De Carne e Flor quebrando tudo com Em Teus Olhos Vejo Fendas

Resenha do álbum Em Teus Olhos Vejo Fendas da banda De Carne e Flor
Terraplana já salvou o shoegaze com álbum “natural” (2025)

Terraplana, como já escrevemos aqui, é uma das bandas que veio salvar o shoegaze nacional. E salvou muito bem. Em 2025, decidiu salvar novamente. E esperamos que continue salvando todos os anos. É um orgulho tremendo ver uma banda que acompanho desde o comecinho crescer tanto, se desenvolver tanto, ganhar muitos fãs de bolhas que ultrapassam o que a gente conhece como cena, estourar no Tiktok e em canais de esquerda (proletários de todos os países, uni-vos em prol do shoegaze). Ver pessoas jovens e mais velhas curtindo os shows, comprando merch e compartilhando esse som tão incrível. Mais incrível ainda é vê-los alcançando sucesso internacional, fazendo shows nos EUA e não duvido nada que logo mais tenhamos turnê na Europa. Me enche de satisfação e orgulho ver o shoegaze brasileiro sendo reconhecido internacionalmente por pessoas tão legais e comprometidas com seu som e sua essência. Nos faz lembrar do poder da música e de como ela pode transformar as coisas pra melhor. Eu não tenho palavras, mas vou tentar achá-las, prometo. O lançamento do disco “Natural” é um fenômeno que você não pode perder. Para mim, esse disco tem muita vibe de filme independente jovem alternativo, coming of age, vivendo na cidade, aproveitando a noite, uma experiência introspectiva e solitária. Apesar de eu ser muito fã de um reverb na voz, a Terraplana diminuiu consideravelmente esse efeito, também diminuiu as paredes de som que levavam esta jovem senhora que vos escreve à loucura. Um dia eu faço um movimento para trazer as paredes de som pesadonas de volta, mas hoje é o dream pop quem vai protagonizar. Shoegaze ou a mistura com seu primo mais acessível – dream pop – é a língua dos anjos, pode muito bem ser entendido e cantado junto perfeitamente nesse álbum. Nele também temos uma presença mais marcante vocalmente do Vinícius Lourenço, nosso Kevin Shields brasileiro, em faixas como “Amanhecer”, que é uma das músicas que eles já estavam tocando em shows há algum tempo. Gostei muito de ouvir as vozes mais presentes e pulsantes, apesar de dificilmente eu não gostar de algo que eles lancem. Neste caso, não há certo ou errado, mas o diferente é bacana. “Charlie” foi uma excelente escolha para ser um dos singles lançados antes do álbum completo. O refrão me traz uma sensação de familiaridade, e não é só porque acompanho a Terraplana desde o comecinho, mas por essa vibe noventista e nostálgica, aquela sensação de achar que viveu coisas que só viu nos filmes. O baixo de “Hear a Whisper”, começando super pujante, mostra que a escolha da Stephani Heuczuk como uma das inspirações da nossa lista de mulheres baixistas não foi à toa. E ter trazido a querida e adorável Winter para essa colaboração foi uma escolha muito certeira. Foi uma forma de trazer uma artista brasileira talentosíssima que brilha na cena independente americana e, ao mesmo tempo, uma maneira de a Terraplana ser mais conhecida e divulgada lá fora. Cantando em inglês ou português, shoegaze é a língua dos anjos, e, assim como nós apreciamos um bom shoegaze japonês, chinês e coreano sem entendermos nada do que está sendo cantado, os gringos também podem apreciar nossa música. “Todo Dia” me traz uma vibe muito dream pop, ainda mais com a combinação dos vocais da Ste e do Vini, alternados, às vezes funcionando como um diálogo, com uma melodia mais calma, cada um cantando sua parte e se complementando lindamente. “Desaparecendo” é um dos pontos altos para mim: mais pesadona, com mais paredes de som como a gente gosta, um vocal mais reverberado, muito forte e muito presente. Possivelmente, uma das músicas que a plateia mais vai gostar nos shows. “Horas Iguais” segue com o baixo pesadão, guitarras mais limpas, com foco total no refrão, que gruda muito facilmente na cabeça. E riffs muito bons que te fazem querer voltar a tocar guitarra. Assim como “Airbag”, que vem em sequência no álbum, começando mais presente e pesada, me trazendo referência a outro álbum célebre, “Frog in the Boiling Water”, do DIIV. Não sei se chegou a ser uma referência para eles, mas continua muito presente na minha cabeça e eu ainda continuo completamente obcecada. “SNC” também é outra faixa que traz os vocais do Vini mais presentes, contrastando muito bem com a doçura dos vocais etéreos da Ste e um efeito de pedal muito interessante, certamente trazido pelo Cassiano Kruchelski, que manda muito bem nas guitarras desse disco, com muita inspiração e talento. Eu também não poderia esquecer das baterias do Wendeu Silverio, que brilhou muito e foi crescendo e se desenvolvendo a cada álbum, mostrando seu talento e desenvoltura ao longo dos discos. “Morro Azul” nos despede desse álbum, mostrando que a Terraplana não é uma das minhas bandas preferidas à toa. É um orgulho tremendo poder presenciar o desenvolvimento desses jovens, vê-los tocando em outros países, ver cada vez mais pessoas andando com a camiseta deles no metrô, ver muita gente se apaixonando e se conectando também com esse som maravilhoso. Eu não posso dizer que “Natural” superou, para mim, o que foi “Olhar pra Trás”, já que esse é simplesmente o disco mais perfeito e sem defeitos lançado neste país. Porém, foi mais um excelente lançamento da nossa querida Terraplana. Eu ainda não superei “Olhar pra trás” e acho que vai demorar para que outro lançamento ocupe esse lugar tão cativo no meu coração, porém “Natural” pode facilmente figurar em segundo lugar, coração de mãe sempre cabe mais um álbum. Com certeza, vai ser incrível poder ouvi-lo ao vivo e cantar junto em abril. Aguardo vocês em São Paulo, Terraplana. Voem muito e ganhem o mundo, vocês merecem, meus queridos. Acompanhe terraplana nas redes: Site Spotify Bandcamp Instagram Youtube
Adorável Clichê encantando noites chuvosas

Resenha sobre o show da Adorável Clichê em São Paulo na divulgação do álbum sonhos que nunca morrem (2024)
Nada será como antes

resenha sobre o documentário nada será como antes – clube da esquina
Heretoir e a simpatia do blackgaze

Sexta feira santa é a data perfeita pra ver um show de uma banda de blackgaze/DSBM/atmospheric black metal alemã chamada Heretoir que eu jamais pensei que poderia ver no Brasil. Algumas bandas similares do gênero podem ser citadas como Deafheaven, Alcest (essas duas sendo as mais mainstream do gênero), Lantlos, Amesoeurs, Unreqvited, Les Discrets (saudades), Coldworld, Ghost Bath, Sylvaine e por aí vai. Particularmente gosto muito de todas essas que citei, e sou bastante fascinada tanto pelo blackgaze quanto pelo DSBM. Acho incrível a união do shoegaze com o black metal que podia parecer algo improvável, mas que soa tão bem e fica maravilhoso. E o DSBM tem o poder de consolar o coração de jovens depressivos por aí. Já tive minhas fases de só ouvir isso boa parte do dia, agora depende do meu estado de humor. Mas enfim, voltando a banda Heretoir. Foi criada em 2006, porém seu primeiro álbum full length homônimo só foi lançado em 2011. Justamente na época que bandas como Alcest, Les Discrets e Lantlos também lançavam álbuns que hoje em dia seriam relembrados como os mais marcantes do gênero. Em 2012, viria o álbum Substanz com algumas regravações do primeiro álbum e algumas faixas bônus. Em 2017, foi gravado aquele que pra mim e para muitos fãs da banda é o melhor e mais marcante álbum. The Circle pra mim é um dos melhores do blackgaze em si. A qualidade e a riqueza das músicas é um tesouro eterno. Recentemente, em 2023 lançaram o álbum Nightsphere e em 2024 anunciaram uma tour pela América Latina. O som estava muito bom, fiquei surpresa pela qualidade do som, eu nunca tinha ido na casa de shows House of Legends, que é uma casa que cabe umas 200 pessoas em média lá em Pinheiros. Me surpreendeu positivamente a quantidade de fãs no local, fiquei feliz com a aderência do público ao show em um feriadão. O vocal do Eklatanz é impressionante, uma potência vocal tremenda, com uma qualidade tão boa quanto do álbum. Foi incrível poder presenciar seus guturais e seu vocal limpo ao vivo. A banda cheia de carisma, simpatia e gentileza com o público. Pareciam genuinamente felizes de tocar por aqui, porque é algo que nem os fãs imaginavam e provavelmente nem eles também. Sempre chamando o público pro headbanging, por vezes podia ver a plateia se emocionar e fazer o headbang ao som da música, porque essa é a verdadeira forma que o metaleiro mostra que está gostando da música. Impossível não se contagiar. Pra mim os pontos altos foram as músicas do The Circle sendo tocadas, muito bonitas e músicas que me tocam bastante. Por diversas vezes senti o vocalista Eklatanz bastante emocionado e bem feliz. Um cara extremamente simpático e gente fina, além de muito talentoso e com uma presença de palco fenomenal. Foi um show que vou guardar na memória com muito carinho, apesar de não ter visto inteiro, porque moro longe e precisava pegar o trem (o drama do proletariado). Espero ansiosa pela volta deles, com outros álbuns, talvez em algum festival colaborando com outros artistas e com o talento de sempre. Setlist:ExhaleTwilight of the MachinesHeretoirFatigueGraue BautenGolden DustWastelandsThe Circle (Omega)Just for a Moment (Austere cover) (Only Eklatanz up on stage)Eclipse Acompanhe a banda nas redes: Facebook | Instagram | Bandcamp | Site
Wagner Almeida – Com Cuidado

Faz um tempo que eu não posto por aqui. Às vezes por falta de inspiração, às vezes por ser atropelado por outras esferas da vida. O dia a dia tem sido cansativo demais pra gente poder se dedicar aos hobbies e coisas que a gente de fato gosta. Só o capitalismo como sempre minando o que há de melhor em nós. É o que dizem: trabalhe com o que você gosta e termine odiando o que você gosta. Mas, enfim… Eu não vou prometer uma frequência de postagem, mas o que eu acabo sempre fazendo é falar toda vez que o Wagner Almeida solta um disco novo. E estou muito triste de essa ser a última vez que escrevo sobre um lançamento dele na carreira solo, com esse nome e essa identidade. O Wagner é um dos meus artistas favoritos de longe. Quem acompanha o blog sabe que eu sou fã irremediável dele e de todas as coisas que ele lança. Quando ele lançar mais coisas sob novos nomes, projetos e bandas, também estarei lá para ouvir. Eu demorei um pouco pra conhecer o primeiro álbum dele Crescimento/desistência (2018). Apesar de vários blogs terem escolhido esse disco como um dos melhores do ano. Eu tô sempre perdida nos lançamentos (e na vida em geral), porém esse álbum foi amor à primeira ouvida. E tudo que veio depois dele também. Esse provavelmente é o álbum xodó de muita gente, mas eu tenho mais história com o Domingos a Noite (2019). Se fosse um cd físico (que eu também tenho) teria riscado de tanto ouvir. Essas músicas me acompanharam em bons e maus momentos, muito mais em bons do que qualquer coisa, porque elas estavam lá comigo. Naqueles minutos que você ouve depois de enfrentar uma onda de raiva, os primeiros acordes te acalmam. No geral, o poder dessas músicas é de me acalmar e me fazer chorar. Nem sempre esse é o intuito, eu sei, mas é o que acontece. Letras sempre tão pessoais, mas que me atravessam de uma maneira como se aquilo tivesse acontecido comigo. Ou que eu posso muito bem relacionar a algo que eu vivi. Talvez por sermos da mesma geração, estarmos vivendo nesse momento no aqui e agora, sob a influência das mesmas condições. Uma geração de jovens tristes, angustiados, preocupados com o futuro e sem certeza de nada. O coming of age forçado, que a gente amadurece na marra, deixando para trás os amigos, as memórias e as vivências da adolescência. A vida adulta tem muito menos coisa legal do que imaginávamos, é muito mais cinza do que colorida. Esse contraste com as cores que a gente conseguia enxergar na adolescência e agora não consegue mais. E eu vejo isso muito claramente nos trabalhos do Wagner quanto na vida em geral, pré-pandemia um cenário esperançoso, vivaz. E na pandemia e pós pandemia, a sociedade do cansaço, onde as responsabilidades tomam conta da gente, nossa personalidade, essência e quem nós somos ficam em segundo ou terceiro lugar. Em primeiro ficam todas as preocupações e emprego. É preciso muito mais do que férias, mais do que férias um do outro. Receber o e-mail com o álbum “Com Cuidado” na minha caixa foi uma das surpresas mais gratas dos últimos meses. Aliás, receber música nova do Waguinho é sempre uma alegria pra mim. E tenho ouvido esse álbum constantemente nas últimas semanas, acredito que pra muita gente já que a receptividade do público nas redes sociais tem sido grande desde o lançamento dos singles “Primordial”, “Saldo” e “Simples e Legal”. Nesse disco o Wagner vem com banda cheia nas gravações, contando com outro grande artista que admiro muito, o Fábio de Carvalho nas guitarras que já escrevi muito sobre aqui no blog, Gabriel Elias Sadala também nas guitarras e trompete, Clara Borges no baixo, João Pedro Silva na bateria e Mateus Gregs nos sintetizadores. É uma super banda que trouxe muito mais corpo e densidade para as músicas. Eu gosto muito do estilo de gravação “sozinho no quarto” do Wagner, porém achei que trazer uma banda completa foi uma decisão excelente e muito bem acertada. Você pode ouvir o disco aqui: https://wagneralmeida.bandcamp.com/album/com-cuidado Wagner Almeida – Com Cuidado – Faixa a faixa O disco começa com a faixa “Irrompe”, muito marcada pelo violão no começo e depois pela entrada do restante da banda. Tímida, depois vai crescendo e explodindo. É uma boa escolha para abertura do álbum, pois seta o tom e nos apresenta uma pincelada do que virá daqui pra frente. É uma música longa, com 10 minutos, o que a faz ter várias nuances, se alternando entre dedilhado no violão como no início e trechos com banda completa que em vários momentos soam como uma parede de som advinda de discões célebres do shoegaze. Apesar de eu não considerar as músicas do Wagner como shoegaze, e sim como um folk, um rock alternativo, mais puxado para o lofi, dá pra ver claramente como o shoegaze tem bastante influência no que ele faz. O trompete nas músicas me traz muito para o midwest emo, principalmente uma vibe muito American Football. A segunda faixa é “Saldo” que foi um dos singles que vieram antes do lançamento oficial. Wagner nos contou nas redes sociais como foi o processo de composição das letras dessa música, que se não me engano, alguém lhe falou algumas palavras e ele foi criando em cima disso. Ele quis dizer que com isso nem todas as músicas tem algum significado muito complexo e elaborado, e que muita coisa pode virar música assim, do nada. E Saldo saiu assim, uma música muito boa por sinal, mais animada. A música seguinte é a “5401”, também com a temática de ônibus como a 33, mas bem menos triste, com guitarras muito marcadas. Eu gosto de música de ônibus, especialmente músicas que fazem a gente refletir ou chorar no ônibus pensando na vida. Depois vem “Com Cuidado” em parceria com o Gustavo Scholz, bem mais shoegaze triste e reflexiva,
Fábio de Carvalho e Wagner Almeida: da introspecção ao visceral e as lágrimas

Já tem uns dois meses que esse show aconteceu, mas eu só decidi terminar de escrever sobre ele agora. Rascunhei algumas coisas no dia seguinte ao show, mas nada me pareceu bom o suficiente. Depois de tanto tempo de hiato do blog, eu já não sabia mais se era possível escrever como eu escrevia antes. Tudo parecia melhor antes. Mas, enfim, vou escrever assim mesmo. No dia 22/01/23 aconteceu o show do Wagner Almeida e do Fábio de Carvalho em São Paulo. Confesso que eu esperei por um show do Fábio desde 2016, desde que o vi tocando pela primeira vez com a El Toro Fuerte na finada casa de shows chamada Breve. Foi nesse dia que conheci artistas incríveis que iriam me fazer gostar de muitos outros artistas incríveis e que também seriam um dos motivos para começar esse blog com o meu amigo Fábio Braga. Por ter esperado tanto por esse show, a expectativa era alta, e ela foi atingida e superada. Também esperava por um show do Wagner Almeida desse um pouco antes da pandemia, desde a sua passagem por São Paulo em 2019. Show esse que me emocionou muito (talvez eu tenha uma regra subentendida de sempre chorar bastante nos shows do Wagner) e todas as músicas que o Wagner lançou durante a pandemia foram meu mantra e meu grande apoio nesses tempos tenebrosos. Nem o Fábio e nem o Wagner têm ideia de quantas vezes eu me acalmei ouvindo suas músicas, de quantas vezes eu estava prestes a pedir demissão e dizer “foda-se essa merda”, mas respirei fundo, contei até 10 e lembrei de todas as contas que eu tenho pra pagar. Das vezes que chorei porque tive um coração partido, ou simplesmente quis acolher minha melancolia interior que me segue desde sempre. Das vezes em que as músicas falaram profundamente comigo, como se eu tivesse vivido todas as situações que eles descreveram, como muitas daquelas coisas também aconteceram comigo ou pelo menos acho que aconteceram. Parece tudo tão vívido e real, que por um instante parece que eu poderia escrever aquilo, se eu fizesse isso tão bem quanto eles. Assim como o Fábio e o Wagner escrevem sobre suas verdades, eu também tento escrever sobre as minhas. Ao longo dos anos alguns artistas que eu gostava antes já não fazem mais tanto sentido, mas esses dois têm um espaço cativo no meu coração. Seja pelas centenas de situações que eu passei e em que suas músicas me apoiaram, seja por sempre tratarem com doçura e atenção todos os fãs que se aproximam, pelo talento gigantesco e pela capacidade de moverem as pessoas de maneira sempre positiva. Eu sei que eu sempre pareço puxa-saco demais, mas eu tenho que falar o que eu acho que é verdade. E esses dois merecem todo o sucesso do mundo. Acho que a maioria das pessoas que estavam presentes no show provavelmente se emocionaram tanto quanto eu. Shows intimistas tem o poder de despertar isso na gente, quando só tem voz e violão (ou guitarra), parece que você se expõe mais, todo mundo tem só um lugar pra olhar, atenção plena e emoção à flor da pele. As letras te atingem de maneira mais forte, e quando você percebe, está chorando ao presenciar o momento, sem quaisquer lembranças de momentos anteriores. Eu tenho meus próprios motivos para chorar sobre músicas específicas, mas me vi chorando com outras músicas, como com Sob Nova Direção do álbum Eu Enterrei Uma Semente Aqui (2022). Obviamente essa música é imensamente triste, mas dessa vez ela despertou uma tristeza mais visceral, como se finalmente estivesse caindo a ficha. Outro tipo de emoção foi despertada quando Fábio de Carvalho cantou as músicas do disco Anjo Pornográfico (2021), e aqui vou ter que usar o visceral de novo, mas dessa vez como uma espécie de raiva guardada, um grito reprimido. Acabei gostando mais desse disco depois de ter visto sua performance ao vivo. É um disco diferente de tudo que o Fábio já havia lançado, um disco mais maduro, mais pesado, mais cru no sentido de deixar as emoções fluírem mais livremente, sejam elas quais forem, mais honesto. O conflito com deus presente mais uma vez, nisso a temática se repete das composições anteriores, e talvez esse seja um assunto infindável (pelo menos pra mim). Eu sinto como se desde a pandemia as pessoas estivessem cada vez mais carentes por emoção, aflitas por sentirem alguma coisa, qualquer coisa que se sinta, parafraseando Arnaldo Antunes. Então shows como esses vem em boa hora. Eu espero que os próximos shows não demorem tanto a acontecer, que produtores e casas de shows locais abram cada vez mais espaço para artistas independentes. É verdade que eu ficarei bem órfã quando o projeto Wagner Almeida tiver seu fim, no lançamento do próximo e último álbum, conforme anunciado em seu Instagram. Me acostumei mal com tantas músicas boas lançadas em um curto período de tempo, com a certeza de que em breve eu terei um álbum fresquinho e muito agradável me esperando. O Wagner deixou seus fãs mal acostumados. Com quais músicas irei chorar e ao mesmo tempo alinhar meu chakra daqui pra frente? Lamúrias à parte, desejo boa sorte e confio que todos os próximos projetos que ele lançar e participar terão a mesma qualidade e bom gosto de tudo que ouvi até agora. A fã continuará por aqui para o que der e vier. Me despeço com saudades desse show que já se passou e esperando ansiosamente pelos próximos. Até breve! Setlist Wagner Almeida: Cabo FrioFrank OceanSob Nova DireçãoMedo de VoarFaces, LugaresAvenidaFériasAfogarAcordarPeixe GrandeAo Meu Melhor amigo33 Setlist Fábio de Carvalho: FogoMão Vermelha No Coração da NoiteObsessorImagens (Jards Macalé)SábadoSobre uma festaPaz ImensaO amor é Aproveite para seguir os artistas nas redes: Bandcamp Wagner Almeida Bandcamp Fábio de Carvalho Instagram Wagner Almeida Instagram Fábio de Carvalho
Sylvaine: emoções guiadas pelo celestial e o caótico

Sylvaine é a trilha sonora de paisagens geladas e desoladoras, um som que transita entre o celestial e o caótico, onde transluzem sentimentos profundos e também a busca por eles. A mente por trás do projeto é a multi-instrumentista Kathrine Shepard, nascida em San Diego, Califórnia, a cidade de seu pai, mas é em Oslo, na Noruega, a terra natal de sua mãe e também em Paris que ela vive. A música sempre foi algo fundamental na vida de Kathrine desde muito jovem, e foi dessa forma que ela buscou se expressar e também se encontrar em meio a sentimentos conflitantes. Foi em 2013, na cidade de Oslo, que surgiu a ideia de criar um projeto pessoal chamado Sylvaine. A proposta era fazer um som influenciado por gêneros como shoegaze, post-rock e black metal. Embora alguns classifiquem sua música como post-black metal, o mais justo seria sugerir algo como um metal atmosférico, visto que existem diversos elementos incorporados. Aqui nós já falamos dela anteriormente nas indicações de blackgaze, nicho onde ela mais se destaca e é frequentemente lembrada em indicações do gênero. Muito provável que você já ouviu falar do termo ‘one man band’ (banda de um homem só), que nada mais é do que um único músico responsável por tocar todos os instrumentos em uma banda. Aqui temos uma ‘one woman band’ (banda de uma mulher só). É Sylvaine que toca todos os instrumentos nas músicas, ao vivo ela conta com o suporte de um grupo de músicos, fazendo com que shows e turnê se tornem possíveis. O primeiro disco ‘Silent Chamber, Noisy Heart‘ foi lançado em 2013, e tem 11 músicas, inclusive, traz uma bela foto na capa, certamente influenciada pela pintura Ophelia de John Everett Millais. Nesse primeiro álbum, ela explora timidamente seu gutural poderoso, um álbum carregado de sentimentos comuns ao ultrarromantismo (período também conhecido como segunda geração do romantismo), e também ao spleen de Baudelaire, o fundador da poesia moderna. Um álbum subestimado, mas que marca presença no nosso coração e desperta sentimentos intensos. The world outside is laid to restOvertaken by darkness Loneliness protrudes within The sonnet soon to begin Trecho da música Silent Chamber, Noisy Heart Em Wistful (2016), seu segundo disco, notamos uma direção diferente, um equilíbrio entre momentos pesados a outros mais melódicos, gerando aquele sentimento de calma antes da tempestade. Essa bela fusão cheia de paisagens sonoras incríveis traz uma forte identidade ao som, Sylvaine alterna seus vocais em uma dualidade entre algo mais sutil e bonito a outros mais agressivos e selvagens, uma mistura que provoca um clima profundo, real e que dialoga bem com as nossas mudanças e percepções sobre a vida. Assim como essa dualidade e ondas de emoções que por vezes nos sufocam, são brilhantemente expressadas por Sylvaine nesse álbum. Atoms Aligned, Coming Undone (2018), o terceiro disco, mantém a essência de Sylvaine, que é compartilhar seus sentimentos referentes a essa dualidade de dois mundos, o belo e o caótico, o conflito interno e externo. Porém de uma maneira mais dark uma vez que encontrou seu nicho, decidiu explorar aspectos que a ajudaram a se consolidar no cenário do metal. Esse álbum é catártico, explora extremos como nunca antes visto. Mørklagt é uma das músicas mais brilhantes e emocionalmente significativas pra mim. Mesmo com suas letras em norueguês, é possível compreender tudo que ela expressa mesmo sem saber qualquer palavra no idioma. Os sentimentos são tão intensos que você se sente arrebatado, atingido de surpresa por um poder extremamente forte, preenchido pela bateria, e levitando com a parede de som e os vocais magníficos. É um sentimento tão intenso e poderoso que te transporta para outro mundo. O lançamento mais recente é o EP Time Without End (2020), em parceria com Unreqvited um artista que também faz blackgaze/atmospheric black metal de primeiríssima qualidade. ´É claro que a parceria desses dois artistas não poderia resultar em um EP que fosse algo além de incrível. Carregado de melancolia e uma tremenda sutileza, uma tristeza acolhedora. O vocal de Sylvaine é tão etéreo junto a piano quase nos faz flutuar em doces melodias, nos abraça e nos guia nesse caminho tortuoso. Sylvaine é uma artista incrível, dona de uma voz poderosa, multi instrumentista habilidosa, fiel a suas influências e a sua verdade, inspirada por artistas talentosos. Sua presença de palco é inspiradora, por vezes a vejo performando e tenho certeza de que ela chega a literalmente brilhar, ela é um exemplo de talento para mim. Uma das artistas que eu mais admiro e se pudesse, almejaria ser 1% do que ela é. Eu já a conhecia e acompanhava desde o lançamento de seu primeiro álbum, mas comecei a admirá-la mais e mais ao longo dos últimos dois anos. Além de uma artista excelente, super carinhosa e atenciosa com seus fãs, ela também é um uma pessoa admirável, que me conquistou com sua vulnerabilidade e honestidade. A ideia de ver um artista como um ser perfeito, onde a perfeição está justamente no fato de ser uma pessoa imperfeita, de encontrar obstáculos e de tentar viver a vida da maneira como pode, assim como nós. Toda beleza de suas músicas que ouvimos hoje é fruto de um trabalho duro, que deveria ser muito mais recompensado e reconhecido. O artista ao se expressar, permite que nós nos encontremos, sempre que ouço Sylvaine, começo um processo de autoconhecimento, de olhar para dentro e de entender o que eu estou sentindo, interpreto da minha maneira o que ela escreve. Por vezes me faltam palavras para descrever o impacto que a arte provoca em mim, mas as músicas de Sylvaine conseguem expressar belamente todo esse sentimento. Já escrevi muitas mensagens de incentivo a Kathrine, mas sinto que isso não estaria completo sem essa matéria e a esperança de que mais pessoas possam vê-la assim como eu a vejo e que passem a admirar seu trabalho. Entrevista com Sylvaine: Qual memória você traz do seu primeiro contato com a música? Sylviane: Eu cresci em uma
Novos artistas para conhecer nesse fim de ano

O fatídico 2020 está chegando ao fim com uma lista de novos artistas para conhecer nesse fim de ano. Esse foi um ano bem ruim em todos os aspectos, porém o que podemos levar dele são as boas experiências que tivemos através da arte. A música foi uma válvula de escape bastante importante para mim esse ano e me ajudou muito a manter o restinho de sanidade que me restava. Espero que a música tenha tido um impacto positivo para todos vocês também e que 2021 seja um ano mais calmo e feliz. Nesses últimos dias do ano, trazemos mais uma lista de artistas novos que conhecemos recentemente, porque aumentar o repertório e descobrir músicas novas é sempre bom. Então vamos as indicações de hoje: MAIA Artista de trip hop/jazz/pop da Inglaterra. Até agora lançou um single chamado Bad Guy e planeja lançamentos para 2021. Facebook | Spotify | Instagram Bleach the Sky Banda americana de rock alternativo, tem uma pegada um pouco punk, um pouco grunge. Seu último lançamento foi o EP Acid Girl.Facebook | Instagram | Spotify CrumbSnatchers Banda americana de rock alternativo. Em 2016 lançaram o álbum Big House e em 2020 lançaram o single Satin Glow com uma vibe mais alegre, bem humorada e alto astral (extremamente necessária nesse período que estamos vivendo). Facebook | Instagram | Spotify Parlour Magic Projeto americano de música eletrônica do Luc Bokor-Smith. Esse ano lançou seu primeiro full álbum chamado The Fluid Neon Origami Trick. Ideal pra quem gosta de música eletrônica com sintetizadores e melodias no estilo Daft Punk. Instagram | Facebook | Spotify The Reytons Banda britânica de rock alternativo, com uma pegada de garage rock e stoner. A banda já lançou 3 EPs: Alcopops & Charity Shops (2018), It Was All So Monotonous (2017) e Kids off the Estate (2017). Red Smoke e Shoebox são seus últimos singles lançados em 2020.Instagram | Facebook | Spotify Cosmopolis Banda de art rock formada por músicos da Austrália, Inglaterra e Bélgica, com nome inspirado em uma revista europeia que circulava por volta de 1890. Como estão em locais diferentes, os músicos gravam sozinhos e produzem juntos em conjunto de maneira online. Brilhantemente, o nome do seu single chama-se The Distances. Os outros singles lançados esse ano são Sécheresse e God Hotel.Spotify | Facebook | Instagram Michael Dustan Artista australiano de folk music. Suas músicas nos transmitem muita calma e paz, você se sente cativado na primeira ouvida, então é uma excelente pedida pra você que está buscando músicas que tragam bons sentimentos. Michael lançou diversos singles entre 2017 e 2020, porém seu único full álbum chama-se In The Grand Scheme (2020) Instagram | Facebook | Spotify Yhu Kira Artista belgo de música pop francesa, esse gênero é mais conhecido pelo seu nome chanson. Traz várias influências de rap, R&B e trap. Seus trabalhos até o momento foram 3 singles lançados nesse ano: Tout est noir, Seul e Ciel. Em breve teremos o EP Pyramide nas principais plataformas. Spotify | Facebook | Instagram BALTHVS Banda colombiana de rock psicodélico com influências de funk, soul, R&B e música latina. Lançaram em 2020 um excelente álbum chamado M A C R O C O S M. Spotify | Facebook | Instagram Merry Christmas Banda britânica/japonesa de fuzz, folk e math pop baseada em Tóquio. Já lançaram o álbum The Flying Trombone Sisters (2014) e seu mais recente lançamento é o álbum The Night the Night Fell (2020) Spotify | Facebook | Instagram Playlist de novos artistas para conhecer – Groover discoveries Se você gostou e quer ficar ligado nas novidades musicais, basta seguir a nossa playlist no Spotify, ´lá você encontra vários artistas de diferentes gêneros musicais que descobrimos através da plataforma francesa Groover. Estamos atualizando frequentemente, depois conta pra gente quais você mais gostou.
Quem Indica: John Filme

A sonoridade da John Filme (já indicamos a banda nessa lista aqui) atravessa vários gêneros, alguns deles como stoner, shoegaze, metal e o experimental. Isso mostra justamente o que eles querem, não se limitar a apenas uma sonoridade. Formada em 2011 no município de Chapecó em Santa Catarina, a banda é composta por Akira, Fernando e Jivago. Trazem uma discografia produtiva, são dois discos de estúdio e cinco EP’s lançados. Abaixo você pode conferir a bela lista de álbuns que eles selecionaram para sintetizar suas influências. Antes disso, aproveite pra conferir também o novo disco ‘Jhon Film’ que saiu em agosto: As indicações da banda: Selecionei esses albuns pensando na John Filme e me liguei o quão difícil é ter que escolher alguns discos sem um critério específico além da relevância dos mesmos em nossas vidinhas rsrsrs….Tendo “dito” isso, eu fiz uma seleção ultra afunilada, ou seja, botei na lista discos os quais eu tenho certeza que cada um de nós da banda teria algo a dizer. AUTOLUX – FUTURE PERFECT (2004) É uma sequência impecável. Tentar ouvir alguma música desse álbum fora de contexto acaba sendo estranho porque tu quase sempre recebe um trecho da música anterior ou posterior à que tu ta ouvindo. Todo mundo nessa banda é muito massa e é estranho imaginar que a mesma pessoa que mixou esse disco (David Sardy) também mixou o homônio do System of a Down. REPOLHO – VOL 1 (1997) A legítima lavoura. Uma natureza avantajada dessas pode ser difícil no início e inconveniente no resto do tempo, mas o caminho mais difícil é sempre legítimo. Esse álbum traz a melhor gravação de baixo de todos os tempos, instrumentos afinadíssimos e até a voz do Akira no inicio da faixa ”Chapecó”. Essa alegada ”Colonagem Cibernética” da Repolho foi o que conectou algumas pessoas do Brasil à fora com a cidade onde a gente nasceu no oeste de Santa Catarina. Acho que isso nos ajudou a entender que pessoas daqui do interior também traçavam paralelos e trabalhavam com pessoas de outros lugares. Ver o Repolho interagir com Graforréia Xilarmonica, Jupiter Maçã, Tom Zé, Emílio e Mauro, Osmarmotta e vários outros, foi algo que alimentou a vontade de fazer alguma coisa commúsica. WARPAINT – THE FOOL (DELUXE) (2010) Essa versão estendida vem com as músicas do primeiro EP e acaba soando muito mais como um discão longo do que como uma versão com faixas bônus ou algo assim. Justo dizer que o live da KCRW 2011 Morning Becomes Eclectic era o vídeo mais foda de se ter no mural do Orkutantigamente… felicidades à todos aqueles que assim como nós, viram o Warpaint em algum dos shows que rolaram no Brasil. Esse disco foi muito importante pra nós e virou uma grande fonte de plágios pra ideias de bateria. MUNOZ – NEKOMATA (2019) Quebraceira do inferno. É difícil entender como é que dois irmãos conseguem fazer um troço tão massa assim… A gente não esconde pra ninguém o fato de que fomos adotados pela Muñoz no passado e essa convivência trouxe muito trago, foguete, gritaria e tendél. No ententanto esse disco vem de um lugar que não cabe em palavras. Ano passado Muñoz fez 3 shows em São Paulo e é certo afirmar que as musicas desse disco em versão ao vivo estão um absurdo. PJ HARVEY – UH HUH HER (2004) Acho que a gente conheceu a PJ Harvey ouvindo o Desert Sessions 9 & 10 e isso mistificou o Rancho de La Luna ao ponto que era um lugar que a gente sonhava visitar. Só um tempo depois fomos escutar a carreira solo dela e em especial esse disco que tem uma sequência gigante de tata-tumtumtum. As musicas são bem diferentes entre si e as letras basicamente fazem teus braços caírem. Pouquíssimas ideias pra essa pérola que amamodoramos. Acompanhe a John Filme nas redes sociais: FacebookInstagramBandcamp
Rebobinados indica #18: Groover Artists

Groover Artists são bandas e cantores talentosos que conhecemos através do perfil do Rebobinados dentro da plataforma Groover. A proposta desse especial é trazer artistas fresquinhos para vocês. A Groover é uma plataforma na qual você pode enviar sua música para a mídia (jornalistas, blogs, criadores de playlist, profissionais do ramo) escutar e receber feedback. São mais de 700 influencers listados, e apesar da plataforma ser francesa, cada dia cresce ainda mais o seu alcance. Você consegue encontrar profissionais de vários cantos do mundo (gama bem variada de profissionais da Europa, América do Sul e do Norte, Oceania, Ásia e um pouco da África também). Além disso, também é possível encontrar sua “rede profissional” como selos, gravadoras, empresários, profissionais que podem ajudar a marcar shows e por aí vai. É uma proposta interessante, ainda mais para artistas que estão começando ou que são independentes. Fazer contatos no meio não é fácil e nem todos conseguem dar conta da divulgação (afinal, a gente sabe o quão difícil é ser independente). O investimento é de 2 euros e o feedback é garantido em 7 dias. Se você compõe em inglês ou quer alcançar novos públicos, pode ser uma boa. Não está fácil para ninguém, especialmente durante a pandemia. Tem uma baita desvalorização dos artistas, shows cancelados, tour adiadas e tudo mais. Enfim, pode ser uma proposta interessante, se você quer saber mais: Site, About, Facebook, Instagram, Blog Agora sobre os artistas listados aqui, a maioria já é o tipo de música que gostamos e estamos acostumados a indicar para vocês. Alguma coisinha ou outra pode ser um pouco mais pop ou mais comercial, mas tem nosso selo de aprovação. Então pode confiar e solta o play! Alex Nicol Alex Nicol é um multi instrumentista canadense de indie folk/alternative rock. São músicas bem suaves, melódicas, uma vibe de melancolia. O single Two Times a Charm que indicamos abaixo faz parte de seu álbum de estréia chamado All for Nada Instagram | Facebook | Spotify IMAINA É uma artista belga boliviana de música electropop. Seu estilo é algo um pouco mais melódico e melancólico do que normalmente as músicas pop, são músicas mais românticas. Ela já lançou outros dois singles I’m Yours e ‘D.U.K.’ e agora o single Piel Canela, essas músicas farão parte de seu primeiro EP chamado Wounds que será lançado no fim de 2020. Facebook | Instagram | Spotify Pastel Coast Pastel Coast é uma banda que já conhecíamos e gostávamos muito. É uma banda de dream pop/indie pop francesa. Eles estão numa nova vibe após o lançamento do álbum Hovercraft (2019), estão mais alegres, melodias suaves, bem mais indie pop. O single Rendezvous é primaveril total, muito sol e felicidade. O próximo álbum está com lançamento previsto para Maio de 2021. Spotify |Facebook | Instagram Mandarina É um duo francês-colombiano formado por Paola e Michael de indie pop com influências de bossa nova e soul music. Eles tem raízes na música latina e eletrônica, que resultaram em uma canção leve e suave, bem tropical e um tanto sensual. Fala sobre amor a primeira vista, as dúvidas e medos que surgem com isso. Facebook | Instagram | Spotify BEESQUEEZE É um duo maltês de rock alternativo um pouco mais “dançante”, eles trazem uma bela junção de shoegaze com post-rock e música eletrônica e uma pitada de rock psicodélico. Já lançaram um álbum chamado Crowd Control (2017) e os singles Say You Do (2020) e Lost at Sea (2020). Instagram | Facebook | Spotify Maylin, The Buffalo Girl Maylin é uma artista francesa de pop rock/folk rock influenciada pelo blues. Dona de voz poderosíssima, está na ativa desde 2005, mas que ressurgiu em 2020 com o novo projeto Maylin, The Buffalo Girl. Seu single é escrito em inglês e francês, com um toque de espanhol, e que soa muito bem para nossos ouvidos brasileiros. Facebook | Instagram | Spotify Magon Banda francesa de pop rock psicodélico. Seu som é como Tame Impala se unisse ao Velvet Underground. Já lançaram o álbum Out In The Dark (2019) e agora em 2020 o single Change, precedendo o lançamento do álbum Hour After Hour no começo de 2021. Facebook | Instagram |Spotify Extera Extera é um projeto solo de música eletrônica/ambiente. O single Early Precedents (2020) é uma música bem mais melódica, com uma grande influência de post-rock, carregado de reverb e delay. Cada um de seus lançamentos procura focar em algo mais atmosférico, com textura e estado de espírito/humor, enquanto ele explora vários gêneros, desde o ambient drone até o industrial darkwave junto à música eletrônica. Facebook | Instagram | Spotify Howlite É uma banda australiana de alternative pop, com uma pegada eletrônica. Seu single Canary traz uma vibe bem trip-hop, sonhadora, forte e sedutora. Canary faz parte do EP Not Here (2020) recém lançado. Howlite foi uma das nossas maiores descobertas da plataforma e com certeza vai ser um artista que ficaremos de olho e ansiosos para os próximos lançamentos! Facebook | Instagram | Spotify River Into Lake É o projeto do belga Boris Gronemberger de indie pop. O artista já lançou o álbum Let the Beast Out (2019). O single Impatience marca a prévia do lançamento do EP The Crossing que vem em dezembro de 2020. Esse single tem uma vibe de post-punk, uma boa mistura do grave do baixo com o vocal potente, junto a synths e guitarras formando uma atmosfera agradável e nostálgica. Além de letras bastante reais e atuais. Facebook | Instagram | Spotify Dolche Dolche é o projeto musical da cantora e compositora Christine Herin, a artista já tem uma boa bagagem de shows pela Europa. Nos dois últimos anos ela esteve trabalhando em seu novo disco ‘Exotic Drama’, com lançamento previsto para 23 de outubro. A música de Dolche é intensa, sentimental e poderosa, entre suas influências estão artistas como Björk, Feist e Peter Gabriel. ‘Sunday Mood’ é seu novo single e fala sobre relações abusivas, abaixo você pode conferir seu belo vídeo clipe. Facebook |
Wagner Almeida – Campeão da Avenida

Campeão da Avenida é o mais novo álbum do Wagner Almeida. Esse é o terceiro álbum do Wagner, que já nos emocionou com Domingos à Noite (2019) e Crescimento/Desistência (2018). O novo álbum tem participações de Theuzitz e Ana Paia, e na produção João Carvalho (El Toro Fuerte), Vitor Brauer (Lupe de Lupe), Eduardo Possa (Irmão Victor), Gabriel Elias (Mineiros da Lua) e Fernando Bones (Aldan). Provavelmente eu deveria ser proibida de falar qualquer coisa sobre o que Wagner Almeida lança, porque eu acabo gostando de tudo. E se eu ouvir várias vezes, acabo amando e me vejo cantarolando até aquelas músicas que não curti. Enfim, esse é o preço que se paga por admirar bastante o trabalho de alguém. Já fiz muitas resenhas emocionadas aqui como: o EP Sonho Violento pt I e Sonho Violento pt II, além do álbum Domingos à Noite (particularmente um dos álbuns que eu mais gosto no mundo). Campeão da Avenida transmite várias sensações, é uma grande mistura de tudo que o Wagner já lançou até hoje. Uma boa mistura de canções que são perfeitas para uma performance ao vivo. E ao mesmo tempo também tem também canções mais introspectivas, típicas para serem ouvidas em um momento de melancolia e reflexão. Eu gosto de como o shoegaze e o ambientalismo são abraçados juntos com a melancolia durante essa trajetória. Também gosto como a honestidade e a verdade estão sempre presentes nas letras, porque através delas que a gente se identifica com o artista e traça paralelos com nossas próprias histórias. É incrível como um artista escreve algo que diz muito sobre si, e ao mesmo tempo é tão verdade e relacionável a história de quem ouve. As músicas de destaque pra mim foram Frank Ocean, Acordar e Piloto Automático. Frank Ocean eu confesso que não me apaixonei na primeira ouvida, achei diferente, o ouvido estranhou por conta da mixagem não ter sido feita pelo próprio Wagner. Mas isso foi coisa de quem já está acostumada com o estilo característico das músicas, e qualquer mudança causa estranheza. Conforme fui ouvindo mais vezes, fui acostumando e no final das contas eu gostei bastante. Especialmente porque é uma música que seria muito bacana de ver ao vivo. Acordar é uma música bem doce e que junta dois dos artistas atuais que eu mais gosto e admiro no cenário alternativo. Achei uma combinação perfeita as vozes da Ana e do Wagner. Foi um feat que fez o meu coração ficar mais quentinho. E Piloto Automático tem uma letra que eu particularmente gostei muito e que me traz reflexões. Eu poderia ouvir o Wagner cantar sobre qualquer coisa e mesmo assim eu iria me identificar. Talvez seja pelo tom melodramático da sua voz, talvez seja pelo jeito inteligente que ele consegue incorporar uns riffs melódicos e o shoegaze bravão no meio da música. Ou talvez porque a gente seja da mesma geração, se identifica com os mesmos dilemas e enfrenta os mesmos problemas. Porque é difícil ter inspiração para criar algo que na nossa cabeça seja realmente bom, e que faça as pessoas se identificarem, mas que a necessidade de criar e se expressar é maior do que isso. Então a gente acaba apenas desabafando, e no final das contas, mesmo sem a intenção, acaba criando uma música legal que alguém em alguma hora vai se identificar e tudo vai ter valido a pena. Me desculpe por cantar tão baixoÉ que eu nunca fui muito bom em falar sobre as coisas que eu pensoEu invento coisas tão banais só pra poder cantarE pensar que alguém vai gostar de ouvirUma música um pouco mais animada mas que não fala sobre nadaE nem é que não role nada bomMas eu não consigo colocar pra foraDe um jeito que eu gosteQue eu não me sinta bobo por me sentir feliz num mundo podreEu escrevo essa música no piloto automáticoQue talvez seja mais honesto, diferente de quem eu souMas como eu queria serUm cara mais otimista, que gostasse de visitas, e tivesse paciência e tivesse esperança Frank OceanAvenidaAcordar (part. Ana Paia) Afogar Perdoar (feat Theuzitz)Carta de VinhosCortarExpirarPiloto Automático Acompanhe o Wagner Almeida nas redes: https://wagneralmeida.bandcamp.com/https://www.facebook.com/wagneralmeidabhhttps://www.instagram.com/wagneralmeida_bh/ Escute Campeão da Avenida no spotify:
Quem Indica: Vinicius Lourenço (terraplana)

É feriado, mas o Rebobinados não descansa. Dessa vez trouxemos mais um integrante da banda terraplana, o Vinicius Lourenço. Se você é fã da terraplana, pode conferir também o post em que a Stephani indica vários álbuns legais. Continuamos trazendo o Quem Indica para vocês todas as segundas (enquanto tivermos artistas dispostos a participar desta humilde coluna). Tudo bem que é duvidoso, mas eu particularmente gosto muito dessa coluna, especialmente porque a gente consegue conhecer os artistas que gosta bem melhor através dos gostos. Gosto muito de ver gente que eu admiro falando de outras pessoas que elas admiram também. O espaço é aberto pro artista dizer o que quiser sobre os álbuns que gosta. Aos poucos gente planeja abrir espaço pro artista falar abertamente sobre o que gosta. E a proposta do blog sempre foi essa: falar do que a gente gosta. Acredito que estamos sendo fiéis a este objetivo. Se você acompanha nosso blog e quer indicar mais algum outro artista que a gente já mencionou por aqui indicando uns discos, comenta aqui ou manda um inbox pra gente. Estamos abertos a sugestões! Vinicius Lourenço Vinicius Lourenço é o guitarrista da banda terraplana de Curitiba – PR. A terraplana lançou um EP chamado Exílio (2017). Até este fatídico momento, a terraplana ainda não lançou o álbum e ainda não salvou o shoegaze das forças do mal (o brasileiro continua sem motivos para sorrir). Ideal para quem gosta de shoegaze, slowcore, post-rock, dream pop e noise. Indicações do Vinicius Lourenço Esses discos estão sendo muito importantes pra mim nesses últimos meses, porque passei a ouvir muita música nova e o significado disso pra mim se tornou o que era no começo, quando tinha acabado de começar a me interessar por música e procurar por bandas. Fiz uma lista de discos que estão sendo importantes pra mim na quarentena. Nesse tempo (talvez por estar repetindo alguns dos mesmos atos que fazia na adolescência, como ficar muito no computador, não sair de casa, ter webamigo, etc). Parece que comecei a ver a música do mesmo jeito que via quando era mais novo e estava começando a descobrir as primeiras bandas sozinho. Tenho me entusiasmado, me importado, me emocionado muito mais com os sons que tenho ouvido. Agora com um olhar bem diferente, mais maduro e mais meu mesmo, do que quando eu tinha, sei lá, 14 anos. The Strokes – The New Abnormal “Ouvi esse álbum na verdade porque vi um tweet do Guigas, da Quasar, falando desse álbum. Não lembro exatamente o que ele falava, mas me interessei e fui ouvir. Agradeço muito ele por aquele tweet, porque nisso eu redescobri uma banda foda que não tinha dado tanta importância quando era mais novo e comecei a amar as coisas do Julian Casablancas também. Em geral, o álbum basicamente trouxe um Strokes um pouco mais Strokes do que no álbum anterior, Comedown Machine. Talvez a pior música seja Bad Decisions, que ainda está longe de ser a pior música da banda num geral. Todas as outras músicas são bem interessantes e tem partes bem legais, com melodias que eu gostei muito. Ter ouvido a demo “I’ll Try Anything Once” no filme Somewhere da Sofia Coppola, também me influenciou e me deixou um pouco mais curioso sobre os trabalhos do Julian.” Sparklehorse – It’s a Wonderful Life “Descobri Sparklehorse durante a pandemia. É claro que eu já tinha ouvido ele em alguma viagem com a banda ou por recomendação de algum amigo, mas foi ali que realmente parei pra me interessar, escutar e pesquisar sobre. Ouvi muita coisa aleatória dele, umas lives e músicas não lançadas só disponíveis no YouTube, então não é especificamente sobre esse álbum. Não sei se essa banda/artista tem um gênero ou estilo definido. Sei que tem uma identidade que me lembra muito o slowcore, apesar disso não transparecer em todas as músicas. Algumas tem vocal feminino e masculino juntos, como King of Nails e Morning Hollow, as linhas de voz dessas músicas são lindas. Também recomendo dar uma olhada em algumas lives, como a da música Painbirds no canal SPIN, porque é perfeito ver esses músicos tocando ao vivo, o som que eles tiram e como eles reagem ali na gravação. Tem muita música muito triste também. Sparklehorse é foda.“ Winter – Endless Space (Between You & I) “Pirei muito nesse álbum, pois ele sintetiza muitos dos meus gostos e influências musicais, assim como faz a Sprain, mas de jeitos totalmente diferente. Tem bastante coisa bem shoegaze ainda, bem dreampop, os vocais, algumas guitarras e tal. Tem um quê muito forte desse rock neo psicodélico vibe Tame Impala e etc. Afinal, pra mim foi uma mistura perfeita, que eu já queria ter ouvido muito antes, mas não consegui isso sendo executado de um jeito massa de verdade por nenhuma outra banda. Curti demais a produção, curti MUITO as composições, os arranjos, as melodias, tem muito timbre diferente de sintetizador, de guitarra, de bateria… Tem muito detalhe mais atmosférico, ambiente, tem muita camada. Bem no Fundo, um feat com o Dinho do Boogarins, e Constellations são duas das minhas musicas favoritas desse álbum… Ah, Pure Magician também, é bem MBV, os vocais, as guitarras e tudo mais.“ My Bloody Valentine – m b v “Esse é o único álbum que não ouvi pela primeira vez nesse ano, entretanto eu com certeza redescobri e percebi muita coisa que antes tinha deixado passar. Tem essa coisa do vocal ser leve, da melodia ser quase que angelical, e ao mesmo tempo que as coisas também tem bastante peso… Essa coisa mais ambígua no som e nas letras e, óbvio, as camadas de instrumentos e vozes. Enfim, coloquei esse álbum aqui por ele ser um dos meus favoritos da vida e porque a galera geralmente não chega a ouvir ele, que pra mim é muito mais fácil de compreender que o Loveless. Na moral, é muito bom.” Sprain – As Lost Through Collision “Fiquei enrolando a Taty por mais de
Quem Indica: Oxy

Hoje quem indica seus 5 discos favoritos pra nós é a Oxy, uma das nossas bandas favoritas e responsáveis por lançar um dos melhores discos do ano passado, o incrível ‘Fita’, que inclusive já falamos sobre nessa matéria aqui. Cada integrante indicou um dos seus discos favoritos, se você ficou curioso e também está afim de conhecer músicas nova, então confira a lista e fique ligado nas próximas postagens porque ainda tem muita gente bacana pra aparecer por aqui. Oxy A Oxy é uma banda da cidade de Brasília fundada em 2016. A nostalgia dos anos 80 e estilos como o shoegaze e dream pop são suas principais influências. A banda tem um EP e um disco lançados. As indicações: SARA Maison, Jiwoo (2019) Se eu fosse expressar meu estado de espírito desejável em álbum, ele seria o Maison do Jiwoo. Nao sei nem como falar o quanto esse álbum é incrível – começando pelo estilo de mixagem impecável, com influências claras no jazz, tem uma qualidade artística de alto nível, e o visual é de cair o queixo. É lindo, é poético, é nostálgico, é calmo – basicamente tudo o que eu procuro em um artista. Quando ouvi “Comme des Garçons” pela primeira vez tive a sensação que essa faixa abriu um novo mundo pra mim, não só musical, mas artístico, pois as composições musicais são apenas uma parte do trabalho muito bem construído que é o Maison, uma obra de arte e design. BLANDU Reflect, Seventeen Years Old and Berlin Wall (2017) Faz um tempo que eu tô apaixonado por “Seventeen Years Old And Berlin Wall”, banda japonesa de shoegaze que descobri no início do ano porque o guitarrista veio me dizer como curtiu o som da Oxy. Os EP’s que que eles lançaram são todos maravilhosos e completos! Mas o Reflect é especial. Ele é um projeto conciso! Uma ideia fechada. Ele me lembra muito a frase que o Tyler diz pro personagem do Edward Norton (Jack?) em Clube da Luta (filme): “Eu sou tudo que você sempre quis ser”. Esse EP tem tudo que eu sempre quis compor. Percebi hoje que ele vai ser minha referência, minha base e minha inspiração pras composições, produções e mixagens futuras da Oxy. LUCAS EDUARDO Petals For Armor, Hayley Williams (2020) Eu escolhi o Petals For Armor, álbum de estreia da carreira solo da Hayley. Pra quem curte umas vibes do radiohead com uma pitada de Madonna anos 80 e claro, todo o talento e paixão da Hayley Williams. VINÍCIUS FARACO The Curtain, Snarky Puppy (2015) Ultimamente tenho me interessado em escutar mais músicas e álbuns instrumentais. Eles me induzem a valorizar e prestar atenção em elementos que, nas músicas com letra e vocal, passavam despercebidos. É como se os compositores precisassem ter o dobro do trabalho para manter uma música interessante apenas com instrumentos, sendo instigados a explorar mais arranjos, ritmos e texturas. Escutar esse estilo de composição realmente mudou a experiência do que é escutar música para mim. Acabei descobrindo, então, o álbum “Sylva”, composto pela colaboração entre o grupo de jazz/funk/pop “Snarky Puppy”, formado em Nova York (EUA) e a orquestra de jazz “Metropole Orkest”, formada em Hilversum (NL). Esse disco foi gravado ao vivo pelas duas bandas, totalizando mais de 40 músicos, combinando formações clássicas de orquestras com formações populares de bandas de jazz. Escutar esse álbum pela primeira vez foi uma experiência que eu nunca vou esquecer. As músicas oscilam entre os grooves sincopados e riffs dissonantes do funky e do jazz e a calmaria e perfeccionismo de uma orquestra. Isso forma uma montanha russa de sentimentos, com músicas que surpreendem diversas vezes e muitas explorações de texturas, timbres e ritmos novos, misturando técnicas clássicas e populares de composição. Gosto de escutar esse álbum do início ao fim, sempre na ordem. As músicas são guiadas pela orquestra, contando uma narrativa sonora. como se a banda de jazz estivesse o tempo inteiro sendo acompanhada por uma trilha sonora cinematográfica. Me sinto como se eu estivesse assistindo um filme que não tem imagem, e sou completamente guiado e movido pela trilha sonora e pelas sensações que as músicas proporcionam. LUCAS FRAGA Creation’s Finest, Mother’s Cake (2012) Recomendo FORTEMENTE o Álbum de rock psicodélico, progressivo, funk, alternativo, decide quem escuta! O trio austríaco Mother’s Cake entrega uma pluralidade de estilos e ritmos em suas músicas, característica marcante do prog. Suas permeiam uma gama de períodos do Rock mundial, relembram o rock Setentista de Led Zeppelin com seu som mais pesado e vocais estridentes e chegam até o mais atual Funk de Red Hot Chilli Peppers, com linhas de baixo e guitarra que se entrelaçam perfeitamente. Recomendo pra quem procura um bom som Torto e cheio de complicações rítmicas, pra no fim ficar se perguntando: “Como esses caras fazem isso?” Siga a Oxy nas redes sociais: Facebook | Instagram | Soundcloud
Quem Indica: Stephani Heuczuk (terraplana)

Mais uma segunda feira e a nossa coluna Quem Indica continua firme, vamos torcer para que isso dure por bastante tempo, ok? Eu particularmente tenho gostado muito de trazer artistas que eu gosto pra indicar discos para vocês aqui. É uma forma de nos aproximarmos com eles, aprender um pouco mais sobre o gosto e influências de cada um. E como eu sou fã das pessoas que estou chamando para colaborarem aqui, fico com o coração quentinho também. Ainda não atingimos nosso objetivo de dar tanta voz a arte e aos artistas quanto idealizamos, mas espero que estejamos no caminho certo. Dessa vez trouxemos uma pessoa que eu admiro muito, definitivamente eu gostaria de ser como ela quando eu crescer. Não sei se ela sabe disso, mas a admiração e o carinho são enormes. São tão grandes que ela era uma das minhas grandes referências quando escrevi o post das mulheres baixistas. Infelizmente não pude escrever muito naquela época se não o post ficaria enorme, porém fica aqui a menção. Além de uma excelente baixista, a Stephani também é ilustradora. Se quiser ver mais trabalhos dela, confira o instagram @sheuck Stephani Heuczuk A Stephani é baixista da banda terraplana de Curitiba – PR. Até hoje a terraplana lançou apenas um EP chamado Exílio (2017). Estamos aguardando eles salvarem o shoegaze e nos darem motivos para sorrir. Ideal para quem gosta de shoegaze, slowcore, post-rock, dream pop e noise. Indicações da Stephani O critério que eu usei pra selecionar esses cinco álbuns foi o que tenho ouvido ultimamente e achei que poderia ser uma descoberta diferente pra quem for ler, tanto que escolhi estilos bem diferentes Choose Your Weapon – Hiatus Kaiyote (2015) Esse álbum é simplesmente fantástico, brilhante e inovador. Acredito muito que ele venha a se tornar um clássico! Adoro ouvir a naturalidade com que a voz da Nai Palm soa, a criatividade das melodias, as harmonias sendo levadas pra lugares diferentes. Pra mim tem sido uma experiência muito inspiradora ouvir ele e tentar entender as formas, cada vez que eu ouço é uma descoberta diferente! Cinco Sentidos – Mateus Aleluia (2010) Cinco Sentidos tem um espaço muito especial na minha vida. Ele foi um acalento em momentos que eu precisei muito, ele me transporta pra esse mundo mais ancestral e simbólico. Pra mim o álbum se tornou um respiro, um meio de conexão com essa busca constante por um sentido maior, a busca por entender o oculto. Esse álbum me leva pra esse lugar de entendimento, intuição e percepção. Água Batizada – Negro Léo Gostoso e esquisito são os adjetivos que eu usaria pra definir esse álbum. Eu redescobri ele agora na quarentena, e eu acho simplesmente maravilhosa essa coisa que a música faz de marcar uma época, uma fase na nossa vida. E quando você ouve um tempo depois, por mais transformado que você esteja, por mais mudado que estejam o mundo e os desejos, você ainda consegue sentir um pouquinho daquilo que sentia antes e se transportar pra um tempo que já foi. Ouvir novamente tempos depois é como um lembrete de não esquecer quem se é e resgatar sentimentos esquecidos. Djesse vol 2 – Jacob Collier (2018) Eu já conhecia o Jacob Collier de alguns vídeos da internet, mas foi só em 2020 que eu parei pra ouvir de verdade e me apaixonei por esse álbum. Nossa quanta sensibilidade e genialidade ele tem, é muito maravilhoso ver artistas tão jovens e da nossa geração, fazendo músicas que simplesmente não existem palavras pra descrever. Um destaque muito importante para as musicistas que emprestaram suas vozes incríveis em várias faixas do disco, como Lianne La Havas, Becca Stevens, MARO, JoJo e Dodie. Susumu Yokota – Sakura (2000) Um dos meus passatempos é ilustrar e nas minhas ilustrações eu sempre busco criar lugares, cenários cotidianos, que tragam um ar de contemplação. Eu quero que as pessoas vejam os desenhos e sintam algo, assim como eu sinto quando estou criando eles. Em geral eu tento recriar esses cenários cotidianos da vida, em que por um instante a gente esquece de todas as desgraças do mundo e simplesmente aprecia estar ali naquele momento singelo e de pura contemplação. E pra criar essa atmosfera, ouvir música ambiente experimental é um recurso que me ajuda muito. Esse é um dos álbuns que cumprem perfeitamente esse papel (menção honrosa para os álbuns Green do Hiroshi Yoshimura e Pacific de Haruomi Hosono, Shigeru Suzuki & Tatsuro Yamashita). Quer saber mais sobre a artista? Acompanhe nas redes: FacebookSiteBandcampInstagram da StephaniInstagram da bandaSpotify
Quem indica: Ana Paia

Mais uma segunda feira chega e com ela o Quem Indica do Rebobinados para talvez trazer um pouco de alegria para o seu dia. Sempre uma ótima chance de torcer para que o seu artista favorito da música independente brasileira apareça para te recomendar belos álbuns, não é mesmo? Se você tem alguma recomendação de artista que gostaria de ver por aqui, deixa sua sugestão anos comentários que vamos tentar contatá-lo para a próxima matéria. E na matéria de hoje trouxemos a Ana Paia para indicar álbuns para vocês! Ana Paia Ana Paia é uma cantora/compositora de Sorocaba – São Paulo. Como Ana Paula lançou o EP Atelofobia (2017). Depois mudança de nome para Ana Paia, lançou os singles Mais um dia (2019) e Eu não sei (2019). Recentemente lançou o EP vc n sabe como eu sou (2020). Ideal para quem curte: emo, midwest emo, rock alternativo. Ex: Snail Mail, American Football e Soccer Mommy. Fotos por: Simplicithé Photographie Indicações da Ana Não são meus álbuns preferidos, mas são especiais pra mim, e acho que merecem ser ouvidos. Carrisa’s Wierd – Songs About Leaving (2002) O primeiro álbum que vou indicar é o Songs About Leaving do Carissa’s Wierd, é um álbum bonito demais, sempre que tô meio pra baixo boto pra ouvir, pra ferrar tudo de vez sabe? Haha. ‘So You Wanna Be a Superhero’ é minha música preferida do álbum, a guitarrinha derruba qualquer um. Pinegrove – Marigold (2020) O segundo álbum é o Marigold do Pinegrove, uma das minhas bandas preferidas, o álbum saiu esse ano e tá louco, eu fiquei uns cinco dias seguidos só ouvindo ele. O Evan é um cantor/compositor incrível demais, vale a pena demais parar pra ouvir Pinegrove. Jonathan Tadeu – Queda Livre (2016) O terceiro álbum é o Queda Livre do Jonathan Tadeu. O Jonathan é um artista muito foda, fico de cara porque ele merecia muito mais reconhecimento. Lembro de ter ido num show dele, do Fernando Motta e do Vitor Brauer, Sem Sair Na Rolling Stone, tava animada demais pra ver todos eles, e pra cantar ‘Ato Falho’, mas ele acabou não tocando essa, lembro que fiquei esperando e nada hahaha mas não importa, o show foi bom demais, espero que ele volte pra Sorocaba e dedique essa pra mim, haha. Vagabon – Infinite Worlds (2017) O Quarto álbum é o Infinite Worlds da Vagabon, conheci não faz muito tempo, e me cativou demais, a Laetitia Tamko tem uma voz única, dá pra ouvir o dia todo, não enjoa. Beatles – Revolver (1966) O quinto e último álbum é o Revolver dos Beatles, sim eu sou beatlemaníaca, hahaha. Beatles sempre vai ter um espaço gigante no meu coração, me lembra muito minha infância e adolescência, e esse álbum eu acho perfeito. Acho que é isso, espero que curtam minhas indicações. Quer saber mais? Siga a artista nas redes sociais: BandcampFacebookInstagramYoutube Confira o Quem indica com outros artistas.
Quem Indica: Wagner Almeida

Quem Indica: Wagner Almeida, hoje lançamos uma nova coluna no blog. A ideia dessa coluna é trazer artistas que admiramos para indicar 5 álbuns para vocês, caros leitores. O critério da indicação dos álbuns vai de acordo com a preferência do artista, pode ser os álbuns preferidos, álbuns que marcaram, álbuns que eles andam ouvindo recentemente, pode ter um tema ou não. É mais uma forma de vocês conhecerem mais esse artista, e também abrir um espaço para que os artistas independentes se conectem mais com seu público, falem de artistas que gostem ou queiram divulgar o trabalho de seus amigos e conhecidos. Primeiramente estamos convidando artistas que temos mais contato e a ideia é que a coluna seja semanal. Agora sem mais delongas, vamos ao nosso artista dessa semana e suas indicações! Wagner Almeida Wagner Almeida é um cantor/compositor de Belo Horizonte – Minas Gerais. Já lançou dois discos, Crescimento/Desistência (2018) e Domingos à Noite (2019), além de dois EPs Sonho Violento pt I (2019) e Sonho Violento pt II (2020). Ideal para quem curte emo, folk, rock alternativo, música experimental, lo-fi e shoegaze. Indicações do Wagner Não são necessariamente meus discos favoritos de todos os tempos, mas são discos que me marcaram de alguma maneira e eu escolhi colocar. Deixei de fora alguns de meus artistas favoritos como Alex G, Elliot Smith, dentro outros, porque acho que todo mundo que me conhece já sabe disso e dessas influências. Então peguei algumas coisas que podem ser um pouco menos óbvias mas que considero importantíssimas também. Stratosphere – Duster (1998) Esse é o disco mais antigo da minha lista e talvez o que eu tenha escutado em maior quantidade recentemente. Diferente dos outros que citarei daqui pra frente, esse é um pouco mais longo e quase cansativo de pegar, sentar e ouvir de uma vez. Geralmente eu deixo ele tocando enquanto vou fazer outra coisa. É um disco pesado, mas que se alterna em momentos mais tranquilos e introspectivos. Algumas músicas soam como mantras pra mim, e eles experimentam com trocas bruscas de velocidade e intensidade (às vezes dentro da própria música). Além disso tudo, esse disco tem os meus timbres de guitarra favoritos, e eu amo as baterias também. Meu sonho conseguir fazer alguma coisa parecida. Zentropy – Frankie Cosmos (2014) Frankie Cosmos é uma banda que eu sou muito fã desde a primeira vez que eu escutei. É uma sonoridade muito agradável de ouvir, muito bem feito. São músicas curtas, felizes e tristes, e que me tocam de um jeito muito legal. Pra mim é a simplicidade das músicas e das letras, dessa forma crua e direta (que é um pouco o que eu tento fazer em algumas músicas minhas). É uma das minhas grandes inspirações de bandas de indie/pop/lofi, porque a Greta só vai e faz, parece que não ta nem aí, e eu gosto muito disso. This Is How You Smile – Helado Negro (2019) É o disco mais novo dos que eu escolhi, e é provavelmente o meu favorito lançado no ano de 2019. A primeira vez que eu ouvi foi uma experiência muito interessante e bonita. Eu vi a capa nos stories de algum amigo, achei bonita e procurei no spotify pra ver o que era, já que não conhecia o Helado Negro. Abri uma outra aba no Genius, pra ir acompanhando as letras e ouvi tudo de uma vez. É daqueles discos que são incríveis ao ouvir como todo, mas também tem uns hits muito absurdos. As letras são muito lindas, a sonoridade é muito tranquila e melancólica, misturando uns samples muito contemplativos, umas coisas com piano, o violão, a voz linda do cara, é muito emocionante e grandioso e ao mesmo tempo muito vida real. Tudo em Vão – Fábio de Carvalho (2015) Esse disco foi certamente o mais marcante da minha vida. Eu ouvi na semana que saiu, por recomendação de um amigo, e foi a coisa mais absurda de todas. O quanto eu me identifiquei e fiquei impressionado sobre como O Fábio conseguiu falar tão abertamente sobre algumas coisas, além de toda a sonoridade que era uma coisa relativamente nova pra mim. É um disco que consegue apresentar uma agressividade, se misturando com momentos mais tranquilos e tudo isso rodeado por uma atmosfera meio entorpecida de um adolescente, que consegui me conectar bastante. O melhor desse disco é que se eu sentar e colocar ele pra tocar hoje eu vou sentir ele com a mesma intensidade, mesmo que por motivos diferentes. Esse é um trabalho muito potente e é muito importante pra mim. Blonde – Frank Ocean (2016) Acho que esse nem precisa falar muita coisa. Um dos melhores discos que existe aí no mundo, só canção bruta, pop, rap, rock, r&b, experimental, tudo. Letras absurdas, hits incríveis, participações perfeitas (Alex G, Yung Lean hahah), tudo que poderia ser e mais um pouco. Comecei a ouvir esse disco quando tinha acabado de sair de um relacionamento, aí nem tem jeito também. Ouvi ele repetidas vezes, ouvia praticamente todos os dias na época que eu conheci. Muito marcante, até falo dele numa música minha. Quer saber mais sobre o artista? Siga-o nas redes sociais: InstagramFacebookBandcampYoutubeSpotify Confira outros artistas que indicaram seus discos favoritos.
Lo-fi triste e melódico de Ana Paia – Você não sabe como eu sou (EP)

Hoje é o lançamento do EP da Ana Paia – Você não sabe como eu sou. Esse EP foi gravado pela Ana em sua própria casa com a ajuda de sua namorada Natascha Dias. Um estilo lo-fi triste e melódico. Me lembra muito a vibe do primeiro EP da Ana, chamado Atelofobia. Escrevemos sobre esse EP e outros em 5 projetos solos que você precisa conhecer. Foi a partir daí que eu conheci a Ana, que na época era apenas Ana Paula e hoje se intitula Ana Paia, embora, ela que de “paia” não tem nada. EP – Você não sabe como eu sou A Ana Paia é uma artista que eu acompanho de perto sempre, seja pelos suas cachorrinhas fofas que enchem meu Instagram de alegria, mas principalmente por suas músicas que me cativam facilmente. Recentemente ela lançou o clipe da música Sexta a tarde, que é a música intro do EP, que você pode conferir abaixo. É uma música instrumental bem tranquilinha, e para melhorar, o clipe com os bichinhos fofos dá uma alegrada no coração, especialmente nesses momentos pesados que estamos todos passando. O brasileiro sofre, apesar disso, ele tem a sorte de poder contar com a arte nos momentos difíceis. Fechar os olhos, lembrar das coisas boas que a vida ainda pode nos trazer, respirar o fundo e continuar. E para falar a verdade, eu estava com uma saudade danada de ouvir músicas novas da Ana Paia. O estilo de música melódica e melancólica me agrada muito. Talvez seja porque suas referências musicais sejam bem próximas das minhas, ela consegue fazer músicas que acertam bem certinho naquele ponto frágil do nosso coração. Não de uma maneira que te deixam pra baixo só por deixar, mas de uma maneira que entende sua tristeza, solidão e as dores de ser jovem. Entende tanto que transforma isso em arte e através dela você se sente completamente compreendido. Todo mundo está perdido, entretanto, nós jovens tristes podemos nos sentir parte disso de alguma forma. A música Natascha feita para sua namorada, traz muita sinceridade sobre os medos e confusões que acredito que vários jovens LGBTQIA+ também experienciam. A sociedade é cruel, tem julgamentos pesados, faz com que duvidem de suas escolhas, perdidos em indagações sem motivo, cheios de pavor da repreensão. É muito difícil se entregar a um amor e vivê-lo intensamente quando há tantas barreiras entre aqueles que amam. Mesmo que julguem, amar nunca é errado. E nós ficamos super felizes quando esse amor persevera, é vivido e é bonito. Em suma, gosto muito de acompanhar a evolução da Aninha desde que ela se lançou musicalmente para o mundo com o primeiro EP e vê-la agora. Fica claro que o tom de suas músicas continua melancólico, mas é uma melancolia com fundo de esperança. Relatos de quem aparentemente já viveu momentos ruins emocionalmente, alguém que ainda tem muito a viver pela frente, entretanto, é alguém que tem aprendido todos os dias, é alguém que sabe que a caminhada não é fácil. Contudo, não se deixa abater e derrotar-se com os inúmeros percalços que ainda vai encontrar. Como ela mesma diz “e se não doer nunca existiu“. Existir dói pra caramba, mas viver também tem seu lado bom. Clipe Acordar part. Wagner Almeida O clipe abaixo não faz parte do EP, todavia, eu não poderia deixar de mencioná-lo de maneira honrosa nessa matéria. A junção de dois artistas alternativos que eu admiro muito colaborando em uma música me trouxe muita alegria. Escute Você não sabe como eu sou: Siga a artista nas redes sociais: BandcampFacebookInstagramYoutube
Wagner Almeida – Sonho Violento pt 2, A continuação da tristeza acolhedora do álbum

Já falamos anteriormente no blog sobre primeira parte do EP Sonho Violento e durante a quarentena a parte 2 foi lançada. Não poderia ter um momento que combinasse mais com o tom do EP do que a melancolia do isolamento. Em partes a melancolia por ver sua liberdade restringida, por partes ver como você e o mundo reage aos tempos de pandemia. Falar sobre a quarentena, sobre o vírus e sobre tudo que isso nos provoca é um assunto que talvez eu fale em outro post. Nesse aqui eu gostaria de falar sobre tudo que esse EP me provocou. Não são faixas que você compreende totalmente na primeira ouvida, requer vários plays até que eu me sinta satisfeita. Não só porque é curtinho, tal como seu propósito, mas sobre todas as camadas que este nos apresenta, como uma cebola que vai aos poucos sendo descascada e mostrando seu interior. A cebola me faz chorar igualmente se formos fazer uma comparação horrível. Ainda bem que de horrível só tem a minha comparação mesmo, porque é mais uma obra incrível. Ainda bem também que eu sou fã incontestável do Wagner e acho as criações dele espetaculares, um dia eu queria poder lançar algo tão bom assim, queria poder me expressar assim também. Esse álbum recebe o incontestável primeiro lugar no meu top álbuns da quarentena e com toda a razão. A tristeza acolhedora persiste e a necessidade de ser abraçado por ela também. Campeão anuncia o começo da nossa breve jornada pela melancolia acolhedora. Cansaço tem um tom tão calmo, em tons de sépia, suavemente embalado pelo dedilhado. Como a trilha sonora de um filme, consigo ver o protagonista olhando pro teto do seu quarto enquanto encara o vazio e o vazio o encara de volta, ou no ônibus durante o trajeto cansativo enquanto observa as gotinhas de chuva baterem na janela pensando no quanto é cansativa a rotina. Viver é exaustivo, ninguém te conta que a vida adulta seria tão difícil assim quando se é criança, e se contassem, não iríamos querer crescer. Cada um tem sua visão e sua perspectiva do que é o cansaço, cada um sabe as dores e as delícias de ser quem é. Mas acho que todos podemos concordar que ultimamente tem sido mais doloroso do que prazeroso seguir nesse trem sem rumo chamado vida. A desconexão do eu, as lembranças de como supostamente as coisas eram melhores na infância, o “empurrar a vida com a barriga” e o simplesmente seguir existindo, não vivendo ao máximo como poderíamos. Essa música é certamente a cereja do bolo pra mim. Lembranças do Céu com sua melodia quase “xilofonica”, com sons estridentes, tal como uma viagem pelo espaço, seguida por diálogos retirados da série Cueio do episódio homônimo. Saber Quando Parar tem um tom de “fim” desde os primeiros acordes, já soa como despedida, já acerta aquele lugarzinho sensível do peito. Melancolia plena abraçada na melodia um tanto shoegaze lofi, já diziam que shoegaze aquece o coração com sua distorção e acordes melancólicos, saber quando parar também te abraça, mas te diz que o fim é breve, quase como um até logo ao invés de um adeus. Certamente um desfecho digno da parte 1 do EP. Confira mais sobre o Wagner Almeida acessando os sites abaixo: https://wagneralmeida.bandcamp.com/ https://www.instagram.com/wagneralmeida_bh/ Confira outras resenhas aqui.
Especial: mulheres guitarristas II

Como prometido, aqui está a segunda parte do nosso especial de mulheres guitarristas II. Ainda assim, você pode conferir os outros especiais de mulheres na música nos links a seguir: mulheres bateristas I, mulheres bateristas II, mulheres baixistas I, mulheres baixistas II e mulheres guitarristas I. E aí, sentiu falta de alguém? Mais algum instrumento pelo qual vocês se interessam dentro do alternativo e gostariam de ver alguma matéria sobre? Sim? Enfim, mandem suas sugestões pra gente! Jen Majura (Evanescence) Lindsey Jordan (Snail Mail) Heather Baron-Gracie (Pale Waves) Angel Olsen Sophie Allison (Soccer Mommy) Adrianne Lenker (Big Thief) Harriette Pilbeam (Hatchie) Mitski Miyawaki (Mitski) Chelsea Nikkel (Princess Chelsea) Sharon Van Etten Marie Ulven (Girl in Red) Emmanuelle “Emma” Proulx (Men I Trust) Natalie Mering (Weyes Blood) Michelle Zauner (Japanese Breakfast) Chisa (Lucie, Too) Moeka/Heidi (Hitsujibungaku) Haruko Madachi (The Wisely Brothers) Molly Rankin (Alvvays) Mulheres guitarristas brasileiras Renata Beckmann e Beá (Guitarrada das manas) Karen Dió (Violet Soda) Taís D’Albuquerque (The Shorts) Yasmin Amaral (Kultist, Eskröta) Erika Mota e Lidiane Pereira (Vocifera) Alessandra Duarte (Ema Stoned) Gabriela Deptulski (My Magical Glowing Lens) Susan Souza (Cinnamon Tapes) Sara Braga (Sara Não Tem Nome) Katherine Finn Zander (Katze Soundz, Ilha de Coras, NOID) Nina Veloso (Charlotte Matou um Cara) Bá Monteiro (Wabi Sabi) Karine Profana (Mau Sangue)
Especial: mulheres guitarristas

Se você acompanha nosso blog, já deve ter conferido algumas matérias que fizemos sobre mulheres instrumentistas. Já tivemos algumas edições como mulheres bateristas I, mulheres bateristas II, mulheres baixistas I, mulheres baixistas II e mulheres guitarristas II. Essa é uma das nossas iniciativas para reconhecer e incentivar mulheres no mundo da música. Tem muita mulher fazendo acontecer shows, festivais, bandas e muito mais pelo Brasil a fora. E nem sempre damos a elas todo o crédito que merecem. Precisamos mostrar todos os espaços que nós mulheres podemos conquistar. Aceitamos de bom grado sugestões de nomes e pautas para essas edições especiais das mulheres na música independente. Nos mandem sugestões pelo formulário no blog (na aba Contato), inbox do Facebook ou DM do instagram. Juntas somos mais fortes! Internacionais Graeme Naysmith (Pale Saints) Miki Berenyi (Lush, Piroshka) Emma Anderson (Lush) Bilinda Butcher (My Bloody Valentine) Yvette Young (Covet) + Bônus (pois essa mulher é espetacular) Sarah Longfield Annie Clark (St Vincent) Laura Pleasants (Kylesa, The Discussion) Gina Gleason (Baroness) Bea Kristi (beabadoobee) Amelia Murray (Fazerdaze) Claire Cottrill (Clairo) Seana Carmody (Swirlies) Elena Tonra (Daughter) Ikkyu Nakajima & Motoko “Motifour” Kida (tricot) Mulheres guitarristas brasileiras Cristine Ariel (El Efecto) Rita Oliva (Papisa) + Bônus da Ritinha falando sobre efeitos e timbres Lari Basilio Célia Regina e Bruna Vilela (Miêta) Prika Amaral (Nervosa) Fernanda Gamarano (Der Baum) Letícia Lopes (Trash No Star) Elisa Moreira (Antiprisma) Kira Ardene (Diablo Angel) Deb Ferreira (DEF) Leticia Filizzola
Lançamento: A tristeza acolhedora do álbum Sonho Violento – Wagner Almeida

Confesso que me senti bastante honrada e emocionada quando o Wagner me mandou o EP para que eu pudesse resenhar aqui no blog. Eu não costumo resenhar muito e talvez você nem possa chamar o que eu faço de resenha. Mas o que eu sei é que eu sempre escrevo sobre aquilo que eu gosto. E as músicas do Wagner são uma das coisas que eu mais gosto na música brasileira. Foto: Amanda Barros Solta o play: Youtube: https://youtu.be/yoPv1I6qWrs Spotify: https://open.spotify.com/album/2sYSTuY8Fjpy4LnmsIyamk É incrível como a arte toca a gente. Sempre me pego admirando como um artista coloca todas suas frustrações, angústias e tristezas em uma música e a nós do outro lado dos fones conseguimos sentir e entender exatamente o que ele está falando. Wagner faz parte de uma geração de artistas extremamente talentosos e jovens. Quando eu olho para o Crescimento/Desistência (2018) e para o Domingos à Noite (2019), eu sinto o maior orgulho da galera da minha idade ganhando o mundo com a música, me sinto privilegiada por ter conhecido uma pessoa tão legal e sincera sobre seus sentimentos. Nada mais real do que escrever, gravar e produzir suas músicas sozinho ou com ajuda de amigos, nada mais sincero do que o som alternativo independente. É sempre você contra o mundo. E eu acho que também deve dar um orgulho danado pro outro lado perceber que não está sozinho, que tem muita gente apoiando e curtindo o trabalho. Acho que é para poder fazer essa conexão e para que todos possam se unir que eu escrevo. É só por isso que a gente faz o que faz. Sonho Violento me lembra bastante o som dos diversos trabalhos do Phil Elvrum (Mount Eerie, The Microphones). As músicas me soam tristes, mas é uma tristeza acolhedora. É como aquele abraço reconfortante depois de um dia ruim. E eu me senti bastante reconfortada pelas músicas dele esse ano. Um ano difícil não só pra mim, mas para muitos amigos e conhecidos meus. Um ano que nós não sabíamos se conseguiríamos chegar ao fim, mas chegamos e aqui estamos. Meio baqueados, mas vivos o suficiente para ouvirmos esse álbum e nos sentirmos abraçados e compreendidos. O EP se inicia com Despertar, que é a literal descrição do momento em que vivemos “Ele tá baqueado, ela não sai mais da cama, e nada dá vontade de acordar. Tão calmo, tão quieto, piloto automático”. Essa música é literalmente o que eu precisava ouvir, é uma leitura tão verossímil do que está acontecendo, a gente vivendo sem ter certeza do amanhã, porém inertes demais para levantar e lutar. O sentimento é de uma melancolia e inércia de um domingo à tarde. Você sabe o que vai chegar em breve, mas você não tem forças para encarar. Não é uma sensação de desespero, mas sim de um desabafo, admitindo o cansaço e que está tentando melhorar. Foto: Amanda Barros A segunda faixa Esperar traz uma guitarra plugada, reverb na voz. Simplesmente jovens cansados fazendo músicas tristes em seu quarto. Eu consigo imaginar todo mundo ouvindo essa no transporte público, voltando pra casa depois de um rolê, aquela sensação de se ver sozinho de novo “Eu ainda não sei se eu vou estar vivo na semana que vem”. Mas a gente sabe que semana que vem tem mais. Respirar é a terceira faixa, talvez a mais lo-fi de todas. Bem curtinha, mas bem interessante. Acho que literalmente um dos lo-fis mais bem feitos que já ouvi, realmente fiel a estética e realmente o que eu esperaria se me indicassem um lo-fi nota 10. Inseguranças, incertezas, falta de estabilidade, auto estima baixa e lo-fi são as coisas mais jovens que existem. Correr é a quarta e última faixa desse EP. Uma despedida de uma trajetória não tão longa, porém boa. É fim de noite, você está deitado, refletindo sobre seu dia, antes de conseguir dormir, antes de conseguir aquietar a mente. A desesperança com o passado, porém a positividade-esperançosa de que amanhã vai ser melhor. Suave como uma brisa, você fecha os olhos e o sono te carrega por um córrego tranquilo. O som do violão te acalma e você dorme. Foto: Amanda Barros Wagner é simplesmente um dos melhores artistas do país ao meu ver. Ele sempre acaba me surpreendendo por mais que eu espere criações boas dele. Ele compõe sobre coisas pessoais, sobre coisas que aconteceram com ele, mas cada um acaba interpretando à sua maneira e acaba criando laços profundos com a música. Parece até que foi feito lendo sua mente e suas experiências. Ele consegue capturar a mesma mágica que as músicas do Fábio de Carvalho, outro grande artista que eu admiro bastante, passam. E essa mágica nunca cessa de me impressionar. O Domingos à Noite que o Wagner lançou esse ano me marcou tanto que eu vejo muito dele nesse EP também. É uma continuação sem ser continuação, entende? É a continuação da vibe/espírito. São canções diferentes, são propostas diferentes, mas o impacto causado em mim foi praticamente o mesmo. A melancolia, calmaria e quietude dos dois projetos são bastante parecidas. Se tivesse um pouco mais de dedilhado nesse álbum, poderia dizer que são os álbuns do ano, um do começo e um do final, para nos mostrar o impacto que 2019 causou. Um ano terrivelmente difícil, mas um ano no qual a música teve um papel protagonista nas nossas vidas, nos ajudando a segurar todas as barras que é ser um brasileiro vivendo em tempos de nefastos, incertezas políticas, medo e retrocesso. A vida não é doce, muitas vezes é amargo, às vezes é doloroso viver. Mas as coisas doem muito menos quando você sabe que não tá sozinho nessa e quando você tem o poder da música para te ajudar a superar. Tracklist: 1 Despertar 2 Esperar 3 Respirar 4 Correr Ficha técnica: -Todas as composições, vozes, violões e experimentações por Wagner Almeida; -Áudio captado por Wagner Almeida; -Mixagem e masterização por Wagner Almeida -Foto de capa por Caio Brandão. Siga o artista nas
Lançamento do projeto audiovisual: A Metamorphösis’ Tale de Lia Kapp

Lia Kapp lança no youtube, nesta sexta-feira dia 13 de dezembro, o capítulo 1 do projeto audiovisual “A Metamorphösis’ Tale”, inspirado no álbum Metamorphösis, lançado em 2018. Parte de uma história dividida em seis capítulos, o projeto contou com uma equipe de gravação completa formada por estudantes de cinema da Faculdade de Artes do Paraná e foi escrito pela própria artista, com o auxílio seu companheiro de banda, Gustavo Mazuroski. A fábula fala sobre a transformação que marcou a vida de Lia e, em seu primeiro capítulo, conta com cenas fortes de tortura que representam a depressão e as dores sentidas nessa época de sua vida. Lia Kapp tem 22 anos e é cantora e compositora. Lançou seu primeiro trabalho em 2015, o EP Conflito, que também serviu de referência para o projeto “A Metamorphösis’ Tale”. Atualmente, faz parte de uma banda que leva o seu nome, juntamente com Erich Zimmermann e Gustavo Mazuroski, com quem lançou, em agosto de 2019, o EP Jupiter, que contém criações de todos os integrantes e de seu ex-baterista, Gabriel Bryl. Cada capítulo será lançado separadamente e as datas ainda estão para ser divulgadas. Para acompanhar a história, siga Lia Kapp nas redes sociais: Youtube: http://youtube.com/c/LiaKappFacebook: http://facebook.com/liakapp.musicInstagram: http://instagram.com/liakappSpotify: http://bit.ly/spotify-liakappE-mail: bandaliakapp@gmail.com
Os shows marcantes da SIM SP: terraplana e Land of Talk

A SIM SP fez um evento excelente durante os dias 05, 06 e 07/12. A melhor edição que eu fui até agora, afirmo isso mesmo tendo comparecido em apenas 2 festivais diferentes na noite de sexta feira. Só esses 2 já me fizeram ter certeza isso. 06/12 vai ficar marcado na minha memória.
Especial: Mulheres bateristas II
Mulheres bateristas
Alcest: transcendental e emocional em Spiritual Instinct

A espera foi longa, vivemos esse 2019 nos arrastando a espera do novo álbum. Esse não tem sido um ano fácil para nós, temos sido derrotados pelo capitalismo todos os dias. Mas tem algo que não pode ser tirado de nós é o amor pela arte. E Alcest é uma das coisas mais belas que a arte nos trouxe. Taty: Eu não consigo falar sobre essa banda sem me deixar levar pelas emoções e eu já sou muito emocionada sempre, então imagine… Sou fã incondicional, então espere muito amor sendo descrito nesse texto. Além de ser a minha banda preferida da vida, é uma parte de quem eu sou. Uma boa parte de todo o amor que há em mim é destinado ao Neige (eu diria uma enorme parte pra ser sincera). Alcest não é apenas música, é espiritualidade, é um espetáculo a parte. Antes de começar a gostar de shoegaze, eu gostei de Alcest e antes de começar a gostar de Alcest, eu gostava de música celta. Meus queridos franceses do blackgaze falam comigo profundamente assim como a música celta falava. Conseguem atingir aquele pontinho sensível do meu coração, acertam em cheio na minha alma, transmitem a mensagem e trazem um senso de compreensão inimaginável. Eu vou ser eternamente grata por ter tido a oportunidade de viver na mesma época que o Neige. Só por isso eu já me sinto sortuda demais. Às vezes eu acho que nem ser humano ele é, deve ser algum tipo de divindade. E essa divindade criou um álbum espetacular, melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter imaginado. Talvez seja um pouco cedo pra dizer, mas provavelmente vai se tornar meu segundo álbum preferido. Não poderia se tornar meu álbum preferido, pois nada supera o Écailles de Lune (2010). E é incrível como Alcest fala de um mundo particular e espiritual de uma pessoa, são experiências pessoais e que não fazem parte do nosso cotidiano, mas que conseguem nos tocar e nos levar a algum lugar extremamente bonito e agradável. Aliás que se o cotidiano fosse bonito desse jeito, nós não precisaríamos sonhar e não iríamos querer escapar dele. Spiritual Instinct foi composto depois a turnê do Kodama (2016), uma turnê longa e cansativa. Durante esse tempo, os tempos foram um pouco escuros para o Neige, o disco não é algo otimista e alegre como Shelter (2014). É um disco forte, catártico, exuberante, turbulento, melancólico e tudo isso sem perder todos os elementos originais que nos fizeram amar a banda. Ainda é etéreo, cheio de referências a cultura pop, cheio de influência do shoegaze e post punk. Nesse álbum fica ainda mais claro toda essa dualidade que é essa questão da espiritualidade/religiosidade. Não exatamente falando de deus, mas sim de que há algo maior que alguns de nós acreditamos. Uma batalha interna, um tanto de existencialismo em forma de música, me fez pensar bastante. Esse episódio do Metal Talks me trouxe muitas lágrimas e uma enorme compreensão do que esse disco significa. Vale a pena ouvir: É difícil colocar em palavras nossos sentimentos. Por mais que a gente tente, às vezes parece que não chega exatamente no ponto que se quer alcançar. E ainda bem que a arte está aí para nos dar N maneiras para nos expressarmos, especialmente quando estamos sobrecarregados de emoções e pensamentos. Ao mesmo tempo que nos desliga de nossos problemas e nos leva a um mundo melhor. Outra coisa que recomendo bastante é ver o mini documentário que nos trouxe as imagens maravilhosas presentes nesse post, o La lumière autant que l’ombre, o documentário sobre a gravação desse álbum. Cada frame é mágico e surreal de tão bonito: Eu fiquei um tanto quanto arrepiada com a versão acústica de Protection que toca nesse álbum. Aliás, acho que vocês puderam perceber o quão arrepiada eu fiquei com tudo em relação a esse lançamento. A banda tem esse poder em mim, de me deixar impactada e maravilhada com a identidade visual, os videoclipes, os ensaios fotográficos, as entrevistas e tudo mais. Pode ser que eu fique boba facilmente ou porque realmente tudo é realmente perfeito e caprichado, pensado milimetricamente para se tornar um espetáculo. Imagino o quão surreal será esse show e desde já vou começar a implorar para que o meu produtor preferido traga a turnê da minha banda mais do que amada para o Brasil. Por: Fábio O Alcest é uma das únicas bandas dentro do metal que fazem música de forma totalmente sincera e emocional. Esses foram os aspectos que mais me chamaram atenção e fez com que eu criasse essa conexão. Aquelas melodias e momentos de nostalgia me davam calafrios e me tiravam desse mundinho chato pra um outro universo paralelo, bonito, agradável e que servia de consolo pros pensamentos, que às vezes vinham de uma só vez pra derrubar. O disco anterior, Kodama, não havia me cativado, afinal senti falta de melodias mais sensíveis, e até cheguei a pensar que Neige estava tentando agradar os fãs metaleiros mais chatos com esse negócio de gutural, guitarra mais ríspidas e etc. Em Spiritual Instinct, as minhas esperanças foram renovadas, começando por apresentar somente seis músicas, pra mim, menos é mais, senti saudade desse formato que começou com os primeiros álbuns. A primeira faixa ”Les jardins de minuit” tem a alma do Alcest e também traz um frescor. Os elementos que os fizeram ganhar atenção de muitas pessoas, ou seja, a união do metal com algo mais celestial, misturando de forma genial os guturais, blast beats, riffs rápidos e sonoridades mais atmosféricas e tocantes. Tudo isso muito bem composto e que nos faz voltar há alguns anos atrás, em discos como Écailles de Lune (2010) e Les voyages de l’âme (2012). “Protection” e “Sapphire” são músicas boas, e com resquícios passados que talvez sintetizem a transição do disco anterior até essa nova proposta, acredito que foram escolhidas como single pois são as mais ”comerciais”, inclusive, ganharam vídeo clipes. Em ”L’île des morts” somos agraciados por um instrumental que se
Especial: Mulheres bateristas

No especial de hoje, o tema é mulheres bateristas. E acho que se tem algo que incentiva mulheres a tomarem espaço na música é verem outras mulheres nos palcos, mixando, masterizando e produzindo arte em geral. Pelo menos pra mim funciona assim, eu vejo uma mulher fazendo algo muito legal e aí eu penso “tá aí, que bacana, também quero fazer isso!”. Coisas que a gente nunca tinha parado pra pensar antes que de repente se tornam possíveis e alcançáveis. Tem espaços que a gente não pensa em ocupar simplesmente por nunca ter parado pra pensar e não necessariamente porque a socialização nos impede. Por isso que trouxemos para vocês dessa vez um especial de mulheres bateristas! Exemplos são importantes demais. Foram mulheres tocando instrumentos que me incentivaram a tocar literalmente todos os instrumentos que eu já peguei e me dediquei. Começou com o violino quando vi a Máiréad Nesbitt (Celtic Woman), piano com a Nina Simone, guitarra (Bilinda Butcher e Rachel Goswell) e é bem possível que eu fique tentada a tentar outro instrumento assim que ver alguma mulher brilhante no palco. Durante o post vou dizer quais foram minhas inspirações para tocar bateria também. Aproveita e mostra esse post para alguma amiga sua que esteja tentando aprender algum instrumento, também já falamos sobre mulheres baixistas parte I e mulheres baixistas parte II, quem sabe ela se sinta mais motivada quando perceber todas essas referências excelentes, né? Fiquem à vontade para nos sugerirem outras bateristas que vocês conheçam aqui nos comentários, porém já fica o aviso de que teremos uma parte II… Aguardem! Cat Myers (Honeyblood e Mogwai) Anna Prior (Metronomy) Carla Azar (Autolux) Sandy West (The Runaways) Régine Chassagne (Arcade Fire) Cindy Blackman (Lenny Kravitz) Sheila Escovedo (Prince) Janet Weiss (Sleater-Kinney) Sera Cahoone (Carissa’s Wierd, Band of Horses) Maureen “Moe” Tucker (The Velvet Underground) Mulheres bateristas brasileiras Temos uma infinidade de mulheres ULTRA talentosas tocando bateria no país e cada vez mais temos mais meninas se interessando por bateria e percussão. Ver mulheres bateristas no palco é uma das coisas que mais me emocionam. As queridíssimas que me levaram a tocar bateria são essas duas artistas incríveis que eu mostro a seguir: A Larissa Conforto e a Muriel Curi. Larissa Conforto (Àiyé, Ventre) Muriel Curi (Labirinto) Vera Figueiredo (Diana King, Zélia Duncan, Milton Nascimento, Rita Lee) Ana Zumpano (Antiprisma, Lava Divers) Camila Ribeiro (In Venus) Jéssica Fulganio (Ema Stoned, Dolphins on Drugs) Julia Baumfeld (Tarda) Isabelle Miranda (sapataria) Dori (Charlotte Matou um Cara) Silvia Fortini (Wagner Almeida) Quer conhecer mais bateristas? Então se liga nessa matéria do sopa alternativa
DIIV nos mostra que o shoegaze está mais vivo do que nunca em Deceiver

deceiver – DIIV
shoegaze, indie
Quanto custa ser uma pessoa decente?
Eu queria escrever sobre um negócio que tem me incomodado faz um tempo. Um negócio que está difícil de engolir. Eu estou tentando organizar meus pensamentos para que todo mundo entenda e veja com meus óculos o que eu estou tentando dizer. Espero que eu não soe pedante de alguma maneira. Eu estou escrevendo isso aqui como mulher, frequentadora de um espaço ou espaços em comum com um montão de gente da internet e da vida real, não como colaboradora de um blog sobre música independente. Porque hoje eu não vou indicar banda alguma, eu quero falar apenas sobre um assunto que tem pairado sob nossas cabeças já faz um tempo. Óbvio que como essa é minha visão, talvez ela possa parecer seja meio privilegiada e meio sem noção pra algumas pessoas, mas eu convido todo mundo a discutir isso comigo de alguma maneira também. A sua visão também é muito importante. Pode comentar aqui embaixo, mandar mensagem para a página do blog, mandar mensagem diretamente ou o que for. Se você quiser falar, eu vou escutar. Eu quis falar por aqui porque o blog é o lugar onde eu tenho voz, é onde podem me ouvir e talvez me entender. Não tô usando o blog de palanque pra nada. Eu só não quero que isso se perca em textões do Facebook, eu queria escrever sobre isso em um lugar que outras pessoas talvez possam entender. Da mesma maneira que eu “visto a camisa” pra indicar e torcer pelos artistas, eu sinto que eu tenho algo pra dizer agora também. Agora contextualizando… Nos últimos tempos (ou últimos meses) tem surgido denúncias frequentes sobre casos de assédio, abuso (físico e emocional) e umas coisas bem pesadas sobre a cena alternativa. Sobre cena eu me refiro aos espaços (virtual ou real) onde rolam coisas sobre música independente brasileira, o tipo de música que geralmente escrevemos por aqui, não tem gênero específico, é sobre o indie e alternativo em geral. E eu não me refiro somente a São Paulo. A gente sabe e ouve falar de casos que acontecem no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Goiânia e por aí vai. Eu não me lembro quando isso começou, eu só lembro de ter me assustado com a quantidade, tem horas que parece que toda semana tem algo novo rolando. Isso me assusta demais. Eu tenho deixado de ir em muito shows, eu tenho deixado de frequentar esses espaços, eu não vou a lugares que eu já ouvi boatos de que coisas estranhas acontecem, deixei de ouvir as bandas e artistas envolvidos com esses casos. Mas nada aconteceu comigo, eu não fui vítima disso. Se tá complicado pra mim, imagina pra quem sofreu e ainda tá sofrendo com tudo isso. Eu sinto muito pela cabeça de todas essas garotas que tão lidando com isso, que estão expondo, que estão dando a cara pra bater com seus relatos. Eu admiro todas elas pela coragem, mas eu imagino como elas devem estar se sentindo ao colocar tudo que as corrói pra fora, pra ver se algo acontece e esses caras sejam impedidos de continuar fazendo horrores. Mas eles não são. Alguns são “cancelados” por algumas semanas, até meses, mas logo eles voltam a ativa. Produtores voltam a organizar shows com eles, a fan base se renova, lançam novas músicas e as pessoas esquecem o que aconteceu. Parece que é um fato isolado e tudo está normal de novo. Não. Não tem nada normal acontecendo aqui, eu não consigo achar isso normal, eu não consigo achar isso certo. A ferida criada no físico e principalmente no emocional dessas meninas abusadas e silenciadas não se cura tão facilmente, algumas não se curam jamais. E o pior é que isso volta a acontecer, os casos estão ficando tão comuns que parece até que muitos fingem o que cantam. A cultura machista, a cultura do estupro, a cultura da soberania masculina domina. Os rapazes que muitas vezes estão em cima dos palcos acham que tem o direito de invadir e dominar essas meninas. Acham que sua “fama”, sua posição de poder os fazem irrecusáveis. “Como essa garota está dizendo não pra mim? Ela não sabe quem eu sou? Por que ela não iria me querer? Eu sou o máximo”. Eles não aceitam o “não”. Não conhecem os limites, não conhecem o respeito. A situação é gravíssima e parece não ter fim. Quanto mais se é denunciado, mais casos aparecem. Um pronunciamento aqui e outro lá e a história se repete. É óbvio que não existe lugar perfeito, todo mundo comete erros, nada é perfeito, mas em um lugar onde praticamente todo mundo se conhece, é de se esperar que haja conversa e compreensão. As coisas erradas não estão acontecendo lá fora, elas estão acontecendo aqui dentro. Não está seguro pra mim, não é seguro para as minhas amigas. Como que deixamos um imbecil medíocre segurando uma guitarra, cantando músicas de dois ou três acordes ter tanto poder assim? Como a gente para isso? Será que conversar resolve? Eu não tenho resposta pra isso, aliás eu já não tenho certeza de mais nada. Pra falar a verdade eu acho que eu tô errada, que eu erro muito, que eu faço pouco e que tem vezes que eu não faço nada. Da maneira que posso, tento oferecer espaço pra mais mulheres ocuparem e também exporem suas vozes. Talvez num ambiente rodeado de mulheres, os homens fiquem coagidos e não tentem fazer mais merda. Talvez num ambiente que nós estejamos em peso, eles consigam minar essas atitudes. Não sei se é falta de orientação e conversa enquanto cresciam, mas eu sei que precisamos conversar agora e colocar o dedo na ferida de assuntos assim para podermos criar um ambiente menos tenebroso pra todo mundo. A gente pode tentar culpar a socialização, achar explicação dentro da psicologia e filosofia, e o que for. Não acho que adianta. Acho que a gente tem que tentar resolver o problema. Falar sobre isso nesses espaços,
15 bandas de post-rock brasileiro para você se apaixonar II

Uma das matérias mais acessadas do nosso querido blog, a de post rock brasileiro finalmente ganhando uma parte 2. Essa é pra quem estava com saudade de ouvir um post rock brasileiro, instrumental e experimental daora. Dessa vez pedi ajuda a um ilustre colaborador, o Israel. Famosíssimo por seu conhecimento extenso em post-rock e por ser o maior fã de Immanu El, também é uma enciclopédia humana quando se trata de boa música. Muito obrigada pela ajuda nesse post! Aproveito também para quem sabe incentivar bandas de post rock brasileiro para nos mandarem material. Sentimos falta de vocês no cenário brasileiro, por favor, apareçam! Bandas antigas que estão em hiato, voltem!!! Há tanto potencial para bandas de post rock aqui no Brasil não sendo explorado. E você, caro leitor, quais outros estilos/gêneros de música quer ver aqui? Conta pra gente aqui nos comentários! Ema Stoned O trio paulista de rock instrumental/experimental é formada por Alessandra Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo) e Theodora Charbel (bateria). Até hoje lançaram os álbuns Gema (2013), Live from Aurora (2016) e Phenomena (2018). Banda incrível formada por mulheres super talentosas, vale a pena conferir. Instagram | Soundcloud | Bandcamp | Facebook Herod Banda paulista de post-rock, instrumental, experimental formada em 2006 por Daniel Ribeiro (guitarra), Azeite de Leos (guitarra), Elson Barbosa (baixo) e Bruno Duarte (bateria). Contam com 4 álbuns na bagagem: In Between Dust Conditions (2008), Absentia (2010), Umbra (2013), as coletâneas The Rest 2006-2016 (2016) e The Best 2006-2016 (2016) e Herod Plays Kraftwerk (2017). Facebook | Spotify | Bandcamp | Youtube Hurtmold Uma das bandas mais antigas e famosas de post rock brasileiro, math-rock, instrumental e experimental do país, muito influenciada por jazz, punk e eletrônica. Formada em São Paulo em 1998 e atualmente conta com Fernando Cappi (guitarra), Guilherme Granado (teclado, vibrafone e eletrônicos), Marcos Gerez (baixo), Mário Cappi (guitarra), Mauricio Takara (bateria e trompete) e Rogério Martins (percussão e clarone). Os trabalhos lançados até hoje foram: Et Cetera (2000), Cozido (2002), o split Hurtmold/The Eternals (2003), Mestro (2004), Hurtmold (2008), Mils Crianças (2012). Facebook | Spotify | Instagram Dunas A banda curitibana Dunas se destaca por seu post rock ambiente meio experimental. Um som bem etéreo, sonhador, leve e um pouco psicodélico. Atualmente formada por Gabriel França, Guilherme Nunes e Lorenzo Molossi, a banda já lançou os trabalhos Incenso/Ascenso (2014), Boas Vindas (2014), Ad Astra (2015), Quarenta e Cinco Minutos (2015) e Descortinar dos Seres (2016) e o single Antecipei (2018). Bandcamp| Youtube| Facebook| Soundcloud| Spotify Veenstra A também curitibana Veenstra tem um som bem lo-fi, com nuances de dream pop, post rock, experimental e música ambiente. Formada por Guilherme Nunes, Leonardo Gumiero, Lorenzo Molossi, Lucas Leite e Marcela Mancino. Os álbuns lançados são Journey to the Sea (2012), Six Months of Death (2013), People & The Woods (2013), Map of the Limbo (2016). Atualmente se encontra em hiato. Spotify | Facebook | Bandcamp Let the Clouds Projeto solo do carioca Alef de Deus, diretamente de Duque de Caxias, de post rock/ambient/post metal. Seus trabalhos são Let’s the clouds EP (2017), My Soul (2018) e Sky and Rain (2019). Bandcamp| Facebook | Youtube Halfdream É uma banda paulista de post rock instrumental com metal progressivo. Fundada por um grande amigo meu (e se o destino permitir colaborador desse humilde blog em breve) chamado Marcelo Murata. Formada por Marcelo Murata (guitarra), Bruno Cabral (guitarra) e Vitor Nishikiori (baixo). O primeiro álbum, The Dark Melody, foi lançado em 2013. Seguido por Kaleidoscope em 2014. Em 2015 lançaram os singles Stellar Enigma e Electrosphere juntamente com o álbum Imaginarium. Em 2016 o single Trapped in Time. A banda está em hiato atualmente. Bandcamp | Facebook | Youtube| Site Some Sleepless Nights Mais um projeto do Marcelo Murata, dessa vez com influências de música eletrônica, música instrumental, música progressiva e trilha sonora de vídeo game. O único lançamento até agora é o álbum Do the Ghosts Inside My Head Also Cry? (2019). Spotify | Youtube Leaving The Planet Banda de João Pessoa (Paraíba), formada pelos guitarristas Diego Nóbrega e Lineker Diego, depois vieram Victor Hugo T no baixo e Daniel Alves na bateria. Influências de ambient, rock progressivo, música instrumental e post rock brasileiro. Lançaram até hoje Leaving The Planet (2014), o single Searching for the Sun (2017) e Space (2019). Bandcamp | Facebook Mais Valia Banda de Jaú (SP) formada por Alexandre Palacio, Ricardo Cezario e Vitor Martins. Post rock influenciado por experimental, stoner e space rock. Os singles e EP’s lançados até hoje foram: Flamingo (2016), Mesopotamia (2016), Desterro (2018) e Malária (2018). O álbum Mais Valia (2015) é um lançamento da Sinewave (um dos maiores selos do país – que só tem bandas pra lá de boas no casting). Bandcamp | Facebook | Youtube | Instagram Dibigode Banda de instrumental de Belo Horizonte (MG), influenciada por funk, jazz, samba, ritmos afro e folclóricos. Formada por Antônio Vinícius (baixo), Gabriel Perpétuo (guitarra), Guilherme Peluci (sax alto, flauta e piano), Tiago Eiras (bateria) e Vicente França (guitarra). Discos lançados são Naturais e Idênticos ao Natural de Pimentas da Jamaica e Preta (2014) e Garnizé (2015). A banda aparenta estar em hiato. Bandcamp | Facebook Laverna Projeto solo do curitibano Francisco Bley de música instrumental bem soft, delicada e gostosa de ouvir. Aquece o coração e alinha o chakra. Bandcamp| Playlist com todos os singles Polvo Nanquim/Namomo Costumava se chamar Polvo Nanquim, agora é Namomo. Banda curitibana de ambient, post-rock, lo-fi e experimental. Formada por Lucas Bieni, Lorenzo Molossi, Seithy Handa e Yuri Grigoletti. A banda aparenta estar em hiato. Soundcloud| Spotify |Youtube Ankou Ankou é uma boa mistura de música eletrônica, experimental, instrumental, dream pop, house, hip-hop, vaporwave e por aí vai. Projeto do Leonardo Gumiero, lá lançou 3 discos: Toro (2019), Anête‘ytaba (2016) e Ascending Dive (2015). Bandcamp | Facebook The Large Quasar Group Projeto solo do Guilherme Nunes de post-rock/ambient/experimental de Curitiba. Lançamentos até hoje: o single tudo vai, tudo fica (2017), o single we found peace right at the bottom of the hill, so we never felt the need to climb it (2017), o single rain, 1993 (2015), o EP life is fragile (2015). Bandcamp | Facebook Quer saber mais sobre post rock brasileiro? Se você quer um pouco mais de experimentalismo/música ambiente/post rock brasileiro, confere o bandcamp do coletivo atlas com
Lançamento Jupiter EP + Entrevista com Lia Kapp

Primeiramente, já solta o play no novo EP Jupiter da Lia Kapp: Lia Kapp é uma cantora e compositora curitibana, sua carreira musical começou quando ela tinha 15 anos e começou a escrever algumas músicas, o resultado foi o primeiro EP ‘Conflito’. Em 2018 ela lançou seu primeiro disco de estúdio, ‘Metamorphosis’ que marca as transformações musicais e pessoais durante sua trajetória de vida. Na verdade, ele funciona como uma continuação do primeiro EP ‘Conflito’ lançado lá por volta de 2015 e que deu início a sua carreira musical. Lia é responsável por todas as composições, estética e produção do álbum, agora em 2019 ela retorna com seu novo EP ‘Jupiter’, mas dessa vez acompanhada de uma banda, formada por Gustavo Mazuroski (guitarra), Erich Zimmermann (baixo e teclas) e Gabriel Bryl (bateria), além dela nos vocais. O disco novo promete uma pegada mais doom, bem mais voltado pro metal, mais dark do que os outros trabalhos, sem perder a essência do vozeirão da Lia. A formação da banda veio pra dar peso ao projeto, para encorpar e aprimorar o que já era muito bom. Acho que já podemos intitular como Chelsea Wolfe brasileira, não? Aproveitando o lançamento das novas músicas batemos um papo com ela para saber como foi a transição de solo para banda, as composições e ideias do novo disco e planos para o futuro. No que o Júpiter se diferencia do Conflito e do Metamorphosis? LIA: A característica principal desse trabalho é que não é mais algo solo meu. O Jupiter foi criado por nós quatro (Erich, Gabriel, Mazu e eu), então há um pedacinho de cada, com influências que eu sozinha não tinha. Além disso, nós optamos por gravar todos os instrumentos organicamente, então não tem mais bateria de preset e nem timbre gerado pelos programas de áudio (ok, tem uma beatzinha em uma das músicas e a gente deu leves lapidadas nos timbres através do guitar rig, risos). Outra coisa é que o Mazu evoluiu muito na mix e na master, e tivemos auxílio de amigos nossos que também trabalham com produção, então tudo está muito maior, e eu considero ótimo, modéstia à parte, risos. A gente tem que gostar do que cria, né? Então basicamente é isso. A gente tá muito contente mesmo. É um passo enorme na nossa carreira e não dá nem pra comparar com os antigos. MAZU: Jupiter é um álbum que nasceu de ensaios, então diferentemente dos trabalhos anteriores, ele é um álbum feito para performance ao vivo. Isso refletiu na produção, nos vimos na obrigação de gravar as baterias e guitarras em estúdio, sem depender demais de plugin. ERICH: Com o Conflito eu nunca tive muito contato, mas o Metamorphösis eu vejo muito essa pegada meio épica, conceitual, super ambiciosa que eu acho muito foda… De certa forma então eu acho o Jupiter mais contido, porque pra mim ele é muito sobre quatro pessoas que queriam mandar um som, sacas? E aí nisso também entra algo que pra mim é muito característico do Jupiter, que nele a gente é permeado por um monte de influências cruzadas, porque cada um de nós tem um rolê completamente diferente e de algum jeito juntando tudo dá nisso aí. Acho massa que cada um esteja presente ali de maneiras variadas, mas que o resultado acabe sendo bastante coeso, como é pra mim o EP. Quais as influências desse álbum novo? LIA: Acho que a mais perceptível é que a gente bebeu das fontes do doom metal, o que eu particularmente gosto muito e não conseguia fazer, mas com eles veio fácil. No dia que a música “Jupiter” surgiu, a gente já notou que essa seria a vibe toda. De artistas acho que posso citar sempre nossa musa Chelsea Wolfe, mas dessa vez tem um certo saxofone no meio que nos influenciamos em trabalhos do Bohren & Der Club of Gore e Oiseaux-Tempête. Além disso, o Mazu trouxe o post-rock, o Erich, o black metal e o Gabriel, o jazz. ERICH: Na época eu estava ouvindo bastante black metal atmosférico, então rolava muito Deafheaven, Alcest, Amesoeurs, o rolê… Acho que acabou saindo ali um tanto de Black Rebel Motorcycle Club, um stoner que ouvi muito… E talvez um A Place To Bury Strangers na coisa meio batendo forte & lento… GABRIEL: Na minha visão, o álbum tem muitas influências bem mistas, num nível que acho muito difícil enquadrá-lo em um gênero específico. Pegamos muita coisa de post rock, ruídos e sopros, também tem orquestrações e momentos rápidos que transicionam para partes lentas. Acho que meus colegas de banda não concordariam muito com essa afirmação, mas eu acho que Jupiter chega a poder ser considerado um trabalho de rock progressivo. Como foi a transição de Lia Kapp artista solo pra banda Lia Kapp e como você conheceu os atuais integrantes? LIA: A transição ocorreu bem naturalmente mesmo. Nós estávamos ensaiando e eu tive a ideia de criarmos juntos uma introdução para os shows, e na hora a música simplesmente apareceu pra nós. No mesmo dia também decidimos reformular a música Verdict, do Metamorphösis, e aí surgiu a banda propriamente dita, visto que antigamente os meninos eram meus músicos de apoio. Quanto aos integrantes, o Mazu sempre esteve comigo, desde o começo. Na verdade, sempre teve um pedacinho dele, tanto nos shows quanto no próprio Metamorphösis. O Erich era amigo nosso (ele conheceu o Gustavo antes e em 2015 fomos apresentados) e sempre fez umas músicas muito interessantes e que eu aprecio muito. No começo da banda de apoio, a Ana (minha amiga que estuda comigo) era quem ficava nas teclas, mas ela não pôde viajar conosco para São Paulo, e então o Erich entrou no lugar dela, e assim permaneceu. O Gabriel surgiu num momento de desespero em que ficamos sem baterista e ele entrou correndo e tivemos apenas um ensaio antes do show do dia 14 de abril de 2018, que foi o primeiro show em que nós quatro tocamos juntos. Nos conhecemos na faculdade de
Rebobinados Indica #14: bandas brasileiras

Mais uma edição do Rebobinados Indica, dessa vez com bandas brasileiras. Temos opções para todos os gostos: indie, shoegaze, black metal, MPB, experimental e post punk. John Filme Às vezes a vida tem umas coisas muito doidas, do tipo que fazem você ir pro show de alguma banda independente pra conhecê-la. Fiquei muito brava porque ninguém havia me falado desses caras antes, apesar deles terem mais de 8 anos de carreira (talvez eu só seja a última a saber de tudo mesmo). Antes tarde do que nunca, apresento-lhes a John Filme. Chapecoenses recém chegados em São Paulo sendo contaminados por essa cidade maluca. Experimental, stoner, shoegaze, pop são algumas tags usadas no bandcamp da banda para descrevê-los. Eu diria que é como ouvir metal sem de fato ouvir metal… Estranho né? Dá pra fazer um headbanging maneiro durante o show e garanto que vale muito a pena vê-los ao vivo. Cada álbum segue uma estética diferente e isso torna o setlist é bem diverso. A banda é bem louca (no ótimo sentido), experimentalismo no talo, são engraçados pra caramba nas redes sociais e durante as performances também, garanto que levantam qualquer defunto por mais mal humorado que ele esteja e que impressionam bastante. O youtube é recheado de clipes maneiros e descolados, tem muita coisa engraçada, confesso que fiquei um bom tempo assistindo e dando gargalhada. Recentemente lançaram o curta abaixo mostrando o cenário de Chapecó com a John Filme, Marshnello, Carpanos e Cocobobonut: Próximo show vai ser dia 27/07, mais detalhes no evento Lançamento Do Zine Dezoito – Coisa Horrorosa e John Filme, confere lá! Youtube | Bandcamp | Facebook | Instagram | Spotify Ímã Ímã ou Ímã de nove pontas é uma super banda formado por: André Garcia (guitarra), Dayane Battisti (cello e voz), Francisco Okabe (cavaquinho e voz), Leonardo Gumiero (baixo, sintetizador e voz), Lorenzo Molossi (bateria e voz), Luciano Faccini (clarineta e voz), Má Ribeiro (percussões e voz), Melina Mulazani (percussões e voz), Yasmine Matusita (bateria e voz). 9 artistas super talentosos, alguns que eu já conhecia de outros projetos anteriores, prometem lançar um super álbum de 9 faixas de canções tortas. Só pela qualidade desse single, garanto que podemos esperar algo espetacular vindo em breve. Facebook|Spotify| Instagram Cãos O quarteto curitibano Cãos faz um pós-punk caótico e sujo, com letras sobre existencialismo, dor e sentimentos inerentes a qualquer ser humano, tudo isso muito bem incorporado nos vocais de Gustavo (vocal, eletrônico), Ariel (guitarra), Akio (baixo, sax) e Michael (bateria). A banda tem dois discos de estúdio, Cães (2016), Domesticado (2018) e o ao vivo Incapacidade Civilizatória (2018), lançados pelo selo Meia Vida. Youtube| Instagram | Bandcamp Apeles Apeles é o pseudônimo de Eduardo Praça, conhecido pelas incríveis Ludovic e Quarto Negro. O músico talentosíssimo e com muitos anos de estrada, prepara o lançamento do seu próximo álbum “Crux” em agosto. Tive a oportunidade de presenciar seu primeiro disco, Rio do Tempo (2017), sendo tocado ao vivo durante o último show junto com a Quarto Negro na Breve, foi uma experiência lindíssima e memorável. Pelos singles lançados até agora: Torre dos Preteridos, Reflexo Turvo e A Alegria dos Dias Dorme no Calor dos Teus Braços, podemos esperar mais um álbum grandioso. Facebook | Spotify | Instagram | Youtube | Site Jovem Werther É claro que essa banda seria relacionada com o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther do Goethe, um dos marcos e obra prima do romantismo. O emocional tem que estar um pouco preparado pra ouvir essa banda triste pra caramba, ou você pode apenas querer curtir a bad intensamente. Esse punk, emo, shoegaze e gritaria realmente mexe com a gente. O EP lançado em 2014 é uma das coisas que a gente guarda com carinho, porque a banda entrou em um hiato, ainda estamos aguardando esperançosos pela volta, também levamos a esperança de presenciar um showzinho, certo? A cena de emo/shoegaze/gritaria está carente e precisa de vocês (e nós também). Facebook | Instagram Lado Esquerdo Vazio Confesso que descobri a banda enquanto procurava indicações para esse post e foi uma surpresa muito boa. Uma mistura muito boa de shoegaze com black metal, o famoso blackgaze, com tons experimentais. Apesar da banda ter entrado em hiato depois do lançamento do EP Póstumo, boatos e posts no Facebook indicam que vem material novo ainda esse ano, vale a pena ficar de olho. Facebook | Bandcamp Anil Anil é o novo projeto do Antíteses. Músico curitibano de MPB, emo, indie e lofi. Em junho lançou o Outono, primeiro de uma série de 4 EPs que serão lançados ao longo do ano. Ele expressa uma inadequação e sensação de não pertencimento, canções agridoces, transitando entre alegria e melancolia como ele mesmo descreve. Sábado agora, dia 22/07, é o evento de lançamento do EP em Curitiba, com abertura do Érico. Mais detalhes no link: https://www.facebook.com/events/2323715297747225 Bandcamp | Spotify | Youtube | Facebook
Especial Mulheres Independentes – Parte I: Amanda Conti

A divulgação de projetos de artistas independentes anda com passos de formiguinha, porém, aos poucos, chegaremos lá. Faz parte da minha missão como colaboradora desse blog divulgar cada vez mais projetos muito bons de mulheres independentes. E a gente espera que, de pelo menos alguma forma, o que fazemos aqui ajude a projetá-las para o mundo. Não sei se já comentei aqui, mas eu tenho a sensação de que é muito mais difícil achar mulheres na música do que parece. Não temos elas mandando seus materiais para o blog, não temos muita divulgação na internet quanto deveria ou poderia. O que temos são projetos realmente incríveis de outras mulheres igualmente incríveis, que tentam fazer com que todas nós tenhamos oportunidades de subir ao palco. Gosto de sempre reiterar a importância de ajudarmos umas as outras da forma como pudermos: compartilhando, curtindo, comentando, apresentando para os amigos e indicando. É mega importante ter essa visibilidade tanto para quem já está no ramo da música quanto para meninas novinhas para se inspirar a tocar e cantar. Se vocês tem projetos legais pra indicar, mandem pra gente no Facebook, Instagram ou na página de contato. Na primeira parte do post eu vou falar sobre um dos dois projetos muito bons que conheci através do Sarau As Mina Tudo. E alô selos, coletivos e projetos para alavancar bandas/artistas de plantão, prestem atenção nas mulheres que estão começando na música. É muito importante contar com a ajuda de vocês na divulgação e para arranjar shows. Toda ajuda é sempre bem vinda e você pode estar perdendo uma artista de ouro. Se liga! Amanda Conti Um passarinho me contou sobre a apresentação da Amanda no sarau e eu decidi pedir uma entrevista. Amanda é uma cantora/intérprete/cantatriz/desenhista muito talentosa. Assim como Maria Bethânia, ela ainda não compôs nenhuma música de sua autoria, porém isso não quer dizer que ela não nos encanta quando solta a voz. João Gilberto (que descanse em paz) também se escondia um pouco atrás do violão e cantava timidamente. Amanda também, mas apesar de muito tímida, ela se liberta e mostra seu verdadeiro potencial nos palcos. Os estilos preferidos dela são MPB, Jazz e Soul. A tecnologia do Instagram não nos permitiu incorporar os vídeos do perfil dela aqui no post, porém você pode conferir eles tanto no IGTV (https://www.instagram.com/seis.mandacarus/channel/) quando os vídeos menores no feed (https://www.instagram.com/seis.mandacarus/) ENTREVISTA Primeiramente, para que nós possamos te conhecer, como você descreveria seu projeto e sobre o que você canta? Por que eu canto? Eu me pergunto isso sempre, e nos últimos tempos, em que cantar cada vez mais assume o lugar daquilo que eu quero fazer da minha vida, tenho me perguntado cada vez mais. Eu não encontrei ainda nenhum motivo muito significativo, simbólico, ou qualquer coisa do tipo. Acho que eu posso inventar mil motivos, mas o que me move de verdade verdadeira sempre acaba sendo o fato de que eu sou completamente apaixonada por cantar. Eu gosto, de verdade, e parece que eu sinto que eu existo mais quando eu estou cantando e quando eu estou no meio da música. É engraçado, mais pra mim, que sou uma pessoa com alguma dificuldade em me expressar oralmente, cantar às vezes aparece quase como uma alternativa. E eu penso muito na minha relação com cada uma das linguagens artísticas que eu estudo: artes cênicas, o desenho e a música; e acho que das três, a música, quando eu canto, é a que me deixa mais vulnerável, é a que mais me expõe. Do que eu fiz até agora no teatro, tanto como atriz quanto como dramaturga, sempre tem mediações muito claras entre eu e o mundo: os personagens, ou, se estou escrevendo, o próprio texto. É como se eu me revestisse de alguma coisa antes de me expor. E com o desenho também, o próprio desenho é a minha mediação. É claro que algo de mim está no desenho – inclusive tem desenhos profundamente pessoais – mas a mediação do papel é mais um nível entre eu e, sei lá, uma exposição. Mas quando eu canto, apesar de ter a mediação da música, sou eu quem está lá. E estou cantando com a minha voz, eu sou a Amanda cantando. E eu poderia dizer que até hoje eu não consegui compor nada autoral – não por falta de tentar – e então as composições de outras pessoas, as coisas que elas quiseram contar usando a música como linguagem, são uma mediação parecida com a dos personagens que eu interpreto como atriz. Mas eu nem sei de verdade até que ponto eu acredito nisso. A verdade é que quando eu canto eu me sinto sem revestimentos, eu sinto que não estou nem um pouco escondida. E ao mesmo tempo que é um pouco assustador, é uma coisa maravilhosa. Eu viro quase que uma cúmplice de mim mesma, fico até meio boba de vaidade. E cantar com outras pessoas, cantar com gente tocando, é quase como se todo mundo estivesse contando algum segredo seu, conversando. Acho que o que eu poderia falar de projeto meu agora é que estou num momento de procurar e tentar construir cada vez mais espaços pra música na minha vida: procurando lugares pra tocar, gente com quem tocar, tentando dar os primeiros passos me acompanhando sozinha. Talvez mais que um projeto, eu estou num momento de projetos, vários projetos. Projetos de duo, de banda, rascunhos de projetos, vídeos… Criar a conta no instagram, a seis mandacarus, acho que faz parte de um projeto de começar a me colocar de algum jeito, e nesse sentido até me fazer vulnerável, cantar pra pessoas. Foi uma saga pra criar a conta, por mil travações que iam desde vergonha até achar que era uma bobagem vaidosa e ruim ficar cantando e querer que alguém quisesse escutar. Talvez eu até ache isso ainda às vezes, mas gente que me apoia muito me dá uns empurrões quando eu mais preciso deles. Minha irmã foi quem me deu pra criar
A beleza do caos do EP lapso – Fernando Motta e eliminadorzinho

Talvez vocês já tenham se cansado de me ouvir falar do Fernando Motta nesse blog, porém eu não posso perder a oportunidade de falar dele de novo. Especialmente depois do lançamento do EP lapso em parceria com a eliminadorzinho. Esse EP foi uma pancada no coração que eu não estava esperando, aliás, acho que foi uma pedrada que nenhum de nós esperava. Foi uma surpresa extremamente boa. O desde que o mundo é cego lançado no finalzinho de 2017 era uma vibe completamente diferente, um álbum feito pra te acalmar, te tranquilizar e te impedir de xingar todo mundo. Pelo menos era esse o efeito que ele sempre teve em mim. Definitivamente é um dos meus álbuns preferidos da vida. Meus scrobbles do last.fm não me deixam mentir, é um dos álbuns que eu mais ouvi nos últimos anos. Falei muito bem dele nesse post aqui, porém acho que nunca o descrevi como ele merecia. Um dos poucos álbuns que eu posso afirmar que me salvou a vida (sem exageros). Teve semanas que eu o ouvia sem parar, quando eu estava prestes a explodir de tanto stress, ele era a calmaria de que eu justamente precisava. Era como pisar no freio quando meu corpo só queria acelerar até bater. Dito isso, lapso é o oposto do último disco. É algo que me surpreendeu positivamente. Nos últimos trabalhos a eliminadorzinho já vem apresentando seu lado mais emo, visceral, quebradeira e gritaria. Eles fluíram bastante na sonoridade desde o nada mais restará até o single Baixo Astral lançado esse ano. A eliminadorzinho é uma banda que sintetiza bastante a expressão rock jovem pra mim. Rock alternativo bravíssimo, cheio de vigor e raiva (a raiva que serve como agente de mudança e faz as pessoas acordarem, ou seja, o bom sentido). é incrível porque eu acompanho os dois projetos desde o começo e fico extremamente orgulhosa e na expectativa a cada lançamento. A evolução só culmina para o bem. E é também maravilhosa a influência que as bandas e artistas talentosos transmitem uns aos outros quando lançam projetos juntos assim. Lembro que o nada mais restará foi meu “disco de cabeceira” por tanto tempo, meu companheiro de karaokê na hora do banho e meu companheiro inseparável por conta da presença fortíssima do shoegaze trazida pela mix e master feita pelo Felipe Aguiar da gorduratrans. E vocês já perceberam que eu não enjoo de shoegaze por nada neste mundo, lembro de ter pedido muitas vezes para que a eliminadorzinho soltasse mais algumas músicas naquela vibe. Não lançaram, porém se redimiram comigo depois do lapso. Foi a influência shoegazer que os trabalhos do Fernando nem sabiam que precisavam. Certamente lapso não é um EP que você ouve de primeira e já assimila de uma vez. Requer várias ouvidas para poder assimilar tudo que tá acontecendo. É a beleza do caos, a desordem perfeita, o grito de alívio. Às vezes você só consegue encontrar paz na gritaria (meus amigos admiradores do blackgaze e post hardcore me entenderiam nessa hora). Eu estou ouvindo esse EP desde que foi lançado e às vezes eu me distraio e noto alguma coisa nova. As bpm são tão frenéticas que eu jamais me atreveria a tocar, porém admiro quem o faz. E também não existe essa de música com muito pedal, pedal nunca é demais e é sempre bem vindo. E a melhor coisa sinceramente é a música paranoia. Eu não sei nem o que eu poderia dizer sobre ela. Me traz a sensação de estar no meio do mosh ou fazer stage diving e ser carregado pelo público enquanto você grita e se liberta. Eu confesso que pouquíssimas vezes quis moshar tanto na vida quanto eu quis ontem ao assistir ao show no Almanaque Urbano. Ao presenciar a performance ao vivo, chega a ser um desperdício não moshar. Essa música é extremamente visceral e crua ao vivo. Dá vontade de ouvir de novo e de novo e de novo. E o conceito também é incrível, a arte do disco é maravilhosa (foto do Tiago Baccarin e arte do Bruno Queiroz), combina muito esteticamente com o som. Memória, nostalgia, paranoia e contraditória – tudo dentro do lapso. Tudo muito verdadeiro, tudo muito sincero e isso sempre acaba transparecendo. O Nando é uma das pessoas mais verdadeiras e sinceras com a arte que eu conheço. Desde que eu vi meu primeiro dele e meu primeiro show na Breve, lugar que posteriormente seria o reduto de boas lembranças atreladas a shows nacionais, já se via o carinho com o público. Põe o coração e a alma em tudo que faz. Colabora e ajuda a produzir outros artistas em início de carreira, faz o melhor que pode pros seus amigos e é sempre um amor com seus fãs. Se todos os artistas fossem pelo menos um pouco parecidos com ele, o mundo seria um lugar bacana. Eu só tenho a agradecer por algo que eu nem esperava, porém que veio na hora certa. Você merece todo o sucesso do mundo. Voa alto que o mundo é teu. Acompanhe os artistas nas redes sociais:
Rebobinados Indica #13

Mafius – Tela Azul (2019) A expectativa para o lançamento do EP do artista mineiro Mafius era altíssima e a espera valeu a pena. Com seis músicas, incluindo o single Trânsitos Astrológicos, uma mistura muito doida de lo-fi, indie, alternativo e dream pop. Os gêneros que eu acabei de mencionar são apenas pra referência, porque ele não quer ser limitado em suas criações, o espírito criativo é livre e vasto. E ele muitas vezes se descreve como “filho do Mac Demarco” e eu acho que não tem como explicar melhor sua arte. Na minha opinião, num claro exemplo de como os filhos podem superar seus pais. Coloco muita fé nessa nova onda de artistas jovens e com sede pra ganhar o mundo, mostrar de onde vieram e com um potencial enorme para ir onde bem quiserem. Especialmente quando se é cria do coletivo Geração Perdida de Minas Gerais, reduto da maior parte dos meus artistas preferidos da música nacional. https://mafius.bandcamp.com/track/tr-nsitos-astrol-gicos https://www.instagram.com/mafiusmefius/ Céu de Vênus – Por Todo o Inverno e a Primavera (2019) Outra boa surpresa foi o lançamento do álbum Por Todo o Inverno e a Primavera dos curitibanos da Céu de Vênus com seu intenso post-rock e math-rock. Lançamento da Sinewave a gente já confia e ouve com a tranquilidade de que vem coisa excelente por aí. E a recomendação do Rebobinados só vem para endossar o talento dos rapazes. Post rock revigorado com a candura para os ouvidos que só uma boa guitarra pode nos proporcionar. É uma das bandas que eu quero muito assistir ao vivo, na minha opinião uma das melhores bandas da música instrumental brasileira atualmente. A lindíssima arte da capa é da autoria da multi artista Stephani Heuczuk, baixista da terraplana. Bobeei de não ter dado essa dica antes para vocês, porém antes tarde do que nunca. https://www.facebook.com/ceudevenus/https://www.instagram.com/ceudevenusoficial/https://twitter.com/ceudevenus Sublunar Express – Sublunar Express (2019) Esses dias recebi uma mensagem de um colega que conheci em um desses sites que você encontra pessoas com afinidades musicais em comum. E ele me disse que havia lançado o primeiro álbum da sua banda, a Sublunar Express. O trio québécois é formado por Denis Dufour, Emmanuel Heis e Daniel Paras. Trazem uma mistura interessante de krautrock (gênero atribuído a bandas experimentais alemãs da década de 60 e 70), stoner, post rock, rock atmosférico e psicodélico. Me lembrou bastante Kraftwerk, fica a dica para quem curte a banda. A capa foi feita pelo talentosíssimo Joan Llopis Doménech. Vale a pena conferir e ver o som muito bom que rola em terras canadenses. https://sublunarexpress.bandcamp.com/album/sublunar-expresshttps://www.facebook.com/sublunarexpress/https://www.sublunarexpress.com/ LVCASU – estrelas ocas: diários, notas, esboços (mixtape) – 2019 Esse lançamento até aqueceu o meu coração de tamanha saudade que eu estava de ouvir coisas novas do meu amigo e ídolo Lucas Silva, mais conhecido como Lvcasu. Foi inesperado para quem não o acompanhava no soundcloud, onde ele lança algumas pérolas de vez em quando (fica a dica). E uma grata surpresa pra mim – que morro de saudades de ver um show dele. A mixtape reúne experimentações e músicas – em tese inacabadas – que estavam guardadas na gaveta. Nada pretensioso ou com intenção de ser. Apenas a mente fluindo junto com a arte. O jeitão lo-fi continua em alta e os riffs marcantes também. Quem sabe Lvcasu volta se a gente pedir bastante? https://youtu.be/vue_On-Embo https://www.youtube.com/watch?v=vue_On-Embo Jair Naves – Rente (2019) Jair Naves é gigante, referência pra todo artista talentoso, percursor do meio alternativo e o cara que abriu e que continua abrindo caminho para possamos fazer e falar de música hoje. Sempre lúcido, com músicas profundamente reflexivas, honestas e brutalmente reais, seja na Ludovic ou com assinando com seu próprio nome. Consegue captar e transmitir em arte a atual conjuntura política e social brasileira, toda vez que se pronuncia consegue dar voz a uma geração aprisionada em seus próprios fantasmas, porém determinada a não deixar que os antepassados cometam os mesmos erros. Jair fala da sociedade e fala dele mesmo, atemporal apesar de falar sobre o que acontece no aqui e agora, expondo a complexidade do ser e as peripécias do viver. Se eu pudesse indicar um artista para que todos possam se inspirar, esse artista é Jair Naves. É sempre uma honra e um prazer vê-lo ao vivo. E você pode conferir o novo disco no evento Sounds Like FFFront IV – Jair Naves – 24/06 https://jairnaves.bandcamp.com/releases Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.
Lançamento do clipe Ode – Ultraluna + entrevista

Quem acompanha o nosso blog desde o começo provavelmente já deve ter ouvido falar do Vinicius Mendes, certo? Já fizemos matérias aqui falando do Festival Pessoa que Voa que aconteceu no ano passado e fizemos uma entrevista com ele falando sobre o nosso querido e finado selo. Mas o que você talvez não saiba é que o Vinicius agora está com um novo projeto, chamado Ultraluna. Clipe de Ode Ode é bem diferente da primeira música lançada anteriormente, a Como uma Raposa nos Faróis (veja abaixo), é mais alegre, bem mais pop, grudou facilmente na minha mente o trecho “eu não vou sentir medo ou nem sentir culpa, só quero sentir seu braço na minha nuca”, me vi cantarolando essa parte pelo resto do dia quando ouvi as demos. Não posso dar spoilers do EP que será lançado em breve, porém posso adiantar que é um ótimo álbum, diferente de Mércurio que sempre me fazia chorar ou emocionava quando eu via ao vivo. Mércurio era bem mais voz e violão, right in the feels, o EP é mais “guitarrístico”, pop, refrões marcantes, solos de guitarra pra fazer você se apaixonar, pedal como a gente gosta e uma bateria animada e acelerada. Pelo menos que é a impressão que me passa. Ultraluna não é necessariamente um renascimento ou recomeço, é apenas uma das inúmeras facetas de um artista que procura diversas maneiras pra se expressar. O passado não ficou para trás, ele é sempre valorizado e querido. Mas temos que dar passagem para que o novo possa entrar e mostrar suas qualidades também. Acho que é sempre importante experimentar e ir descobrindo o que mais te agrada na música, confesso que as duas abordagens funcionam muito bem pra mim, tanto a melancolia quanto a alegria da juventude, aquela abordagem musical trazida pelo núcleo independente que eu chamo de rock jovem. O rock jovem me lembra do espírito da juventude, que muitas vezes eu perco (talvez eu já esteja velha demais pra isso), mas de vez em quando eu acho quando vou aos shows independentes. Essa abordagem dá um vigor pra discografia do Ultraluna, mostra as camadas criativas e a capacidade de se reinventar sem perder a essência, mantendo a alma, a paixão pela música e a criatividade. https://youtu.be/8Tb4dJ2yeSo Na entrevista abaixo, conversamos um pouco mais pra tentar entender os planos para o novo projeto: O que significa Ultraluna pra você? Uma mudança de nome ou estilo até um tipo de renascimento ou algo mais? Acho que o nome Ultraluna e o fato de ter mudado de nome não significa necessariamente uma mudança, porque meu estilo de compor e fazer música continua praticamente o mesmo, e nem um recomeço, porque gosto muito da minha discografia, e tudo que fiz nesse meio tempo. Acho que é um jeito de me distanciar da minha vida pessoal e poder ter mais liberdade em fazer o que eu me sinto confortável fazendo enquanto artista. Em qual direção as suas próximas músicas serão? (ex: vai ocorrer uma mudança de estilo/gênero) Então, eu não faço ideia. Essas músicas novas foram as ultimas que eu tinha guardadas, não tenho mais nada escrito, tudo daqui pra frente vai ser novo. Por enquanto, a ideia é fazer uma mistura desse som mais trabalhado do EP com o som acústico dos meus trabalhos anteriores, mas não comecei a escrever nada. A vontade agora é tocar esse EP ao vivo, junto das músicas antigas arranjadas com a banda pela primeira vez. Com quais artistas você vai colaborar nas músicas novas? Além da ajuda do Lucas (LVCASU), que desde sempre me ajuda na produção de tudo que faço, e fez as fotos e o vídeo de “Ode”, pela primeira vez tô contando com a ajuda do meu amigo talentosíssimo Nickolas (Marchioretto), que tocou bateria, guitarra e cantou em todas as músicas do EP. Nós gravamos lá no estúdio Fiaca, com o Yann Dardenne e com o Chris Kuntz, da Goldenloki, e eles ajudaram muito também a moldar esse trabalho todo. Quais são as inspirações pro álbum novo? Enquanto compunha eu ouvia muito Title Fight, Adventures, Mineral, I Hate Sex, Eliminadorzinho e o “Boas Pessoas São Feitas de Promessas Incompletas” do Marchioretto. Acho que o fim da PQV inspirou um pouco as composições e o jeito que eu tô lançando esse EP também. Quais são as histórias por trás das fotos do EP? As fotos da capa e do vídeo de “Ode” retratam um dos temas do EP, acho que essas canções lidam muito com amadurecimento, com o medo de crescer e finalmente lidar com a vida sem filtro algum. Queria que elas passassem uma história meio “coming of age”, de jovens crescendo e se descobrindo. Tem algum plano de show/tour em breve? O primeiro show da Ultraluna com banda vai rolar em julho, junto de artistas que sou muito fã. Não sei se vou conseguir fazer uma turnê tão cedo, porque minha rotina de trabalho é bem justa, mas tenho muita vontade de ir pra Minas e pro interior de São Paulo pela primeira vez. Tem algum outro músico independente que você gostaria de trabalhar? Sou muito fã da Lia Kapp, do Weird Fingers, da Ana Paia, do Nymo, do Juma e da Goldenloki, além do pessoal que era da PQV, como a Eliminadorzinho, Quasar, Pelocurto, e todo o pessoal. Pra qualquer coisa que um dia resolverem me chamar eu topo demais. Agradecemos ao Ultraluna pela entrevista e aguardamos ansiosos pelo disco novo! Quer saber mais sobre o artista? Bandcamp | Facebook | Youtube
Wagner Almeida – Domingos à Noite, a verdadeira beleza está nas coisas mais singelas

Eu queria ter tido tempo pra escrever sobre esse disco antes. Quando eu ouço discos como esse do Wagner eu me lembro do motivo de eu escrever nesse blog pra algumas pessoas lerem. Me dá vontade de continuar, renova minhas esperanças em continuar a escrever e renova a fé na música brasileira independente. Na esperança que alguém vá de fato ler e se interessar pra escutar o que eu estou indicando. Eu desejaria que fosse como aquele bom amigo que sempre tem bons conselhos sobre música, e eu ficaria muito brava se esse meu bom amigo não me indicasse um álbum bom desses pra ouvir. Solta o play: Antes de mais nada, espero que você já tenha ouvido falar no Wagner Almeida. O álbum crescimento/desistência foi um dos melhores discos de 2018, e eu me arrependo amargamente por não ter ouvido ele antes e não ter indicado antes pra vocês. De fato, eu me apaixonei verdadeiramente pelo álbum depois do show do Wagner na Breve e eu me arrependo disso por não ter curtido o álbum com a emoção que ele merece. Eu sempre tô atrasada com todas as coisas, mas dessa vez eu tentei não demorar muito. O ano ainda está na metade, mas pode ter certeza que esse já é um dos meus álbuns preferidos do ano e possivelmente da vida. Sabe quando um artista lança exatamente aquilo que você PRECISAVA ouvir. É literalmente isso. Provavelmente vocês já perceberam que eu sou uma grande admiradora das coisas que o Fábio de Carvalho e o Fernando Motta lançam, os discos deles significam muito pra mim e me marcaram bastante, com o Wagner tá sendo a mesma coisa. É inegável que Minas Gerais tem muita coisa boa, mas sinto que a gente não valoriza o suficiente. O Sentidor, mais conhecido como João de Carvalho, colaborou em grande parte com esse disco tanto na composição quanto na mixagem/masterização, e ele é outro grande artista que a gente deve se lembrar e se orgulhar de poder conhecer. Foi um encontro bastante feliz essa mistura magnífica das ideias do Wagner com as ideias do João. A atmosfera que existe nesse álbum é excelente, traz uma paz, uma calmaria, uma sensação de pertencimento gigante. Estar em casa ou estar em algum lugar tão confortável quanto (mesmo que seja no mundo de outra pessoa). Te faz esquecer da atual conjuntura política, de todos os seus problemas e te transporta pra um lugar melhor. Paz e quietude nunca estiveram tão em alta, o mundo moderno nos faz ficar tão ansiosos que é sempre bom encontrar um momento pra respirar e apreciar um bom disco. Eu sei que eu sempre dou uma boa viajada quando eu falo dos discos, porque eu só escrevo sobre aquilo que me marca e que eu não sei resenhar como muitos sabem, então eu só digo que descrevo todas as sensações e sentimentos que me marcaram nos álbuns. Então não me leve a mal. Agora voltando ao que importa… Não tem sequer uma música ruim nesse álbum e eu ainda estou tentando descobrir quais são minhas favoritas. Mas Cocada é certamente um ponto alto pra mim. As melodias se unificaram em algo tão bonito que eu tenho vontade de chorar toda vez que eu escuto, não é necessariamente uma música triste, mas ela consegue chegar àquelas notas que acertam certeiramente o meu peito e atingem aquele lugar sensível. Também perfeita para um estado de contemplação. As letras tanto desse disco tanto do álbum lançado no ano passado me fazem refletir sobre minha própria vida e sobre os caminhos que eu ando tomando, tenho me conectado bastante tanto com as melodias quanto com as letras. Tem me conectado com meu interior de uma maneira que eu nunca pensei, tem me feito refletir bastante e é muito curioso quando alguém que mal te conhece escreve um tantão de coisas que fazem você se sentir validado. Escutar esses álbuns tem sido uma viagem de autoconhecimento sem fim, pelo menos pra mim. Fora as vezes que eu me encontro extremamente sensível e desabo em lágrimas. Toda vez que eu ouço Cabo Frio, do último disco, eu SEMPRE choro. Vai diretamente na parte sensível que eu guardo a sete chaves dentro de mim. E domingos à noite é a mesma coisa. É um disco singelo, como se não precisasse de muitas coisas e firulas pra mostrar sua verdadeira beleza. A gente encontra a perfeição nas coisas mais simples, sinceras e diretas. Por exemplo, a música Toda Azul. Ela é simples e ao mesmo tempo tão fofa e tão bonita. Não precisa de mais nada, sabe? É isso, essa é declaração de amor que importa. Não precisa escrever milhares de coisas pra demonstrar que gosta (mas se quiser pode), essa música resume tudo isso, não precisa de mais nada. E é só isso, eu só tenho a agradecer por esse disco sensacional. Obrigada de verdade. Para saber mais sobre o artista, acompanhe as redes: https://www.facebook.com/wagneralmeidabh/ http://wagneralmeida.bandcamp.com https://www.youtube.com/channel/UCaylrmrftMlC8rIn5PY1hyA https://www.instagram.com/wagneralmeida_bh https://www.twitter.com/wagneralmeidabh E mais sobre o Sentidor: https://open.spotify.com/artist/1gXygxpZCVCaFMja7oHbq7 https://www.facebook.com/projetosentidor/ https://www.youtube.com/channel/UC7okdFyJxLSkCqFycLtUH2Q https://soundcloud.com/disritmiaesonho
Entrevista: De Carne e Flor

Primeiramente eu quero pedir desculpas. Admito que demorei demais para ouvir essa banda tão boa. Eu sempre demoro demais para ouvir coisas novas, apesar de ter todos os incentivos do mundo para fazê-lo, mas acho que são falhas comuns do ser humano. Ainda há tempo para corrigir essas falhas e se você ainda não ouviu, talvez eu possa te convencer a ouvir também. De Carne e Flor é formada por Bruno Araújo (voz), Guilherme Xavier (guitarra), Vitor Ferrari (baixo), André Jordão (guitarra), Eliton Si (bateria/voz). No final de 2018 eles lançaram o álbum Teto Não Familiar, uma mistura visceral de emo, post rock, screamo e post hardcore. Confesso que apenas a citação dessa mistura de gêneros já me deixaria curiosa para conhecer a banda, porém para o deleite de todos nós, tem muito mais do que só isso. Acho que poucas bandas conseguiram me conquistar e me emocionar de imediato. Talvez eu esteja sensível demais, propensa ao choro ou a banda é realmente boa demais. Apenas 4 músicas foram necessárias para atingir aquele pontinho certeiro do meu peito, atingindo aquela zona sensível onde moram os sentimentos. Foi como revisitar algo doloroso que eu já havia vivido, sabe aquela expressão “bateu a bad”? Bem clichêzona, porém é a real. Talvez porque família seja um tema complicado, que está na realidade de todos nós, talvez sejam as belíssimas letras das músicas, talvez sejam os pedais, talvez seja o grito do Bruno, mas algo me conectou com esse álbum. É como se cantassem os sentimentos mais profundos e dolorosos que temos dentro de nós, alguns sentimentos que estão tão profundamente escondidos que nem sabíamos mais que existiam. O grito é a libertação dessa dor, ou ao menos uma maneira de se expressar e tentar se livrar do fardo carregado ao longo de tantos anos. Batemos um papo para conhecê-los melhor… Como vocês descreveriam a banda para quem nunca ouviu? R: Emo da sessão de descarrego. A sonoridade é caótica, urgente, melódica, dissonante e voraz. Gostaríamos de criar uma atmosfera capaz de transportar o ouvinte a este ambiente adequado para receber o drama que as vozes carregam. Para isso usamos estruturas de screamo, (pós-)hardcore e pós-rock, sem medo de acrescentar o que a gente sentir vontade. Como está a recepção das pessoas depois do lançamento e durante os shows? R: Sobre o EP, quando alguém diz pra gente que curtiu o som normalmente é por suas próprias razões, encontrando referências que nem eram a nossa intenção! Isso é interessante pois mostra como mesmo algo trazido de lugares muito específicos por nós, pode ser interpretado ou recebido de forma diferente pra quem ouve, dependendo da bagagem de cada um, tornando o sentido geral da coisa ainda maior. Sobre os shows, já ouvimos que nós criamos uma apresentação com o andamento interessante com começo, meio e fim, repleto de passagens marcantes. Nos esforçamos pra valer a pena conferir! Da onde vem a inspiração para o álbum e como foi a composição das letras? R: Desde a época da Black Clovd (banda de hardcore melódico pique More than Life onde dividi guitarras com o Guix entre 2014 e 2016), chegou um momento onde eu tava sendo mais produtivo escrevendo letras do que melodias, por me sentir cheio de coisas pra contar, não ser muito bom em expressar de forma direta as coisas mais sérias da vida e não me sentir muito afim de desabafar ou incomodar alguém. Quando a tal banda acabou coincidiu do Vitor (baixo) querer montar este projeto. Parte das letras foram escritas num momento de vazio por conta de desemprego e falta de rumo (tinha acabado de terminar um curso técnico o qual não me via exercendo profissionalmente). Me encontrei relembrando amizades antigas e pensando em como cada um seguiu seu rumo e eu fiquei no mesmo lugar (nas poças se transforma, provavelmente a letra que tinha guardada por mais tempo). Também escrevi sobre percalços pelos quais passaram meus familiares (de um teto não familiar), a descoberta e receio de sentir um novo afeto (em medo e em desejo). A primeira faixa (A âncora que jogamos) foi escrita por último, após o Victor (ex-guitarrista) ter trazido o nome da banda (que tem como referência a música De Carne Y Flor da banda espanhola Viva Belgrado), além de ser um lamento inicial também apresenta o clima do EP, batizado com o nome do segundo episódio de Evangelion porque o lado otaku falou mais alto. Quais são as bandas que vocês se inspiram? R: Alexisonfire e U2 (risos). A banda canadense de post-hardcore Alexisonfire, uma das inspirações da De Carne e Flor Vocês tem outros projetos musicais? R: Também tô de vocal num projeto chamado Ravir com o Guimo e o João (ambos membros da Jovem Werther, banda que me influenciou muito e que cheguei a tocar durante o ano passado e hoje se encontra em hiato). A ideia é fazer um pós-hardcore mais mewithoutYou e Fugazi. O Guix (guitarra) também toca no Institution e o André (guitarra) é o cara mais multifacetado da banda, toca na O Bicho de 3 Cabeças (instrumental fudidásso), Lapso (grind/black metal) e Obscvre Ser (blackened hardcore) e também foi parte da Jovem. Vale citar que o Elitinho (bateria) tocava na We are Piano (pós-hardcore/experimental) e não pensei duas vezes em chamar ele quando fui montar a banda. Bandas brasileiras que vocês admiram e gostariam de tocar junto? R: Acho Colligere incrível e boa parte do pessoal que nos viu tocar diz que a gente tem uma veia em comum. Mesmo que a banda se apresente muito raramente, torcemos para que um dia ocorra essa oportunidade! Das que pararam mas já fizeram minha cabeça, Envydust e 3 Segundos Antes da Queda. Atualmente, tá rolando muita coisa boa tanto em rolês mais pesados (Sendo Fogo, Rastilho, Surra, Desventura, Uhrutau), experimentais (Hiroshima Bunker, Rakta, Ema Stoned, Labirinto) até os mais de boa (Superbrava, eliminadorzinho, Raça) e além de ser tudo banda foda (algumas citadas já tocamos junto) seria legal ver como a
Lançamentos de 2019: Internacionais

Lançamentos de 2019: fizemos uma lista com alguns discos que não saem dos nossos players de música, se você está a fim de conhecer música nova, confira quais são esses álbuns que já podemos considerar como nossos favoritos do ano. American Football – LP3 O terceiro álbum do American Football lançado na sexta feira veio para agraciar todos aqueles que sofrem de dor de amor (sejam estes reais ou imaginários) e de saudades do midwest emo. Eu sou sempre lerda para acompanhar os lançamentos, quase sempre sou a última a saber, mas esse eu já ouvi umas 6 vezes no mínimo e cada vez que eu ouço eu quero ouvir mil vezes mais. Simplesmente perfeito. Com toda a certeza do mundo vai constar na minha lista de melhores do ano. E o que dizer das colaborações? Elizabeth Powell (Land of Talk), Hayley Williams (Paramore) e a perfeita-e-dona-do-meu-mundo Rachel Goswell (Slowdive), sinceramente eu não conseguiria pensar em uma combinação melhor. Incrível, vale a pena demais ouvir. Duster – Capsule Losing Contact Uma das minhas maiores alegrias dos últimos dias foi ver a notificação do Spotify avisando que Capsule Losing Contact estava disponível. 51 músicas deliciosas dos nososs amados Stratosphere e Contemporary Movement além dos EP’s e algumas músicas inéditas. É o maior presente que qualquer fã de Duster e de música boa poderia receber. Qualquer coisa que eu possa falar de Duster será suspeita, porque eu simplesmente adoro essa banda. Duster é vida, Duster é o ar que eu respiro, Duster é tudo. Só acredite no meu bom gosto, ouça e concorde comigo depois. Tamaryn – Dreaming The Dark Na última terça feira fomos presentados com a presença da grande rainha toda poderosa Tamaryn em terras brasileiras e na sexta feira foi lançado o tão esperado Dreaming the Dark. O show de terça já contou algumas músicas novas (basicamente os singles lançados até então), e elas são excelentes ao vivo. Aliás, Tamaryn é uma artista completa, interpretação perfeita, luzes, ambiente, o som estava perfeito e a performance: impecável. Desde que entrei na casa de shows já tive vontade de sair dançando e cantando. A presença de palco dela é simplesmente magnética, não consegui desgrudar os olhos do palco. De longe um dos melhores shows que eu já vi, vou guardar pra sempre no meu coração. Perfeito em tantos níveis que eu só posso ficar triste por quem não pode comparecer. Vale a pena curtir o álbum lançado e torcer para essa deusa pisar em terras brasileiras em breve. La Dispute – Panorama Quem é emo e/ou corno (apelido carinhoso) se deu bem essa semana, especialmente os fãs de La Dispute, que puderam comemorar ariando os chifres no chão com o novo álbum Panorama. Para ser bem sincera, não me conquistou na primeira vez que ouvi. Talvez eu deva dar mais chances e quem sabe eu vá me apaixonar até lá. Porém recomendo pelo carinho que tenho com os outros álbuns e pela história de dor e lágrimas que tenho com algumas músicas da banda. Nilüfer Yanya – Miss Universe Confesso que essa artista eu conheci buscando mais lançamentos para poder escrever aqui e me surpreendi positivamente. Mais uma das boas surpresas vindas dos lançamentos dessa semana. Cantora e compositora britânica de indie pop/ indie rock, se inspira em artistas excelentes como Jeff Buckley, Nina Simone, Pixies e The Cure. É uma das promessas de novos artistas e provavelmente esse álbum vai constar na lista dos melhores do ano de muitos blogs aclamados por aí. Os toques de soul, a graciosidade da guitarra e o sotaque britânico fazem esse álbum ser diferente das últimas coisas que tenho escutado e bastante especial também. Gostoso o suficiente para ser escutado por pelo menos mais umas dez vezes. Uma ótima oportunidade para conhecer artistas novas e talentosas. Já disseram que 50% dos novos guitarristas que estão surgindo são mulheres, e a Nilüfer é um excelente exemplo para as garotas se espelharem. Mulheres na música é tudo de bom. Crocodiles – Love is Here Já fazia um tempinho que essa dupla estava sumida, porém esse ano saiu Love is Here, o sétimo disco de estúdio do Crocodiles. A banda faz um indie rock com influências de noise, shoegaze e pós punk, aqui eles mantém a qualidade do que já vinham fazendo, portanto se você espera algo inovador, não é o caso, no entanto, é um álbum muito bom. Acredito que por ser o sétimo da carreira, valeria dar uma arriscada ali ou aqui pra sair um pouco da mesmice, mas mesmo assim não tem como, eles são ótimos e continuo adorando esses caras, se você gosta de Jesus and Mary Chain é uma boa pedida! Sneaks – Highway Hypnosis Se você não conhece Sneaks então para tudo e corre agora pra escutar todos os discos, principalmente se você gosta de novidades e de um som mais minimalista. Comandado por Eva Moolchan, esse é um projeto de um artista só, nos dois primeiros álbuns as composições são bem influenciadas por pós punk, as músicas não tem guitarras, então foi amor a primeira ouvida, as linhas de baixo vão do dançante ao lado mais ”punk”. Em Highway Hypnosis as coisas são diferentes, se prepare pois aqui temos altos flertes com hip hop e RnB, mesmo indo por um caminho diferente as composições são ótimas e gostosas de escutar. Le Groupe Obscur – Selesca Esse é o primeiro disco dessa banda francesa, ainda muito nova no cenário, mas que de cara impressionam, não só pela aparência que é algo que chama muita atenção, com suas vestimentas teatrais e soturnas, mas pelo som. É inevitável não fazer comparações com o que os Cocteau Twins fizeram durante o fim dos anos 80, aqui temos influencias muito notórias disso, mas mesmo assim eles tem seu próprio tempero que os fazem diferentes das outras bandas que encaram algo parecido em seu som. Acredito que eles tem tudo para serem mais reconhecido e tocarem em festivais ao lado de grandes nomes. Gostou? Confira também
Especial Mulheres Independentes
Dia 8 de março tivemos o dia Internacional das mulheres, uma data historicamente representativa, uma data que marca a luta das mulheres na sua busca por mais direitos e liberdade, sendo apropriada para fins comerciais e superficiais. Um dia para que o patriarcado possa se sentir menos culpado ao dar flores, ser gentil, dar mimos e dar os parabéns. Dar parabéns pelo quê? Nós mulheres estamos em uma luta diária, ininterrupta para sermos ouvidas, reconhecidas, legitimadas e aceitas. Os parabéns e os tapinhas nas costas os fazem se sentir menos culpados, mas não nos fazem sentir que devemos lutar menos ou que já estamos em pé de “igualdade” com os homens. É preciso mais, muito mais. É preciso que mais mulheres ocupem todos os espaços possíveis. Eu poderia fazer um texto enorme sobre isso, porém eu vou focar apenas no que eu posso fazer como singela colaboradora deste blog: dar mais exposição para os trabalhos que eu admiro feitos por mulheres. Principalmente mulheres independentes. Festival Hard Grrrls 19 Esse foi um dos festivais mais legais que eu já tive o prazer de comparecer, em 2018 escrevi sobre ele nesse post. É um festival incrível feito pelas minas, com exposições das artistas Breeze Spacegirl, Camila Visentainer. As bandas que vão participar do fest esse ano são Malka, dd dagger (ᴛx-ᴇᴜᴀ), Bioma, Não Não-Eu e Luana Hansen. Vale MUITO a pena, recomendo de verdade. Link do evento: https://www.facebook.com/events/2248396038716734/Página do facebook: https://www.facebook.com/hardgrrrls/ In Venus no Quinta Independente do CCJ Banda de post punk com letras feministas e anticapitalistas, formada por Cint Ferreira (voz e teclado), Jiulian Regine (bateria), Rodrigo Lima (guitarra) e Patricia Saltara (baixo). O primeiro single, Mother Nature, saiu em 2016. Em 2017 lançaram o disco Ruína e em 2018 o EP Refluxo. No dia 21/03 tem o show no Centro Cultural da Juventude, que fica na Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641, Vila Nova Cachoeirinha – a 20 minutos do Terminal Barra Funda e ao lado do Terminal Cachoeirinha. O show é gratuito, e a banda é uma das mais cativantes da cena feminista independente, vale a pena conferir! Página da banda: https://www.facebook.com/invenusband/Link do evento: https://www.facebook.com/events/255193782023974/Bandcamp: https://invenus.bandcamp.com/ Hayz Das coisas boas que aconteceram no dia 8 de março podemos citar o lançamento do EP da banda Hayz de queercore. A banda foi formada em 2018 por Josie Lucas (guitarra e voz), Bruna Provazi (baixo e voz) e Roberta Bergami (bateria). Bandcamp: https://hayz.bandcamp.com/releasesInstagram: https://www.instagram.com/hayzband/Facebook: https://www.facebook.com/hayzband/ Tarda Tarda é um projeto formado por Julia Baumfeld, Paola Rodrigues, Randolpho Lamonier, Sara Não Tem Nome e Victor Galvão. Artistas que misturam música, fotografia e vídeo, multifacetados e plurais. É difícil descrever um projeto como a Tarda, então vou usar as palavras deles: “Tempo de fluidez de água e uma demora grave, sons que ficam e demarcam um lugar de acolhimento familiar e inóspito onde não podemos ser nós mesmas, mas aquilo que nos assombra.” Soundcloud: https://soundcloud.com/tardatardeFacebook: https://www.facebook.com/tardatarde/Instagram: https://www.instagram.com/tarda_/ Girls Rock Camp Brasil O Girls Rock Camp é uma ONG que procura empoderar meninas através da música. Funciona como um acampamento musical de férias, que meninas com idades de 7 a 17 anos tem uma experiência completa e empoderadora na qual aprendem a tocar um instrumento, formam uma banda, fazem uma composição e uma apresentação ao vivo para a comunidade. Desde 2013 o projeto já atendeu cerca de 450 meninas através do voluntariado feminino. Nos links abaixo você pode conferir mais sobre esse projeto super bacana que busca a inclusão verdadeira das meninas e mulheres na música. Site: https://www.girlsrockcampbrasil.org/Facebook: https://www.facebook.com/ladiesrockcampbrasil/Facebook: https://www.facebook.com/girlsrockcampbrasil/ Efusiva Um selo independente feminista do Rio de Janeiro criado em 2015, inspirado no riot grrrl e no feminismo interseccional. Divulga projetos artísticos e produções fonográficas, valoriza práticas de empoderamento feminino, LGBTQI, racial e social, realiza rodas de conversa de temáticas de gênero, raça e classe, promovem oficinas de audiovisual, montagem de palco, instrumentos musicais, pedais de efeito, defesa pessoal, grafite, e etc. Artistas do selo: Belicosa, Bochechas Margarinas, Catillinárias, Charlotte Matou um Cara, Clara Ray, Chico de Barro, Drugged Doll, Errática, Floppy Flipper, In Venus, Kinderwhores, The Lautreamonts, Melinna, Pata, Trash No Star e Tuíra. Site: https://www.efusiva.com.br/Facebook: https://www.facebook.com/efusivadiy/ União das Mulheres do Underground É um blog colaborativo e interessantíssimo que divulga qualquer tipo de arte (visual, sonora, eventos e etc) produzidos por mulheres, especialmente os DIY. Já conheci muitas bandas/artistas incríveis por conta desse blog, nele também encontramos materiais de apoio para quem tá interessado em entrar nesse mundo underground, sobre como divulgar seu trabalho, entrevistas, artigos/textos extremamente relevantes quanto à questão de gênero, representatividade dentro do movimento feminista e muito mais. Se você quiser ficar por dentro do que tá acontecendo no underground, fica de olho tanto na página do Facebook quando no próprio site, vale a pena! Facebook: https://www.facebook.com/uniaodasmulheresdounderground/Site: https://uniaodasmulheresdounderground.wordpress.com/ Se você tem alguma sugestão de banda/evento/página/selo ou qualquer tipo de arte feita pelas minas, manda pra gente!
Especial: Mulheres baixistas II

Ainda assim, você pode conferir os outros especiais de mulheres na música nos links a seguir: mulheres bateristas I, mulheres baixistas I, mulheres guitarristas I e guitarristas II. Como prometido, aqui está a segunda parte do especial mulheres baixistas. Se você perdeu a primeira edição, pode conferir nesse link a primeira parte desse especial. Queria agradecer a todo mundo que curtiu a primeira parte, tive uma boa recepção de vocês, principalmente de várias garotas que estão iniciando ou querem começar a tocar baixo. É muito importante esse tipo de apoio para quem está começando em algum instrumento, é ótimo ter boas pessoas para se inspirar. E quando a gente vê lista de melhores baixistas (ou outros músicos em geral), a maior parte das listas só lembra dos homens. Vamos tentar dar mais visibilidade e crédito as minas também né. Mas como a gente sabe, o meio alternativo não é tão inclusivo quanto poderia e deveria ser, falta mais representatividade para que todos nós possamos nos ver refletidos em artistas que a gente gosta e admira. Se vocês quiserem (confesso que está nos meus planos) podemos fazer mais especiais destacando mulheres do underground/alternativo em geral que tocam outros instrumentos, produtoras, selos e etc, manda suas sugestões e comentários pra gente. Ayse Hassan – Savages Tal Wilkenfeld – vários Esperanza Spalding Kendra Smith – Dream Syndicate/Opal Debbie Googe – My Bloody Valentine/Primal Scream Carol Kaye – vários Para quem quiser mais de Carol Kaye: Sharin Foo – The Raveonettes Suzi Quatro Gail Ann Dorsey – David Bowie/Tears for Fears/etc Patricia Morrison – The Sisters of Mercy Josephine Wiggs – The Breeders Hiromi “Hirohiro” Sagane – tricot Laura Lee – Khruangbin Kathi Wilcox – Bikini Kill Ringo Deathstarr – alex gehring Kim Field (The Stargazer Lilies) Simone Butler (Primal Scream) Baixistas brasileiras Rafaela Araújo – Bertha Lutz Simone do Vale – Autoramas Selma Viera – Autoramas Fernanda Horvath – Dominatrix Cíntia – Menstruação Anarquika Flavia Couri – Autoramas Katharina – Charlotte Matou um Cara Karolina Escarlatina – Escarlatina Obsessiva Mayra Biggs – The Biggs Tamy Leopoldo – Eskröta Dan Marighetti – Sapataria Elke Lamers – Ema Stoned
Especial: Mulheres baixistas

Ainda assim, você pode conferir os outros especiais de mulheres na música nos links a seguir: mulheres bateristas I, mulheres bateristas II, mulheres baixistas II e mulheres guitarristas I e guitarristas II. Eu queria escrever um pequeno textinho aqui antes da matéria, prometo tentar fazer com que não fique muito chato, ok? Essa matéria surgiu pra incentivar minha amiga Mayara que quer tocar baixo. Queria ajudá-la encontrar pessoas nas quais se inspirar musicalmente. Aliás eu queria que todas as minhas amigas se aventurassem a tocar instrumentos (sério, todas vocês. Eu sei que vocês conseguem, confio em vocês). E isso me fez pensar em quando eu comecei no mundo da música, no violino, lá em 2011 para 2012. E o que me fez querer tocar foi ver a Mairead Nesbitt do Celtic Woman. Foi amor à primeira vista e ainda é até hoje. O amor não se deu por conta da beleza estonteante dela, mas sim do sorriso que ela carregava ao tocar e da sutileza, ela fazia aquilo parecer tão fácil… E, surpresa, não é nada fácil. Música não é fácil, pelo menos pra mim. São anos e anos tentando, desistindo de um instrumento e pulando para outro, mas eventualmente eu vou ficar boa ou pelo menos razoável. Não é questão de dom, é paciência, persistência e dedicação. E para que esses sentimentos se renovem para mim, é preciso ver mulheres no palco. Seja tocando o que for, toda vez que eu vejo uma mulher no palco eu me encorajo e tento de novo e de novo. Não sei se é pelo fato de eu ser mulher ou se é pelo vigor que nós trazemos a este mundo muitas vezes decadente, machista e maçante que é a música. Não vou adentrar o óbvio, que é o fato de sempre o mesmo grupo de garotos sem talento, fazendo mais do mesmo, cantando o que todo mundo já cantou, tocando bem mal e sem carisma algum sendo empurrado pra gente ouvir o tempo todo. Afinal, há gosto e público para tudo. Mas o que me incomoda de verdade é sempre a fetichização ou o eterno menosprezo das mulheres, vou contar que foi bem estressante a pesquisa de procurar mulheres baixistas (que eu talvez não conhecesse) para escrever hoje. O que eu achei foi homens falando “ah veja bem, a Kim Gordon nem toca tão bem assim”, disse o melhor baixista do mundo, entende tudo de teoria musical, não é mesmo? Eu não estou nem aí se você acha que ela não toca tão bem, eu acho ela incrível, a Kim é referência pra quase todas as mulheres baixistas do rock alternativo, por causa dela muitas garotas hoje tocam baixo e o fazem muitíssimo bem. Eu não vejo esse tipo de cobrança em cima de outros baixistas que não são nem ao menos razoáveis. Tem gente que escreve músicas com dois acordes e bomba, tem gente que não sabe NADA de teoria musical e bomba. A diferença é que todas essas pessoas vão lá e fazem, mesmo não sendo tão boas assim (que obviamente não é o caso da Kim). Elas tentam, mesmo que possam errar. E é isso que eu espero que as mulheres façam. Nicole Estill – True Widow Não esperem ser incríveis em um instrumento para começar a mostrar a sua arte, vai lá e faz garota. Você é incrível apenas por tentar. Não desiste. Precisamos de vocês. Eu tenho aproximadamente 43 mulheres baixistas pré selecionadas, ia ficar muita coisa para uma matéria só, então vai rolar um parte dois dessa matéria. Possivelmente a sua baixista preferida vai estar na próxima matéria, porém, aceito de bom grado indicações de novos nomes. Comenta aqui embaixo se você sentiu falta de alguma. E queria mandar um muito obrigada para todas essas mulheres incríveis que apareceram nessa lista e todas as outras mulheres que dia após dia brilham muito no palco, atrás do palco, produzindo sons e que servem de inspiração para mim e para outras tantas garotas por aí que estão se aventurando no mundo da música. Vocês são minhas guerreirinhas, todo sucesso e reconhecimento do mundo para vocês. Vamos em frente! Toda força e incentivo a todas as mulheres na música (e fora dela também)! Kim Gordon – Sonic Youth Kim Deal – Pixies/The Breeders Paz Lenchantin – A Perfect Circle/Pixies Nicole Fiorentino – The Smashing Pumpinks D’arcy Wretzky – The Smashing Pumpkins Jennifer Finch – L7 Tina Weymouth – Talking Heads/Tom Tom Club Melissa Auf Der Maur – Tinker/ Hole/ The Smashing Pumpkins Sara Lee – Gang of Four Nicole Estill – True Widow Jenny Lee Lindberg – Warpaint Kira Roessler – Black Flag KT Chang – 大象體操ElephantGym Mariko Doi – Yuck Alex Gehring – Ringo Deathstarr Mulheres baixistas brasileiras Brunella Martina – Winteryard Rainha Branca – This Lonely Crowd Stephani Heuczuk – terraplana Nathanne Rodrigues – Chico de Barro/DEF/Noras de Newton Fernanda Schabarum – Loomer Carolina Mathias – Troá Marcela Lopes – Mieta Carla Boregas – Rakta Ana Karina Sebastiao – Quartabe Pequeno bônus pois esse vídeo não poderia ficar de fora: Patricia Saltara – In Venus Amanda Buttler – Sky Down Liege Milk – Loomer/Medialunas (na bateria)
Rebobinados Indica #10: shoegaze asiático

Aposto que vocês ainda não se cansaram de shoegaze assim como eu, certo? Creio que sim. Então vamos lá para mais uma rodada de shoegaze asiático! Eu gostei muito de ter feito o post sobre shoegaze japonês, ajuda muita gente a descobrir que há muito mais sobre shoegaze/dream pop para ser explorado do que as bandas famosas que já estamos acostumados. É sempre bom ouvir coisa nova, especialmente de outros países, nos ajuda a expandir os horizontes e aprender mais sobre outras culturas. No outro post eu foquei em bandas japonesas em específico, nesse vamos poder ver bandas chinesas, taiwanesas, sul coreanas e até japonesas também. Forsaken Autumn 卢佳灵 U.TA屋塔 Manic Sheep DSPS Hello Nico We Save Strawberries 草莓救星 I Mean Us Thud 缺省 Cosmic Child Tem algum tipo de música ou matéria que acharia legal a gente escrever? Comenta aqui embaixo! E pra quem tem interesse em mais shoegaze asiático, recomendo o canal Asian Shoegaze
O indiepop nostálgico e romântico do Ablebody

Demorou mais tempo do que eu gostaria, mas eu finalmente vou falar sobre dois artistas ultra-talentosos que transformam em ouro tudo que tocam. Sim, eu estou falando dos irmãos Hoccheim, Christoph e Anton. Eu sou extremamente suspeita para falar a verdade, porque eu amo praticamente tudo que eles já lançaram e contribuíram. Para quem não os conhece ou nunca ouviu falar, os dois já foram membros do aclamado The Pains of Being Pure at Heart (Christoph continua na banda) e do incrível The Depreciation Guild (que encerrou suas atividades em 2010). Anton também é membro do Hit Bargain de queencore/artpunk, que lançou um álbum muito bom esse ano chamado Potential Maximizer, e está com o muito amado por nós Beach Fossils desde o álbum Somersault (2017) (particularmente o meu álbum preferido da banda). Mas vocês sabem que nós nunca indicamos algo aqui que não acreditamos e adoramos. Então vocês podem confiar plenamente no meu selo de aprovação e aproveitar pra conhecer mais sobre um trabalho em específico deles. Ablebody Eu poderia escrever um post ou uma série de posts inteiros falando sobre todos os projetos, mas eu decidi falar sobre o meu xodó. Ablebody nasceu em 2013, quando Christoph lançou o EP Remexès, seguido pelo EP Covers também em 2013 e depois o EP All My Everybody. All My Everybody transita bem entre o indie pop e o shoegaze, com a presença muito mais forte do Anton no projeto e com muito mais personalidade, nos dando indícios de como o Ablebody seria. É bem melancólico, reverb na voz como a gente gosta, boas doses de música eletrônica. Conseguimos perceber toda a bagagem trazida dos projetos de shoegaze e de dream pop nos quais eles participaram. Incrivelmente bom e melódico. A trilha sonora perfeita para um coração partido. Mas o verdadeiro espetáculo fica por conta do Adult Contemporaries lançado em outubro de 2016. É difícil comparar com outro álbum, algum que tenha me impactado tanto quanto esse nos últimos anos. Simplesmente fui fisgada por suas levadas pop e dançantes. Não que o álbum seja completamente alegre ou feliz, tem muita coisa melodramática, nostálgica e saudosa. Tem referências dos anos 60, 70, 80 e um tanto dos 90 também, como se pegasse o melhor de cada década e unisse em um único CD. Completamente viciante e fácil de se apegar, cada refrão te conquista e te envolve facilmente. Quando você se dá conta, está cantarolando o álbum inteiro enquanto toma banho ou está a caminho do trabalho. Talvez seja porque eu já desenvolvi um carinho enorme por esse álbum ou porque eu o ouvi demais, mas é como se soasse familiar. E por familiar eu digo como se eu o ouvisse e me sentisse acolhida e abraçada. Divagando sobre as sensações que ele me transmite, talvez seja o clima de cidade grande, a noite de New York, o calor de Los Angeles, a atmosfera suave e romântica que permeia o álbum, muitas vezes me sinto dentro do meu filme favorito: Nick and Norah’s Infinite Playlist, que por si só já tem uma trilha sonora incrível e perfeita, mas que é completado por esse álbum. 11 músicas que me fazem sentir como se eu estivesse flanando por entre as doces e agradáveis nuvens melódicas. Te faz ter vontade de sair por aí e viver um grande amor (assim como no filme). É complicado e bizarro tentar colocar isso em palavras, mas é como se eu conhecesse essas músicas de vidas passadas ou algo assim, por conta da conexão instantânea que elas me provocaram. É como se tivessem colocado uma pequena parte da minha alma e de quem eu sou nas músicas sem nem ao menos me conhecerem. Ou como se uma parte de todo mundo estivesse presente nelas. Tudo isso é para que eu consiga dizer que me sinto representada e tocada por elas. Divagações à parte, esse é o resultado da mistura e influências do melhor das últimas décadas musicais nas mãos dos músicos mais talentosos dessa década. O vocal doce e suave, as guitarras etéreas, os solos contagiantes e animados. A bateria, que eu não faço a menor ideia de como poderia descrever isso, é a alma da banda, é tão Anton, tão característica que eu sinto como se pudesse reconhecer de qualquer lugar. As batidas são tão significantes, perfeitamente conduzidas, é bem estranho eu dizer isso, mas é como se ele também estivesse dando sua voz à música (da sua própria maneira). Certamente é um dos bateristas que eu mais admiro e eu almejo um dia ser 1% da baterista que o Anton é, porém eu admito que não tenho talento e nem a força de vontade que isso me obrigaria a ter. Porém, eu me sento e observo quem realmente sabe dar um show. Tudo funciona em completa sintonia e harmonia, não faço ideia se isso se deve a conexão que os gêmeos tem, muitas vezes comentada pela ciência, ou pelo fato de um completar magicamente as ideias do outro devido aos anos e anos de convivência. Mas tudo é extremamente bem feito, incluindo os videoclipes que são um show à parte tanto pela estória que contam quanto pela complementação que fazem as próprias músicas. Boas estórias contadas enquanto a música toca, realmente te envolve durante a música e chega até ser mágico. Vale muito a pena conferir. Aqui temos uma amostra de como seria vê-los ao vivo: A banda consegue unir o rock e o pop de uma maneira singular, dando seus próprios toques e reinventando estilos que maioria acha que já não podem mais mudar. Eu particularmente gosto muito de todas as músicas do álbum, pois cada uma é especial em sua própria maneira. Mas se eu tivesse que destacar as que eu mais gosto quando começam a tocar seria After Hours, Marianne e Powder Blue. São músicas extremamente singulares e nostálgicas pra mim, me conecto com elas como se as conhecesse há séculos, é bem peculiar o sentimento. Marianne e Powder Blue tem uma levada um
Rebobinados indica #9: bandas brasileiras

Pelocurto Esse mês a banda paulista Pelocurto lançou o EP homônimo. Não tem uma palavra melhor pra descrever o som desses rapazes como rock brabo. Seu som alternativo, muitas nuances de dream pop, indie pop e o mais puro rock é sempre performado com muita presença de palco, energia e espírito da juventude. O single Vendas tinha sido lançado anteriormente para a mixtape da saudosa PQV, no Diário de Bordo n 1, e lá a gente já podia imaginar que Celso Sorc, Heitor Martins e Nickolas Marchioretto iam longe. Agora a gente tem certeza. Moxine Esse duo paulista de indie pop está desde 2009 na ativa, já lançou o EP Electric Kiss, o álbum Hot December, e em 2017 o EP Passion Pie. Agora em setembro de 2018 lançaram o single Leeches mostrando que seu som está mais vivo e vibrante do que nunca. Juna Juna é uma banda de São Leopoldo que fica na região metropolitana de Porto Alegre formada por David, Iv, Marcelo e Thomas. É um dos nomes mais promissores dessa leva de bandas de shoegaze/dream pop formadas recentemente. Seu primeiro EP Marina Goes To Moon foi lançado em 2017, no mesmo ano também lançaram o EP Marina Goes To Moon (Upside Down Version). Agora em 2018 lançaram o single Help me Cry e os singles Don’t Be Like Them // Artificial Paradises. Vale muito a pena conferir: Mafius Mafius é Matheus Daniel mandando um dream pop psicodélico muito bom. O Mafius é mais uma prova viva de que dificilmente sai alguma coisa de Minas Gerais que não seja boa. E seu single trânsitos astrológicos apenas reitera isso. Dizem as boas línguas que ainda em 2018 seu EP Teto Preto será lançado. Eu compareci ao evento Fernando Motta, Wagner Almeida e Mafius na Breve no dia 1 de setembro e eu só tenho boas lembranças desse evento, então escuta nossa dica e confere o que mais nova geração alternativa promete trazer: Arte Novel Arte Novel é uma banda carioca de post punk e noise rock formada por Daniel Exposto (guitarra e voz), Hugo Limarque (bateria), Julia Santos (baixo e voz), Rodrigo Sampaio (guitarra e voz). Seu single Tempos de Ódio foi lançado em Junho e em Julho saiu o álbum Primavera em Pedaços lançado pela Valente Records e Cosmoplano Records. Atalhos Atalhos é uma banda de rock independente paulista. Formada por Gabriel Soares, Conrado Passarelli, Marcelo Sanches, a banda já lançou três álbuns Em Busca do Tempo Perdido (2012), Onde A Gente Morre (2014) e Animais Feridos (2017). A banda é famosa por fazer referências literárias em suas letras. Winter Winter é o projeto de dream pop da Samira Winter que atualmente mora em Los Angeles. Desde 2012 a Samira tem lançado coisas incríveis como o EP Daydreaming, o álbum Supreme Blue Dream (2015) – pessoalmente um dos meus favoritos e o que me fez conhecer essa artista – e agora em 2018 o álbum Ethereality. Feliz demais por saber que poderemos ver a Winter ao vivo no dia 8 de dezembro como um dos shows da SIM São Paulo. Tuer Lapin Tuer Lapin é uma banda de música instrumental formada em 2013 em Porto Velho, Rondônia.Formada por Lucas Bieni, Ramon Alves, Raony Ferreira, Rinaldo Santos e Rodolfo Bártolo. Seu primeiro álbum é Esporádico (2013), seguido por Chac (2015) e mais recentemente o álbum Banho de Cavalo (2017) com bem mais influências da música eletrônica e experimental. Sta Rosa Sta Rosa é uma banda de rock alternativo de Duque de Caxias formada por Arthur Rosa, Matheus Oliveira, Pedro Gustavo Maia e Vinícius Cardoso. Influenciada por bandas como El Toro Fuerte, Lupe de Lupe e Radiohead, eles acabaram de lançar seu single Chuva / Paraíso. Confira:
Lançamento EP “Naufrágio” + Entrevista Elucubro

Primeiramente solta o play no novo disco da Elucubro: Há algum tempinho que eu acompanho a banda Elucubro, uma banda do ABC Paulista de rock alternativo que conta com grandes amigos e colegas meus muito talentosos e especiais. Formada por Gabriel Servilha (guitarra), Gustavo Henrique (guitarra/voz), Pablo Armentano (baixo) e Daniel Dantas (bateria) há um pouco mais de um ano. Compareci a um show deles em abril desse ano e confesso que algumas músicas me tocaram bastante, já mostrando as coisas boas que o EP guardava. O show foi muito bom e de quebra eles ainda tocaram alguns covers que animaram o público. Fiquei extremamente feliz quando eles aceitaram lançar o EP com exclusividade para o nosso blog e nos conceder essa entrevista. É muito importante pra gente conhecer e divulgar o trabalho dos artistas do cenário underground que a gente acredita. Por vezes o instrumental me remete muito ao post rock, é bem melódico, easy listening e acaba soando carinhosamente familiar. É um disco para ser apreciado à noite, com tranquilidade e serenidade. Mas não se deixe enganar achando que você não será surpreendido por trechos ora suaves ora agitados presentes nas músicas. Elucubro é tudo exceto monótono. As guitarras são as grandes estrelas que refletem a alma do EP, é por meio delas que é possível decifrar sobre o que realmente se fala. O baixo juntamente com a bateria não se intimida e também vai ganhando espaço ao desenrolar do caminho. E no conjunto todos trabalham em completa harmonia. Elucubro tem identidade própria, portanto, ao meu ver, fica difícil enquadrar em algum gênero mais específico dentro do rock alternativo ou comparar com alguma banda que eu já conheço. Consigo ver as referências a Ventre, Los Hermanos, God Is An Astronaut, Radiohead e outros. O single “O Vento” foi o primeiro a ser lançado (21/Out) e já dava uma “palhinha” do que viria a seguir: Confira a entrevista: O que significa o nome Elucubro? Elucubro é o ato de refletir constantemente sobre algo no período noturno. Acho que o nome combina muito com a banda, pois geralmente compomos de madrugada e fazemos reflexões sobre várias questões. Como vocês definiriam o seu som? Talvez essa seja a pergunta mais difícil de se responder. Acho que é uma mistura não convencional de um rock alternativo com instrumental. Não ligamos muito para as convenções tradicionais de estrutura nas músicas, tentamos juntar o máximo de referências que temos pra nos expressarmos da melhor forma possível e fazermos um trabalho que transmita algo que toque o íntimo de quem escuta. Como vocês se conheceram e como surgiu a ideia de montar a banda? Bom, eu (Gustavo) conheci o Gabriel no SENAI, em 2014. A amizade nasceu ali e o interesse por música nos uniu, criando alguns projetos musicais por diversão mesmo. Um pouco mais maduros, chamamos alguns amigos próximos para tocar, foi aí que entrou o Pablo e o nosso antigo baterista, o Pedro. Por motivos pessoais ele teve que deixar a banda e, no nosso primeiro show, conhecemos o Daniel. Daí estamos agora lançando nosso primeiro trabalho, Naufrágio, e caminhando para 1 ano com essa formação. Quais são as bandas que mais influenciam vocês nas composições? Bandas nacionais e internacionais Várias bandas nos influenciam. Acho que Radiohead é a principal. Outras bandas como Slowdive, Ventre e EATNMPTD também nos influenciam bastante. Tem alguma banda brasileira que vocês gostariam de tocar junto? Claro! gorduratrans, Ventre, EATNMPTD, Eliminadorzinho… Na real somos bem abertos quanto a isso. Se houver algum convite, independente da banda, veremos se as datas batem e fazemos acontecer. Quais são os planos daqui pra frente em termos de shows, próximos trabalhos e carreira? Acho que como somos do ABC Paulista, seria bacana consolidarmos e fazermos nosso nome por aqui. Claro, as plataformas de streaming ajudam bastante a propagar nosso trabalho e, aos poucos, vamos expandindo nossos horizontes. Em relação à projetos, já estamos iniciando a composição de algumas músicas para nosso primeiro álbum, algo um pouco mais conceitual. Por enquanto o objetivo é divulgar bastante o EP nas redes sociais e fazer mais pessoas se interessarem pelo nosso som. Vocês querem deixar algum recado pra galera? Galera, nosso EP Naufrágio sai em todas as plataformas de streaming dia 9/11. Deem uma olhada lá que tá bonito, ajudem minha mãe a ficar orgulhosa por favor. Acompanhe o trabalho da banda nas redes sociais! Instagram: @elucubro Facebook: https://www.facebook.com/elucubro/ Spotify: https://open.spotify.com/embed/artist/2nzQFJn9KVVVvbAhtWco1p
Mitski – Be the Cowboy tem sido meu alimento noite e dia

Horrível esse título que eu fiz, porém nada pode traduzir mais o sentimento que tenho a ouvir esse disco do que essa frase. Um amigo esloveno me indicou essa artista ótima que é a Mitski, apesar de eu já ter visto vários amigos meus falando sobre ela e sobre o quão maravilhosa ela é, precisou alguém de fora me indicar para que eu levasse a sério. Então se você ainda não conhece, espero que eu possa te convencer também. Mitski Miyawaki é uma artista americana, de Nova York, dona de uma voz doce e por vezes poderosíssima, sinceramente uma das melhores vozes que eu já ouvi. Consigo ouvir por horas sem enjoar. Ela canta e compõe um indie rock que por vezes flerta com dream pop e indie pop. Seus primeiros álbuns lançados foram Lush (2012), Retired from Sad, New Career in Business (2013), seguido de Bury Me at Makeout Creek (2014) e depois Puberty 2 (2016). O álbum que me conquistou é o recentemente lançado Be the Cowboy. 14 faixas de puro drama e intensidade em suas letras. É literalmente música para você sentir bem o drama, porém é bem easy-listening. Você pode deixar a música tocando ao fundo e quando se der conta, está cantando junto. As letras grudam na cabeça de uma maneira boa, as melodias são doces e encantadoras. Ela vai te conquistando aos poucos e quando você vê, já caiu em suas graças. Algumas músicas me fazem querer libertar aquela atriz interior que eu guardo, liberar todo o drama, interpretação e literalmente me jogar no chão de tanto sentir. A mais famosa é Nobody e por coincidência é uma das que eu mais gosto também. Me lembra alguma música que eu não lembro qual é, aquela familiaridade reconfortante e cativante, um refrão incrível, uma doçura na voz contrastando com uma letra um tanto melancólica. O refrão me dá vontade de dançar, pegar a escova e fazer de microfone igual ela faz no clipe: Um dos outros singles lançados é Geyser, bem mais melancólica que Nobody, mais dark, literalmente de cantar se arrastando no chão, bem curtinha, mas nos faz pensar em algo tipo “meu deus por que você não está ligando e amando esta mulher maravilhosa?”: E por fim, o outro single Two Slow Dancers, triste até não poder mais, é a música que te convence a gostar de Mitski e sua voz angelical: Recomendo fortemente que você ouça o disco na íntegra e os outros trabalhos dessa artista fantástica:
A arte como nosso instrumento político
Em Setembro e Outubro tive o prazer de comparecer a três shows dos artistas brasileiros que eu mais admiro dentro da MPB. Flávio Venturini e Adriana Calcanhotto pela primeira vez e Lô Borges pela segunda vez (já o vi em alguma Virada Cultural da vida). Só que o post hoje é um pouco diferente, eu não pretendo apenas resenhar sobre esses shows, eu gostaria também de falar sobre o papel político dentro da música devido aos acontecimentos recentes envolvendo Roger Waters e sobre o momento nefasto que nos assombra durante essas eleições. Primeiramente eu vou tentar começar leve, falando apenas das coisas boas que eu presenciei, depois vou expressar minha opinião. Sabemos que a maioria dos leitores cativos do blog são interessados em shoegaze e/ou outros estilos de música alternativa. Mas eu acho que cabe falarmos de todo tipo de música que gostamos, no meu caso, vou falar de um grande amor meu, que me acompanha desde que nasci, a MPB. Flávio Venturini Desculpe pelas fotos horríveis. Eu não poderia tirar fotos, mas quis levar algumas na memória. O primeiro show foi o do Flávio Venturini. Minha admiração pelo Flávio é bem antiga. O meu amor começou na primeira vez que ouvi Céu de Santo Amaro uma canção belíssima em parceria com Caetano Veloso lançada em uma novela de 2004. Me apaixonei imediatamente e esse amor só se fortificou com o passar dos anos. É realmente irônico eu ir em tantos shows ultimamente e nunca ter surgido a oportunidade de ir em um show de um artista brasileiro que eu admiro tanto. Mas digo “antes tarde do que nunca”. E ainda bem que não foi tão tarde assim. Eu não poderia ter escolhido um show melhor pra ver. Eu vi um grande time de músicos que talvez nunca mais possa ter o prazer de ver, celebrando o incrível Clube da Esquina n 2. Foi um show extremamente belo e emocionante. Só de poder ver um artista que eu admiro há tantos anos na minha frente já valeu a pena. E depois poder vivenciar o verdadeiro espetáculo que foi a noite, me deixa sem palavras para explicar o quão extasiada e contente eu fiquei. Flávio é afinadíssimo, conduziu seus falsetes com extrema perfeição, emocionou a todos. Wagner Tiso com seus arranjos maravilhosos e maestria fez um show excelente. Toninho Horta também fez uma excelente participação e ajudou a trazer mais energia e descontração para o show. Confesso que a versão instrumental da música Clube da Esquina II me levou as lágrimas instantaneamente, foi ouvir as primeiras notas e cair no choro. Aliás, é muito difícil não se emocionar com as músicas do Flávio, elas conseguem tocar o coração e os sentimentos de todos magnificamente. Um verdadeiro afago para o coração. Adriana Calcanhotto Continua difícil escrever sobre artistas que você gosta e admira há tanto tempo como eu admiro a Adriana. Eu me lembro de ter 11 anos e ouvir sofrida suas músicas enquanto chorava por alguma tristeza qualquer, me lembro de ter 16 anos e chorar pela milésima desilusão amorosa ouvindo Devolva-me, me lembro de ter 22 anos e continuar chorando ouvindo suas músicas. Eu sou uma eterna chorona quando se trata de Adriana Calcanhotto. E eu chorei no show também, como não? Ela consegue tocar meu coração o mais solenemente possível. Estar no mesmo ambiente que essa fada maravilhosa já é por si só uma grande conquista, vê-la tocar seu violão e cantar suavemente enquanto nos olha nos olhos já é uma conquista maior ainda. A turnê “A Mulher do Pau Brasil” é uma experiência deliciosa do começo ao fim. Podemos presenciá-la entoando poemas, tocando instrumentos de percussão, saudando seus clássicos e cantando músicas novas enquanto se diverte e nos diverte ao lado Bem Gil e Bruno Di Lullo. Espero poder presenciar mais belíssimos espetáculos dessa mulher incrível, versátil e maravilhosa nos próximos anos. Valeu muito a pena vê-la nessa turnê e espero poder vê-la muitas vezes mais. Roteiros dos shows da Adriana e Lô distribuídos no Sesc Pinheiros Lô Borges O show do Lô Borges entra facilmente na minha lista de melhores shows do ano. Tanto pela performance, quanto pela qualidade do show, pelo entusiasmo da plateia e pelo clima excelente da noite. Da primeira vez que vi o Lô, confesso que não foi uma das melhores situações. Mas com certeza a lembrança desse show supera qualquer lembrança ruim que eu tivesse. O Lô estava no ponto alto de sua energia e carisma, me lembro de rir muito e me divertir mais ainda durante esse show. No início, quando o repertório estava focado no disco do Tênis, algumas pessoas da plateia reclamaram do som, confesso que não notei nada de ruim no som, mas sempre temos alguns chatos de plantão que nunca estão satisfeitos com som algum. Porém, ao longo do show, todos foram se contagiando tanto pela performance tanto pela celebração do álbum do Clube da Esquina. Esse é certamente um dos álbuns da MPB que eu mais gosto, um álbum que eu cresci escutando no carro com a minha mãe. Um álbum repleto de artistas ultra talentosos e especiais, que nos faz admirar todas as riquezas e maravilhas que o país tem, especialmente quando se trata de Minas Gerais, berço de artistas incríveis. É um álbum difícil de não se apaixonar, carregando fãs dentro da cena alternativa, da MPB e de todos que tem bom gosto. Os arranjos excelentes de guitarra presentes no álbum foram reinterpretados fielmente durante o show várias vezes por 4 dos músicos, sem criar uma atmosfera enfadonha ou confusa, cada linha de guitarra se completava e nos maravilhava. Foi muito legal ver a plateia interagindo e cantando bem alto as músicas que carregamos no coração e na alma. Certamente um show para se guardar no peito com muito carinho e alegria. E foi em meio aos diversos gritos de #elenão durante o show do Lô, durante seus discursos e seu posicionamento político claramente contra a esse sujeito, que me questionei sobre o que eu
Rebobinados Indica #6: Músicas tristes para que você fique ainda mais triste

Hoje é segunda feira, dia triste com certeza. E nada melhor do que música triste para nos deixar ainda mais tristes, não é mesmo? Quando eu estou muito triste, eu gosto é de muita tragédia, ouvir música triste pra ficar ainda pior e quem sabe, eventualmente, melhor. Agora é a hora de você pensar em todas as coisas tristes e se deixar levar pelas lágrimas. Vamos curtir essa fossa aí com algumas bandas de shoegaze, slowcore, sadcore, lo-fi e ambient. Crywank Crywank é uma banda britânica de anti-folk, sadcore, lofi. Triste pra caramba. Essa aqui é a primeira música do disco Tomorrow Is Nearly Yesterday And Everyday Is Stupid, o álbum mais famoso e provavelmente também o melhor da banda. Vale a pena conferir na íntegra depois, mas primeiramente fica à vontade para soltar algumas lágrimas ouvindo essa: Mount Eerie Mount Eerie é Phil Elverum. O Phil era da banda The Microphones que também era lo-fi, indie e folk. No álbum A Crow Looked At Me, o Phil fala da morte da sua esposa, que faleceu em decorrência de um câncer no pâncreas e de como foi cuidar da sua filhinha pequena sozinho. Só com essa descrição já dá pra ficar triste, mas o resultado é um álbum triste pra cacete. Um dos mais tristes e sinceros que eu já ouvi. soulwhirlingsomewhere É o projeto solo do americano Michael Plaster. Ambient, dream pop, sadcore, slowcore podem ser alguns gêneros pra definir a música etérea, romântica e suave feita por ele. É um pouco difícil de achar os discos dele, mas para nossa sorte tem bastante coisa na página do spotify. Músicas lindas e extremamente tristes, especialmente a que vou recomendar. O piano dessa música me destrói. Grouper É o projeto de uma mulher só da Liz Harris. Música ambiente, drone, experimental e shoegaze fazem parte desse projeto maravilhoso. Provavelmente uma das artistas que eu mais gosto e admiro, confesso que me inspiro bastante nela quando penso em minhas composições (mas quem me dera ser 0,1% do que ela é). Uma voz doce, um piano e o estrago está feito. salvia palth É o projeto do Daniel Johann, ele só lançou um álbum até hoje, o Melanchole, cheio de lo-fi, shoegaze e dream pop. dandelion hands É o projeto do Nick Heck de indie, folk e lo-fi. Gosto muito de ouvir bandas como dandelion hands quando estou querendo ariar o chifre no chão, quando bate aquela tristeza que apenas o lo-fi pode curar. Yoñlu Vinicius Gageiro Marques foi Yoñlu. Um músico talentosíssimo que produziu mais de 60 músicas e nos deixou o álbum homônimo de lo-fi, indie, folk e experimental lançado postumamente. No final de agosto desse ano foi lançado um filme contando sua história, ainda não tive a oportunidade de ver, mas espero que faça jus ao seu talento e genialidade. Vinicius Mendes Vinícius Mendes é um cantor-compositor emo, lo-fi e indie folk. Um grande amigo meu, já falei dele diversas vezes aqui no blog e acredito que vale a pena falar mais uma vez. Seu álbum Mercúrio lançado em 2017 é triste pra caramba e suas apresentações ao vivo sempre me emocionam bastante. Sun Kill Moon É o projeto de folk, indie, slowcore do Mark Kozelek. Mark é conhecido pela sua banda Red House Painters de slowcore. Quando eu penso em Sun Kill Moon, eu lembro muito de Mount Eerie recomendado acima. Carissa’s Wierd Carissa’s foi uma banda de slowcore, shoegaze, sadcore e indie. Se você não conhece essa banda, se prepare, pois aqui a tristeza é infinita. Seu álbum Song About Leaving me deixa tão triste mais tão triste que eu só ouço quando quero chorar de verdade. Nada me destrói como esse álbum, ele me arrebenta por dentro e me faz querer chorar no chão geladinho do banheiro, por isso eu evito ouvi-lo em vão. Mas na minha época mais pesada de coração partido, eu o ouvia sem parar. Então meu conselho é: ouça com precaução, mas quando ouvir, ouça com carinho e muitas lágrimas nos olhos. S É o projeto solo da Jenn Ghetto do Carissa’s Wierd, igualmente triste e igualmente slowcore, sadcore e indie. Slowcore dói o coração e reconhecer essa voz dói também. Essa música também é de chorar deitado no chão geladinho do banheiro. Duster Duster é uma banda americana formada por Clay Parton, Canaan Dove Amber e Jason Albertini. É slowcore, space rock, shoegaze, indie, lo-fi e drone. Stratosphere lançado em 1998 é uma obra prima. Eu consigo reconhecer a influência desse álbum em muitos artistas que eu ouço e admiro hoje em dia. E também consigo reconhecer essa guitarrinha safada e característica onde quer que eu esteja. Duster – Gold Dust é um dos maiores presentes que a humanidade poderia nos deixar. Só digo isso. Tamaryn Essa é a indição do Fábio. Tamaryn é um duo americano de shoegaze, dream pop, experimental e new wave. Have a Nice Life Eu provavelmente já falei de Have a Nice Life aqui, mas quando eu lembro de música triste, eu logo lembro do Deathconsciousness. Esse duo americano mistura vários gêneros como shoegaze, post-rock, drone, experimental e ambient. É uma das bandas que eu mais gosto de ouvir para curtir a fossa. Empire! Empire! (I Was a Lonely Estate) É uma banda americana de emo/midwest emo, indie, post rock. Não podia faltar um emo bem emão mesmo nessa playlist né. Eu sei que eu poderia fazer uma lista inteira de música triste e colocar apenas música emo nela, mas eu não quero deixar todo mundo ainda mais triste do que já deixei. Já tem muito corno ariando o chifre ao chegar aqui, deixa essa pra algum dia aí. Low Para fechar nossa lista, nada melhor do que uma das melhores bandas de slowcore que já tive o prazer de ouvir. Low é um trio americano de indie, post rock, alternativo que acabou ficando mais conhecido como slowcore. A banda ainda está na ativa, lançando um álbum na metade desse mês chamado Double Negative. Mas o álbum que todo mundo ama e
Rebobinados Indica #5: Shoegaze

Kindling [bandcamp width=100% height=120 album=2947542717 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=1157539994] Infinity Girl [bandcamp width=100% height=120 album=2743575453 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small] Stargazer Lillies [bandcamp width=100% height=120 album=175833195 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=4229726277] Rev Rev Rev [bandcamp width=100% height=120 album=600882918 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=778470028] Ozean [bandcamp width=100% height=120 album=3157610528 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=2486995685] LSD and the Search for God [bandcamp width=100% height=120 album=3992786859 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small] Soda Lillies [bandcamp width=100% height=120 album=2274147635 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=2670435673] Kestrels [bandcamp width=100% height=120 album=2827269103 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small track=2220228417] Gleemer [bandcamp width=100% height=120 album=2159588014 size=large bgcol=ffffff linkcol=0687f5 tracklist=false artwork=small]
Nothing se reinventa com Dance on the Blacktop

Por: Tatyane Oliveira Formada na Filadélfia em 2011, é uma das bandas mais conhecidas e admiradas da nova onda do shoegaze assim como Whirr, Airiel, Ringo Deathstarr e LSD and the Search for God. A banda nunca para de nos surpreender, desde o excelente Guilty of Everything (2014), o aclamado Tired of Tomorrow (2016) e agora com o Dance On The Blacktop, oficialmente lançado em Agosto. Você pode ouvir o álbum aqui ou se preferir no bandcamp Nothing é uma das bandas de shoegaze que nós aqui do Rebobinados mais gostamos. Se algum dia a gente lançar algum material, vai ser definitivamente influenciado pela banda. Se vai ser tão bom quanto, não sabemos, mas pode aguardar. O Dance On the Blacktop já havia caído nas graças da galera desde o começo de Agosto, quando uma versão pirata circulava por aí. Porém, decidi apenas ouvir os singles previamente lançados no Spotify e conferir o álbum na íntegra. Mas desde então os comentários já eram excelentes, não lembro de ter visto ninguém criticando o álbum. E realmente não sei se há realmente espaço algum para críticas. Consigo escolher minhas músicas favoritas no álbum, que logo nos primeiros segundos de música já me cativam sem fazer esforço algum. Aliás, Nothing tem um certo poder de me cativar facilmente. Com as músicas dos álbuns passados, eu reconhecia os primeiros acordes logo de cara. Não há música alguma que eu necessariamente desgoste, apenas algumas que definitivamente chamam mais atenção do que outras. Em termos gerais, o álbum está bem diverso, algumas músicas vão mais para o lado do dream pop, post punk e um pouco de grunge também. Tem música para todos os gostos. O destaque vai certamente para Blue Line Baby. Se eu fosse pensar em alguma música lançada esse ano que descrevesse perfeitamente o que é o shoegaze, da pontinha dos pés até o último fio de cabelo, de alma e por inteiro, seria essa. Os primeiros segundos da música já de transportam pelo espaço, notas sonhadoras e atmosféricas ao máximo, a parede de som reconfortante, ao meu ver é como estar em casa. A banda domina com maestrina a arte de fazer um som totalmente novo, totalmente fresco e ainda sim jamais perder sua identidade, as características do gênero. É tão familiar, o solo toca o coração e ao mesmo tempo soa como novidade, consegue me conectar instantaneamente. O clipe também é lindíssimo, sensível, muito etéreo e sonhador. Uma das outras músicas que gostei bastante foi Plastic Migraine. Ela consegue ter o mesmo efeito em mim, ainda que sutil, provocado por Blue Line Baby. I Hate the Flowers foi um dos singles que ganhou clipe também: Bem mais pesado que o restante do álbum, sem deixar de ser Nothing. Blue Line Baby é um sonho e I Hate the Flowers é o pesadelo que você tenha escapar, embora tudo indique que não há como escapar. O vídeo inteiro tem um homem tentando escapar, rolando pelas escadas, rolando pelas ruas, vendo um outro vídeo de uma moça bastante fragilizada, um corvo o assombra, o fogo o persegue e o caixão nunca o deixa escapar. Um pouco angustiante eu diria, porém o clipe é muito interessante e infelizmente a vida tem esses altos e baixos mesmo. Mas o que realmente marca e o que gruda na cabeça é o refrão: ”Stop all the clocks in my brain Clog all the veins and the drains Build a coffin around this house Dismantle the sun from the couch” Vale a pena ainda mencionar The Carpenter’s Son que vem logo em seguida, quebrando o clima pesadão trazido pela música anterior, com suas influências de post rock com voz doce e melódica. Imensamente triste e bela essa música. A letra é excelente e melancólica ao extremo. Certamente uma das músicas que estarei curtindo quando me encontrar borocoxô. São quase 8 minutos de bad. Esperamos que a banda continue prosperando e lançando material novo! Não deixe de acompanhar a banda nas redes: bandofNOTHING.com Facebook Instagram
Rebobinados indica #3: Dream pop / Indie pop

“Lá vem o Rebobinados de novo falar de shoegaze. Vocês não cansam não?” A resposta é não. Mas dessa vez viemos falar do primo acessível do shoegaze, o dream pop. O dream pop é uma das melhores coisas que já existiu, pois consegue misturar rock alternativo, neo-psicodelia e música pop. E tem coisa melhor do que música pop? A resposta também é não. O dream pop é um estilo tão acessível que muita gente que ouve nem sabe o que é, tem uma influência enorme e é parte de várias músicas indies atuais que fazem um sucesso tremendo. Junto a ele está o indie pop, com uma pegada parecida, um tanto mais pop e DIY, se tornando bem mais easy-listening. Até a minha mãe gosta. Não estamos aqui para falar de bandas clássicas do dream pop/ indie pop e sim de algumas coisas que ultimamente andamos ouvindo que flertam facilmente com psicodelia, punk, post-punk, lo-fi, chillwave e muito mais. Wild Pink B-Film Etc. Seasurfer Deafcult Castlebeat Dead Horse One Crescendo Tears Run Rings FM-84 The Daysleepers Arbes Sunbather Hatchie My Autumn Empire Pastel Coast Strange Ranger Computer Science
Conheça a Eslovênia
Foto: Shadow Universe Por: Tatyane Oliveira A Eslovênia fica no Leste Europeu, faz fronteira com Áustria, Hungria, Croácia e Itália. Tem cerca de 2 milhões de habitantes e paisagens deslumbrantes. Acredito que a maioria de nós já ouviu falar da Eslovênia, mas nunca pensou em se aprofundar e querer saber mais. Especialmente quando se trata de música. Faz alguns dias que conheci um colega da Eslovênia em um site de música e percebi que não sabia quase nada sobre esse pequeno país. Perguntei a ele várias coisas sobre a arte, cultura e música. Algumas sugestões dele aparecerão nesta lista e outras fui escavando e descobrindo. É muito bacana abrir os horizontes e ouvir músicas e artistas totalmente desconhecidos que são fora da nossa realidade ou fora do que estamos habituados a ouvir. Não coloquei música tradicional eslovena, porque foge bastante da proposta do blog e todo mundo iria estranhar, mas conseguimos ter uma boa noção do tipo de música e dos excelentes artistas que temos por lá. Porque quando falamos de Eslovênia, qual é a primeira banda que vem a sua mente? Provavelmente Laibach que é um dos grandes nomes da música industrial. Se você ainda é um grande conhecedor, deve ter ouvido falar de Big Foot Mama e Siddharta que são bandas mais mainstream. O Festival MetalDays é uma das grande atrações que também nos vem a cabeça por conta de suas inúmeras bandas de black metal, thrash e death. Poderíamos ficar horas citando bandas desses estilos, já que países europeus são berços dessas bandas, porém vamos tentar variar um pouco essa lista e trazer coisas boas para vocês. Veldes Facebook | Youtube In The Attic Facebook | Youtube Neurotech Facebook | Youtube FUTURSKI Facebook Borghesia Facebook 7AM Site Shadow Universe Facebook | Youtube Vlado Kreslin Facebook Melodrom Facebook Videosex Facebook Silence Facebook | Site Inexistenz Facebook Salonski Facebook Dekadent Facebook Tomaž Pengov Facebook Tem mais sugestões de gêneros musicais, países ou bandas para nos indicar? Escreve nos comentários que vamos ouvir com muito carinho!
Rebobinados indica #2

Balún Banda formada em 2003 na cidade de San Juan, Porto Rico, lançaram seu segundo disco Prisma Tropical, que vem de um intervalo de dez anos desde o debut lançado em 2016. Durante as 16 faixas escutamos melodias simples e cativantes, que passeiam por estilos como folk, dream pop, experimentalismo e até reggaeton. Uma boa pedida para fãs de dream pop. Anna von Hausswolff Anna é uma sueca de Gotemburgo, traz na bagagem seu terceiro disco de estúdio Dead Magic gravado durante os nove dias que passou na Dinamarca. Um pop avant-garde com fortes influências de Dead Can Dance, algo que nota-se de primeira em seus vocais que são com certeza um dos pontos fortes, uma boa pedida para fãs de DCD, Lycia e This Mortal Coil. Sad Fuzz 52 Direto de Sorocaba, cidade conhecida por seu cenário incrível de bandas de rock e também uma boa rota de shows, o duo Sad Fuzz 52 formado por Áira Machado (bateria) e Paulo Avance (guitarra, vocal) fazem aquele som com espírito jovem, bem intenso, bem rockeiro, influenciado por estilos como shoegaze, pós-punk e rock alternativo. Infinitas Insônias é seu primeiro EP, lançado pela Solana Records. Pram O Pram surgiu por volta de 1990 na Inglaterra, sua música experimental flerta com o pop e psicodelia. O oitavo disco da carreira é Across the Meridian, lançado nesse ano, um prato cheio para quem pensa fora da caixinha. Warmest Winter Inicialmente formado como projeto solo de Tiago Duarte, o Warmest Winter se transformou em um quarteto, o disco the world is a terrible place yet i’m terrified of dying tem influências do pós-punk inglês e shoegaze, alternando momentos de calmaria e agressividade junto de letras fortes sobre sentimentos da vida cotidiana e a morte. Mais um lançamento da Lo-Slow Records junto da Salitre Records. Deaf Wish Temos aqui órfãos dos queridos Sonic Youth, um som que mistura punk, noise e indie, assim como se fazia no início dos anos 90. Uma banda relativamente nova, formada na cidade de Melbourne, na Austrália em 2007, Lithium Zion é seu quinto disco. Boa pra quem gosta de um barulho. Auramental Se a sua praia é um rock psicodélico, então você precisa ouvir o som desses caras. O Auramental foi formado em 2014 no Rio de Janeiro e são grande promessa pro stoner nacional, há dois meses lançaram seu mais novo single para a música “Aura”, uma viagem cósmica rockeira bem maneira que vai fazer você pirar. White Ring Gosta de música eletrônica? Trevosa? Então esse disco é pra você! Brian e Kendra são um duo de Witch house, e o seu White Ring é um dos nomes principais do gênero, uma mistura de música dark, glitch, trap… responsável por agitar raves lotadas em países como EUA e Rússia. Gate of Grief é seu primeiro disco cheio, lançado depois de um período de quase oito anos desde o primeiro EP. Fogo Caminha Comigo Lançado há um ano atrás, A melancolia vai nos separar, outra vez é o primeiro disco do Fogo Caminha Comigo, que abriu as portas de seu quarto e deu vida a um conjunto de composições com belas letras e um som influenciado por lo-fi, emo e shoegaze, gravado em um período de apenas 28 horas. Os selos Banana Records e Lo-Slow Records foram responsáveis pelo lançamento.
Deafheaven vive seu momento mais glorioso em Ordinary Corrupt Human Love

No dia 13 de Julho, sexta feira bem trevosa, Deafheaven lançou seu último disco o Ordinary Corrupt Human Love. Nesse meio tempo já rolou muita controvérsia nas redes sociais sobre esse disco ser o novo preferido da galera ou se aclamado Sunbather (2013) continua sendo o preferido. Teve gente que gostou e teve gente que odiou. Mas nós vamos te contar o que achamos dele. Essa é uma das bandas mais incríveis dos últimos tempos. E eu tenho certeza disso, por mais que alguns fãs mais conservadores de black metal discordem de mim. Eu acredito que a intenção da banda nunca foi ser “true black metal”, até porque o visual deles nem remete a isso. É blackgaze e esse estilo consegue ser bem amplo e se comunicar tão bem com outros estilos como post rock, ambient, DSBM, atmospheric e por aí vai. E a banda inova e se reinventa a cada disco e isso fica claro com Ordinary Corrupt Human Love. Eu particularmente gosto bastante do New Bermuda (2015), apesar de não conhecer ninguém que goste desse álbum ou que o prefira ao Sunbather. Acho um excelente disco, foi o disco que me fez conhecer a banda e ele consegue me emocionar bastante. Ao vivo é excelente também. Eu já imaginava que a banda iria se esforçar para impressionar com o álbum novo, mas as minhas expectativas foram superadas. A estética do disco segue bastante o que a banda costumava postar nas redes nos últimos tempos. Para quem acompanha o Clarke, fica óbvia a influência das poesias e outros trechos de livros que ele continua compartilhando. Esse disco balanceia perfeitamente a suavidade com a agressividade, elementos de shoegaze e black metal respectivamente, com uma fluidez tremenda. Esse disco tem uma pitada de melancolia, mas apenas o suficiente para dar o tom, sem se deixar levar pela tristeza. Essa pitada também leva esperança, romance, suavidade, doçura. É como se apaixonar e ao longo dele você aprende a amar. Parece extremamente brega quando digo isso, mas essa é a sensação que me passa e no final das contas não fica brega. A jornada soft começa com You Without End. O piano nessa música é sensacional e ele marca o tom da nossa belíssima experiência. Eu não conseguiria pensar em uma “intro” melhor. A gente nota que tem bem menos blast beat que nos outros trabalhos da banda, a transição para o shoegaze e post rock é bem mais definida. Para quem não é muito fã de black metal, esse disco é uma perfeita introdução, porque uma enorme inspiração do gênero e o torna bem mais suavizado e fácil de ouvir. O baterista Daniel Tracy sempre preciso e meticuloso em suas viradas não deixa a desejar e nos proporciona uma linha de bateria interessantíssima e muito rica. Na sequência vem Honeycomb e ela tem um trecho que consegue sintetizar a estética do disco. É quase como se a banda estivesse mostrando um outro lado seu, um lado mais romântico, mais sensível e que se permite mais sentir as coisas sem ter vergonha alguma disso. É o lado artístico sendo relevado e com ele vem uma maturidade muito grande na medida que você consegue se expressar. “I’m reluctant to stay sad Life beyond is a field a flowers My love is a nervous child Lapping from the glowing lagoon Of their presence My love is a bulging, blue-faced fool Hung from the throat By sunflower stems” Canary Yellow descrita pelo George como uma “música sobre viver na memória de outros”. É bem fácil de sentir uma grande nostalgia nessa faixa, o Kerry McCoy é mestre em traduzir sentimentos em suas belíssimas melodias. Possivelmente um dos meus guitarristas preferidos, porque consegue criar músicas deslumbrantes, suntuosas e magníficas. Só as melodias já são um show a parte e eu não preciso nem mencionar o excelente uso dos pedais para criar a atmosfera perfeita nos solos e nos momentos onde o shoegaze brilha enquanto traz a calma depois da tempestade. Near é uma das músicas mais bonitas e tranquilas do álbum, bem post rock e bem melódica. Temos um vocal limpo nos três versos da canção que mostra as outras faces da banda. Glint é uma daquelas músicas que a gente faz um headbanging bem orgulhoso, tem a volta dos blast beats, da agressividade e a pungência da guitarra. Consigo até imaginar o stage diving dos fãs quando a banda trouxer essa turnê para o Brasil. Night People é literalmente a música mais bonita e a que eu mais gostei do álbum. Primeiro pela Chelsea Wolfe e depois pelo vocal lindo e limpo do George. Ninguém fazia ideia de quão belo era seu vocal limpo e do quão poderoso ele é. Não tem uma música que seja mais romântica que essa, mesmo se a letra estivesse dizendo qualquer outra coisa eu poderia dizer que só há romance entre os vocalistas. É magnífico como as duas vozes se mesclam, se cruzam, se completam e se emaranham deliciosamente. Se eu estivesse descrente do amor, eu voltaria a acreditar depois dessa música, de tão poderosa e lindíssima que ela é. O clipe recentemente lançado transmite bem esse sentimento com a sobreposição de imagens dos dois, quase como se um fizesse parte do outro, em uma dualidade que se completa e se satisfaz. Worthless Animal é a última faixa do disco, encerrando nossa jornada pelas terras misteriosas e sinuosas desse romance. Uma mistura de sensações trazidas por Canary Yellow e Glint, que convergem num tom de despedida e com mais um tanto de melancolia. E já que mencionamos a turnê, a banda está em turnê pela América do Norte com Drab Majesty e Uniform anunciou uma tour pelos Estados Unidos com DIIV em Outubro e Novembro, logo depois tem tour pela Europa também. Certamente vivendo seu auge, esperamos que em breve tenhamos shows aqui no Brasil também. O álbum está disponível em suas plataformas preferidas de streaming:
Já podemos afirmar que FITA é um dos álbuns do ano?

Talvez esteja meio tarde pra resenhar sobre esse álbum. Mas eu acredito que nunca é tarde demais para falar sobre o que a gente gosta. E o que eu gosto no momento é desse álbum. Resenhar sobre álbuns não é nem de longe o meu forte, especialmente porque eu só consigo falar de algum disco quando eu crio algum tipo de conexão emocional com ele. Quando as músicas me comovem e me trazem sensações intensas. E esse é justamente o caso aqui. Então, na verdade, resenha nem é a palavra certa a ser usada aqui. Eu vou simplesmente ter que abrir meu coração e tentar convencer todo mundo que está lendo isso a se apaixonar pelo FITA junto comigo. Já falei sobre a Oxy anteriormente nesse post aqui, mas não parece o suficiente. Ainda mais quando eu me peguei ouvindo esse álbum no repeat nos últimos dias. Gostei tanto que eu estava praticamente cantando junto enquanto o ouvia no ônibus. É um álbum muito coeso e harmônico. Eu não mudaria nada nele e nem tiraria alguma música dele. As linhas de baixo, os solos de guitarra, a bateria, os vocais… É tudo perfeito. Os clipes das músicas são incríveis, a fotografia, toda a identidade visual e o Enzo Correia é o cara por trás disso, ele faz tudo ser mais visual e palpável. A primeira música, Into, de cara já nos joga na atmosfera sonhadora, doce e angelical proporcionada pela voz angelical da Sara. É difícil descrever tudo que esse álbum consegue me passar em termos de sentimentos. Vai soar bem cafona isso que eu vou dizer, mas é como se eu fosse transportada pra outra dimensão ou pra uma vida passada minha. O meu eu vivendo em alguma noitada dos anos 80 e 90. Algumas músicas com a vibe do shoegaze também me proporcionam essa sensação. Mas nunca com a intensidade que FITA me transportou. É uma sensação muito boa, te tira da realidade e te leva a um lugar por ora tranquilo, ora intenso, ora animado e colorido. Outra coisa que eu também consigo notar é que eu não consigo desgostar de nenhuma música, mesmo que num primeiro momento eu já não a defina como uma das minhas preferidas, ao longo da música surge algum pequeno elemento diferente que me prende e no final das contas eu me pego cantarolando e querendo ouvir de novo e de novo e de novo. Eu não faço ideia de como eu posso definir esses elementos, porque às vezes são trechos de música que grudam, de uma maneira bem positiva, na minha cabeça. Pink Socks consegue me conquistar logo de primeira, sua vibe alegre nos faz querer dançar. Certamente é um dos destaques de um álbum impecável. Aliás, Oxy nunca nos decepcionou. O EP lançado em 2016 é uma das preciosidades que jamais poderemos esquecer. Um belíssimo trabalho que me fez conhecer e admirar a banda, e que é reflexo de todas as nuances, elementos diversos e ricos que temos no FITA. É shoegaze, dream pop, post-rock, tudo junto e misturado que resulta num som incrível e único. Eu consigo eleger a minha preferida nesse álbum. Foi uma tarefa difícil, mas a escolhida foi Carriage. Eu tenho certeza que a Sara Cândido, o Blandu Correia, o Lucas Eduardo Pereira, o Marcelo Vasconcelos e Thiago Neves compartilharam um pedacinho da mente para poder fazer algo tão bonito quanto essa música. Eu não tenho adjetivo melhor para descrevê-la do que perfeita. Consigo colocá-la na minha lista de músicas preferidas de todos os tempos facilmente. Ela é melancólica, mas é agitada e acelerada ao mesmo tempo. É viciante e você termina de ouvir e já quer ouvir de novo e quando vê já está cantando junto. Porque só pra tentar escrever esse parágrafo para poder de alguma maneira tentar descrevê-la, eu fui obrigada a ouvir umas 8 vezes, de tão boa que ela é. E eu um dia adoraria aprender a tocar o solo de guitarra que aparece quase no final da música. Fairytale me traz a mesma vibe do shoegaze japonês, certamente não teve essa intenção, mas é reconfortante perceber isso. Provavelmente é uma das músicas mais doces presentes no disco e com um refrão mais adorável ainda. Sempre há algo de reconfortante em músicas com vocal feminino, aliás essa é uma das coisas que eu mais admiro no nicho shoegaze/dream pop e uma das razões pelas quais esse é meu nicho preferido. Trying é outra das minhas preferidas. Mais um solo incrível no meio, mais um refrão excelente, letras ótimas que te fazem querer ouvir várias vezes. A vibe anos 90 é certeira, eu me sinto em casa apesar de ter nascido em 95 e de nessa época não ter noção do que estava acontecendo. 80’s é a atmosfera Beach House da maneira mais descolada possível. É como uma despedida triste que anuncia o fim do disco. Essa é pra você ouvir e ficar borocoxô, e depois se animar e ouvir o disco inteiro de novo. Eu mal posso esperar pela vinda da Oxy para São Paulo e curtir ao vivo todas essas músicas maravilhosas. Não preciso nem falar que é uma das bandas que certamente vão estourar nos próximos meses. O sucesso, nacional e internacional, é certo. Mais uma coisa notável nesse álbum é de como ninguém teve medo de ousar, de soltar a voz e inovar. O resultado disso é um dos melhores álbuns que já tive o prazer de ouvir. Renova as esperanças em todo o talento que temos no país, todo o potencial que os jovens tem. Faz valer todo o esforço e dedicação que colocamos no blog e em descobrir novos artistas, porque no final das contas, a música vale muito a pena. Acompanhe a Oxy nas redes: Bandcamp Facebook Site Instagram
Rebobinados indica #1

O ano de 2018 continua sendo bem produtivo, e por conta disso criamos esse post para indicar lançamentos, de diversos gêneros, bandas conhecidas ou não, o que importa é divulgar o máximo de música possível para todos que leem esse blog. Nesse post temos pérolas que encontramos no bandcamp. Temos vários estilos como blackgaze, post-rock, atmospheric black metal, ambient e post-metal, mas a ideia do Rebobinados indica é trazer vários estilos/gêneros bacanas e interessantes de músicas boas. O importante é que seja boa! Vamos procurar trazer mais músicas e bandas diferentes para vocês ao longo do tempo. E se você tem alguma banda que queira ver na nossa próxima postagem, deixe sua indicação nos comentários que iremos ouvir. Habitants Habitants é uma banda holandesa que está lançando seu primeiro álbum em 2018. Esse é um álbum que eu aguardava há meses e a espera não foi em vão. A expectativa vem desde o single Meraki lançado em 2017 que conquistou uma legião de fãs sozinho. O disco veio apenas para estreitar essa relação incrível. É difícil definir o gênero, provavelmente uma mistura de darkwave, indie pop, post-rock e um pouco de shoegaze. É suave e delicado como a incrível voz da Anne van den Hoogen que embala essa deliciosa experiência do começo ao fim. We Made God Banda islandesa de post-metal formada em 2004, com três discos de estúdio lançados, sendo o mais atual Beyond the Pale, com oito faixas cheias de climas entre peso e atmosferas que dão forma a uma sonoridade profunda e bonita. Pale Temos várias bandas com esse mesmo nome, mas a Pale que nós nos referimos é a banda de post black metal japonesa. Além disso, também temos vários elementos de blackgaze, post metal e atmospheric black metal. Nós indicamos o último EP deles, lançado em julho, é bem pauleira e mostra a variedade de gêneros e nuances de bandas do Japão. Unreqvited É um projeto solo canadense de DSBM, post black metal, blackgaze e atmospheric. Já indicamos essa banda no nosso post sobre blackgaze, mas vale a pena conferir o álbum Stars Wept to the Sea lançado em Abril. Esse é um grande momento para o blackgaze, que vem ganhando força e robustez nos últimos meses e Unreqvited é um dos belos frutos que podemos apreciar. Sojourner Sojourner é uma banda composta por membros de países como Nova Zelândia, Suécia e Itália de atmospheric metal com grande influência de folk. Seu segundo álbum, lançado em Março, The Shadowed Road foi gravado em partes por cada membro da banda ao redor do mundo e também mixado e masterizado em lugares diferentes. Sojourner está aí para mostrar que nem sempre é preciso que os integrantes estejam todos no mesmo lugar para lançar um excelente álbum. Apenas na hora de fazer shows que as coisas se complicam, mas vale a pena conferir. Black Book Lodge É uma banda de prog metal e stoner da Dinamarca. O álbum que indicamos é Steeple And Spire, lançado em Maio, que é o último da banda, tem uma pegada mais alternativa e não tão stoner quanto os outros trabalhos já lançados. Sam Haven É um projeto solo australiano de ambient. Também temos influências de atmospheric black metal, drone, post metal e post rock. A capa resume bem o que é apresentado no álbum lançado em Junho. É música melancólica e obscura, se você gosta de música triste, esse é o álbum perfeito. The Ever Living É uma banda britânica de post metal, sludge e atmospheric. A capa do álbum de estreia da banda chamado Herephemine não é exatamente a capa de um disco de post metal que a gente espera, mas certamente o som é bem mais do que a gente poderia sequer imaginar. O som é intenso e cinematográfico. Vale a pena conferir essa banda que dividiu palco com outras bandas excelentes como Rosetta e Ghost Bath, e também foi parte do Hammerfest IX. Bloodbark É uma daquelas bandas misteriosas de metal que preferem não revelar suas identidades e nem de onde vieram. E geralmente essas bandas são bem boas, Bloodbark não deixa a desejar com seu atmospheric black metal, post black metal, blackgaze e ambient. Seu único álbum, Bonebranches, lançado em Janeiro é uma experiência deliciosamente rica e intensa, consegue misturar vários gêneros sem perder identidade, sem parecer confuso e perdido. Se realmente existisse um gênero como epic black metal, Bloodbark certamente faria parte dele. Skyborne Reveries Projeto solo australiano de atmospheric black metal. Melodias melancólicas e sombrias, muito inspiradas pelo universo do Tolkien e que lembram o som das bandas Windir e Eldamar. Mesarthim Mesarthim é uma mistura black metal, DSBM, atmospheric e até black metal “cósmico” que formam algo singular e belo. Esse duo australiano usa fotos da NASA em suas capas de discos, o último lançado em Abril é o The Density Parameter, vale a pena conferir. Ephilexia Projeto solo da Hungria de música ambiente, atmospheric, experimental e post rock. Suas músicas são bem suaves, melódicas e calmas. O álbum que indicamos é o segundo, lançado em março deste ano, Hope Is Our God. Realm of Wolves Uma banda também da Hungria, mas de atmospheric black metal, DSBM, blackgaze e post black metal. Eles descrevem o próprio som como “sombrio, triste, furioso, mas também melódico e belo”. É mais uma das novas bandas de blackgaze que vale a pena conferir. Seu álbum de estreia, lançado em Maio, é excelente. Destacamos a música Fragments of the self. Esperamos que venham mais coisas boas pela frente conforme a banda vai ganhando personalidade e consistência. Spurv Spurv vem fechar a nossa lista de indicações com seu instrumental e post-rock de Oslo, Noruega. Por mais que a Noruega seja conhecida por seu black metal de raiz, Spurv é uma melhores bandas de post rock do momento, representando e orgulhando bastante seu país. O álbum Myra, lançado em Maio, é considerado por muitos como um dos melhores do ano e, possivelmente, veremos a banda tocando em vários festivais europeus nos próximos anos.
15 bandas de shoegaze nacional que você precisa conhecer pt. II

Espero que os poucos leitores assíduos do nosso blog ainda não tenham se cansado do excesso de bandas de shoegaze que trazemos aqui com muita frequência. Desde o nosso primeiro post falando sobre shoegaze nacional, esse virou o gênero pelo qual somos mais conhecidos por escrever. É quase o prato da casa e se nós servíssemos comida boa, com certeza seria um set de pedais com reverb (com muito reverse), chorus, delay, fuzz e muito mais distorção do que você poderia imaginar. Percebam que eu ainda não me cansei de falar de shoegaze. Então como eu só penso nisso, decidi trazer algumas bandas memoráveis que acredito que vocês devam conhecer (e provavelmente se apaixonar). Já tem um tempinho que eu quero falar sobre elas, mas até então não tinha surgido a oportunidade. Dessa vez a gente tem bandas de todos os gostos, bandas que, infelizmente, encerraram suas atividades há anos, bandas novas, bandas mais populares, bandas que estão começando a ganhar nome e espaço. Mas simplesmente são bandas que você não pode deixar de ouvir. Grande parte das bandas que estão aqui estão presentes nos castings da Sinewave e da midsummer madness. Recomendo conhecer as outras bandas incríveis que integram o casting, vale muito a pena! Alberi Facebook | Bandcamp Céus de Abril Facebook | Bandcamp Early Morning Sky Facebook | Bandcamp Astrocrushing Blog | Bandcamp A Página do Relâmpago Elétrico Facebook | Bandcamp The Soundscapes Facebook | Bandcamp Kid Foguete Facebook | Bandcamp Rec on Mute Facebook | Bandcamp Devilish Dear Facebook | Bandcamp Gray Strawberries Spotify Robsongs Facebook | Bandcamp Duelectrum Facebook | Bandcamp Stella Maris Facebook | Bandcamp Killing Surfers Facebook | Bandcamp Venus in Fuzz Facebook | Bandcamp Nossa playlist de shoegaze nacional no Spotify: E se você ainda quer mais shoegaze, recomendamos essa playlist feita pelo Mario C T Silva da banda Wry (uma das melhores bandas brasileiras do gênero):
A cena musical de Minas Gerais
Minas Gerais é o berço de vários artistas talentosos que conhecemos hoje. Em Belo Horizonte, na década de 60, foi formado o Clube da Esquina, coletivo de artistas hiper importantes da MPB como Lô Borges, Flávio Venturini, Beto Guedes, Milton Nascimento, entre outros. Esse coletivo lançou dois discos, Clube da Esquina (1972) e Clube da Esquina II (1978), álbuns memoráveis que constam em várias listas como os melhores já lançados. Fizeram e continuarão fazendo história por mais muitos anos. E no cenário independente/underground não poderia ser diferente. Uma das bandas mais influentes é a Lupe de Lupe, que conquistou uma legião de fãs com produções DIY. É referência para praticamente todo mundo que quer conhecer essa cena como fã ou artista. Mais de oito mil ouvintes em plataformas como Spotify, a Lupe até hoje lançou Recreio (2011), Sal Grosso (2012) e Quarup (2014). No dia 17 de maio, a Lupe soltou o seu polêmico clipe O Brasil quer mais, que faz parte do CD que será lançado em setembro de 2018 e anunciando 6 datas de shows após um hiato de 2 anos. Toda essa atmosfera de criatividade, arte e originalidade faz de Minas um dos lugares mais importantes e especiais voltados para o tipo de música que apreciamos. Aqui nós vamos listar alguns artistas banacas e que fazem um som que a gente acredita, mas sinta-se à vontade para continuar explorando todas as possibilidades e gêneros musicais que o país pode te oferecer. Fábio de Carvalho Aldan Não-Não Eu Kill Moves Sara não tem nome El Toro Fuerte Fernando Motta Young Lights Miêta Sentidor JP Vitor Brauer Jonathan Tadeu Rebelde Sem Calça Quase Coadjuvante Pedro Flores Lava Divers Paola Rodrigues Wagner Almeida
O riot grrrl muito bem representado no Hard Grrrls Festival

Nos dias 18, 19 e 20 de maio aconteceu o Hard Grrrls Festival no Presidenta Bar na Augusta, um festival idealizado pela Hard Grrrls com bandas femininas/feministas do cenário underground que teve sua primeira edição em 2003. O Hard Grrrls, surgiu em 2000 e há dez anos era um site muito importante e relevante onde você podia encontrar matérias, mp3, conhecer bandas e conhecer também outras minas que gostavam ou faziam música. Hoje em dia faz parte do site AzMina para divulgação desse nicho que não é nem de longe explorado e apreciado como deveria. Convido você a explorar esse espaço e conhecer o trabalho incrível que elas fazem. Inúmeras mulheres que estão de alguma forma ligadas com música sempre acabam reforçando a mensagem de que as mulheres precisam ter mais participação. Nós precisamos ver mulheres no palco, mulheres atrás do palco, mulheres produzindo shows, mulheres na plateia e em todos os lugares possíveis. Parece exagero da minha parte, mas quantas bandas com mulheres na formação você conhece? Você conseguiria listar 20 bandas formadas por mulheres? Dificilmente. É difícil até para quem está envolvido nesse meio, nós precisamos escavar para poder encontrá-las. Não deveria ser assim, as coisas poderiam ser mais fáceis e simples. E é por isso que festivais como esse e que o trabalho dessas mulheres se torna tão especial e necessário. As bandas que participaram nesses três dias de fest foram: Clandestinas, Animalia, Letty, Ema Stoned, Bloody Mary Una Chica Band, Camila Garófalo, Sixkicks, Weedra, Moxine, Harmônicos do Universo, Winteryard, Bertha Lutz e The Biggs. Infelizmente eu não pude acompanhar todos os dias, apenas no domingo. A ideia do festival é ressaltar o movimento punk-feminista conhecido como riot grrrl, e produzir um espaço no qual todos pudessem se sentir à vontade e acolhidos. O lema era: “Todas as pessoas são bem vindas desde que venham despidas de intolerância, machismo, racismo, lesbo-trans-homofobia, gordofobia e qualquer outra forma de preconceito.” A primeira atração do domingo foi o ”Pedalaço das Minas” organizado pela Desirée Marantes da Hérnia de Discos. Sinceramente foi uma das coisas mais legais que eu já presenciei. Eu como grande entusiasta de pedais, mesmo não sabendo tocar absolutamente nada decente na guitarra, fiquei maravilhada com a quantidade de pedais que estavam disponíveis para todas experimentarem. Era possível pegar uma guitarra e/ou microfone, sair apertando e combinando diversos efeitos diferentes. Enquanto isso a Desirée nos dava um resumo da história desses pedais, de como eles funcionavam e para quê. Foi muito bom e esclarecedor, uma pena que não durou mais, porém pretendo participar dos próximos eventos de pedalaços das minas. Se você tiver interesse, tem mais informações na página da Hérnia de Discos. Os pedalaços acontecem em outras cidades do país também. A segunda atração foi o show da Harmônicos do Universo, também da Desirée no qual ela experimenta livremente com guitarras, pedais, teclado e uma performance incrível no violino. Ela vai criando camadas, muitas vezes com múltiplos instrumentos, com o auxílio de um pedal de loop. O resultado é incrível. Vale a pena conferir aqui A terceira e última atração que eu presenciei foi o show da Winteryard. Formada por Priscila Castro e Brunella Martina, seu som é intimista e minimalista com influências do shoegaze e post-rock. Já havíamos falado dessa banda no post sobre Mulheres e a cena nacional. O show foi muito bom e muito agradável, toda sua estética extremamente minimalista e o vocal doce faz até quem não conhece a banda se apaixonar à primeira vista. O setlist curto trouxe canções do EP Endless Winter (2015), uma música nova e a promessa de novos trabalhos nos próximos meses. Confira mais sobre o Hard Grrrls: https://www.facebook.com/hardgrrrls/ https://www.facebook.com/feitoporelasdoc/ (Documentário Feito Por Elas) https://www.facebook.com/events/187774465148982/
Shoegaze estourando janelas com homeninvisivel, eliminadorzinho e terraplana

Tempo nublado e chuvoso em alguns lugares da capital de São Paulo, um vendaval forte assolando alguns bairros, a noite era o primeiro dia da virada cultural, mas essas bandas conseguiram aquecer e lotar o lumen studios. homeninvisivel A primeira banda foi a homeninvisivel, com seu indie, post-punk, shoegaze e noise, marcando presença e se fazendo notável. Lançou um EP em março, chamado formas negativas, pela casa da árvore records. O debut EP é excelente, passeia livremente pelo shoegaze e post-punk com força e originalidade, o baixo não se deixa intimidar ou nem mesmo ser apagado pelas guitarras (brilhou com bastante força durante o show), bateria marcante e cativante que ao invés de se mesclar com a habitual melancolia do estilo, consegue trazer ânimo e entusiasmo ao show e fica quase impossível não ser contagiado pela vontade de pular. É isso que eu chamo humildemente de rock guitarrinha/rock jovem. O que não poderia ficar de fora também é a guitarra, belíssimo uso dos pedais, consegue trazer a característica parede de som do shoegaze, sem fazer com que as misturas de gêneros musicais se percam ou caiam na mesmice, além da performance que encantou o público. Uma das melhores músicas é, sem sobra de dúvidas, já não me encontro mais em casa nesse mundo, que é a terceira faixa do EP. Baseado nesse debut, você pode esperar coisas muito boas vindas da homeninvisível. Essa é uma das bandas que a gente recomenda fortemente que você fique de olho nos próximos dias, um clipe foi anunciado ontem e estamos na expectativa por isso. Especialmente pela organização do show, feito com duas bandas com pegada muito semelhante e fazendo uma das melhores combinações de “mini festival” que a gente poderia esperar. Anote aí a data do próximo show: dia 15/06 na Casa do Mancha junto com a Meyot num show de lançamento do seu EP também pela casa da árvore records. Ouça o EP em https://homeninvisivel.bandcamp.com/releases eliminadorzinho Já falamos sobre a eliminadorzinho em alguns posts do blog. Ela acabou de terminar a turnê pelo Sudeste com a Quasar divulgando o slipt em conjunto chamado Peleja, comentamos sobre o show de São Paulo na Breve nesse post aqui O público cativo de shows sempre acaba marcando presença sempre que pode (me incluo nessa) e não há show monótono ou sem graça. A banda já é conhecida pelo seus shows animados, muita gritaria (no bom sentido) e por suas músicas que fazem todos os fãs cantarem apaixonadamente. Desculpa n2 é sempre o ponto alto pra mim. terraplana A terraplana é uma banda que eu estava na expectativa por um show há um tempinho. Já escrevemos sobre eles nesse post aqui A expectativa foi muito bem correspondida e acho que até superada. Na minha opinião é uma das melhores bandas de shoegaze do país. Ainda acredito muito que ela pode salvar o shoegaze nacional, aliás, já está salvando. A atmosfera do EP Exílio sempre me faz lembrar de My Bloody Valentine, mas de um jeito novo e original. Os vocais de Stephani Heuczuk e seu baixo marcante e poderoso trazem a estética sonhadora, etérea e reconfortante que você nem sabia, mas que precisava ouvir. Minha única ressalva foi o show curto, eu realmente queria que durasse por mais tempo, mas foi compreensível por conta da Virada Cultural. A banda tocou as músicas que mais gostava e ainda por cima acabou tocando também uma música nova, que ainda não estava completamente finalizada, mas que também foi muito boa. Espero mais shows da terraplana em breve aqui em São Paulo e em vários outros estados também. Vale muito a pena escutar terraplana, acredito fortemente que você não vai se arrepender, reforço a mensagem aqui com o link do Exílio em https://terraplana.bandcamp.com/releases Siga as bandas nas redes: https://www.facebook.com/terraplanatrrpln/ https://www.facebook.com/eliminadorzinho/ https://www.facebook.com/homeninvisivelmusic/
Ainda estamos esperando o shoegaze japonês dominar o mundo

Você já deve ter percebido que nós aqui do Rebobinados amamos um shoegaze, shoegaze japonês então nem se fala. A gente procura ouvir todas as variantes e nuances desse que pra mim, é o melhor gênero (pra quem discordar). Brincadeiras a parte, hoje decidimos trazer um nicho talvez não tão conhecido como deveria, o shoegaze japonês. O Japão é um dos países com o maior mercado de música do mundo, sua arte é muito relevante, reconhecida e bem vista pelo mundo todo. Ultimamente tem ganhado bastante relevância os gêneros de J-rock e J-pop, vários boybands e girl groups que fazem sucesso com os jovens. Eles também têm boas bandas de rock alternativo no geral que são bastante conhecidas no país e essas bandas tem suas músicas nas aberturas de anime, então acabam sendo reconhecidas no resto do mundo também. Voltando para o cenário mais underground/alternativo, talvez possamos citar que uma das bandas mais conhecidas de shoegaze japonês no ocidente seja Asobi Seksu. Formada nos Estados Unidos tem letras em inglês e japonês e sempre aparece em playlists de shoegaze/dream pop. Muitas bandas surgiram nos anos 90 e 00, não tiveram o devido reconhecimento e acabaram. Tem muita coisa boa por aí e infelizmente muitas bandas dessa lista também já se separaram ou não lançam músicas há bastante tempo, mas vale a pena ouvir todas! As bandas que selecionamos a seguir contemplam não só o shoegaze japonês, também o indie pop e dream pop. É interessante ver como algumas transmitem a sensação de que toda a glória, atmosfera e êxtase do shoegaze que começou com My Bloody Valetine, Slowdive, The Jesus and Mary Chain e outras, ainda estivesse vivo, superando expectativas e às vezes até superando os principais expoentes e sem perder suas qualidades únicas, toda sua originalidade e conceitos próprios. 1. For Tracy Hyde 2. Plantcell 3. Luby Sparks 4. Seventeen Years Old and Berlin Wall 5. Kinoko Teikoku 6. Cattle 7. Plastic Girl in Closet 8. Shelling 9. Lemon’s Chair 10. Dive 11. Oeil 12. Sugar Plant 13. Niz 14. Luminous Orange 15. The Florist 16. Citrus Nowhere 17. Pasteboard 18. Cruyff in the bedroom 19. I saw you yesterday 20. Hartfield 21. Burrrn 22. Tokyo Shoegazer 23 Collapse 24. Pastel Blue 25. Clams Quer mais conteúdo relacionado a shoegaze japonês? Então confere essas matérias aqui: Spool, shoegaze asiático, música japonesa
Eliminadorzinho e Quasar pelejam na Breve (e pelo país) @ Breve, 06/04/18

Faz um tempinho que as duas bandas da cena de rock independente paulista e parceiras do selo Pessoa Que Voa tem se unido para criar coisas incríveis. O split chamado Peleja que foi lançado semana passada é o melhor exemplo disso: Sexta-feira foi o primeiro show da turnê de lançamento do Peleja que vai passar por algumas cidades do Sul e Sudeste: O show foi eletrizante, fica claro que as duas bandas melhoram a cada apresentação e sempre conseguem cativar o público. O espírito da juventude sempre aflora quando eles sobem ao palco, motivo de seu grande carisma. A gente sempre sabe que qualquer show vai ser animado e cheio de alegria, a banda contagia o público e o público motiva a banda a dar o seu melhor. Setlist Quasar: Setlist Eliminadorzinho: Os próximos shows da turnê são em Curitiba e Rio de Janeiro, respectivamente dia 14/04 e 28/04 . Para mais informações:https://www.facebook.com/events/234308640447343/ – Curitibahttps://www.facebook.com/events/789933934527239/ – RJ Você pode conferir os álbuns Coruja e aniquiladorzinho lançados no ano passado:
El Efecto, a música como instrumento de resistência @ Sesc Pompéia

Ontem rolou o show da banda El Efecto no Sesc Pompéia. E definir a banda não é uma tarefa fácil, quando me recomendaram o som foi exatamente como “ah, é tipo um prog com samba com letras políticas”. Eu confesso que realmente fiquei com um pé atrás porque pensei em como isso realmente funcionaria. Ouvi algumas músicas no Spotify e achei muito boa, mas a minha maior surpresa viria com o show. O que eu presenciei foi um verdadeiro espetáculo, uma explosão de som, tremenda intensidade, os vários instrumentos que brilhavam sozinhos, mas que ao mesmo tempo se completavam e traziam uma fluidez inesperadamente boa. Um show alegre, divertido, contagiante, que te pegava pela mão e te fazia dançar e pular junto com os artistas. Sincronia impecável, que me fez esquecer de tudo ao meu redor nessas quase 2 horas de show. É realmente mágico ver tanta energia no palco, músicos que se entregam e conduzem a plateia com tanta emoção e paixão por aquilo que fazem. A meu ver, o destaque da noite ficou por conta de Cristine Ariel (guitarra, cavaquinho e voz). Cristine brilha no palco, mostra toda sua maestria e desenvoltura com a guitarra. A noite toda eu a assisti e senti como se ela estivesse apenas brincando e se divertindo, ao mesmo tempo em que nos cativava com sua enorme alegria. Depois de ver mulheres tocando bateria em cima de um palco, o que me alegra mais é ver mulheres tocando guitarra, porque simplesmente é uma das coisas mais belas que existem. Inspira a gente a querer um dia ser tão boa quanto elas. O público foi adorável, sua grande maioria cantando todas as letras a plenos pulmões, o que me fez querer cantar também. Pulavam, dançavam, se permitiam ser levados pela batida, se comoviam com as letras e acabavam comovendo quem estava no palco. Não encontrei maneira melhor de descrevem as letras da banda, então segue um trecho do próprio site da banda “As letras propõem interpretações críticas das atitudes individuais e coletivas, movimentando-se entre a angústia e a esperança, o pessimismo da razão e o otimismo da luta. Não se trata de pensar a arte como um escape para as frustrações de uma vida resignada, mas sim de tomá-la como um estímulo, um ponto de partida para questionamentos e – por que não? – transformações concretas.” A banda trouxe temas ao palco como a libertação de Rafael Braga e a execução da Marielle Franco, mostrando que música é sim instrumento de resistência. Levantar pautas importantes sobre o cenário atual, propor a reflexão e não se deixar abater por conta disso, mas sim mostrar que juntos somos mais fortes e que continuemos lutando. E que apesar de tudo, seguimos lutando, resistindo e fazendo música. Ouça El Efecto: http://www.elefecto.com.br/#home https://www.facebook.com/bandaelefecto/
15 bandas e projetos de música ambient para conhecer

Você aí acha que conhece ambient? Se você já ouviu alguma playlist do Spotify que tenha um título parecido com “músicas para relaxar” ou “músicas para estudar” então eu tenho quase certeza que você conhece. Muita gente também chama de música de consultório de dentista (além das memoráveis músicas que tocam na rádio Alpha FM). Por um lado, tudo isso aí está certo, realmente é muito “chill” music na maioria dos casos, mas nesse post eu vou tentar te convencer a gostar desse gênero muitas vezes esquecido e subestimado. Por favor não durma enquanto ouve essas bandas haha (brincadeira! Elas são legais, confia em mim) A música ambiente nasce da mistura de outros tantos gêneros como música clássica, instrumental, post-rock, eletrônica, jazz, new age, trip hop, noise e etc. Tudo isso cria uma atmosfera calma e envolvente (na maioria dos casos), e isso faz com que ela nem sempre seja o centro das atenções. Alguns artistas e bandas relevantes são: Sigur Rós, múm, Aphex Twin, Boards of Canada, Air, Vangelis, Jóhann Jóhannsson e Brian Eno (muitas vezes dito como “criador” do gênero) Aqui estão as bandas que selecionamos: Eluvium Eluvium é o nome artístico de Matthew Cooper. O americano mistura ambiente com shoegaze e post rock. Já lançou 9 álbuns pela gravadora Temporary Residence Limited que também assinou com Explosions In The Sky e Mono. Seu último álbum é Shuffle Drone (2017) e nele todas as músicas tem exatamente 32 segundos. Grouper Grouper é o projeto solo da musicista, compositora e produtora talentosíssima Liz Harris. Provavelmente é a artista que eu mais gosto e admiro dentro do ambient, é uma das minhas influências na hora de compor minhas músicas (apesar das minhas composições passarem bem longe das dela). Também já lançou mais de 9 álbuns. Seus últimos 3 álbuns, Dragging a Dead Deer Up a Hill (2007), The Man Who Died in His Boat (2013), Ruins (2014), são os mais aclamados e que melhor expressam seu som único que traz essa mistura maravilhosa de ambient, drone, experimental e shoegaze. Hammock É um duo americano formado por Marc Byrd e Andrew Thompson. Uma belíssima combinação de ambient, post rock, shoegaze com sua guitarra característica além de batidas eletrônicas e piano. Comumente comparado a Boards of Canada e Explosions In The Sky. Com mais de 10 álbuns lançados, provavelmente é a banda favorita do Spotify para playlists “músicas para relaxar”. Olaf Arnalds É um dos mais famosos cidadãos islandeses, o multi instrumentista e produtor é constantemente associado a seus companheiros islandeses do Sigur Rós. Seus mais de 9 projetos entre álbuns e EP’s transitam entre o neoclássico, indie, experimental e eletrônica. The Album Leaf Começou como um projeto solo do Americano Jimmy LaValle em 1998 e hoje também conta com Matt Resovich, Brad Lee e Dave LeBleu na formação. Seus 6 álbuns lançados, de maioria instrumental, tem influências do post rock, eletrônica e indie. John Hopkins É um músico e produtor britânico. Ele produziu ou ajudou a produzir os álbuns de Brian Eno, Coldplay, David Holmes, entre outros. Seu estilo principal é a mistura de ambient com música eletrônica. Seu próximo álbum se chamará Singularity e em 6 de março, ele lançou o single Emerald Rush que você pode conferir abaixo: Blue Foundation É um grupo de música eletrônica da Dinamarca. Uma mistura de trip hop, ambiente, dubstep, chillout, muitas influências de shoegaze, folk, indie e dream pop. A formação atual conta com Tobias Wilmer e Bo Rande, e a banda ganhou extrema relevância quando a música Eyes on Fire foi tema do filme Crepúsculo. Arms and Sleepers É um duo de trip hop, post rock e música eletrônica Americano formado por Max Lewis e Mirza Ramic. Mais de 10 álbuns lançados desde 2006 e com performances ao vivo marcantes por conta das projeções visuais feitas por Dado Ramadani. Entheogenic O nome da banda por si só já diz muitas coisas “é qualquer substância psicoativa que induz uma experiência espiritual e se destina ao desenvolvimento espiritual.” Esse duo formado por Piers Oak-Rhind e Helmut Glavar é literalmente música ambient psicodélica ou você pode atribuir um gênero pra eles como psychill, psybient, e etc. Vocais do oriente e do ocidente, instrumentos tribais e muito sintetizador se combinam e formam um som único. Robert Rich Lançou mais de 40 álbuns em quatro décadas de trabalho, ajudou a definir a música ambient, IDM e new age, ainda sim seu som é difícil de descrever. Mistura de música atmosférica, dark ambient e experimental. Ele ajudou a desenvolver a especificação MIDI, um padrão que permite a conexão de vários instrumentos musicais eletrônicos. E também construiu seus próprios sintetizadores analógicos no início da carreira, se tornando um excelente engenheiro de mixagem e masterização. David Sylvain É um músico britânico, ele também foi vocalista da banda Japan. Ele combina vários estilos em suas próprias músicas como jazz, rock clássico, experimental e música eletrônica. Já lançou uma infinidade de discos tanto em carreira solo como em colaborações. Ben Frost É um músico e produtor australiano. Tem fortes influências de post punk, black metal e noise em seu repertório que tem muitos elementos de ambient, drone, experimental e eletrônica. 11 álbuns lançados, sendo um deles trilha sonora do filme Super Dark Times e a trilha sonora do jogo Tom Clancy’s Siege iamamiwhoami Projeto sueco de Claes Björklund e Jonna Lee. Não é só música e sim uma entidade multimídia por conta de vários videoclipes lançados no Youtube. Música eletrônica, synthpop, experimental e artpop são alguns dos gêneros nos quais esse projeto se encaixa. Nils Frahm Músico alemão, produtor e compositor conhecido por combinar música clássica e eletrônica com uma abordagem diferente. Mais de 8 álbuns solo lançados, já colaborou com grandes artistas como Anne Müller, Ólafur Arnalds, F. S. Blumm and Woodkid. Röyksopp É um duo da Noruega formado por Svein Berge e Torbjørn Brundtland. Produzem música eletrônica com ambient. Mais de 6 álbuns lançados, são notáveis por conta de muitas músicas serem usadas em comerciais, seriados e filmes. E
Lia Kapp lança Metamorphösis

Hoje, dia 23/02, a artista curitibana Lia Kapp lança seu CD Metamorphösis pelo selo Pessoa Que Voa. Já falamos dela no nosso post sobre mulheres e a cena nacional. Para quem não conhece, a Lia começou a escrever músicas aos 16 anos e aos 17 lançou seu primeiro EP chamado Conflito. Seu novo álbum é sobre sua transformação, trazendo muitas emoções fortes, conta sua trajetória de uma garota imatura até se tornar uma mulher confiante. Eu conheci a Lia por meio de vídeos no Youtube. Disponibilizamos o link no final da matéria, mas posso adiantar que fiquei surpresa com a qualidade deles. É tudo extremamente bem feito, as estórias por trás dos vídeos são fantásticas, a estética que permeia todos seus trabalhos é muito bacana. É uma artista que realmente pensa em tudo, não só na música, mas em todos os detalhes e nuances de seus lançamentos. E com o Metamorphösis não foi diferente, por isso, temos uma entrevista logo abaixo para que você possa conhecê-la melhor e se encantar da mesma maneira que me encantei. Ouça ele aqui: Lia, como você começou sua carreira musical? Eu comecei a tocar instrumentos até que tarde, tinha 15 anos quando entrei pras aulas de teclado, mas sempre tive contato com arte, no caso dança, e também sempre gostei de cantar. Inclusive, quando era criança, eu já fiz muito de roubar microfones e ficar cantando na frente de um monte de gente, sem vergonha mesmo (risos). Mas foi aos 16 anos que a minha arte do modo que é hoje começou a aflorar, que foi a época em que eu comecei a me tornar uma pessoa mais sensível. Com essa idade, compus minha primeira música, Lullaby, ao piano, e, posteriormente, Nightmare. Quando completei 17 anos, terminei de compor as músicas restantes que completaram meu primeiro EP, Conflito. E foi assim que tudo começou de verdade. Quando você visualiza a composição do seu álbum, qual seu processo de criação e, consequentemente, quais as coisas que você leva em conta? O meu processo de criação é muito variado. Existem músicas em que eu compus primeiro o instrumental e depois entrei com a letra, e outras em que a letra surgiu antes. Dead River, por exemplo, acordei com a letra e melodia na cabeça e tirei no piano logo em que levantei. Mas todas elas eu procuro passar o que eu realmente estou sentindo, de forma bem sincera. Pra mim, antes de técnica, o sentimento é a coisa mais importante. Quais as barreiras que você encontra? Às vezes é complicado falar sobre coisas tão pessoais nas músicas. Sinto medo e vergonha. Mas conforme os anos foram passando acostumei e agora consigo cantá-las até que tranquilamente. Muitas vezes acabo chorando durante shows porque elas evocam sentimentos muito fortes. Sobre o que você fala nas suas músicas? Falo sobre o que me emociona de modo geral. Decepções amorosas, tristezas, esperanças, entre outros. O quão importante é ter o apoio das pessoas (seus amigos e das pessoas que admiram sua música) sobre o seu trabalho? É uma das coisas que mais importa pra mim. Eu comecei sem muito apoio, com muito medo, mas fui conquistando a minha família e os meus amigos, que começaram a compreender como eu sou como pessoa e como artista. Hoje posso dizer que isso foi crucial para que eu continuasse a me expressar. Ainda é meio difícil de acreditar que existem pessoas que não me conhecem direito, mas que me admiram por causa das músicas que escrevo. Isso me dá muita esperança, sinto como se realmente houvesse um lugar pra mim no mundo da música e faz eu me sentir especial de alguma forma, fico muito emocionada com o carinho que eu recebo. Quais são as pessoas que você admira na música? Eu admiro muitas mulheres. Chelsea Wolfe é uma das que eu mais admiro. Lady Gaga também, por não ter medo de ser quem ela é. Björk, FKA twigs, BANKS. Quando eu crescer quero ser que nem elas (risos). Também admiro o Marilyn Manson pelo mesmo motivo da Lady Gaga, por não ter medo de nada, por ter a atitude que ele tem. Gostaria de ser assim também, de não ter medo. E agora falando mais especificamente sobre o Metamorphösis, conta um pouco mais sobre ele. Ele é uma das coisas mais bonitas que eu já criei. Representa a história da minha vida, o que eu passei de mais intenso, que foi a minha própria metamorfose. Tudo começou com o Conflito, que foi escrito em 2014. Na época eu era muito imatura, uma criança mesmo, que passava por um grande conflito de personalidade. Logo depois eu me metamorfoseei para uma pessoa melhor. Então comecei a escrever o Metamorphösis em 2015 e decidi que ele iria ser mais “pesado” que o Conflito no sentido de ter bateria e guitarras. São 13 músicas ao todo, onde conto todo o processo da minha metamorfose e todos os problemas emocionais que surgiram ao longo disso. Mas pra entender melhor só ouvindo e lendo as letras mesmo. Quais são seus planos para o futuro? Depois do lançamento você pretende fazer mais shows ou tem algum projeto novo em mente? Tenho vários planos que ainda não posso contar, é surpresa (risos), e peço que aguardem com muito carinho, pois vem muita coisa boa pela frente. Eu estou muito feliz com tudo que está acontecendo na minha vida, os projetos finalmente estão tomando forma e pra cada projeto eu tenho uma equipe que me auxilia muito e estamos todos determinados pra fazer a coisa toda rolar. Tenho muitos planos pra shows também. Além do show de lançamento do álbum em 24 de fevereiro, pretendo tocar em São Paulo em março e tenho mais um show marcado em abril aqui em Curitiba. Sobre novos projetos: sim! Já escrevi meu próximo EP! Está bem diferente do Metamorphösis, mas é muito especial também. Estou muito ansiosa para esse projeto. E sobre esses shows, como eles vão funcionar? Para reproduzir o Metamorphösis ao
Apenas a banda Oxy e terraplana podem salvar o shoegaze brasileiro

O shoegaze brasileiro está vivíssimo! A gente já falou da banda Oxy na nossa lista 15 bandas de shoegaze brasileiro, mas achamos que não foi o suficiente. Apesar das brincadeiras à parte no título, porque felizmente a gente tem inúmeras bandas incríveis do gênero no país, realmente temos que admitir que Oxy e a terraplana vem revolucionando o shoegaze brasileiro. Oxy Formada em Brasília por Sara Cândido, Blandu Correia, Lucas Eduardo Pereira, Marcelo Vasconcelos e Thiago Neves, nos transmite sua genialidade logo de cara ao ver os clipes lançados. O clipe de No Shoes, dirigido e produzido por Enzo Correia, traz uma nostalgia enorme. Apenas de ter nascido no meio da década de 90, essa música me faz sentir como se estivesse vivendo o auge da adolescência em 1994. Embalada pela voz doce da Sara, endossa toda delicadeza e suavidade do dream pop. O segundo clipe, Mad também foi dirigido e produzido por Enzo Correia. Lançado no final de janeiro, assim como No Shoes também faz parte do EP Oxy (2017). Uma atmosfera bem diferente, bem mais escura e com mais influências da música eletrônica, com uma parede de guitarras bem mais acentuada e um pouco mais densa, me traz a confusão da adolescência e o sentimento de tentar achar meu lugar no mundo. Porém o que mais nos encantou na banda veio com o lançamento do disco completo da banda, o Fita (2018). Um disco cativante e que figurou em destaque nas nossas listas de melhores do ano. O álbum traz uma atmosfera cativante, juntando o melhor do dream pop e o melhor do shoegaze e não é a toa que ajudou a figurar a Oxy no hall das melhores bandas de shoegaze brasileiro e também com reconhecimento internacional. A DFKM, rádio online do gênero está sempre tocando algumas das músicas desse disco, a experiência de estar vivendo em algum lugar mágico durante os anos 80 e 90 é real. E por conta do sucesso dos lançamentos anteriores que nós esperamos ansiosamente o próximo álbum da Oxy, com previsão de lançamento ainda no ano de 2021. Se você ainda não se convenceu, segue a banda nas redes: https://oxyuniverse.bandcamp.com/ https://www.facebook.com/oxyuniverse/ https://www.instagram.com/oxyuniverse/ terraplana Outra doce descoberta foi a banda terraplana de Curitiba. Ao questionar qual outro nome poderia salvar o shoegaze brasileiro, essa banda surgiu como forte candidata Formada por Vinícius Lourenço (guitarra e voz), Stephani Heuczuk (baixo e voz), Cassiano Kruchelski (guitarra e voz) e Wendeu Silverio (bateria), a banda tem influências da música alternativa, dream pop, indie, noise e uma forte presença do post rock também. Seu EP, Exílio, lançado no finalzinho de 2017 vem conquistando fãs. Fica impossível não lembrar da icônica frase “Puta merda não existe nada melhor do que músicas feitas por jovens cansados e decepcionados com a vida” já que o álbum foi gravado, mixado e masterizado por Vinícius Lourenço em seu próprio quarto. A faixa Ambedo é impossível não associar a My Bloody Valentine com paredes densas de pedais, vocal distante e etéreo. Outra música memorável é Virou Crime, que expressa todo o peso da existência, a falta de ar e ansiedade que toda a urgência do tempo nos traz. “eu queria me soltar daquilo que pesa sem saber o que falar sou mentira se eu tivesse tempo se eu tivesse tempo pra ser eu mesmo se eu tivesse tempo eu queria me livrar do claustro que é viver” Vida longa a terraplana e estamos esperando mais músicas incríveis! Agradecimentos especiais ao Bruno Jacobovitz pela indicação. Siga a banda nas redes e ouça o novo EP: https://www.facebook.com/terraplanatrrpln/ https://www.instagram.com/trrpln/ https://terraplana.bandcamp.com/releases E se você tem outra banda bacana pra nos indicar, manda uma mensagem no inbox da nossa página!
O show cativante do Turnover

No sábado, dia 9/12, aconteceu o show da banda americana Turnover aqui em São Paulo. A turnê que passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba foi organizada pela Tree Productions. Foi a primeira vez que a banda se apresentou em terras tupiniquins e pela recepção da plateia, acreditamos e esperamos que essa não seja a última. A banda formada em Virginia Beach tem influências do pop punk, emo, indie rock, punk e dream pop, tem como integrantes Casey Getz (bateria), Danny Dempsey (baixo) e Austin Getz (vocal e guitarra). Uma boa aposta em conjunto com a Balaclava Records, foi trazer a mais nova banda do casting, a mineira Kill Moves. A banda começou tímida, certamente ciente da responsabilidade de abrir um show internacional, com um público, que em sua maioria, certamente desconhecia a banda. Porém a Kill Moves veio para surpreender positivamente. Com músicas extremamente agradáveis, provenientes da mistura entre o alternativo, punk, emo, indie e shoegaze, conduziu com graça a apresentação. Vitor Jabour (voz e guitarra), Estevão Maldonado (baixo), Adolfo Lothar (guitarra) e Yago Phelipe lançaram o EP Transition esse mês e ano passado o No Rewind, vieram para mostrar todo o talento que a cena de Minas Gerais dispõe. Prometem ser uma das bandas mais memoráveis nos próximos anos de acordo com as músicas de extrema qualidade que já produziram. Destaco especialmente, o baixista, Estevão Maldonado, que consegue se impor e brilhar num estilo musical que dá preferência as guitarras. Desejo toda a sorte a banda e que venham mais vezes para São Paulo. Quanto ao Turnover, que começou timidamente ao som de Super Natural, foi ganhando o palco, sentindo a vibração da galera e foi conquistando um por um ao longo da apresentação. O público foi a loucura quando a banda tocou as músicas do álbum Peripheral Vision (2015), o mais aclamado e amado pelos fãs. Ouvi vários comentários como “agora o show finalmente começou”. E não é difícil de perceber o porquê dele ser o mais queridinho de todos (inclusive o meu), com suas melodias um pouco mais puxadas para o lado do shoegaze/dream pop e letras extremamente sinceras, me remete ao mesmo sentimento que tenho ao ouvir DIIV. Uma vontade tremenda de pular e dançar contagiou a todos conforme o show foi passando. O disco novo, Good Nature, é bem tranquilo, fácil de ouvir, melodias doces e ao contrário do anterior, remete a extrema calma e suavidade. É um ótimo álbum, mostra uma faceta interessante dos músicos que não poderíamos conhecer nos últimos trabalhos, e principalmente, traz a banda se reinventando, sem parecer mais do mesmo e sem perder a qualidade também. É recente, então é só uma questão de tempo para cair nas graças dos amantes da boa música, pois é impossível não gostar desse disco uma vez que as músicas são performadas ao vivo. O fato é que o show foi facilmente um dos melhores do ano pra mim. O público se comportou com bastante alegria, arrancou sorrisos dos artistas, que já sabiam da fama de amorosos e calorosos que nós brasileiros temos, e ainda sim se surpreenderam com tanto amor que receberam. Uma noite memorável e repleta de bons momentos. SetlistSuper NaturalNightlight GirlHello EuphoriaDizzy on the ComedownHumblest PleasuresI Would Hate You If I CouldSunshine TypePure DevotionButterfly DreamBreezeLike Slow DisappearingNew ScreamBonnie (Rhythm & Melody)Cutting My Fingers Off Encore:Humming Acompanhe a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube Confira mais resenhas de shows.
Top #5: Discos que marcaram
Nesse primeiro post vamos listar cinco discos que marcaram nossas vidas e comentar o por quê, começando com os favoritos da Tatyane. É difícil escolher álbuns preferidos. É difícil pensar nos álbuns que você mais ouviu. É fácil escolher músicas, mas álbuns… A maioria dos álbuns que eu conheço eu não gosto de todas as músicas. Impossível controlar aquela vontade de pular algumas faixas. O hábito de ouvir um disco inteiro e amá-lo eu adquiri quando fiquei mais velha. E mesmo assim, por mais que eu tente, são poucos os artistas que me fazem gostar de um álbum inteiro. Eu poderia citar que quando eu tinha 11 anos, eu não desgrudava do American Idiot do Green Day. Eu cantava, bem sofrida, todas as letras de música. Ou que fui fã de Jonas Brothers e McFLY (prevejo caretas dos leitores) e sabia TODAS as músicas. Até mesmo que cresci ouvindo o Greatest Hits do Queen e The Smiths no carro da minha mãe enquanto viajávamos. Mas decidi citar coisas mais atuais. Esses são CD’s que eu compraria (ou já comprei) e que me trazem boas memórias nos últimos anos. gorduratrans – repertório infindável de dolorosas piadas Todo mundo que interage em alguma rede social ou já passou algum tempo considerável comigo sabe que eu sou fã número 1 de gorduratrans. Esses moçoilos cariocas me conquistaram com seu álbum de estreia e ainda me cativam MUITO com o paroxismos lançado esse ano. Eu poderia citar o paroxismos também, porque no seu pouco tempo de vida, ele já me fez chorar dezenas de vezes. Mas com o repertório eu tenho história. Diferente do álbum novo que é maduro, obscuro. O repertório é cru, honesto. É um turbilhão de emoções. É complicado tentar descrever esse disco com uma palavra, ou algumas palavras, porque ele é muita coisa. É uma mistura de tudo que pode acontecer nessa transição final da adolescência e começo da vida adulta. É sobre se apaixonar e não ser correspondido, é sobre se sentir deslocado e imbecil, sobre tentar descobrir quem você é, tentar se encontrar nessa mistura frenética de guitarras e pedais. É a descrição dos meus últimos dois anos de vida: shoegaze, confusão e rock jovem. E agora você tá esperando o que pra ouvir e concordar comigo? Fernando Motta – andando sem olhar pra frente Esse álbum também me conquistou por ser muito sincero e pessoal. Gosto de poder conhecer os artistas pelos seus trabalhos. Eu acredito que ele mostra muito do que o Nando é. Sem expor ou dizer muito, porque você ainda pode interpretar a música do jeito que você queira. Se ela é sobre amor, sobre futebol, sobre a infância. Tem várias intepretações mesmo que na hora de compor tenha sido qualquer outra interpretação. Mas a essência não se perde, a alma do álbum tá ali, intacta. Se o álbum fosse inteiro acústico também seria muito bonito por conta disso. As referências também são muito bacanas, é um álbum fácil de gostar e pra ouvir a qualquer momento. Alcest – Écailles de lune Meu álbum preferido do Alcest, não que eu não ame muito os outros. Mas esse tem a capa mais bonita que eu já vi, feita pelo Fursy do Les Discrets e o melhor conceito. Ouvi demais esse álbum enquanto voltava a pé da faculdade pra casa, quando viajei pro Canadá. De fato, esse foi o único álbum que levei comigo no celular e eu ouvia ele sempre que podia. Alcest é minha banda preferida e ela reúne TUDO que eu gosto de música. Metal, pedais, as linhas melódicas mais bonitas que já vi, a bateria impecável do Winterhalter, blackgaze (desculpa Neige), shoegaze, gutural, a essência do Neige (que é o melhor musicista do mundo na minha humilde opinião) e tudo que há de bom. Essa preciosidade eu deixo bem guardada no meu coração. The Smiths – The queen is dead Como eu disse anteriormente, eu cresci ouvindo The Smiths, talvez tenha sido isso que tenha me tornado uma adulta melancólica que gosta de ouvir música sobre corações partidos haha. Mas falando sério, The Smiths é uma banda que está presente no gosto musical de muita gente e ainda bem! E eu só me dei conta do quão boas eram as letras da banda quando estudei “I know it’s over” em uma aula de inglês. Provavelmente uma das letras que mais me tocam e que me fazem perceber apesar de Morrissey assumir algumas opiniões que eu discordo, não posso negar que é genial quando se trata somente de música. Eu poderia muito bem citar outros álbuns, mas acho esse bastante icônico e denso. Riverside – Love time and fear machine Riverside é uma das bandas de prog rock que eu mais gosto, são diferentes de muitas bandas do gênero, porque eles misturam técnica e emoção. Música sem emoção pra mim não é nada. E esse álbum é recheado de boas emoções. Mariusz Duda tem uma voz de seda que embala canções muito bem feitas, tivemos nesse álbum um dos melhores guitarristas que eu já vi, o Piotr Grudziński, extremamente talentoso e foi uma grande perda. O show desse álbum, certamente foi um dos melhores que eu já vi. Provavelmente o segundo melhor dia da minha vida. Incrível. Na primeira vez que eu ouvi já me conquistou. Esse álbum é como se apaixonar, é aquele sentimento de como se eu estivesse amando quando ouço, aquele quentinho no coração gostoso.
Ainda não entendemos como o Nordeste não conquistou o mundo
Você já deve imaginar que a cena do nordeste é top, não?! Temos vários artistas da MPB que fazem um sucesso danado pelo país todo. E na cena independente, muitas vezes DIY, não poderia ser diferente. A gente já citou por aqui as bandas: Maquinas, Kalouv, Mahmed, O Mar Cobrindo o Sol, Astronauta Marinho e Brincando de Deus. Também temos selos muito bacanas que apoiam as bandas como a Transtorninho Records, a Banana Records, que vai dominar o mundo e a Fiasco Records. A Gabriella Pompeu (uma das donas da banana records) falou um pouco comigo sobre como é a cena de lá: “A Banana nasceu justamente da necessidade que nós tínhamos (e ainda temos) de ter visibilidade. O Nordeste é muito marginalizado e são pouquíssimos os artistas daqui que conseguem ser conhecidos pelas pessoas das outras regiões. Nossa sorte é que aqui no Nordeste há muito um “se a gente não se ajudar, ninguém mais vai”, então todo mundo é muito unido e visa crescer junto.’’ Separamos aqui alguns nomes para você conhecer as belezas e nuances de gêneros musicais variadas da região. Amandinho A banda não pode ser confundida com o cantor Armandinho, mas até pode se quiser. A banda de Recife sumariza bem o que é o rock jovem, com influências emo, punk e indie rock dos anos 90. Em 2015 lançaram o EP Coisas novas são assim e o icônico Rugby Japonês. São responsáveis pelo selo Transtorninho. Talude Esqueça Talude como a inclinação na superfície lateral de um aterro e lembre-se só da banda de Natal. O grupo tem seu gênero definido como shoegaze psicodélico lançou os EPs Fragmento, Sorry The Trouble e o single Saturday Night/New Amsterdam. Kataphero Com influências de melodic death metal e letras que falam sobre existencialismo, o Kataphero, banda de Natal formada em 2009, traz uma estética pouco explorada dentro do metal, com direito a teatralidade e experimentalismo. Foram lançados dois discos de estúdio, Life (2012) e From Dust (2015). Altamente recomendada para fãs de Septic Flesh e Rotting Christ. Emerald Hill A banda de João Pessoa tem influências shoegaze, post-punk, indie rock e emo. São os donos da Fiasco Records. Já lançaram o álbum Dreams to Come, o single Seasounds e Presciência. Ximbra A Ximbra nasceu de duas bandas a Morra tentando e Dad Fucked and the Mad Skunks. Suas letras falam sobre a realidade de Maceió e seu gênero é “hardcore com música”. A banda possui o álbum A maldição dessa cidade cairá sobre nós e o single às vezes morga. Trave É o projeto solo de Recife, do Thiago Costa. Nos remete a aquele sentimento de frustração de quando a bola quase acerta, mas bate na trave. Possui o álbum 2007 e os EPs 4 e 3. Inner kings É uma banda de Recife que tem influências do grunge, indie rock e stoner. A banda lançou em 2016 o álbum High. Old books room Banda de rock alternativo de Fortaleza. Em 2014 lançaram o álbum Songs About Days e em 2015 o EP the Last Angry Boys in Town. Estão trabalhando no EP Where Do the Wild Dogs Live e seu novo single lançado em agosto se chama Saving Smiles. Melinna É o projeto solo da Melinna Guedes de Maceió. Ela já lançou o single sonhos amigos/estradas douradas, os EPs Pedras no Sutiã e Enquanto Não Durmo o Dia é o Mesmo. Baztian A baztian é uma banda de Maceió que surgiu em 2009. Com influências indie, grunge e emo, em 2012 lançaram o álbum You Lovely Giant e em 2016 Wrong Side of the Shore. Joseph little drop Banda de Natal, com suas inspirações em “filmes exploitation e cult/trashs, cotidiano underground e mitologia brego-sertaneja”. Algumas influências são o emo, lo-fi e punk. Seu álbum chamado Punk José foi lançado em 2016. Ciro e a cidade É uma banda de Natal de rock alternativo, alt-folk, MPB e post-brega. Seu primeiro álbum lançado no começo desse ano se chama Encharcado. Luísa & os alquimistas É uma banda de Natal idealizada por Luisa Guedes, um som que transita entre o cumbia, dubstep, tecnobrega e dub. Seu álbum lançado em 2016, chama-se Cobra Coral com letras em português, inglês, espanhol e francês.
15 bandas de post rock nacional pra você se apaixonar

Há muitas divergências sobre como o termo post rock surgiu, assim como sobre o que ele é exatamente. Alguns dizem foi primeiramente usado para definir o álbum Hex da Bark Psychosis em 1994, outros dizem surgiu no final da década de 80 na Europa. Ainda temos os que afirmam que o post rock veio para renovar famigerado o rock, usando elementos do post-punk, do jazz, da música ambiente, do rock progressivo, e também criando novos timbres, explorando diversos tipos de pedais e experimentações musicais. Se eu pudesse definir o post rock de maneira bem singela e com bastante humildade, diria que é um estilo musical que toca o coração. As bandas mais bonitas que eu conheço utilizam elementos de post rock em suas composições. Seja instrumental em sua maior parte ou não, uma música agitada ou mais calma amplamente utilizada em playlists para estudar e relaxar. Se acaba misturando elementos de shoegaze, música eletrônica, math rock ou new age. É claro que você conhece ou provavelmente já ouviu falar de nomes como Sigur Rós, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai, God Is An Astronaut, Explosions in the Sky e Tortoise. No Brasil nós também temos bandas incríveis, tive mais de 25 bandas em uma lista prévia e tive que selecionar apenas essas 15 superbandas de post rock nacional que valem a pena conhecer: maquinas É uma banda incrível de Fortaleza – CE formada por Allan Dias, Roberto Borges, Samuel Carvalho, Gabriel de Sousa e Ricardo Guilherme Linsque, que mistura elementos de post rock com shoegaze, noise e slowcore, influenciada por movimentos dos anos 80 e 90. Seus singles são mal-agradecido (2016), zolpidem (2015) e o EP maquinas (2014). Seu álbum lado turvo, lugares inquietos lançado em 2016 é definitivamente um dos melhores álbuns que eu ouvi nos últimos tempos. A banda há pouco fez uma turnê no sudeste celebrando o álbum. Uma banda que você não pode perder a oportunidade de ver ao vivo. Facebook | Bandcamp | Youtube O Mar Cobrindo o Sol É um projeto de um homem só, do músico B.F. (como gosta de ser chamado) de Vitória da Conquista – BA que se mistura com elementos de shoegaze, lo-fi, e dream pop que possuem a mesma alma de seus outros projetos como Gray Souvenirs e Lumnos, que são mais puxados pro metal. O seu primeiro EP, chamado Por Aqui Nada é o Que Parece tem um som melancólico que marca o tom do projeto, que recebe a seguir o álbum Nível de Volatilidade, extremamente recomendado àqueles que querem sofrer um pouco sobre um coração partido com esse disco. Facebook | Bandcamp | Youtube Kalouv É uma banda de Recife – PE formada por Basílio Queiroz, Bruno Saraiva, Rennar Pires, Saulo Mesquita e Túlio Albuquerque. Conta com o álbum de estreia chamado Sky Swimmer, que aparece em algumas listas como o melhor álbum de 2011, em seguida o álbum Pluvero de 2014, que fez mais sucesso ainda saindo em jornais importantes e blogs da cena independente. Conta ainda com singles Boa Sorte, Santiago e Planar Sobre o Invisível. Em 2017 lançaram o álbum Elã, bastante aclamado e reconhecido entre as listas de melhores do ano. O último single lançado foi o Talho (2020) em parceria com o Boogarins. Facebook | Bandcamp | Youtube E a terra nunca me pareceu tão distante É o nome do quarteto de São Paulo – SP de música instrumental formado por Lucas Theodoro, Luden Viana, Luccas Villela e Rafael Jonke. Seus trabalhos são o EP homônimo lançado em 2014, o EP Vazio e o single Medo de Morrer | Medo de Tentar. A banda ganhou seu espaço no cenário musical independente divulgando o post rock nacional, fazendo shows constantes em São Paulo, e também abriu em outros estados para bandas internacionais. Em 2018 lançaram o disco Fundação e seu último lançamento foi Quando o vento cresce e parece que chove mais (2020) em parceria com o Sentidor. Facebook | Bandcamp | Youtube Labirinto Labirinto é de São Paulo – SP e nossa representante de post rock/post-metal da lista. É formada por Erick Cruxen, Kiko Bueno, Luis Naressi, Hristos Eleutério e Muriel Curi. Seus álbuns são Anatema (2010), o split Labirinto & Thisquietarmy (2013), e o célebre Gehenna (2016) e seus singles são Masao (2014), Labirinto & Thisquietarmy (2013) e Kadjwynh (2012). A banda já fez shows bandas grandiosas como God is an Astronaut, MONO, Alcest, Year of no Light, Stephen O’Malley, Mouse on the Keys e The Ocean. Facebook | Bandcamp | Youtube Mahmed É uma banda muito bacana de Natal – RN que faz um som experimental praticamente indescritível de tantas misturas e influências que nos deixa exatamente como primeira faixa “AaaaAAAaAaAaA” do disco Sobre a Vida em Comunidade, lançado em 2015, possui também os singles Ciao, Inércia (2016), Shuva (2015) e Domínio das Águas e dos Céus (2013). Formada por Walter Nazário, Dimetrius Ferreira, Leandro Menezes e Ian Medeiros, a banda já se apresentou no Coquetel Molotov (Recife), DoSol e Mada (Natal), Mundo e Hacienda (João Pessoa), Picnik (Brasilia), Mimpi Film Fest (Rio de Janeiro) e Balaclava Fest #2 (São Paulo). O Mahmed faz um show incrível e surpreendente que vale muito a pena ver! Facebook | Bandcamp | Youtube Salvage Banda do Rio de Janeiro – RJ que mistura elementos de música experimental com math-rock formada por Herbert Santana, Henrique Araujo, Ingo Lyrio e Victor Cardoso. Seu único single é chamado MΔE com 4 faixas lançado em 2014. Facebook | Bandcamp | Youtube Astronauta Marinho É uma banda de Fortaleza – CE, formada por Felipe Lima, Rafael Viana, Caio Cartaxo, Chagas Neto, Guilherme Alvez e Daniel Lima, é altamente influenciada pela cidade, e por suas experiências pessoais e musicais, misturando elementos experimentais e alternativos. Lançaram 3 álbuns: Menino Sereia (2014), Astronauta Marinho – Estúdio Som Livre (Ao vivo) (2017) e Perspecta (2018). Facebook | Bandcamp | Youtube Ruído/mm Banda de Curitiba – PR, fundada em 2003 que mistura elementos de música experimental com noise e rock psicodélico. Formada por
Steven Wilson – To the Bone (2017)

Steven Wilson é conhecido por seus trabalhos com as bandas Porcupine Tree, Blackfield, Storm Corrosion e No-Man como por sua carreira solo. A primeira música é To the Bone que por ser a música título do álbum creio que deveria ter mais peso. É uma música um tanto quanto genérica para ser sincera, não chama muita atenção. E se for comparar com os últimos trabalhos e com o potencial que sabemos que Steven Wilson tem, vai perder feio. Deixando o ser ranzinza de lado, a segunda música é Nowhere Now, que quebra um pouco o clima genérico deixado pela primeira música, continua muitíssimo pop como deve ser. Pariah é a terceira música do álbum e merece um coraçãozinho ao lado, realmente essa música é de longe a melhor. Tanto que quando foi lançado o vídeo do SW e da Ninet Tayeb que colabora nessa faixa, eu a ouvi uma vez e ela grudou na minha cabeça de um jeito muito bom. A melancolia presente nessa faixa remete a outras músicas de outros álbuns que me agradavam imensamente. Essa é uma música para você deitar no chão geladinho do banheiro e pensar em toda sua vida enquanto solta suaves lágrimas. The Same Asylum As Before é a faixa seguinte, sem muitas emoções provocadas como a anterior. Porém com uma pegada diferente das suas irmãs pops do início. Até vejo a tentativa de fazer algo diferente, mas não obteve muito sucesso. Refuge traz de volta um pouco do clima melancólico de sua amiga Pariah, mas não é tão memorável. Permanating é de longe a música mais feliz do álbum, a gente pode notar isso no clipe também, é bom que uma vez que você o assiste, não vai conseguir esquecer. (Clique aqui cuidado ao clicar você poderá ser contagiado com alegria colorida extrema). Provavelmente é a música que eu menos gosto, é muito feliz para minha alma shoegazer aguentar. Blank Tapes é bonita, a voz do SW se mistura lindamente com a voz da Ninet nessa faixa, achei extremamente curta, deveria ser um pouco mais longa para que os fãs tristes pudessem aguentar o disco até o final. People Who Eat Darkness repete a fórmula genérica novamente até a metade, quando parece que vai engrenar para algo muito bom, mas volta ao começo sem progressos. Song Of I lembra um pouco músicas que tocam em filmes em momentos de suspense. Mas nada realmente acontece. Detonation continua um pouco do clima deixado pela última, com a exceção de um solo de guitarra que explode depois dos dois minutos de música. Ainda bem que fez jus ao nome e que trouxe uma nuance energética para recuperar o fôlego. É a mais “prog” do álbum e a mais longa. Um pequeno alívio eu diria. Song of Unborn é a última, soa realmente como uma despedida, por mais clichê que isso possa soar. SW se encontra triste em terminar seu álbum e nos entrega um presente 7/10 que parece pertencer a seus álbuns antigos. Uma pequena luz no túnel haha. Devo dizer que sempre admirei bastante os trabalhos do SW em sua maioria, No-Man não dá pois é extremamente sem graça mesmo. E que algumas músicas foram um pouco dolorosas de ouvir, quis pulá-las mesmo que fosse obrigatório ouvir. A tática de intercalar as canções mais felizes com as um pouquinho mais tristes foram boas, assim pelo menos conseguimos ouvir o disco até o final ainda esperando pelo que ele tem a oferecer. Essas que eu quis pular me lembraram muito aquelas que a gente costuma ouvir na rádio e mudar de estação quando ela começa, ou simplesmente nada memoráveis que você nem tem curiosidade de saber quem é o artista. Steven Wilson é um artista incrível, que talvez esteja buscando também um novo público, e espero que esse álbum seja uma fase de experimentação e que não caia no espiral que Coldplay caiu de fazer músicas extremamente tediosas e que nunca mais saiu. Você pode pensar que ele não consegue fazer música ruim, mas consegue sim às vezes.