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Justine expande os horizontes do shoegaze em seu segundo disco

Justine, o quarteto sorocabano de shoegaze retorna em nova fase. Formado em meados de 2013 na cidade do interior Paulista, eles passearam pelas rotas alternativas de shows com seu elogiado primeiro disco Overseas, lançado em 2016. O ano de 2024 vem como um novo recomeço para o grupo, que chegou trazendo algumas novidades. A primeira delas é o nome que passa a ser apenas Justine ao invés de Justine never knew the rules. Além disso, a nova formação conta com Gabriel Penatti na bateria e Gabriel Wiltemburg nos vocais. Justine e os novos horizontes sonoros Com o segundo disco de estúdio intitulado JUSTINE, a banda não só expande seus horizontes musicais, mas também mergulha em territórios líricos diferentes. Uma das mudanças mais marcantes neste novo álbum é a decisão de cantar todas as músicas em português. Esta escolha traz uma nova dimensão às músicas, permitindo que as letras alcancem uma profundidade emocional ainda maior. “Avalanche” foi a primeira composição apresentada, isso após alguns anos de um pequeno hiato. Ela mantém aquela sonoridade tradicional do shoegaze. Levando o ouvinte para uma jornada em um clima cadenciado e melancólico, que é explorado também nas letras, cheia de emoções intensas. Já quando falamos dessa nova fase, “Blush” representa bem. Experimentando nas dinâmicas de melodias bonitas e marcantes, vocais mais notáveis e um clima digamos “pop”. Ela foi escolhida como primeiro single para apresentar o disco novo e mostra a estreia de Gabriel nos vocais. Em seguida, tenho minha favorita, “Flor de Lótus“. Suas camadas de guitarras criam uma atmosfera bem envolvente e transcendental. As melodias quase que hipnóticas são acompanhadas de batidas que nos lembram algo do trip-hop. Mas aqui o som vai evoluindo numa experiência psicodélica que ecoa durante seus quase 7 minutos. Num clima meio “spoken word”, temos “Terapia“. As letras expõem sentimentos íntimos e a forma como os vocais são performados nos lembra fácil algo feito por Jair Naves em seus trabalhos. A quebra vem com “Quase um Segundo”, a faixa tem aquela pegada do shoegaze acústico. Numa mistura bonita entre violão e guitarras com efeito tremolo, bem na vibe de “Sometimes” do MBV. Em “Solstício” somos apresentados a mais uma composição acústica, mas dessa vez sem guitarras, essa simplicidade cria um clima bonito e intimista, um formato que não era tão explorado nas composições anteriores. “Corpo” tem uma roupagem bem diferente de todas do disco, onde ousam experimentar com percussões, riffs de guitarra e sons mais barulhentos flertando com o noise, temos até um sampler de “Touched” do My Bloody Valentine. “Se o amanhã não chegar” também aposta no clima acústico, podemos classificá-la como uma das baladas do álbum, é muito bom saber que a banda vem explorando novas sonoridades nesse trabalho. Percussões e um baixo bem vibrante abrem “O que restou em mim“, a experiência aqui também é um ponto alto, a bela fusão entre um Jesus and Mary Chain e MBV. Quem assume os vocais é Mário do Wry, uma das bandas pioneiras do shoegaze no Brasil. A faixa tem climas que vão de momentos mais melódicos até outros mais barulhentos que ecoam e casam com guitarras que vão preenchendo o fundo. Em seguida, temos “Quebra Tormenta”, sua atmosfera casa com o fim da escuta, ela explora outra novidade pra banda, um clima mpbzístico, com dedilhados de violão, belas letras e toques suaves e elegantes de guitarra. Com seu segundo álbum, a Justine demonstrou que explorar novos sons e abordagens dentro do gênero pode manter seu trabalho extremamente coeso e envolvente. É muito bom tê-los de volta na cena do indie nacional, que consigam promover o disco o mais breve possível para que ganhem novos fãs e apoiadores. Confira o disco Justine: Acompanhe a banda nas redes sociais: Facebook | Youtube| Bandcamp

Russian Circles: uma das melhores bandas do post-metal se apresenta no Brasil

Um dos maiores nomes do cenário post-metal, com 20 anos de carreira e diversas participações em festivais importantes ao redor do globo, o power trio norte-americano Russian Circles faz a aguardada estreia no Brasil na próxima quarta-feira, dia 3 de abril, em São Paulo. A apresentação, a única no Brasil, será no Cine Joia e terá abertura da banda nacional de post rock E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Ingressos continuam à venda: https://pixelticket.com.br/eventos/17017/russian-circles. A realização do show único do Russian Circles no Brasil é da Powerline Music & Books, com apoio da Heart Merch. O Russian Circles, formado por Mike Sullivan (guitarra), Brian Cook (baixo) e Dave Turncrantz (bateria), traz à capital paulista neste começo de abril a turnê do elogiado novo disco, Gnosis, o oitavo da carreira, que reforça a força criativa das composições pesadas e atmosféricas da banda. É um disco repleto de camadas sonoras em meio a diversificadas ambientações e abordagens produzidas somente com guitarra, baixo e bateria. O baixista Cook, em recente entrevista ao site brasileiro Downstage, disse sobre Gnosis: “É o nosso trabalho mais focado. Eu também acho que é um álbum muito agressivo. Acho que ficar presos em casa nos fez querer fazer um disco que fosse uma resposta ao sentimento de confinamento.” Cook também falou da alta expectativa para o show em São Paulo. “Quando penso em shows em São Paulo penso em vídeos antigos do Sepultura tocando em ginásios. Mas não somos o Sepultura, então não tenho ideia do que realmente deveria esperar. Em termos de setlist e surpresas…Acho que vamos tocar apenas nossas músicas favoritas, já que não precisamos nos preocupar em tocar músicas novas o suficiente ou em não tocar um set parecido com o da última vez que estivemos lá, porque … nunca estivemos lá!” A banda foi formada em 2004 na cidade de Chicago (Illinois, Estados Unidos) e já se apresentou em grandes festivais como SXSW, Psycho California e Roadburn. Também excursionaram com Tool, Deafheaven, Chelsea Wolfe, Mastodon, Cult of Luna, entre outros. Russian Circles em São Paulo Data: 3 de abril de 2024Horário: 19h (abertura da casa) | 20h: EATNMPTD | 21h30: Russian CirclesLocal: Cine JoiaEndereço: rua Praça Carlos Gomes, 82, Centro, São Paulo, SP Venda on-line:https://pixelticket.com.br/eventos/17017/russian-circles Ingresso:PistaMeia solidária, meia entrada – 2º Lote: R$ 190,00Inteira – 1º Lote: R$ 340,00; 2º Lote: R$ 380,00 CamaroteMeia-entrada – 1º Lote: R$ 270; 2º Lote: R$ 540,00Inteira – 1º Lote: R$ 290,00; 2º Lote: R$ 580,00Classificação etária: 18 anos

Quarto Quarto, música nova aposta no rock alternativo

Originária da capital paulista, a Quarto Quarto é formada por: Thiago Romanelli (vocais, guitarra), Nicolas Gulhote (baixo, vocais) e Caio Vieira (bateria). A banda tem um EP “Prédio Cinza, Tempo Bom”, lançado em 2022, onde trazem em suas composições uma mistura de melodias envolventes e energia crua. Sua música é marcada por guitarras distorcidas, ritmos pulsantes e letras que refletem as experiências e inquietações da juventude urbana. No novo single, intitulado “Às vezes”, eles elevam o nível de sua produção e apostam em um instrumental poderoso, voz marcante e uma música que captura a essência melancólica do rock alternativo dos anos 90 com algumas pitadas de grunge, ao mesmo tempo em que soa contemporânea e autêntica. A faixa marca o início de uma série de lançamentos que serão apresentados durante esse ano, e que no fim completarão seu novo disco “Sorte/Revés” que está por vir. Sobre o título, a banda diz que é um conceito que traz em paralelo o cotidiano da vida, os relacionamentos e a previsibilidade de jogos de tabuleiro. Acompanhe a banda nas redes sociais: Instagram | Spotify Confira mais notícias aqui.

El Significado de Las Flores: banda chilena de noise rock lança single novo

El Significado de Las Flores é uma banda chilena que surgiu em 2022 na cidade de Valparaíso, formada por Acacia (Patricio Guzmán), Suitcases (Pablo Rodríguez León), Bruma (María Pizarro) e Chaleco (Sebastián Aranda). A estreia do grupo veio com o primeiro disco de estúdio, El Efecto Nodriz, lançado em 2023. Durante as oito músicas, temos uma sonoridade que caminha por gêneros como shoegaze, noise rock e dream pop, de pontos altos e ruidosos até outros momentos mais sonhadores e melancólicos. As letras abordam temas da vida moderna, como identidade de gênero, ideia de transição e a solidão da vida jovem. Com a boa repercussão do primeiro debut, tiveram apoio para a gravação de uma nova música, sobre isso a banda diz: “Após a boa recepção que o álbum teve, fomos convidados pela Lotus para uma residência patrocinada pela produtora. ‘Recrudece’ é um dos produtos finais da gravação nos Estúdios Lautaro. Tem modulações, novas buscas rítmicas, líricas e estruturais para as músicas. É a ponta de lança de uma nova forma de nos apresentarmos sonoramente, um novo passo no caminho do conceito da banda” A faixa foi produzida pelo quarteto, gravada e mixada por Pablo Giadach e masterizada por Francisco Holzmann, além disso, ganhou um vídeo clipe oficial. É claramente uma prévia do que está por vir no próximo disco que deverá ser lançado ainda neste ano. Outra conquista importante para a carreira foi um convite para se apresentar no Lollapalooza Chile, que aconteceu no último dia 15 de março na cidade de Santiago e reuniu cerca de 100 mil expectadores durante os dias de festival. Eles tocaram ao lado de grandes nomes como Blink 182, Arcade Fire, Kings of Leon, SZA, Sam Smith e The Offspring. Acompanhe o El significado de Las Flores nas redes sociais: FACEBOOK | INSTAGRAM | TIKTOK Agradecimento release: Tedesco Mídia

Turnover retorna ao Brasil para três apresentações em 2024

O Turnover, banda de indie rock de Virgínia (EUA), traz a turnê do último álbum Myself in the Way à América Latina no próximo mês de maio, com três datas no Brasil: Belo Horizonte/MG (10/05), São Paulo/SP (11/05) e Porto Alegre/RS (12/05). A realização é da Powerline Music Books em parceria com a Mirror/AM. Os ingressos para todos os shows da turnê começam a ser vendidos nesta sexta-feira (1/03), às 12h, pelo site do Clube do Ingresso (www.clubedoingresso.com). Turnover é uma banda de rock americana de Virginia Beach, Virgínia, com cinco discos e dois EPs lançados. Formada em 2009, a banda tem contrato com o badalado selo indie Run for Cover Records. A cada novo álbum, o Turnover incorpora elementos, experimenta sonoridades e apresenta uma sonoridade sempre atual e interessante. Indie rock, dream pop, grunge, emo e pop punk são alguns gêneros que explicam a proposta do Turnover. Do emo intimista de Magnolia (2013), passando pela aura melancólica de Peripheral Vision (2015), e pelo rock expansivo de Good Nature (2017), além das guitarras soft de Altogheter (2019), o Turnover chega ao quinto disco, Myself in the Way, com grooves descontraídos, batidas discos e riffs marcantes. Além de Brasil, eles fazem shows no México, Costa Rica, Colômbia e Chile. Atualmente a banda é Austin Emanuel Getz (vocais, guitarra), Casey Charles Getz (bateria), Daniel Joseph Dempsey (baixo) e Nick Rayfield (guitarra). SERVIÇO Turnover em Belo Horizonte (MG)Data: 10 de maio de 2024Local: Música Quente Turnover em São Paulo (SP)Data: 11 de maio de 2024Local: Fabrique ClubEndereço: rua Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo/SP Turnover em Porto Alegre (RS)Data: 12 de maio de 2024Local: AgulhaEndereço: rua Conselheiro Camargo, 300 – São Geraldo, Porto Alegre/RS Mais informações: www.instagram.com/agenciapowerline https://turnovermusic.net/ www.instagram.com/tedesco.com.midia Escute o disco Myself in the Way: Resenha Turnover no Brasil (2016)

Fin del Mundo: banda argentina vem ao Brasil apresentar seu som com influências de post-rock e shoegaze

Fenômeno da cena alternativa argentina, o quarteto feminino argentino Fin del Mundo desembarca pela primeira vez no Brasil, no próximo mês de março, para apresentar seu cativante e sensível indie shoegaze post rock. Duas datas já estão confirmadas: 1° de março em São Paulo, no Sesc Avenida Paulista, e dia 8/03 no Sesc São José dos Campos, em São José dos Campos (SP). Os ingressos para o show no Sesc Avenida Paulista começam a ser vendidos online, dia 20/02, pelo site www.sescsp.org.br/unidades/avenida-paulista, e dia 21/02 de forma presencial, em qualquer unidade do Sesc em São Paulo. Mais informações sobre o show em São José dos Campos em breve. A inédita vinda do Fin del Mundo ao Brasil é uma realização da Brain Productions Booking, que entre outubro e novembro de 2023 levou as meninas a uma elogiada turnê europeia, com seis sold outs e participação em programa da RTVE, a maior televisão da Espanha (assista aqui). Fin del Mundo foi formada em 2019 em Buenos Aires (Argentina), com raízes na Terra do Fogo e Chubut, no sul da Patagônia. Sua mistura requintada de post-rock emocional, shoegaze, dream pop e indie rock permitiu que elas se posicionassem como uma das bandas mais interessantes da cena musical independente latino-americana em muito pouco tempo. A banda, formada por Julieta Limia (Tita), na bateria, Julieta Heredia, na guitarra, Yanina Silva, no baixo, e Lucía Masnatta, na guitarra e voz principal, vem com a turnê do disco ‘Todo va hacia el mar’, lançado pela Spina Records que compila pela primeira vez em formato digital e físico, seu EP autointitulado (2020) e o EP ‘La ciudad que dejamos’ (2022). Lucía fala do novo álbum. “É um álbum que compila todo o nosso material de estudo até agora, muitos ouvintes nos pediram, principalmente o formato vinil, embora também haja CDs e cassetes. Conhecemos a sensação linda de poder ter um álbum físico e ouvi-lo até enjoar, esperamos que gostem muito dessas edições!” Vale destacar que o Fin del Mundo foi sucesso imediato na rádio norte-americana KEXP: sua sessão ao vivo ultrapassou a marca de +1 milhão de visualizações em pouco menos de 9 meses.. Saiba mais sobre a banda: www.instagram.com/lasfindelmundo.

Julico mergulha em emoções e explora sonoridades em Onirikum

Julico é multi-instrumentista, compositor e artista gráfico, nascido na cidade de São Cristóvão em Sergipe. Ele é conhecido por ser o fundador da banda The Baggios, um dos grandes nomes da música brasileira. Com turnês internacionais e indicações ao Grammy Latino por seus discos Brutown (2017) e Vulcão (2019). O artista embarcou em carreira solo no ano de 2020, com a estreia do debut Ikê Maré. O disco conta com 13 músicas e foi lançado pelo selo Toca Discos. A sonoridade caminha por gêneros já conhecidos do músico, como a música brasileira, rock e o blues. O resultado foram as prensagens em vinil totalmente esgotadas. Inevitável dizer que assim como os trabalhos do The Baggios, as composições são feitas com maestria. Fica nítido o amor de Julico pela música. É ele quem grava todos os instrumentos, produz e não menos importante, faz as artes de camisetas e alguns pôsteres de shows. No último dia 20 de outubro foi lançado seu segundo disco de estúdio sob o título Onirikum. A palavra vem de “onírico”, que é algo relacionado a um sonho ou situações fantasiosas. Sobre o nome que batiza seu trabalho, ele diz: “Representa para mim um estado de espírito onde acesso aos devaneios e sentimentos mais profundos. Os sonhos são como janelas que nosso subconsciente acessa e revela mensagens, imagens, ideias, sons e os mais variados desejos e sensações. Nesse universo me inspirei para compor esse álbum, mergulhando nas minhas memórias límpidas e turvas traduzindo através do som e da escrita meus sentimentos sobre temas que me angustiam, me deixa feliz, me alivia ou simplesmente me move.“ Arte do disco Onirikum A começar pela arte da capa, temos uma imagem influenciada pelo surrealismo, o interessante é que ela foi criada por inteligência artificial. Quando falamos em sonoridade, o álbum é um espetáculo à parte, aqui Julico se supera e faz uma jornada por diversos gêneros musicais. Incorporando elementos que vão desde as brasilidades, com ritmos da música nordestina, mpb, samba, passando pelo rock psicodélico setentista, blues, jazz e o funk. Alguns destaques do álbum são as faixas, “Then Pain May Become Tracks”, ela abre o trabalho com uma atmosfera misteriosa. Aqui o artista pisa em territórios diferentes, com uma pegada que talvez poderíamos classificar como um “trip-rock“. Em seguida, “Mon Amour” é uma nítida declaração de amor. A sensibilidade não está somente nas letras, mas também na sonoridade que é muito bem construída, com momentos psicodélicos e outros mais melódicos. A faixa título “Onirikum” é uma das mais lindas, daquelas que logo nos primeiros segundos vocês sabe que vai se apaixonar, com melodias e letras tocantes, ela fala sobre amor, sonhos e a arte. Mais uma faixa que merece o devido destaque é “Música”, aqui Julico expressa todo seu amor pela arte, podemos considerar uma de suas melhores composições, é uma daquelas músicas para prestar atenção em cada detalhe. “Motivo de Saudade” conta com a participação da cantora Fernanda Broggi, é um samba de tamanha beleza, com melodias de flauta maravilhosas e que fala sobre tempos nostálgicos: “De quando eu tinha meus irmãos de verdade, onde existia mais amor e amizade, pouco falava-se de medo, se eu caía era pra recomeçar…” Julico, Motivo de Saudade É até difícil falar sobre um disco que não tem uma música ruim. “Fazemblues” é um show, o blues sempre esteve presente nas composições de Julico, isso não é novidade. Mas, ele consegue fazer ouro durante os riffs de guitarra que vão derretendo ao decorrer da música. “Banho de Sal Grosso” também é uma das favoritas. As belezas nordestinas aqui estão impressas no ritmo do baião, riffs deliciosos de baixo, o sotaque e aquelas guitarras psicodélicas que dão o toque final. O trabalho se encerra com “Trem Veio”, uma composição nas raízes do blues. Destaque para os sons de gaita que nos levam pra um cenário quente e deserto. Mais uma vez somos surpreendidos! Não é a toa que Julico já foi indicado para premiações do Grammy. Quando falamos sobre artistas da atualidade, ele é com certeza um dos mais criativos. Sempre entrega trabalhos acima do nível. Como já falamos em outra matéria sobre Ikê Maré, ele está deixando seu legado na música brasileira e ainda seremos muito gratos por isso. Pra completar essa matéria, enviamos algumas perguntas sobre o disco novo e algumas curiosidades, confira a seguir: Primeiro, gostaria de saber um pouco sobre seu contato com a música. Quais memórias você tem dos artistas que te fascinaram e quando foi que você decidiu que gostaria de fazer música? Tem um marco pra mim que eu acho muito importante na minha vida musical, que é quando eu recebo uma fita k7 do acústico do Nirvana. Eu tinha 13 anos, e ainda estava perdido em relação ao que eu queria fazer, no que eu sonhava em ser, era um momento bem embrionário da minha vida. Acho que ali rolou uma provocação de querer entender mais sobre esse movimento do rock. Entender de onde vinha aquele som, a origem, as influências dele, como tocavam aquelas músicas. Aí acho que despertou mais o meu lado instrumentista de querer tocar aquelas músicas, de formar banda. Pensando em pessoas que me influenciaram e me fascinaram ao vivo principalmente, foram as bandas aqui de Aracaju mesmo. Sou do interior do Sergipe, São Cristóvão, mas vivia muito em Aracaju pra ver shows e tudo mais. Bandas lendárias como Snooze, Karne Krua, Lacertae, Plástico Lunar, foram fundamentais pra eu me interessar em formar banda, em estar ali fazendo aquele mesmo papel de composição, de show, de fazer discos e tudo mais. Mas, em relação a outros artistas que nessa época tinha muito do rock, do grunge, do punk e aos poucos da música brasileira que era algo comum na minha casa. O que mais te inspira a escrever as letras das músicas? Existe algum processo que você costuma seguir ou apenas deixa as ideias fluírem? A escrita das minhas músicas está ligada muito a minha vivência, as coisas que me despertam

Psicodelia e viagens astrais com White Canyon and the 5th Dimension

White Canyon and the 5th Dimension é uma banda formada pela dupla Leo Gurdan e Gabriela Zaith. O casal vive em São Thomé das Letras, uma cidade em Minas Gerais, rodeada por montanhas, mistérios e misticismo. Foi nesse cenário que deram vida ao projeto, por trás das composições estão temas espiritualizados, autoconhecimento, novos planos, viagens astrais, a natureza e seus mistérios. O primeiro disco de estúdio autointitulado “White Canyon and the 5th Dimension” foi lançado em 2019. E traz ótima produção, um rock psicodélico de qualidade envolto por riff enérgicos e belas linhas de teclado. A sonoridade nos lembra bandas como The Jesus and Mary Chain, Spiritualized e The Black Angels, da qual eles são fãs. Nos próximos anos seguiram lançando alguns singles, até chegar ao segundo disco. “Spectral Illusion” saiu em 2021 e conta com 7 músicas. Aqui a banda manteve sua ótima composição. Impossível não dar o play e viajar com as várias camadas, vozes e guitarras que vão ecoando durante as faixas. Outro destaque são as artes dos discos, são bem feitas e acompanham as ideias por trás das composições. Soundtrack for Astral Travel chega no finalzinho de 2022, o terceiro álbum tem músicas batizadas com nomes de planetas. Não preciso nem dizer que ele realmente é uma jornada em seus diversos estados. Acredito que esse seja o trabalho mais experimental do duo. Com três discos na bagagem, a dupla agendou sua primeira turnê no Chile, onde fizeram treze shows entre outubro e novembro de 2022. O resultado foi um gás a mais para lançar o ao vivo Live in El Quisco. O material traz 6 faixas de uma apresentação gravada no Centro Cultural Camilo Mori. Por incrível que pareça, o primeiro show no Brasil aconteceu apenas neste ano no famoso festival Woodgothic. Ele é organizado em São Thomé por Carolina e Zaff, membros da banda de pós-punk/darkwave Escarlatina Obssessiva. Dois meses depois, é lançado Gardeners of the Earth, o quarto trabalho da discografia é o mais “ambicioso” e com certeza um marco na carreira. Com uma produção de primeira, o álbum traz composições que soam como um rock n roll mântrico psicodélico. É como se aqui eles reunissem um punhado de sua história misturado com pitadas de coisas novas. Dá gosto em ouvi-lo e saber que temos aqui uma banda brasileira que executa com maestria um dos melhores lançamentos desse ano. Batemos um papo para conhecer melhor a banda e falar um pouco sobre a carreira, o novo disco e outras curiosidades. Você pode conferir em seguida: Como vocês se conheceram e como surgiu a banda? Nós estamos juntos há 13 anos, 7 anos de namoro e 6 anos casados, nosso gosto musical sempre foi um dos pilares do nosso relacionamento e fazer música juntos sempre foi algo que almejávamos, quando nos mudamos para São Thomé tivemos a oportunidade de trazer os planos mentais para o material.  Vocês vivem em São Thomé das Letras, uma cidade rodeada de misticismo, como é viver aí e o quanto isso influencia na música de vocês? Nós devemos muito do que somos a essa cidade, seus mistérios nos trouxeram aqui e foi um tremendo passo que demos em direção a nossas jornadas de auto conhecimento. A interação com a natureza e suas lendas tiveram um papel crucial no desenvolvimento de nossas ideias e uma ponte para conectar com inspirações de planos superiores. Como funciona o processo criativo de vocês, o que mais te inspiram ao compor e quais mensagens vocês querem passar aos ouvintes com suas músicas? Nosso processo criativo acontece de forma mais individual e quando temos algo sólido combinamos nossas criações, é um processo muito leve e natural que acontece em meio do nosso cotidiano entre serviços domésticos e criação do nosso filho. Tudo que nos rodeia nos inspira de uma forma ou de outra, nossas vivências, a natureza e as lendas que nos cercam,  creio tudo que ouvimos deixa uma marca em nossa música que quem conhece pesca muitas referências. Gardeners of the Earth é seu quarto disco de estúdio, como têm sido o feedback de seus fãs e pessoas que apreciam o tipo de música que vocês fazem? O feedback tem sido incrível, nos surpreendeu na realidade. Nossos ouvintes desde o primeiro álbum dizem que esse é nosso melhor trabalho até agora, que traz uma certa maturidade em questão de produção e composição. É nosso disco que vendeu mais rápido os vinis e também com maior audiência no stream até o momento. Esse álbum também trouxe novos ouvintes, diferente dos anteriores, acho que isso é um reflexo da diversidade musical que tentamos colocar no álbum. Atrai vários tipos de pessoas e gostos dentro do psych. Como é a relação da banda com os palcos? Vocês pretendem agendar shows para promover o novo disco ou está fora dos planos? No momento temos uma relação saudosa com os palcos. Nossa estreia foi em uma turnê pelo chile de 13 shows, que está prestes a completar um ano. Até hoje só apresentamos aqui no Brasil, em um festival underground que existe a cada dois anos aqui em São Thomé e honestamente nossa presença só foi possível por ser aqui na nossa cidade.  Nós vivemos exclusivamente da nossa arte e ser artistas independentes no Brasil é algo que ainda falta muito apoio. Mas temos planos de fazer shows por aqui em breve, nos acompanhem em nosso Instagram que publicaremos nossos próximos passos sempre por lá. Quais artistas vocês gostariam de colaborar? The Black Angels!  Com certeza é uma das bandas da atualidade que mais nos inspira e compartilhamos das mesmas inspirações, inclusive já interagimos pelo Instagram algumas vezes então, quem sabe um dia não é? Se vocês pudessem escolher apenas uma música do disco novo para fazer parte da trilha sonora de um filme, qual música e filme escolheriam e por quê? Se eu pudesse escolher uma trilha sonora para qualquer filme, esse filme com certeza seria Montanha Sagrada do Alexandro Jodorowsky, que é uma base de inspiração ilimitada

O pós-punk melancólico e dançante do Jovens Ateus

Imagem da banda Jovens Ateus em um cemitério

Jovens Ateus é uma banda de pós-punk formada em Maringá, no Paraná. O quinteto hoje é composto por Guto Becchi (vocal), Fernando Vallim (guitarra), João Manoel (guitarra), Bruno Deffune (baixo) e Antônio Bresolin (sintetizador, bateria). A história do grupo começa durante os primeiros meses da pandemia de 2020, através da amizade entre Bruno Deffune (baixo) e Marco Antônio, juntos eles começaram a definir qual seria a estética sonora da banda. Mais tarde, outros amigos foram se integrando ao projeto, e eis que lançaram seu primeiro single “Noite Eterna”. A faixa hoje conta com mais de 40mil plays no Spotify e marca o pontapé dos caras na cena alternativa da música. Meses depois, mais um single lançado, dessa vez a faixa é “Exício”, e aqui já notamos qual a proposta do grupo, um pós-punk que é a cara dos anos 80, com uma atmosfera melancólica, obscura, mas dançante. No ano seguinte, surge “Devaneios” e “quien eres”, essa segunda cantada em espanhol. Aproveitando as músicas já lançadas a banda começou a agendar shows. Só em 2023 se apresentaram em Curitiba, Maringá, Florianópolis, São Paulo, Santo André e Piracicaba. Durante essa turnê, tocaram algumas músicas inéditas e dois covers que chamam bastante atenção, “Santa Igreja” da banda punk As Mercenárias e uma versão para “Igreja” dos Titãs. Em julho deste ano, lançaram seu primeiro EP, auto intitulado Jovens Ateus, contendo 6 faixas. O disco é um prato cheio para os amantes do pós-punk e das pistinhas escuras, durante as 6 músicas escutamos uma sonoridade sombria, mas que tem forte identidade, um som que consegue ser minimalista, mas muito bem trabalhado. Destaque para as faixas “A Mais Triste”, “quien eres” e “Iglesia”. Aproveitando o lançamento do EP e futuro show que a banda fará no dia 04 de outubro ao lado do Deb and the Mentals no @Bar Alto, batemos um papo com Bruno Deffune (baixo) fundador da banda que nos respondeu algumas curiosidades. Você confere a conversa a seguir: Antes o Jovens Ateus era um duo? Como aconteceu a entrada dos outros integrantes e onde vocês se conheceram? Sim! Durante os primeiros meses da pandemia eu mantinha contato com o marco (Marco Antônio Gutierrez), um grande amigo de anos. Juntos nós tivemos a ideia de começar o projeto e aos poucos fomos criando o que no futuro seria a banda. Hoje em dia o marco seria um membro óvulo do jovens ateus, letrista de grande parte das músicas e responsável pelas fotos usadas na maioria dos singles. Com a vontade de começar a produzir as ideias iniciais do projeto eu fui até o Joho (João Manoel, Guitarra), ele havia acabado de iniciar as produções na casa ElNino em Maringá. Acho que nossa amizade foi instantânea, um dos amigos mais rápidos que eu fiz e a entrada dele nas guitarras foi meio que automática. Nós aprendemos juntos a fórmula do jovens ateus e depois de varias tentativas conseguimos entender como funcionaria a banda. O morga (Fernando Vallim – Guitarra) morava na casa ElNino e quando vimos ele já estava junto no projeto e foi bem orgânico. Quando nós marcávamos pra produzir ele aparecia, colocava umas guitarras e ideias e funcionou muito bem. A entrada do Guto (Dário Gustavo – Vocais) foi após o Joho nos apresentar, ele entrou em contato comigo após o lançamento de “Noite Eterna” e nós já tínhamos o interesse em formalizar uma amizade. Até que ele foi para um ensaio e ele entrou como vocalista, eu não tinha o interesse e nem o carisma para enfrentar o cargo, estava a procura de uma pessoa que cumprisse com os requisitos, acho que consegui kkkk. O tony foi mais uma cobrança por minha parte, eu conheci ele em Curitiba através do marco, ele é o único que não é de Maringá. Desde o começo eu mandava as ideias e os sons pra ele e sempre chamava ele pra fazer parte do projeto. Nos processos criativos do single “Devaneios” ele pra fez sua primeira aparição na banda e fez a bateria, que até então era feita pelo lucaskid. Quando marcamos nossa primeira gig nós precisávamos de uma formação funcional para os palcos então eu convidei ele pra entrar de vez na banda. Hoje seria o ele o rosto da banda!? Fica no ar kkkk. Vale lembrar que eu conhecia todos eles de antes mas não éramos próximos. A banda fez que que nós nossa aproximação e aumentar a amizade. O nome da banda tem relação com a música do Muzak ou existe alguma outra história? Com certeza! Quando eu comecei a pensar com o marco em formar a banda, nós fizemos aquela típica pergunta “ta, mas qual vai ser o nome?” Na época nós dois estamos escutando muito pós punk paulistano, eu tava no carro um dia pela tarde ouvindo a coletânea “Não São Paulo V. 1” quando tocou a música do Muzak. Foi bem aquela estralo na mente “vai ser esse o nome da banda, Jovens Ateus”. Geralmente a pergunta é “o que vocês escutam”, mas eu gostaria de fazer ao contrário, o que vocês NÃO ESCUTAM? Falando por todos, com certeza seriam as bandas que mostram nos últimos tempos apoio ou omissão em caráter político. Artistas que apoiaram governos fascistas ou não tomaram lado nessa luta estão fora dos nossos ouvidos. A cultura e a opressão não adam lado a lado. Vocês acabaram de lançar o primeiro EP e já vem ganhando um destaque legal por parte da galera que gosta de pós-punk, quais são os próximos planos? Com o lançamento do ep ficamos mais empolgados em manter um ritmo de lançamento de material. Como hoje nós pensamos mais como banda temos mais vontades de compartilhar influências e acrescentar mais as características de cada membro. Foram 3 anos trabalhando na fórmula desenvolvida e agora queremos mais, são novas influências, novas bandas que estamos escutando no momento e vontade de experimentar. Pensamos também em trabalhar com bandas amigas que fizemos por esses anos e tentar fortalecer uma cena que seguiu de

Rebobinados | Falando sobre música alternativa desde 2017.