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Pioneira no cena gótica, Escarlatina Obsessiva lança Back to the Land, sétimo disco da carreira

A dupla mineira Karolina Escarlatina (baixo, vocais) e Zaf (guitarra, teclados e drum machine) são os responsáveis pela Escarlatina Obsessiva, banda que desde 2007 vem firmando sua história e importância no cenário gótico underground. Poucos artistas sobrevivem com uma discografia de quase dez discos, ainda mais se falando em DIY (faça você mesmo). Em um cenário onde a indústria musical praticamente não existe mais, ou só contempla bandas e artistas milionários, essa dupla de São Thomé das Letras (cidade maravilhosa) merece destaque por todo sua força de vontade e amor à música. Além de serem os compositores de todas as suas músicas, eles são responsáveis por toda a arte dos discos, mídia envolvida na produção de seus clipes e merchan. Outro projeto incrível da banda foi a criação do primeiro festival totalmente underground na cena gótica alternativa, o famoso Woodgothic Festival que já teve cerca de cinco edições na cidade de São Thomé das Letras e contou com diversas bandas do cenário pós punk, darkwave e gothic rock. Pra citar algumas, já se apresentaram por lá As Mercenárias, Anvil Fx, Varsóvia, Gattopardo, Wry, Gangue Morcego e Tempos de Morte. A próxima edição está prevista para 2020, com mudança de local, que dessa vez acontecerá no Solar/Pousada das Magas que fica há 3 km do centro da cidade, o que tornará o evento mais liberto de toda a burocracia pública. O sétimo disco batizado de Back to the Land foi lançado no dia 22 de dezembro via Deepland Records, contém 10 faixas e mais uma vez mostra a banda se reinventando, algo que vem acontecendo em seus últimos lançamentos. Aqui podemos notar uma certa distância da sonoridade usual de seus primeiros discos, que estava mais focada no darkwave e gothic rock. Podemos notar influências de jazz, pós punk e o uso de ritmos mais dinâmicos, explorando coisas novas. Talvez esse seja um dos pilares, que fazem com que a dupla siga em frente pra cravar de vez o nome do Escarlatina como um dos principais expoentes do alternativo nacional. A primeira música escolhida para ganhar vídeo clipe foi a maravilhosa Vindictive Witch, assista baixo: Acompanhe a Escarlatina Obsessiva nas redes sociais: Facebook | Site | Facebook Woodgothic

Os melhores discos de 2018 pelo Rebobinados

Queridos leitores, amigos e bandas, mais um ano de blog, muita música boa, descobertas, shows e… a nossa lista finalmente saiu! Trouxemos os melhores discos de 2018 segundo nossa opinião. Quem tem o costume de escutar muitos lançamentos e descobrir coisas novas sabe o quanto é difícil essa decisão, uma lista de 10 discos é pouco, mas pra não ficar tão extenso tivemos que sintetizar uma porrada de coisas que ouvimos durante o ano, que foi mais uma vez muito bom para a música nacional e internacional. Que venha 2019! ::: Top 10 Fábio ::: Mint Field – Pasar de las luces Gazelle Twin – Pastoral Dead Can Dance – Dionysus Them Are Us Too – Amends Deafheaven – Ordinary Corrupt Human Love Adorável Clichê – O que existe dentro de mim Tuyo – Pra Curar Oxy – Fita Cora – El rapto Garbo – Jovens Inseguros Vivendo no Futuro Shows Favoritos Depeche Mode @ Allianz ParqueBeach Fossils @ Fabrique ClubPeter Murphy: 40 Years of Bauhaus @ Carioca ClubeIonnalee – Everyone Afraid to Be Forgotten @ Cine JóiaWarpaint + Deerhunter @ Balaclava Fest, Audio Club Top 10 Tatyane Deafheaven – Ordinary Corrupt Human Love Oxy – Fita Mitski – Be the Cowboy Wagner Almeida – Crescimento/Desistência Grouper – Grid of Points Nothing – Dance On The Blacktop Spiritualized – And Nothing Hurt Tuyo – Pra Curar Tom Gangue – Transiente El Efecto – Memórias do Fogo Shows Favoritos Beach Fossils @ Fabrique ClubLô Borges @ SescMilton Nascimento @ SescFlávio Venturini @ SescGorduratrans e DEF @ CCSPAdriana Calcanhotto @ SescFernando Motta, Mafius e Wagner Almeida @ Breve Quer conhecer mais artistas que já indicamos? Acesse a seção Rebobinados Indica.

The Hearing apresenta seu dream pop finlandês no Festival Dias Nórdicos

The Hearing é o projeto solo de Ringa Manner, uma multi-instrumentista finlandesa da capital Helsinki. Influenciada por Björk, Kate Bush e Freedie Mercury, ela lançou até o momento dois discos, Dorian (2013) e Adrian (2016), além disso ela tem mais outros seis projetos musicais de estilos diferentes, como por exemplo, sua primeira banda Pintandwefall formada em 2006 com uma sonoridade que passeia pelo garage rock e punk. Essa é a primeira vez que ela vem ao Brasil com o The Hearing, comandando sozinha seu sintetizador no palco, ela apresentará músicas de seu disco mais recente, Adrian lançado em 2016, assim também como músicas novas que estarão no terceiro e novo disco que será lançado em 2019 sob o título de Demian. Esse ano dois singles novos foram lançados, são eles When in Doubt Repeat These Words e Jello. Dias Nórdicos é um encontro com a criação artística que aproxima a cena musical nórdica à América Latina e Espanha, gerando intercâmbios multilaterais entre regiões, por meio de diferentes conceitos: design, modernidade, sustentabilidade, vanguarda e elegância em diferentes manifestações artísticas e culturais: música, cinema, literatura, moda, arte, tecnologia, etc. Além do The Hearing se apresentarão na mesma noite os grupos Wangel (Dinamarca) e Hulda (Ilhas Faroé), compre o seu ingresso diretamente pelo site do Sesc Avenida Paulista no link abaixo: Festival Dias NórdicosLocal: SESC Avenida PaulistaData: 12/12/2018Horário: A partir das 20h00Ingressos: R$6,00 (comerciário) | R$10,00 (meia entrada) | R$20,00 (inteira)Venda de ingressos clique aqui Aproveitando sua primeira passagem pelo país, Ringa gentilmente cedeu uma entrevista ao nosso blog, o resultado você confere abaixo. Qual foi o seu primeiro contato com a música e como aconteceu essa conexão com a música eletrônica? Eu sempre estive envolvida com música de alguma forma. A minha mãe canta em um coral há mais ou menos 30 anos, e quando eu era pequena ela costumava me levar para os ensaios. A música eletrônica veio mais tarde, talvez em 2011. Eu só queria explorar o som do sintetizador e tocar com pedais de guitarra então foi o que fiz! Você já esteve em algum projeto ou banda antes de formar o The Hearing? Eu sempre tenho 3-6 bandas ou projetos acontecendo ao mesmo tempo! Todos de diferentes estilos, alguns em inglês, outros em finlandês. Até mesmo a minha primeira banda Pintandwefall continua forte após 12 anos. Existe algum tipo de ritual em seus processos de composição, você procura estar só ou deixa que as ideias fluem naturalmente? Na verdade não, apenas tento arrumar um tempo para sentar com meus instrumentos e tentar pensar em alguma coisa para dizer. Isso leva algum tempo, mas aceitei que as melhores coisas ganham forma lentamente. Que tipo de referências visuais ou literárias influenciam sua música? Meus três primeiros discos foram todos batizados com nomes de livros que li em um momento muito emocional em 2011. O Retrato de Dorian Grey de Oscar Wilde, O Mentiroso de Stephen Fry e Demian de Herman Hesse. Você tem dois discos lançados, Dorian (2013) e Adrian (2016) e agora está compondo um terceiro trabalho. As pessoas costumam dizer que o segundo disco é sempre o mais difícil pois ele precisa meio que superar o primeiro, existem alguma pressão sobre si mesma ao lançar música nova? Sim, porque quero dar o meu melhor a qualquer momento. Então cada disco ou música que lanço são sempre de longe os melhores. É por isso que acho que levou tanto tempo para finalizar Demian, o terceiro disco. Como é a sua conexão com o palco e shows ao vivo? Você se sente confortável ou é um desafio? Ambos. O palco é a minha casa e o lugar onde me sinto segura. Mas há sempre mil coisas passando pela sua cabeça então acaba sendo um pouco difícil se acalmar. Você fez cerca de 300 shows pelo mundo, o que espera de sua primeira apresentação no Brasil? Nunca sei muito o que esperar, mas espero de verdade que as pessoas cheguem a tempo! Eu serei a primeira a se apresentar e tenho que pegar um voo direto depois do show para voltar para a Finlândia. Você conhece alguma coisa da cultura brasileira? Música, comida, lugares… Antes eu não sabia muito. Eu só sei que vocês tem recursos naturais incríveis, pessoas bonitas e um idioma bonito, os resultados das eleições atuais são preocupantes e tradições musicais incríveis. Estivemos pela cidade hoje e pudemos ver um pouco e só posso dizer que eu definitivamente tenho que voltar um dia. O que você pode nos dizer sobre seu terceiro disco? Se chama Demian e será a melhor coisa que já fiz! Muito obrigado pelo tempo em responder as perguntas, deixe uma mensagem para seus fãs. Eu só queria poder ficar depois do show e conhecer muitas pessoas! Mas como eu disse, isso significa que não tem outro jeito a não ser voltar pra cá um dia. Enquanto isso, sejam gentis uns com os outros e verdadeiro consigo mesmo.

IORIGUN: banda de pós punk/indie lança ‘Skin’ seu segundo EP

O pós-punk foi um dos principais gêneros que comandavam o rock nacional, principalmente na década de 80, enquanto The Cure, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus e Joy Division agitavam a cena inglesa, tínhamos os nossos representantes aqui, inclusive, bandas que já foram muito famosas naquela época, como Arte no Escuro, Varsóvia, Vzyadoq Moe, As Mercenárias entre outras, com aparições em horário nobre, ou tocando em rádios de todo o país. Nos últimos anos houve um certo revival para algumas dessas bandas, e também muitas outras sugiram, carregando boas referências do estilo que predominou nos anos 80 junto de influências mais contemporâneas do chamado indie rock e até mesmo da psicodelia ou do pop, alguns bons exemplos são Interpol, Editors e White Lies. Nessa mesma vibe, surge em 2015 o IORIGUN, uma banda impressionante da cidade de Feira de Santana, na Bahia, formada por Iuri Moldes (guitarra, vocal), Moyses Martins (baixo), Fredson Henrique (guitarra) e Leonel Oliveira (bateria). O primeiro EP Empty.Houses/Filled.Cities saiu em 2017, as quatro músicas do disco traziam ares mais dançantes, ora sombrios e psicodélicos, embalados por esses gêneros. Logo de cara podemos notar intensidade e energia, algo que eles puderam mostrar também durante suas apresentações ao vivo em alguns primeiros shows onde foram muito recebidos pelo público. Agora em 2018 eles lançam seu novo EP intitulado Skin, segundo os próprios integrantes: “Skin é uma viagem por dentro da pele. Por dentro de si. Por dentro do outro. O EP está dividido em duas partes: ‘Birth of Venus’ e ‘Death of Spirit’. É o nascer e o quebrar. A superfície e o profundo. Musicalmente o EP se transforma de riffs melódicos à estranheza e obscuridade. As músicas ficam mais tensas, remetendo uma escavação profunda do ser…” O disco foi produzido por Iuri e Moyses e lançado pelo selo Midsummer Madness, as seis faixas dão continuidade ao trabalho anterior, de forma majestosa. Hold On abre o disco com riffs de guitarra mais enérgicos e baterias dançantes, e um refrão que depois de duas ou três vezes ouvindo já não sai da cabeça, inclusive os vocais de Iuri se diferenciam da maioria, não espere nada na linha mais grave e sim melódica. Intimacy segue com uma pegada mais cadenciada, interessante o quanto todos os instrumentos estão em sintonia A interlude Under My Skin tem um ar sombrio e misterioso e faz ponte para In the Edge of Something Big, a partir daqui a sonoridade tende a puxar mais para o lado ”obscuro da coisa”, mas antes que eu diga isso, o refrão foge um pouco dessa ideia e temos até momentos psicodélicos, Fight to Forget foi a primeira música lançada, os riffs iniciais lembram bastante o Interpol durante a fase Turn On the Bright Lights, essa é uma das melhores músicas do disco. The Trickster No. 2 fecha o tracklist, mesmo sendo a faixa mais longa, ela une boas doses de psicodelia e pós punk. Skin é um daqueles EP’s pra ficar no repeat e merece todo o reconhecimento possível, tenho certeza que vocês ainda ouvirão falar muito no IORIGUN. Siga o Iorigun nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp Acesse outras matérias clicando aqui

Top 10 mulheres na cena nacional

Foi-se o tempo em que o universo musical era constituído apenas por homens, a verdade é que o rock foi mesmo criado por uma mulher, ali por volta dos anos 30, Sister Rosetta Tharpe, uma cantora e compositora de música gospel já empunhava sua guitarra, numa junção entre belos acordes e música sacra, o que na época chocou muita gente, mas mesmo assim trouxe adoradores fiéis de sua música, ela, responsável por influenciar ninguém menos que Elvis Presley e Aretha Franklin. Que existem muitas mulheres envolvidas na música desde as épocas passadas nós sabemos, sejam elas líderes de bandas ou não, o que importa é que recentemente esse número de musicistas aumentou e quebrou muitos paradigmas, seja no rock, pop, heavy metal, música clássica entre outros. Você já parou para pensar que na música clássica, a maioria de compositores é constituída por homens, poucas mulheres estiveram envolvidas, podemos citar alguns nomes da idade média como Hildegarda de Bingen (1098-1179), uma monja e compositora alemã, sua obra mais conhecida foi intitulada de Ordo Vitutum ou traduzindo Virtude da Ordem, narra o drama de uma alma em busca de redenção. Além dela temos outros nomes como Francesca Caccini (1587-1640) e Barbara Strozzi (1619-1677). Clara Schumann e Fanny Mendelssohn, ambas nascidas na Alemanha, também contribuíram para a música, mas pouco se ouve falar delas. Naquela época onde a mulher não tinha o direito de se expressar na arte, ficamos imaginando quantos talentos foram perdidos por serem elas excluídas de atividades musicais. Aqui no Brasil, podemos citar Chiquinha Gongaza (1847-1935) como a primeira mulher a reger uma orquestra e também a trabalhar em uma loja de musicas tocando piano. Ela foi responsável por compôr a marchinha Abre Alas, além disso lutava pelo fim da escravidão e pela proclamação da república, porém também foi vítima de preconceito por homens. A partir desses pequenos fatos, mas que demonstram o quanto vivíamos e infelizmente ainda continuamos vivendo em uma sociedade machista e preconceituosa, que muitas vezes enxerga a mulher como inferior, mas… a real é que mais do que nunca mulheres estiverem envolvidas com música, e para confirmar isso já havíamos falado de algumas delas na cena nacional, você pode conferir clicando nesse link, agora separamos mais nomes da cena nacional, depois dessas dicas você não vai mais poder falar que não conhece ou que não existe música boa feita por mulheres aqui. Cora Cora surgiu na cidade de Curitiba em 2013, inicialmente contava com Katherine e Kaila, hoje é um quinteto e acabou de lançar disco novo, El Rapto traz uma sonoridade influenciada por dream pop e rock psicodélico, as letras cantadas às vezes em português, inglês e espanhol trazem mitologias e reflexões. Betina Hotel Vulcânica é o segundo disco de Betina, artista de São Paulo, suas músicas viajantes exploram arranjos e belas melodias a um vocal doce e também intenso. O disco contém ainda com participações do Boogarins, Tatá Aeroplano, Bonifrate e Heloiza Abdalla. Gab Ferreira Músicas intimistas mas que cairiam bem para um dia de verão, assim é como podemos classificar mais ou menos o dream pop de Gab Ferreira, uma jovem cantora catarinense, ela já participou do programa The Voice Brasil, atualmente lançou o vídeo para a música Not Yours. Vivian Kuczynski Vivian é uma jovem cantora de 15 anos de idade, residente na cidade de Curitiba, podemos dizer que ela é uma menina com voz de mulher, e diga-se de passagem que sua voz é muito marcante, suas músicas flertam com o indie pop alternativo, lembrando artistas como Lana del Rey e Florence & the Machine. Cinnamon Tapes Cinnamon Tapes é o projeto de Susan Souza, uma musicista de São Paulo, o primeiro registro chamado de Nubia contém nove faixas e foi produzido por Steve Shelley, baterista do Sonic Youth. Suas músicas são autenticas, sensíveis e de beleza ímpar, e trazem influências de indie e folk. Não-Não Eu Vídeo clipes bem feitos e músicas numa vibe mais indie eletrônica, esse é o carro chefe desse trio mineiro formado por Pâmilla (vocal, guitarra, synths), Claudio (baixo, synths) e Thiago (bateria). O primeiro disco autointitulado foi lançado pela PWR Records e contém 9 faixas, produzido pela própria banda. Maria Beraldo Inicialmente integrante da banda Quartabe, Maria Beraldo faz um som que flerta mais com o lado eletrônico, ao vivo ela quem conduz seu sintetizador e guitarra, seu disco Cavala traz composições fortes que dão voz a mulher lésbica, que ela mesma chama de ”música de sapatão”. La leuca A banda La Leuca das irmãs Helena e Mariana lança Dente de Leite, seu primeiro disco de estúdio lançado pela Deckdisc, as composições passeiam pelo dream pop, psicodelia, rock e mpb. Eles já foram responsáveis por tocar ao lado de bandas como Boogarins, Carne Doce e Winter. Harmônicos do Universo O projeto da musicista Desirée Marantes surgiu em 2015, as composições criadas com apenas guitarra e violino trazem belos climas, emocionantes e únicos, assim como uma trilha sonora. Consuelo Cantora brasilense que flerta com o misticismo e o oculto, sua nova música ”Luz da noite” nos dá um breve gosto de como será seu novo lançamento. As guitarras distorcidas e dinâmicas, as vibes psicodélicas e ambientações algumas vezes mais sombrias nos lembra muitas vezes o rock feito pelos Mutantes.

YAGA: um novo festival dedicado a comunidade LGBTQ+

Yaga

Há pouco mais de um mês antes de acontecer, o YAGA havia sido anunciado nas redes sociais. Sem muitas informações, o festival deixou o público ansioso por seu line-up. É a primeira vez que um festival desse porte ganha palco em São Paulo. Criado de forma totalmente independente, trouxe um intercâmbio cultural afim de fortalecer e empoderar artistas do underground através da arte. Mesmo com os tempos obscuros em que estamos vivendo, o YAGA aconteceu. Foram dois dias de música (3 e 4 de novembro), o local escolhido foi o Love Story, uma famosa balada no centro da cidade. O line-up contou com artistas nacionais e internacionais e marcou a vinda inédita de Arca. Uma produtora venezuelana conhecida por trabalhar com diversos artistas. Nomes como Björk, Kanye West, FKA Twigs, e SOPHIE, produtora trans que já vinha trabalhando com artistas e lançando singles desde 2013. Em 2018 ela lançou seu primeiro disco de estúdio , que inclusive vem sendo muito elogiado pela mídia especializada. O primeiro dia de festival No sábado (03/11) o line-up contava com Arca, Alada, Cemfreio, Aretha Sadick, FKOFF1963, Juliana Huxtable, Mia Badgyal, Ønírica e LV1SLV1S. A casa abriu por volta das 23h como informado anteriormente e o fim da festa estava previsto para terminar às 9h00 de domingo. Cheguei por volta de 01h00 da manhã, o horário de verão acabou deixando eu e alguns um pouco confusos. Logo na entrada, vi uma grande movimentação. O mais legal foi ver pessoas de diferentes lugares e subculturas todas unidas e também vestidas como queriam. Era um mix de felicidade e liberdade para quem estava ali. Um ponto alto que devo destacar, fica por conta do staff do festival. Composto por pessoas trans, desde a entrada, passando pela segurança e bar. Foram super simpáticas e profissionais, inevitável mencionar que elas também eram responsáveis pela aura da festa. As apresentações Já dentro da casa, um público animado, dançando ao som de MATMA, que já estava a terminar sua apresentação. Imprevistos sempre acontecem, houveram alguns atrasos, mas o público estava tão animado e não parava de dançar ao som de ALADA. Sua apresentação começou por volta das 2h10 da manhã. O set teve muito techno e funk carioca com mashup de outras músicas do pop, rock e metal. Passava das 03h00 quando Arca surgiu nas escadas. Calçando botas vermelhas, com as pernas de fora e um tipo de smoking, maquiagem, óculos escuros. Saudou o público com rosas, a partir dali ganhou a noite com sua performance. Logo no início caminhou entre todos da pista cantando e em seguida começou seu DJ set. Ela partiu do techno e industrial, reggaeton e músicas típicas venezuelanas. A participação do performer brasileiro Saullo Berck também foi destaque durante o set e animou a apresentação. A artista caminhou por toda a casa, deu selinho e abraços em fãs. Subiu no queijo (pole dance) e interpretou falas já conhecidas em suas apresentações. Além disso, interagiu com o público e disse estar feliz por participar de um festival como esse, falou também sobre valorizar os artistas. A expressividade de Alejandra é com certeza o destaque, às vezes elegante ou ‘obscena’. O show acabou por volta das 4h15 da manhã, mesmo assim, a animação continuava. Muitos dançavam, circulavam pela casa ou iam até a área de fumantes (que estava lotada). Precisei ir embora, mas sei que a festa continuou até mais tarde, inclusive vi vários vídeos onde Arca interagia com a galera na pista. Por fim, ficou claro que precisamos de eventos e festivais como esse. É necessário dar voz a pessoas e fortalecer a arte. Parabéns aos organizadores que apostaram no evento, espero que o saldo tenha sido positivo e que a jornada continue. Que da próxima vez mais pessoas e também empresas se sensibilizem para apoiar com patrocínios. Siga e acompanhe o festival nas redes sociais: Site | Facebook | instagram Confira mais resenhas de shows.

Rebobinados indica #8

Em nossa oitava postagem de indicações temos bandas nacionais e internacionais, de vários estilos e em sua maioria com materiais lançados nesse ano, confira abaixo e não se esqueça de enviar seu material para rebobinadosblog@gmail.com Herzegovina Banda carioca de pós-punk lança seu segundo EP Last Turn, com cinco músicas inéditas, durante o mês de novembro a banda faz uma pequena turnê por alguns estados divulgando o material, São Paulo está na rota. Fronte Violeta O projeto experimental de Carla Boregas (Rakta) e Anelena Toku existe desde 2015 quando lançaram seu primeiro registro, o EP Travessias, agora elas lançam FLAMA e continuam sua jornada de sons abstratos. Nicole Dollanganger A cantora e compositora canadense lança seu sexto disco de estúdio, Heart Shaped Bed traz músicas em uma vibe bem melancólica, às vezes dark e fantasiosa, a artista já vinha trabalhando no disco desde o ano passado. Help Projeto de DSBM (Depressive Suicidal Black Metal) da cidade de Marília em São Paulo, com letras em português, acabam de lançar a inédita “Wind”. Soulsad O projeto surgiu na cidade de São Paulo em 2003, agora em 2018 retomam suas atividades como duo e com o lançamento do primeiro EP intitulado Two Funerals, as três faixas trazem composições profundas e um som que oscila entre peso e melancolia. The Wonderful Now Pra quem gosta de um som mais na vibe post-rock, os cariocas do The Wonderful Now acabam de lançar seu primeiro EP, a sonoridade flerta com vários estilos como dream pop e math rock. SOPHIE SOPHIE é uma artista e produtora trans da cidade de Los Angeles, ela vinha trabalhando com artistas da cena pop eletrônica e lançando singles desde 2013, apenas em 2018 saiu seu primeiro disco de estúdio Oil of Every Pearl’s Un-Insides, recentemente ela se apresentou em São Paulo no festival YAGA. SRSQ Novo projeto de Kennedy Ashlyn ex-membro da extinta Them Are Us Too, em seu primeiro registro Unreality ela traz uma sonoridade que flerta com o darkwave, dream pop e new wave de artistas como Cocteau Twins e Kate Bush. Altamente recomendado! The Completers Banda curitibana formada em 2015, a sonoridade caminha entre o punk e o experimentalismo do post-punk, em 2017 lançaram seu primeiro registro com duas faixas e agora em 2018 acabam de lançar o EP Unspoken Signals com três músicas inéditas.  

Earthless e Mars Red Sky, dois grandes nomes do stoner metal tocam em São Paulo

Que a galera brasileira gosta de stoner nós já sabemos, vale lembrar os diversos shows que a produtora Abraxas trouxe no ano passado e também em 2018 que foram sucesso, entre eles, Kadavar, Stoned Jesus, Samsara Blues Experiment e por aí vai… Com exclusividade quem vem dessa vez é o trio norte-americano Earthless formado por Iasiah Mitchell (vocal, guitarra), Mike Eginton (baixo) e Mario Rubalcaba (bateria), aproveitando a turnê de seu mais recente disco Black Heaven lançado via Nuclear Blast. Quem acompanhará a banda em seus shows pelo país são os franceses do Mars Red Sky que já estiveram no Brasil com a turnê de seu último disco Apex III lançado em 2016. O último lançamento da banda até então é o EP Myramyd de 2017. E como não poderia faltar, o representante nacional que abrirá os shows das duas bandas será a banda carioca Psilocibina, que inclusive lançou disco recentemente via Abraxas e Electric Magic Records. Confira abaixo as informações do show e não dê bobeira! 3 de novembro – SÁBADOLocal: Fabrique ClubAbertura da casa 18h00 18h30 – Psilocibina19h30 – Mars Red Sky20h30 – Earthless Compre já o seu antecipado: https://www.sympla.com.br/earthless-mars-red-sky-e-psilocibina-em-sao-paulo__316077 Ingressos antecipados online por apenas R$ 100 (meia entrada promocional para estudantes, menores de 21 anos, idosos, professores da rede pública, portadores de deficiência física e também para aqueles que levarem 1kg de alimento não perecível na entrada). Na hora: R$ 120 meia / R$ 240 inteira. Pontos de Venda:– Yoga Punx – Rua Doutor Cândido Espinheira, 156 – Perdizes(11) 94314-7955– Volcom – Rua Augusta, 2490 (apenas em dinheiro)(11) 3082-0213– Loja 255 na Galeria do Rock(11) 3361-6951– Ratus Skate Shop – Rua Doná Elisa Fláquer, 286 – Centro, Santo André(11) 4990-5163 – Em breve Compre já o seu antecipado: https://www.sympla.com.br/earthless-mars-red-sky-e-psilocibina-em-sao-paulo__316077 Arte: Douglas Jacinto ————————Classificação 18 anos.

Palamar: “se mantenham plenos e tenham cuidado com a polícia…”

Há mais de 1000 quilômetros de distância e quase no coração do Brasil, está localizada Brasília. Que dizem alguns que já foi a capital do rock, grandes e importantes nomes da música nacional foram exportados de lá para todo o Brasil e mundo. Numa época boa em que o rock era influente, forte, crítico, poderoso… A grata surpresa foi conhecer o Palamar, uma banda nova, que surgiu no fim de 2017 na capital brasileira ainda como trio. Hoje um quarteto formado por Galvão, Pedro, Heitor e Guilherme. Donos de um som lisérgico, viajante, de espírito jovem. Em seu primeiro ano de estreia lançaram o primeiro EP, Horizontes Submersos, com cinco faixas produzidas por eles mesmos. No ano seguinte, já começaram a trabalhar no sucessor, o resultado é o primeiro single lançado recentemente sob o nome de “Rebordose”. Uma sonoridade de qualidade, que renova nossa sede por bandas novas e que representem bem o rock nacional, sucesso e vida longa ao Palamar! Como aconteceu a ideia de formar a banda e a escolha do nome, vocês já se conheciam ou tiveram algum projeto anterior? Nos conhecíamos de outros rolês, eventos e festas… Eu (Galvão) e Santos tínhamos acabado de sair de um banda, sem nada pra fazer e muito pilhados em fazer algo novo… Chamamos o Heitor pra assumir a guitarra e a partir daí é só história; Palamar não tem significado, é o que é, por essência. O primeiro EP Horizontes Submersos foi lançado em 2017, como foi o processo de composição e gravação, as ideias fluíram ou existiu algum empecilho durante esse período? Uma fase de reconciliação de vontades, foi o início de um passo enorme para todos, uma gravação com identidade própria, ardor e o tempo de cada um envolvido ali. Após uma averiguação e reconhecimentos de ambientes por várias sessões de jam registradas (tá no nosso Soundcloud/// Demos), incorporamos o que a Palamar tinha pra soar e destrinchamos junto do tempo que tínhamos. Existem bandas que costumam compor suas letras com base em livros, situações do cotidiano ou até ficções, pra vocês, de onde vem as inspirações na hora de escrever uma letra? Temos um querer maior com o instrumental, deixamos um pouco de lado toda essa preocupação em relação à construção de letras e recados. Soamos como forma de complemento para o todo, nada é muito esclarecido, as letras tem seu aspecto de desnorteio de forma proposital. Mesmo assim, são trabalhadas envolta de outra referências: A vida e seus barulhos que teimamos em negar escutar, conselhos ruins, falta de determinação em certos pensamentos, desafios… É algo bem natural, bem humano, nada especifico. Falando ainda de inspirações, sobre a sonoridade, quais artistas nacionais e internacionais influenciaram vocês? Frank Ocean, Gal Costa, Lê Almeida, Hurtmold e Walter TV. Como anda a cena musical de Brasília, vocês acham que perderam o título de capital do rock? Nunca conseguimos enxergar esse posto de capital do rock de uma forma espontânea, foram tempos de desamparo e essa tradição quase que forçada, traz suas maldições e bênçãos a esse solo desde então, onde ouro é ofuscado e o contrário ganha cena, esse é exatamente o ponto, onde bandas maravilhosas se descarregam antes mesmo de serem notadas, espero que isso mude, que o público consuma mais arte, que os artistas dêem mais valor e que seja cooperativo o tal mito da cena. Quando não estão no palco ou compondo, o que mais gostam de fazer pra passar o tempo, algum hobbie específico? Fazendo parte da cidade, trampando ou estudando, mas sempre criando ou tentando criar algo em volta de intenções próprias… Recentemente vocês lançaram um novo single, para a música Rebordose, quais são os planos futuros, o disco deve sair ainda esse ano? Não, o álbum não sai esse ano… Os planos remetem à mais shows e processos de composição, focar em conceitos que consigam rumar a um plano de álbum que nos justifique, que a arte que a gente faz alcance mais pessoas, mais festivais, mais ocasiões. O plano ainda é se encontrar mais uma vez como no inicio das primeiras gravações, uma ideia e coragem!! Agora com uma certa expectativa e maturidade, tudo fica mais incorporado ao peito aberto e à crítica, foram esses aspectos que formaram muito do que o nosso trabalho anda consistindo, sabemos lidar e esperamos o melhor de cada um. Muito obrigado pelo tempo em falar com a gente, deixem uma mensagem para quem ainda não conhece o som de vocês. O recado que a gente deixa é: Se mantenham plenos e tenham cuidado com a polícia. Escute o single Rebordose: Acompanhe a banda nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | instagram Confira mais entrevistas.

Rebobinados | Falando sobre música alternativa desde 2017.