Monitors coloca todos pra dançar com seu pós punk eletrônico em ‘The War Office’

O trio Monitors retorna com seu segundo e novo EP ‘The War Office’.
Há 35 anos atrás Cocteau Twins lançava ‘Victorialand’, seu quarto disco

Em algum momento do ano de 1979, diretamente da pequena Grangemouth, uma cidade escocesa com menos de 20 mil habitantes, surge o trio de pós-punk/etereal Cocteau Twins, formado por Elizabeth Fraser (vocal), Robin Guthrie (guitarra) e Will Heggie (baixo). No fim dos anos 70 e começo dos 80, artistas europeus, principalmente do Reino Unido e Alemanha entravam na onda da música obscura. O chamado pós punk ou darkwave, feito por bandas como Joy Division, Siouxsie and the Banshees, The Cure e Bauhaus, deixavam para trás as letras rebeldes do punk para se aprofundar em uma música poética, sombria e romântica, influenciada por literatura e cinema. Com o lançamento do primeiro disco, o ótimo Garlands (1982), os Cocteau Twins embarcaram nessa onda. Trazendo um baixo bem marcante, guitarras sinistras cheias de efeitos, samples de bateria e os belos vocais de Elizabeth, como na faixa ‘Blind Dumb Deaf‘. Por causa dessa sonoridade, eles chegaram a ser comparados com Siouxsie and the Banshees, fato que não os agradou muito, já que não queriam ser apenas mais uma cópia de outras bandas que já faziam um certo sucesso naquela época. Os próximos anos também não foram como imaginavam, mesmo com o lançamento do segundo disco Head Over Heels e caminhando para uma sonoridade mais etereal, o trio sentia que ainda não estava recebendo o merecido reconhecimento. Tentando se encontrar em meio a uma época onde as bandas tinham muito em comum, os Cocteau Twins tentavam nadar contra a corrente. Com novas ideias para seu terceiro disco e a procura de alguém com quem pudessem trabalhar suas experimentações, chegaram inclusive a articular com o famoso produtor Brian Eno, conhecido por suas trilhas ambientes e também por ter trabalhado com David Bowie, que infelizmente recusou a ideia. Em ‘Treasure‘, chegaram ao ápice de sua criatividade, considerado por muitos fãs o melhor da carreira, o álbum ainda hoje é ignorado pela própria banda. Nas palavras do guitarrista Robin Guthrie ”aquele disco é um aborto”. Com o passar dos anos eles foram remanejando suas músicas, a experiência adquirida nos primeiros discos foi crucial para os próximos lançamentos. Em 14 de abril de 1986 deram a luz à “Victorialand”, o quarto disco de estúdio marcava uma nova fase para o Cocteau Twins, diferente de tudo o que eles já haviam produzido. O título é uma referência a Victoria Land, uma região na Antártica descoberta pelo capitão James Clark Ross, um explorador que fazia expedições na região, o nome é uma homenagem à rainha Victoria do Reino Unido. Assim como no disco Treasure (1984), para escrever algumas letras Elizabeth selecionou palavras aleatórias, se preocupando mais com os seus fonemas do que com os significados. Um exemplo é a faixa “Whales Tails“ (Caudas de Baleias), inspirada em uma passagem de um livro escrito em outro idioma. Além disso, outros títulos de músicas foram retirados de um livro sobre o Ártico chamado The Living Planet, lançado em 1984 por David Attenborough. Falando sobre sonoridade, aqui a banda deixa de lado o som pós punk e viaja em uma atmosfera cada vez mais etereal e minimalista. Sem uso de baterias eletrônicas, linhas de baixo e distorções barulhentas, as músicas são levadas por uma aura totalmente celestial. A faixa “Lazy Calm“ abre o disco com riffs de guitarra sensíveis e espaciais, que logo são embalados por algumas linhas de saxofone, fazendo você se sentir flutuando por um vasto universo. Além das guitarras mágicas de Robin Guthrie, os vocais de Elizabeth preenchem todas as músicas assim como um instrumento, podemos ouvir sua bela performance em “Fluffy Tufts“. Outro fato interessante é o violão que comanda “Throughout the Dark Months of April and May“, o instrumento acompanha a bela voz de Fraser em um tom mais acústico e cria um clima comovente, algo até então não muito explorado. Já em “Oomingmak” os vocais dela alcançam linhas líricas, assim como um canto sedutor que provoca um verdadeiro êxtase sonoro. “Little Spacey” lembra algumas faixas do disco Treasure pelas linhas vocais, a forma com que Fraser canta algumas palavras sequenciais criam sons e aquela vibe emocional e transcendental. Outro grande momento e que já nos encaminha para o fim do disco, é a faixa “Feet-like Fins” (Barbatanas semelhantes a pés), onde Guthrie consegue extrair de sua guitarra um som parecido com o de uma harpa. De fundo, algumas percussões leves dão um tom tribal, nesse mesmo momento Fraser entona seus vocais para acompanhar a intensidade da música. ‘How to Bring A Blush to the Snow‘ e seus incríveis riffs iniciais que ao longo vão ecoando pelo espaço e conseguem trazer um sentimento de nostalgia, aquele momento em que você se pega aos devaneios da vida. O destaque aqui vai mais uma vez para os vocais, entre camadas principais e backing vocals eles completam a aura da música. Chegando ao fim, “The Thinner The Air“, inicia num clima mais sombrio, com toques de piano, guitarras e sons ambientes que aos poucos vão surgindo e criando uma ponte até cairmos nos cantos ecoantes de Elizabeth que mais uma vez atinge linhas líricas muito belas e melancólicas. Victorialand é um marco na carreira do Cocteau Twins, ainda que não receba o devido destaque. O disco traz belas paisagens sonoras, doces e profundas. Esse é o resultado da dedicação e a entrega de Guthrie e Fraser nesse processo que pode ter pego alguns fãs de surpresa ao se distanciar das sonoridades mais obscuras e dançantes. Inevitável não citar seu marco de beleza e genialidade, que com certeza continua reverberando até os dias de hoje, uma certa influência para artistas da música ambiente e do dream pop. Confira o disco Victorialand: Acompanhe o Cocteau Twins nas redes sociais: Site oficial | Facebook | Instagram Curtiu? Talvez você goste de algumas resenhas que fizemos clicando AQUI
Dramón explora climas e texturas em “Àspero”, seu disco de estréia

Dramón é um projeto de música experimental criado em 2018 e liderado por Renan Vasconcelos. O músico, designer gráfico e produtor nascido no Rio de Janeiro, também já foi membro da banda de post-rock Avec Silenzi com quem gravou cinco discos de estúdio. Fugindo totalmente dos conceitos padrão, o artista explora climas e texturas, criando ambientações que divagam entre o rock e a música eletrônica. Com esse projeto ele já lançou quatro EP’s, são eles: Ansiedade Morte (2018), Equilíbrio Utopia (2019), Afã (2020) e Bétula // Membrana (2021). A música experimental é um gênero pouco difundido no Brasil, e ainda que tenhamos vários artistas produzindo ótimos materiais, continua sendo um tipo de som não muito compreendido pelo público. Fato que acaba criando muros, impossibilitando a expansão de novas sonoridades que fogem do padrão convencional de estilos que já conhecemos. Àspero e suas paisagens sonoras Batizado de Àspero, o álbum é composto por oito músicas que te levam para algumas dimensões e criam sensações profundas, mas não pense que esse é um disco difícil de digerir, pelo contrário, o fato das músicas não serem longas demais colabora para que a sua audição seja muito prazerosa, contribuindo para que possamos perceber todos os detalhes e elementos construídos. As canções estão todas conectadas em si, sendo assim, a sensação é de embarcar em uma viagem que te conecta com momentos de angústia, medo e outros mais aéreos. A faixa título ‘Àspero‘ abre o disco embalada por um instrumental tenso que logo evolui para um som que nos faz lembrar bastante o trip-hop, envolta por um clima noire, ela imediatamente faz com que surjam imagens de uma caminhada solitária por cenários urbanos, cinzentos e chuvosos. Em seguida, ‘Vencer o Sol‘ vem surgindo como um eco distante até nos penetrar com riffs de guitarra angustiantes e de tom obscuro, onde as cores parecem não existir. ‘Descompasso‘ aos poucos range na sua mente e abre as portas do desconhecido, misterioso, com camadas de sons que vão surgindo a cada momento até partir para alguns instantes de luz, como se você encontrasse uma saída em meio a um corredor sem fim. As coisas mudam em ‘Inflexível’, os toques aéreos de guitarra vão se fazendo presentes e reverberando juntamente com linhas de teclado, criando um certo sentimento de contemplação, que pode trazer uma sensação de flutuar sob o próprio corpo. Batidas cadenciadas e um baixo sombrio surgem enquanto guitarras rangem de fundo, em ‘Ecos do Vazio‘ somos agraciados também por vocais hipnóticos vindos de algum lugar desconhecido e que duelam com um instrumental bonito e sombrio. Já em ‘Insônia‘ entramos em um estado de transe enquanto os riffs de guitarra vão caminhando lenta e suavemente ao decorrer da música. ‘Atenção, Atenção!‘ traz batidas pulsantes e uma sonoridade mais minimalista, num tom bem enigmático que aos poucos cria uma ponte para ‘Pelas Paredes da Memória‘, que vai marchando e passando por climas de tensão e te colocando novamente em um estado de inquietação com si mesmo. Àspero é um disco intenso e que experimenta com vários climas, desde beats eletrônicos, sintetizadores e guitarras que vão alternando em momentos mais sinistros ou sonhadores. Ele vai construindo paisagens sonoras que dialogam muito com os tempos obscuros que vivemos, funcionando como trilha sonora diante dos vários pensamentos e emoções que nos rodeiam e que muitas vezes não sabemos lidar. Ele te leva para caminhar por espaços que muitas vezes você procura se afastar, mas que estão aí e precisam ser descobertos, pois é acolhendo o desconhecido e o desconfortável que conseguimos equilibrar o nosso estado emocional. Foto da matéria por: Rodrigo Gianesi (@rodrigogianesi) Acompanhe Dramón nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp Outras resenhas que você pode gostar: Alcest: transcendental e emocional em Spiritual InstinctNycolle Fernandes, uma viagem ao limbo
Rebobinados indica #21: lançamentos 2021

Rebobinados indica #21: chegamos nessa edição trazendo alguns dos ótimos lançamentos que tivemos em 2021 na cena musical internacional. Todos os artistas fazem parte do Groover, se você ainda não conhece, é uma plataforma francesa que conecta artistas e mídias especializadas em música pelo mundo todo. Por um pequeno valor, você poderá enviar suas músicas para sites, jornalistas, playlists e blogs de diversos países para divulgar o seu trabalho e criar pontes com outros públicos. A novidade é que a plataforma chegou ao Brasil, para saber mais você pode acessar o instagram oficial @Grooverbrsp. Blue Coffe – In and Out (2021) Após a perda de um amigo em comum com quem tocavam em outras bandas, os músicos Gautier Rodriguez (vocal, guitarra), Nicolas de Bank (bateria), Sebastien Tourel (baixo) e posteriormente François Debiol (guitarra) se reuniram para discutir algumas ideias e ver onde elas os levariam. Em 2018, eles trabalharam juntos em algumas composições antigas e novas que resultaram no primeiro EP ‘Silent‘. O próximo trabalho, o segundo EP ‘In and Out‘ começou a ser gravado no mesmo período, mas devido a pandemia teve seu lançamento adiado. As nove faixas do disco passeiam pelo clima do rock alternativo dos anos 90 pós grunge de bandas como Pavement e Pearl Jam, até mesmo a produção das músicas nos trás essa nostalgia, é um disco sólido e que mostra um bom potencial. Facebook | Instagram | Youtube Barry Paquin Roberge – Exordium to Extasy (2021) Músicas dançantes e muitas cores fazem parte de ‘Exordium to Extasy‘, o novo disco do sexteto canadense Barry Paquin Roberge. Neste trabalho a banda busca inspiração na disco music, anos 80 e psicodelia, as faixas trazem um instrumental rico e muito bem trabalhado, com grooves de baixo, muitas guitarras, sintetizadores e backing vocals, eu diria que é como se o ABBA tivesse tomado um LSD. Se você é um daqueles ouvintes saudosos então esse disco é para você, faixas como ‘Eyes on You‘, ‘Hot Stuff – Wanna Play Rough‘ e ‘Mystic Love: Exordium‘ vão te levar para uma viagem no tempo. Esse é o segundo disco lançado pela banda após o também muito bom ‘Voyage Massage‘, o grupo já se apresentou em São Paulo no incrível festival SIM São Paulo. Facebook | Instagram | Youtube Bullyheart – The Other Side (2021) Bullyheart é o projeto de Holly Long ao lado de seus amigos David Boucher e Kevin Harper, as influências giram em torno do rock dos anos 80 e 90. Ainda que sejam uma banda relativamente nova, eles possuem dois discos de estúdio, são eles: ‘Antigravity’ (2014) e ‘Queen Mab’ (2018). O trio lançou recentemente a faixa ‘The Other Side‘ que segundo eles ‘é um hino pandêmico para se sentir bem’. A ideia para a música surgiu em meio aos sentimentos de isolamento e desesperança em 2020, um ano que pegou todos de surpresa e têm mudado a forma como enxergamos nossa vida, o resultado é um som influenciado pelo rock alternativo, com boas bases de guitarras melódicas e os vocais intensos e memoráveis de Holly Long que de alguma forma nos passam um sentimento bom e de que tudo vai ficar bem. Facebook | Site| Twitter Marcelo Deiss – HURL (2021) Nascido no Brasil, mas atualmente vivendo em Londres, o cantor e compositor Marcelo Deiss acaba de lançar seu novo EP HURL. O disco conta com 6 músicas onde o músico explora diversos gêneros musicais como o rock, folk e o indie. Já o tema das letras caminha com os últimos acontecimentos no mundo: notícias falsas, o distanciamento social, políticas, guerra e como todas essas ações impactam negativamente no planeta. No entanto, suas composições tem um tom positivo, sobre como sair bem de todos esses climas que mexem com as nossas vidas, é sobre enfrentar os acontecimentos e ficar bem. Um ponto interessante é que durante as letras Marcelo alterna entre o inglês e o português, colocando em prática a dualidade de culturas que soma em sua vida. Facebook | Instagram | Youtube Les fils de Joie – Véronique, Albert et Harry (2021) Uma das bandas pioneiras da New Wave francesa, o Les fils de Joie surgiu no fim dos anos 70 influenciado pela onda do pós-punk e da new wave. A banda possui apenas duas coletâneas de músicas lançadas durante os anos em que estavam ativos, são elas: Arretê-ça c’est trop bon (1982) e Anthologie des idées noires (19860). No dia 12 de março reuniram algumas primeiras faixas gravadas para lançar no EP intitulado ‘Véronique, Albert et Harry‘, entre as 6 primeiras músicas da carreira estão ‘We’re not dancing anymore‘, única cantada em inglês e a primeira versão de um cover que fizeram para ‘Havana Affair‘ dos Ramones. Após a pandemia a banda planeja se reunir para fazer alguns shows. Facebook | Spotify | Youtube Magon – Les Capsules Live Groover Obsessions à La Marbrerie (2021) Os franceses do Magon lançaram recentemente seu primeiro disco de estúdio, o ótimo Hour After Hour é um álbum sólido e que pisa nos territórios rockeiros da década de 60, 80 e 90, onde podemos notar claras influencias de The Velvet Underground e Pixies. Algumas canções são marcadas por momentos agitados, melódicos e com riffs de guitarra simples e bonitos, spoken words e ótima produção, esses climas os colocam entre uma das bandas mais interessantes da cena atual francesa. Eu diria que são o tipo de banda que gostaríamos de ver em um fim de tarde em algum festival de rock. No último mês eles gravaram uma sessão ao vivo para o canal Les Capsules, chamada Groover Obsessions à La Marbrerie, onde apresentaram duas músicas do seu novo disco. Facebook | Instagram | Youtube Panaviscope – Love Sounds Like a Pretext (2021) Se você gosta de uma música mais dançante, outro nome interessante é a banda suíça Panaviscope. Eles fazem um som com bastante sintetizadores e psicodelia. Em 2020 lançaram seu primeiro disco de estúdio ‘Like the Sun‘ com 12 faixas. Nos últimos meses mostraram-se bem produtivos soltando mais
Cosmo Room: duo experimenta com o stoner, post-rock e disco em novas músicas

Cosmo Room é um duo formado por Enrico Herrera (Riders of Death Valley) e Gale Fernandez (Tropical Riders), integrantes de outras bandas da cena stoner nacional, gênero que inclusive é muito forte aqui, com ótimos artistas em todos os cantos do país. No entanto, o Cosmo Room se diferencia dos demais por experimentar com outros estilos musicais, fato que traz um tempero a mais em suas músicas. A dupla começou o ano com dois ótimos lançamentos, ‘Sexy Swing‘ e ‘Esquire‘, ambas lançadas pelo selo nacional Abraxas Records, forte apoiador da cena stoner no Brasil e responsáveis por trazer shows internacionais de grandes nomes do estilo, alguns como: Samsara Blues Experiment, Belzebong, Stoned Jesus e The Shrine. A primeira música divulgada foi ‘Esquire‘, passeando por climas mais aéreos, numa pegada experimental e diria até meditativa. Já a mais recente ‘Sexy Swing‘, traz guitarras e instrumental mais rítmicos, lembrando algo do pós punk e da disco. As faixas foram produzidas pela dupla e mixada e masterizada por Raul Zanardo, já a arte dos singles ficou por conta de Patrick Oldboy. Aproveitamos os lançamentos recentes para conhecer um pouco mais a banda e discutir outras ideias pertinentes ao som que eles fazem. Você pode conferir abaixo: Sobre a formação do Cosmo Room, surgiu de uma ideia espontânea ou foi uma saída para que vocês pudessem experimentar mais com outras atmosferas fora de suas bandas de origem? Gale: Um pouco das duas coisas, era uma vontade nossa criar um projeto experimental, onde pudéssemos ‘fugir’ um pouco do que já fazíamos em nossas bandas, e ao mesmo tempo surgiu de forma expontânea por conta da nossa afinidade pessoal, já tínhamos pensado em montar algo juntos e as coisas acabaram se encaminhando naturalmente. Enrico: A gente ja tinha conversado sobre começar um projeto, mas no começo não tínhamos definido nada sobre como seriam as musicas, e ai com o inicio da pandemia em 2020 a gente começou a estruturar melhor as ideias cada um na sua casa., e depois fomos se encontrando esporadicamente e começamos a gravar. Existe alguma história por trás da escolha do nome ou foi algo fácil? Gale: Nós tivemos algumas ideias preliminares que acabaram não funcionando por N motivos, mas o nome Cosmo Room nasceu a partir da ideia de ‘homenagearmos’ o estúdio onde a banda foi fundada (o home studio do Enrico), já que ele fica em um quarto e as nossas ideias não tinham uma forma pré-definida, o céu era o limite. Enrico: Desde o inicio optamos por colocar a palavra Cosmo pois é uma palavra que abraça uma ideia de expansão, mas depois achamos legal colocar o Room pra simbolizar o home estúdio aqui aonde tudo aconteceu mesmo. Me parece que a música instrumental ainda causa algumas ideias controversas em algumas pessoas, aquele papo de que existem bandas que não conseguem prender os ouvintes. Vejo que o som de vocês é bem trabalhado e supera as expectativas, o que vocês pensam sobre isso? Gale: A ideia de ter um projeto experimental era justamente quebrar esses preconceitos dentro de nós mesmos. Mesmo ambos ouvindo bandas e projetos instrumentais, nunca havíamos criado algo nessa linha, e dessa forma buscamos nos desafiar para sair da zona de conforto. Enrico: Foi minha primeira experiência com música instrumental e é um estilo que eu acompanho e gosto demais, então sempre vi com bons olhos e gosto de todo tipo de instrumental. Por não ter letras a gente consegue focar mais nas sonoridades e em outros instrumentos. Existem outros gêneros fora do eixo rock/metal que influenciam vocês? Quais artistas poderiam mencionar? Gale: Nossas referências são cíclicas, costumamos ter fases onde ouvimos algumas coisas novas com mais afinco, em outras voltamos mais para nossas raízes. Nesses nossos primeiros lançamentos ouvimos muito Allah-Las, Altin Gun, Khruangbin, Mdou Moctar, uma sonoridade nos levasse para um lado mais oriental mas ainda voltado ao rock. Nos nosso próximos lançamentos as pessoas poderão perceber que ouvimos coisas completamente diferentes. É um processo orgânico e eternamente mutável. Enrico: Eu gosto muito de samba e de música brasileira no geral, música caipira instrumental também (solos de viola). Ultimamente tenho ouvido muito lambada e guitarrada, Mestre Vieira e Mestre Cupijó. Ainda que vocês sejam uma banda instrumental, talvez não sejam influenciados apenas pela música, quais outras coisas vocês poderiam citar que os influenciam fora do meio musical? Gale: Gostamos muito de cinema, uma arte que conversa de forma íntima com a música o tempo todo. Creio que é algo que nos influencia tanto pessoalmente e individualmente como dentro da banda. Enrico: Como o Gale disse, acho que o cinema influencia bastante, a gente conversa muito sobre filmes, e talvez a literatura, a música instrumental é um ótimo pano de fundo para viagens e reflexões filosóficas. Quais são os próximos planos para o Cosmo Room? Gale: Temos mais algumas músicas prontas, já em processo de finalização, e é possível que lancemos algo ainda neste ano, mas num volume um pouco maior do que soltamos anteriormente, no formato de um EP ou disco. Enrico: Seguimos tentando produzir sem muita cobrança, ja que estamos num momento muito complicado no país, e a idéia é um formato de EP ou disco talvez. Fotos por: Melina Kato (@mkatophoto) Escute Cosmo Room: Acompanhe o Cosmo Room nas redes sociais: Spotify | Instagram | Bandcamp Confira também essas matérias: Mondo Noise – Post MetalPost-metal: cinco bandas nacionais do estilo
Helleno exalta a brasilidade e a liberdade em sua nova música ‘Pássaros’

Em um ano caótico e perturbador como o de 2020, somos colocados à prova diante de muitas questões, com os outros e com nós mesmos. No entanto, podemos recuar ou abrir os braços para os novos caminhos. Foi isso o que fez o cantor e compositor paulistano Helleno. O artista resolveu sair da zona de conforto e se desafiar em um novo universo musical em busca de sua verdadeira identidade. Sua história na música começa aos 11 anos cantando na igreja, mais tarde nos avanços da adolescência ele conhece o rock e o metal de artistas como Iron Maiden e Deep Purple. O êxtase da música pesada o leva a montar sua primeira banda, o Electric Age. Com o grupo, ele gravou o primeiro disco Good Times Are Coming (2013). O álbum foi distribuído em outros países e atingiu o número de 1000 cópias vendidas. O resultado foram diversos convites para se apresentarem em festivais grandes e renomados. Alguns como Sweden Rock Fest e o Monsters of Rock de 2013 no Brasil. O artista teve a oportunidade de tocar ao lado de nomes como Whitesnake, Aerosmith e Slipknot. Em 2015 ele entra em estúdio para gravar o primeiro EP ‘Open Secret‘ de sua outra banda o Desert Dance. No mesmo período se dedica aos estudos no Teatro Escola Macunaíma e integra a banda Viva Noite do programa Pânico na Band da TV Bandeirantes. Durante o período de isolamento social e em parceria com o produtor Rafa Freitas, ele dá vida ao projeto Helleno. Aqui ele flerta com a música brasileira, o pop, música eletrônica, teatro e poesia. Pisando em territórios desconhecidos, o artista busca se aprofundar nas sonoridades brasileiras juntamente com outros estilos que tragam novas possibilidades ao explorar sons e poesias. A música ‘Pássaros‘ é tida por ele como um poema dançante, e consegue trazer essa fusão de algo mais pop com atmosferas tropicais da MPB. As letras prezam a liberdade e a força de extrair coisas boas de si mesmo na procura do autoconhecimento. Batemos um papo com Helleno sobre sua carreira, ideias e a nova música, você pode conferir abaixo: Sua carreira teve início dentro do rock/metal, algo que pode ser muito excitante, mas ao mesmo tempo um pouco limitante se falando em sonoridade. Como você avalia isso e quais aspectos acredita que permanecerão com você no novo projeto? Primeiramente gostaria de agradecer o espaço e atenção de vcs!Todo esse fator limitante é o que, quase como um manifesto eu proclamo em Pássaros e com essa nova trajetória que estou iniciando, na música e na vida. Eu vivi uma vida no rock/heavy metal, lá as pessoas se sentem parte, como uma “tribo”. E se sentir parte de algo assim quando se é adolescente/jovem e periférico, te faz seguir em frente, acreditar, buscar possibilidades tudo por conta desse pertencimento que pra sobreviver na sociedade é imprescindível. Quando eu uso a palavra “tribo” é no lugar de costumes, hábitos, que você acaba aderindo. A gente sempre julgava a qualidade dos músicos das bandas, dos shows das estruturas, e muita das vezes pelo fator “ser diferente” isso sempre era rebaixado para ruim, péssimo no pejorativo. É algo que você vai fazendo sem se dar conta e se torna um hábito e é tóxico, porque você começa agir dessa forma com tudo em outros âmbitos da vida. Eu comecei me perguntando, “Pq eu não gosto desse álbum mais moderno do Metallica? E percebi que não tinha ouvido o álbum mas todo mundo do grupo dizia que era ruim, depois de anos quando me dei conta disso, eu resolvi ouvir e assistir e ler tudo que um dia eu disse que era ruim sem ao menos ter dado uma chance. Eu levo comigo toda a potência na voz e desprendimento com o público, a vontade de conhecer de aprender. Com o heavy metal, eu comecei a ler edgar Alan poe por conta de músicas do Iron Maiden, e mais uma grande lista de histórias de todo o mundo, a dramaticidade do estilo, a vontade de conta histórias, temas épicos, o interesse pela política e o sistema, idéias de álbuns conceituais contando histórias mágicas, por tudo isso e muitas coisas mais, sou grato a essa grande experiência que é viver o rock/heavy metal de forma visceral e levo tudo comigo. Helleno é uma nova faceta que você assume a partir de agora, como foi para você esse processo de transição pessoal e musical? Foi tudo natural, e digo que o Helleno sempre existiu, porém era como se ele precisasse amadurecer para assumir um espaço maior na minha própria vida. Veio o teatro e eu mergulhei fundo nas minhas fragilidades, medos, paranoias e percebi o quanto tudo isso me define, me expõe me deixa nu e essa nudez me faz encarar, enxergar, tudo isso que sou eu, e está tudo bem haha eu parei de lutar contra e comecei aceitando essas verdades, claro que o Teatro não é terapia mas ele te quer por inteiro, e assim como um exercício físico reflete no seu corpo todos aqueles questionamentos, circunstâncias, imagens refletem na sua alma, na sua mente, e alguma coisa acontece! No meu caso o Helleno também aconteceu e eu só posso agradecer, tudo é um processo totalmente aberto, eu entendi que essas mudanças/transições vão acontecer o tempo todo e de certa forma isso me conforta, me conforta estar aberto a essas possibilidades. Como foi lidar com a pandemia desde o ano passado, ao mesmo tempo em que você buscava tirar do papel suas ideias para essa nova fase? Foi e está sendo muito difícil, manter a positividade nesses tempos não é fácil, a arte com certeza tem sido além de tudo que já é, um refúgio, o dinheiro é escasso, e só sobra gastos, a saúde mental é o sinônimo de instabilidade, a dor da perda por tantas vidas é inestimável, não pôde ver as pessoas, não pôde subir num palco, essa crise política letal como o próprio vírus. Pro início desse
Rebobinados indica #20: novidades pt. 2

Voltamos com as novidades pt. 2, nessa segunda edição separamos mais artistas nacionais e internacionais que estão de música nova. Abaixo você confere alguns nomes novos da cena nacional que estão estreiando por aqui, esse é o momento de mandar música nova pras listinhas do seu player de músicas favorito. Sample Hate – Love Paradox (2021) Os produtores Artur Porpino e Dante Augusto lideram o Sample Hate, um duo potiguar que mistura ritmos da bossa nova, jazz, lofi e música eletrônica. Essa ótima fusão resultou em um primeiro EP chamado Beautiful, que reúne cinco músicas gravadas pela banda em 2020. A faixa “Love Paradox” é o single mais recente, lançada em janeiro ela traz a ilustre participação da cantora Potyguara Bardo, uma das artistas em destaque nos últimos anos. Bandcamp | Instagram | Youtube The Chucks – Walking Around (2021) A jovem e empolgante “Walking Around” é a terceira música lançada pelo trio paulistano The Chucks, a banda surgiu em meados de 2019 e faz um som entre o hardcore melódico e o pop punk. Atualmente estão trabalhando em seu primeiro EP com previsão para sair ainda neste ano. As letras da música falam sobre o término de um relacionamento e as desilusões que ele traz, já o vídeo que você confere abaixo, foi dirigido por Lincoln Fonseca (guitarra). Facebook | Instagram | Youtube Rematte – A Cerca (2020) “A Cerca‘ é o mais novo lançamento da banda Rematte, recheada de críticas sociais, ela traz um recorte da desigualdade e de outros problemas enfrentados na cidade de Fortaleza. O quarteto iniciou suas atividades em 2017 e já traz na bagagem um EP com seis músicas. Na sonoridade, são inspirados pelo rock alternativo e o metal de bandas como Deftones e Incubus. Para a gravação dessa nova música, os integrantes seguiram os moldes atuais do cenário pandêmico, sendo assim, cada um gravou seu instrumento separadamente, mesmo com esse desafio o resultado foi uma canção poderosa e de alta qualidade. Facebook | Instagram | Youtube The Zasters – Loose Lips (2020) Retirada do EP ‘What Just Happened?’, lançado em 2020 e criado no contexto atual da pandemia, a faixa ‘Loose Lips‘ fala sobre egoísmo e relacionamentos. A ideia resultou em um clipe, nele a banda recria o jogo Among Us, aproveitando as referências náuticas nas letras, criaram um mapa em um navio e os membros viraram os personagens do game. O grupo se inspira em artistas do indie e pop como Metronomy, Royal Blood e Grimes, atualmente estão trabalhando em seu próximo disco que pode ser lançado ainda neste ano. Facebook | Instagram | Youtube Ousel – Whispers (2021) A Ousel retorna com música nova, a faixa ‘Whispers‘ marca a estreia da nova vocalista Thaís Michelone, e fala sobre um lugar que existe em todos nós, onde estão guardadas todas as nossas vulnerabilidades e questionamentos sobre nossa capacidade e habilidades diante da vida. Ao mesmo tempo, ela fala também sobre aceitarmos nossas imperfeições, o que de fato é o melhor caminho para lidarmos com nossos medos. A produção ficou por conta de Luis Calil da banda Cambriana, essa é a primeira vez que a banda trabalha com o produtor, o resultado é uma música com direcionamentos diferentes e voltados ao indie rock, sem perder sua essencia etereal. Facebook | Instagram | Youtube Persie – Antenas (2021) Em sua nova música ‘Antenas‘, a cantora e compositora baiana Persie usa um dos meios de comunicação mais antigos como metáfora para falar sobre nostalgia e também a escassez dos relacionamentos contemporâneos. As letras surgiram em uma manhã silenciosa no centro de São Paulo, observando as centenas de antenas como paisagem. A sonoridade tem nuances leves e dançantes do synthpop junto dos vocais marcantes de Persie, as gravações aconteceram no Studio Vip em São Paulo onde ela reside atualmente, mesmo estúdio já frequentado por artistas como Jorge Ben e Fábio Júnior. Facebook | Instagram | Youtube Matheus Noronha – Viajante Noturno (2021) Diretamente de Porto Alegre, o cantor e compositor Matheus Noronha lança sua mais nova música ‘Viajante Noturno‘. Escrita entre os anos de 2016 e 2017, a faixa é fruto de uma experiência do artista em conectar diferentes culturas, após um mochilão pela América do Sul através de um trabalho voluntário visitando alguns países como Argentina e Colômbia. O músico retornou com uma bagagem repleta de experiências e possibilidades a serem incorporadas em suas músicas. Ele se prepara para lançar seu primeiro EP em maio, chamado ‘Camino Abierto‘. Facebook | Instagram | Youtube Belau – Risk it All (2020) Ganhadores do Grammy Húngaro na categoria melhor disco eletrônico, o duo Belau busca transmitir através de suas músicas atmosferas modernas e também orgânicas. A faixa ‘Risk it All’ conta com a participação da cantora Amahla e integra seu disco ‘Colourwave‘ lançado no ano de 2020. A banda já participou de festivais europeus famosos como Primavera Sound e Eurosonic, além disso, fizeram cerca de 200 shows pelo continente. Em abril a dupla pretende lançar uma versão deluxe de seu disco com versões remixadas e repaginadas. Facebook | Instagram | Youtube marcoz fernandes – Saída (2020) Em sua nova música ‘Saída‘, o cantor e compositor marcoz fernandes bebe das fontes do pop e fala dos desafios e adaptações das pessoas em relação ao ano de 2020, quando começou a pandemia. Os medos, a crise política e financeira e as questões relacionadas ao isolamento social foram a inspiração para as letras da música, assim como no vídeo que traz alguns climas tecnológicos e sua performance extravasando emoções. A música, produção e performance mostram potencial e o que há de novo na cena nacional do pop. Twitter| Instagram | Youtube Kirbjam – Espelhos (2020) ‘Espelhos‘ é o primeiro single do projeto Kirbjam, a letra fala sobre auto conhecimento, quando você entra em conflito com sua própria imagem e passa a ter uma percepção negativa de si. Liderado pelo guitarrista e compositor Arthur de Andrade, o projeto teve início em 2018 e busca influências no rock e pop dos anos
13 novos artistas da Groover para conhecer

Hoje trouxemos mais uma lista com 13 novos artistas super legais que conhecemos através da plataforma Groover. Se você ainda não conhece, a Groover é uma plataforma francesa que conecta artistas e mídias do mundo todo especializadas em música. Dessa forma, o artista paga um valor específico e consegue enviar seu material para blogs e sites darem feedback sobre seu trabalho, com a possibilidade de terem suas músicas adicionadas em playlists, entrevistas, notas e matérias, ou seja, um ótimo meio de divulgação do seu trabalho. A novidade é que a Groover agora chegou ao Brasil! Isso mesmo, agora é possível que artistas daqui se cadastrem no site e comecem a enviar seus materiais para blogs do mundo todo! Beach Scvm – Turquoise Apostando numa música que caminha entre o punk e a surf music, os garotos do BEACH SCVM acabam de lançar a nova ‘Turquoise‘. O clipe com cara de verão mostra a vida praiana e tem como trilha uma vibe positiva, cheia de riffs rápidos, ensolarados e viajantes e letras que falam sobre amores, sessões de skate, férias e memórias de jovens despreocupados. Entre as principais influências do grupo estão bandas como Wavves, Beach Fossils e Skegss. Uma boa pedida pra ouvir antes do nosso verão acabar! Facebook | Instagram | Youtube Gideon Foster – Dark Streets Quase como uma trilha cinematográfica, o som do Gideon Foster se desdobra em atmosferas noire, emocionais e melancólicas que passeiam pelo rock’n’roll e o folk, os vocais graves certamente vão te lembrar algo de Nick Cave durante seus discos dos anos 90. A faixa ‘Dark Streets‘ é seu single mais recente, lançada neste ano a música mostra um lado mais minimalista e melancólico, imagine-se andando sozinhos por ruas cinzentas e chuvosas. Facebook | Instagram | Youtube Emmrose – Ballad for the Boy Next Door Emmrose surgiu na cidade de Nova Iorque e começou a compor suas músicas aos 14 anos. Agora com 17, ela dá o start em sua carreira com o lançamento de ‘Hopeless Romantics’, seu primeiro disco de estúdio. As letras trazem poesias e vivências pessoais da artista, que fala sobre relacionamentos, ansiedade, corações quebrados e situações diversas da vida. O single ‘Ballad for the Boy Next Door‘ foi muito bem aceito pelos fãs de música pop alternativa, as letras falam sobre rejeição e o sentimento de contar como você se sente a alguém que se gosta e todos os sentimentos envolvidos nisso. Facebook | Instagram | Youtube Snap Border – Evil-tions (feat. Maxime Keller) Mesclando elementos do rock alternativo ao metal, os franceses do Snap Border chegaram a dividir palco com bandas conhecidas da cena metal como Lacuna Coil, Alestorm e Mass Hysteria. Recentemente a banda lançou seu novo EP ‘Icons‘ com cinco músicas e produção de Anthony Chognard, o disco traz a tona alguns assuntos que definem nossa vida e o sentimento de que estamos sozinhos e guiados por nosso coração, mente e alma. A faixa ‘Evil-tions‘ foi o primeiro single que antecedeu o lançamento e conta com a participação de Maxime Keller da banda Smash Hit Combo. Facebook | Instagram | Youtube La Chica – La loba O novo single ‘La Loba‘ da artista franco/venezuelana La Chica é o resultado de uma perda familiar recente, no entanto, a situação trouxe uma transformação pessoal em sua vida, assim ela decidiu se conectar mais com seu lado espiritual. A música conta a história de uma mulher-lobo que é ressucitada por um ritual, a lenda foi retirada de um conto da escritora Clarissa Pinkola Estés chamado ‘Mulheres que correm com os lobos‘. A sonoridade é uma forte combinação descompassada de ritmos latinos, batidas pulsantes e melodias de piano obscuras. Facebook | Instagram | Youtube Jindoss – Rendez-vous Jindoss é um projeto musical que teve início em um período solitário porém criativo durante o tempo de confinamento em casa. Inspirados, eles decidiram tirar do papel diversas ideias que rondavam suas cabeças e finalmente começaram a produzir novas músicas. Com cinco faixas, o EP levou o título de Rendez vous, as composições de momentos psicodélicos e aéreos tem influência de nomes como Air, Foals e Unloved. Facebook | Instagram | Youtube La Sanyea Dengue – Automobile O quarteto sueco La Sanyea Dengue surgiu a pouco tempo na cena musical, mas já tem duas músicas lançadas que mostram grande potencial. A última lançada ‘Automobile‘ foi inspirada por uma experiência de quase morte de Simon Lindberg que por pouco foi atropelado por um carro ao atravessar em uma faixa de pedestre, ao invés de perseguir o carro ele contou que ficou frustado e resolveu escrever uma música sobre o ocorrido. O resultado é uma música influenciada pelo ritmo enérgico do punk. Facebook | Instagram | Youtube Meresha – Red Headed Lover Meresha é uma cantora e compositora estadunidense, recentemente ela vem chamando atenção com suas composições, indo parar até no Top 40 Pop da Billboard. Seu lançamento mais atual é a faixa ‘Red Headed Lover‘, a música entrega uma ótima performance unindo a potência de sua voz com influências vindas do pop e da dance music. Até o momento ela lançou o EP ‘Enter the Dreamland‘ e alguns singles que abrem caminhos para seu futuro trabalho que deve ser lançado em breve. Facebook | Instagram | Youtube Creeptones – Vacant Winds A Creeptones vem de Nova Jersei e atualmente estão promovendo ‘Hell + Ice‘ seu segundo disco de estúdio lançado no comecinho do mês. O álbum abrange alguns estilos diferentes, desde o rock até as nuances mais eletrônicas, sem deixar de lado um pézinho no som psicodélico dos anos 60 que pode ser facilmente notado pelos sintetizadores espaciais em algumas músicas. Embora tenha muitas guitarras e elementos que compõem o rock, o disco pode agradar também aos fãs da música mais moderna. Facebook | Instagram | Youtube DeLaurentis – Pegasus ‘Pegasus‘ é a nova música de DeLaurentis, um projeto de música eletrônica francês liderado pela produtora, compositora e cantora Issey Miyake. A música fará parte do primeiro disco de inéditas que deverá ser
Dani Bessa e as novas ondas do indie brasileiro

A cena indie brasileira é um campo fértil de ótimos artistas, e os nomes que vemos hoje representam muito bem os rumos que a nossa música vem tomando, alguns buscando inspirações no passado, outros se arriscando em algo inédito e criativo. Hoje vamos falar de Dani Bessa, ele é um desses nomes e vem mostrando potencial com suas músicas. Cantor e compositor nascido e criado na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, Dani tem suas influências musicais calcadas no indie brasileiro e no rock alternativo. Em 2019, ele surgiu com sua primeira música, a sentimental ‘Kiss Me Every Time You See Me‘. No ano seguinte e apostando em composições também em português, ele lançou seu segundo hit ‘Se Você Tivesse Dito Sim‘, a música de clima gostoso e refrão grudento, teve ótima visibilidade nas plataformas digitais, chegando a mais de 22 mil reproduções, ale´m disso, fez parte da playlist oficial Indie Brasil no Spotify. O músico procura criar conexões de proximidade com o ouvinte, trazendo letras que retratam seus sentimentos e experiências pessoais íntimas cantados de forma habitual. Foi dessa forma que ele trabalhou em seu próximo single, a música ‘Passional‘, lançada no final de 2020. Desenhando uma mistura de ritmos entre o rock britânico, ska e música latina, ‘Passional‘ fala de alguém movido por uma paixão intensa, de pensamentos conflitantes e individuais, no entanto, essa pessoa mais tarde se aceita do jeito que é. A música traz duas atmosferas distintas, seu começo leve e praiano, claras influências do ska, termina em um instrumental mais intenso do rock. Dani Bessa nos contou um pouco sobre o processo de composição dessas músicas, como foi trabalhar durante a pandemia e quais são os próximos passos para o futuro, veja abaixo: Vamos começar falando sobre sua carreira na música, você já fez parte de alguma outra banda ou projeto, ou essa é sua estréia já em carreira solo? Entrei numa banda de rock de 2012 até 2016, era vocalista e guitarrista. Costumávamos tocar bastante covers e tinha pouco espaço pra músicas autorais, esse foi um dos motivos da minha saída. Fiquei oscilando bastante sobre querer voltar à ativa na música e decidi seguir carreira solo em 2019. Desde então, estou mais empolgado que nunca. Quais coisas te motivaram a começar a compor música e quais foram os desafios que você encontrou ao ser um músico independente? Tocar guitarra sempre me fez sentir melhor em momentos de bad. Normalmente quando estou passando por alguma situação complicada (ansiedade, insegurança, etc), gosto de compor como uma forma de extravasar e tudo. Pra mim, a maior dificuldade como músico independente é desempenhar praticamente todas as funções nesse início. A gente não pode ficar preocupado só com compor e tocar a música, precisa fazer com que ela chegue pras pessoas, precisa ver a estratégia de marketing que vai usar, produzir conteúdo freneticamente pra sustentar o algoritmo, essas coisas. Isso é bem difícil de fazer, ainda mais quando se é um artista solo em início de carreira. Nos seus três singles lançados até agora, ouvimos diferentes estilos musicais, ska, música latina, rock. Quais são as suas inspirações musicais? Pois é! Bom, minhas referências principais são Tim Maia, O Terno, Boogarins, Terno Rei, Mac DeMarco, Arctic Monkeys, Strokes, Oasis, e por aí vai (acho que falei um monte, né?). Ultimamente ando ouvindo bastante Lô Borges também, ele foi uma das inspirações pro último álbum do Arctic Monkeys, achei isso incrível quando descobri. Quais outras inspirações fora da música você busca trazer para suas composições? Costumo compor sobre aquilo que acredito, tentando passar a minha verdade, nua e crua, usando expressões do dia a dia mesmo. Em algumas letras falo bastante sobre relacionamentos também, mas estou querendo sair um pouco desse clichê e explorar outros assuntos em composições futuras. Resumindo: componho mais quando estou passando por momentos de ansiedade ou insegurança, é minha forma de botar pra fora no momento. Estamos em um cenário caótico de pandêmia, mas minimamente artistas estão conseguindo encaminhar seus projetos, quais são seus planos para 2021, novas músicas, vídeos? A pandemia mexeu com todo mundo e ainda está muito difícil processar tudo que vem acontecendo. Em 2021 vou dar continuidade ao projeto que comecei ano passado (eu e meu produtor ainda não decidimos se será no formato EP ou álbum), pretendo lançar mais singles e atualizar as redes sociais com mais frequência. Espero atrai mais gente pra ouvir meu som! Acompanhe Dani Bessa nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube Conheça outros artistas nessa matéria: Rebobinados indica #20: novidades nacionais pt. 1