoegaze dos anos 90. Tumbas Os colombianos do Tumbas trazem um som agressivo e de atitude, com influências desde o pós punk ao deathrock. Até o momento lançaram apenas um disco em 2016, uma ótima pedida para quem gosta de Christian Death e Siouxsie and the Banshees. Nosso Querido Figueiredo O projeto Nosso Querido Figueiredo surgiu em 2008 na cidade de Porto Alegre e traz composições minimalistas, com influências entre o noise, experimental e eletrônico. O novo disco intitulado “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” será lançado no dia 14 de março, a faixa “Respira” é um dos singles e foi composta a partir do clima de comemoração das eleições presidenciais de 2018. Poptone Esse é o novo projeto de Daniel Ash (Bauhaus, Love and Rockets, Tones on Tail) juntamente com Kevin Haskins (Tones on Tail, Love and Rockets) e Diva Dompé. O disco traz versões repaginadas de algumas músicas das bandas dos integrantes, partindo do pós-punk, new wave ao industrial.

ionnalee lança “Open Sea”, o primeiro single de seu novo disco

A cantora sueca ionnalee, responsável também pelo projeto audiovisual iamamiwhoami, lançou nesta quinta-feira (7) seu novo single “Open Sea”, que fará parte de seu segundo disco solo intitulado Remember the Future que tem lançamento previsto para maio desse ano. Sua nova turnê terá como suporte a cantora Allie X e TR/ST, os primeiros shows acontecerão em abril. Assista o clipe abaixo:

Lançamentos nacionais para começar bem 2019

Estamos de volta! O recesso e a ressaca ficaram pra trás (pelo menos o recesso sim), e nada melhor do que começar falando do que a gente mais ama, MÚSICA! Trouxemos alguns lançamentos nacionais pois o ano de 2019 está só começando. Já temos aí uns bons discos pra indicar, e esse ano prometemos ficar ainda mais ligados nos lançamentos nacionais. Bora dar o play e conhecer música nova! YMA Par de Olhos é como foi batizado o primeiro disco de YMA, jovem cantora da cena indie nacional, as oito faixas passeiam por diversos estilos como dream pop, rock e experimental, as composições são em grande maioria em português. Olympia Tennis Club Trio mineiro de mulheres,  direto de de Juiz de Fora, lançaram esse mês seu primeiro EP com as faixas “Thick Lipped Grrrl” e “Greg Oblivian”. O som é uma mistura de grunge com garage rock, se você visitar o bandcamp ainda pode ouvir um cover do The Shangri-Las. Terno Rei Ontem os paulistanos do Terno Rei lançaram seu tão esperado terceiro disco, “Violeta” contém 11 faixas e traz o familiar dream pop melancólico que destacou a banda como uma das melhores da cena indie nacional. Separable Para começar bem o ano, vamos de lançamento, Solúvel Solidão é como Thiago Bittencourt batizou o primeiro disco do Separable, seu projeto musical. As músicas são todas cantadas em português e trazem influencias de rock alternativo e shoegaze. Viratempo Preste a completar três meses desde seu lançamento, Cura é o primeiro disco dessa banda paulistana de indie/dream pop, as composições abusam dos sintetizadores, trazendo uma vibe bem anos 80, o álbum ainda conta com as participações de Otto e Gab Ferreira. Babycarpets Nova no cenário shoegaze, o Babycarpets acaba de lançar seu primeiro single, a faixa “Spectre” traz guitarras barulhentas e nostálgicas, bebendo da fonte das bandas da década de 90 como My Bloody Valentine e Slowdive. Quer ficar antenado com os lançamentos? Então confira nossa seção Rebobinados indica.

Pioneira no cena gótica, Escarlatina Obsessiva lança Back to the Land, sétimo disco da carreira

A dupla mineira Karolina Escarlatina (baixo, vocais) e Zaf (guitarra, teclados e drum machine) são os responsáveis pela Escarlatina Obsessiva, banda que desde 2007 vem firmando sua história e importância no cenário gótico underground. Poucos artistas sobrevivem com uma discografia de quase dez discos, ainda mais se falando em DIY (faça você mesmo). Em um cenário onde a indústria musical praticamente não existe mais, ou só contempla bandas e artistas milionários, essa dupla de São Thomé das Letras (cidade maravilhosa) merece destaque por todo sua força de vontade e amor à música. Além de serem os compositores de todas as suas músicas, eles são responsáveis por toda a arte dos discos, mídia envolvida na produção de seus clipes e merchan. Outro projeto incrível da banda foi a criação do primeiro festival totalmente underground na cena gótica alternativa, o famoso Woodgothic Festival que já teve cerca de cinco edições na cidade de São Thomé das Letras e contou com diversas bandas do cenário pós punk, darkwave e gothic rock. Pra citar algumas, já se apresentaram por lá As Mercenárias, Anvil Fx, Varsóvia, Gattopardo, Wry, Gangue Morcego e Tempos de Morte. A próxima edição está prevista para 2020, com mudança de local, que dessa vez acontecerá no Solar/Pousada das Magas que fica há 3 km do centro da cidade, o que tornará o evento mais liberto de toda a burocracia pública. O sétimo disco batizado de Back to the Land foi lançado no dia 22 de dezembro via Deepland Records, contém 10 faixas e mais uma vez mostra a banda se reinventando, algo que vem acontecendo em seus últimos lançamentos. Aqui podemos notar uma certa distância da sonoridade usual de seus primeiros discos, que estava mais focada no darkwave e gothic rock. Podemos notar influências de jazz, pós punk e o uso de ritmos mais dinâmicos, explorando coisas novas. Talvez esse seja um dos pilares, que fazem com que a dupla siga em frente pra cravar de vez o nome do Escarlatina como um dos principais expoentes do alternativo nacional. A primeira música escolhida para ganhar vídeo clipe foi a maravilhosa Vindictive Witch, assista baixo: Acompanhe a Escarlatina Obsessiva nas redes sociais: Facebook | Site | Facebook Woodgothic

Especial: Mulheres baixistas

mulheres baixistas

Ainda assim, você pode conferir os outros especiais de mulheres na música nos links a seguir: mulheres bateristas I, mulheres bateristas II, mulheres baixistas II e mulheres guitarristas I e guitarristas II. Eu queria escrever um pequeno textinho aqui antes da matéria, prometo tentar fazer com que não fique muito chato, ok? Essa matéria surgiu pra incentivar minha amiga Mayara que quer tocar baixo. Queria ajudá-la encontrar pessoas nas quais se inspirar musicalmente. Aliás eu queria que todas as minhas amigas se aventurassem a tocar instrumentos (sério, todas vocês. Eu sei que vocês conseguem, confio em vocês). E isso me fez pensar em quando eu comecei no mundo da música, no violino, lá em 2011 para 2012. E o que me fez querer tocar foi ver a Mairead Nesbitt do Celtic Woman. Foi amor à primeira vista e ainda é até hoje. O amor não se deu por conta da beleza estonteante dela, mas sim do sorriso que ela carregava ao tocar e da sutileza, ela fazia aquilo parecer tão fácil… E, surpresa, não é nada fácil. Música não é fácil, pelo menos pra mim. São anos e anos tentando, desistindo de um instrumento e pulando para outro, mas eventualmente eu vou ficar boa ou pelo menos razoável. Não é questão de dom, é  paciência, persistência e dedicação. E para que esses sentimentos se renovem para mim, é preciso ver mulheres no palco. Seja tocando o que for, toda vez que eu vejo uma mulher no palco eu me encorajo e tento de novo e de novo. Não sei se é pelo fato de eu ser mulher ou se é pelo vigor que nós trazemos a este mundo muitas vezes decadente, machista e maçante que é a música. Não vou adentrar o óbvio, que é o fato de sempre o mesmo grupo de garotos sem talento, fazendo mais do mesmo, cantando o que todo mundo já cantou, tocando bem mal e sem carisma algum sendo empurrado pra gente ouvir o tempo todo. Afinal, há gosto e público para tudo. Mas o que me incomoda de verdade é sempre a fetichização ou o eterno menosprezo das mulheres, vou contar que foi bem estressante a pesquisa de procurar mulheres baixistas (que eu talvez não conhecesse) para escrever hoje. O que eu achei foi homens falando “ah veja bem, a Kim Gordon nem toca tão bem assim”, disse o melhor baixista do mundo, entende tudo de teoria musical, não é mesmo? Eu não estou nem aí se você acha que ela não toca tão bem, eu acho ela incrível, a Kim é referência pra quase todas as mulheres baixistas do rock alternativo, por causa dela muitas garotas hoje tocam baixo e o fazem muitíssimo bem. Eu não vejo esse tipo de cobrança em cima de outros baixistas que não são nem ao menos razoáveis. Tem gente que escreve músicas com dois acordes e bomba, tem gente que não sabe NADA de teoria musical e bomba. A diferença é que todas essas pessoas vão lá e fazem, mesmo não sendo tão boas assim (que obviamente não é o caso da Kim). Elas tentam, mesmo que possam errar. E é isso que eu espero que as mulheres façam. Nicole Estill – True Widow Não esperem ser incríveis em um instrumento para começar a mostrar a sua arte, vai lá e faz garota. Você é incrível apenas por tentar. Não desiste. Precisamos de vocês. Eu tenho aproximadamente 43 mulheres baixistas pré selecionadas, ia ficar muita coisa para uma matéria só, então vai rolar um parte dois dessa matéria. Possivelmente a sua baixista preferida vai estar na próxima matéria, porém, aceito de bom grado indicações de novos nomes. Comenta aqui embaixo se você sentiu falta de alguma. E queria mandar um muito obrigada para todas essas mulheres incríveis que apareceram nessa lista e todas as outras mulheres que dia após dia brilham muito no palco, atrás do palco, produzindo sons e  que servem de inspiração para mim e para outras tantas garotas por aí que estão se aventurando no mundo da música. Vocês são minhas guerreirinhas, todo sucesso e reconhecimento do mundo para vocês. Vamos em frente! Toda força e incentivo a todas as mulheres na música (e fora dela também)! Kim Gordon – Sonic Youth  Kim Deal – Pixies/The Breeders Paz Lenchantin – A Perfect Circle/Pixies Nicole Fiorentino – The Smashing Pumpinks D’arcy Wretzky – The Smashing Pumpkins Jennifer Finch – L7 Tina Weymouth – Talking Heads/Tom Tom Club Melissa Auf Der Maur – Tinker/ Hole/ The Smashing Pumpkins Sara Lee – Gang of Four Nicole Estill – True Widow Jenny Lee Lindberg – Warpaint Kira Roessler – Black Flag KT Chang –  大象體操ElephantGym Mariko Doi – Yuck Alex Gehring – Ringo Deathstarr    Mulheres baixistas brasileiras Brunella Martina – Winteryard Rainha Branca  – This Lonely Crowd Stephani Heuczuk – terraplana Nathanne Rodrigues – Chico de Barro/DEF/Noras de Newton Fernanda Schabarum – Loomer Carolina Mathias – Troá Marcela Lopes – Mieta Carla Boregas – Rakta Ana Karina Sebastiao –  Quartabe Pequeno bônus pois esse vídeo não poderia ficar de fora: Patricia Saltara – In Venus Amanda Buttler – Sky Down Liege Milk – Loomer/Medialunas (na bateria)

Rebobinados Indica #10: shoegaze asiático

Aposto que vocês ainda não se cansaram de shoegaze assim como eu, certo? Creio que sim. Então vamos lá para mais uma rodada de shoegaze asiático! Eu gostei muito de ter feito o post sobre shoegaze japonês, ajuda muita gente a descobrir que há muito mais sobre shoegaze/dream pop para ser explorado do que as bandas famosas que já estamos acostumados. É sempre bom ouvir coisa nova, especialmente de outros países, nos ajuda a expandir os horizontes e aprender mais sobre outras culturas. No outro post eu foquei em bandas japonesas em específico, nesse vamos poder ver bandas chinesas, taiwanesas, sul coreanas e até japonesas também. Forsaken Autumn 卢佳灵 U.TA屋塔 Manic Sheep DSPS Hello Nico We Save Strawberries 草莓救星 I Mean Us Thud 缺省 Cosmic Child Tem algum tipo de música ou matéria que acharia legal a gente escrever? Comenta aqui embaixo! E pra quem tem interesse em mais shoegaze asiático, recomendo o canal Asian Shoegaze

Os melhores discos de 2018 pelo Rebobinados

Queridos leitores, amigos e bandas, mais um ano de blog, muita música boa, descobertas, shows e… a nossa lista finalmente saiu! Trouxemos os melhores discos de 2018 segundo nossa opinião. Quem tem o costume de escutar muitos lançamentos e descobrir coisas novas sabe o quanto é difícil essa decisão, uma lista de 10 discos é pouco, mas pra não ficar tão extenso tivemos que sintetizar uma porrada de coisas que ouvimos durante o ano, que foi mais uma vez muito bom para a música nacional e internacional. Que venha 2019! ::: Top 10 Fábio ::: Mint Field – Pasar de las luces Gazelle Twin – Pastoral Dead Can Dance – Dionysus Them Are Us Too – Amends Deafheaven – Ordinary Corrupt Human Love Adorável Clichê – O que existe dentro de mim Tuyo – Pra Curar Oxy – Fita Cora – El rapto Garbo – Jovens Inseguros Vivendo no Futuro Shows Favoritos Depeche Mode @ Allianz ParqueBeach Fossils @ Fabrique ClubPeter Murphy: 40 Years of Bauhaus @ Carioca ClubeIonnalee – Everyone Afraid to Be Forgotten @ Cine JóiaWarpaint + Deerhunter @ Balaclava Fest, Audio Club Top 10 Tatyane Deafheaven – Ordinary Corrupt Human Love Oxy – Fita Mitski – Be the Cowboy Wagner Almeida – Crescimento/Desistência Grouper – Grid of Points Nothing – Dance On The Blacktop Spiritualized – And Nothing Hurt Tuyo – Pra Curar Tom Gangue – Transiente El Efecto – Memórias do Fogo Shows Favoritos Beach Fossils @ Fabrique ClubLô Borges @ SescMilton Nascimento @ SescFlávio Venturini @ SescGorduratrans e DEF @ CCSPAdriana Calcanhotto @ SescFernando Motta, Mafius e Wagner Almeida @ Breve Quer conhecer mais artistas que já indicamos? Acesse a seção Rebobinados Indica.

The Hearing apresenta seu dream pop finlandês no Festival Dias Nórdicos

The Hearing é o projeto solo de Ringa Manner, uma multi-instrumentista finlandesa da capital Helsinki. Influenciada por Björk, Kate Bush e Freedie Mercury, ela lançou até o momento dois discos, Dorian (2013) e Adrian (2016), além disso ela tem mais outros seis projetos musicais de estilos diferentes, como por exemplo, sua primeira banda Pintandwefall formada em 2006 com uma sonoridade que passeia pelo garage rock e punk. Essa é a primeira vez que ela vem ao Brasil com o The Hearing, comandando sozinha seu sintetizador no palco, ela apresentará músicas de seu disco mais recente, Adrian lançado em 2016, assim também como músicas novas que estarão no terceiro e novo disco que será lançado em 2019 sob o título de Demian. Esse ano dois singles novos foram lançados, são eles When in Doubt Repeat These Words e Jello. Dias Nórdicos é um encontro com a criação artística que aproxima a cena musical nórdica à América Latina e Espanha, gerando intercâmbios multilaterais entre regiões, por meio de diferentes conceitos: design, modernidade, sustentabilidade, vanguarda e elegância em diferentes manifestações artísticas e culturais: música, cinema, literatura, moda, arte, tecnologia, etc. Além do The Hearing se apresentarão na mesma noite os grupos Wangel (Dinamarca) e Hulda (Ilhas Faroé), compre o seu ingresso diretamente pelo site do Sesc Avenida Paulista no link abaixo: Festival Dias NórdicosLocal: SESC Avenida PaulistaData: 12/12/2018Horário: A partir das 20h00Ingressos: R$6,00 (comerciário) | R$10,00 (meia entrada) | R$20,00 (inteira)Venda de ingressos clique aqui Aproveitando sua primeira passagem pelo país, Ringa gentilmente cedeu uma entrevista ao nosso blog, o resultado você confere abaixo. Qual foi o seu primeiro contato com a música e como aconteceu essa conexão com a música eletrônica? Eu sempre estive envolvida com música de alguma forma. A minha mãe canta em um coral há mais ou menos 30 anos, e quando eu era pequena ela costumava me levar para os ensaios. A música eletrônica veio mais tarde, talvez em 2011. Eu só queria explorar o som do sintetizador e tocar com pedais de guitarra então foi o que fiz! Você já esteve em algum projeto ou banda antes de formar o The Hearing? Eu sempre tenho 3-6 bandas ou projetos acontecendo ao mesmo tempo! Todos de diferentes estilos, alguns em inglês, outros em finlandês. Até mesmo a minha primeira banda Pintandwefall continua forte após 12 anos. Existe algum tipo de ritual em seus processos de composição, você procura estar só ou deixa que as ideias fluem naturalmente? Na verdade não, apenas tento arrumar um tempo para sentar com meus instrumentos e tentar pensar em alguma coisa para dizer. Isso leva algum tempo, mas aceitei que as melhores coisas ganham forma lentamente. Que tipo de referências visuais ou literárias influenciam sua música? Meus três primeiros discos foram todos batizados com nomes de livros que li em um momento muito emocional em 2011. O Retrato de Dorian Grey de Oscar Wilde, O Mentiroso de Stephen Fry e Demian de Herman Hesse. Você tem dois discos lançados, Dorian (2013) e Adrian (2016) e agora está compondo um terceiro trabalho. As pessoas costumam dizer que o segundo disco é sempre o mais difícil pois ele precisa meio que superar o primeiro, existem alguma pressão sobre si mesma ao lançar música nova? Sim, porque quero dar o meu melhor a qualquer momento. Então cada disco ou música que lanço são sempre de longe os melhores. É por isso que acho que levou tanto tempo para finalizar Demian, o terceiro disco. Como é a sua conexão com o palco e shows ao vivo? Você se sente confortável ou é um desafio? Ambos. O palco é a minha casa e o lugar onde me sinto segura. Mas há sempre mil coisas passando pela sua cabeça então acaba sendo um pouco difícil se acalmar. Você fez cerca de 300 shows pelo mundo, o que espera de sua primeira apresentação no Brasil? Nunca sei muito o que esperar, mas espero de verdade que as pessoas cheguem a tempo! Eu serei a primeira a se apresentar e tenho que pegar um voo direto depois do show para voltar para a Finlândia. Você conhece alguma coisa da cultura brasileira? Música, comida, lugares… Antes eu não sabia muito. Eu só sei que vocês tem recursos naturais incríveis, pessoas bonitas e um idioma bonito, os resultados das eleições atuais são preocupantes e tradições musicais incríveis. Estivemos pela cidade hoje e pudemos ver um pouco e só posso dizer que eu definitivamente tenho que voltar um dia. O que você pode nos dizer sobre seu terceiro disco? Se chama Demian e será a melhor coisa que já fiz! Muito obrigado pelo tempo em responder as perguntas, deixe uma mensagem para seus fãs. Eu só queria poder ficar depois do show e conhecer muitas pessoas! Mas como eu disse, isso significa que não tem outro jeito a não ser voltar pra cá um dia. Enquanto isso, sejam gentis uns com os outros e verdadeiro consigo mesmo.

IORIGUN: banda de pós punk/indie lança ‘Skin’ seu segundo EP

O pós-punk foi um dos principais gêneros que comandavam o rock nacional, principalmente na década de 80, enquanto The Cure, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus e Joy Division agitavam a cena inglesa, tínhamos os nossos representantes aqui, inclusive, bandas que já foram muito famosas naquela época, como Arte no Escuro, Varsóvia, Vzyadoq Moe, As Mercenárias entre outras, com aparições em horário nobre, ou tocando em rádios de todo o país. Nos últimos anos houve um certo revival para algumas dessas bandas, e também muitas outras sugiram, carregando boas referências do estilo que predominou nos anos 80 junto de influências mais contemporâneas do chamado indie rock e até mesmo da psicodelia ou do pop, alguns bons exemplos são Interpol, Editors e White Lies. Nessa mesma vibe, surge em 2015 o IORIGUN, uma banda impressionante da cidade de Feira de Santana, na Bahia, formada por Iuri Moldes (guitarra, vocal), Moyses Martins (baixo), Fredson Henrique (guitarra) e Leonel Oliveira (bateria). O primeiro EP Empty.Houses/Filled.Cities saiu em 2017, as quatro músicas do disco traziam ares mais dançantes, ora sombrios e psicodélicos, embalados por esses gêneros. Logo de cara podemos notar intensidade e energia, algo que eles puderam mostrar também durante suas apresentações ao vivo em alguns primeiros shows onde foram muito recebidos pelo público. Agora em 2018 eles lançam seu novo EP intitulado Skin, segundo os próprios integrantes: “Skin é uma viagem por dentro da pele. Por dentro de si. Por dentro do outro. O EP está dividido em duas partes: ‘Birth of Venus’ e ‘Death of Spirit’. É o nascer e o quebrar. A superfície e o profundo. Musicalmente o EP se transforma de riffs melódicos à estranheza e obscuridade. As músicas ficam mais tensas, remetendo uma escavação profunda do ser…” O disco foi produzido por Iuri e Moyses e lançado pelo selo Midsummer Madness, as seis faixas dão continuidade ao trabalho anterior, de forma majestosa. Hold On abre o disco com riffs de guitarra mais enérgicos e baterias dançantes, e um refrão que depois de duas ou três vezes ouvindo já não sai da cabeça, inclusive os vocais de Iuri se diferenciam da maioria, não espere nada na linha mais grave e sim melódica. Intimacy segue com uma pegada mais cadenciada, interessante o quanto todos os instrumentos estão em sintonia A interlude Under My Skin tem um ar sombrio e misterioso e faz ponte para In the Edge of Something Big, a partir daqui a sonoridade tende a puxar mais para o lado ”obscuro da coisa”, mas antes que eu diga isso, o refrão foge um pouco dessa ideia e temos até momentos psicodélicos, Fight to Forget foi a primeira música lançada, os riffs iniciais lembram bastante o Interpol durante a fase Turn On the Bright Lights, essa é uma das melhores músicas do disco. The Trickster No. 2 fecha o tracklist, mesmo sendo a faixa mais longa, ela une boas doses de psicodelia e pós punk. Skin é um daqueles EP’s pra ficar no repeat e merece todo o reconhecimento possível, tenho certeza que vocês ainda ouvirão falar muito no IORIGUN. Siga o Iorigun nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp Acesse outras matérias clicando aqui

O indiepop nostálgico e romântico do Ablebody

Demorou mais tempo do que eu gostaria, mas eu finalmente vou falar sobre dois artistas ultra-talentosos que transformam em ouro tudo que tocam. Sim, eu estou falando dos irmãos Hoccheim, Christoph e Anton. Eu sou extremamente suspeita para falar a verdade, porque eu amo praticamente tudo que eles já lançaram e contribuíram. Para quem não os conhece ou nunca ouviu falar, os dois já foram membros do aclamado The Pains of Being Pure at Heart (Christoph continua na banda) e do incrível The Depreciation Guild (que encerrou suas atividades em 2010). Anton também é membro do Hit Bargain de queencore/artpunk, que lançou um álbum muito bom esse ano chamado Potential Maximizer, e está com o muito amado por nós Beach Fossils desde o álbum Somersault (2017) (particularmente o meu álbum preferido da banda). Mas vocês sabem que nós nunca indicamos algo aqui que não acreditamos e adoramos. Então vocês podem confiar plenamente no meu selo de aprovação e aproveitar pra conhecer mais sobre um trabalho em específico deles. Ablebody Eu poderia escrever um post ou uma série de posts inteiros falando sobre todos os projetos, mas eu decidi falar sobre o meu xodó. Ablebody nasceu em 2013, quando Christoph lançou o EP Remexès, seguido pelo EP Covers também em 2013 e depois o EP All My Everybody. All My Everybody transita bem entre o indie pop e o shoegaze, com a presença muito mais forte do Anton no projeto e com muito mais personalidade, nos dando indícios de como o Ablebody seria. É bem melancólico, reverb na voz como a gente gosta, boas doses de música eletrônica. Conseguimos perceber toda a bagagem trazida dos projetos de shoegaze e de dream pop nos quais eles participaram. Incrivelmente bom e melódico.  A trilha sonora perfeita para um coração partido. Mas o verdadeiro espetáculo fica por conta do Adult Contemporaries lançado em outubro de 2016. É difícil comparar com outro álbum, algum que tenha me impactado tanto quanto esse nos últimos anos. Simplesmente fui fisgada por suas levadas pop e dançantes. Não que o álbum seja completamente alegre ou feliz, tem muita coisa melodramática, nostálgica e saudosa. Tem referências dos anos 60, 70, 80 e um tanto dos 90 também, como se pegasse o melhor de cada década e unisse em um único CD. Completamente viciante e fácil de se apegar, cada refrão te conquista e te envolve facilmente. Quando você se dá conta, está cantarolando o álbum inteiro enquanto toma banho ou está a caminho do trabalho. Talvez seja porque eu já desenvolvi um carinho enorme por esse álbum ou porque eu o ouvi demais, mas é como se soasse familiar. E por familiar eu digo como se eu o ouvisse e me sentisse acolhida e abraçada. Divagando sobre as sensações que ele me transmite, talvez seja o clima de cidade grande, a noite de New York, o calor de Los Angeles, a atmosfera suave e romântica que permeia o álbum, muitas vezes me sinto dentro do meu filme favorito: Nick and Norah’s Infinite Playlist, que por si só já tem uma trilha sonora incrível e perfeita, mas que é completado por esse álbum. 11 músicas que me fazem sentir como se eu estivesse flanando por entre as doces e agradáveis nuvens melódicas. Te faz ter vontade de sair por aí e viver um grande amor (assim como no filme). É complicado e bizarro tentar colocar isso em palavras, mas é como se eu conhecesse essas músicas de vidas passadas ou algo assim, por conta da conexão instantânea que elas me provocaram. É como se tivessem colocado uma pequena parte da minha alma e de quem eu sou nas músicas sem nem ao menos me conhecerem. Ou como se uma parte de todo mundo estivesse presente nelas. Tudo isso é para que eu consiga dizer que me sinto representada e tocada por elas. Divagações à parte, esse é o resultado da mistura e influências do melhor das últimas décadas musicais nas mãos dos músicos mais talentosos dessa década. O vocal doce e suave, as guitarras etéreas, os solos contagiantes e animados. A bateria, que eu não faço a menor ideia de como poderia descrever isso, é a alma da banda, é tão Anton, tão característica que eu sinto como se pudesse reconhecer de qualquer lugar. As batidas são tão significantes, perfeitamente conduzidas, é bem estranho eu dizer isso, mas é como se ele também estivesse dando sua voz à música (da sua própria maneira). Certamente é um dos bateristas que eu mais admiro e eu almejo um dia ser 1% da baterista que o Anton é, porém eu admito que não tenho talento e nem a força de vontade que isso me obrigaria a ter. Porém, eu me sento e observo quem realmente sabe dar um show. Tudo funciona em completa sintonia e harmonia, não faço ideia se isso se deve a conexão que os gêmeos tem, muitas vezes comentada pela ciência, ou pelo fato de um completar magicamente as ideias do outro devido aos anos e anos de convivência. Mas tudo é extremamente bem feito, incluindo os videoclipes que são um show à parte tanto pela estória que contam quanto pela complementação que fazem as próprias músicas. Boas estórias contadas enquanto a música toca, realmente te envolve durante a música e chega até ser mágico. Vale muito a pena conferir. Aqui temos uma amostra de como seria vê-los ao vivo: A banda consegue unir o rock e o pop de uma maneira singular, dando seus próprios toques e reinventando estilos que maioria acha que já não podem mais mudar. Eu particularmente gosto muito de todas as músicas do álbum, pois cada uma é especial em sua própria maneira. Mas se eu tivesse que destacar as que eu mais gosto quando começam a tocar seria After Hours, Marianne e Powder Blue. São músicas extremamente singulares e nostálgicas pra mim, me conecto com elas como se as conhecesse há séculos, é bem peculiar o sentimento. Marianne e Powder Blue tem uma levada um

Rebobinados indica #9: bandas brasileiras

Pelocurto Esse mês a banda paulista Pelocurto lançou o EP homônimo. Não tem uma palavra melhor pra descrever o som desses rapazes como rock brabo. Seu som alternativo, muitas nuances de dream pop, indie pop e o mais puro rock é sempre performado com muita presença de palco, energia e espírito da juventude. O single Vendas tinha sido lançado anteriormente para a mixtape da saudosa PQV, no Diário de Bordo n 1, e lá a gente já podia imaginar que Celso Sorc, Heitor Martins e Nickolas Marchioretto iam longe. Agora a gente tem certeza. Moxine Esse duo paulista de indie pop está desde 2009 na ativa, já lançou o EP Electric Kiss, o álbum Hot December, e em 2017 o  EP Passion Pie. Agora em setembro de 2018 lançaram o single Leeches mostrando que seu som está mais vivo e vibrante do que nunca. Juna Juna é uma banda de São Leopoldo que fica na região metropolitana de Porto Alegre formada por David,  Iv, Marcelo e Thomas. É um dos nomes mais promissores dessa leva de bandas de shoegaze/dream pop formadas recentemente. Seu primeiro EP Marina Goes To Moon foi lançado em 2017, no mesmo ano também lançaram o EP Marina Goes To Moon (Upside Down Version). Agora em 2018 lançaram o single Help me Cry e os singles Don’t Be Like Them // Artificial Paradises. Vale muito a pena conferir: Mafius Mafius é Matheus Daniel mandando um dream pop psicodélico muito bom. O Mafius é mais uma prova viva de que dificilmente sai alguma coisa de Minas Gerais que não seja boa. E seu single trânsitos astrológicos apenas reitera isso. Dizem as boas línguas que ainda em 2018 seu EP Teto Preto será lançado. Eu compareci ao evento Fernando Motta, Wagner Almeida e Mafius na Breve no dia 1 de setembro e eu só tenho boas lembranças desse evento, então escuta nossa dica e confere o que mais nova geração alternativa promete trazer: Arte Novel Arte Novel é uma banda carioca de post punk e noise rock formada por Daniel Exposto (guitarra e voz), Hugo Limarque (bateria), Julia Santos (baixo e voz), Rodrigo Sampaio (guitarra e voz). Seu single Tempos de Ódio foi lançado em Junho e em Julho saiu o álbum Primavera em Pedaços lançado pela Valente Records e Cosmoplano Records. Atalhos Atalhos é uma banda de rock independente paulista. Formada por Gabriel Soares, Conrado Passarelli, Marcelo Sanches, a banda já lançou três álbuns Em Busca do Tempo Perdido (2012), Onde A Gente Morre (2014) e Animais Feridos (2017). A banda é famosa por fazer referências literárias em suas letras. Winter Winter é o projeto de dream pop da Samira Winter que atualmente mora em Los Angeles. Desde 2012 a Samira tem lançado coisas incríveis como o EP Daydreaming, o álbum Supreme Blue Dream (2015) – pessoalmente um dos meus favoritos e o que me fez conhecer essa artista – e agora em 2018 o álbum Ethereality. Feliz demais por saber que poderemos ver a Winter ao vivo no dia 8 de dezembro como um dos shows da SIM São Paulo. Tuer Lapin Tuer Lapin é uma banda de música instrumental formada em 2013 em Porto Velho, Rondônia.Formada por Lucas Bieni, Ramon Alves, Raony Ferreira, Rinaldo Santos e Rodolfo Bártolo.  Seu primeiro álbum é Esporádico (2013), seguido por Chac (2015) e mais recentemente o álbum Banho de Cavalo (2017) com bem mais influências da música eletrônica e experimental. Sta Rosa Sta Rosa é uma banda de rock alternativo de Duque de Caxias formada por Arthur Rosa, Matheus Oliveira, Pedro Gustavo Maia e Vinícius Cardoso. Influenciada por bandas como El Toro Fuerte, Lupe de Lupe e Radiohead, eles acabaram de lançar seu single Chuva / Paraíso. Confira:

Top 10 mulheres na cena nacional

Foi-se o tempo em que o universo musical era constituído apenas por homens, a verdade é que o rock foi mesmo criado por uma mulher, ali por volta dos anos 30, Sister Rosetta Tharpe, uma cantora e compositora de música gospel já empunhava sua guitarra, numa junção entre belos acordes e música sacra, o que na época chocou muita gente, mas mesmo assim trouxe adoradores fiéis de sua música, ela, responsável por influenciar ninguém menos que Elvis Presley e Aretha Franklin. Que existem muitas mulheres envolvidas na música desde as épocas passadas nós sabemos, sejam elas líderes de bandas ou não, o que importa é que recentemente esse número de musicistas aumentou e quebrou muitos paradigmas, seja no rock, pop, heavy metal, música clássica entre outros. Você já parou para pensar que na música clássica, a maioria de compositores é constituída por homens, poucas mulheres estiveram envolvidas, podemos citar alguns nomes da idade média como Hildegarda de Bingen (1098-1179), uma monja e compositora alemã, sua obra mais conhecida foi intitulada de Ordo Vitutum ou traduzindo Virtude da Ordem, narra o drama de uma alma em busca de redenção. Além dela temos outros nomes como Francesca Caccini (1587-1640) e Barbara Strozzi (1619-1677). Clara Schumann e Fanny Mendelssohn, ambas nascidas na Alemanha, também contribuíram para a música, mas pouco se ouve falar delas. Naquela época onde a mulher não tinha o direito de se expressar na arte, ficamos imaginando quantos talentos foram perdidos por serem elas excluídas de atividades musicais. Aqui no Brasil, podemos citar Chiquinha Gongaza (1847-1935) como a primeira mulher a reger uma orquestra e também a trabalhar em uma loja de musicas tocando piano. Ela foi responsável por compôr a marchinha Abre Alas, além disso lutava pelo fim da escravidão e pela proclamação da república, porém também foi vítima de preconceito por homens. A partir desses pequenos fatos, mas que demonstram o quanto vivíamos e infelizmente ainda continuamos vivendo em uma sociedade machista e preconceituosa, que muitas vezes enxerga a mulher como inferior, mas… a real é que mais do que nunca mulheres estiverem envolvidas com música, e para confirmar isso já havíamos falado de algumas delas na cena nacional, você pode conferir clicando nesse link, agora separamos mais nomes da cena nacional, depois dessas dicas você não vai mais poder falar que não conhece ou que não existe música boa feita por mulheres aqui. Cora Cora surgiu na cidade de Curitiba em 2013, inicialmente contava com Katherine e Kaila, hoje é um quinteto e acabou de lançar disco novo, El Rapto traz uma sonoridade influenciada por dream pop e rock psicodélico, as letras cantadas às vezes em português, inglês e espanhol trazem mitologias e reflexões. Betina Hotel Vulcânica é o segundo disco de Betina, artista de São Paulo, suas músicas viajantes exploram arranjos e belas melodias a um vocal doce e também intenso. O disco contém ainda com participações do Boogarins, Tatá Aeroplano, Bonifrate e Heloiza Abdalla. Gab Ferreira Músicas intimistas mas que cairiam bem para um dia de verão, assim é como podemos classificar mais ou menos o dream pop de Gab Ferreira, uma jovem cantora catarinense, ela já participou do programa The Voice Brasil, atualmente lançou o vídeo para a música Not Yours. Vivian Kuczynski Vivian é uma jovem cantora de 15 anos de idade, residente na cidade de Curitiba, podemos dizer que ela é uma menina com voz de mulher, e diga-se de passagem que sua voz é muito marcante, suas músicas flertam com o indie pop alternativo, lembrando artistas como Lana del Rey e Florence & the Machine. Cinnamon Tapes Cinnamon Tapes é o projeto de Susan Souza, uma musicista de São Paulo, o primeiro registro chamado de Nubia contém nove faixas e foi produzido por Steve Shelley, baterista do Sonic Youth. Suas músicas são autenticas, sensíveis e de beleza ímpar, e trazem influências de indie e folk. Não-Não Eu Vídeo clipes bem feitos e músicas numa vibe mais indie eletrônica, esse é o carro chefe desse trio mineiro formado por Pâmilla (vocal, guitarra, synths), Claudio (baixo, synths) e Thiago (bateria). O primeiro disco autointitulado foi lançado pela PWR Records e contém 9 faixas, produzido pela própria banda. Maria Beraldo Inicialmente integrante da banda Quartabe, Maria Beraldo faz um som que flerta mais com o lado eletrônico, ao vivo ela quem conduz seu sintetizador e guitarra, seu disco Cavala traz composições fortes que dão voz a mulher lésbica, que ela mesma chama de ”música de sapatão”. La leuca A banda La Leuca das irmãs Helena e Mariana lança Dente de Leite, seu primeiro disco de estúdio lançado pela Deckdisc, as composições passeiam pelo dream pop, psicodelia, rock e mpb. Eles já foram responsáveis por tocar ao lado de bandas como Boogarins, Carne Doce e Winter. Harmônicos do Universo O projeto da musicista Desirée Marantes surgiu em 2015, as composições criadas com apenas guitarra e violino trazem belos climas, emocionantes e únicos, assim como uma trilha sonora. Consuelo Cantora brasilense que flerta com o misticismo e o oculto, sua nova música ”Luz da noite” nos dá um breve gosto de como será seu novo lançamento. As guitarras distorcidas e dinâmicas, as vibes psicodélicas e ambientações algumas vezes mais sombrias nos lembra muitas vezes o rock feito pelos Mutantes.

Lançamento EP “Naufrágio” + Entrevista Elucubro

Primeiramente solta o play no novo disco da Elucubro: Há algum tempinho que eu acompanho a banda Elucubro, uma banda do ABC Paulista de rock alternativo que conta com grandes amigos e colegas meus muito talentosos e especiais. Formada por Gabriel Servilha (guitarra), Gustavo Henrique (guitarra/voz), Pablo Armentano (baixo) e Daniel Dantas (bateria) há um pouco mais de um ano. Compareci a um show deles em abril desse ano e confesso que algumas músicas me tocaram bastante, já mostrando as coisas boas que o EP guardava. O show foi muito bom e de quebra eles ainda tocaram alguns covers que animaram o público. Fiquei extremamente feliz quando eles aceitaram lançar o EP com exclusividade para o nosso blog e nos conceder essa entrevista. É muito importante pra gente conhecer e divulgar o trabalho dos artistas do cenário underground que a gente acredita. Por vezes o instrumental me remete muito ao post rock, é bem melódico, easy listening e acaba soando carinhosamente familiar.  É um disco para ser apreciado à noite, com tranquilidade e serenidade. Mas não se deixe enganar achando que você não será surpreendido por trechos ora suaves ora agitados presentes nas músicas. Elucubro é tudo exceto monótono. As guitarras são as grandes estrelas que refletem a alma do EP, é por meio delas que é possível decifrar sobre o que realmente se fala. O baixo juntamente com a bateria não se intimida e também vai ganhando espaço ao desenrolar do caminho. E no conjunto todos trabalham em completa harmonia. Elucubro tem identidade própria, portanto, ao meu ver, fica difícil enquadrar em algum gênero mais específico dentro do rock alternativo ou comparar com alguma banda que eu já conheço. Consigo ver as referências a Ventre, Los Hermanos, God Is An Astronaut, Radiohead e outros. O single “O Vento” foi o primeiro a ser lançado (21/Out) e já dava uma “palhinha” do que viria a seguir: Confira a entrevista: O que significa o nome Elucubro? Elucubro é o ato de refletir constantemente sobre algo no período noturno. Acho que o nome combina muito com a banda, pois geralmente compomos de madrugada e fazemos reflexões sobre várias questões. Como vocês definiriam o seu som? Talvez essa seja a pergunta mais difícil de se responder. Acho que é uma mistura não convencional de um rock alternativo com instrumental. Não ligamos muito para as convenções tradicionais de estrutura nas músicas, tentamos juntar o máximo de referências que temos pra nos expressarmos da melhor forma possível e fazermos um trabalho que transmita algo que toque o íntimo de quem escuta. Como vocês se conheceram e como surgiu a ideia de montar a banda? Bom, eu (Gustavo) conheci o Gabriel no SENAI, em 2014. A amizade nasceu ali e o interesse por música nos uniu, criando alguns projetos musicais por diversão mesmo. Um pouco mais maduros, chamamos alguns amigos próximos para tocar, foi aí que entrou o Pablo e o nosso antigo baterista, o Pedro. Por motivos pessoais ele teve que deixar a banda e, no nosso primeiro show, conhecemos o Daniel. Daí estamos agora lançando nosso primeiro trabalho, Naufrágio, e caminhando para 1 ano com essa formação. Quais são as bandas que mais influenciam vocês nas composições? Bandas nacionais e internacionais Várias bandas nos influenciam. Acho que Radiohead é a principal. Outras bandas como Slowdive, Ventre e EATNMPTD também nos influenciam bastante. Tem alguma banda brasileira que vocês gostariam de tocar junto? Claro! gorduratrans, Ventre, EATNMPTD, Eliminadorzinho… Na real somos bem abertos quanto a isso. Se houver algum convite, independente da banda, veremos se as datas batem e fazemos acontecer. Quais são os planos daqui pra frente em termos de shows, próximos trabalhos e carreira? Acho que como somos do ABC Paulista, seria bacana consolidarmos e fazermos nosso nome por aqui. Claro, as plataformas de streaming ajudam bastante a propagar nosso trabalho e, aos poucos, vamos expandindo nossos horizontes. Em relação à projetos, já estamos iniciando a composição de algumas músicas para nosso primeiro álbum, algo um pouco mais conceitual. Por enquanto o objetivo é divulgar bastante o EP nas redes sociais e fazer mais pessoas se interessarem pelo nosso som. Vocês querem deixar algum recado pra galera? Galera, nosso EP Naufrágio sai em todas as plataformas de streaming dia 9/11. Deem uma olhada lá que tá bonito, ajudem minha mãe a ficar orgulhosa por favor. Acompanhe o trabalho da banda nas redes sociais! Instagram: @elucubro Facebook: https://www.facebook.com/elucubro/ Spotify: https://open.spotify.com/embed/artist/2nzQFJn9KVVVvbAhtWco1p

YAGA: um novo festival dedicado a comunidade LGBTQ+

Yaga

Há pouco mais de um mês antes de acontecer, o YAGA havia sido anunciado nas redes sociais. Sem muitas informações, o festival deixou o público ansioso por seu line-up. É a primeira vez que um festival desse porte ganha palco em São Paulo. Criado de forma totalmente independente, trouxe um intercâmbio cultural afim de fortalecer e empoderar artistas do underground através da arte. Mesmo com os tempos obscuros em que estamos vivendo, o YAGA aconteceu. Foram dois dias de música (3 e 4 de novembro), o local escolhido foi o Love Story, uma famosa balada no centro da cidade. O line-up contou com artistas nacionais e internacionais e marcou a vinda inédita de Arca. Uma produtora venezuelana conhecida por trabalhar com diversos artistas. Nomes como Björk, Kanye West, FKA Twigs, e SOPHIE, produtora trans que já vinha trabalhando com artistas e lançando singles desde 2013. Em 2018 ela lançou seu primeiro disco de estúdio , que inclusive vem sendo muito elogiado pela mídia especializada. O primeiro dia de festival No sábado (03/11) o line-up contava com Arca, Alada, Cemfreio, Aretha Sadick, FKOFF1963, Juliana Huxtable, Mia Badgyal, Ønírica e LV1SLV1S. A casa abriu por volta das 23h como informado anteriormente e o fim da festa estava previsto para terminar às 9h00 de domingo. Cheguei por volta de 01h00 da manhã, o horário de verão acabou deixando eu e alguns um pouco confusos. Logo na entrada, vi uma grande movimentação. O mais legal foi ver pessoas de diferentes lugares e subculturas todas unidas e também vestidas como queriam. Era um mix de felicidade e liberdade para quem estava ali. Um ponto alto que devo destacar, fica por conta do staff do festival. Composto por pessoas trans, desde a entrada, passando pela segurança e bar. Foram super simpáticas e profissionais, inevitável mencionar que elas também eram responsáveis pela aura da festa. As apresentações Já dentro da casa, um público animado, dançando ao som de MATMA, que já estava a terminar sua apresentação. Imprevistos sempre acontecem, houveram alguns atrasos, mas o público estava tão animado e não parava de dançar ao som de ALADA. Sua apresentação começou por volta das 2h10 da manhã. O set teve muito techno e funk carioca com mashup de outras músicas do pop, rock e metal. Passava das 03h00 quando Arca surgiu nas escadas. Calçando botas vermelhas, com as pernas de fora e um tipo de smoking, maquiagem, óculos escuros. Saudou o público com rosas, a partir dali ganhou a noite com sua performance. Logo no início caminhou entre todos da pista cantando e em seguida começou seu DJ set. Ela partiu do techno e industrial, reggaeton e músicas típicas venezuelanas. A participação do performer brasileiro Saullo Berck também foi destaque durante o set e animou a apresentação. A artista caminhou por toda a casa, deu selinho e abraços em fãs. Subiu no queijo (pole dance) e interpretou falas já conhecidas em suas apresentações. Além disso, interagiu com o público e disse estar feliz por participar de um festival como esse, falou também sobre valorizar os artistas. A expressividade de Alejandra é com certeza o destaque, às vezes elegante ou ‘obscena’. O show acabou por volta das 4h15 da manhã, mesmo assim, a animação continuava. Muitos dançavam, circulavam pela casa ou iam até a área de fumantes (que estava lotada). Precisei ir embora, mas sei que a festa continuou até mais tarde, inclusive vi vários vídeos onde Arca interagia com a galera na pista. Por fim, ficou claro que precisamos de eventos e festivais como esse. É necessário dar voz a pessoas e fortalecer a arte. Parabéns aos organizadores que apostaram no evento, espero que o saldo tenha sido positivo e que a jornada continue. Que da próxima vez mais pessoas e também empresas se sensibilizem para apoiar com patrocínios. Siga e acompanhe o festival nas redes sociais: Site | Facebook | instagram Confira mais resenhas de shows.

Rebobinados indica #8

Em nossa oitava postagem de indicações temos bandas nacionais e internacionais, de vários estilos e em sua maioria com materiais lançados nesse ano, confira abaixo e não se esqueça de enviar seu material para rebobinadosblog@gmail.com Herzegovina Banda carioca de pós-punk lança seu segundo EP Last Turn, com cinco músicas inéditas, durante o mês de novembro a banda faz uma pequena turnê por alguns estados divulgando o material, São Paulo está na rota. Fronte Violeta O projeto experimental de Carla Boregas (Rakta) e Anelena Toku existe desde 2015 quando lançaram seu primeiro registro, o EP Travessias, agora elas lançam FLAMA e continuam sua jornada de sons abstratos. Nicole Dollanganger A cantora e compositora canadense lança seu sexto disco de estúdio, Heart Shaped Bed traz músicas em uma vibe bem melancólica, às vezes dark e fantasiosa, a artista já vinha trabalhando no disco desde o ano passado. Help Projeto de DSBM (Depressive Suicidal Black Metal) da cidade de Marília em São Paulo, com letras em português, acabam de lançar a inédita “Wind”. Soulsad O projeto surgiu na cidade de São Paulo em 2003, agora em 2018 retomam suas atividades como duo e com o lançamento do primeiro EP intitulado Two Funerals, as três faixas trazem composições profundas e um som que oscila entre peso e melancolia. The Wonderful Now Pra quem gosta de um som mais na vibe post-rock, os cariocas do The Wonderful Now acabam de lançar seu primeiro EP, a sonoridade flerta com vários estilos como dream pop e math rock. SOPHIE SOPHIE é uma artista e produtora trans da cidade de Los Angeles, ela vinha trabalhando com artistas da cena pop eletrônica e lançando singles desde 2013, apenas em 2018 saiu seu primeiro disco de estúdio Oil of Every Pearl’s Un-Insides, recentemente ela se apresentou em São Paulo no festival YAGA. SRSQ Novo projeto de Kennedy Ashlyn ex-membro da extinta Them Are Us Too, em seu primeiro registro Unreality ela traz uma sonoridade que flerta com o darkwave, dream pop e new wave de artistas como Cocteau Twins e Kate Bush. Altamente recomendado! The Completers Banda curitibana formada em 2015, a sonoridade caminha entre o punk e o experimentalismo do post-punk, em 2017 lançaram seu primeiro registro com duas faixas e agora em 2018 acabam de lançar o EP Unspoken Signals com três músicas inéditas.  

Earthless e Mars Red Sky, dois grandes nomes do stoner metal tocam em São Paulo

Que a galera brasileira gosta de stoner nós já sabemos, vale lembrar os diversos shows que a produtora Abraxas trouxe no ano passado e também em 2018 que foram sucesso, entre eles, Kadavar, Stoned Jesus, Samsara Blues Experiment e por aí vai… Com exclusividade quem vem dessa vez é o trio norte-americano Earthless formado por Iasiah Mitchell (vocal, guitarra), Mike Eginton (baixo) e Mario Rubalcaba (bateria), aproveitando a turnê de seu mais recente disco Black Heaven lançado via Nuclear Blast. Quem acompanhará a banda em seus shows pelo país são os franceses do Mars Red Sky que já estiveram no Brasil com a turnê de seu último disco Apex III lançado em 2016. O último lançamento da banda até então é o EP Myramyd de 2017. E como não poderia faltar, o representante nacional que abrirá os shows das duas bandas será a banda carioca Psilocibina, que inclusive lançou disco recentemente via Abraxas e Electric Magic Records. Confira abaixo as informações do show e não dê bobeira! 3 de novembro – SÁBADOLocal: Fabrique ClubAbertura da casa 18h00 18h30 – Psilocibina19h30 – Mars Red Sky20h30 – Earthless Compre já o seu antecipado: https://www.sympla.com.br/earthless-mars-red-sky-e-psilocibina-em-sao-paulo__316077 Ingressos antecipados online por apenas R$ 100 (meia entrada promocional para estudantes, menores de 21 anos, idosos, professores da rede pública, portadores de deficiência física e também para aqueles que levarem 1kg de alimento não perecível na entrada). Na hora: R$ 120 meia / R$ 240 inteira. Pontos de Venda:– Yoga Punx – Rua Doutor Cândido Espinheira, 156 – Perdizes(11) 94314-7955– Volcom – Rua Augusta, 2490 (apenas em dinheiro)(11) 3082-0213– Loja 255 na Galeria do Rock(11) 3361-6951– Ratus Skate Shop – Rua Doná Elisa Fláquer, 286 – Centro, Santo André(11) 4990-5163 – Em breve Compre já o seu antecipado: https://www.sympla.com.br/earthless-mars-red-sky-e-psilocibina-em-sao-paulo__316077 Arte: Douglas Jacinto ————————Classificação 18 anos.

Palamar: “se mantenham plenos e tenham cuidado com a polícia…”

Há mais de 1000 quilômetros de distância e quase no coração do Brasil, está localizada Brasília. Que dizem alguns que já foi a capital do rock, grandes e importantes nomes da música nacional foram exportados de lá para todo o Brasil e mundo. Numa época boa em que o rock era influente, forte, crítico, poderoso… A grata surpresa foi conhecer o Palamar, uma banda nova, que surgiu no fim de 2017 na capital brasileira ainda como trio. Hoje um quarteto formado por Galvão, Pedro, Heitor e Guilherme. Donos de um som lisérgico, viajante, de espírito jovem. Em seu primeiro ano de estreia lançaram o primeiro EP, Horizontes Submersos, com cinco faixas produzidas por eles mesmos. No ano seguinte, já começaram a trabalhar no sucessor, o resultado é o primeiro single lançado recentemente sob o nome de “Rebordose”. Uma sonoridade de qualidade, que renova nossa sede por bandas novas e que representem bem o rock nacional, sucesso e vida longa ao Palamar! Como aconteceu a ideia de formar a banda e a escolha do nome, vocês já se conheciam ou tiveram algum projeto anterior? Nos conhecíamos de outros rolês, eventos e festas… Eu (Galvão) e Santos tínhamos acabado de sair de um banda, sem nada pra fazer e muito pilhados em fazer algo novo… Chamamos o Heitor pra assumir a guitarra e a partir daí é só história; Palamar não tem significado, é o que é, por essência. O primeiro EP Horizontes Submersos foi lançado em 2017, como foi o processo de composição e gravação, as ideias fluíram ou existiu algum empecilho durante esse período? Uma fase de reconciliação de vontades, foi o início de um passo enorme para todos, uma gravação com identidade própria, ardor e o tempo de cada um envolvido ali. Após uma averiguação e reconhecimentos de ambientes por várias sessões de jam registradas (tá no nosso Soundcloud/// Demos), incorporamos o que a Palamar tinha pra soar e destrinchamos junto do tempo que tínhamos. Existem bandas que costumam compor suas letras com base em livros, situações do cotidiano ou até ficções, pra vocês, de onde vem as inspirações na hora de escrever uma letra? Temos um querer maior com o instrumental, deixamos um pouco de lado toda essa preocupação em relação à construção de letras e recados. Soamos como forma de complemento para o todo, nada é muito esclarecido, as letras tem seu aspecto de desnorteio de forma proposital. Mesmo assim, são trabalhadas envolta de outra referências: A vida e seus barulhos que teimamos em negar escutar, conselhos ruins, falta de determinação em certos pensamentos, desafios… É algo bem natural, bem humano, nada especifico. Falando ainda de inspirações, sobre a sonoridade, quais artistas nacionais e internacionais influenciaram vocês? Frank Ocean, Gal Costa, Lê Almeida, Hurtmold e Walter TV. Como anda a cena musical de Brasília, vocês acham que perderam o título de capital do rock? Nunca conseguimos enxergar esse posto de capital do rock de uma forma espontânea, foram tempos de desamparo e essa tradição quase que forçada, traz suas maldições e bênçãos a esse solo desde então, onde ouro é ofuscado e o contrário ganha cena, esse é exatamente o ponto, onde bandas maravilhosas se descarregam antes mesmo de serem notadas, espero que isso mude, que o público consuma mais arte, que os artistas dêem mais valor e que seja cooperativo o tal mito da cena. Quando não estão no palco ou compondo, o que mais gostam de fazer pra passar o tempo, algum hobbie específico? Fazendo parte da cidade, trampando ou estudando, mas sempre criando ou tentando criar algo em volta de intenções próprias… Recentemente vocês lançaram um novo single, para a música Rebordose, quais são os planos futuros, o disco deve sair ainda esse ano? Não, o álbum não sai esse ano… Os planos remetem à mais shows e processos de composição, focar em conceitos que consigam rumar a um plano de álbum que nos justifique, que a arte que a gente faz alcance mais pessoas, mais festivais, mais ocasiões. O plano ainda é se encontrar mais uma vez como no inicio das primeiras gravações, uma ideia e coragem!! Agora com uma certa expectativa e maturidade, tudo fica mais incorporado ao peito aberto e à crítica, foram esses aspectos que formaram muito do que o nosso trabalho anda consistindo, sabemos lidar e esperamos o melhor de cada um. Muito obrigado pelo tempo em falar com a gente, deixem uma mensagem para quem ainda não conhece o som de vocês. O recado que a gente deixa é: Se mantenham plenos e tenham cuidado com a polícia. Escute o single Rebordose: Acompanhe a banda nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | instagram Confira mais entrevistas.

A arte como nosso instrumento político

Em Setembro e Outubro tive o prazer de comparecer a três shows dos artistas brasileiros que eu mais admiro dentro da MPB. Flávio Venturini e Adriana Calcanhotto pela primeira vez e Lô Borges pela segunda vez (já o vi em alguma Virada Cultural da vida). Só que o post hoje é um pouco diferente, eu não pretendo apenas resenhar sobre esses shows, eu gostaria também de falar sobre o papel político dentro da música devido aos acontecimentos recentes envolvendo Roger Waters e sobre o momento nefasto que nos assombra durante essas eleições. Primeiramente eu vou tentar começar leve, falando apenas das coisas boas que eu presenciei, depois vou expressar minha opinião. Sabemos que a maioria dos leitores cativos do blog são interessados em shoegaze e/ou outros estilos de música alternativa. Mas eu acho que cabe falarmos de todo tipo de música que gostamos, no meu caso, vou falar de um grande amor meu, que me acompanha desde que nasci, a MPB. Flávio Venturini Desculpe pelas fotos horríveis. Eu não poderia tirar fotos, mas quis levar algumas na memória.  O primeiro show foi o do Flávio Venturini. Minha admiração pelo Flávio é bem antiga. O meu amor começou na primeira vez que ouvi Céu de Santo Amaro uma canção belíssima em parceria com Caetano Veloso lançada em uma novela de 2004. Me apaixonei imediatamente e esse amor só se fortificou com o passar dos anos. É realmente irônico eu ir em tantos shows ultimamente e nunca ter surgido a oportunidade de ir em um show de um artista brasileiro que eu admiro tanto. Mas digo “antes tarde do que nunca”. E ainda bem que não foi tão tarde assim. Eu não poderia ter escolhido um show melhor pra ver. Eu vi um grande time de músicos que talvez nunca mais possa ter o prazer de ver, celebrando o incrível Clube da Esquina n 2. Foi um show extremamente belo e emocionante. Só de poder ver um artista que eu admiro há tantos anos na minha frente já valeu a pena. E depois poder vivenciar o verdadeiro espetáculo que foi a noite, me deixa sem palavras para explicar o quão extasiada e contente eu fiquei. Flávio é afinadíssimo, conduziu seus falsetes com extrema perfeição, emocionou a todos. Wagner Tiso com seus arranjos maravilhosos e maestria fez um show excelente. Toninho Horta também fez uma excelente participação e ajudou a trazer mais energia e descontração para o show. Confesso que a versão instrumental da música Clube da Esquina II me levou as lágrimas instantaneamente, foi ouvir as primeiras notas e cair no choro. Aliás, é muito difícil não se emocionar com as músicas do Flávio, elas conseguem tocar o coração e os sentimentos de todos magnificamente. Um verdadeiro afago para o coração. Adriana Calcanhotto Continua difícil escrever sobre artistas que você gosta e admira há tanto tempo como eu admiro a Adriana. Eu me lembro de ter 11 anos e ouvir sofrida suas músicas enquanto chorava por alguma tristeza qualquer, me lembro de ter 16 anos e chorar pela milésima desilusão amorosa ouvindo Devolva-me, me lembro de ter 22 anos e continuar chorando ouvindo suas músicas. Eu sou uma eterna chorona quando se trata de Adriana Calcanhotto. E eu chorei no show também, como não?  Ela consegue tocar meu coração o mais solenemente possível. Estar no mesmo ambiente que essa fada maravilhosa já é por si só uma grande conquista, vê-la tocar seu violão e cantar suavemente enquanto nos olha nos olhos já é uma conquista maior ainda. A turnê “A Mulher do Pau Brasil” é uma experiência deliciosa do começo ao fim. Podemos presenciá-la entoando poemas, tocando instrumentos de percussão, saudando seus clássicos e cantando músicas novas enquanto se diverte e nos diverte ao lado Bem Gil e Bruno Di Lullo. Espero poder presenciar mais belíssimos espetáculos dessa mulher incrível, versátil e maravilhosa nos próximos anos. Valeu muito a pena vê-la nessa turnê e espero poder vê-la muitas vezes mais. Roteiros dos shows da Adriana e Lô distribuídos no Sesc Pinheiros Lô Borges O show do Lô Borges entra facilmente na minha lista de melhores shows do ano. Tanto pela performance, quanto pela qualidade do show, pelo entusiasmo da plateia e pelo clima excelente da noite. Da primeira vez que vi o Lô, confesso que não foi uma das melhores situações. Mas com certeza a lembrança desse show supera qualquer lembrança ruim que eu tivesse. O Lô estava no ponto alto de sua energia e carisma, me lembro de rir muito e me divertir mais ainda durante esse show. No início, quando o repertório estava focado no disco do Tênis,  algumas pessoas da plateia reclamaram do som, confesso que não notei nada de ruim no som, mas sempre temos alguns chatos de plantão que nunca estão satisfeitos com som algum. Porém, ao longo do show, todos foram se contagiando tanto pela performance tanto pela celebração do álbum do Clube da Esquina. Esse é certamente um dos álbuns da MPB que eu mais gosto, um álbum que eu cresci escutando no carro com a minha mãe. Um álbum repleto de artistas ultra talentosos e especiais, que nos faz admirar todas as riquezas e maravilhas que o país tem, especialmente quando se trata de Minas Gerais, berço de artistas incríveis. É um álbum difícil de não se apaixonar, carregando fãs dentro da cena alternativa, da MPB e de todos que tem bom gosto. Os arranjos excelentes de guitarra presentes no álbum foram reinterpretados fielmente durante o show várias vezes por 4 dos músicos, sem criar uma atmosfera enfadonha ou confusa, cada linha de guitarra se completava e nos maravilhava. Foi muito legal ver a plateia interagindo e cantando bem alto as músicas que carregamos no coração e na alma. Certamente um show para se guardar no peito com muito carinho e alegria. E foi em meio aos diversos gritos de #elenão durante o show do Lô, durante seus discursos e seu posicionamento político claramente contra a esse sujeito, que me questionei sobre o que eu

Cinco discos internacionais de 2018 em destaque

O ano de 2018 tem sido maravilhoso, talvez um dos que mais escutei discos, acompanhei vários lançamentos e até me propus a fazer uma lista de todos os escutados durante o ano (provavelmente isso deve gerar um vídeo ou até mesmo uma lista aqui no blog), o nosso famoso melhores do ano. Por hora, venho trazer os cinco discos internacionais de 2018 que tiveram destaque. Enquanto isso não acontece, eu gostaria de indicar aqui cinco discos que tenho escutado bastante, provavelmente você deve ter ouvido falar, ou até mesmo escutou algum deles, se não, aproveite pra conhecer música nova, quem sabe esses não podem ser um dos seus lançamentos favoritos de 2018 também? Mint Field – Pasar de las luces (2018) Esse com certeza constará na minha lista de favoritos desse ano, é o disco de estréia de um trio mexicano de shoegaze. As músicas são todas cantadas em espanhol, e a vibe que permeia de início ao fim é totalmente viajante, os vocais tem um clima tão etereal que as estruturas das músicas sendo simples fazem com que o conjunto vire algo quase espiritual, as faixas El Parque Parecía No Tener Fin, Quiero Otoño De Nuevo e Nada Es Estático Y Evolucione te fazem flutuar e entrar num mundo paralelo. Gazelle Twin – Pastoral (2018) O projeto da cantora e compositora inglesa Elizabeth Bernholz já tem quatro discos lançados, se no primeiro álbum The Entire City ela nos entregou uma música eletrônica mais sombria, em Pastoral temos isso e muito mais, aqui a artista flerta bastante com o experimentalismo, usando sons, layers, flauta e batidas frenéticas, sem contar com seu visual meio sarcástico e maluco. Marissa Nadler – For My Crimes (2018) A música folk nunca foi o meu forte, sempre achei que era meio impossível  um artista lançar vários discos apenas no violão sem soar meio chato, mas eis que me provaram o contrário. Marissa Nadler começou sua carreira musical em 2000, um bom tempo, ela já tem oito discos lançados e For My Crimes é com certeza um dos melhores, cativante, com belas melodias e um vocal que dispensa comentários, ouça e você também vai se apaixonar. Ic3peak – СКАЗКА Se você acha que já ouviu de tudo, então ainda não deve ter escutado essa dupla russa de witch house, as músicas são cantadas em russo e as batidas pesadas criam um clima singular, eles já vieram ao Brasil há dois anos atrás, tiveram a oportunidade de conhecer São Paulo e filmaram até um vídeo no viaduto do Minhocão junto com um time de drag queens e performancers de festas famosas em SP. King Dude – Music to Make War to (2018) King Dude é o projeto do cantor e compositor Thomas Jefferson, até então suas composições se baseavam na música folk e no martirial folk de bandas como Death in June, esse é o seu sétimo disco e traz uma sonoridade mais ampla que teve início desde seu antecessor, com boas doses de guitarras, bateria, baixo e piano, passeando pelo post-punk, jazz e gothic rock.

Jupiterian fortalece o lineup do Abraxas Fest no próximo fim de semana

Prestes a comemorar seus 5 anos de existência, a produtora Abraxas traz ao Brasil pela primeira vez uma das bandas mais importantes do sludge, os americanos do Eyehategod. Eles serão atração principal de seu festival Abraxas Fest que acontecerá no próximo fim de semana, dia 13 de outubro em São Paulo, no Fabrique Club. O line-up ainda contará com os alemães do Samsara Blues Experiment, retornando pela segunda vez ao nosso país e apresentando seu mais recente disco One With the Universe. As nacionais Noala de São Paulo que também acabou de lançar disco novo e os brasilienses do ITD se juntam ao time. Já no domingo dia 14, o festival acontece no Rio de Janeiro, no Cais da Imperatriz, porém as aberturas ficarão por conta das bandas Pantanum e Jupiterian (SP). O Jupiterian surgiu em meados de 2013 na cidade de São Paulo, desde então o quarteto têm espalhado sua música pesada, melancólica e ríspida pelos cantos do mundo. Já tocaram em festivais na Europa ao lado de grandes nomes do doom/sludge e são um dos principais nomes da cena atual brasileira. Em sua discografia trazem o EP Archaic (2014) e dois discos de estúdio, Aphotic (2015) e o Terraforming (2017), as apresentações da banda são conhecidas por serem pesadas e intensas. Em entrevista, a banda falou sobre sua participação pela primeira vez no festival. O Jupiterian é uma das bandas brasileiras que repercutem no exterior, o que comprova o profissionalismo e a qualidade do trampo. Hoje, quais são as prioridades e as demandas do Jupiterian para manter a boa produtividade? Nossa prioridade é sempre compor. Fazemos poucos shows no ano porque estamos sempre em estúdio criando e compondo e queremos gravar o máximo que podemos no tempo que temos. Acho que essa produtividade que você mencionou vem disso. Creio que abrir para o Eyehategod seja uma experiencia bastante aguardada por vocês. É diferente participar de um festival ao lado de lendas da música pesada? Acredito que já tocaram ao lado de outras bandas importantes para vocês lá no exterior, não? Sempre é legal tocar com bandas que foram importantes pra sua formação musical. O Eyehategod com certeza é uma delas, mas eu prefiro sempre mentalizar que, seja com quem for, estamos lá pra dar o nosso melhor. Seja com uma banda pequena ou grande, a experiencia de tocar ao vivo é sempre incrível pra nós e procuramos focar no trabalho que temos a fazer pra que tudo saia dentro da nossa expectativa. Em poucas palavras, dá pra explicar o stoner/doom da banda? Nosso som é lento, mas acho que estamos cada vez mais distante do que se espera de uma banda de doom metal. e definitivamente não vejo stoner na nossa música. Nosso leque de referencias é bem grande e esperamos cada vez mais estar longe de rótulos e seus sub-gêneros. Esta é a primeira participação do Jupiterian num evento da Abraxas, certo? Como vê o trabalho da produtora no fomento da música independente? Na verdade já tocamos em outro evento há alguns anos, aqui em São Paulo, quando produtora estava bem no começo, assim como nós. Acho extremamente importante, o trabalho que a Abraxas tem realizado já é lendário, considerada a realidade do país, e espero que isso reverbere por anos. texto por: Fábio Bragaentrevista: Erick Tedesco Abraxas Fest 2018 em São PauloEvento: www.facebook.com/events/428628674243793Data: 13 de outubro de 2018Horário: a partir das 17 horasBandas: Eyehategod, Samsara Blues Experiment, Noala, ITDLocal: Fabrique ClubEndereço: Rua Barra Funda 1071 – Barra Funda/SPIngresso: R$ 120 (primeiro lote antecipado) até a véspera do show, online (com taxa de serviço)Vendas online: https://www.sympla.com.br/abraxasfestspVenda física (sem taxa de conveniência):Yoga Para Todos (Rua Doutor Cândido Espinheira, 156 – Perdizes) – (11) 94314-7955Volcom (Rua Augusta, 2490 – apenas em dinheiro) – (11) 3082-0213Loja 255 na Galeria do Rock – (11) 3361-6951Ratus Skate Shop (Rua Doná Elisa Fláquer, 286 – Centro, Santo André) – (11) 4990-5163Na Hora: R$ 140Censura: 16 anos Abraxas Fest 2018 no Rio de JaneiroEvento: www.facebook.com/events/1925147550842727Data: 14 de outubro de 2018Horário: a partir das 18 horasBandas: Eyehategod, Samsara Blues Experiment, Pantanum, JupiterianLocal: Cais da ImperatrizEndereço: Rua Sacadura Cabral, 145 – Centro/RJIngresso: R$ 100 (primeiro lote antecipado)Venda online: https://www.sympla.com.br/abraxasfestrjVenda física (sem taxa de conveniência):Rocksession (Rua Conde de Bonfim, 80, loja 3 – subsolo – Tijuca) – 3168-4934Tropicália Discos (Praça Olavo Bilac, 28 – Sala 207 – Centro) – 2224-9215Hocus Pocus DNA (Rua 19 de fevereiro, 186 – Botafogo) – 3452-3377Inside Rock (Avenida Amaro Cavalcanti, 157 – Méier) – 3985-8040Sempre Música Catete (Rua Corrêa Dutra, 99; sobreloja 216 – Catete) – 2265-6910Na hora: R$ 120Censura: 16 anos Confira mais entrevistas.

Rebobinados indica #7

A nossa sétima postagem de indicações só tem som brazuca, a maioria são lançamentos desse ano e selecionamos muita coisa boa, que orgulho da cena nacional! Gostaria de agradecer a todos que enviaram e continuam enviando material pra gente, e pra quem ainda não teve seu som postado ou está interessado em enviar, fica aqui o nosso e-mail oficial: rebobinadosblog@gmail.com lllucas – Creme Azedo Creme Azedo é o primeiro EP de lllucas, músico de São Paulo, as quatro faixas são a trilha perfeita para te acompanhar em uma caminhada solitária sem rumo ou em seu quarto, as batidas leves acompanhadas de riffs delicados de guitarra e ora com influências do dream pop e ótimas letras envolvem o ouvinte em uma vibe nostálgica e confortante.   Moon Pics – Motion Projeto iniciado em 2016 por Adriano Caiado, com influências que vão de Cocteau Twins e The Radio Dept., as cinco músicas do EP misturam vocal, synths e drum machines afim de criar uma sonoridade bem atmosférica.   Lonely Me – Twisted Sad Machines O som do Lonely Me é a trilha sonora perfeita para aqueles dias deitado na cama sem ter o que fazer e pensar na vida. As músicas de pegada lo-fi encaixam muito bem elementos de shoegaze e dream pop, um lançamento promissor no cenário indie nacional.   Jonathan Tadeu – Sapucaí Já muito conhecido na cena independente, o mineiro Jonathan Tadeu retorna com mais um lançamento, o quarto da carreira. O nome vem de uma famosa rua em BH onde jovens se encontram para fumar e ver o pôr do sol, é daí que também vem as inspirações para as dez faixas que compõem o disco, que dessa vez flerta mais com o experimental/eletrônico.   Li(F)e – All my friends are blue All my friends are blue é o primeiro lançamento dessa banda curitibana que flerta com o post-rock, shoegaze e experimental. Anteriormente já participaram com covers para duas coletâneas, uma dedicada ao Slowdive e outra ao My Bloody Valentine. Altamente recomendado!   Pedro Vulpe Pedro Vulpe é um músico catarinense, em 2016 lançou seu primeiro EP Zam, agora ele lança “Olhos do Tempo”, faixa que fará parte de seu novo trabalho que será lançado em 2019 sob o nome de Cardinale. A faixa traz um folk rock acompanhado por belos vocais e letras otimistas.   V.Diasz – Low Gain/High Patience Mixtape Lançado pelo selo independente Lovely Noize Records, V.Diasz é mais um dos vários projetos deste músico residente na cidade de Taubaté (SP). Em sua nova mixtape ele mescla sons e conta com várias participações de artistas de todo o país, afim de criar algo fora do convencional.   Latidos Nocturnos – DEMO Projeto de Brasília, com fortes influências do post-punk, rock alternativo e shoegaze, a primeiro demo apresenta quatro faixas, as composições são em grande parte cantadas em português.   Lanches – casona em cassette Quarteto do Rio Grande do Sul, em suas composições bebem da fonte da música psicodélica, a estréia vem com as faixas “Oceano” e “Eterno Verão”, gravadas em cassete, um prato cheio para aqueles que amam um som mais retrô e lo-fi.

Rebobinados Indica #6: Músicas tristes para que você fique ainda mais triste

Hoje é segunda feira, dia triste com certeza. E nada melhor do que música triste para nos deixar ainda mais tristes, não é mesmo? Quando eu estou muito triste, eu gosto é de muita tragédia, ouvir música triste pra ficar ainda pior e quem sabe, eventualmente, melhor. Agora é a hora de você pensar em todas as coisas tristes e se deixar levar pelas lágrimas. Vamos curtir essa fossa aí com algumas bandas de shoegaze, slowcore, sadcore, lo-fi e ambient. Crywank Crywank é uma banda britânica de anti-folk, sadcore, lofi. Triste pra caramba. Essa aqui é a primeira música do disco Tomorrow Is Nearly Yesterday And Everyday Is Stupid, o álbum mais famoso e provavelmente também o melhor da banda. Vale a pena conferir na íntegra depois, mas primeiramente fica à vontade para soltar algumas lágrimas ouvindo essa: Mount Eerie Mount Eerie é Phil Elverum. O Phil era da banda The Microphones que também era lo-fi, indie e folk. No álbum A Crow Looked At Me, o Phil fala da morte da sua esposa, que faleceu em decorrência de um câncer no pâncreas e de como foi cuidar da sua filhinha pequena sozinho. Só com essa descrição já dá pra ficar triste, mas o resultado é um álbum triste pra cacete. Um dos mais tristes e sinceros que eu já ouvi. soulwhirlingsomewhere É o projeto solo do americano Michael Plaster. Ambient, dream pop, sadcore, slowcore podem ser alguns gêneros pra definir a música etérea, romântica e suave feita por ele. É um pouco difícil de achar os discos dele, mas para nossa sorte tem bastante coisa na página do spotify. Músicas lindas e extremamente tristes, especialmente a que vou recomendar. O piano dessa música me destrói. Grouper É o projeto de uma mulher só da Liz Harris. Música ambiente, drone, experimental e shoegaze fazem parte desse projeto maravilhoso. Provavelmente uma das artistas que eu mais gosto e admiro, confesso que me inspiro bastante nela quando penso em minhas composições (mas quem me dera ser 0,1% do que ela é). Uma voz doce, um piano e o estrago está feito. salvia palth É o projeto do Daniel Johann, ele só lançou um álbum até hoje, o Melanchole, cheio de lo-fi, shoegaze e dream pop. dandelion hands É o projeto do Nick Heck de indie, folk e lo-fi. Gosto muito de ouvir bandas como dandelion hands quando estou querendo ariar o chifre no chão, quando bate aquela tristeza que apenas o lo-fi pode curar. Yoñlu Vinicius Gageiro Marques foi Yoñlu. Um músico talentosíssimo que produziu mais de 60 músicas e nos deixou o álbum homônimo de lo-fi, indie, folk e experimental lançado postumamente. No final de agosto desse ano foi lançado um filme contando sua história, ainda não tive a oportunidade de ver, mas espero que faça jus ao seu talento e genialidade. Vinicius Mendes Vinícius Mendes é um cantor-compositor emo, lo-fi e indie folk. Um grande amigo meu, já falei dele diversas vezes aqui no blog e acredito que vale a pena falar mais uma vez. Seu álbum Mercúrio lançado em 2017 é triste pra caramba e suas apresentações ao vivo sempre me emocionam bastante. Sun Kill Moon É o projeto de folk, indie, slowcore do Mark Kozelek. Mark é conhecido pela sua banda Red House Painters de slowcore. Quando eu penso em Sun Kill Moon, eu lembro muito de Mount Eerie recomendado acima. Carissa’s Wierd Carissa’s foi uma banda de slowcore, shoegaze, sadcore e indie. Se você não conhece essa banda, se prepare, pois aqui a tristeza é infinita. Seu álbum Song About Leaving  me deixa tão triste mais tão triste que eu só ouço quando quero chorar de verdade. Nada me destrói como esse álbum, ele me arrebenta por dentro e me faz querer chorar no chão geladinho do banheiro, por isso eu evito ouvi-lo em vão. Mas na minha época mais pesada de coração partido, eu o ouvia sem parar. Então meu conselho é: ouça com precaução, mas quando ouvir, ouça com carinho e muitas lágrimas nos olhos. S É o projeto solo da Jenn Ghetto do Carissa’s Wierd, igualmente triste e igualmente slowcore, sadcore e indie. Slowcore dói o coração e reconhecer essa voz dói também. Essa música também é de chorar deitado no chão geladinho do banheiro. Duster Duster é uma banda americana formada por Clay Parton, Canaan Dove Amber e Jason Albertini. É slowcore, space rock, shoegaze, indie, lo-fi e drone. Stratosphere lançado em 1998 é uma obra prima. Eu consigo reconhecer a influência desse álbum em muitos artistas que eu ouço e admiro hoje em dia. E também consigo reconhecer essa guitarrinha safada e característica onde quer que eu esteja. Duster – Gold Dust é um dos maiores presentes que a humanidade poderia nos deixar. Só digo isso. Tamaryn Essa é a indição do Fábio. Tamaryn é um duo americano de shoegaze, dream pop, experimental e new wave. Have a Nice Life Eu provavelmente já falei de Have a Nice Life aqui, mas quando eu lembro de música triste, eu logo lembro do Deathconsciousness. Esse duo americano mistura vários gêneros como shoegaze, post-rock, drone, experimental e ambient. É uma das bandas que eu mais gosto de ouvir para curtir a fossa. Empire! Empire! (I Was a Lonely Estate) É uma banda americana de emo/midwest emo, indie, post rock. Não podia faltar um emo bem emão mesmo nessa playlist né. Eu sei que eu poderia fazer uma lista inteira de música triste e colocar apenas música emo nela, mas eu não quero deixar todo mundo ainda mais triste do que já deixei. Já tem muito corno ariando o chifre ao chegar aqui, deixa essa pra algum dia aí. Low Para fechar nossa lista, nada melhor do que uma das melhores bandas de slowcore que já tive o prazer de ouvir. Low é um trio americano de indie, post rock, alternativo que acabou ficando mais conhecido como slowcore. A banda ainda está na ativa, lançando um álbum na metade desse mês chamado Double Negative. Mas o álbum que todo mundo ama e

Shelter, um disco divisor de águas na carreira do Alcest

Shelter é o quarto disco de estúdio do Alcest, e pode ser considerado o ”divisor de águas” de sua carreira. Depois do aclamado Les Voyages de l’âme, que é para alguns sua obra-prima, a dupla Neige (vocal, guitarra) e Winterhalter (bateria) decidiram largar suas raízes metálicas de lado. Aqui eles se aventuram em outros caminhos que podem trazer novas possibilidades para a banda. Simplesmente batizado de Shelter ou no bom português Abrigo, o disco traz músicas inspiradas no mar. Segundo Neige esse é seu principal abrigo, já que ele passava horas e horas observando sua beleza e seu poder de limpar a alma. Além disso, outra grande influência presente foi o shoegaze, gênero que ficou notável no início da década de 90, por bandas como My Bloody Valentine, Cocteau Twins, Slowdive e Ride. Embora não tenha nenhuma influência vinda do metal, as músicas continuam cativantes e com a beleza típica do Alcest. E mesmo que alguns acreditem que a banda perdeu sua originalidade, o disco veio para provar que as novas direções podem render ótimas inspirações. Pela primeira vez foi usado um conjunto de cordas (o mesmo da banda Sigur Rós) e participações de Monike da banda sueca Promise And The Monster, além de Neil Halstead líder do Slowdive. Além disso, o disco foi gravado na Islândia, nos estúdios Sundlaugin com os produtores Birgir Jón Birgisson e Martin Koller, o que com certeza colaborou com toda essa atmosfera incrível do início ao fim. Durante as oito faixas ouvimos um som mais orgânico, sem riffs pesados, blast beats e guturais que eram a marca da banda. A bela e serena Wings abre o disco com coro e instrumental bem etereal até ser embalada por Opale que traz um clima mais feliz e um refrão pegajoso que gruda na cabeça. La Nuit Marche Avec Moi é a faixa mais indie, com toda sua leveza nas guitarras e nos vocais. A terceira faixa Voix Sereines tem uma forte carga emocional e mistura momentos serenos com um final mais ”pesado”, se é que posso dizer isso, acontece que as guitarras aqui lembram algo do disco Les voyages de l’âme. A próxima é L’ éveil des Muses, hipnotizante e mais dark, com suas paredes de guitarras que criam uma atmosfera de outro mundo, a faixa título Shelter lembra muito Cocteau Twins por suas distorções e tem uma linha de teclado bem marcante em seu refrão. Quase chegando ao fim temos Away, onde ouvimos um belo dueto entre Neige e Neil Halstead, uma surpresa por se tratar de uma música mais acústica, mas que vai se desenvolvendo em uma sonoridade rica, com cordas e riffs de guitarras no melhor estilo shoegaze. Délivrance foi uma ótima escolha para fechar o disco, ela tem mesmo um clima de final, talvez um pouco triste e com certeza uma das melhores composições já feitas até então. Um fato interessante é que ela não possui letra, durante os 8 minutos de música Neige usa o chamado Idioglossia (palavras escolhidas totalmente em aleatório sem alguma coesão ou contexto lógico). Mesmo assim, o resultado final foi incrível e fecha o disco majestosamente, com um ritmo cadenciado que aos poucos vai crescendo em um momento épico no final. Na versão estendida do disco, temos uma faixa bônus intitulada Into the Waves, onde quem assume os vocais é Monike (Promise And the Monster). O som é bem indie e influenciado por post-rock, o que traz uma sensação bem renovadora. Shelter é um disco conceitual, todas as músicas estão ligadas em si, cheias de atmosferas alternando entre esperanças ou tristezas. Talvez ele seja um experimento na carreira do Alcest, ou mesmo um novo começo, não sabemos. Ainda assim, mas somos gratos por mais uma vez ouvir músicas tão cativantes de uma banda que parece não ser desse mundo. Confira o disco Shelter: Acompanhe a banda nas redes sociais: FacebookInstagramSite

Killing Joke comemora 40 anos de carreira em São Paulo com show cheio e pesado

Killing Joke

O Killing Joke surgiu em 1978, na cidade de Londres, Reino Unido. Emergindo da cena pós-punk inglesa ao lado de nomes como Joy Division, The Fall e Bauhaus. Mesmo com uma história turbulenta envolvendo altos e baixos, um hiato e troca de line-up, são responsáveis por grandes hits como Love Like Blood, Eighties e Wardance. No total são quinze discos lançados, uma sonoridade que partiu de um pós-punk dançante em seu debut Killing Joke (1980) ao metal industrial no disco do mesmo título, mas lançado em 2003. As letras, em grande maioria de cunho político e as performances pesadas e explosivas mantiveram a banda muito ativa nos últimos anos. Em 2018 completaram 40 anos de carreira e nada melhor do que uma turnê mundial para comemorar, dessa vez, o Brasil foi rota e o show aconteceu no último domingo (23/09) no Carioca Clube Pinheiros realizado pela EV7 Live. Com poucos minutos de atraso, a banda entrou no palco com a casa cheia e sem delongas iniciaram com o maior hit da carreira, o clássico das pistas de dança dos clubes góticos do mundo todo Love Like Blood. O público correspondeu calorosamente cantando o refrão em alto e bom som. Em seguida, músicas dos discos mais recentes, a dançante e pesada European Super State e Autonomous Zone. Para esses shows eles montaram um setlist especial com músicas de toda a carreira, a também clássica Eighties do disco Night Time agitou bem o público, tiveram também New Cold War, onde Jaz Coleman fez um breve comentário sobre a situação política no Brasil. Ainda tiveram as ótimas Requiem, Follow the Leaders, Bloodsport, Butcher e a pesada Loose Cannon. Nesse momento, o público que estava mais concentrado na performance da banda, e diga-se de passagem que é ótima ao vivo, foi se agitando mais, Jaz Coleman é uma figura e faz caras e bocas a todo momento, sua performance teatral é um dos pontos fortes do Killing Joke. A apresentação prosseguiu com Labyrinth, emendando com Corporate Elect, faixa do disco MMXII e Asteroid que esquentaram ainda mais o set, sinal de que os fãs gostam também dessa fase atual e pesada que eles vem fazendo em seus últimos discos. A antiga The Wait trouxe um feeling nostálgico das eras passadas e junto com Psyche fecharam a primeira parte do set, os integrantes deixaram o palco para um pequeno descanso, enquanto isso o público pediu biss e ovacionou com palmas. Aos poucos todos voltaram ao palco, empunharam seus instrumentos e continuaram com Primitive e Wardance, faixas do primeiro disco. E pra fechar com grandeza,  apresentaram Pandemonium, do disco de mesmo título, que naquela época foi considerado pela banda o último de sua carreira. Coleman e sua trupe se despediram do público agradecendo a presença de cada um e aparentemente bem felizes e animados com o calor dos fãs. Esse show foi um sonho realizado para muitos que estavam ali, pois o Killing Joke é com certeza uma das bandas mais importantes do gênero. Setlist:Love Like BloodEuropean Super StateAutonomous ZoneEightiesNew Cold WarRequiemFollow the LeadersBloodsportButcherLoose CannonLabyrinthCorporate ElectAsteroidThe WaitPssyche Encore:PrimitiveWardancePandemonium Siga o Killing Joke nas redes sociais: Facebook |Site | Instagram Agradecimentos a produtora EV7 Live pelo credenciamento e ótima produção do show.

Peter Murphy apresentará In the Flat Field em São Paulo na íntegra para comemorar os 40 anos do Bauhaus

I get bored, I do get bored, In the flat field…” vociferava Peter Murphy no refrão da música In the Flat Field, faixa título do primeiro disco lançado em 3 de novembro de 1980 pela 4AD e produzido pela própria banda. As gravações aconteceram em um estúdio em Londres, no período de dezembro de 1979 a julho de 1980, depois de uma turnê considerada até longa, com 30 shows para promover o single Bela Lugosi’s Dead. Duas grandes influências para a música do Bauhaus foram sem dúvida David Bowie e Iggy Pop, citadas pelo próprio Peter Murphy, aliás a versão bônus conta com um cover maravilhoso de Ziggy Stardust. A banda tinha a criatividade e o controle que precisavam, por esse motivo decidiram eles mesmos produzirem o álbum, de músicas com atmosfera dark e experimentações que flertavam com pianos, sax e alguns efeitos de sintetizadores. Assim que saiu, o disco foi muito bem aceito pelos fanzines e público, mas por outro lado foi bem criticado pela mídia inglesa, algumas descreviam o disco como ”sombrio, de sentimentos incertos…”, talvez ele fosse atemporal demais para a época, quatro rapazes vestidos de preto, com guitarras barulhentas e baterias frenéticas, performances teatrais ao vivo, referências a clássicos do cinema e da literatura, como O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu e Drácula. A famosa capa que mostra uma pintura em preto e branco de um homem nu em um quarto vazio, foi escolhida pelo próprio Peter ao folhar uma revista de filmes de Hollywood, a contra capa é a imagem do personagem O Sonâmbulo, do filme O Gabinete do Dr. Caligari. A versão oficial em vinil conta com nove faixas, mais tarde foram lançadas versões em CD e com faixas bônus. A última vez que Peter Murphy esteve no Brasil foi em 2014 apresentando a turnê de seu disco solo mais recente Lion, agora ele volta para comemorar os 40 anos de sua ex-banda, e melhor do que a última vez, com o clássico In the Flat Field na íntegra além de outros hits e quer notícia melhor? Com a participação de ninguém menos que David J, baixista original da banda, ou seja, teremos 2/4 do Bauhaus em terras brasileiras, vai perder? SERVIÇO – Peter Murphy no Brasil Data: 7 de outubro de 2018 (domingo)Local: Carioca Club – Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros, São Paulo (SP)Abertura da casa: 18h00Horário do show: 20h00 Ingressos:– Pista 1º Lote: R$ 200 (inteira) / R$ 100 (meia-entrada)– Pista 2º Lote: R$ 220 (inteira) / R$ 110 (meia-entrada)– Pista 3º Lote: R$ 240 (inteira) / R$ 120 (meia-entrada)– Mezanino: R$ 340 (inteira) / R$ 170 (meia-entrada) Vendas: Clube do IngressoClassificação etária: 18 anosRealização: Free Pass Entretenimento

Adorável Clichê traz letras profundas e boas doses de shoegaze e rock alternativo em seu primeiro disco

Formada em Blumenau, Santa Catarina em meados de 2013, o quarteto Adorável Clichê é composto por Marlon Lopes (guitarra), Gabrielle Phillipi (vocal), Lucas Toledo (baixo) e Diogo Leal (bateria), a primeira música da banda, a faixa Eu Invisível, foi lançada em 2015, seguida pelo primeiro EP São Tantos Anos Sem Dizer, contendo cinco músicas gravadas de forma totalmente independente. Durante os anos seguintes a banda foi amadurecendo e também se preparando para um próximo disco, que veio a calhar em 2018 com o lançamento de O que existe dentro de mim, lançado pela Nuzzy Records e com nove músicas cheias de letras pessoais, que soam como um diário aberto, sobre ansiedade, frustrações e situações da vida cotidiana. O álbum já pode ser considerado um dos melhores lançamentos dentro do rock independente nacional, com uma sonoridade feita na medida certa. De guitarras barulhentas a momentos nostálgicos e melódicos, e letras todas cantadas em português que criam um afeto com o ouvinte, um sentimento de compreensão e de compartilhar de vários sentimentos turbulentos. As gravações foram realizadas no quarto do guitarrista Marlon Lopes, e todas as composições feitas da forma mais sincera e orgânica possível. Nós tivemos o prazer de conversar com Lucas e Marlon que nos responderam algumas perguntas sobre o processo de composição, as gravações e os planos futuros da banda. A banda Adorável Clichê foi formada em 2013, vocês estão prestes a completar cinco anos, como avaliam esse período? Marlon: Foi um período de aprendizado e transformação. A banda que se formou em 2013 não existe mais, ao menos pra mim. Tudo tá muito diferente daquela época. A gente era bem novo e meio descompromissado. Se a gente tivesse fundado outra banda em 2015 e contado as coisas a partir daí teria sido mais justo com o som que fazemos hoje. Enfim, somos uma banda que ficou muito tempo sem lançar nada. Como você pode bem ver, fora gravações ao vivo em estúdio, nosso primeiro EP de verdade só saiu em 2016. O primeiro single pensado só no final de 2015, que é pra mim o marco inicial de uma consciência acerca do nosso role e o que nós queríamos com isso. Vocês trabalharam mais de um ano nas músicas do primeiro disco, como foi o processo como um todo? Marlon: Foi um processo sem muita pressão. Queríamos fazer algo bom e pronto. Apenas no final rolou um correzinho pro disco finalmente sair, mas acredito que fizemos tudo bem pensado. Compomos várias músicas nos ensaios, mas todas elas passaram por um processo de pós-produção no qual adicionamos sintetizadores, backing vocals, outras linhas de guitarra, etc. Lucas: Complexo e simples ao mesmo tempo, as composições das músicas surgiam namaioria das vezes nos ensaios com a Gabrielle (vocalista) fazendo as letras na hora seguindo o instrumental ou vice-versa. De forma natural e sincera. Já as gravações feitas tudo no quarto do Marlon (guitarrista) foi o processo mais demorado e complicado para chegarmos num resultado que nos agradasse! Se pudessem resumir o disco da Adorável Clichê em uma só palavra, qual seria? Marlon: Sinceridade. Cantar em português geralmente traz uma sensação maior de exposição, mas ao mesmo tempo traz uma identidade mais forte e também uma conexão com o ouvinte, qual a opinião de vocês sobre isso? Marlon: Concordo com a exposição, ainda mais por serem letras muito íntimas. A conexão é inevitável, ao meu ver, quando você realiza um trabalho honesto como o nosso. Lucas: Ao meu ver, cantar e, principalmente, compor em português é mais complicado do que em inglês. As letras da Gabrielle conseguem passar de maneira mais verdadeira os sentimentos ainda mais por ser em português. É ela cantando ali como fala no dia a dia. O Que Existe Dentro de Mim revela muito sobre sentimentos, isso é bem transmitido nas letras e sonoridade, como foi a escolha do título? Marlon: Além de ser uma continuação do título do EP “São Tantos Anos Sem Dizer”, o título do álbum resume o que se encontra no seu conteúdo. São canções íntimas, emocionais, de coisas que muitas vezes não deixamos transparecer pela rotina ser rodeada de relações superficiais em que se não se sente à vontade de se expor. Vocês pensam em gravar um vídeo clipe para alguma música? Lucas: Já gravamos, porém não curtimos os resultados, agora queremos fazer pelo menos algum que podemos dizer: “Agora sim! Isso tá digno de ser nosso clipe.” Se vocês pudessem escolher uma música do disco para fazer parte da trilha sonora de um filme, qual seria ambos e por quê? Marlon: Acho que “Traços” é a música com mais cara de trilha sonora de filme. A letra e o arranjam casam tão bem que muito combinaria Lucas: Acredito que todas têm potencial para fazer parte de um filme, depende do tema do filme, qual momento do filme e da música. Eu gosto muito de “Poluição”, o instrumental e a letra são boas para se encaixar em vários momentos diferentes. Qual a opinião da banda sobre o cenário atual da música brasileira? Marlon: Acho que o cenário nacional vive um grande momento em praticamente todos os estilos. Tem muita banda boa rolando aí. As que eu citaria seriam terraplana, Terno Rei, Raça, Between Summers, Wolken, Fevereiro da Silva, Carmen e Céu de Vênus. Agora com o disco lançado, o que planejam pela frente? Marlon: Particularmente adoraria tocar o máximo possível em festivais. Acho que esse seria um grande passo pra banda profissionalmente. Esperamos agora lançar clipes e live sessions. Enfim, quem sabe até um EP novo ano que vem, veremos! Muito obrigado pelas respostas, deixem uma mensagem final. Lucas: O que me resta pra dizer é agradecer todas essas pessoas maravilhosas que estão dando tantas respostas positivas e acreditando no potencial do álbum e da banda. Pra quem ainda não ouviu o álbum, escute e chore, compartilhe e faça os outros chorarem também. Abraços! Siga a banda Adorável Clichê nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Youtube Escute o disco O que existe dentro

Duo de pós punk The Lautreamonts lança seu primeiro EP Who Are You Wearing

O duo carioca The Lautreamonts é formado por Martha F. e Hudson, o nome é inspirado pelo escritor francês Conde de Lautreamont (Isidore Lucien Ducasse) considerado um dos percussores do surrealismo. Who Are You Wearing é o primeiro EP da banda, com cinco faixas produzidas em um home estúdio e lançadas pelo selo Efusiva. O título do disco é uma menção a uma pergunta feita frequentemente no tapete vermelho aos famosos para saber de qual estilista é a roupa que estão usando. Pensando nisso, a banda questiona o modo como vivemos e quem realmente somos, essas questões reflexivas são o tema principal das músicas do disco. A sonoridade, mesmo que classificada como pós-punk, passeia e mergulha por vários estilos e experimentações possíveis, trazendo algo exótico e fora da caixinha, com influências que vão desde a música árabe, passando pelo dreampop, eletrônico e psicodelia. É uma ótima pedida para quem gosta de ouvir algo fora do tradicional, ficou curioso? Então aproveita pra escutar o EP na íntegra no link abaixo e não se esqueça de acompanhar a banda pelas redes sociais. Siga o The Lautreamonts nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Youtube

Rebobinados Indica #5: Shoegaze

Kindling [bandcamp width=100% height=120 album=2947542717 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=1157539994] Infinity Girl [bandcamp width=100% height=120 album=2743575453 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small] Stargazer Lillies [bandcamp width=100% height=120 album=175833195 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=4229726277] Rev Rev Rev [bandcamp width=100% height=120 album=600882918 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=778470028] Ozean [bandcamp width=100% height=120 album=3157610528 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=2486995685] LSD and the Search for God [bandcamp width=100% height=120 album=3992786859 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small] Soda Lillies [bandcamp width=100% height=120 album=2274147635 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=2670435673] Kestrels [bandcamp width=100% height=120 album=2827269103 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=2220228417] Gleemer [bandcamp width=100% height=120 album=2159588014 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small]

Nothing se reinventa com Dance on the Blacktop

Por: Tatyane Oliveira Formada na Filadélfia em 2011, é uma das bandas mais conhecidas e admiradas da nova onda do shoegaze assim como Whirr, Airiel, Ringo Deathstarr e LSD and the Search for God. A banda nunca para de nos surpreender, desde o excelente Guilty of Everything (2014), o aclamado Tired of Tomorrow (2016) e agora com o Dance On The Blacktop, oficialmente lançado em Agosto. Você pode ouvir o álbum aqui ou se preferir no bandcamp Nothing é uma das bandas de shoegaze que nós aqui do Rebobinados mais gostamos. Se algum dia a gente lançar algum material, vai ser definitivamente influenciado pela banda. Se vai ser tão bom quanto, não sabemos, mas pode aguardar. O Dance On the Blacktop já havia caído nas graças da galera desde o começo de Agosto, quando uma versão pirata circulava por aí. Porém, decidi apenas ouvir os singles previamente lançados no Spotify e conferir o álbum na íntegra. Mas desde então os comentários já eram excelentes, não lembro de ter visto ninguém criticando o álbum. E realmente não sei se há realmente espaço algum para críticas. Consigo escolher minhas músicas favoritas no álbum, que logo nos primeiros segundos de música já me cativam sem fazer esforço algum. Aliás, Nothing tem um certo poder de me cativar facilmente. Com as músicas dos álbuns passados, eu reconhecia os primeiros acordes logo de cara. Não há música alguma que eu necessariamente desgoste, apenas algumas que definitivamente chamam mais atenção do que outras. Em termos gerais, o álbum está bem diverso, algumas músicas vão mais para o lado do dream pop, post punk e um pouco de grunge também. Tem música para todos os gostos. O destaque vai certamente para Blue Line Baby. Se eu fosse pensar em alguma música lançada esse ano que descrevesse perfeitamente o que é o shoegaze, da pontinha dos pés até o último fio de cabelo, de alma e por inteiro, seria essa. Os primeiros segundos da música já de transportam pelo espaço, notas sonhadoras e atmosféricas ao máximo, a parede de som reconfortante, ao meu ver é como estar em casa. A banda domina com maestrina a arte de fazer um som totalmente novo, totalmente fresco e ainda sim jamais perder sua identidade, as características do gênero. É tão familiar, o solo toca o coração e ao mesmo tempo soa como novidade, consegue me conectar instantaneamente. O clipe também é lindíssimo, sensível, muito etéreo e sonhador. Uma das outras músicas que gostei bastante foi Plastic Migraine. Ela consegue ter o mesmo efeito em mim, ainda que sutil, provocado por Blue Line Baby. I Hate the Flowers foi um dos singles que ganhou clipe também: Bem mais pesado que o restante do álbum, sem deixar de ser Nothing. Blue Line Baby é um sonho e I Hate the Flowers é o pesadelo que você tenha escapar, embora tudo indique que não há como escapar. O vídeo inteiro tem um homem tentando escapar, rolando pelas escadas, rolando pelas ruas, vendo um outro vídeo de uma moça bastante fragilizada, um corvo o assombra, o fogo o persegue e o caixão nunca o deixa escapar. Um pouco angustiante eu diria, porém o clipe é muito interessante e  infelizmente a vida tem esses altos e baixos mesmo. Mas o que realmente marca e o que gruda na cabeça é o refrão: ”Stop all the clocks in my brain  Clog all the veins and the drains  Build a coffin around this house  Dismantle the sun from the couch” Vale a pena ainda mencionar The Carpenter’s Son que vem logo em seguida, quebrando o clima pesadão trazido pela música anterior, com suas influências de post rock com voz doce e melódica. Imensamente triste e bela essa música. A letra é excelente e melancólica ao extremo. Certamente uma das músicas que estarei curtindo quando me encontrar borocoxô. São quase 8 minutos de bad. Esperamos que a banda continue prosperando e lançando material novo! Não deixe de acompanhar a banda nas redes: bandofNOTHING.com Facebook Instagram

Rebobinados indica #3: Dream pop / Indie pop

“Lá vem o Rebobinados de novo falar de shoegaze. Vocês não cansam não?” A resposta é não. Mas dessa vez viemos falar do primo acessível do shoegaze, o dream pop. O dream pop é uma das melhores coisas que já existiu, pois consegue misturar rock alternativo, neo-psicodelia e música pop. E tem coisa melhor do que música pop? A resposta também é não. O dream pop é um estilo tão acessível que muita gente que ouve nem sabe o que é, tem uma influência enorme e é parte de várias músicas indies atuais que fazem um sucesso tremendo.  Junto a ele está o indie pop, com uma pegada parecida, um tanto mais pop e DIY, se tornando bem mais easy-listening. Até a minha mãe gosta. Não estamos aqui para falar de bandas clássicas do dream pop/ indie pop e sim de algumas coisas que ultimamente andamos ouvindo que flertam facilmente com psicodelia, punk, post-punk, lo-fi, chillwave e muito mais. Wild Pink B-Film Etc. Seasurfer Deafcult Castlebeat Dead Horse One Crescendo Tears Run Rings FM-84 The Daysleepers Arbes Sunbather Hatchie My Autumn Empire Pastel Coast Strange Ranger Computer Science

Shoreline Tales: novo projeto mistura post-rock, jazz e psicodelia

Zeh Antunes é um músico brasileiro mais conhecido por suas participações nas bandas Billy Goat (1997-2007) e Electric Goat Combo (2009-2016) onde foi  fundador e baixista. Recentemente ele deixou o Brasil para viver em Braga, Portugal. O lugar trouxe novas perspectivas e inspirações ao músico que teve a ideia de criar o projeto Shoreline Tales em 2017. A primeira demo com alguns singles foi lançada em outubro do ano passado, mas há poucos dias, mais precisamente em 27 de agosto finalmente saiu seu primeiro registro, o disco Semoto que contém cinco músicas e está sendo lançado pelo selo Abraxas Records. Em suas composições Zeh faz uma experimentação que passeia pelo post-rock, jazz e rock psicodélico. Segundo ele, esse é um projeto de alguém que chegou em um novo lugar e não consegue parar de fazer música, uma mistura de tudo o que aconteceu durantes os anos e que simula cognição. Acompanhe pelas redes sociais: Facebook | Bandcamp

Conheça a Eslovênia

Foto: Shadow Universe Por: Tatyane Oliveira A Eslovênia fica no Leste Europeu, faz fronteira com Áustria, Hungria, Croácia e Itália. Tem cerca de 2 milhões de habitantes e paisagens deslumbrantes. Acredito que a maioria de nós já ouviu falar da Eslovênia, mas nunca pensou em se aprofundar e querer saber mais. Especialmente quando se trata de música. Faz alguns dias que conheci um colega da Eslovênia em um site de música e percebi que não sabia quase nada sobre esse pequeno país. Perguntei a ele várias coisas sobre a arte, cultura e música. Algumas sugestões dele aparecerão nesta lista e outras fui escavando e descobrindo. É muito bacana abrir os horizontes e ouvir músicas e artistas totalmente desconhecidos que são fora da nossa realidade ou fora do que estamos habituados a ouvir. Não coloquei música tradicional eslovena, porque foge bastante da proposta do blog e todo mundo iria estranhar, mas conseguimos ter uma boa noção do tipo de música e dos excelentes artistas que temos por lá. Porque quando falamos de Eslovênia, qual é a primeira banda que vem a sua mente? Provavelmente Laibach que é um dos grandes nomes da música industrial. Se você ainda é um grande conhecedor, deve ter ouvido falar de Big Foot Mama e Siddharta que são bandas mais mainstream. O Festival MetalDays é uma das grande atrações que também nos vem a cabeça por conta de suas inúmeras bandas de black metal, thrash e death. Poderíamos ficar horas citando bandas desses estilos, já que países europeus são berços dessas bandas, porém vamos tentar variar um pouco essa lista e trazer coisas boas para vocês. Veldes Facebook | Youtube In The Attic Facebook | Youtube Neurotech Facebook | Youtube FUTURSKI Facebook Borghesia Facebook 7AM Site Shadow Universe Facebook | Youtube Vlado Kreslin Facebook Melodrom Facebook Videosex Facebook Silence Facebook | Site Inexistenz Facebook Salonski Facebook Dekadent Facebook   Tomaž Pengov Facebook Tem mais sugestões de gêneros musicais, países ou bandas para nos indicar? Escreve nos comentários que vamos ouvir com muito carinho!

Dolorem: quarteto de post-black metal exala melancolia e peso em primeiro single

O post-black metal tem sido um gênero bem controverso dentro do metal, pois sua fusão de gêneros como shoegaze, post-rock e black metal ainda soa muito discrepante para alguns ouvidos. O fato, é que existem artistas desse estilo criando novos conceitos e músicas incríveis, que conseguem fundir peso e melodia na medida certa, sem soar clichê, como a Dolorem. Aqui no Brasil esse som ainda não é muito explorado, são poucas as bandas que se auto intitulam post-black metal. Na verdade, o público do gênero é bem forte por aqui. Talvez, por conta de alguns nomes da cena francesa como o Alcest, Amesoeurs e Deafheaven. Essas são queridas do nosso público e difundem algo de novo para um nicho (se é que posso chamar assim), que está de mente aberta para novas possibilidades dentro da música pesada. Dessa vez, vamos conhecer uma banda que tem tudo para ser um dos grandes representantes do estilo em nosso país. O Dolorem foi formado no fim de 2017, em João Pessoa, Paraíba. Conta com Marcos Sena (guitarra, vocal), Jackson Luciano (guitarra), Paulo Roberto (baixo) e Nichollas Jaques (bateria). Todos os integrantes já vem de outras bandas do underground, as influencias já são bem conhecidas pelo público como, Katatonia, Alcest, Slowdive, Deafheaven entre outros. Em 2018, eles entraram em estúdio para compor cinco músicas, a primeira a ser lançada foi Abandoned. A sonoridade traz uma atmosfera melancólica, mas que também se entrosa com a agressividade e momentos bem ambientados por guitarras, assim como no post-rock, uma música dinâmica e profunda. As letras assim como um geral dentro desse estilo, falam sobre existencialismo e sentimentos inerentes a qualquer pessoa, como dor, amor, frustrações e desesperanças. Conversamos com eles sobre como surgiu a ideia de formar a banda, a gravação do primeiro single, e sobre  os planos para o lançamento do primeiro disco. Confira! O Dolorem foi formado em 2017, mas muitos de vocês já haviam participado de outras bandas do underground. Como foi o processo de se reunirem pra montar a banda, todos já se conheciam? João Pessoa, apesar de ser uma capital, tem um aspecto de cidade pequena. Logo, todos nós participamos de círculos sociais em comum. Alguns de nós já havíamos tentado montar alguns projetos em outrora. No entanto, apenas a Dolorem acabou vingando, devido ao interesse mútuo de montar uma banda com sonoridade diferenciada. A banda começou com Marcos, Paulo e Nichollas e então começamos uma incessante busca por vocalista, pois nenhum de nós havíamos cantado em outros projetos no passado. Depois de muita procura sem nenhum sucesso, nós achamos apropriado Marcos assumir os vocais, que mostrou-se uma ótima escolha. Por fim, para dar uma maior incorporada no som, principalmente no quesito ambiência, convidamos Jackson, que já era velho conhecido e já tinha tocado com o Paulo e Marcos em outros projetos no passado, para fazer parte da segunda guitarra. O post-black metal ainda é um estilo pouco explorado aqui, vocês acham que muitas bandas tem medo de se arriscar nesse tipo de som? Nós acreditamos que o Post-Black é um gênero já bem difundido no mundo. Sabemos da existência de bandas de post black metal no cenário nacional. Porém achamos que ainda não é muito explorado por não ser muito popular. Sendo mais comum nascerem bandas de gêneros mais populares como Thrash, Death e Black. Esperamos que com a inserção da Dolorem na cena, assim como o trabalho de outras bandas do estilo nós podemos difundir melhor este tipo de musicalidade para o grande público e estimule tanto as pessoas a conhecerem o post-black, quanto a se interessar em criar novas bandas do gênero. Abandoned é uma música bem dinâmica, com letras profundas e passagens mais pesadas e melancólicas, uma ótima escolha para um primeiro single, como foi o processo de composição? Marcos Sena já tinha algumas ideias para Abandoned antes mesmo da banda ser formada. Quando Nichollas e Paulo entraram para o projeto, cada um pôs um pouco de suas influências musicais, que são um pouco distintas, e a música ficou do jeito que conhecemos hoje. Vale ressaltar que Abandoned foi a primeira música composta por nós. Escolhemos esta música para o single não por ela ser a primeira música, mas justamente por esta pluralidade de melodias e passagens. Logo, ela consegue refletir grande parte do contexto e musicalidade que exploramos na banda como um todo. O Nordeste tem uma cena metal muito forte, vocês se vêem como uma novidade dentro dessa rota da música pesada? A Dolorem por explorar este gênero do post-black já é uma novidade tanto no Nordeste quanto no Brasil, pois como já havíamos dito anteriormente é um gênero pouco explorado. Porém algo que nos destaca é este flerte entre melodias com bastante atmosfera, característico do post e shoegaze, alternando pra blasts e partes mais pesadas e frenéticos, que tem como fundamento o black metal. De uma maneira sutil acaba deixando nosso público surpreendido e curioso a cada transição de riffs. Na hora de escrever uma letra, vocês procuram ler um livro, ouvir musica ou situações do cotidiano pra se inspirar? Digamos que a nossa maior fonte de inspiração seja a própria vida, vemos a vida como um processo cheio de desafios, frustrações, conquistas, fracassos, perdas, tristeza e dor. Refletir e enxergar esses aspectos da vida, é uma fonte rica que nos desperta o lado criativo, traduzindo os pensamentos em composições. O que vocês tem em mente para o futuro, além dos shows já agendados, pretendem lançar um disco cheio ainda esse ano ou algum vídeo clipe? Para o futuro, a banda está trabalhando para fechar o repertório e iniciar a gravação do primeiro álbum ainda no fim deste ano. No momento, estamos divulgando o single “Abandoned” nas redes sociais e plataformas de streaming. Também iremos divulgar um vídeo clipe no dia 24/09, com imagens captadas da gravação da música em parceria com a Tártaros Produções. Neste mesmo mês, dia 30, tocaremos no Kraken Festival, em João Pessoa. Agradecimentos à banda pela disponibilidade em responder a

ionnalee surpreende e encanta fãs em primeiro show no Brasil

Jonna Emily Lee Nilson (ionnalee), cantora sueca de 36 anos de idade, é a mente por trás do projeto iamamiwhoami, que teve início em 2009 ao lado de seu marido, o produtor Claes Björklund. Ganhadora de um prêmio em inovação pelo Grammy sueco em 2011, ela lançou três discos de estúdio, são eles: Kin (2012), Bounty (2013) e o maravilhoso Blue (2014). Além de sua bela voz e performance, Jonna se destaca pelos discos conceituais e seus clipes sempre muito bem produzidos. Uma apresentação por aqui parecia apenas um sonho, já que ela não tinha costume de fazer muitos shows. Agora, assumindo apenas o nome de ionnalee, a cantora conseguiu através de um crowdfunding fechar uma turnê mundial para apresentar o seu disco Everyone Afraid to Be Forgotten, renovando assim também a esperança dos fãs brasileiros, que colaboraram para que São Paulo fosse uma das rotas da turnê. A apresentação inédita aconteceu na quinta-feira dia 23 de agosto no Cine Jóia em São Paulo. As portas abriram por volta das 19h00, a fila em frente a casa já era imensa e chegava quase até a entrada do metrô. A princípio, conforme anunciado haveria uma exibição de um curta sobre o disco e a abertura ainda ficaria a cargo de Tangurna, artista também sueco que faz parte da gravadora de ionnalee. Porém, devido ao extravio das malas a apresentação foi cancelada, sendo assim, o filme e o show tiveram seus horários alterados, mas sem prejuízos. O fato também comprometeu o vestiário usado por Jonna, que mais tarde comentou sobre isso em sua conta do instagram. Com a casa cheia, foi exibido o filme sobre o disco, e todos fãs empolgados acompanharam e cantaram a cada trecho das músicas apresentadas, mas foram mesmo a loucura assim que a apresentação teve início com Work, faixa do disco Everyone Afraid to Be Forgotten. Todos pularam e cantaram tão alto que as vezes mal se ouvia a voz de Jonna. O setlist foi bem equilibrado e parece ter agradado a todos. Tiveram músicas do projeto iamamiwhoami, passando por seus três discos, como as faixas o do disco Bounty, e outras muito esperadas, como Fountain, Play e Chasing Kites. Jonna estava aparentemente muito feliz, saltitante, dançando com toda energia possível. Sempre agradecendo a todos e sempre em contato com os fãs que estavam mais próximos da grade. Talvez por conta dos problemas ocorridos tenha faltado além dos vestuários, uma iluminação e projeções melhores durante algumas músicas. Ainda assim, tudo foi maravilhoso, a energia e cada refrão cantado a plenos pulmões foram a compensação dos imprevistos. Outro fato comum entre os fãs eram as coreografias, muitos ali acompanhavam a performance perfeitamente, o que deixa claro o quanto são fiéis. Os brasileiros foram privilegiados, pois o set contou com algumas músicas que não estavam em muitos dos shows que vinham acontecendo pelos EUA. Músicas como SIMMER DOWN, NOT HUMAN e Shadowshow que foi cantada a capella depois de todos pedirem em um coro. Além disso, outro momento marcante foi em HARVEST, música que conta com a participação de TR/ST. Foi muito lindo ver o Cine Jóia estremecer com todos acompanhando o refrão. ”come closer, my love, let’s drown in misery, there is an ocean of possibilities”. Mais tarde, soltaram um ”Jonna eu te amo”, com certeza ela sentiu todo o amor que seus fãs tem por sua pessoa e sua música. Logo depois, Gone e Blue Blue finalizaram parte da apresentação. Um destaque para um fã que subiu ao palco para dançar com Jonna durante a última música. A faixa Goods, conseguiu levantar o público que mais uma vez dançou conforme a coreografia. Contudo, ainda não era o fim, assim que as luzes se apagaram ficou um clima de retorno. Eis que ionnalee e o fã retornam ao palco para uma surpresa inusitada, um pedido de casamento, sim o garoto pediu seu namorado em casamento. Esse momento bonito emocionou a todos que aplaudiram e ovacionaram muito. Uma ótima maneira de fechar um show tão esperado e que com certeza ficará na memória. Mas, agora que sabemos que foi sucesso, é torcer para que ela volte o mais breve possível, com um disco novo, seja como iamamiwhoami ou ionnalee. Setlist: IntroWORKo (iamamiwhoami cover)BLAZINGfountain (iamamiwhoami cover)SIMMER DOWNt (iamamiwhoami cover)play (iamamiwhoami cover)TEMPLEchasing kites (iamamiwhoami cover)ISLANDNOT HUMANSAMARITANHARVESTy (iamamiwhoami cover) Bis:shadowshow (iamamiwhoami cover) (acapella)GONEblue blue (iamamiwhoami cover)goods (iamamiwhoami cover) Acompanhe ionnalee nas redes sociais: Facebook | Instagram

6 discos de shoegaze em destaque para 2018

Essa lista de 6 discos de shoegaze lançados em 2018 é dedicada a todos os adoradores do nosso querido rock sonhador e barulhento, é estranho como certas coisas tem o tempo certo para acontecer, digo isso porque é hilário que um gênero musical que teve início no fim dos anos 80 e começo dos 90 tenha sido enterrado até ressurgir das cinzas durante os anos 2000. O mesmo tipo de música que faziam alguns torcerem o nariz, uma vez que o grunge e o britpop dominavam as paradas. Vemos muitas bandas surgindo no mundo e inclusive aqui no Brasil, estamos em 2018 e ainda tem muita coisa pra rolar, muito disco pra sair, enquanto não ouvimos nada novo do nosso querido My Bloody Valentine e Slowdive, listamos aqui alguns lançamentos de ótimas bandas que tem me impressionado, e é isso, vamos manter o shoegaze vivo! Kraus – Path (2018) Banda liderada por Will Kraus, um jovem de 22 anos do Texas que costumava criar músicas em seu quarto. Path é seu segundo disco, e mesmo que traga músicas na veia lo-fi do shoegaze dos anos 90 ele também soa moderno e criativo, barulhento, melódico, com distorções e vocais que as vezes fazem parte do instrumental. 93MillionMilesFromTheSun – New Fuzz EP (2018) Novo EP dessa banda inglesa já bem conhecida no meio underground do shoegaze, seu som é mais frenético, com várias camadas de guitarras, mas é uma boa pedida para quem justamente curte um som mais barulhento. Teenage Wrist – Chrome Neon Jesus (2018) Trio californiano formado por Kamtin Mohager , Marshall Gallagher e Anthony Salazar, Chrome Neon Jesus é o primeiro disco da carreira, ele combina guitarras distorcidas com vocais etereais, e explora o lado emocional em suas letras, Marshal descreve isso como: ”perceber que o mundo é maior, mais brilhante e aterrorizante do que você imagina”. Mint Field – Pasar de las luces (2018) Uma grata surpresa vinda desse duo mexicano de Tijuana, formado por Estrella Sanchez (vocal, guitarra) e Amor Amezcua (bateria, sintetizador) lançam seu primeiro disco Pasar de las luces. Durante as treze faixas escutamos um som melancólico e itinerante, com belas melodias alinhadas a vocais angelicais, todas as músicas são cantadas em espanhol o que traz uma identidade ímpar para a banda. Lowtide – Southern Mind (2018) Banda australiana formada em 2018 na cidade de Melbourne, esse é seu segundo disco de estúdio, as músicas são uma mistura de dream pop e um shoegaze bem melancólico, com melodias hipnotizantes. Drowse – Cold Air (2018) O Drowse vem da cidade de Portland, Kyle Bates é o único membro e traz mais um disco na bagagem, Cold Air foi gravado em sua própria casa durante uma temporada difícil de depressão, medicamentos e álcool que resultou em 12 composições com letras influenciadas por escritos religiosos de Anne Carson e Karl Ove. Siga as bandas nas redes sociais: Kraus93millionmilesfromthesunTeenage WristMint FieldLowtideDrowse Quer conhecer mais bandas, confira essa também matéria: Rebobinados indica #5 Shoegaze

Paradise Lost: os mestres do Gothic Metal retornam ao Brasil com seu décimo quinto disco

Os ingleses do Paradise Lost ainda vivem o auge de sua carreira, mesmo beirando os 30 anos, Nick Holmes (vocal), Gregor Mackintosh (guitarra), Aaron Aedy (guitarra) e Steven Edmondson (baixo) parecem ter uma fórmula certa de como manter um line-up consistente e até mesmo de como gravar discos de qualidade. É inevitável mencionar o quão importante os discos Gothic (1991) e Draconian Times (1995) são para o metal, se no início a banda era rotulada como um Metallica do death metal, hoje são vistos como os mestres de um estilo que as vezes causa um pouco de confusão nos headbangers, afinal esse tal Gothic Metal que se fala é muitas vezes comparado apenas a bandas como Tristania e Nightwish. Na verdade, ele começou com uma fusão entre o doom metal, o rock dos anos 80 e a música clássica, gêneros que vieram na música do Paradise Lost desde o início de sua carreira, a própria Gothic já tinha vocais femininos e algumas passagens clássicas. A banda foi cada vez mais se afastando da música extrema nos próximo discos, se em Shades of God (1992) Nick ainda continuava com seus vocais agressivos, por outro lado, as músicas começavam a trazer mais riffs melancólicos, sonoridade essa que se consolidou no disco Icon (1993), que começa a deixar os guturais de lado e traz um vocal mais arrastado e rasgado, sendo comparado ao de James Hetfield. Assim como um bom vinho, o Paradise Lost foi envelhecendo e ficando melhor, em 1995 lançam Draconian Times, provavelmente o melhor de sua carreira e o favorito de muitos fãs,  aqui eles são fortemente rotulados como Gothic Metal, pelo uso de pianos, teclados e riffs mais sombrios e melancólicos. Os próximos anos foram de experimentação, One Second e Host são os discos mais diferentes de toda a discografia, alguns fãs torcem o nariz, outros amam e até consideram como um dos melhores da carreira. One Second passa a deixar o peso de lado e caminha em um som com sintetizadores, pianos e cordas, um disco mais rock comparado com os anteriores, mas que mesmo assim trouxe músicas que são tocadas pela banda até hoje, como a própria faixa título e Say Just Words. Em 1999, o velho Paradise Lost está definitivamente morto e dá luz a um som totalmente influenciado por Depeche Mode, com abuso de batidas eletrônicas, guitarras e sintetizadores, e Nick se aventurando em um vocal mais pop, até as roupas pretas e os cabelos compridos e bagunçados deram lugar a um visual mais moderno, quem diria, roupa colorida e cabelo arrepiado? Believe in Nothing, é um disco ponte e tenta retomar aos poucos a sonoridade antiga, porém sem tanto sucesso, o álbum é rejeitado pela própria banda, mesmo tendo ótimas músicas como os hits Mouth, I Am Nothing e Fader. Em Symbol of Life as coisas vão se encaminhando entre um som um pouco mais pesado e moderno, um ótimo disco, que de quebra trouxe dois covers maravilhosos de Xavier (Dead Can Dance) e Smalltown Boy (Bronski Beat). Em 2005 sai o auto intitulado Paradise Lost, que seria mais um ”Symbol of Life 2.0”, foi a partir do disco In Requiem (2007) que definitivamente a música extrema tomou conta das composições que ficaram até mais sombrias, com certeza um dos melhores da era atual. Com a bela recepção do disco e uma grande turnê que passou até por São Paulo em 2008, a banda continuou firme, lançando o aguardado Faith Divides Us – Death Unite Us (2009) que continua o legado do antecessor e trouxe mais esperanças de que sua música voltasse a forma dos anos 90, essa fase Gothic Metal perdura até o próximo álbum Tragic Idol (2012), que acaba sendo mais uma continuação. Eis que em 2015 o décimo quarto disco The Plague Within volta às origens e traz um som mais cadenciado, pesado e também com guturais, para a alegria dos saudosistas dos primeiros discos. No Hope in Sight é uma das mais adoradas pelos fãs, pois traz justamente aquela mescla de riffs melancólicos, peso e vocais alterando entre agressividade e algo mais soturno. Na turnê do disco, músicas do início da carreira são tocadas ao vivo, como Gothic, Embers Fire, True Belief e até Eternal. Pra continuar essa saudosa era, a banda lança o seu décimo quinto disco intitulado Medusa, ele pode ser considerado uma mistura entre o passado e presente, as músicas From the Gallows e Blood and Chaos são destaque e vem sendo apresentadas nos shows, com um som pesado e cheio de belos riffs e Nick mostrando boa forma ao entonar seus vocais maléficos. Em 2018 os discos Host e Believe in Nothing foram remasterizados, e a banda voltou a tocar músicas como Mouth, Forever Failure e Hallowed Land. A última passagem em nosso país foi em 2015 no Epic Metal Fest, festival idealizado por membros da banda holandesa Epica que aconteceu em São Paulo na Audio Club, produzido também pela Overload e contou com Finntroll, The Ocean, Tuatha de Dannan, Xandria e o próprio Epica. Agora eles voltam para dois shows em nosso país, dia 31/08 no Teatro Rival BR no Rio de Janeiro, dia 01/09 no Carioca Club de São Paulo e finalizando dia 02/09 no Bar da Montanha em Limeira. Overload orgulhosamente apresenta: Paradise Lost em São Paulo   Data: 01/09/2018 (Sábado)Local: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 -Pinheiros (próximo ao metrô Faria Lima)Abertura da casa: 17h30Início do show: 19h00Classificação etária: 16 anos14 e 15 anos: entrada permitida com responsável legal, mediante apresentação de documento INGRESSOS:Pista meia ou promocional – : R$ 120,00*Camarote meia ou promocional – R$ 180,00* *O ingresso promocional antecipado é válido mediante a entrega de 1 kg de alimento não-perecível na entrada do evento. Pontos de venda:Carioca Club – Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros– Segunda/sábado: 12h00 às 20h00– Sem taxa de conveniência– Pagamento apenas em dinheiro VENDA ONLINEClube do Ingresso – www.clubedoingresso.com– Com taxa de conveniência– Pagamento em cartão de crédito ou boleto Mais pontos de venda com taxa de conveniência: http://www.clubedoingresso.com/ondecomprar

Them Are Us Too finaliza um ciclo com disco póstumo emocionante

Amends é um disco póstumo na carreira desse jovem duo de São Francisco, Califórnia, formado em 2012 por Kennedy Ashlyn e Cash Askew. Cash faleceu tragicamente em 2016 em um incêndio a uma casa de performances chamada Ghost Ship em Oakland. A dupla já vinha trabalhando em algumas demos depois de seu primeiro disco, Remain lançado em 2014, em homenagem a memória do ex membro, Kennedy Ashlyn resolveu entrar em estúdio com o tio, a namorada e amigos dele junto do produtor Joshua Eustis para finalizá-las e criar novas composições. A faixa que abre o disco é Angelene, o vocal hipnótico de Kennedy nos faz lembrar facilmente Kate Bush, uma aura totalmente voltada aos anos 80, com synths bem ambientes e baterias eletrônicas. Em Grey Water temos batidas também marcantes, e fica difícil não comparar com o som feito pelo Cocteau Twins, com guitarras mais viajantes e vocais etéreos. A terceira faixa é Floor, ela se diferencia pelo ritmo mais frenético acompanhado das guitarras mais barulhentas e Kennedy em vocais mais entonados, uma faixa que tocaria facilmente em uma pista de dança de um clube gótico. Em seguida, No One, continua com o feeling nostálgico, mas com uma intensidade ímpar nos vocais, casando os belos sintetizadores com as guitarras mais duras durante o refrão, os vocais com certeza são um dos maiores destaques desse disco, pois ficam marcados a cada audição. Could Deppen é a faixa mais longa do disco, mas com uma vibe tão boa que seus 9:48 minutos passam voando. Em um ritmo lento e emocional, riffs de guitarra ao estilo dream pop, Kennedy soltando a voz em uma atmosfera celestial, destaque para os últimos momentos que atingem uma carga de emoção forte: ”I wanted to be something that I’m just not, A thousand lies, a thousand lies…”, a forma como a música evolui de um clima mais dramático para algo mais leve é incrível. Pra concluir o disco temos a faixa título Amends, ela encaminha o ouvinte ao fim desse sonho, pois todo o disco soa como uma viagem cheia de emoções entre perda, despedida e sentimentos profundos, em seguida nos resta apenas o silêncio e algum tipo de reflexão sobre nossa breve existência. Acompanhe a banda nas redes sociais: FacebookInstagram

Rebobinados indica #2

Balún Banda formada em 2003 na cidade de San Juan, Porto Rico, lançaram seu segundo disco Prisma Tropical, que vem de um intervalo de dez anos desde o debut lançado em 2016. Durante as 16 faixas escutamos melodias simples e cativantes, que passeiam por estilos como folk, dream pop, experimentalismo e até reggaeton. Uma boa pedida para fãs de dream pop. Anna von Hausswolff Anna é uma sueca de Gotemburgo, traz na bagagem seu terceiro disco de estúdio Dead Magic gravado durante os nove dias que passou na Dinamarca. Um pop avant-garde com fortes influências de Dead Can Dance, algo que nota-se de primeira em seus vocais que são com certeza um dos pontos fortes, uma boa pedida para fãs de DCD, Lycia e This Mortal Coil. Sad Fuzz 52 Direto de Sorocaba, cidade conhecida por seu cenário incrível de bandas de rock e também uma boa rota de shows, o duo Sad Fuzz 52 formado por Áira Machado (bateria) e Paulo Avance (guitarra, vocal) fazem aquele som com espírito jovem, bem intenso, bem rockeiro, influenciado por estilos como shoegaze, pós-punk e rock alternativo. Infinitas Insônias é seu primeiro EP, lançado pela Solana Records. Pram O Pram surgiu por volta de 1990 na Inglaterra, sua música experimental flerta com o pop e psicodelia. O oitavo disco da carreira é Across the Meridian, lançado nesse ano, um prato cheio para quem pensa fora da caixinha. Warmest Winter Inicialmente formado como projeto solo de Tiago Duarte, o Warmest Winter se transformou em um quarteto, o disco the world is a terrible place yet i’m terrified of dying tem influências do pós-punk inglês e shoegaze, alternando momentos de calmaria e agressividade junto de letras fortes sobre sentimentos da vida cotidiana e a morte. Mais um lançamento da Lo-Slow Records junto da Salitre Records. Deaf Wish Temos aqui órfãos dos queridos Sonic Youth, um som que mistura punk, noise e indie, assim como se fazia no início dos anos 90. Uma banda relativamente nova, formada na cidade de Melbourne, na Austrália em 2007, Lithium Zion é seu quinto disco. Boa pra quem gosta de um barulho. Auramental Se a sua praia é um rock psicodélico, então você precisa ouvir o som desses caras. O Auramental foi formado em 2014 no Rio de Janeiro e são grande promessa pro stoner nacional, há dois meses lançaram seu mais novo single para a música “Aura”, uma viagem cósmica rockeira bem maneira que vai fazer você pirar. White Ring Gosta de música eletrônica? Trevosa? Então esse disco é pra você! Brian e Kendra são um duo de Witch house, e o seu White Ring é um dos nomes principais do gênero, uma mistura de música dark, glitch, trap… responsável por agitar raves lotadas em países como EUA e Rússia. Gate of Grief é seu primeiro disco cheio, lançado depois de um período de quase oito anos desde o primeiro EP. Fogo Caminha Comigo Lançado há um ano atrás, A melancolia vai nos separar, outra vez é o primeiro disco do Fogo Caminha Comigo, que abriu as portas de seu quarto e deu vida a um conjunto de composições com belas letras e um som influenciado por lo-fi, emo e shoegaze, gravado em um período de apenas 28 horas. Os selos Banana Records e Lo-Slow Records foram responsáveis pelo lançamento.

Deafheaven vive seu momento mais glorioso em Ordinary Corrupt Human Love

No dia 13 de Julho, sexta feira bem trevosa, Deafheaven lançou seu último disco o Ordinary Corrupt Human Love. Nesse meio tempo já rolou muita controvérsia nas redes sociais sobre esse disco ser o novo preferido da galera ou se aclamado Sunbather (2013) continua sendo o preferido. Teve gente que gostou e teve gente que odiou. Mas nós vamos te contar o que achamos dele. Essa é uma das bandas mais incríveis dos últimos tempos. E eu tenho certeza disso, por mais que alguns fãs mais conservadores de black metal discordem de mim. Eu acredito que a intenção da banda nunca foi ser “true black metal”, até porque o visual deles nem remete a isso. É blackgaze e esse estilo consegue ser bem amplo e se comunicar tão bem com outros estilos como post rock, ambient, DSBM, atmospheric e por aí vai. E a banda inova e se reinventa a cada disco e isso fica claro com Ordinary Corrupt Human Love. Eu particularmente gosto bastante do New Bermuda (2015), apesar de não conhecer ninguém que goste desse álbum ou que o prefira ao Sunbather. Acho um excelente disco, foi o disco que me fez conhecer a banda e ele consegue me emocionar bastante. Ao vivo é excelente também. Eu já imaginava que a banda iria se esforçar para impressionar com o álbum novo, mas as minhas expectativas foram superadas. A estética do disco segue bastante o que a banda costumava postar nas redes nos últimos tempos. Para quem acompanha o Clarke, fica óbvia a influência das poesias e outros trechos de livros que ele continua compartilhando. Esse disco balanceia perfeitamente a suavidade com a agressividade, elementos de shoegaze e black metal respectivamente, com uma fluidez tremenda. Esse disco tem uma pitada de melancolia, mas apenas o suficiente para dar o tom, sem se deixar levar pela tristeza. Essa pitada também leva esperança, romance, suavidade, doçura.  É como se apaixonar e ao longo dele você aprende a amar. Parece extremamente brega quando digo isso, mas essa é a sensação que me passa e no final das contas não fica brega. A jornada soft começa com You Without End. O piano nessa música é sensacional e ele marca o tom da nossa belíssima experiência. Eu não conseguiria pensar em uma “intro” melhor. A gente nota que tem bem menos blast beat que nos outros trabalhos da banda, a transição para o shoegaze e post rock é bem mais definida. Para quem não é muito fã de black metal, esse disco é uma perfeita introdução, porque uma enorme inspiração do gênero e o torna bem mais suavizado e fácil de ouvir. O baterista Daniel Tracy sempre preciso e meticuloso em suas viradas não deixa a desejar e nos proporciona uma linha de bateria interessantíssima e muito rica. Na sequência vem  Honeycomb e ela tem um trecho que consegue sintetizar a estética do disco. É quase como se a banda estivesse mostrando um outro lado seu, um lado mais romântico, mais sensível e que se permite mais sentir as coisas sem ter vergonha alguma disso. É o lado artístico sendo relevado e com ele vem uma maturidade muito grande na medida que você consegue se expressar. “I’m reluctant to stay sad Life beyond is a field a flowers My love is a nervous child Lapping from the glowing lagoon Of their presence My love is a bulging, blue-faced fool Hung from the throat By sunflower stems” Canary Yellow descrita pelo George como uma “música sobre viver na memória de outros”. É bem fácil de sentir uma grande nostalgia nessa faixa, o Kerry McCoy é mestre em traduzir sentimentos em suas belíssimas melodias. Possivelmente um dos meus guitarristas preferidos, porque consegue criar músicas deslumbrantes, suntuosas e magníficas. Só as melodias já são um show a parte e eu não preciso nem mencionar o excelente uso dos pedais para criar a atmosfera perfeita nos solos e nos momentos onde o shoegaze brilha enquanto traz a calma depois da tempestade. Near é uma das músicas mais bonitas e tranquilas do álbum, bem post rock e bem melódica. Temos um vocal limpo nos três versos da canção que mostra as outras faces da banda.  Glint é uma daquelas músicas que a gente faz um headbanging bem orgulhoso, tem a volta dos blast beats, da agressividade e a pungência da guitarra. Consigo até imaginar o stage diving dos fãs quando a banda trouxer essa turnê para o Brasil. Night People é literalmente a música mais bonita e a que eu mais gostei do álbum. Primeiro pela Chelsea Wolfe e depois pelo vocal lindo e limpo do George. Ninguém fazia ideia de quão belo era seu vocal limpo e do quão poderoso ele é. Não tem uma música que seja mais romântica que essa, mesmo se a letra estivesse dizendo qualquer outra coisa eu poderia dizer que só há romance entre os vocalistas.  É magnífico como as duas vozes se mesclam, se cruzam, se completam e se emaranham deliciosamente. Se eu estivesse descrente do amor, eu voltaria a acreditar depois dessa música, de tão poderosa e lindíssima que ela é. O clipe recentemente lançado transmite bem esse sentimento com a sobreposição de imagens dos dois, quase como se um fizesse parte do outro, em uma dualidade que se completa e se satisfaz. Worthless Animal é a última faixa do disco, encerrando nossa jornada pelas terras misteriosas e sinuosas desse romance. Uma mistura de sensações trazidas por Canary Yellow e Glint, que convergem num tom de despedida e com mais um tanto de melancolia. E já que mencionamos a turnê, a banda está em turnê pela América do Norte com Drab Majesty e Uniform anunciou uma tour pelos Estados Unidos com DIIV em Outubro e Novembro, logo depois tem tour pela Europa também. Certamente vivendo seu auge, esperamos que em breve tenhamos shows aqui no Brasil também. O álbum está disponível em suas plataformas preferidas de streaming:

7Peles: conhecendo a misteriosa banda carioca de black metal

7peles

O 7Peles é uma banda de Black Metal do Rio de Janeiro, formada em 2016 por músicos de identidade ainda desconhecida, eles se nomeiam com o mesmo nome da banda. Até o momento lançaram três singles, ‘Qayin’, ‘Heylel’ e ‘Yehudhah Ish Qeryoth’, o primeiro disco de estúdio está previsto para ser lançado ainda no fim desse ano. Eles fazem parte de um subgênero dentro do black metal, categorizado como black metal ortodoxo, onde reconhecem Satã como uma entidade legitima e o Deus cristão como uma entidade tirânica, ou seja, uma adoração a nível religioso e metafísico. Nesse conjunto de ideias, são discutidos assuntos em cima de crenças do Luciferianismo, satanismo teísta e gnosticismo. Os shows parecem cultos, com castiçais e velas, altar, os integrantes geralmente escondem seus rostos completamente e usam vestimentas semelhantes a túnicas. A música traz forte influência do black metal no início dos anos 90, com a adição de uma atmosfera mais sombria ainda, com riffs de guitarra dissonantes e até mesmo cantos gregorianos. O 7Peles ainda que uma banda nova, tem conquistado uma boa legião de fãs pelo país, foram responsáveis por tocar ao lado do Mayhem, lenda do black metal, onde de quebra tiveram a ilustre participação do vocalista Attila Csihar (Tormentor, Mayhem, SunnO))) no palco ao apresentar um cover de Beyond, música de sua antiga banda Tormentor que está voltando a ativa. Em setembro eles participarão do No Class Festival II, ao lado dos suecos do Marduk. A banda conversou com a gente sobre sua origem, estética, a experiência de tocar ao lado do Mayhem e planos para o futuro. O 7 Peles é uma banda relativamente nova, o que podem nos contar sobre a origem e ideias que os levaram a formar a banda? Boa noite irmãos, boa noite irmãs… o 7PELES surgiu da reunião de músicos, amigos em comum, de outros projetos, outros estilos musicais, porém com a mesma paixão em comum: o Black metal. Sobre as identidades escondidas dos músicos, vocês acham que há um interesse maior na música quando não se sabe quem está por trás dela, ou trata-se apenas de uma questão ”teatral” estética? É simplesmente uma questão de RELEVÂNCIA… nada interessa, que não o 7PELES como um todo… e isso não se trata apenas dos músicos pois todos vós sois o 7PELES! Algumas bandas do gênero black metal ortodoxo tem ficado populares, como Batushka e Cult of Fire que recentemente se apresentaram em nosso país. O 7Peles se enquadra nesse gênero e o que vocês pensam sobre isso? Dentro do contexto ocidental SIM! Uma vez que utilizamos a escritura usada pelos exploradores da fé alheia. Como é fazer música com essa temática em um país considerado laico, mas que tem a maior população católica do mundo? Laico????? HAHAHAHAHAHAHAHA… aqui mesmo em nosso município vivemos o DESGOVERNO de um maldito Bispo! A bancada evangélica cresce a passos largos… Não sei dizer nem se os católicos ainda prevalecem… Não me importa também! A grande MERDA é que esses evangélicos são entusiastas… CHATOS e suas lideranças extremamente mal intencionadas, mas por enquanto ainda temos liberdade para nos expressarmos… e assim faremos! Vocês tem apenas três singles lançados, mas tem uma boa legião de fãs para uma banda nova, pretendem lançar disco completo ainda este ano? O primeiro evangelho do 7PELES, será finalizado até o fim do ano!!!! As letras das músicas são em inglês e português, vocês pretendem manter esse padrão ou terão composições futuras somente em português? Procuramos fazer refrões ou momentos marcantes em português para que fique bem clara a mensagem a todos os nossos… e temos sim uma palavra, já pronta, toda em português. Atualmente vocês se apresentaram ao lado do Mayhem, banda lendária do Black Metal, como foi essa experiência? O MAYHEM é um ícone do gênero… escreveram a grande obra prima do Black Metal. Só o fato de ter participado do evento já seria uma grande honra… mas como para o 7PELES e todos os seus as vitórias e conquistas são imensuráveis, ainda tivemos o prazer de receber no palco o próprio ATTILA CSIHAR, para cantar uma canção conosco… foi ÉPICO! Não só para o 7PELES mas para toda história do metal nacional. Quais os planos futuros da banda, pretendem lançar algum vídeo clipe ou turnê pelo país? O 7PELES tem um grande plano para todos vocês… ampliar nosso ministério mais e mais, conduzindo todos num caminho de conhecimento, sabedoria… e por que não muita diversão e bons momentos! AMÉM??? Agradecemos a banda pelo tempo em responder as nossas perguntas. Siga a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube Escute o 7Peles:

Killing Joke pela primeira vez no Brasil, motivos para não perder esse show

O Killing Joke é um dos principais nomes do post-punk inglês, e tudo começou em 1978 quando Jaz Coleman (vocal), Kevin “Geordie” Walker (guitarra), Martin “Youth” Glover (baixo) e Paul Fergusson (bateria) se juntaram para o lançamento do primeiro EP Almost Red, que inclusive só foi gravado pois a namorada de Coleman na época emprestou o dinheiro para a banda, o disco chamou a atenção da BBC Radio, que os convidou para uma performance ao vivo. Exatamente em 1980 a banda fecha com a gravadora EG e lançam o primeiro disco de estúdio, auto intitulado Killing Joke, a partir daí começam a fazer sucesso, os  shows, no entanto, fizeram algumas pessoas torcerem o nariz, pois traziam imagens controversas relacionadas ao nazismo (como na capa da coletânea Laugh? I Nearly Bought One, que mostra um papa abençoando uma legião de nazistas), mesmo assim se mantiveram bem com seu som pesado e dançante. No ano seguinte, sai o segundo disco, What’s this For …! e mantém sua boa reputação, mas a partir do terceiro disco Revelations de 1982, o vocalista Jaz Coleman deixa a banda para se aprofundar em sua ligação com o ocultismo, acreditando que o Apocalipse estava próximo ele viaja para a Islândia com o guitarrista Kevin ”Geordie”. Em 1983, os membros retornam à Inglaterra e se juntam novamente para gravar o quarto disco, Fire Dances, com uma postura mais pacífica comparado aos lançamentos anteriores. O sucessor Night Time trouxe o hit Love Like Blood que obteve boas posições nas paradas, mas ainda assim não teve todo o alcance que os seus primeiro discos, durante a década de 80 a banda ainda lançou mais quatro álbuns, entre trocas de line-up resolveram dar uma pausa de cerca de quatro anos, e retornaram como trio em 1994 para o lançamento de Pandemonium, e logo após afirmaram que fariam a gravação de seu último disco, Democracy lançado em 1996. Em 2003 a banda retorna a ativa e lança novo material, mais uma vez intitulado Killing Joke, que até hoje causa um pouco de confusão com o primeiro lançamento de 1980. Aproveitando a nova turnê, gravam um álbum ao vivo, XXV Gathering: Let Us Prey de 2005 e posteriormente mais um EP Hosannas from the Basements of Hell, nesse mesmo ano o ex-baixista Paul Raven que participou do disco Fire Dances substituindo Martin Youth falece de um ataque cardíaco, toda a banda esteve presente no funeral e em sua homenagem se reúnem com a formação original. Após uma turnê mundial, entram em estúdio para a gravação de Absolute Dissent (2010), seu décimo quarto disco. Os próximos anos são de turnê, a atual formação ainda lançou MMXII em 2012 e Pylon de 2015, inclusive muito elogiado pela media da música. Agora em 2018 a banda comemora 40 anos de carreira com sua turnê Laught at Your Peril: 40th Anniversary Tour e felizmente já tem presença confirmada em setembro na América do Sul, com shows no Brasil, Argentina, Chile e Peru. Sabe por que você não pode perder? Simplesmente porque esses shows serão únicos, com apenas uma data em São Paulo, no Carioca Clube, onde se apresentarão pela primeira vez tocando músicas de toda a carreira, uma banda importante no cenário do post-punk e rock industrial, com shows explosivos e pesados. Se você conhece a história da banda, com seus altos e baixos, trocas de line-up e diversas pausas sabe bem que não pode perder essa chance né? Serviço:Killing Joke – “Laugh At Your Peril – Fortieth Anniversary World Tour – Brasil 2018” Data: 23/09/2018Local: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros – São Paulo/SPAbertura da casa: 17 horasApresentação: 19 horas Ingressos:1º lote – PistaR$100,00R$200,00 1º Lote – CamaroteR$160,00R$320,00 Evento no Facebook: www.facebook.com/events/232988214105286/Realização: EV7 Live

Já podemos afirmar que FITA é um dos álbuns do ano?

Talvez esteja meio tarde pra resenhar sobre esse álbum. Mas eu acredito que nunca é tarde demais para falar sobre o que a gente gosta. E o que eu gosto no momento é desse álbum. Resenhar sobre álbuns não é nem de longe o meu forte, especialmente porque eu só consigo falar de algum disco quando eu crio algum tipo de conexão emocional com ele. Quando as músicas me comovem e me trazem sensações intensas. E esse é justamente o caso aqui. Então, na verdade, resenha nem é a palavra certa a ser usada aqui. Eu vou simplesmente ter que abrir meu coração e tentar convencer todo mundo que está lendo isso a se apaixonar pelo FITA junto comigo. Já falei sobre a Oxy anteriormente nesse post aqui, mas não parece o suficiente. Ainda mais quando eu me peguei ouvindo esse álbum no repeat nos últimos dias. Gostei tanto que eu estava praticamente cantando junto enquanto o ouvia no ônibus. É um álbum muito coeso e harmônico. Eu não mudaria nada nele e nem tiraria alguma música dele. As linhas de baixo, os solos de guitarra, a bateria, os vocais… É tudo perfeito. Os clipes das músicas são incríveis, a fotografia, toda a identidade visual e o Enzo Correia é o cara por trás disso, ele faz tudo ser mais visual e palpável. A primeira música, Into, de cara já nos joga na atmosfera sonhadora, doce e angelical proporcionada pela voz angelical da Sara. É difícil descrever tudo que esse álbum consegue me passar em termos de sentimentos. Vai soar bem cafona isso que eu vou dizer, mas é como se eu fosse transportada pra outra dimensão ou pra uma vida passada minha. O meu eu vivendo em alguma noitada dos anos 80 e 90. Algumas músicas com a vibe do shoegaze também me proporcionam essa sensação. Mas nunca com a intensidade que FITA me transportou. É uma sensação muito boa, te tira da realidade e te leva a um lugar por ora tranquilo, ora intenso, ora animado e colorido. Outra coisa que eu também consigo notar é que eu não consigo desgostar de nenhuma música, mesmo que num primeiro momento eu já não a defina como uma das minhas preferidas, ao longo da música surge algum pequeno elemento diferente que me prende e no final das contas eu me pego cantarolando e querendo ouvir de novo e de novo e de novo. Eu não faço ideia de como eu posso definir esses elementos, porque às vezes são trechos de música que grudam, de uma maneira bem positiva, na minha cabeça. Pink Socks consegue me conquistar logo de primeira, sua vibe alegre nos faz querer dançar. Certamente é um dos destaques de um álbum impecável.  Aliás, Oxy nunca nos decepcionou. O EP lançado em 2016 é uma das preciosidades que jamais poderemos esquecer. Um belíssimo trabalho que me fez conhecer e admirar a banda, e que é reflexo de todas as nuances, elementos diversos e ricos que temos no FITA. É shoegaze, dream pop, post-rock, tudo junto e misturado que resulta num som incrível e único. Eu consigo eleger a minha preferida nesse álbum. Foi uma tarefa difícil, mas a escolhida foi Carriage. Eu tenho certeza que a Sara Cândido, o Blandu Correia, o Lucas Eduardo Pereira, o Marcelo Vasconcelos e Thiago Neves compartilharam um pedacinho da mente para poder fazer algo tão bonito quanto essa música. Eu não tenho adjetivo melhor para descrevê-la do que perfeita. Consigo colocá-la na minha lista de músicas preferidas de todos os tempos facilmente. Ela é melancólica, mas é agitada e acelerada ao mesmo tempo. É viciante e você termina de ouvir e já quer ouvir de novo e quando vê já está cantando junto. Porque só pra tentar escrever esse parágrafo para poder de alguma maneira tentar descrevê-la, eu fui obrigada a ouvir umas 8 vezes, de tão boa que ela é. E eu um dia adoraria aprender a tocar o solo de guitarra que aparece quase no final da música. Fairytale me traz a mesma vibe do shoegaze japonês, certamente não teve essa intenção, mas é reconfortante perceber isso. Provavelmente é uma das músicas mais doces presentes no disco e com um refrão mais adorável ainda. Sempre há algo de reconfortante em músicas com vocal feminino, aliás essa é uma das coisas que eu mais admiro no nicho shoegaze/dream pop e uma das razões pelas quais esse é meu nicho preferido. Trying é outra das minhas preferidas. Mais um solo incrível no meio, mais um refrão excelente, letras ótimas que te fazem querer ouvir várias vezes. A vibe anos 90 é certeira, eu me sinto em casa apesar de ter nascido em 95 e de nessa época não ter noção do que estava acontecendo. 80’s é a atmosfera Beach House da maneira mais descolada possível. É como uma despedida triste que anuncia o fim do disco. Essa é pra você ouvir e ficar borocoxô, e depois se animar e ouvir o disco inteiro de novo. Eu mal posso esperar pela vinda da Oxy para São Paulo e curtir ao vivo todas essas músicas maravilhosas. Não preciso nem falar que é uma das bandas que certamente vão estourar nos próximos meses. O sucesso, nacional e internacional, é certo. Mais uma coisa notável nesse álbum é de como ninguém teve medo de ousar, de soltar a voz e inovar. O resultado disso é um dos melhores álbuns que já tive o prazer de ouvir. Renova as esperanças em todo o talento que temos no país, todo o potencial que os jovens tem. Faz valer todo o esforço e dedicação que colocamos no blog e em descobrir novos artistas, porque no final das contas, a música vale muito a pena. Acompanhe a Oxy nas redes: Bandcamp Facebook Site Instagram

Cinco discos de black metal em destaque para 2018

Abstracter – Cinereous Incarnate Em seu terceiro disco de estúdio lançado pela Vendetta Records, essa banda americana de Oakland, CA, apresenta durante as seis faixas um som extremo e soturno, com momentos que vão de blast-beats furiosos a passagens mais cadenciadas e cheias de riffs obscuros criando uma atmosfera das profundezas do mau. As influências vão de black e death metal ao doom. Uada – Cult Of A Dying Sun Mais uma banda americana, dessa vez de Portland. Esse é o segundo disco lançado pela Eisenwald Tonschmiede, os riffs precisos e as melodias os encabeçam mais dentro do Melodic Black Metal, mas momentos mais crus lembrando o saudoso som feito no fim da década de 80, também se fazem presentes nas sete faixas que compõem o disco. Destaque para a faixa Snakes & Vultures. GAEREA – Unsettling Whispers De identidade ainda misteriosa, a banda foi formada em 2016 em Lisboa, Portugal. Esse é seu segundo disco de estúdio, e traz um black metal com influência de outros estilos como sludge e death metal, vem sendo muito bem recebido pela crítica européia, assim como os vídeos que também são bem produzidos. Destaque para as faixas Absent e Whispers. Imperial Triumphant – Vile Luxury O Black metal americano ganhando força em 2018, Vile Luxury é o quarto disco desse trio que surgiu em meados de 2005. A banda faz um som técnico e progressivo, mas totalmente fora do clichê, aqui as músicas tem quebras de tempo bem interessantes, com direito a pianos, coros e saxofones. Destaque para as faixas Lower World e Chernobyl Blues. Drudkh – Їм часто сниться капіж (They Often See Dreams About the Spring) Os ucranianos do Drudkh são bem conhecidos na cena do black metal atmosférico, esse ano lançaram seu décimo segundo disco. A combinação de riffs ríspidos e melódicos flerta também com a música folk, que mesmo acompanhados de um vocal agressivo conseguem criar atmosferas densas. Destaque para as faixas У дахів іржавім колоссю… e Накрите небо бурим дахом.

Rebobinados indica #1

O ano de 2018 continua sendo bem produtivo, e por conta disso criamos esse post para indicar lançamentos, de diversos gêneros, bandas conhecidas ou não, o que importa é divulgar o máximo de música possível para todos que leem esse blog. Nesse post temos pérolas que encontramos no bandcamp. Temos vários estilos como blackgaze, post-rock, atmospheric black metal, ambient e post-metal, mas a ideia do Rebobinados indica é trazer vários estilos/gêneros bacanas e interessantes de músicas boas. O importante é que seja boa! Vamos procurar trazer mais músicas e bandas diferentes para vocês ao longo do tempo. E se você tem alguma banda que queira ver na nossa próxima postagem, deixe sua indicação nos comentários que iremos ouvir. Habitants Habitants é uma banda holandesa que está lançando seu primeiro álbum em 2018. Esse é um álbum que eu aguardava há meses e a espera não foi em vão. A expectativa vem desde o single Meraki lançado em 2017 que conquistou uma legião de fãs sozinho. O disco veio apenas para estreitar essa relação incrível. É difícil definir o gênero, provavelmente uma mistura de darkwave, indie pop, post-rock e um pouco de shoegaze. É suave e delicado como a incrível voz da Anne van den Hoogen que embala essa deliciosa experiência do começo ao fim. We Made God Banda islandesa de post-metal formada em 2004, com três discos de estúdio lançados, sendo o mais atual Beyond the Pale, com oito faixas cheias de climas entre peso e atmosferas que dão forma a uma sonoridade profunda e bonita. Pale Temos várias bandas com esse mesmo nome, mas a Pale que nós nos referimos é a banda de post black metal japonesa. Além disso, também temos vários elementos de blackgaze, post metal e atmospheric black metal. Nós indicamos o último EP deles, lançado em julho, é bem pauleira e mostra a variedade de gêneros e nuances de bandas do Japão. Unreqvited É um projeto solo canadense de DSBM, post black metal, blackgaze e atmospheric. Já indicamos essa banda no nosso post sobre blackgaze, mas vale a pena conferir o álbum Stars Wept to the Sea lançado em Abril. Esse é um grande momento para o blackgaze, que vem ganhando força e robustez nos últimos meses e Unreqvited é um dos belos frutos que podemos apreciar. Sojourner Sojourner é uma banda composta por membros de países como Nova Zelândia, Suécia e Itália de atmospheric metal com grande influência de folk. Seu segundo álbum, lançado em Março, The Shadowed Road foi gravado em partes por cada membro da banda ao redor do mundo e também mixado e masterizado em lugares diferentes. Sojourner está aí para mostrar que nem sempre é preciso que os integrantes estejam todos no mesmo lugar para lançar um excelente álbum. Apenas na hora de fazer shows que as coisas se complicam, mas vale a pena conferir. Black Book Lodge É uma banda de prog metal e stoner da Dinamarca. O álbum que indicamos é Steeple And Spire, lançado em Maio, que é o último da banda, tem uma pegada mais alternativa e não tão stoner quanto os outros trabalhos já lançados. Sam Haven É um projeto solo australiano de ambient. Também temos influências de atmospheric black metal, drone, post metal e post rock. A capa resume bem o que é apresentado no álbum lançado em Junho. É música melancólica e obscura, se você gosta de música triste, esse é o álbum perfeito. The Ever Living É uma banda britânica de post metal, sludge e atmospheric. A capa do álbum de estreia da banda chamado Herephemine não é exatamente a capa de um disco de post metal que a gente espera, mas certamente o som é bem mais do que a gente poderia sequer imaginar. O som é intenso e cinematográfico. Vale a pena conferir essa banda que dividiu palco com outras bandas excelentes como Rosetta e Ghost Bath, e também foi parte do Hammerfest IX. Bloodbark É uma daquelas bandas misteriosas de metal que preferem não revelar suas identidades e nem de onde vieram. E geralmente essas bandas são bem boas, Bloodbark não deixa a desejar com seu atmospheric black metal, post black metal, blackgaze e ambient. Seu único álbum, Bonebranches, lançado em Janeiro é uma experiência deliciosamente rica e intensa, consegue misturar vários gêneros sem perder identidade, sem parecer confuso e perdido. Se realmente existisse um gênero como epic black metal, Bloodbark certamente faria parte dele. Skyborne Reveries Projeto solo australiano de atmospheric black metal. Melodias melancólicas e sombrias, muito inspiradas pelo universo do Tolkien e que lembram o som das bandas Windir e Eldamar. Mesarthim Mesarthim é uma mistura black metal, DSBM, atmospheric e até black metal “cósmico” que formam algo singular e belo.  Esse duo australiano usa fotos da NASA em suas capas de discos, o último lançado em Abril é o The Density Parameter, vale a pena conferir.   Ephilexia Projeto solo da Hungria de música ambiente,  atmospheric, experimental e post rock. Suas músicas são bem suaves, melódicas e calmas. O álbum que indicamos é o segundo, lançado em março deste ano, Hope Is Our God.   Realm of Wolves Uma banda também da Hungria, mas de atmospheric black metal, DSBM, blackgaze e post black metal. Eles descrevem o próprio som como “sombrio, triste, furioso, mas também melódico e belo”. É mais uma das novas bandas de blackgaze que vale a pena conferir. Seu álbum de estreia, lançado em Maio, é excelente. Destacamos a música Fragments of the self. Esperamos que venham mais coisas boas pela frente conforme a banda vai ganhando personalidade e consistência.   Spurv Spurv vem fechar a nossa lista de indicações com seu instrumental e post-rock de Oslo, Noruega. Por mais que a Noruega seja conhecida por seu black metal de raiz, Spurv é uma melhores bandas de post rock do momento, representando e orgulhando bastante seu país. O álbum Myra, lançado em Maio, é considerado por muitos como um dos melhores do ano e, possivelmente, veremos a banda tocando em vários festivais europeus nos próximos anos.

Twin Peaks, shoegaze e psicodelia marcam a sonoridade do That Gum U Like

O casal Fábio Popinigis e Andressa vem de Brasília, a capital conhecida como berço do rock, mas pra falar a verdade o That Gum U Like está bem fora dessa ”bolha”, a começar pelo nome influenciado pela série Twin Peaks do incrível David Lynch. O duo traz uma sonoridade que gira em torno da década de 80, flertando com estilos como eletrônico, trip-hop, psicodelia, dream pop e shoegaze. Em 2014 lançaram o primeiro single Charlotte Sometimes, um cover do maravilhoso The Cure seguindo uma linha mais dream pop, que se encaixou perfeitamente nos vocais de Andressa, o que os fez continuar com a fórmula bem sucedida em 2017 ao lançar o próximo single, Falling Apart. The Black Lodge é o título do primeiro EP lançado em 2017 pelo selo Quadrado Mágico, que também é totalmente inspirado na série Twin Peaks. A faixa título e Killer que abrem o disco apresentam um clima mais cinematográfico, com uma vibe mais atmosférica/eletrônica, já Raika e Donna abusam mais das guitarras e ficam numa fusão entre o shoegaze/dream pop de bandas como Cocteau Twins e Curve, além disso todas as faixas do EP ganharam um remix. O lançamento mais recente é o single Biography que também já está disponível nas plataformas digitais. Se você não conhecia o som do That Gum U Like, pode dar o play agora mesmo, todos os singles e EP estão no Spotify. Siga a banda nas redes sociais: FacebookBandcamp

Sigrún, a nova face da música eletrônica islandesa

A Islândia, um país pequeno e exuberante, com paisagens de tirar o fôlego, deixou de ser apenas a rota favorita de viajantes do mundo todo, e tem se destacado por sua música que vem ganhando grandes proporções com artistas mega talentosos. Hoje iremos conhecer Sigrún, o projeto de Sigrún Jónsdóttir. É inevitável comentarmos sobre alguns nomes que trouxeram o país aos holofotes, a talentosa Björk que desde os anos 80 vinha fazendo música na cena punk com suas bandas KUKL e The Sugarcubes, e os queridos do Sigur rós que no início dos anos 90 trouxeram seu maravilhoso post-rock de outro mundo. Que a Islândia abriga artistas criativos e ousados nós temos certeza, inclusive o termo Icelandic music já se tornou um novo gênero para a música, pra comprovar isso, falaremos um pouco hoje sobre uma artista relativamente nova, mas que já teve experiências ao lado de grandes artistas e agora mostra um grande potencial com sua música autoral. Sigrún Jónsdóttir é uma jovem e talentosa artista, nascida na capital de Reikavýk na Islândia, com três EP’s lançados, sendo Smarti o mais recente de 2017, ela me conta que sempre esteve envolvida com música desde pequena, ”meu pai era professor de bateria na escola local de música em nossa cidade, então eu sempre estive por lá…”. Foi então que começou a estudar clarinete e trombone, o que lhe abriu portas para trabalhar como músico de sessão de ninguém menos que Björk, Sigur rós e atualmente Florence and the Machine, ” Foram experiências muito importantes para mim e aprendi tantas coisas disso, tanto como artista quanto como ser humano ”. Somando suas experiências em turnês mundiais ao apoio que artistas como ela tem em seu país, foi a hora certa para dar o próximo passo, e assim sua música começou a tomar forma. Talvez poderíamos classificá-la apenas como Icelandic music ou eletronic/experimental, isso não importa muito, na verdade, os sons conseguem transmitir sentimentos que vão da calmaria a agressividade passando por partes etéreas, e é justamente assim que ela classifica sua música, como temperamental. Ainda sem muitas informações pela internet, entramos em contato com ela que se prontificou a responder algumas perguntas sobre sua carreira, música e planos para o futuro. Primeiro, eu gostaria de saber se Sigrún é o seu nome verdadeiro ou apenas como decidiu chamar o seu projeto. Sigrún: Sim, Sigrún é o meu nome verdadeiro e decidi usá-lo como meu nome artístico também. Há quanto tempo você está envolvida com música? Você já teve outra banda ou projeto? Sigrún: Estive fazendo música desde que conheço a mim mesma. Meu pai era professor de bateria na escola local de música em nossa cidade, então eu sempre estive por lá. Eu estudei clarinete por anos e então comecei com trombone. Eu já estive em algumas bandas com amigos tocando clarinete e também trabalhei bastante como músico de sessão tocando trombone, fazendo turnê com artistas como Björk, Sigur rós e recentemente com a Florence and the Machine. Quais coisas te inspiram pra fazer música? Você sente necessidade de estar em conexão com algo ou apenas se isolar por algum tempo? Sigrún: Um pouco de cada, eu trabalho solitária e isso funciona para mim, mas ao mesmo tempo eu tenho certeza que preciso socializar também, então não fico muito só. Múltiplas coisas me inspiram a fazer música, meu amor por música em si é uma grande parte disso, e o poder real que a música e os sons tem sobre nós. E também as pessoas que estão ao meu redor e com quem trabalhei ao longo dos anos me inspiram grandemente, e a proximidade geral que isso traz às pessoas. Apenas ir a um clube e dançar juntos e sentir aquele baixo bater em seu corpo é tudo. Em 2016 você lançou dois EP’s Hringsjá e Tog, eles soam muito atmosféricos e experimentais, como é para você expressar seus sentimentos através de um tipo de música considerado complexo para alguns ouvidos? Sigrún: É um grande privilégio poder expressar meus pensamentos e sentimentos através da minha música e sou grata também pelas ferramentas que tenho para isso, levou um tempo para eu aprender e me encontrar no ambiente de trabalho que é o meu computador junto com meus instrumentos para poder trazer o que eu tenho agora. Muita paciência e repetição, mas principalmente, foi preciso esforço para silenciar as críticas internas para poder trabalhar em paz comigo mesma. Como a sua música tem sido recebida em seu país, tem muitas pessoas que te apoiam? Sigrún: Eu sinto que foi recebida muito bem e me sinto sortuda. O ambiente criativo na Islândia e as pessoas que o compõem são muito fortes e de apoio, eles sempre fazem questão de apoiar uns aos outros. As casas de show estão abertas para qualquer um e estão felizes em ver pessoas fazendo experimentos, junto com várias organizações musicais que se certificam em acompanhar coisas novas e apoiá-las. Recentemente a música islandesa tem sido muito procurada e muitos artistas são destaque fora do seu país. Para você, quais são as razões disso? Sigrún: Sim, e é muito interessante, na verdade. Recentemente a música islandesa cresceu muito para ser algo único, quase um gênero. Mas eu acho que isso é baseado na herança de obras de artistas como Björk e Sigur rós que abriram espaço para um playground muito fértil que teve a chance de florescer e se espalhar pelo mundo. Fiquei sabendo que você já trabalhou com artistas como Björk, Sigur rós e Florence and the Machine. Como foram essas experiências? Sigrún: Foram experiências muito importantes para mim e aprendi tantas coisas disso, tanto como artista quanto ser humano. Fiz turnês mundiais com esses artistas e como toda jornada, tem seus altos e baixos. Mas a coisa mais preciosa que tirei disso foi ver o quanto algo que você construiu pouco a pouco com paixão e alegria pela música pode crescer em um projeto enorme trazendo centenas de pessoas juntas para apreciá-lo. Se você pudesse escolher uma palavra para descrever a sua

Rebobinados | Música alternativa desde 2017 – Todos os direitos reservados