ionnalee traz ótimas composições e visuais em REMEMBER THE FUTURE, seu segundo disco

A cantora, produtora e diretora sueca Jonna Lee conhecida por seu projeto audiovisual iamamiwhoami, surgido em 2009 durante uma série de vídeos com mensagens subliminares e três discos de estúdio lançados, resolveu ressurgir sob uma nova e simples identidade assinando apenas como ionnalee. Mesmo passando por alguns problemas de saúde e temendo perder sua voz durante a composição de seu primeiro disco, ela entrou em estúdio e trabalhou duro para que ele saísse como ela tanto queria. Eis que EVERYONE AFRAID TO BE FORGOTTEN foi lançado em maio de 2018, e mostrou uma artista mais aberta, se arriscando mais e com músicas consideradas até mais ”comerciais”. Como é o caso de ‘SAMARITAN’, o primeiro single, isso tudo rendeu uma bem sucedida primeira turnê mundial financiada pelos próprios fãs através do site kickstarter que teve passagem pelo Brasil em agosto de 2018. O êxtase de estar tão próxima de seus fãs, algo que não acontecia após anos de carreira como iamamiwhoami era claramente visto em todas as suas apresentações, tudo isso pareceu um novo recomeço. Em algumas entrevistas ela disse que o apoio dos fãs e a turnê lhe deu forças para continuar compondo um segundo disco, e isso rendeu bons frutos, depois de exatamente um ano ela retorna com novo single e o título do novo trabalho REMEMBER THE FUTURE. ‘OPEN SEA’ abre o disco, é o primeiro single e tem um dos melhores refrões que ionna já fez, enérgica, a música é um synthpop dançante que nos remete um pouco às músicas do disco BLUE, ganhou um vídeo clipe com um clima espacial muito bem trabalhado. Em seguida, temos ‘WIPE IT OFF’, mais ‘dreamy’ e cheia de sintetizadores (do jeito que a gente gosta) que envolvem a música até seu final mais dançante. ‘SOME BODY’ é a terceira faixa e o segundo single, também ganhou vídeo clipe, sua sonoridade é dançante e mistura alguns elementos antigos e novos, com um refrão também bem pegajoso. Em seguida, temos ‘MATTERS‘ que conta com a participação de Zola Jesus, uma música mais sombria e introspectiva, o clima logo muda com ‘ISLANDER’, uma faixa instrumental com uma pegada mais atmosférica e que vai evoluindo com batidas mais pulsantes. A faixa título ‘REMEMBER THE FUTURE’ é o terceiro single, tem boas influências de um pop mais anos 80, nostálgico e com vocais marcantes, é um dos pontos altos do disco, já em ‘CRYSTAL’ temos mais uma colaboração, dessa vez com a cantora também sueca Jennie Abarahamson, a canção também é um pouco mais introspectiva, tem alguns efeitos vocais bacanas e passa um pouco despercebida se você gosta de algo mais agitado. ‘RACE AGAINST’ é uma faixa instrumental e serve de interlude para a próxima, ‘SILENCE MY DRUM’, uma das melhores do disco, é incrível como a voz de ionna consegue criar climas tão belos, temos aqui uma música encantadora e envolvente. A versão de ‘MYSTERIES OF LOVE‘ é definitivamente apaixonante, originalmente composta por Angelo Badalamenti, famoso pelas trilhas sonoras de Blue Velvet e Twin Peaks, aqui temos mais um feat, dessa vez com o Röyksopp, o resultado foi algo profundo e emocional, uma vibe leve que paira até o fim, assim como dançar em slow-motion. O disco termina com ‘I KEEP‘, mesmo sendo a última do disco, ela entrega um clima mágico, dançante e tira qualquer ideia de música aleatória para finalizar um disco. REMEMBER THE FUTURE superou as expectativas, ele traz uma mistura de climas mais nostálgicos e etéreos que são marcas de ionnalee desde seus antigos trabalhos, mas tem também elementos mais novos, os singles foram bem escolhidos e toda a parte visual continua inspiradora e ótima como sempre.
Música, brilho e escuridão com a drag king islandesa Mighty Bear

Máscaras brilhantes, visuais obscuros, misteriosos, homem, mulher ou apenas um ser?Mighty Bear (Urso Poderoso) é como se denomina essa drag queen islandesa, quem está por trás dessa persona artística é Magnús Bjarni Gröndal, conhecido também por assumir os vocais de sua antiga banda de pós-rock We Made God. Seguindo por caminhos totalmente diferentes, Mighty Bear parece algo mais pessoal, um encontro ao ”eu” de um musico que parece procurar novas possibilidades dentro da música. Batidas pulsantes, diferentes climas, experimentos e atmosferas que vão de momentos mais frenéticos a outros mais obscuros e vazios, parece estranho, mas essas palavras descrevem a música eletrônica islandesa, é como se esse som fosse o par perfeito para as paisagens desoladoras, bonitas e deslumbrantes que viram cenário de uma persona totalmente enigmática. Mighty Bear traz uma estética nova para o mundo drag, deixando de lado o visual espalhafatoso e colorido, aqui temos espaço para o brilho e a escuridão. Seu primeiro single ‘Leyndarmál’ foi lançado em 2016, seguido de ‘Hvarf’, mas foi apenas em 2018 que o EP ‘Einn’ ganhou vida, com quatro faixas produzidas por ele mesmo. Junho é o mês da diversidade, por isso decidimos bater um papo com Mighty Bear sobre sua estética, música e o mundo drag, além de questões políticas que estão inevitavelmente ligadas ao tema. Como começou a sua carreira musical, antes do Mighty Bear você participou de uma banda de pós-rock, mas antes de todos esses projetos o que você já havia feito? A música sempre fez parte da minha vida. Desde quando eu era pequeno sempre estive cantando e criando alguma coisa. Eu comecei a minha primeira banda quando eu tinha 16 anos, uma banda punk. Depois de um curto tempo nasceu o We Made God. Nós lançamos três discos e fizemos uma turnê no Reino Unido, Itália e China. Nós fomos uma banda por mais de 15 anos. O que você pode nos falar sobre essa persona Mighty Bear? Mighty Bear é uma extensão de mim mesmo. É uma combinação de ambos os meus lados masculino e feminino. Com o Mighty Bear eu me permito ser verdadeiro sem pensar muito no que os outros vão achar. Sobre a sua estética, geralmente drag queens tem um visual colorido e exuberante, o que você pensa sobre isso e como foi criar algo totalmente diferente, mais sombrio e misterioso? Foi importante para me expressar, e sempre gostei dos visuais mais obscuros. Quando eu era adolescente e encontrei o rock minha vida mudou completamente. Eu finalmente tinha encontrado algo que falava comigo. Quando eu estava criando o Mighty Bear eu queria muito expressar isso. Nesse projeto o seu foco é a música eletrônica, experimental, como foi essa escolha, você acredita que esse gênero é mais amplo? Sempre fui fã da música experimental e de fazer algo novo. Mas nunca foi uma decisão consciente criar esse tipo de música. Já que eu queria me expressar e sabia que eu teria que fazer tudo, então a música eletrônica foi uma escolha óbvia já que eu poderia criar tudo sozinho. Eu amo trabalhar com outras pessoas, mas o Mighty Bear foi sempre suposto a ser apenas a minha criação. Definitivamente penso que esse gênero é amplo e pode se expandir mais. Como é a cena drag na Islândia? A cena drag na Islândia ainda é nova mas está crescendo rapidamente. Nós temos um monte de drag kings o que é muito interessante. É algo muito diverso para um país tão pequeno. Atualmente o Brasil está ganhando destaque por sua cena musical queer, Pabllo Vittar é uma das drag queens com milhões de visualizações no Youtube. Você conhece nossas drags? Não conheço, mas definitivamente irei procurar sobre. Junho é o mês da diversidade e recentemente nossa justiça criminalizou a homofobia, isso é muito importante tendo em vista os momentos difíceis que estamos vivendo na política. Como são as políticas para as pessoas LGBT na Islândia? A Islândia é muito liberal quando se fala em políticas LGBT e sou muito grato por isso. Diálogos de ódio são ilegais já faz um bom tempo. Nós tivemos a primeira presidenta mulher do mundo e tivemos um primeiro ministro assumidamente gay. Ainda temos um longo caminho a percorrer, principalmente no que diz aos direitos trans. Quais são os seus planos futuros, está gravando música nova ou tem planos para um disco cheio? Atualmente estou trabalhando em um novo EP, que está quase pronto. Ele deverá ser lançado em breve. Se você pudesse escolher um artista favorito para se apresentar ao lado qual seria e por que? Tenho uma música que será lançada em breve onde trabalhei junto com Hans, uma drag king da Islândia e estou super animado com isso. Muito obrigado pela disponibilidade em falar com a gente, deixe um recado se quiser. Muito obrigado por mostrar interesse no meu trabalho. Visite: www.mightybearmusic.com para mais informações. Siga Mighty Bear nas redes sociais: BandcampFacebookSiteYoutubeInstagram
Uma jornada pelo rock instrumental do Hiroshima Bunker

Hiroshima Bunker é um quarteto que surgiu na capital de São Paulo, formado por Enzo Marco (guitarra), Eduardo Zeineddine (baixo), Gabriel Rego (guitarra) e Fernando Belchior (bateria). O pontapé na carreira veio com a gravação do primeiro single ‘Frankenstein’ , lançado em 2017 e influenciado pelo clássico livro da famosa autora Mary Shelley publicado há mais de 200 anos atrás, precisamente em 1818. A partir daí, surgiram shows por diversas cidades de São Paulo, esse era o start perfeito para começarem as gravações do tão aguardado primeiro EP. Batizado de Galáxia de Infinitos, o disco foi lançado em 2018, e apresenta cinco faixas que fazem uma jornada que transita por estilos como rock psicodélico, jazz, grunge e post-rock. Essas influências trazem momentos onde experimentam com várias texturas. Nas palavras do guitarrista Enzo Marco: ”À frente desse indivíduo — que poderia ser eu, você ou qualquer outro –, há territórios desconhecidos a serem explorados. São inúmeras as dúvidas que nos assombram, ao mesmo tempo, as mesmas dúvidas nos preenchem e se tornam possibilidades. O universo é colossal demais para não nos movimentarmos livremente. Não somos sólidos, mas sim pequenas partículas fragmentadas fluindo e, a qualquer momento, vamos deixar de ser essa massa densa para nos transformarmos em algo novo. É um ciclo sem fim. Somos mutáveis, como ondas sonoras que passeiam pelo universo através de um pedal de delay. Somos frequências que reverberam pelos planetas e invadem todas as dimensões inimagináveis. Estamos imersos em uma galáxia de infinitos.” Você pode escutar o disco na íntegra no link abaixo: Em 2019 a banda está se preparando para gravar um novo single, que deverá sair em breve, mas enquanto isso você pode escutar o EP nas plataformas digitais e ficar por dentro das novidades nas redes sociais, os links estão logo abaixo. Acompanhe o Hiroshima Bunker nas redes sociais: Facebook Youtube Instagram
Rammstein: após 10 anos retornam com sétimo disco em ótima forma

Desde o começo dos anos 90 que o Rammstein é considerado uma das melhores e mais bizarras bandas do heavy metal. Sempre muito críticos e irônicos, já foram censurados e proibidos de tocarem em alguns lugares, suas performances ao vivo são sempre cheias de grandes momentos que vão de pênis de borracha, caldeirão de fogo à mega explosões. Algumas letras difíceis de entender ou clipes muito bem produzidos, tudo isso faz deles uma das melhores bandas do planeta. Agora em 2019, eles retornam com seu disco homônimo, o sétimo da carreira. O primeiro single ‘Deutschland’, traz claramente uma visão do que a banda e até alguns de nós temos sobre a Alemanha. Um olhar de raiva sobre seu passado triste e sofrido, mas também o renascimento e a construção de uma nova nação. A sonoridade é uma mistura do antigo Rammstein, mais eletrônico e cheio de sintetizadores com o peso de seus discos mais atuais Reise, Reise e Rosenrot. Em seguida, Radio, pesada, dançante e com um sintetizador marcante como na época do disco Sehnsucht. A música fala sobre a criação do rádio, com um refrão pegajoso que é praxe em grande parte das músicas da banda, e também com pitadas de críticas. Zeigh Dich, traduzindo para o português “Mostre-se”, a letra é forte e faz uma crítica dura às igrejas e religiões que promovem o sagrado, mas na verdade cometem o profano. O coro em latim no início, traz um ar de novidade para a faixa, mas no geral ela se encaixaria bem em um de seus trabalhos mais recentes. Mais uma vez os sintetizadores bem marcantes, em Aüslander temos batidas apelando para o pop, mesmo assim é uma das melhores do disco. Nas letras, Till usa o sarcasmo contra estrangeiros e cita algumas frases em diferentes línguas, como francês, italiano e inglês. Sexo sempre fez parte dos temas das letras do Rammstein, e agora temos isso de forma bem direta. A faixa Sex, é pesada, moderna, mas não traz muita novidade, mesmo assim não deixa de ser uma boa pedida para um set ao vivo. Puppe é com certeza um dos pontos altos, aqui conseguimos sentir toda a fúria dos vocais de Till, quase alcançando um gutural. Gosto do fato da sonoridade manter peso mesmo sem usar riffs rápidos ou pedais duplos na bateria, isso é algo que eles fazem muito bem. Em Was Ich Liebe a banda usa mais batidas eletrônicas, o que traz uma certa inovação para o som, mas no decorrer não temos tanta novidade. Temos em Diamant uma voz/violão no estilo Rammstein, sem muitos detalhes, com cordas de fundo, servindo como ponte para a próxima faixa. Weit Weg, aqui também não temos novidade, uma música que pode passar bem despercebida durante sua audição. Chegando ao fim do disco, Tattoo é mais um dos destaques, uma faixa pesada e enérgica, lembrando facilmente a sonoridade do disco Mutter (2000). E quem mais faria uma letra até poética sobre a tatuagem? Quem fecha o setlist é Hallomann, e como Rammstein também é cultura, aqui aprendemos até algumas expressões de conversação como ”Hallo kleines Mädchen, wie geht es dir? / Mir geht es gut, sprich nicht zu mir”. Em Sonne, do disco Mutter, aprendemos a contar do 1 ao 10, se lembram? Brincadeiras à parte, a sonoridade de Hallomann tem um clima de final mesmo, foi uma boa escolha. Em seu sétimo disco, a banda continua em ótima forma, misturando momentos de novidade com suas características que os fizeram uma das melhores bandas do metal, as letras são fortes e não deixam dúvidas ou enigmas, tudo é muito direto, mesmo com ótimo discos lançados após os anos 2000, o homônimo Rammstein mostra decentemente o poder do sexteto alemão. Siga a banda nas redes sociais: FacebookInstagramYoutube
Rebobinados indica #12: Lançamentos 2019

Pesta – Faith Bathed in Blood Faith Bathed in Blood é o segundo disco de estúdio dessa brilhante banda mineira de stoner/doom lançado em 28 de fevereiro pelo selo Abraxas Records, durante as oito faixas ouvimos um som pesado, riffs dinâmicos e um vocal poderoso, o foco aqui foi produzir algo mais orgânico, com uma sonoridade fiel aos seus shows ao vivo. A produção ficou por conta de André Cabelo da banda Chacal, com quem já haviam trabalhado anteriormente em seu também elogiado primeiro debut Bring Out Your Dead. As letras giram em torno de ações em nome das religiões, fanatismo, rituais ou pessoas que se julgam executores da justiça na Terra. TR/ST – The Destroyer, Part. 1 Já fazia um bom tempo que Robert Alfons, líder do TR/ST, não lançava nada novo, o seu último disco Joyland saiu em 2014, desde então apenas duas músicas novas foram apresentadas durante alguns shows que a banda fez. O surgimento da nova “Bicep” deixou os fãs animados, mas foi só em 2019 que o primeiro single “Gone” foi lançado e deu indícios certos de um disco novo, ainda foram apresentadas as faixas “Unbleached” e “Colossal”, mostrando que a sonoridade ainda trazia aqueles nuances dark eletrônicos bem agitados e os vocais frios e graves ou até desajeitados.The Destroyer, Part. 1 mantém o TR/ST em um bom patamar da música eletrônica alternativa, mesmo com um pé na cena dark, ele consegue atrair também os ouvidos do público mais indie, fãs de artistas como Grimes e ionnalee. Bomfim – Vazio Bomfim surgiu na cidade de Joinville no ano de 2017, trazendo uma mistura de rock alternativo com influências de shoegaze e dream pop, as composições ora trazem um som mais frio, melancólico ou uma guitarra delicada e mais aérea, cheias de letras afetuosas que criam uma ponte com o ouvinte, Arrepio, Astronauta e Medo provavelmente ficarão no seu repeat por algum tempo. O EP batizado de Vazio traz quatro faixas e foi lançado pela gravadora Nuzzy Records, a banda já se apresentou ao lado de nomes como Gorduratrans, Terno Rei e Adorável Clichê. Desert Crows – Age of Despair Goiânia tem sido a nova capital do rock, ultimamente grandes nomes vem surgindo de lá, e pode apostar que o Desert Crows é um deles. O power trio formado por Vitor Mercez (guitarra e vocal), Raul Martins (baixo) e Pedro Nascimento (bateria) nos apresentam seu primeiro disco Age of Despair. Com uma baita produção e um som moderno que transita entre o stoner rock e o grunge, esse é um daqueles discos pra ouvir no último volume, com músicas poderosas, pesadas e cheias de melodias que vão grudar na sua cabeça. O lançamento ficou por conta do selo Monstro Discos. Westkust – Westkust O novo quinteto sueco de Gotemburgo, Westkust, traz seu segundo disco auto intitulado. A capa fofinha com rosas em um campo (mas com uma péssima tipografia) nos dá alguma ideia do que está por vir. Um shoegaze/dream pop mais puxado para o indie rock, com guitarras barulhentas, mas também com melodias bonitas, assim como faziam os The Pains At Being Pure At Heart, os vocais se encaixam bem, o disco mesmo sendo curto não passa despercebido, é um bom lançamento, acredito até que a banda tem tudo pra ser mais conhecida, pois eles fazem o tipo de som que é agradável de se escutar em um festival, não deixe de conferir! FONTAINES D.C. – Dogrel Seria um erro não falar algo sobre esse disco por aqui, afinal o FONTAINES D.C. surgiu em 2018 direto de Dublin e em 2019 chegaram chutando tudo com Dogrel, seu primeiro disco de estúdio. Aqui eles trazem de volta aquele revival do pós-punk do fim dos anos 70, com um sotaque bem puxado, guitarras bem cruas e um som bem agitado, mas com espaço para algo mais ”comercial” como na ótima “Television Screen”. Não é toa que o disco tem atingido ótimos rankings pela Europa, e é também um dos mais comentados em sites de música especializada, a banda tem cerca de cinquenta shows marcados pela Europa e América do Norte. Uns dizem que o rock está morto, nada tão relevante tem sido lançado, talvez essa seja a hora de mudar isso! Ave Sangria – Vendavais Quarenta e cinco anos, esse foi o tempo entre o primeiro disco Ave Sangria (1974) e Vendavais que acabou de ser lançado. Essa importante banda do rock nacional surgiu em Pernambuco, naquela época, impressionaram pelo som com influências de psicodelia, progressivo e da já conhecida tropicália. Não sabemos ainda o por quê, mas depois de todo esse tempo a banda começou a ganhar mais reconhecimento, e tão rápido o disco homônimo de 74 estava nas graças do povo, considerado agora como cult. A parte boa é que a banda vendo o retorno decidiu se reunir para apresentar alguns shows e também gravar um disco novo, por que não? Há poucos dias Vendavais chegou aos streamings do mundo, um disco impressionante, potente, bem composto e bonito. Vida longa ao Ave Sangria! Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.
Wolfheart e Fleshgod Apocalypse fazem apresentações devastadoras em São Paulo

Na quarta-feira de feriado (1 de Maio) São Paulo recebeu dois ótimos nomes do metal extremo. As bandas Wolfheart (Finlândia) e Fleshgod Apocalypse (Itália), se apresentaram na The House (antigo Hangar 110) com produção da EV7 Live. Cheguei na casa por volta das 18h50 e as portas ainda não estavam abertas. Uma fila com um número considerável de fãs aguardava, no entanto, em de dez minutos a entrada foi liberada. A estreia do Wolfheart no Brasil O primeiro show da noite começou por volta das 19h45 com o Wolfheart. A banda finlandesa é formada por Tuomas Saukkonen (guitarra, vocal), Mika Lammassaari (guitarra), Lauri Silvonen (baixo, vocal) e Joonas Kauppinen (bateria). Subiram ao palco fazendo sua estréia em terras brasileiras, essa é a primeira vez que a banda vem à América do Sul. O disco mais recente Constellation of the Black Light foi lançado em 2018 pela Napalm Records. A apresentação foi intensa e pesada, uma banda muito boa no palco, com riffs rápidos e destruidores. Ora tivemos atmosferas mais arrastadas e melódicas com influências do doom e folk que não são tão perceptíveis no som, mas sim nas letras que falam sobre natureza, guerreiros e apocalipses. O público ainda pequeno estava tímido, mas aos poucos foi ganhando intimidade, com moshpits, gritos e aplausos durante os 45 minutos de apresentação. O setlist mesmo que curto passou por toda a discografia, a faixa Boneyard já conhecida pelos fãs finalizou o show. A banda estava feliz por tocar pela primeira vez para o público brasileiro, agradeceu a presença de todos e saiu do palco muito ovacionada. Fleshgod Apocalypse e seu furacão musical Em menos de trinta minutos após o primeiro show, o palco já estava montado e todos os instrumentos prontos para receber a atração principal da noite. Essa é a segunda vez dos italianos do Fleshgod Apocalypse aqui. A primeira aconteceu em 2017 ao lado dos gregos do Septic Flesh. Exatamente às 20h53 os integrantes subiram ao palco para o delírio do pequeno público que os aguardava ansiosamente. Logo de cara deram início com a destruidora ‘The Violation’ do disco Agony. Em seguida, ‘Healing Through War’ do disco King de 2017, uma dobradinha matadora capaz de quebrar o pescoço de qualquer um. Uma pequena pausa e continuaram com ‘Cold As Perfection’ que se destaca pelos vocais de opera, feitos pela incrível Veronica Bordacchini que excursiona com a banda ao vivo. Mais uma pequena pausa para conversar com a audiência, e o vocalista Francesco Paoli disse que eles iriam lançar um disco novo chamado Veleno. Em seguida, tocaram uma música desse disco, a resposta foi imediata, então seguiram com ‘Sugar’, primeiro single. O setlist contou com músicas de todos os discos e parece ter agradado os presentes. Destaque também para mais uma música nova que estará no novo disco, intitulada ‘Fury’. Não podiam faltar também ‘The Fool’, ‘Epilogue’ e ‘The Egoism’. Já fui em alguns shows de metal extremo, mas nenhum comparado a esse, é difícil ficar parado em qualquer música. Essa mistura de death metal com orquestras, duetos entre guturais e vocais de ópera femininos e masculinos fazem com que tudo fique mais ”freak”. Mais uma pequena pausa e a banda volta ao palco para finalizar sua apresentação com ‘The Forsaking’. Os fãs abriram uma grande roda de mosh pit no meio da pista para fechar também com chave de ouro. As duas bandas fizeram apresentações impecáveis, poderosas e devastadoras. Era visível que cada integrante estava se doando, e imagino que esses caras devem ficar bem cansados com toda essa intensidade. O ponto fraco ficou por conta do público que desapontou, acredito que não haviam nem trezentas pessoas presentes ali. Isso é algo que a própria bandou notou ao se despedir dizendo que ”com certeza irão voltar e que esperam que tenham um público maior e maior e maior… ”. Uma pena, visto a qualidade de ambos e sabendo que é tão difícil ter um show dessas bandas por aqui. Mas já notamos que os brasileiros acabam se acostumando com ”mais do mesmo”, shows do Iron Maiden e Metallica, continuam com sold out, mesmo não trazendo nada de novo aos fãs. Parabéns a produtora EV7 Live pela iniciativa em trazer bandas com esse tipo de som e obrigado pelo credenciamento. Acompanhe o Fleshgod Apocalypse nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp Confira o disco Veleno: Confira outras resenhas de shows acessando aqui.
O Cientista Perdido: projeto traz rock atmosférico com influências que vão de Radiohead a Björk

O Cientista Perdido é como o brasiliense Rodrigo Saminêz batizou seu projeto musical, que ganhou vida em 2018. O primeiro single “Cientista” traz um sonoridade leve, etereal, capaz de te transportar para um mundo paralelo. Nas palavras de Rodrigo: “Cientista” é a minha resposta pro mundo à uma pergunta que eu nem sei qual é. É algo que quero dizer e que sinto que precisa ser dito já faz tempo. Foi escolhida a dedo como primeira canção, a única música cujo eu-lírico sou eu mesmo, e não o personagem que criei pra me relacionar com a música. Na verdade, essa é uma música dedicada à este personagem, para que ele siga qualquer caminho sempre lembrando de sua própria essência.” Alguns meses depois, o novo single “Before” foi lançado, este traz um sentimento saudosista: ”Quem nunca sentiu aquele sentimento confuso de sentar para assistir fitas VHS com compilados de memórias da sua infância? Ver a si mesmo no passado pode ressuscitar as alegrias e os questionamentos mais antigos e “auto-inerentes”. E é justamente a extrema individualidade da situação descrita que inspirou o segundo single d’O Cientista Perdido. “Before” traz, junto ao seu videoclipe uma paz que é, ironicamente, saudosista e inquietante, e repete constantemente a pergunta: “o que você quer ser quando crescer? “. O single acompanha uma faixa instrumental bônus, intitulada “In the Shadows”. Para compreender melhor as ideias, batemos um papo com Rodrigo sobre o início de seu projeto, suas composições, o futuro EP e o próximo single que sairá no dia 26 de abril. Quando e como foi o seu primeiro contato com música? Acho que o primeiro contato que de fato começou a mudar algumas coisas dentro de mim foi com Clocks, do Coldplay, que tocou num filme que eu tava assistindo – eu devia ter uns 10, 11 anos. Eles sempre foram minha banda favorita, muito por causa disso. Foi a partir deles que comecei a não só ouvir, mas a me conectar com a música. O primeiro álbum completo que ouvi foi o A Rush of Blood to the Head, aí depois fui seguindo os outros discos deles. Cada álbum era único, e eu fui me encantando cada vez mais pela ideia de discos de estúdio, conceitos sonoros, identidade musical… por aí vai. Sobre o seu processo de composição, o que vem primeiro as letras ou o instrumental? Isso depende. Gosto de enxergar cada música como um universo particular, logo as regras do jogo sempre vão mudando. Cientista começou há uns quatro anos atrás, quando quis escrever uma música explicando o nome do projeto de uma maneira bem indireta. Aí a letra veio antes de tudo, tanto que só fui de fato finalizar a música no fim de 2018. Já a Before surgiu depois que eu toquei exaustivamente os dois acordes da base da música e tentei cantar algo por cima deles. Mas não gosto, e nem pretendo ter um ponto de partida fixo p’ras minhas músicas. Isso tudo depende do que tá rolando na minha cabeça no momento. Foi difícil definir qual seria o estilo das suas músicas? Não só foi, mas é tão difícil que até hoje eu não sei dizer direito! Um dos pilares d’O Cientista Perdido é flutuar dentre os gêneros de uma forma fluida e orgânica, e é isso que venho tentado fazer, tanto nesses singles avulsos, quanto em projetos futuros. Tem sido muito difícil encaixar minhas músicas em alguma fôrma justamente pelo fato do processo criativo delas ser muito imersivo pra mim. Fico tão dentro de cada universo que fica difícil sair pra olhar aquilo tudo por fora. Mas é justamente que eu tenho um grupo seleto de amigos, que sempre acompanha todas as etapas das músicas e vai me guiando sobre o que eles acham, sentem e se recordam enquanto ouvem. Mas no fundo, no fundo, as músicas são, sonoramente, um reflexo de tudo que eu ouço. Tudo acaba sendo uma porcentagenzinha de cada artista que estou ouvindo no momento, que no fim compõem uma identidade própria. Qual a sua opinião sobre a cena independente nacional e a facilidade que artistas tem ao poder criar suas músicas sem ajuda de alguma gravadora? Eu sou muito otimista em relação à cena independente. O público de artistas independentes é específico, mas é sempre um público muito caloroso e apoiador. Falando especificamente sobre Brasília, minha cidade, o que eu vejo é uma rede enorme de artistas e amigos que estão extremamente dispostos a se ajudar e se conhecer, valorizar mutuamente os trabalhos. No entanto, a facilidade do acesso à softwares de gravação caseira e coisas do gênero as vezes parece ser desculpa para alguns artistas se manterem na mediocridade e na mesmice. Fico feliz disso não ser recorrente na minha cena, ou ao menos não com os artistas que conheço, mas é comum ver alguns artistas de Bandcamp que tem uma falsa ambição e uma vontade de crescer que é maior do que o carinho e da alma que são colocados na música. Isso é triste, mas ao mesmo tempo, é facilmente ignorável, devido à enorme gama de artistas incríveis que tenho o prazer de acompanhar, sempre ambiciosos e extremamente zelosos. Pretende lançar um disco completo ou EP? Meu primeiro EP tá a caminho! Pretendo lançar entre junho e julho desse ano, mas não prometo nada! Quem quiser alguns spoilers fica ligado nas redes sociais pra ver quando vai ter show, a gente já tá tocando algumas músicas dele. Quais são suas influências não musicais? Estudo letras inglês na UnB, então a literatura (canônica ou não) é um elemento que geralmente se encontra presente nas minhas composições, em termos de letra. Sempre tento parafrasear alguma coisa que li para alguma matéria e chamou minha atenção. Mesma coisa pra alguns filmes. Além disso, as músicas geralmente surgem de situações, hipóteses, histórias imaginárias. Posso dizer que existe pelo menos uma música pra cada uma desses elementos listados na frase anterior dentro do meu EP. Deixe um recado para quem ainda não conhece sua
Polly Terror: composições sombrias e melancólicas em “Special Fiend”, seu EP de estréia

Poliana Marques é a mente por trás de Polly Terror, seu novo projeto musical. Ela é conhecida por sua participação nas bandas Duna, Brisa e Chama, e também por ser uma das fundadoras do evento Chá das Mina, um coletivo que tem o intuito de enaltecer e divulgar mulheres artistas da cidade de Betim em Minas Gerais e entorno, através de exposições, shows e rodas de conversa. Em sua nova banda, Poliana experimenta através de diferentes estilos, como rock, metal e industrial. Entre suas influências estão artistas como Chelsea Wolfe, Emma Ruth Rundle e The Cure. Special Fiend é o nome do seu EP de estréia, um disco com cinco músicas produzido pela própria Polly em parceria com Fábio Mazzeu (Mayen e ex-Lively Water) e Porquinho (Grupo Porco e Fodastic Brenfers). As composições trazem momentos mais sombrios, melancólicos e experimentais, abordando suas experiências pessoais. O lançamento ficou por conta do selo Abraxas de São Paulo e Geração Perdida em Belo Horizonte, ambos responsáveis por trabalhar com bandas importantes do cenário musical nacional e internacional, como Lupe de Lupe, Necro, Neurosis e Kadavar. Acompanhe Polly Terror nas redes sociais: FacebookInstagram
Fleshgod Apocalypse: banda italiana de death metal sinfônico retorna ao Brasil com nova turnê

A história do Fleshgod Apocalypse começa na pequena capital de Perúgia, na Itália onde se juntaram no ano de 2007 para gravar a primeira demo. No ano seguinte, lançaram o split Da Vinci Death Code, e em seguida tocaram como banda de apoio em uma turnê europeia ao lado de grandes nomes como Behemoth, Napalm Death, Dying Fetus entre outras. O primeiro disco Oracles foi lançado em 2009, e trazia uma mistura do peso do death metal com música clássica, o que chamou atenção do público amante da música pesada. Dois anos mais tarde, eles assinaram com a Nuclear Blast e lançaram mais três discos, sendo eles: Agony (2011), Labirynth (2013) e King (2016). O quinto e novo disco intitulado Veleno será lançado no dia 24 de maio, também pela Nuclear Blast e para divulgá-lo a banda retorna após dois anos desde sua última passagem pelo Brasil. As duas apresentações acontecem em 01 de Maio em São Paulo e em 02 de Maio em Curitiba com produção da EV7. A banda finlandesa Wolfheart, conhecida por seu som que mistura death e folk metal, será a convidada especial para abrir as apresentações da turnê latino americana, essa é a primeira vez que eles tocam na América do Sul, então se eu fosse você não perderia essa apresentação histórica que promete quebrar tudo no Hangar 110. Enquanto o disco não sai, você pode conferir o clipe do primeiro e novo single, “Sugar”: Abaixo você encontra todas as informações das duas apresentações da banda no Brasil: Fleshgod Apocalypse + Wolfheart em São PauloData: 01/05/2019Local: The HouseEndereço: R. Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro, São Paulo/SPClassificação: 18 anosIngressos: https://ticketbrasil.com.br/show/6864-fleshgodapocalypseewolfheart-saopaulo-spInformações: www.facebook.com/events/391711238293896/ Fleshgod Apocalypse + Wolfheart em CuritibaData: 02/05/2019Local: JokersEndereço: R. São Francisco, 164 – Centro, Curitiba/PRClassificação: 18 anosIngressos: https://ticketbrasil.com.br/show/6865-fleshgodapocalypseewolfheart-curitiba-prInformações: www.facebook.com/events/334361783875394/