Uma jornada pelo rock instrumental do Hiroshima Bunker

Hiroshima Bunker é um quarteto que surgiu na capital de São Paulo, formado por Enzo Marco (guitarra), Eduardo Zeineddine (baixo), Gabriel Rego (guitarra) e Fernando Belchior (bateria). O pontapé na carreira veio com a gravação do primeiro single ‘Frankenstein’ , lançado em 2017 e influenciado pelo clássico livro da famosa autora Mary Shelley publicado há mais de 200 anos atrás, precisamente em 1818. A partir daí, surgiram shows por diversas cidades de São Paulo, esse era o start perfeito para começarem as gravações do tão aguardado primeiro EP. Batizado de Galáxia de Infinitos, o disco foi lançado em 2018, e apresenta cinco faixas que fazem uma jornada que transita por estilos como rock psicodélico, jazz, grunge e post-rock. Essas influências trazem momentos onde experimentam com várias texturas. Nas palavras do guitarrista Enzo Marco: ”À frente desse indivíduo — que poderia ser eu, você ou qualquer outro –, há territórios desconhecidos a serem explorados. São inúmeras as dúvidas que nos assombram, ao mesmo tempo, as mesmas dúvidas nos preenchem e se tornam possibilidades. O universo é colossal demais para não nos movimentarmos livremente. Não somos sólidos, mas sim pequenas partículas fragmentadas fluindo e, a qualquer momento, vamos deixar de ser essa massa densa para nos transformarmos em algo novo. É um ciclo sem fim. Somos mutáveis, como ondas sonoras que passeiam pelo universo através de um pedal de delay. Somos frequências que reverberam pelos planetas e invadem todas as dimensões inimagináveis. Estamos imersos em uma galáxia de infinitos.” Você pode escutar o disco na íntegra no link abaixo: Em 2019 a banda está se preparando para gravar um novo single, que deverá sair em breve, mas enquanto isso você pode escutar o EP nas plataformas digitais e ficar por dentro das novidades nas redes sociais, os links estão logo abaixo. Acompanhe o Hiroshima Bunker nas redes sociais: Facebook Youtube Instagram
Rammstein: após 10 anos retornam com sétimo disco em ótima forma

Desde o começo dos anos 90 que o Rammstein é considerado uma das melhores e mais bizarras bandas do heavy metal. Sempre muito críticos e irônicos, já foram censurados e proibidos de tocarem em alguns lugares, suas performances ao vivo são sempre cheias de grandes momentos que vão de pênis de borracha, caldeirão de fogo à mega explosões. Algumas letras difíceis de entender ou clipes muito bem produzidos, tudo isso faz deles uma das melhores bandas do planeta. Agora em 2019, eles retornam com seu disco homônimo, o sétimo da carreira. O primeiro single ‘Deutschland’, traz claramente uma visão do que a banda e até alguns de nós temos sobre a Alemanha. Um olhar de raiva sobre seu passado triste e sofrido, mas também o renascimento e a construção de uma nova nação. A sonoridade é uma mistura do antigo Rammstein, mais eletrônico e cheio de sintetizadores com o peso de seus discos mais atuais Reise, Reise e Rosenrot. Em seguida, Radio, pesada, dançante e com um sintetizador marcante como na época do disco Sehnsucht. A música fala sobre a criação do rádio, com um refrão pegajoso que é praxe em grande parte das músicas da banda, e também com pitadas de críticas. Zeigh Dich, traduzindo para o português “Mostre-se”, a letra é forte e faz uma crítica dura às igrejas e religiões que promovem o sagrado, mas na verdade cometem o profano. O coro em latim no início, traz um ar de novidade para a faixa, mas no geral ela se encaixaria bem em um de seus trabalhos mais recentes. Mais uma vez os sintetizadores bem marcantes, em Aüslander temos batidas apelando para o pop, mesmo assim é uma das melhores do disco. Nas letras, Till usa o sarcasmo contra estrangeiros e cita algumas frases em diferentes línguas, como francês, italiano e inglês. Sexo sempre fez parte dos temas das letras do Rammstein, e agora temos isso de forma bem direta. A faixa Sex, é pesada, moderna, mas não traz muita novidade, mesmo assim não deixa de ser uma boa pedida para um set ao vivo. Puppe é com certeza um dos pontos altos, aqui conseguimos sentir toda a fúria dos vocais de Till, quase alcançando um gutural. Gosto do fato da sonoridade manter peso mesmo sem usar riffs rápidos ou pedais duplos na bateria, isso é algo que eles fazem muito bem. Em Was Ich Liebe a banda usa mais batidas eletrônicas, o que traz uma certa inovação para o som, mas no decorrer não temos tanta novidade. Temos em Diamant uma voz/violão no estilo Rammstein, sem muitos detalhes, com cordas de fundo, servindo como ponte para a próxima faixa. Weit Weg, aqui também não temos novidade, uma música que pode passar bem despercebida durante sua audição. Chegando ao fim do disco, Tattoo é mais um dos destaques, uma faixa pesada e enérgica, lembrando facilmente a sonoridade do disco Mutter (2000). E quem mais faria uma letra até poética sobre a tatuagem? Quem fecha o setlist é Hallomann, e como Rammstein também é cultura, aqui aprendemos até algumas expressões de conversação como ”Hallo kleines Mädchen, wie geht es dir? / Mir geht es gut, sprich nicht zu mir”. Em Sonne, do disco Mutter, aprendemos a contar do 1 ao 10, se lembram? Brincadeiras à parte, a sonoridade de Hallomann tem um clima de final mesmo, foi uma boa escolha. Em seu sétimo disco, a banda continua em ótima forma, misturando momentos de novidade com suas características que os fizeram uma das melhores bandas do metal, as letras são fortes e não deixam dúvidas ou enigmas, tudo é muito direto, mesmo com ótimo discos lançados após os anos 2000, o homônimo Rammstein mostra decentemente o poder do sexteto alemão. Siga a banda nas redes sociais: FacebookInstagramYoutube
Rebobinados indica #12: Lançamentos 2019

Pesta – Faith Bathed in Blood Faith Bathed in Blood é o segundo disco de estúdio dessa brilhante banda mineira de stoner/doom lançado em 28 de fevereiro pelo selo Abraxas Records, durante as oito faixas ouvimos um som pesado, riffs dinâmicos e um vocal poderoso, o foco aqui foi produzir algo mais orgânico, com uma sonoridade fiel aos seus shows ao vivo. A produção ficou por conta de André Cabelo da banda Chacal, com quem já haviam trabalhado anteriormente em seu também elogiado primeiro debut Bring Out Your Dead. As letras giram em torno de ações em nome das religiões, fanatismo, rituais ou pessoas que se julgam executores da justiça na Terra. TR/ST – The Destroyer, Part. 1 Já fazia um bom tempo que Robert Alfons, líder do TR/ST, não lançava nada novo, o seu último disco Joyland saiu em 2014, desde então apenas duas músicas novas foram apresentadas durante alguns shows que a banda fez. O surgimento da nova “Bicep” deixou os fãs animados, mas foi só em 2019 que o primeiro single “Gone” foi lançado e deu indícios certos de um disco novo, ainda foram apresentadas as faixas “Unbleached” e “Colossal”, mostrando que a sonoridade ainda trazia aqueles nuances dark eletrônicos bem agitados e os vocais frios e graves ou até desajeitados.The Destroyer, Part. 1 mantém o TR/ST em um bom patamar da música eletrônica alternativa, mesmo com um pé na cena dark, ele consegue atrair também os ouvidos do público mais indie, fãs de artistas como Grimes e ionnalee. Bomfim – Vazio Bomfim surgiu na cidade de Joinville no ano de 2017, trazendo uma mistura de rock alternativo com influências de shoegaze e dream pop, as composições ora trazem um som mais frio, melancólico ou uma guitarra delicada e mais aérea, cheias de letras afetuosas que criam uma ponte com o ouvinte, Arrepio, Astronauta e Medo provavelmente ficarão no seu repeat por algum tempo. O EP batizado de Vazio traz quatro faixas e foi lançado pela gravadora Nuzzy Records, a banda já se apresentou ao lado de nomes como Gorduratrans, Terno Rei e Adorável Clichê. Desert Crows – Age of Despair Goiânia tem sido a nova capital do rock, ultimamente grandes nomes vem surgindo de lá, e pode apostar que o Desert Crows é um deles. O power trio formado por Vitor Mercez (guitarra e vocal), Raul Martins (baixo) e Pedro Nascimento (bateria) nos apresentam seu primeiro disco Age of Despair. Com uma baita produção e um som moderno que transita entre o stoner rock e o grunge, esse é um daqueles discos pra ouvir no último volume, com músicas poderosas, pesadas e cheias de melodias que vão grudar na sua cabeça. O lançamento ficou por conta do selo Monstro Discos. Westkust – Westkust O novo quinteto sueco de Gotemburgo, Westkust, traz seu segundo disco auto intitulado. A capa fofinha com rosas em um campo (mas com uma péssima tipografia) nos dá alguma ideia do que está por vir. Um shoegaze/dream pop mais puxado para o indie rock, com guitarras barulhentas, mas também com melodias bonitas, assim como faziam os The Pains At Being Pure At Heart, os vocais se encaixam bem, o disco mesmo sendo curto não passa despercebido, é um bom lançamento, acredito até que a banda tem tudo pra ser mais conhecida, pois eles fazem o tipo de som que é agradável de se escutar em um festival, não deixe de conferir! FONTAINES D.C. – Dogrel Seria um erro não falar algo sobre esse disco por aqui, afinal o FONTAINES D.C. surgiu em 2018 direto de Dublin e em 2019 chegaram chutando tudo com Dogrel, seu primeiro disco de estúdio. Aqui eles trazem de volta aquele revival do pós-punk do fim dos anos 70, com um sotaque bem puxado, guitarras bem cruas e um som bem agitado, mas com espaço para algo mais ”comercial” como na ótima “Television Screen”. Não é toa que o disco tem atingido ótimos rankings pela Europa, e é também um dos mais comentados em sites de música especializada, a banda tem cerca de cinquenta shows marcados pela Europa e América do Norte. Uns dizem que o rock está morto, nada tão relevante tem sido lançado, talvez essa seja a hora de mudar isso! Ave Sangria – Vendavais Quarenta e cinco anos, esse foi o tempo entre o primeiro disco Ave Sangria (1974) e Vendavais que acabou de ser lançado. Essa importante banda do rock nacional surgiu em Pernambuco, naquela época, impressionaram pelo som com influências de psicodelia, progressivo e da já conhecida tropicália. Não sabemos ainda o por quê, mas depois de todo esse tempo a banda começou a ganhar mais reconhecimento, e tão rápido o disco homônimo de 74 estava nas graças do povo, considerado agora como cult. A parte boa é que a banda vendo o retorno decidiu se reunir para apresentar alguns shows e também gravar um disco novo, por que não? Há poucos dias Vendavais chegou aos streamings do mundo, um disco impressionante, potente, bem composto e bonito. Vida longa ao Ave Sangria! Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.
Wolfheart e Fleshgod Apocalypse fazem apresentações devastadoras em São Paulo

Na quarta-feira de feriado (1 de Maio) São Paulo recebeu dois ótimos nomes do metal extremo. As bandas Wolfheart (Finlândia) e Fleshgod Apocalypse (Itália), se apresentaram na The House (antigo Hangar 110) com produção da EV7 Live. Cheguei na casa por volta das 18h50 e as portas ainda não estavam abertas. Uma fila com um número considerável de fãs aguardava, no entanto, em de dez minutos a entrada foi liberada. A estreia do Wolfheart no Brasil O primeiro show da noite começou por volta das 19h45 com o Wolfheart. A banda finlandesa é formada por Tuomas Saukkonen (guitarra, vocal), Mika Lammassaari (guitarra), Lauri Silvonen (baixo, vocal) e Joonas Kauppinen (bateria). Subiram ao palco fazendo sua estréia em terras brasileiras, essa é a primeira vez que a banda vem à América do Sul. O disco mais recente Constellation of the Black Light foi lançado em 2018 pela Napalm Records. A apresentação foi intensa e pesada, uma banda muito boa no palco, com riffs rápidos e destruidores. Ora tivemos atmosferas mais arrastadas e melódicas com influências do doom e folk que não são tão perceptíveis no som, mas sim nas letras que falam sobre natureza, guerreiros e apocalipses. O público ainda pequeno estava tímido, mas aos poucos foi ganhando intimidade, com moshpits, gritos e aplausos durante os 45 minutos de apresentação. O setlist mesmo que curto passou por toda a discografia, a faixa Boneyard já conhecida pelos fãs finalizou o show. A banda estava feliz por tocar pela primeira vez para o público brasileiro, agradeceu a presença de todos e saiu do palco muito ovacionada. Fleshgod Apocalypse e seu furacão musical Em menos de trinta minutos após o primeiro show, o palco já estava montado e todos os instrumentos prontos para receber a atração principal da noite. Essa é a segunda vez dos italianos do Fleshgod Apocalypse aqui. A primeira aconteceu em 2017 ao lado dos gregos do Septic Flesh. Exatamente às 20h53 os integrantes subiram ao palco para o delírio do pequeno público que os aguardava ansiosamente. Logo de cara deram início com a destruidora ‘The Violation’ do disco Agony. Em seguida, ‘Healing Through War’ do disco King de 2017, uma dobradinha matadora capaz de quebrar o pescoço de qualquer um. Uma pequena pausa e continuaram com ‘Cold As Perfection’ que se destaca pelos vocais de opera, feitos pela incrível Veronica Bordacchini que excursiona com a banda ao vivo. Mais uma pequena pausa para conversar com a audiência, e o vocalista Francesco Paoli disse que eles iriam lançar um disco novo chamado Veleno. Em seguida, tocaram uma música desse disco, a resposta foi imediata, então seguiram com ‘Sugar’, primeiro single. O setlist contou com músicas de todos os discos e parece ter agradado os presentes. Destaque também para mais uma música nova que estará no novo disco, intitulada ‘Fury’. Não podiam faltar também ‘The Fool’, ‘Epilogue’ e ‘The Egoism’. Já fui em alguns shows de metal extremo, mas nenhum comparado a esse, é difícil ficar parado em qualquer música. Essa mistura de death metal com orquestras, duetos entre guturais e vocais de ópera femininos e masculinos fazem com que tudo fique mais ”freak”. Mais uma pequena pausa e a banda volta ao palco para finalizar sua apresentação com ‘The Forsaking’. Os fãs abriram uma grande roda de mosh pit no meio da pista para fechar também com chave de ouro. As duas bandas fizeram apresentações impecáveis, poderosas e devastadoras. Era visível que cada integrante estava se doando, e imagino que esses caras devem ficar bem cansados com toda essa intensidade. O ponto fraco ficou por conta do público que desapontou, acredito que não haviam nem trezentas pessoas presentes ali. Isso é algo que a própria bandou notou ao se despedir dizendo que ”com certeza irão voltar e que esperam que tenham um público maior e maior e maior… ”. Uma pena, visto a qualidade de ambos e sabendo que é tão difícil ter um show dessas bandas por aqui. Mas já notamos que os brasileiros acabam se acostumando com ”mais do mesmo”, shows do Iron Maiden e Metallica, continuam com sold out, mesmo não trazendo nada de novo aos fãs. Parabéns a produtora EV7 Live pela iniciativa em trazer bandas com esse tipo de som e obrigado pelo credenciamento. Acompanhe o Fleshgod Apocalypse nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp Confira o disco Veleno: Confira outras resenhas de shows acessando aqui.
O Cientista Perdido: projeto traz rock atmosférico com influências que vão de Radiohead a Björk

O Cientista Perdido é como o brasiliense Rodrigo Saminêz batizou seu projeto musical, que ganhou vida em 2018. O primeiro single “Cientista” traz um sonoridade leve, etereal, capaz de te transportar para um mundo paralelo. Nas palavras de Rodrigo: “Cientista” é a minha resposta pro mundo à uma pergunta que eu nem sei qual é. É algo que quero dizer e que sinto que precisa ser dito já faz tempo. Foi escolhida a dedo como primeira canção, a única música cujo eu-lírico sou eu mesmo, e não o personagem que criei pra me relacionar com a música. Na verdade, essa é uma música dedicada à este personagem, para que ele siga qualquer caminho sempre lembrando de sua própria essência.” Alguns meses depois, o novo single “Before” foi lançado, este traz um sentimento saudosista: ”Quem nunca sentiu aquele sentimento confuso de sentar para assistir fitas VHS com compilados de memórias da sua infância? Ver a si mesmo no passado pode ressuscitar as alegrias e os questionamentos mais antigos e “auto-inerentes”. E é justamente a extrema individualidade da situação descrita que inspirou o segundo single d’O Cientista Perdido. “Before” traz, junto ao seu videoclipe uma paz que é, ironicamente, saudosista e inquietante, e repete constantemente a pergunta: “o que você quer ser quando crescer? “. O single acompanha uma faixa instrumental bônus, intitulada “In the Shadows”. Para compreender melhor as ideias, batemos um papo com Rodrigo sobre o início de seu projeto, suas composições, o futuro EP e o próximo single que sairá no dia 26 de abril. Quando e como foi o seu primeiro contato com música? Acho que o primeiro contato que de fato começou a mudar algumas coisas dentro de mim foi com Clocks, do Coldplay, que tocou num filme que eu tava assistindo – eu devia ter uns 10, 11 anos. Eles sempre foram minha banda favorita, muito por causa disso. Foi a partir deles que comecei a não só ouvir, mas a me conectar com a música. O primeiro álbum completo que ouvi foi o A Rush of Blood to the Head, aí depois fui seguindo os outros discos deles. Cada álbum era único, e eu fui me encantando cada vez mais pela ideia de discos de estúdio, conceitos sonoros, identidade musical… por aí vai. Sobre o seu processo de composição, o que vem primeiro as letras ou o instrumental? Isso depende. Gosto de enxergar cada música como um universo particular, logo as regras do jogo sempre vão mudando. Cientista começou há uns quatro anos atrás, quando quis escrever uma música explicando o nome do projeto de uma maneira bem indireta. Aí a letra veio antes de tudo, tanto que só fui de fato finalizar a música no fim de 2018. Já a Before surgiu depois que eu toquei exaustivamente os dois acordes da base da música e tentei cantar algo por cima deles. Mas não gosto, e nem pretendo ter um ponto de partida fixo p’ras minhas músicas. Isso tudo depende do que tá rolando na minha cabeça no momento. Foi difícil definir qual seria o estilo das suas músicas? Não só foi, mas é tão difícil que até hoje eu não sei dizer direito! Um dos pilares d’O Cientista Perdido é flutuar dentre os gêneros de uma forma fluida e orgânica, e é isso que venho tentado fazer, tanto nesses singles avulsos, quanto em projetos futuros. Tem sido muito difícil encaixar minhas músicas em alguma fôrma justamente pelo fato do processo criativo delas ser muito imersivo pra mim. Fico tão dentro de cada universo que fica difícil sair pra olhar aquilo tudo por fora. Mas é justamente que eu tenho um grupo seleto de amigos, que sempre acompanha todas as etapas das músicas e vai me guiando sobre o que eles acham, sentem e se recordam enquanto ouvem. Mas no fundo, no fundo, as músicas são, sonoramente, um reflexo de tudo que eu ouço. Tudo acaba sendo uma porcentagenzinha de cada artista que estou ouvindo no momento, que no fim compõem uma identidade própria. Qual a sua opinião sobre a cena independente nacional e a facilidade que artistas tem ao poder criar suas músicas sem ajuda de alguma gravadora? Eu sou muito otimista em relação à cena independente. O público de artistas independentes é específico, mas é sempre um público muito caloroso e apoiador. Falando especificamente sobre Brasília, minha cidade, o que eu vejo é uma rede enorme de artistas e amigos que estão extremamente dispostos a se ajudar e se conhecer, valorizar mutuamente os trabalhos. No entanto, a facilidade do acesso à softwares de gravação caseira e coisas do gênero as vezes parece ser desculpa para alguns artistas se manterem na mediocridade e na mesmice. Fico feliz disso não ser recorrente na minha cena, ou ao menos não com os artistas que conheço, mas é comum ver alguns artistas de Bandcamp que tem uma falsa ambição e uma vontade de crescer que é maior do que o carinho e da alma que são colocados na música. Isso é triste, mas ao mesmo tempo, é facilmente ignorável, devido à enorme gama de artistas incríveis que tenho o prazer de acompanhar, sempre ambiciosos e extremamente zelosos. Pretende lançar um disco completo ou EP? Meu primeiro EP tá a caminho! Pretendo lançar entre junho e julho desse ano, mas não prometo nada! Quem quiser alguns spoilers fica ligado nas redes sociais pra ver quando vai ter show, a gente já tá tocando algumas músicas dele. Quais são suas influências não musicais? Estudo letras inglês na UnB, então a literatura (canônica ou não) é um elemento que geralmente se encontra presente nas minhas composições, em termos de letra. Sempre tento parafrasear alguma coisa que li para alguma matéria e chamou minha atenção. Mesma coisa pra alguns filmes. Além disso, as músicas geralmente surgem de situações, hipóteses, histórias imaginárias. Posso dizer que existe pelo menos uma música pra cada uma desses elementos listados na frase anterior dentro do meu EP. Deixe um recado para quem ainda não conhece sua
Polly Terror: composições sombrias e melancólicas em “Special Fiend”, seu EP de estréia

Poliana Marques é a mente por trás de Polly Terror, seu novo projeto musical. Ela é conhecida por sua participação nas bandas Duna, Brisa e Chama, e também por ser uma das fundadoras do evento Chá das Mina, um coletivo que tem o intuito de enaltecer e divulgar mulheres artistas da cidade de Betim em Minas Gerais e entorno, através de exposições, shows e rodas de conversa. Em sua nova banda, Poliana experimenta através de diferentes estilos, como rock, metal e industrial. Entre suas influências estão artistas como Chelsea Wolfe, Emma Ruth Rundle e The Cure. Special Fiend é o nome do seu EP de estréia, um disco com cinco músicas produzido pela própria Polly em parceria com Fábio Mazzeu (Mayen e ex-Lively Water) e Porquinho (Grupo Porco e Fodastic Brenfers). As composições trazem momentos mais sombrios, melancólicos e experimentais, abordando suas experiências pessoais. O lançamento ficou por conta do selo Abraxas de São Paulo e Geração Perdida em Belo Horizonte, ambos responsáveis por trabalhar com bandas importantes do cenário musical nacional e internacional, como Lupe de Lupe, Necro, Neurosis e Kadavar. Acompanhe Polly Terror nas redes sociais: FacebookInstagram
Fleshgod Apocalypse: banda italiana de death metal sinfônico retorna ao Brasil com nova turnê

A história do Fleshgod Apocalypse começa na pequena capital de Perúgia, na Itália onde se juntaram no ano de 2007 para gravar a primeira demo. No ano seguinte, lançaram o split Da Vinci Death Code, e em seguida tocaram como banda de apoio em uma turnê europeia ao lado de grandes nomes como Behemoth, Napalm Death, Dying Fetus entre outras. O primeiro disco Oracles foi lançado em 2009, e trazia uma mistura do peso do death metal com música clássica, o que chamou atenção do público amante da música pesada. Dois anos mais tarde, eles assinaram com a Nuclear Blast e lançaram mais três discos, sendo eles: Agony (2011), Labirynth (2013) e King (2016). O quinto e novo disco intitulado Veleno será lançado no dia 24 de maio, também pela Nuclear Blast e para divulgá-lo a banda retorna após dois anos desde sua última passagem pelo Brasil. As duas apresentações acontecem em 01 de Maio em São Paulo e em 02 de Maio em Curitiba com produção da EV7. A banda finlandesa Wolfheart, conhecida por seu som que mistura death e folk metal, será a convidada especial para abrir as apresentações da turnê latino americana, essa é a primeira vez que eles tocam na América do Sul, então se eu fosse você não perderia essa apresentação histórica que promete quebrar tudo no Hangar 110. Enquanto o disco não sai, você pode conferir o clipe do primeiro e novo single, “Sugar”: Abaixo você encontra todas as informações das duas apresentações da banda no Brasil: Fleshgod Apocalypse + Wolfheart em São PauloData: 01/05/2019Local: The HouseEndereço: R. Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro, São Paulo/SPClassificação: 18 anosIngressos: https://ticketbrasil.com.br/show/6864-fleshgodapocalypseewolfheart-saopaulo-spInformações: www.facebook.com/events/391711238293896/ Fleshgod Apocalypse + Wolfheart em CuritibaData: 02/05/2019Local: JokersEndereço: R. São Francisco, 164 – Centro, Curitiba/PRClassificação: 18 anosIngressos: https://ticketbrasil.com.br/show/6865-fleshgodapocalypseewolfheart-curitiba-prInformações: www.facebook.com/events/334361783875394/
Conflitos, política e música: conheça o Pussy Riot, grupo russo feminista que se apresentará pela primeira vez no Brasil

O grupo começou em 2011 na capital de Moscou, mas foi em 2012 que o início de carreira foi marcado por conflitos e prisões. Acontece que as meninas se juntaram pra fazer uma apresentação não autorizada na Catedral de Cristo Salvador, a apresentação durou poucos segundos e as integrantes foram imediatamente retiradas e presas acusadas de vandalismo. O ato foi feito em manifestação contra a igreja ortodoxa e o presidente Vladimir Putin. Putin, que é um dos principais alvos do grupo disse que elas ” haviam infringido os fundamentos morais da nação e estavam recebendo o que pediram… ”, além disso o grupo foi responsável por outras manifestações, como a do jogo no final da Copa do Mundo 2018 entre França e Croácia, onde uma integrante entrou no campo durante a partida para protestar contra Putín. Em suas apresentações ao vivo ou em entrevistas, as integrantes cobrem os rostos e usam roupas incomuns, geralmente blusões e calças largas, para sair fora dos padrões impostos sobre as mulheres. No total, o grupo tem cerca de 25 pessoas, entre artistas e assistentes que filmam e editam seus vídeos. Aqui no Brasil elas se apresentarão no dia 20 de abril no festival Garotas à Frente realizado pela agência Powerline que contará com outras bandas nacionais, no Fabrique Club, o evento contará também com workshops, debates e muito mais. Aproveitando a passagem pelo país elas participarão do projeto Girls Rock Camp e também se apresentarão no festival Abril Pro Rock em Recife no dia 19 de abril. O que será que vem por aí? Alguma manifestação contra Bolsonaro e seu governo? Quem sabe… só indo pra ver, abaixo segue as informações sobre a apresentação delas por aqui! Confira todas as informações para não perder esse show: SERVIÇOPussy Riot no festival Garotas à FrenteEvento: https://www.facebook.com/events/285488125446518/Data: 20 de abril de 2019Horário: a partir das 16 horasLocal: Fabrique ClubEndereço, Rua Barra Funda, 1071 (Barra Funda – SP)Ingressos online: R$ 80,00 (1º lote – promocional e estudante)-ESGOTADO, R$ 100,00 (2º lote – promocional e estudante)https://pixelticket.com.br/eventos/3119/festival-garotas-a-frente-pussy-riotCensura: 12 anos
O sludge nacional em 10 bandas

O Sludge Metal é um dos subgêneros do heavy metal, surgiu no início da década de 90 lá no sul dos Estados Unidos. Em suas características, os riffs arrastados vindos do doom metal, e ora brutais e rápidos como no hardcore, que fazem com que o estilo seja um dos mais dinâmicos do metal, capaz de criar diferentes momentos intensos em uma só música. A partir dos anos 2000 o sludge passou a ganhar mais força, se bandas que deram vida ao movimento ainda estão em ativa e lançando discos, caso do Neurosis e Melvins, muitas outras surgiram pra carregar essa bandeira pela frente, como Isis, The Ocean entre outros. Aqui no Brasil, ainda que esse não seja tão explorado, temos grandes nomes na cena, que inclusive tem reconhecimento na gringa também, caso do Jupiterian, que ultimamente tem realizados shows pela Europa ao lado de grandes nomes. Abaixo listamos dez bandas do estilo que você precisa conhecer! Reiketsu Basalt Noala God Demise Jupiterian Goatmantra Carahter Ourang Medan Marte Câimbra