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Terraplana já salvou o shoegaze com álbum “natural” (2025)

terraplana natural

Terraplana, como já escrevemos aqui, é uma das bandas que veio salvar o shoegaze nacional. E salvou muito bem. Em 2025, decidiu salvar novamente. E esperamos que continue salvando todos os anos. É um orgulho tremendo ver uma banda que acompanho desde o comecinho crescer tanto, se desenvolver tanto, ganhar muitos fãs de bolhas que ultrapassam o que a gente conhece como cena, estourar no Tiktok e em canais de esquerda (proletários de todos os países, uni-vos em prol do shoegaze). Ver pessoas jovens e mais velhas curtindo os shows, comprando merch e compartilhando esse som tão incrível. Mais incrível ainda é vê-los alcançando sucesso internacional, fazendo shows nos EUA e não duvido nada que logo mais tenhamos turnê na Europa. Me enche de satisfação e orgulho ver o shoegaze brasileiro sendo reconhecido internacionalmente por pessoas tão legais e comprometidas com seu som e sua essência. Nos faz lembrar do poder da música e de como ela pode transformar as coisas pra melhor. Eu não tenho palavras, mas vou tentar achá-las, prometo. O lançamento do disco “Natural” é um fenômeno que você não pode perder. Para mim, esse disco tem muita vibe de filme independente jovem alternativo, coming of age, vivendo na cidade, aproveitando a noite, uma experiência introspectiva e solitária. Apesar de eu ser muito fã de um reverb na voz, a Terraplana diminuiu consideravelmente esse efeito, também diminuiu as paredes de som que levavam esta jovem senhora que vos escreve à loucura. Um dia eu faço um movimento para trazer as paredes de som pesadonas de volta, mas hoje é o dream pop quem vai protagonizar. Shoegaze ou a mistura com seu primo mais acessível – dream pop – é a língua dos anjos, pode muito bem ser entendido e cantado junto perfeitamente nesse álbum. Nele também temos uma presença mais marcante vocalmente do Vinícius Lourenço, nosso Kevin Shields brasileiro, em faixas como “Amanhecer”, que é uma das músicas que eles já estavam tocando em shows há algum tempo. Gostei muito de ouvir as vozes mais presentes e pulsantes, apesar de dificilmente eu não gostar de algo que eles lancem. Neste caso, não há certo ou errado, mas o diferente é bacana. “Charlie” foi uma excelente escolha para ser um dos singles lançados antes do álbum completo. O refrão me traz uma sensação de familiaridade, e não é só porque acompanho a Terraplana desde o comecinho, mas por essa vibe noventista e nostálgica, aquela sensação de achar que viveu coisas que só viu nos filmes. O baixo de “Hear a Whisper”, começando super pujante, mostra que a escolha da Stephani Heuczuk como uma das inspirações da nossa lista de mulheres baixistas não foi à toa. E ter trazido a querida e adorável Winter para essa colaboração foi uma escolha muito certeira. Foi uma forma de trazer uma artista brasileira talentosíssima que brilha na cena independente americana e, ao mesmo tempo, uma maneira de a Terraplana ser mais conhecida e divulgada lá fora. Cantando em inglês ou português, shoegaze é a língua dos anjos, e, assim como nós apreciamos um bom shoegaze japonês, chinês e coreano sem entendermos nada do que está sendo cantado, os gringos também podem apreciar nossa música. “Todo Dia” me traz uma vibe muito dream pop, ainda mais com a combinação dos vocais da Ste e do Vini, alternados, às vezes funcionando como um diálogo, com uma melodia mais calma, cada um cantando sua parte e se complementando lindamente. “Desaparecendo” é um dos pontos altos para mim: mais pesadona, com mais paredes de som como a gente gosta, um vocal mais reverberado, muito forte e muito presente. Possivelmente, uma das músicas que a plateia mais vai gostar nos shows. “Horas Iguais” segue com o baixo pesadão, guitarras mais limpas, com foco total no refrão, que gruda muito facilmente na cabeça. E riffs muito bons que te fazem querer voltar a tocar guitarra. Assim como “Airbag”, que vem em sequência no álbum, começando mais presente e pesada, me trazendo referência a outro álbum célebre, “Frog in the Boiling Water”, do DIIV. Não sei se chegou a ser uma referência para eles, mas continua muito presente na minha cabeça e eu ainda continuo completamente obcecada. “SNC” também é outra faixa que traz os vocais do Vini mais presentes, contrastando muito bem com a doçura dos vocais etéreos da Ste e um efeito de pedal muito interessante, certamente trazido pelo Cassiano Kruchelski, que manda muito bem nas guitarras desse disco, com muita inspiração e talento. Eu também não poderia esquecer das baterias do Wendeu Silverio, que brilhou muito e foi crescendo e se desenvolvendo a cada álbum, mostrando seu talento e desenvoltura ao longo dos discos. “Morro Azul” nos despede desse álbum, mostrando que a Terraplana não é uma das minhas bandas preferidas à toa. É um orgulho tremendo poder presenciar o desenvolvimento desses jovens, vê-los tocando em outros países, ver cada vez mais pessoas andando com a camiseta deles no metrô, ver muita gente se apaixonando e se conectando também com esse som maravilhoso. Eu não posso dizer que “Natural” superou, para mim, o que foi “Olhar pra Trás”, já que esse é simplesmente o disco mais perfeito e sem defeitos lançado neste país. Porém, foi mais um excelente lançamento da nossa querida Terraplana. Eu ainda não superei “Olhar pra trás” e acho que vai demorar para que outro lançamento ocupe esse lugar tão cativo no meu coração, porém “Natural” pode facilmente figurar em segundo lugar, coração de mãe sempre cabe mais um álbum. Com certeza, vai ser incrível poder ouvi-lo ao vivo e cantar junto em abril. Aguardo vocês em São Paulo, Terraplana. Voem muito e ganhem o mundo, vocês merecem, meus queridos. Acompanhe terraplana nas redes: Site Spotify Bandcamp Instagram Youtube

Heretoir e a simpatia do blackgaze

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Sexta feira santa é a data perfeita pra ver um show de uma banda de blackgaze/DSBM/atmospheric black metal alemã chamada Heretoir que eu jamais pensei que poderia ver no Brasil. Algumas bandas similares do gênero podem ser citadas como Deafheaven, Alcest (essas duas sendo as mais mainstream do gênero), Lantlos, Amesoeurs, Unreqvited, Les Discrets (saudades), Coldworld, Ghost Bath, Sylvaine e por aí vai. Particularmente gosto muito de todas essas que citei, e sou bastante fascinada tanto pelo blackgaze quanto pelo DSBM. Acho incrível a união do shoegaze com o black metal que podia parecer algo improvável, mas que soa tão bem e fica maravilhoso. E o DSBM tem o poder de consolar o coração de jovens depressivos por aí. Já tive minhas fases de só ouvir isso boa parte do dia, agora depende do meu estado de humor. Mas enfim, voltando a banda Heretoir. Foi criada em 2006, porém seu primeiro álbum full length homônimo só foi lançado em 2011. Justamente na época que bandas como Alcest, Les Discrets e Lantlos também lançavam álbuns que hoje em dia seriam relembrados como os mais marcantes do gênero. Em 2012, viria o álbum Substanz com algumas regravações do primeiro álbum e algumas faixas bônus. Em 2017, foi gravado aquele que pra mim e para muitos fãs da banda é o melhor e mais marcante álbum. The Circle pra mim é um dos melhores do blackgaze em si. A qualidade e a riqueza das músicas é um tesouro eterno. Recentemente, em 2023 lançaram o álbum Nightsphere e em 2024 anunciaram uma tour pela América Latina. O som estava muito bom, fiquei surpresa pela qualidade do som, eu nunca tinha ido na casa de shows House of Legends, que é uma casa que cabe umas 200 pessoas em média lá em Pinheiros. Me surpreendeu positivamente a quantidade de fãs no local, fiquei feliz com a aderência do público ao show em um feriadão. O vocal do Eklatanz é impressionante, uma potência vocal tremenda, com uma qualidade tão boa quanto do álbum. Foi incrível poder presenciar seus guturais e seu vocal limpo ao vivo. A banda cheia de carisma, simpatia e gentileza com o público. Pareciam genuinamente felizes de tocar por aqui, porque é algo que nem os fãs imaginavam e provavelmente nem eles também. Sempre chamando o público pro headbanging, por vezes podia ver a plateia se emocionar e fazer o headbang ao som da música, porque essa é a verdadeira forma que o metaleiro mostra que está gostando da música. Impossível não se contagiar. Pra mim os pontos altos foram as músicas do The Circle sendo tocadas, muito bonitas e músicas que me tocam bastante. Por diversas vezes senti o vocalista Eklatanz bastante emocionado e bem feliz. Um cara extremamente simpático e gente fina, além de muito talentoso e com uma presença de palco fenomenal. Foi um show que vou guardar na memória com muito carinho, apesar de não ter visto inteiro, porque moro longe e precisava pegar o trem (o drama do proletariado). Espero ansiosa pela volta deles, com outros álbuns, talvez em algum festival colaborando com outros artistas e com o talento de sempre. Setlist:ExhaleTwilight of the MachinesHeretoirFatigueGraue BautenGolden DustWastelandsThe Circle (Omega)Just for a Moment (Austere cover) (Only Eklatanz up on stage)Eclipse Acompanhe a banda nas redes: Facebook | Instagram | Bandcamp | Site

Wagner Almeida – Com Cuidado

Wagner Almeida - Com Cuidado

Faz um tempo que eu não posto por aqui. Às vezes por falta de inspiração, às vezes por ser atropelado por outras esferas da vida. O dia a dia tem sido cansativo demais pra gente poder se dedicar aos hobbies e coisas que a gente de fato gosta. Só o capitalismo como sempre minando o que há de melhor em nós. É o que dizem: trabalhe com o que você gosta e termine odiando o que você gosta. Mas, enfim… Eu não vou prometer uma frequência de postagem, mas o que eu acabo sempre fazendo é falar toda vez que o Wagner Almeida solta um disco novo. E estou muito triste de essa ser a última vez que escrevo sobre um lançamento dele na carreira solo, com esse nome e essa identidade. O Wagner é um dos meus artistas favoritos de longe. Quem acompanha o blog sabe que eu sou fã irremediável dele e de todas as coisas que ele lança. Quando ele lançar mais coisas sob novos nomes, projetos e bandas, também estarei lá para ouvir. Eu demorei um pouco pra conhecer o primeiro álbum dele Crescimento/desistência (2018). Apesar de vários blogs terem escolhido esse disco como um dos melhores do ano. Eu tô sempre perdida nos lançamentos (e na vida em geral), porém esse álbum foi amor à primeira ouvida. E tudo que veio depois dele também. Esse provavelmente é o álbum xodó de muita gente, mas eu tenho mais história com o Domingos a Noite (2019). Se fosse um cd físico (que eu também tenho) teria riscado de tanto ouvir.  Essas músicas me acompanharam em bons e maus momentos, muito mais em bons do que qualquer coisa, porque elas estavam lá comigo. Naqueles minutos que você ouve depois de enfrentar uma onda de raiva, os primeiros acordes te acalmam. No geral, o poder dessas músicas é de me acalmar e me fazer chorar. Nem sempre esse é o intuito, eu sei, mas é o que acontece. Letras sempre tão pessoais, mas que me atravessam de uma maneira como se aquilo tivesse acontecido comigo. Ou que eu posso muito bem relacionar a algo que eu vivi. Talvez por sermos da mesma geração, estarmos vivendo nesse momento no aqui e agora, sob a influência das mesmas condições. Uma geração de jovens tristes, angustiados, preocupados com o futuro e sem certeza de nada. O coming of age forçado, que a gente amadurece na marra, deixando para trás os amigos, as memórias e as vivências da adolescência. A vida adulta tem muito menos coisa legal do que imaginávamos, é muito mais cinza do que colorida. Esse contraste com as cores que a gente conseguia enxergar na adolescência e agora não consegue mais.  E eu vejo isso muito claramente nos trabalhos do Wagner quanto na vida em geral, pré-pandemia um cenário esperançoso, vivaz. E na pandemia e pós pandemia, a sociedade do cansaço, onde as responsabilidades tomam conta da gente, nossa personalidade, essência e quem nós somos ficam em segundo ou terceiro lugar. Em primeiro ficam todas as preocupações e emprego. É preciso muito mais do que férias, mais do que férias um do outro. Receber o e-mail com o álbum “Com Cuidado” na minha caixa foi uma das surpresas mais gratas dos últimos meses. Aliás, receber música nova do Waguinho é sempre uma alegria pra mim. E tenho ouvido esse álbum constantemente nas últimas semanas, acredito que pra muita gente já que a receptividade do público nas redes sociais tem sido grande desde o lançamento dos singles “Primordial”, “Saldo” e “Simples e Legal”. Nesse disco o Wagner vem com banda cheia nas gravações, contando com outro grande artista que admiro muito, o Fábio de Carvalho nas guitarras que já escrevi muito sobre aqui no blog, Gabriel Elias Sadala também nas guitarras e trompete, Clara Borges no baixo, João Pedro Silva na bateria e Mateus Gregs nos sintetizadores. É uma super banda que trouxe muito mais corpo e densidade para as músicas. Eu gosto muito do estilo de gravação “sozinho no quarto” do Wagner, porém achei que trazer uma banda completa foi uma decisão excelente e muito bem acertada.  Você pode ouvir o disco aqui: https://wagneralmeida.bandcamp.com/album/com-cuidado Wagner Almeida – Com Cuidado – Faixa a faixa O disco começa com a faixa “Irrompe”, muito marcada pelo violão no começo e depois pela entrada do restante da banda. Tímida, depois vai crescendo e explodindo. É uma boa escolha para abertura do álbum, pois seta o tom e nos apresenta uma pincelada do que virá daqui pra frente. É uma música longa, com 10 minutos, o que a faz ter várias nuances, se alternando entre dedilhado no violão como no início e trechos com banda completa que em vários momentos soam como uma parede de som advinda de discões célebres do shoegaze. Apesar de eu não considerar as músicas do Wagner como shoegaze, e sim como um folk, um rock alternativo, mais puxado para o lofi, dá pra ver claramente como o shoegaze tem bastante influência no que ele faz. O trompete nas músicas me traz muito para o midwest emo, principalmente uma vibe muito American Football. A segunda faixa é “Saldo” que foi um dos singles que vieram antes do lançamento oficial. Wagner nos contou nas redes sociais como foi o processo de composição das letras dessa música, que se não me engano, alguém lhe falou algumas palavras e ele foi criando em cima disso. Ele quis dizer que com isso nem todas as músicas tem algum significado muito complexo e elaborado, e que muita coisa pode virar música assim, do nada. E Saldo saiu assim, uma música muito boa por sinal, mais animada.  A música seguinte é a “5401”, também com a temática de ônibus como a 33, mas bem menos triste, com guitarras muito marcadas. Eu gosto de música de ônibus, especialmente músicas que fazem a gente refletir ou chorar no ônibus pensando na vida. Depois vem “Com Cuidado” em parceria com o Gustavo Scholz, bem mais shoegaze triste e reflexiva,

Fábio de Carvalho e Wagner Almeida: da introspecção ao visceral e as lágrimas

fabio de carvalho

Já tem uns dois meses que esse show aconteceu, mas eu só decidi terminar de escrever sobre ele agora. Rascunhei algumas coisas no dia seguinte ao show, mas nada me pareceu bom o suficiente. Depois de tanto tempo de hiato do blog, eu já não sabia mais se era possível escrever como eu escrevia antes. Tudo parecia melhor antes. Mas, enfim, vou escrever assim mesmo. No dia 22/01/23 aconteceu o show do Wagner Almeida e do Fábio de Carvalho em São Paulo. Confesso que eu esperei por um show do Fábio desde 2016, desde que o vi tocando pela primeira vez com a El Toro Fuerte na finada casa de shows chamada Breve. Foi nesse dia que conheci artistas incríveis que iriam me fazer gostar de muitos outros artistas incríveis e que também seriam um dos motivos para começar esse blog com o meu amigo Fábio Braga. Por ter esperado tanto por esse show, a expectativa era alta, e ela foi atingida e superada. Também esperava por um show do Wagner Almeida desse um pouco antes da pandemia, desde a sua passagem por São Paulo em 2019. Show esse que me emocionou muito (talvez eu tenha uma regra subentendida de sempre chorar bastante nos shows do Wagner) e todas as músicas que o Wagner lançou durante a pandemia foram meu mantra e meu grande apoio nesses tempos tenebrosos. Nem o Fábio e nem o Wagner têm ideia de quantas vezes eu me acalmei ouvindo suas músicas, de quantas vezes eu estava prestes a pedir demissão e dizer “foda-se essa merda”, mas respirei fundo, contei até 10 e lembrei de todas as contas que eu tenho pra pagar. Das vezes que chorei porque tive um coração partido, ou simplesmente quis acolher minha melancolia interior que me segue desde sempre. Das vezes em que as músicas falaram profundamente comigo, como se eu tivesse vivido todas as situações que eles descreveram, como muitas daquelas coisas também aconteceram comigo ou pelo menos acho que aconteceram. Parece tudo tão vívido e real, que por um instante parece que eu poderia escrever aquilo, se eu fizesse isso tão bem quanto eles. Assim como o Fábio e o Wagner escrevem sobre suas verdades, eu também tento escrever sobre as minhas. Ao longo dos anos alguns artistas que eu gostava antes já não fazem mais tanto sentido, mas esses dois têm um espaço cativo no meu coração. Seja pelas centenas de situações que eu passei e em que suas músicas me apoiaram, seja por sempre tratarem com doçura e atenção todos os fãs que se aproximam, pelo talento gigantesco e pela capacidade de moverem as pessoas de maneira sempre positiva. Eu sei que eu sempre pareço puxa-saco demais, mas eu tenho que falar o que eu acho que é verdade. E esses dois merecem todo o sucesso do mundo. Acho que a maioria das pessoas que estavam presentes no show provavelmente se emocionaram tanto quanto eu. Shows intimistas tem o poder de despertar isso na gente, quando só tem voz e violão (ou guitarra), parece que você se expõe mais, todo mundo tem só um lugar pra olhar, atenção plena e emoção à flor da pele. As letras te atingem de maneira mais forte, e quando você percebe, está chorando ao presenciar o momento, sem quaisquer lembranças de momentos anteriores. Eu tenho meus próprios motivos para chorar sobre músicas específicas, mas me vi chorando com outras músicas, como com Sob Nova Direção do álbum Eu Enterrei Uma Semente Aqui (2022). Obviamente essa música é imensamente triste, mas dessa vez ela despertou uma tristeza mais visceral, como se finalmente estivesse caindo a ficha. Outro tipo de emoção foi despertada quando Fábio de Carvalho cantou as músicas do disco Anjo Pornográfico (2021), e aqui vou ter que usar o visceral de novo, mas dessa vez como uma espécie de raiva guardada, um grito reprimido. Acabei gostando mais desse disco depois de ter visto sua performance ao vivo. É um disco diferente de tudo que o Fábio já havia lançado, um disco mais maduro, mais pesado, mais cru no sentido de deixar as emoções fluírem mais livremente, sejam elas quais forem, mais honesto. O conflito com deus presente mais uma vez, nisso a temática se repete das composições anteriores, e talvez esse seja um assunto infindável (pelo menos pra mim). Eu sinto como se desde a pandemia as pessoas estivessem cada vez mais carentes por emoção, aflitas por sentirem alguma coisa, qualquer coisa que se sinta, parafraseando Arnaldo Antunes. Então shows como esses vem em boa hora. Eu espero que os próximos shows não demorem tanto a acontecer, que produtores e casas de shows locais abram cada vez mais espaço para artistas independentes. É verdade que eu ficarei bem órfã quando o projeto Wagner Almeida tiver seu fim, no lançamento do próximo e último álbum, conforme anunciado em seu Instagram. Me acostumei mal com tantas músicas boas lançadas em um curto período de tempo, com a certeza de que em breve eu terei um álbum fresquinho e muito agradável me esperando. O Wagner deixou seus fãs mal acostumados. Com quais músicas irei chorar e ao mesmo tempo alinhar meu chakra daqui pra frente? Lamúrias à parte, desejo boa sorte e confio que todos os próximos projetos que ele lançar e participar terão a mesma qualidade e bom gosto de tudo que ouvi até agora. A fã continuará por aqui para o que der e vier. Me despeço com saudades desse show que já se passou e esperando ansiosamente pelos próximos. Até breve! Setlist Wagner Almeida: Cabo FrioFrank OceanSob Nova DireçãoMedo de VoarFaces, LugaresAvenidaFériasAfogarAcordarPeixe GrandeAo Meu Melhor amigo33 Setlist Fábio de Carvalho: FogoMão Vermelha No Coração da NoiteObsessorImagens (Jards Macalé)SábadoSobre uma festaPaz ImensaO amor é Aproveite para seguir os artistas nas redes: Bandcamp Wagner Almeida Bandcamp Fábio de Carvalho Instagram Wagner Almeida Instagram Fábio de Carvalho

Sylvaine: emoções guiadas pelo celestial e o caótico

Sylvaine é a trilha sonora de paisagens geladas e desoladoras, um som que transita entre o celestial e o caótico, onde transluzem sentimentos profundos e também a busca por eles. A mente por trás do projeto é a multi-instrumentista Kathrine Shepard, nascida em San Diego, Califórnia, a cidade de seu pai, mas é em Oslo, na Noruega, a terra natal de sua mãe e também em Paris que ela vive. A música sempre foi algo fundamental na vida de Kathrine desde muito jovem, e foi dessa forma que ela buscou se expressar e também se encontrar em meio a sentimentos conflitantes. Foi em 2013, na cidade de Oslo, que surgiu a ideia de criar um projeto pessoal chamado Sylvaine. A proposta era fazer um som influenciado por gêneros como shoegaze, post-rock e black metal. Embora alguns classifiquem sua música como post-black metal, o mais justo seria sugerir algo como um metal atmosférico, visto que existem diversos elementos incorporados. Aqui nós já falamos dela anteriormente nas indicações de blackgaze, nicho onde ela mais se destaca e é frequentemente lembrada em indicações do gênero. Muito provável que você já ouviu falar do termo ‘one man band’ (banda de um homem só), que nada mais é do que um único músico responsável por tocar todos os instrumentos em uma banda. Aqui temos uma ‘one woman band’ (banda de uma mulher só). É Sylvaine que toca todos os instrumentos nas músicas, ao vivo ela conta com o suporte de um grupo de músicos, fazendo com que shows e turnê se tornem possíveis. O primeiro disco ‘Silent Chamber, Noisy Heart‘ foi lançado em 2013, e tem 11 músicas, inclusive, traz uma bela foto na capa, certamente influenciada pela pintura Ophelia de John Everett Millais. Nesse primeiro álbum, ela explora timidamente seu gutural poderoso, um álbum carregado de sentimentos comuns ao ultrarromantismo (período também conhecido como segunda geração do romantismo), e também ao spleen de Baudelaire, o fundador da poesia moderna. Um álbum subestimado, mas que marca presença no nosso coração e desperta sentimentos intensos. The world outside is laid to restOvertaken by darkness Loneliness protrudes within The sonnet soon to begin Trecho da música Silent Chamber, Noisy Heart Em Wistful (2016), seu segundo disco, notamos uma direção diferente, um equilíbrio entre momentos pesados a outros mais melódicos, gerando aquele sentimento de calma antes da tempestade. Essa bela fusão cheia de paisagens sonoras incríveis traz uma forte identidade ao som, Sylvaine alterna seus vocais em uma dualidade entre algo mais sutil e bonito a outros mais agressivos e selvagens, uma mistura que provoca um clima profundo, real e que dialoga bem com as nossas mudanças e percepções sobre a vida. Assim como essa dualidade e ondas de emoções que por vezes nos sufocam, são brilhantemente expressadas por Sylvaine nesse álbum. Atoms Aligned, Coming Undone (2018), o terceiro disco, mantém a essência de Sylvaine, que é compartilhar seus sentimentos referentes a essa dualidade de dois mundos, o belo e o caótico, o conflito interno e externo. Porém de uma maneira mais dark uma vez que encontrou seu nicho, decidiu explorar aspectos que a ajudaram a se consolidar no cenário do metal. Esse álbum é catártico, explora extremos como nunca antes visto. Mørklagt é uma das músicas mais brilhantes e emocionalmente significativas pra mim. Mesmo com suas letras em norueguês, é possível compreender tudo que ela expressa mesmo sem saber qualquer palavra no idioma. Os sentimentos são tão intensos que você se sente arrebatado, atingido de surpresa por um poder extremamente forte, preenchido pela bateria, e levitando com a parede de som e os vocais magníficos. É um sentimento tão intenso e poderoso que te transporta para outro mundo. O lançamento mais recente é o EP Time Without End (2020), em parceria com Unreqvited um artista que também faz blackgaze/atmospheric black metal de primeiríssima qualidade. ´É claro que a parceria desses dois artistas não poderia resultar em um EP que fosse algo além de incrível. Carregado de melancolia e uma tremenda sutileza, uma tristeza acolhedora. O vocal de Sylvaine é tão etéreo junto a piano quase nos faz flutuar em doces melodias, nos abraça e nos guia nesse caminho tortuoso. Sylvaine é uma artista incrível, dona de uma voz poderosa, multi instrumentista habilidosa, fiel a suas influências e a sua verdade, inspirada por artistas talentosos. Sua presença de palco é inspiradora, por vezes a vejo performando e tenho certeza de que ela chega a literalmente brilhar, ela é um exemplo de talento para mim. Uma das artistas que eu mais admiro e se pudesse, almejaria ser 1% do que ela é. Eu já a conhecia e acompanhava desde o lançamento de seu primeiro álbum, mas comecei a admirá-la mais e mais ao longo dos últimos dois anos. Além de uma artista excelente, super carinhosa e atenciosa com seus fãs, ela também é um uma pessoa admirável, que me conquistou com sua vulnerabilidade e honestidade. A ideia de ver um artista como um ser perfeito, onde a perfeição está justamente no fato de ser uma pessoa imperfeita, de encontrar obstáculos e de tentar viver a vida da maneira como pode, assim como nós. Toda beleza de suas músicas que ouvimos hoje é fruto de um trabalho duro, que deveria ser muito mais recompensado e reconhecido. O artista ao se expressar, permite que nós nos encontremos, sempre que ouço Sylvaine, começo um processo de autoconhecimento, de olhar para dentro e de entender o que eu estou sentindo, interpreto da minha maneira o que ela escreve. Por vezes me faltam palavras para descrever o impacto que a arte provoca em mim, mas as músicas de Sylvaine conseguem expressar belamente todo esse sentimento. Já escrevi muitas mensagens de incentivo a Kathrine, mas sinto que isso não estaria completo sem essa matéria e a esperança de que mais pessoas possam vê-la assim como eu a vejo e que passem a admirar seu trabalho. Entrevista com Sylvaine: Qual memória você traz do seu primeiro contato com a música? Sylviane: Eu cresci em uma

Novos artistas para conhecer nesse fim de ano

novos artistas - balthvs

O fatídico 2020 está chegando ao fim com uma lista de novos artistas para conhecer nesse fim de ano. Esse foi um ano bem ruim em todos os aspectos, porém o que podemos levar dele são as boas experiências que tivemos através da arte. A música foi uma válvula de escape bastante importante para mim esse ano e me ajudou muito a manter o restinho de sanidade que me restava. Espero que a música tenha tido um impacto positivo para todos vocês também e que 2021 seja um ano mais calmo e feliz. Nesses últimos dias do ano, trazemos mais uma lista de artistas novos que conhecemos recentemente, porque aumentar o repertório e descobrir músicas novas é sempre bom. Então vamos as indicações de hoje: MAIA Artista de trip hop/jazz/pop da Inglaterra. Até agora lançou um single chamado Bad Guy e planeja lançamentos para 2021. Facebook | Spotify | Instagram Bleach the Sky Banda americana de rock alternativo, tem uma pegada um pouco punk, um pouco grunge. Seu último lançamento foi o EP Acid Girl.Facebook | Instagram | Spotify CrumbSnatchers Banda americana de rock alternativo. Em 2016 lançaram o álbum Big House e em 2020 lançaram o single Satin Glow com uma vibe mais alegre, bem humorada e alto astral (extremamente necessária nesse período que estamos vivendo). Facebook | Instagram | Spotify Parlour Magic Projeto americano de música eletrônica do Luc Bokor-Smith. Esse ano lançou seu primeiro full álbum chamado The Fluid Neon Origami Trick. Ideal pra quem gosta de música eletrônica com sintetizadores e melodias no estilo Daft Punk. Instagram | Facebook | Spotify The Reytons Banda britânica de rock alternativo, com uma pegada de garage rock e stoner. A banda já lançou 3 EPs: Alcopops & Charity Shops (2018), It Was All So Monotonous (2017) e Kids off the Estate (2017). Red Smoke e Shoebox são seus últimos singles lançados em 2020.Instagram | Facebook | Spotify Cosmopolis Banda de art rock formada por músicos da Austrália, Inglaterra e Bélgica, com nome inspirado em uma revista europeia que circulava por volta de 1890. Como estão em locais diferentes, os músicos gravam sozinhos e produzem juntos em conjunto de maneira online. Brilhantemente, o nome do seu single chama-se The Distances. Os outros singles lançados esse ano são Sécheresse e God Hotel.Spotify | Facebook | Instagram Michael Dustan Artista australiano de folk music. Suas músicas nos transmitem muita calma e paz, você se sente cativado na primeira ouvida, então é uma excelente pedida pra você que está buscando músicas que tragam bons sentimentos. Michael lançou diversos singles entre 2017 e 2020, porém seu único full álbum chama-se In The Grand Scheme (2020) Instagram | Facebook | Spotify Yhu Kira Artista belgo de música pop francesa, esse gênero é mais conhecido pelo seu nome chanson. Traz várias influências de rap, R&B e trap. Seus trabalhos até o momento foram 3 singles lançados nesse ano: Tout est noir, Seul e Ciel. Em breve teremos o EP Pyramide nas principais plataformas. Spotify | Facebook | Instagram BALTHVS Banda colombiana de rock psicodélico com influências de funk, soul, R&B e música latina. Lançaram em 2020 um excelente álbum chamado M A C R O C O S M. Spotify | Facebook | Instagram Merry Christmas Banda britânica/japonesa de fuzz, folk e math pop baseada em Tóquio. Já lançaram o álbum The Flying Trombone Sisters (2014) e seu mais recente lançamento é o álbum The Night the Night Fell (2020) Spotify | Facebook | Instagram Playlist de novos artistas para conhecer – Groover discoveries Se você gostou e quer ficar ligado nas novidades musicais, basta seguir a nossa playlist no Spotify, ´lá você encontra vários artistas de diferentes gêneros musicais que descobrimos através da plataforma francesa Groover. Estamos atualizando frequentemente, depois conta pra gente quais você mais gostou.

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