White Canyon and the 5th Dimension traz jornada ritualística em seu novo disco IV

Quando sentei pra escrever a resenha desse disco, busquei na memória a primeira vez que conheci e ouvi o White Canyon and the 5th Dimension. Isso aconteceu em 2020, naquela época estranha e desesperadora da pandemia. Em quarentena, eu buscava ao máximo ocupar minha mente no tempo livre conhecendo artistas novos e que eu nunca tinha escutado. Em algum momento, navegando pelo Last.fm (minha rede social favorita), encontrei a banda entre artistas similares. A imagem de Léo e Gabriela sentados no porta malas traseiro de um carro antigo, com uma paisagem cheia de árvores no fundo me chamou atenção. Em seguida, dei o play no disco autointitulado, e nossa, de primeira já me surpreendeu. Fazia muito tempo que eu não escutava uma banda com tamanha qualidade e fazendo esse tipo de som no Brasil. E assim, fui escutando toda a discografia, acompanhei o lançamento do incrível Gardeners of the Earth, lançado em 2023 e que até então era o melhor trabalho da dupla, mas… será que o novo disco superou? IV traduz mistérios e experiências surreais em forma de música O quarto e novo disco, intitulado IV, chegou em uma data bem simbólica pra quem acredita. Em plena sexta-feira santa, dia 03 de Abril de 2026. Com oito músicas, o trabalho foi gravado, produzido e mixado de forma totalmente independente no home estúdio da banda. Mantendo aquela pegada DIY (do it yourself, faça você mesmo), que a cena independente bem conhece. A White Canyon tem como proposta falar de assuntos como natureza, crenças e espiritualidade. São temas que rondavam seus trabalhos anteriores, e eu diria que dão muito pano pra manga. Com esse novo registro não foi diferente. IV cria um fio condutor entre um conceito criado na Grécia antiga, que fala sobre a representação da vida através dos quatro elementos terra (estrutural), água (emocional), fogo (energético) e ar(mental) e as experiências, mistérios e energias ocultas oriundas da cidade de São Tomé das Letras, em Minas Gerais. Esse é um papo profundo, e que talvez você tenha ouvido falar de forma rasa, eu me incluo nisso. A faixa que abre o disco é “Silver Womb”, sua sonoridade cadenciada é repleta de mistério, que pode ser notado nos vocais conduzidos por Léo e Gabriela em conjunto com os riffs hipnóticos de guitarra que preenchem a sonoridade, abrindo o trabalho lindamente. Em seguida, “Gravestone Lips” busca uma dinâmica mais “agressiva”, onde as guitarras tomam mais forma, a bateria segue um ritmo mais veloz e tribal, trazendo o ouvinte para uma jornada ao oculto de forma mais intensa. “Where the Dreamers Go” é uma das favoritas, a experiência aqui é surreal. Eu diria que essa é pra botar os fones de ouvido e fazer aquela caminhada sem rumo, só sentindo a música. O desenvolver da faixa vai de riffs desérticos e bateria quase que em loop, mas aos poucos um clima vai sendo construído e logo, você é surpreendido com paisagens sonoras que fazem os pelinhos do braço levantarem, são paredes de guitarra que vão ecoando, assim como um mantra. O primeiro single que deu um gosto do que viria nesse trabalho foi a incrível “Flesh and Bones”, ela passeia pela onda do pós-punk. Os sintetizadores abusam do clima soturno, assim como a bateria, baixo e guitarra evocam a fase mais dark do The Cure em Pornography. Ainda assim, conseguem conectar esse lado sombrio com uma boa dose de melodias, tornando a atmosfera emocional e bonita. “Alumia Part I” funciona como um interlúdio, nela ouvimos um homem narrando sua experiência com duas criaturas desconhecidas, retomando as lendas em torno de OVNI’s, fato que torna a montanhosa São Tomé das Letras como cidade misteriosa e envolta por energias que nunca puderam ser explicadas. A faixa anterior desemboca em “Alumia Part II”, e posso elegê-la como uma das melhores, um feito interessante é que ela é cantada em português, algo não muito comum em composições da banda. Gabriela tira de letra, com muita personalidade ela consegue encaixar sua voz em um instrumental que busca um tom de brasilidade, nos conectando ainda mais com a proposta do disco como um todo. Vale uma menção honrosa a um amigo da banda (Martin Ludl) que gravou algumas linhas de saxofone para a música, enriquecendo ainda mais sua aura. “River Song” surge como um respiro para uma jornada que vai chegando ao fim, sua sonoridade mais experimental mantém um clima ameno, delicado e contemplativo, sem passar despercebida. De repente, um clima noire se instala com “Wicked Eyes”, faixa que fecha o trabalho. Aqui ainda temos tempo para viajar um pouco mais nas linhas psicodélicas que são criadas entre a dualidade de guitarras que dividem o mesmo espaço. Uma ótima maneira de fechar um disco que já figura entre os melhores do ano. Acompanhe o White Canyon and the 5th Dimension nas redes sociais: Instagram | Bandcamp | Youtube | Spotify Confira o disco IV: * Confira outras resenhas aqui.
BIKE convida público para meditar em seu novo disco Noise Meditations

Noise Meditations, novo álbum que a banda BIKE apresenta agora, nasceu de sessões entre os integrantes no estúdio Wasabi, em São José dos Campos – cidade natal do grupo. Com um set de baixo, bateria, guitarras, sintetizadores e percussões, o quarteto que é referência da nova psicodelia brasileira se reuniu para fazer música sem roteiro. “Tocamos por horas sem nada programado e dali saiu o repertório que forma o novo álbum”, conta Julio Cavalcante, vocalista e guitarrista. Com vinil em pré-venda desde Junho, o disco que chega neste 12 de Setembro nas plataformas digitais vai ser apresentado em uma turnê de lançamento no Reino Unido neste mês. Ouça o álbum aqui. Acontece também neste dia 12 o show de lançamento do álbum em São Paulo, na Casa Rockambole, a partir das 21h, com abertura de Edgar. Ingressos aqui. O conceito do disco está contido no próprio título: “a ideia era uma sonoridade que fosse guiada por ruídos e drones acompanhada de batidas e percussões repetitivas que dessem a ideia de música para meditar no caos. Fizemos letras curtas para que fiquem na cabeça como pequenos mantras”, explica Julio. Entre as influências que passam por Noise Meditations, estão música indiana, krautrock, jazz, Sonic Youth, Pedro Santos e o álbum Paêbiru. Depois das sessões que deram os contornos e alicerces das faixas, a banda – que assina a produção musical – gravou todo o disco em um único dia, no estúdio El Rocha, em São Paulo. “Passamos metade da diária montando, microfonando, timbrando os equipamentos e depois gravamos duas vezes cada música, pegamos a melhor versão e partimos para a mixagem e para a masterização”. BIKE é formada por Júlio Cavalcante (voz e guitarra), Diego Xavier (voz e guitarra), Daniel Fumega (bateria) e Gil Mosolino (baixo). Faixa a faixa por Julio Cavalcante 1 – Todos os Olhos: é psicodelia apocalíptica. A letra é o ponto de vista da floresta pegando fogo, quando todos ficam de olho, mas a maioria não faz nada, enquanto os olhos imundos do mundo querem apenas o lucro que a floresta pode dar. 2 – V.D.C: A letra veio durante uma expedição que fizemos com amigos. A partir de um certo momento a música que tocava me fez querer dançar como num ritual. Quando o disco que tocava acabou me senti muito leve e anotei as frases que vieram num papel. Na criação do som a música surgiu em cima de um ritmo do meu pedal de guitarra, e o loop que criamos me deu a mesma sensação da expedição. Foi só juntar as coisas nesse quebra-cabeça. 3 – NEU!A: Fiz essa letra na nossa última turnê pela Europa. É como se fosse uma letra irmã da Divina Máquina Voadora presente no nosso segundo disco. São imagens do que vimos e vivemos por lá. Se Divina homenageia Ronnie Von no título, aqui quem leva a homenagem é uma das nossas bandas alemãs preferidas, que influenciou muito esse disco e foi trilha sonora de toda essa turnê. 4 – Sucuri: Tem forte influência de Pedro Santos e do disco Krishnanda, que é um dos favoritos da banda. A letra veio para celebrar a Sucuri da lenda “Yube e a Sucuri”, da cultura Kaxinawá, em que um homem se apaixona por uma mulher sucuri e, para continuar com ela. também se transforma em sucuri e passa a viver no mundo profundo das águas, onde descobre uma bebida alucinógena que dá poderes de cura e acesso ao conhecimento. 5 – Bico de Ouro: A música nasceu de uma combinação do slicer de uma guitarra com o drone da outra, e a partir daí foi criado o beat que jogou a música pra frente. A letra traz a ideia de liberdade, de não ficar preso a nada. 6 – Coral: Surgiu da ideia de ser uma transição do Lado A para o Lado B do vinil. Então depois de toda a explosão de Bico de Ouro chegamos em Coral, que começa com um riff simples de guitarra que vai se somando aos outros instrumentos. A letra traz a ideia de uma picada de cobra-coral, que se espalha rápido pelo corpo e te leva a outro plano, um renascimento em outro espaço. 7 – Noise Meditations: Essa letra também foi fruto da mesma expedição que fizemos. Ela é quase um resumo do disco e por isso acabou ganhando esse nome. Talvez a faixa mais jazzística do álbum, mas do nosso jeito. Acho que nunca tínhamos feito uma faixa assim. 8 – Bhang: Psicodelia apocalíptica guiada por tambores. 9 – Velada: O Noise Meditations saiu de uma sessão pesada de três dias de jams gravadas aqui no estúdio. Velada foi uma das músicas que nasceram no fim da sessão com o corpo já cansado, mas como o groove engrenou a gente gastou um tempo nesse loop, que era pesado e rítmico. Acho que é a faixa mais pesada do BIKE até então. Ela também me passa uma sensação muito forte de leveza ao terminar e sua letra também surgiu na expedição. É a faixa onde a afinação que uso na guitarra neste disco mostra mais a sua cara. 10 – Essência Real:Para encerrar o disco pensamos em Essência Real porque ela traz na letra o resumo do que é ter uma banda independente lançando discos e fazendo turnês. Na parte sonora tentamos trazer a sensação de estar voltando, aterrando e mostrando ao ouvinte que é o final do disco. Confira o disco Noise Meditations: Noise Meditations de BIKE Acompanhe o BIKE nas redes sociais: Tiktok | Bandcamp | Instagram
Bike, sexto disco Noise Meditations terá lançamento em vinil antes do streaming

No ano em que completa 10 anos do lançamento do primeiro álbum, o quarteto de rock psicodélico, BIKE, anuncia o sexto disco com produção assinada pela banda. Com o título de Noise Meditations, a obra que conta com 10 faixas, convida o ouvinte a entrar numa espécie de mantra com pouco mais de 30min. Com previsão de lançamento para Setembro e tour já confirmada pelo Reino Unido, Noise Meditations inicia hoje a pré-venda do vinil – acesse o link aqui. Para aqueles que garantirem o LP na pré-venda, o vinil chegará antes da data de lançamento nas plataformas de streaming. Uma iniciativa que busca conversar diretamente com o público cativo da banda que os acompanha em turnês pelo Brasil, Europa e Estados Unidos: “o propósito é fugir da dependência dos algoritmos, não depender exclusivamente das plataformas digitais e dar a possibilidade da galera que nos acompanha e coleciona nossos vinis a ouvir o disco todo primeiro. Infelizmente o mercado da música no Brasil ainda se apega muito aos números e seguidores”, comenta o guitarrista e vocalista, Júlio Cavalcante. Com single previsto para Julho, a BIKE prepara um disco cujo conceito das músicas foi baseado no título do álbum: “Desde a sonoridade mântrica e ruidosa até as letras, que são pequenas frases que se repetem”, adianta o guitarrista. Além de Júlio, a banda é formada por Diego Xavier (voz, guitarra), Daniel Fumega (bateria) e Gil Mosolino – novo integrante que passa a assumir o baixo. “Usamos muitos drones para trabalhar com frequências e ruídos, além de ir para um lado mais percussivo e tribal, desde as guitarras do Diego usando um pedal Slicer que parecem percussões até o uso de chocalhos, cowbell, congas e outros instrumentos percussivos”, continua. Noise Meditations é um lançamento do selo da banda, BIKE Records – que já lançou também artistas do calibre de Ava Rocha, Glue Trip, Skylab, Hoovaranas e Manger Cadavre?. Os shows de lançamento que já estão confirmados são: 20/09 – Other Side Psych Weekender – Londres25/09 – Cardiff – País de Gales PRÉ-VENDA DO VINIL AQUI LINKSInstagramYoutube SOBRE BIKE BIKE é um quarteto de rock psicodélico formado em 2015 na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo. O álbum de estreia, 1943 (2015), chamou a atenção do renomado produtor Danger Mouse, que incluiu a banda na compilação 30th Century Records Compilation, Vol. 1. Esse reconhecimento internacional impulsionou a carreira da BIKE, que passou a se apresentar em diversos festivais ao redor do mundo, incluindo o Primavera Sound (Espanha), The Great Escape (Inglaterra) e Nox Orae (Suíça). Além das apresentações em festivais internacionais, a BIKE também se apresentou na rádio KEXP, em Seattle, e participou de turnês nos Estados Unidos, incluindo festivais como o SXSW, em Austin, e o Treefort Music Fest, em Boise. Os demais discos lançados são Em Busca da Viagem Eterna (2017), Their Shamanic Majesties Third Request (2018), Quarto Templo (2019) e Arte Bruta (2023).
Crumb entrega noite de psicodelia em São Paulo

Crumb é um quarteto de Boston que surgiu por volta de 2016, e logo trilhou uma carreira de reconhecimento na cena alternativa mundial. Com três discos de estúdio, a banda faz um som que rompe as barreiras da psicodelia e busca flertar também com o jazz e o pop indie. Este ano se apresentaram em grandes festivais como Pitchfork, Corona Capital e Primavera Sound, como parte de sua turnê promovendo o novo disco AMAMA, lançado em maio. Essa é a segunda passagem da banda pela América Latina, com shows no Chile, Argentina e Brasil. Aqui foram agendadas três apresentações, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Em São Paulo a apresentação do quarteto aconteceu no Cine Joia, famosa casa de shows localizada no bairro da Liberdade. As portas abriram por volta das 19h e logo havia uma fila bem grande de fãs que aguardava ansiosamente. Pluma, banda brasileira foi encarregada de abrir a noite Pluma é uma banda aqui de São Paulo, formada em 2020 pelos amigos Diego Vargas (teclado/synth), Guilherme Cunha (baixo), Lucas Teixeira (bateria) e Marina Reis (vocal). O quarteto se conheceu durante a faculdade e começou a chamar atenção com alguns lançamentos durante os anos de 2020 e 2021. Músicas como “Mais do que eu sei falar” e “Leve” hoje são bem conhecidas na cena alternativa brasileira. Além disso, tiveram a oportunidade de se apresentar no famoso festival Primavera Sound que acontece em Barcelona. Em julho deste ano lançaram seu tão aguardado primeiro disco, Não leve a Mal, com 12 músicas, todas cantadas em português e com influências vindas do rock psicodélico e dream pop. A apresentação teve início às 20h, quando pisaram no palco e abriram com a conhecida “Quando eu tô perto“, faixa que abre o novo disco. Ainda que um pouco tímidos, fizeram uma ótima performance que conseguiu prender a atenção do público que começava a encher o local. Ao mesmo tempo, importante ressaltar que a reprodução das músicas ao vivo segue fiel ao disco, tirando alguns fatores que incomodaram um pouco, como o microfone baixo que deixou os vocais de Marina quase imperceptíveis e a bateria muito alta que acabou se destacando mais entre os outros instrumentos. No mais, tudo correu bem, destaque para os teclados de Diego Vargas, que criava a atmosfera psicodélica e às vezes lembrava aquele pop brasileiro da década de 80. Outro ponto importante no clima da apresentação foi a iluminação que estava impecável, parabéns para a pessoa responsável! Acima de tudo, conseguiram trazer para o setlist hits e muitas músicas do novo disco, inclusive, muito bem aceito pelo público que fez barulho, e pouco depois, aplaudiu muito durante a despedida do quarteto. Enfim, foram uma ótima pedida para abertura do Crumb. Setlist Pluma:IntroQuando Eu Tô PertoCorrida!Se Você QuiserQuanto Vai Ficar?Mais do Que Eu Sei FalarMais Uma VezNão leve a malJardinsPlano ZDoce/AmargoSem Você Acompanhe a banda nas redes sociais: Tiktok | Instagram | Bandcamp Confira o disco Não leve a mal Crumb e a aguardada turnê do disco AMAMA Pontualmente às 21h30 subiu ao palco do Cine Joia, Lila Ramani (guitarra, vocal), Bri Aronow (teclados), Jesse Brotter (baixo) e Jonathan Gilad (bateria). Com a casa bem cheia, iniciaram sua apresentação para um público caloroso logo na primeira música, a ótima “AMAMA“, faixa título do novo disco. Falar de um show do Crumb é algo muito gratificante, afinal, a banda é um dos principais nomes da psicodelia atual e já tem seu público cativo em terras brasileiras. Com um repertório mais focado no novo disco AMAMA, tocaram cerca de 10 músicas do trabalho, algumas como “The Bug“, “From Outside A Window Sill“, “Crushxd” e “Genie“, que também já eram bem conhecidas entre o público. A vocalista e guitarrista Lila Ramani arriscou um bom português e conversou com o público, “boa noite! Estamos muito felizes em estar aqui”, em seguida disse “a próxima música se chama (Alone in) Brussels”. O público correspondeu muito bem a todas as músicas novas, e era incrível a atmosfera que ia sendo criada a cada faixa apresentada, quase que sem pausas. A sensação era de estar presenciando a uma longa jam psicodélica, um clima tão bom daqueles que facilmente nos transporta pra longe dali. Os momentos que iam se alternando aos belos vocais de Lila, que inclusive funcionam como um quinto instrumento, junto das linhas de baixo muito precisas a bateria e as maravilhas passagens de teclado e até sax durante alguns momentos fazem qualquer um se apaixonar por essa banda. Algumas músicas como “Baloon“, “Ice Melt” e “Nina” também arrancaram gritos de fãs que estavam totalmente imersos na sonoridade do grupo. Por fim, uma pequena pausa, e Lila anuncia que aquela seria a última música da noite, para a tristeza de alguns (más lógico que a maioria sabia que era o velho truque para chamar um bis). Em seguida, continuaram com a ótima “Trophy“, do disco “Ice Melt”. Eles se despediram rapidamente e saíram do palco, ainda assim, o público logo pediu bis e gritou pelo nome da banda que rapidamente voltou ao posto e disse que tocariam não só uma, mas duas músicas. O bis contou com “Part III“, do disco Jinx e a tão esperada e mais conhecida entre os fãs “Locket“, do EP lançado lá em 2017, cantada em coro. Em conclusão, foram exatamente 1h16 de show que agradou e muito os fãs que estiveram lá, só ouvi comentários positivos durante a caminhada até o metrô. Agradecimentos especiais ao Erick da Tedesco Mídia pelo credenciamento e a Aldeia Produções pela oportunidade de assistir a essa turnê no Brasil. Setlist Crumb:AMAMACracking(Alone In) BrusselsThe BugBalloonNightly NewsFrom Outside A Window SillBNRGenieIce MeltGhostrideDust BunnyRetreat!Side By SideCrushxdNinaXXXTrophyEncore:Part IIILocket Acompanhe o Crumb nas redes sociais: Site | Instagram | Tiktok Confira o disco AMAMA: Confira outras resenhas de shows clicando aqui.
Nada será como antes

resenha sobre o documentário nada será como antes – clube da esquina
Julico mergulha em emoções e explora sonoridades em Onirikum

Julico é multi-instrumentista, compositor e artista gráfico, nascido na cidade de São Cristóvão em Sergipe. Ele é conhecido por ser o fundador da banda The Baggios, um dos grandes nomes da música brasileira. Com turnês internacionais e indicações ao Grammy Latino por seus discos Brutown (2017) e Vulcão (2019). O artista embarcou em carreira solo no ano de 2020, com a estreia do debut Ikê Maré. O disco conta com 13 músicas e foi lançado pelo selo Toca Discos. A sonoridade caminha por gêneros já conhecidos do músico, como a música brasileira, rock e o blues. O resultado foram as prensagens em vinil totalmente esgotadas. Inevitável dizer que assim como os trabalhos do The Baggios, as composições são feitas com maestria. Fica nítido o amor de Julico pela música. É ele quem grava todos os instrumentos, produz e não menos importante, faz as artes de camisetas e alguns pôsteres de shows. No último dia 20 de outubro foi lançado seu segundo disco de estúdio sob o título Onirikum. A palavra vem de “onírico”, que é algo relacionado a um sonho ou situações fantasiosas. Sobre o nome que batiza seu trabalho, ele diz: “Representa para mim um estado de espírito onde acesso aos devaneios e sentimentos mais profundos. Os sonhos são como janelas que nosso subconsciente acessa e revela mensagens, imagens, ideias, sons e os mais variados desejos e sensações. Nesse universo me inspirei para compor esse álbum, mergulhando nas minhas memórias límpidas e turvas traduzindo através do som e da escrita meus sentimentos sobre temas que me angustiam, me deixa feliz, me alivia ou simplesmente me move.“ Arte do disco Onirikum A começar pela arte da capa, temos uma imagem influenciada pelo surrealismo, o interessante é que ela foi criada por inteligência artificial. Quando falamos em sonoridade, o álbum é um espetáculo à parte, aqui Julico se supera e faz uma jornada por diversos gêneros musicais. Incorporando elementos que vão desde as brasilidades, com ritmos da música nordestina, mpb, samba, passando pelo rock psicodélico setentista, blues, jazz e o funk. Alguns destaques do álbum são as faixas, “Then Pain May Become Tracks”, ela abre o trabalho com uma atmosfera misteriosa. Aqui o artista pisa em territórios diferentes, com uma pegada que talvez poderíamos classificar como um “trip-rock“. Em seguida, “Mon Amour” é uma nítida declaração de amor. A sensibilidade não está somente nas letras, mas também na sonoridade que é muito bem construída, com momentos psicodélicos e outros mais melódicos. A faixa título “Onirikum” é uma das mais lindas, daquelas que logo nos primeiros segundos vocês sabe que vai se apaixonar, com melodias e letras tocantes, ela fala sobre amor, sonhos e a arte. Mais uma faixa que merece o devido destaque é “Música”, aqui Julico expressa todo seu amor pela arte, podemos considerar uma de suas melhores composições, é uma daquelas músicas para prestar atenção em cada detalhe. “Motivo de Saudade” conta com a participação da cantora Fernanda Broggi, é um samba de tamanha beleza, com melodias de flauta maravilhosas e que fala sobre tempos nostálgicos: “De quando eu tinha meus irmãos de verdade, onde existia mais amor e amizade, pouco falava-se de medo, se eu caía era pra recomeçar…” Julico, Motivo de Saudade É até difícil falar sobre um disco que não tem uma música ruim. “Fazemblues” é um show, o blues sempre esteve presente nas composições de Julico, isso não é novidade. Mas, ele consegue fazer ouro durante os riffs de guitarra que vão derretendo ao decorrer da música. “Banho de Sal Grosso” também é uma das favoritas. As belezas nordestinas aqui estão impressas no ritmo do baião, riffs deliciosos de baixo, o sotaque e aquelas guitarras psicodélicas que dão o toque final. O trabalho se encerra com “Trem Veio”, uma composição nas raízes do blues. Destaque para os sons de gaita que nos levam pra um cenário quente e deserto. Mais uma vez somos surpreendidos! Não é a toa que Julico já foi indicado para premiações do Grammy. Quando falamos sobre artistas da atualidade, ele é com certeza um dos mais criativos. Sempre entrega trabalhos acima do nível. Como já falamos em outra matéria sobre Ikê Maré, ele está deixando seu legado na música brasileira e ainda seremos muito gratos por isso. Pra completar essa matéria, enviamos algumas perguntas sobre o disco novo e algumas curiosidades, confira a seguir: Primeiro, gostaria de saber um pouco sobre seu contato com a música. Quais memórias você tem dos artistas que te fascinaram e quando foi que você decidiu que gostaria de fazer música? Tem um marco pra mim que eu acho muito importante na minha vida musical, que é quando eu recebo uma fita k7 do acústico do Nirvana. Eu tinha 13 anos, e ainda estava perdido em relação ao que eu queria fazer, no que eu sonhava em ser, era um momento bem embrionário da minha vida. Acho que ali rolou uma provocação de querer entender mais sobre esse movimento do rock. Entender de onde vinha aquele som, a origem, as influências dele, como tocavam aquelas músicas. Aí acho que despertou mais o meu lado instrumentista de querer tocar aquelas músicas, de formar banda. Pensando em pessoas que me influenciaram e me fascinaram ao vivo principalmente, foram as bandas aqui de Aracaju mesmo. Sou do interior do Sergipe, São Cristóvão, mas vivia muito em Aracaju pra ver shows e tudo mais. Bandas lendárias como Snooze, Karne Krua, Lacertae, Plástico Lunar, foram fundamentais pra eu me interessar em formar banda, em estar ali fazendo aquele mesmo papel de composição, de show, de fazer discos e tudo mais. Mas, em relação a outros artistas que nessa época tinha muito do rock, do grunge, do punk e aos poucos da música brasileira que era algo comum na minha casa. O que mais te inspira a escrever as letras das músicas? Existe algum processo que você costuma seguir ou apenas deixa as ideias fluírem? A escrita das minhas músicas está ligada muito a minha vivência, as coisas que me despertam
Psicodelia e viagens astrais com White Canyon and the 5th Dimension

White Canyon and the 5th Dimension é uma banda formada pela dupla Leo Gurdan e Gabriela Zaith. O casal vive em São Thomé das Letras, uma cidade em Minas Gerais, rodeada por montanhas, mistérios e misticismo. Foi nesse cenário que deram vida ao projeto, por trás das composições estão temas espiritualizados, autoconhecimento, novos planos, viagens astrais, a natureza e seus mistérios. O primeiro disco de estúdio autointitulado “White Canyon and the 5th Dimension” foi lançado em 2019. E traz ótima produção, um rock psicodélico de qualidade envolto por riff enérgicos e belas linhas de teclado. A sonoridade nos lembra bandas como The Jesus and Mary Chain, Spiritualized e The Black Angels, da qual eles são fãs. Nos próximos anos seguiram lançando alguns singles, até chegar ao segundo disco. “Spectral Illusion” saiu em 2021 e conta com 7 músicas. Aqui a banda manteve sua ótima composição. Impossível não dar o play e viajar com as várias camadas, vozes e guitarras que vão ecoando durante as faixas. Outro destaque são as artes dos discos, são bem feitas e acompanham as ideias por trás das composições. Soundtrack for Astral Travel chega no finalzinho de 2022, o terceiro álbum tem músicas batizadas com nomes de planetas. Não preciso nem dizer que ele realmente é uma jornada em seus diversos estados. Acredito que esse seja o trabalho mais experimental do duo. Com três discos na bagagem, a dupla agendou sua primeira turnê no Chile, onde fizeram treze shows entre outubro e novembro de 2022. O resultado foi um gás a mais para lançar o ao vivo Live in El Quisco. O material traz 6 faixas de uma apresentação gravada no Centro Cultural Camilo Mori. Por incrível que pareça, o primeiro show no Brasil aconteceu apenas neste ano no famoso festival Woodgothic. Ele é organizado em São Thomé por Carolina e Zaff, membros da banda de pós-punk/darkwave Escarlatina Obssessiva. Dois meses depois, é lançado Gardeners of the Earth, o quarto trabalho da discografia é o mais “ambicioso” e com certeza um marco na carreira. Com uma produção de primeira, o álbum traz composições que soam como um rock n roll mântrico psicodélico. É como se aqui eles reunissem um punhado de sua história misturado com pitadas de coisas novas. Dá gosto em ouvi-lo e saber que temos aqui uma banda brasileira que executa com maestria um dos melhores lançamentos desse ano. Batemos um papo para conhecer melhor a banda e falar um pouco sobre a carreira, o novo disco e outras curiosidades. Você pode conferir em seguida: Como vocês se conheceram e como surgiu a banda? Nós estamos juntos há 13 anos, 7 anos de namoro e 6 anos casados, nosso gosto musical sempre foi um dos pilares do nosso relacionamento e fazer música juntos sempre foi algo que almejávamos, quando nos mudamos para São Thomé tivemos a oportunidade de trazer os planos mentais para o material. Vocês vivem em São Thomé das Letras, uma cidade rodeada de misticismo, como é viver aí e o quanto isso influencia na música de vocês? Nós devemos muito do que somos a essa cidade, seus mistérios nos trouxeram aqui e foi um tremendo passo que demos em direção a nossas jornadas de auto conhecimento. A interação com a natureza e suas lendas tiveram um papel crucial no desenvolvimento de nossas ideias e uma ponte para conectar com inspirações de planos superiores. Como funciona o processo criativo de vocês, o que mais te inspiram ao compor e quais mensagens vocês querem passar aos ouvintes com suas músicas? Nosso processo criativo acontece de forma mais individual e quando temos algo sólido combinamos nossas criações, é um processo muito leve e natural que acontece em meio do nosso cotidiano entre serviços domésticos e criação do nosso filho. Tudo que nos rodeia nos inspira de uma forma ou de outra, nossas vivências, a natureza e as lendas que nos cercam, creio tudo que ouvimos deixa uma marca em nossa música que quem conhece pesca muitas referências. Gardeners of the Earth é seu quarto disco de estúdio, como têm sido o feedback de seus fãs e pessoas que apreciam o tipo de música que vocês fazem? O feedback tem sido incrível, nos surpreendeu na realidade. Nossos ouvintes desde o primeiro álbum dizem que esse é nosso melhor trabalho até agora, que traz uma certa maturidade em questão de produção e composição. É nosso disco que vendeu mais rápido os vinis e também com maior audiência no stream até o momento. Esse álbum também trouxe novos ouvintes, diferente dos anteriores, acho que isso é um reflexo da diversidade musical que tentamos colocar no álbum. Atrai vários tipos de pessoas e gostos dentro do psych. Como é a relação da banda com os palcos? Vocês pretendem agendar shows para promover o novo disco ou está fora dos planos? No momento temos uma relação saudosa com os palcos. Nossa estreia foi em uma turnê pelo chile de 13 shows, que está prestes a completar um ano. Até hoje só apresentamos aqui no Brasil, em um festival underground que existe a cada dois anos aqui em São Thomé e honestamente nossa presença só foi possível por ser aqui na nossa cidade. Nós vivemos exclusivamente da nossa arte e ser artistas independentes no Brasil é algo que ainda falta muito apoio. Mas temos planos de fazer shows por aqui em breve, nos acompanhem em nosso Instagram que publicaremos nossos próximos passos sempre por lá. Quais artistas vocês gostariam de colaborar? The Black Angels! Com certeza é uma das bandas da atualidade que mais nos inspira e compartilhamos das mesmas inspirações, inclusive já interagimos pelo Instagram algumas vezes então, quem sabe um dia não é? Se vocês pudessem escolher apenas uma música do disco novo para fazer parte da trilha sonora de um filme, qual música e filme escolheriam e por quê? Se eu pudesse escolher uma trilha sonora para qualquer filme, esse filme com certeza seria Montanha Sagrada do Alexandro Jodorowsky, que é uma base de inspiração ilimitada
Melhores discos nacionais de 2020

Chegou o momento listinhas de fim de ano! E hoje trouxemos nossa lista de melhores discos nacionais de 2020. Acho que nem precisamos falar mais sobre 2020 né, já deu, conseguimos chegar ao fim dele, se a sanidade tá 100% é outra história, mas chegamos. Queremos agradecer aos que acompanham o blog, que mandaram músicas, releases, e também nos desculparmos se alguém ficou sem resposta, foi tudo muito louco e não conseguimos dar conta, somos apenas duas pessoas e um colaborador que escrevem sobre as músicas que gostam. Por fim, aqui vão nossos discos favoritos, vale lembrar que é nossa opinião pessoal, são os que mais escutamos durante o ano. Isso mostra também o quanto de música boa nosso Brasil tem, acho que essa lista sintetiza bem isso, escutem e apoiem os artistas e bandas nacionais! Mahmundi – Mundo Novo Em seu terceiro disco, a cantora e compositora carioca Mahmundi faz um trabalho que dialoga bastante com os tempos de isolamento, a conexão por meios tecnológicos e os sentimentos envolvidos nisso. A sonoridade se distancia um pouco dos discos anteriores, então aqui não rola tanto aquele flerte com o eletrônico indie, na verdade, temos a presença de instrumentos mais orgânicos, e acredito que isso é o que mantém um clima leve e gostoso de se ouvir. Faixas favoritas: ‘Nova Tv‘ e ‘Vai‘. Taco de Golfe – Nó Sem Ponto II Já tinha ouvido falar muito bem dessa banda, e aí fiquei curioso com esse lançamento e fui correndo ouvir. É um disco de rock instrumental bem feito, dinâmico, tem ótimos solos, melodias bonitas, não é aquele disco que você põe pra escutar e ficando penando. Ele é interessante, bonito e tudo bem redondinho, posso dizer facilmente que são uma das melhores bandas do gênero. Faixas favoritas: ‘Grade Grade’ e ‘Cortes’. Suco de Lúcuma – Quase Azul O que me fez querer ouvir essa banda foi o nome, inclusive eu não sabia que lúcuma é uma fruta, vivendo e aprendendo. Esse ano eles lançaram um disco duplo que foi separado em ‘Quase Azul‘ e ‘Quase Rosa‘. As músicas transitam por melodias psicodélicas e do neo soul alinhadas a um visual surrealista, destaco o disco ‘Quase Azul‘ como favorito, nele as composições se derretem em nossos ouvidos, criando até mesmo uma dimensão paralela como na faixa ‘Belém‘, uma das mais gostosas que ouvi esse ano. Faixas favoritas: ‘Nada no Ar’ e ‘Belém’. Wagner Almeida – Campeão da Avenida Campeão da Avenida é o terceiro álbum do Wagner Almeida, esse álbum nos leva a uma jornada cheia de emoções, ora com canções mais animadas que seriam uma boa pedida para as performances ao vivo, ora com canções introspectivas, repletas de melancolia e reflexão. Um pouco de shoegaze, ambientalismo, muita honestidade e verdade nas letras, riffs melódicos e vários dilemas que essa geração se encontra. Uma excelente pedida pra quem gosta de slowcore, folk, emo folk e lo-fi. Faixas favoritas: ‘Piloto Automático’, ‘Acordar’ e ‘Afogar’. Institution – Ruptura do Visível Ruptura do Visível é o segundo disco do Institution, e o que podemos destacar são as composições em português que acabam criando uma conexão melhor com o ouvinte. Aqui eles escancaram de forma poética as injustiças, questões sociais e a política podre que assombra o nosso país. O som intenso e pesado é um verdadeiro tapa na cara e definitivamente crava a importância de se discutir esses temas na música. Faixas favoritas: ‘Memória Falha’ e ‘Metástase’. Vivian Kuczynski – N ENTENDI ND O novo EP da Vivian Kuczynski foi uma grata surpresa, aqui ela pisa em territórios desconhecidos, sai de sua zona de conforto, se é que podemos falar isso, e aposta em um som eletrônico mais desconstruído, com algumas quebras abruptas durante as batidas frenéticas e os vocais cheios de efeitos e camadas. Esse tipo de música ainda não é muito explorado por aqui, e acaba sendo um plus a mais, muito bom saber que tem artistas criando algo fora da caixinha. Faixas favoritas: ‘PELE’ e ‘N ENTENDI ND’. Letrux – Letrux Aos Prantos Já tem muita gente falando isso por aí, mas é incrível como nesse disco a Letícia parece prever os tempos sombrios que viriam. Ela é uma das artistas mais interessantes da música nacional, muito expressiva, interpreta suas músicas de forma intensa, traz ótimas referências de música e literatura, e além disso consegue escrever letras que vão de momentos cômicos aos mais trágicos. Esse disco é ótimo, e com certeza é um dos shows que mal posso esperar pra ver em 2021, vem vacina! Faixas favoritas: ‘Contanto Até Que’ e ‘Eu Estou Aos Prantos’. Julico – Ikê Maré Esse disco pode ser considerado uma pérola desse ano, já conseguimos imaginar ele daqui uns 20 anos sendo citado como uma obra prima da música nacional, digo isso porque infelizmente as pessoas demoram pra dar atenção a certos artistas. Ikê Maré tem uma identidade incrível e avassaladora, ele traz uma conexão imagética forte com a natureza, rios, lagos e mangues, é sentimental e faz tão bonito diante de seu instrumental com ritmos brasileiros, guitarras cheias de fuzz e as ótimas letras de Júlio. Faixas favoritas: ‘Nuvens Negras’ e ‘Pelejamor‘. ÀIYÉ – Gratitrevas Em Gratitrevas, Larissa Conforto traz um trabalho bonito e sofisticado, no bom sentido. Fica visível seu renascer, explorando sons e temáticas, ela consegue uma sonoridade bem produzida, que funciona e conecta vários sons, indo desde as percussões africanas, samba, funk ao trip hop. Além disso, interpreta lindamente as composições com sua bela voz, mais um show que estamos ansiosos pra ver ao vivo. Faixas favoritas: ‘Pulmão’ e ‘Terreiro’. Luedji Luna – Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água Luedji Luna nos presenteou com um disco potente. Esse é seu segundo trabalho e busca força e inspiração nas raízes africanas, algo que fica explícito em sua identidade visual e musical. Para isso, as gravações aconteceram em países diferentes como Quênia, Madagascar e Burundi, e contou com participações de músicos locais, além de nomes conhecidos como a autora Conceição Evaristo e a
A psicodelia brasileira em 10 discos

Caracterizada pelas experimentações, climas frenéticos e alucinógenos, a psicodelia brasileira é um gênero que reverbera até os dias de hoje. O movimento, que teve início durante os anos 60 na Califórnia e Reino Unido, flertava com as novas drogas da época. Foi nesse tempo, em meio a tantos diagnósticos de estados transcendentais e visões deturpadas sobre o mundo e a forma como vivemos, que muitos artistas sob efeito de substâncias ilícitas, gravaram discos e músicas que traziam composições extranaturais. Essas características andavam de mãos dadas com as filosofias do movimento hippie, que surgia na mesma época. Pregando a paz, amor, a não violência e a liberdade do ser humano diante da vida supérflua. A união desses movimentos deu luz a uma leva de artistas, que gravaram discos com temáticas psicodélicas, tais como: Pink Floyd, Beatles, Grateful Dead, Janis Joplin e The Doors. Psicodelia no Brasil No Brasil, o movimento começou na metade dos anos 60, e é inevitável mencionar Os Mutantes, talvez um dos maiores nomes nacionais da música psicodélica a conquistar grande sucesso internacional. Contudo, o gênero não se resume apenas a eles, temos outros grandes artistas e bandas que entraram na ”onda” da música viajada e gravaram discos que nos impressionam até hoje. Lembrando que naquela época a ditadura militar repreendia a liberdade de expressão. A originalidade foi com certeza um dos pontos altos e interessantes da nossa psicodelia brasileira. Devemos isso também ao movimento da Tropicália. Nesse período, as raízes da nossa música afloravam e foram muito bem incorporadas. O resultado foi único e majoritariamente brasileiro, algo que não entrava na rota de artistas estrangeiros. Os Mutantes em seu ”Panis et Circenses” de 1968 e Caetano Veloso em seu auto intitulado de 1968 ou Novos Baianos em seu primeiro disco são um bom exemplo disso. Novas temáticas eram novidade e foram sendo exploradas por alguns artistas. Jorge Ben em seu décimo primeiro disco ”A Tábua de Esmeralda” abordava com maestria o misticismo. Nordeste na rota da psicodelia brasileira Em meados de 70, especificamente no Recife, surgia também um movimento underground que viria pra acrescentar uma forte identidade a música popular chamado Udigrudi. Nele, jovens artistas e músicos utilizavam da contra cultura e do regionalismo para criar algo como uma ”sociedade paralela” ao sistema. Dessa forma, se expressavam através da música, teatro, cinema ou artes plásticas. Devemos merecidamente citar a banda pernambucana Ave Sangria. Eles fazem parte desse movimento e gravaram um dos melhores discos da época, o auto intitulado Ave Sangria de 1974. Além disso, muitos outros artistas como Alceu Valença, Marconi Notaro, Zé Ramalho, Lula Cortês e Robertinho do Recife conseguiram unir altas doses de psicodelia e música nordestina, misturando ritmos como xote, baião, forró e frevo. Essa sonoridade rica mostra a autenticidade dos artistas brasileiros ao participarem desse movimento mundial, trazendo suas próprias características para criar algo novo e fora dos padrões. A neo-psicodelia Anos mais tarde, a música psicodélica ainda mantinha sua força. O chamado neo psicodélico apresentava artistas e bandas da geração 2000, influenciados pelos veteranos que deram início ao movimento no Brasil e no mundo. Alguns seguiram caminhos sonoros diferentes, trazendo novos elementos a essa música. As últimas tecnologias, a possibilidade de usar instrumentos virtuais e produzir música dentro do próprio quarto, fizeram com que esses músicos resgatassem e também trouxessem novos moldes ao som. Enquanto ”lá fora” o Tame Impala surgia ainda tímido em meados de 2008 na capital de Perth, na Austrália, outros nomes hoje já bem conhecidos seguiam os mesmos passos, caso do The KVB, Melody’s Echo Chamber e Temples. Enquanto isso, aqui no Brasil ótimos nomes foram surgindo entre os anos 80, 90 e início dos anos 2000. Precisamos citar nomes como Júpiter Maçã, Violeta de Outono, que mostrou uma baita qualidade em seu disco de estreia. E também a Mopho, que teve seu primeiro disco gravado apenas em 2000. A nova geração segue muito bem representada por Supercordas, Boogarins, Tagore, My Magical Glowing Lens, Glue Trip entre muitos outros. A discografia nacional do gênero é vasta, mas conseguimos separar pelo menos dez discos importantes do início dessa época e outros mais atuais que representam muito bem o Brasil. Fique com essas dez pérolas da nossa música. Por fim, se você quiser conhecer melhor os discos psicodélicos brasileiros, existem três livros lançados pelo jornalista Bento Araújo. Os materiais foram batizados de Lindo Sonho Delirante, e possuem três volumes, onde ela comenta sobre os 100 discos dessas épocas, conhecida como uma das mais criativas da música brasileira. Os Brazões – Os Brazões (1968) Mesmo sem grandes histórias ou curiosidades, sabemos que Os Brazões surgiram no ano de 1968. Nessa época a tropicália estava em seu auge, eles foram suporte de artistas como Gal Costa e Tom Zé. Em seu primeiro e único registro, trouxeram uma bela fusão da música psicodélica a momentos mais regionais também juntamente com a pegada do rock ‘n’ roll. Caetano Veloso – Caetano Veloso (1968) Em seu primeiro disco lançado em 1968, Caetano Veloso emplaca músicas que até hoje fazem sucesso em sua carreira, como as faixas ”Tropicália” e ”Alegria, Alegria”, que inclusive já virou trilha de novela. Embora esse seja um destaque da Tropicália, Caetano traz influências da psicodelia seja nas guitarras ou teclados, a faixa ‘Eles’ é a mais psicodélica do disco e inclusive tem uma menção aos Mutantes. O visual da capa se destaca, com cores contrastantes e uma imagem surrealista de uma mulher segurando um dragão. Gal Costa – Gal (1969) Gal Costa entra com pé direito na psicodélica ao lançar seu terceiro disco. Começando pela arte da capa, a mistura de cores extravagantes, criaturas entrelaças em si, um clima meio subliminar, que é uma forte estética do gênero. A sonoridade parte do rock ‘n’ roll da faixa “Cinema Olympia”, a momentos muito mais experimentais. Quem não conhece a fase antiga da Gal pode até se surpreender com suas potências vocais, gritos, sussurros, e outros sons irreconhecíveis. Ela foi praticamente a nossa ”Janis Joplin brasileira”. A faixa ”Objeto sim, Objeto