Garbo lança vídeo para novo single ‘A Nossa Música’

Na cena indie pop há cerca de dois anos, o paulista Garbo acaba de lançar mais um single inédito, a faixa ”A Nossa Música” ganhou vídeo clipe oficial e fará parte do sucessor de ”Jovens Inseguros Vivendo no Futuro”, disco lançado em 2018. Assista o vídeo abaixo: Siga o Garbo nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube
Rebobinados indica #15

Dizzy Wave – Feel the Wind ‘Fell the Wind’ é o primeiro single que antecede o primeiro EP da banda que deve sair até outubro desse ano, a sonoridade é uma viagem sonora que serve de calmante ao ouvinte, com fortes influências da psicodelia e do dream pop. Thiago Pethit – Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação) O quarto disco de estúdio do músico e compositor Thiago Pethit traz nove composições influenciadas por Orfeu, o personagem da tragédia grega vem reformulado e vive os desamores pelos pontos urbanos de São Paulo. A sonoridade que traz uma mistura de MPB, música clássica e trip-hop cria uma aura às vezes obscura, melancólica e contemporânea. Vivian Kuczynski – Ictus A jovem cantora Vivian Kuczynski já vinha ganhando destaque com seu primeiro EP ‘Sonder’ lançado em 2017, que trazia um som maduro e um vocal singular, agora retorna com seu primeiro disco de estúdio, ‘Ictus’ traz nove faixas com influências de indie pop e momentos mais introspectivos. lllucas – Azul (single) lllucas é um projeto de dreampop de São Paulo, ”Azul” é seu novo single após um ano do lançamento de seu primeiro EP Creme Azedo. O nome azul foi escolhido pela associação da cor com a tristeza e solidão, nas letras lllucas fala sobre a solidão do jovem suburbano e é acompanhado por um instrumental leve e psicodélico. Applegate – Enfim (single) Applegate banda que surgiu em São Paulo no ano de 2016, lança ”Enfim”, o terceiro single apresentado antes do lançamento oficial de Movimentos Regulares, seu primeiro disco de estúdio que deve sair em outubro, a letra fala sobre auto-confiança e aceitação nos tempos turbulentos que vivemos. Sussurruído – Palavras Nos Muros (single) Esse é o primeiro single do novo EP da banda que será lançado em 05 de setembro, entre as principais influências está o rock alternativo dos anos 90 de bandas como Dinossaur Jr., Smashing Pumpkins, Pixies e Pavement. Flechas e Luzes – Dias de luta! Noites de luto! Dias de Luta! Noites de luto! é o primeiro EP da banda paulistana Flechas e Luzes com cinco faixas, de letras fortes acompanhadas de um rock moderno e de atitude. A música escolhida para primeiro single foi ‘O Mundo que Mudou de Cor’. Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.
Fogo Caminha Comigo lança disco de estréia influenciado por livro de Franz Kafka

Formada em Curitiba no ano de 2018, a Fogo Caminha Comigo conta com Rawph Rodrigues (Guitarra/Vocal), Richardyson Marafon (Guitarra/Vocal), Rômulo Dea (bateria) e Julio Donato (baixo). Suas músicas trazem influencias vindas do emo, dream pop e shoegaze. Pra antecipar os preparativos para o novo álbum que sai dia 29 de agosto, foram liberados dois singles, são eles ‘Capablanca’ e ‘2015’, faixas que estarão no disco que recebeu o belo título de ‘O Lamentoso cair de pétalas dança dentro da primavera de minha cabeça’. A ideia vem de uma passagem do livro ‘Cartas a Milena’ de Franz Kafka publicado em 1952. O disco lançado pelo selo NapNap Records foi gravado ao vivo no Estúdio Sabine em junho de 2019, e foi produzido, mixado e masterizado por Michael Wilseque, a capa foi feito por Nicole Gonçalves. Vocês poderiam nos contar como a banda começou e sobre a escolha do nome ‘Fogo Caminha Comigo’? Começamos tocando juntos com projeto do Rawph. Com o passar do tempo, compondo novas músicas juntos, resolvemos assumir a banda como nosso role.A escolha do nome veio do filme da Laura Palmer, parte da série Twin Peaks. A gente queria alguma coisa forte e que fizesse sentido pra nós, nisso vimos que não havia banda com esse nome e tratei de salvar no bandcamp. Como surgiu a influência do livro do Franz Kafka no conceito do disco? O nome do disco foi tirado de um trecho de Cartas a Milena. É uma leitura rápida/densa que te apresenta de Franz Kafka toda sua sensibilidade, apreensão, angústia e amor. Sinto que isso seja sincero o bastante! Enxergo o mundo de Kafka de um modo em que as coisas precisam mudar drasticamente pra se tornarem memoráveis. O que vocês podem nos contar sobre o disco, como o definiriam? Nos baseamos em algumas bandas dos anos 70 que gravavam ao vivo, foi assim que gravamos esse disco. Buscávamos trazer a maior naturalidade possível, afim de que nossos shows não soassem de uma forma tão diferente do disco em si. E entendemos que seria a melhor forma de conseguir representar nossas emoções para o/a ouvinte. Se vocês pudessem escolher apenas uma música dele para estar em um filme, qual seria e por quê? Sempre encaro algumas músicas de viagem, de estrar na estrada. Essa música em questão me descreve um carro andando solitariamente numa rodovia, fim de tarde quase noite. Há alguns momentos de clareza e escuridão nessa faixa, que eu a associo assim. Estamos vivendo tempos obscuros na política, isso impacta a banda de alguma forma ou é algo que vocês preferem não incorporar nas músicas? Impacta sim, é inevitável infelizmente ficar apar do contexto político que estamos. A faixa 2015 mesmo, foi feita sobre um ano muito conturbado pra todo mundo, teve o impeachment e toda aquela agitação vestida de verde e amarelo nas ruas. Outra vez, tocamos juntos com o Early Morning Sky no dia das eleições do primeiro turno. Fomos tocar com os resultados saindo e o desespero quase tomou conta. Mas, estávamos entre amigos e isso ajudou muito. Ter banda nesses momentos é uma válvula de escape pra cada notícia ruim que vem até nós diariamente. Quais são os planos após o lançamento, algum clipe em vista, em quais cidades vocês gostariam de tocar? Nossos planos de pegar a estrada existem sim. Devemos ir pra São Paulo, Maringá, Londrina, Ponta Grossa, e passar por algumas cidades de Santa Catarina. Gostaríamos de passar por mais cidades, porém, todos trabalhamos bastante e no final de semana, precisamos nos organizar melhor. Acredito que deve sair mais algum clipe… piramos em fazer lives tocando o disco cheio, é algo que deve ser feito também. Deixem alguma mensagem para os fãs. Façam bandas com seus amigos e amigas, antes de se verem como banda lembrem-se sempre de sua amizade em primeiro lugar. Confira o disco na íntegra: Siga a Fogo Caminha Comigo nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Instagram | Youtube Confira mais artistas e bandas na seção entrevistas.
Sob clima leve e psicodélico, os alagoanos do Milkshakes lançam ‘Wanderlust’ seu novo disco

O Milkshakes vem da linda cidade de Maceió, no Alagoas. A banda foi formada em 2015 por Duda Bertho (vocal, guitarra, synths). Ele já vinha compondo algumas músicas, e então decidiu chamar alguns amigos para grava-lás. O resultado foi o primeiro EP intitulado ‘Technicolor’, lançado em 2015 com cinco faixas e produzido pela própria banda. A sonoridade psicodélica e nostálgica do grupo ganhou destaque em diversos meios de comunicação pelo país. Sendo o EP considerado um dos melhores discos do ano. Em 2019 eles retornam com seu novo álbum ‘Wanderlust’. Durante as oito faixas podemos escutar uma sonoridade leve, praiana e com influências que vão do indie, passando pelo pós punk e psicodélico, com características que conseguem unir o retrô e o moderno. Encontramos boas doses de psicodelia e viagem na faixa ‘Wanderlust’ que abre o disco, ou uma pegada mais eufórica em Summer. De repente, caímos na melancólica e romântica ‘Take Me to the Stars’ e dançamos ao som de ‘Highway’ com sua vibe mais pós-punk. Wanderlust mostra um som cada vez mais maduro, mais bem trabalhado, onde a banda procura experimentar mais e definir de vez sua faceta. Ouso dizer que já é facilmente um dos melhores discos nacionais desse ano. Aproveitamos esse lançamento para bater um papo com os integrantes e saber um pouco mais sobre a banda e o que tem rolado nesses últimos anos. O primeiro EP ‘Technicolor’ foi lançado em 2015 e de cara mostrou uma baita qualidade e maturidade. Como vocês o avaliam agora quatro anos após seu lançamento? Gostamos bastante. Eram músicas que tinham sido feitas desde 2012, e tinham um lado mais jovem, mais Wavves rockinho de praia, e a partir daí elas foram moldadas com as referências que eu e Chase (Fellipe Pereira) curtíamos na época. Bem dizer muito Innerspeaker, Lonerism e Currents (que foi lançado enquanto a gente gravava). Tem músicas ali que eu não conseguiria repetir. Acho que a inspiração vem do momento e simplesmente acontece, então olho pro ‘Technicolor’ com muito carinho e orgulho. Vocês acham que a cidade onde vivem tem grande influencia sobre o som e estética, ou isso tem mais a ver com suas influências musicais? A cidade influencia sim, mas acredito que as influências estéticas e musicais são muito mais fortes nesse aspecto. Acho que tem um lado de praia, da brisa do mar do fim da tarde que a gente pega de Maceió, mas consumimos tanto de tanto lugar que fica difícil dizer que é só sobre aqui. Em ‘Wanderlust’ vocês experimentam mais e trazem um trabalho que facilmente pode torná-los uma das melhores bandas do indie nacional, como foi trabalhar no disco? Muito obrigado pelo elogio. Foi um trabalho bem interessante e desgastante no bom sentido. Muitas noites viradas, muitas ideias puxadas do HD, músicas sem meio nem final sendo criadas sem fórmula. Algumas vieram de gravações que fiz em casa como ‘Breakfast With You’ e ‘Wanderlust’ e que mostrei pro Chase, já outras como ‘Outerspace’ foram moldadas com a banda. No fim, acabamos levando essas demos e ideias não acabadas pro Montana Records do Filipe Mariz que mixou o disco e nos ajuda sempre no rolê, fomos lapidando as músicas e criando um disco que conta uma história e faz sentido no fim. A produção é do Chase e minha, independente e com muito aprendizado no meio do caminho. Não toco bem, mas brinco com todos os instrumentos, e o Chase toca muito bem bateria e guitarra. O processo era basicamente: levar música estranha inacabada, passar pelo filtro Chase, melhorar melhorar melhorar, gravar, regravar e sair com algo legal. No fim, deu certo. Gravamos tudo em 2017 e nesse ano eu fui morar fora. Passamos um tempo num hiato por que não queria lançar sem poder tocar e investir o tempo nisso. O disco passou a fazer mais sentindo ainda quando voltei, tendo viajado o mundo e sentido um pouco o significado da palavra ‘Wanderlust’, que é a vontade de conhecer novos lugares, novas experiências. Se vocês pudessem escolher um filme para ter o disco ‘Wanderlust’ como trilha sonora, qual seria e por quê? Acho que seria um blend entre 2001: Uma odisseia no espaço, algum filme com pessoas dirigindo carros no deserto e um filme romântico com Owen Wilson na sessão da tarde. A verdade é que cada música desperta uma imagem diferente nas nossas cabeças. Quais são os próximos planos agora que o disco foi lançado? Consideram gravar algum clipe? Queremos gravar ao menos 2 clipes, possivelmente lyric videos e com certeza umas lives mais pocket, na linha desse de Oh Baby do Technicolor – e algumas Lives completas. Existe algum lugar ou artista/banda que vocês gostariam de tocar? Gostaríamos de tocar em novos lugares aqui no Brasil, em um primeiro momento ir a São Paulo. Seria legal tocar com bandas como Boogarins, Glue Trip, Terno Rei e etc. Se fossem artistas de fora, amaríamos tocar com Homeshake, DIIV, Beach Fossils, Mac Demarco. Iríamos abraçar todos. Quais artistas independentes vocês indicariam para o público conhecer? A gente tem ouvido bastante a Taco de Golfe, uma banda instrumental muito boa de Aracaju. Gostamos muito da Mahmed, de Natal, também Obrigado pela disponibilidade em responder as perguntas, deixem um recado para conhecerem a banda. Valeu, gente, ouçam a Milkshakes! Nos aguarde na sua cidade. Confira o disco Wanderlust: Siga o Milkshakes nas redes sociais: Facebook | Bandcamp
ionnalee traz ótimas composições e visuais em REMEMBER THE FUTURE, seu segundo disco

A cantora, produtora e diretora sueca Jonna Lee conhecida por seu projeto audiovisual iamamiwhoami, surgido em 2009 durante uma série de vídeos com mensagens subliminares e três discos de estúdio lançados, resolveu ressurgir sob uma nova e simples identidade assinando apenas como ionnalee. Mesmo passando por alguns problemas de saúde e temendo perder sua voz durante a composição de seu primeiro disco, ela entrou em estúdio e trabalhou duro para que ele saísse como ela tanto queria. Eis que EVERYONE AFRAID TO BE FORGOTTEN foi lançado em maio de 2018, e mostrou uma artista mais aberta, se arriscando mais e com músicas consideradas até mais ”comerciais”. Como é o caso de ‘SAMARITAN’, o primeiro single, isso tudo rendeu uma bem sucedida primeira turnê mundial financiada pelos próprios fãs através do site kickstarter que teve passagem pelo Brasil em agosto de 2018. O êxtase de estar tão próxima de seus fãs, algo que não acontecia após anos de carreira como iamamiwhoami era claramente visto em todas as suas apresentações, tudo isso pareceu um novo recomeço. Em algumas entrevistas ela disse que o apoio dos fãs e a turnê lhe deu forças para continuar compondo um segundo disco, e isso rendeu bons frutos, depois de exatamente um ano ela retorna com novo single e o título do novo trabalho REMEMBER THE FUTURE. ‘OPEN SEA’ abre o disco, é o primeiro single e tem um dos melhores refrões que ionna já fez, enérgica, a música é um synthpop dançante que nos remete um pouco às músicas do disco BLUE, ganhou um vídeo clipe com um clima espacial muito bem trabalhado. Em seguida, temos ‘WIPE IT OFF’, mais ‘dreamy’ e cheia de sintetizadores (do jeito que a gente gosta) que envolvem a música até seu final mais dançante. ‘SOME BODY’ é a terceira faixa e o segundo single, também ganhou vídeo clipe, sua sonoridade é dançante e mistura alguns elementos antigos e novos, com um refrão também bem pegajoso. Em seguida, temos ‘MATTERS‘ que conta com a participação de Zola Jesus, uma música mais sombria e introspectiva, o clima logo muda com ‘ISLANDER’, uma faixa instrumental com uma pegada mais atmosférica e que vai evoluindo com batidas mais pulsantes. A faixa título ‘REMEMBER THE FUTURE’ é o terceiro single, tem boas influências de um pop mais anos 80, nostálgico e com vocais marcantes, é um dos pontos altos do disco, já em ‘CRYSTAL’ temos mais uma colaboração, dessa vez com a cantora também sueca Jennie Abarahamson, a canção também é um pouco mais introspectiva, tem alguns efeitos vocais bacanas e passa um pouco despercebida se você gosta de algo mais agitado. ‘RACE AGAINST’ é uma faixa instrumental e serve de interlude para a próxima, ‘SILENCE MY DRUM’, uma das melhores do disco, é incrível como a voz de ionna consegue criar climas tão belos, temos aqui uma música encantadora e envolvente. A versão de ‘MYSTERIES OF LOVE‘ é definitivamente apaixonante, originalmente composta por Angelo Badalamenti, famoso pelas trilhas sonoras de Blue Velvet e Twin Peaks, aqui temos mais um feat, dessa vez com o Röyksopp, o resultado foi algo profundo e emocional, uma vibe leve que paira até o fim, assim como dançar em slow-motion. O disco termina com ‘I KEEP‘, mesmo sendo a última do disco, ela entrega um clima mágico, dançante e tira qualquer ideia de música aleatória para finalizar um disco. REMEMBER THE FUTURE superou as expectativas, ele traz uma mistura de climas mais nostálgicos e etéreos que são marcas de ionnalee desde seus antigos trabalhos, mas tem também elementos mais novos, os singles foram bem escolhidos e toda a parte visual continua inspiradora e ótima como sempre.
Música, brilho e escuridão com a drag king islandesa Mighty Bear

Máscaras brilhantes, visuais obscuros, misteriosos, homem, mulher ou apenas um ser?Mighty Bear (Urso Poderoso) é como se denomina essa drag queen islandesa, quem está por trás dessa persona artística é Magnús Bjarni Gröndal, conhecido também por assumir os vocais de sua antiga banda de pós-rock We Made God. Seguindo por caminhos totalmente diferentes, Mighty Bear parece algo mais pessoal, um encontro ao ”eu” de um musico que parece procurar novas possibilidades dentro da música. Batidas pulsantes, diferentes climas, experimentos e atmosferas que vão de momentos mais frenéticos a outros mais obscuros e vazios, parece estranho, mas essas palavras descrevem a música eletrônica islandesa, é como se esse som fosse o par perfeito para as paisagens desoladoras, bonitas e deslumbrantes que viram cenário de uma persona totalmente enigmática. Mighty Bear traz uma estética nova para o mundo drag, deixando de lado o visual espalhafatoso e colorido, aqui temos espaço para o brilho e a escuridão. Seu primeiro single ‘Leyndarmál’ foi lançado em 2016, seguido de ‘Hvarf’, mas foi apenas em 2018 que o EP ‘Einn’ ganhou vida, com quatro faixas produzidas por ele mesmo. Junho é o mês da diversidade, por isso decidimos bater um papo com Mighty Bear sobre sua estética, música e o mundo drag, além de questões políticas que estão inevitavelmente ligadas ao tema. Como começou a sua carreira musical, antes do Mighty Bear você participou de uma banda de pós-rock, mas antes de todos esses projetos o que você já havia feito? A música sempre fez parte da minha vida. Desde quando eu era pequeno sempre estive cantando e criando alguma coisa. Eu comecei a minha primeira banda quando eu tinha 16 anos, uma banda punk. Depois de um curto tempo nasceu o We Made God. Nós lançamos três discos e fizemos uma turnê no Reino Unido, Itália e China. Nós fomos uma banda por mais de 15 anos. O que você pode nos falar sobre essa persona Mighty Bear? Mighty Bear é uma extensão de mim mesmo. É uma combinação de ambos os meus lados masculino e feminino. Com o Mighty Bear eu me permito ser verdadeiro sem pensar muito no que os outros vão achar. Sobre a sua estética, geralmente drag queens tem um visual colorido e exuberante, o que você pensa sobre isso e como foi criar algo totalmente diferente, mais sombrio e misterioso? Foi importante para me expressar, e sempre gostei dos visuais mais obscuros. Quando eu era adolescente e encontrei o rock minha vida mudou completamente. Eu finalmente tinha encontrado algo que falava comigo. Quando eu estava criando o Mighty Bear eu queria muito expressar isso. Nesse projeto o seu foco é a música eletrônica, experimental, como foi essa escolha, você acredita que esse gênero é mais amplo? Sempre fui fã da música experimental e de fazer algo novo. Mas nunca foi uma decisão consciente criar esse tipo de música. Já que eu queria me expressar e sabia que eu teria que fazer tudo, então a música eletrônica foi uma escolha óbvia já que eu poderia criar tudo sozinho. Eu amo trabalhar com outras pessoas, mas o Mighty Bear foi sempre suposto a ser apenas a minha criação. Definitivamente penso que esse gênero é amplo e pode se expandir mais. Como é a cena drag na Islândia? A cena drag na Islândia ainda é nova mas está crescendo rapidamente. Nós temos um monte de drag kings o que é muito interessante. É algo muito diverso para um país tão pequeno. Atualmente o Brasil está ganhando destaque por sua cena musical queer, Pabllo Vittar é uma das drag queens com milhões de visualizações no Youtube. Você conhece nossas drags? Não conheço, mas definitivamente irei procurar sobre. Junho é o mês da diversidade e recentemente nossa justiça criminalizou a homofobia, isso é muito importante tendo em vista os momentos difíceis que estamos vivendo na política. Como são as políticas para as pessoas LGBT na Islândia? A Islândia é muito liberal quando se fala em políticas LGBT e sou muito grato por isso. Diálogos de ódio são ilegais já faz um bom tempo. Nós tivemos a primeira presidenta mulher do mundo e tivemos um primeiro ministro assumidamente gay. Ainda temos um longo caminho a percorrer, principalmente no que diz aos direitos trans. Quais são os seus planos futuros, está gravando música nova ou tem planos para um disco cheio? Atualmente estou trabalhando em um novo EP, que está quase pronto. Ele deverá ser lançado em breve. Se você pudesse escolher um artista favorito para se apresentar ao lado qual seria e por que? Tenho uma música que será lançada em breve onde trabalhei junto com Hans, uma drag king da Islândia e estou super animado com isso. Muito obrigado pela disponibilidade em falar com a gente, deixe um recado se quiser. Muito obrigado por mostrar interesse no meu trabalho. Visite: www.mightybearmusic.com para mais informações. Siga Mighty Bear nas redes sociais: BandcampFacebookSiteYoutubeInstagram
Uma jornada pelo rock instrumental do Hiroshima Bunker

Hiroshima Bunker é um quarteto que surgiu na capital de São Paulo, formado por Enzo Marco (guitarra), Eduardo Zeineddine (baixo), Gabriel Rego (guitarra) e Fernando Belchior (bateria). O pontapé na carreira veio com a gravação do primeiro single ‘Frankenstein’ , lançado em 2017 e influenciado pelo clássico livro da famosa autora Mary Shelley publicado há mais de 200 anos atrás, precisamente em 1818. A partir daí, surgiram shows por diversas cidades de São Paulo, esse era o start perfeito para começarem as gravações do tão aguardado primeiro EP. Batizado de Galáxia de Infinitos, o disco foi lançado em 2018, e apresenta cinco faixas que fazem uma jornada que transita por estilos como rock psicodélico, jazz, grunge e post-rock. Essas influências trazem momentos onde experimentam com várias texturas. Nas palavras do guitarrista Enzo Marco: ”À frente desse indivíduo — que poderia ser eu, você ou qualquer outro –, há territórios desconhecidos a serem explorados. São inúmeras as dúvidas que nos assombram, ao mesmo tempo, as mesmas dúvidas nos preenchem e se tornam possibilidades. O universo é colossal demais para não nos movimentarmos livremente. Não somos sólidos, mas sim pequenas partículas fragmentadas fluindo e, a qualquer momento, vamos deixar de ser essa massa densa para nos transformarmos em algo novo. É um ciclo sem fim. Somos mutáveis, como ondas sonoras que passeiam pelo universo através de um pedal de delay. Somos frequências que reverberam pelos planetas e invadem todas as dimensões inimagináveis. Estamos imersos em uma galáxia de infinitos.” Você pode escutar o disco na íntegra no link abaixo: Em 2019 a banda está se preparando para gravar um novo single, que deverá sair em breve, mas enquanto isso você pode escutar o EP nas plataformas digitais e ficar por dentro das novidades nas redes sociais, os links estão logo abaixo. Acompanhe o Hiroshima Bunker nas redes sociais: Facebook Youtube Instagram
Rammstein: após 10 anos retornam com sétimo disco em ótima forma

Desde o começo dos anos 90 que o Rammstein é considerado uma das melhores e mais bizarras bandas do heavy metal. Sempre muito críticos e irônicos, já foram censurados e proibidos de tocarem em alguns lugares, suas performances ao vivo são sempre cheias de grandes momentos que vão de pênis de borracha, caldeirão de fogo à mega explosões. Algumas letras difíceis de entender ou clipes muito bem produzidos, tudo isso faz deles uma das melhores bandas do planeta. Agora em 2019, eles retornam com seu disco homônimo, o sétimo da carreira. O primeiro single ‘Deutschland’, traz claramente uma visão do que a banda e até alguns de nós temos sobre a Alemanha. Um olhar de raiva sobre seu passado triste e sofrido, mas também o renascimento e a construção de uma nova nação. A sonoridade é uma mistura do antigo Rammstein, mais eletrônico e cheio de sintetizadores com o peso de seus discos mais atuais Reise, Reise e Rosenrot. Em seguida, Radio, pesada, dançante e com um sintetizador marcante como na época do disco Sehnsucht. A música fala sobre a criação do rádio, com um refrão pegajoso que é praxe em grande parte das músicas da banda, e também com pitadas de críticas. Zeigh Dich, traduzindo para o português “Mostre-se”, a letra é forte e faz uma crítica dura às igrejas e religiões que promovem o sagrado, mas na verdade cometem o profano. O coro em latim no início, traz um ar de novidade para a faixa, mas no geral ela se encaixaria bem em um de seus trabalhos mais recentes. Mais uma vez os sintetizadores bem marcantes, em Aüslander temos batidas apelando para o pop, mesmo assim é uma das melhores do disco. Nas letras, Till usa o sarcasmo contra estrangeiros e cita algumas frases em diferentes línguas, como francês, italiano e inglês. Sexo sempre fez parte dos temas das letras do Rammstein, e agora temos isso de forma bem direta. A faixa Sex, é pesada, moderna, mas não traz muita novidade, mesmo assim não deixa de ser uma boa pedida para um set ao vivo. Puppe é com certeza um dos pontos altos, aqui conseguimos sentir toda a fúria dos vocais de Till, quase alcançando um gutural. Gosto do fato da sonoridade manter peso mesmo sem usar riffs rápidos ou pedais duplos na bateria, isso é algo que eles fazem muito bem. Em Was Ich Liebe a banda usa mais batidas eletrônicas, o que traz uma certa inovação para o som, mas no decorrer não temos tanta novidade. Temos em Diamant uma voz/violão no estilo Rammstein, sem muitos detalhes, com cordas de fundo, servindo como ponte para a próxima faixa. Weit Weg, aqui também não temos novidade, uma música que pode passar bem despercebida durante sua audição. Chegando ao fim do disco, Tattoo é mais um dos destaques, uma faixa pesada e enérgica, lembrando facilmente a sonoridade do disco Mutter (2000). E quem mais faria uma letra até poética sobre a tatuagem? Quem fecha o setlist é Hallomann, e como Rammstein também é cultura, aqui aprendemos até algumas expressões de conversação como ”Hallo kleines Mädchen, wie geht es dir? / Mir geht es gut, sprich nicht zu mir”. Em Sonne, do disco Mutter, aprendemos a contar do 1 ao 10, se lembram? Brincadeiras à parte, a sonoridade de Hallomann tem um clima de final mesmo, foi uma boa escolha. Em seu sétimo disco, a banda continua em ótima forma, misturando momentos de novidade com suas características que os fizeram uma das melhores bandas do metal, as letras são fortes e não deixam dúvidas ou enigmas, tudo é muito direto, mesmo com ótimo discos lançados após os anos 2000, o homônimo Rammstein mostra decentemente o poder do sexteto alemão. Siga a banda nas redes sociais: FacebookInstagramYoutube
Rebobinados indica #12: Lançamentos 2019

Pesta – Faith Bathed in Blood Faith Bathed in Blood é o segundo disco de estúdio dessa brilhante banda mineira de stoner/doom lançado em 28 de fevereiro pelo selo Abraxas Records, durante as oito faixas ouvimos um som pesado, riffs dinâmicos e um vocal poderoso, o foco aqui foi produzir algo mais orgânico, com uma sonoridade fiel aos seus shows ao vivo. A produção ficou por conta de André Cabelo da banda Chacal, com quem já haviam trabalhado anteriormente em seu também elogiado primeiro debut Bring Out Your Dead. As letras giram em torno de ações em nome das religiões, fanatismo, rituais ou pessoas que se julgam executores da justiça na Terra. TR/ST – The Destroyer, Part. 1 Já fazia um bom tempo que Robert Alfons, líder do TR/ST, não lançava nada novo, o seu último disco Joyland saiu em 2014, desde então apenas duas músicas novas foram apresentadas durante alguns shows que a banda fez. O surgimento da nova “Bicep” deixou os fãs animados, mas foi só em 2019 que o primeiro single “Gone” foi lançado e deu indícios certos de um disco novo, ainda foram apresentadas as faixas “Unbleached” e “Colossal”, mostrando que a sonoridade ainda trazia aqueles nuances dark eletrônicos bem agitados e os vocais frios e graves ou até desajeitados.The Destroyer, Part. 1 mantém o TR/ST em um bom patamar da música eletrônica alternativa, mesmo com um pé na cena dark, ele consegue atrair também os ouvidos do público mais indie, fãs de artistas como Grimes e ionnalee. Bomfim – Vazio Bomfim surgiu na cidade de Joinville no ano de 2017, trazendo uma mistura de rock alternativo com influências de shoegaze e dream pop, as composições ora trazem um som mais frio, melancólico ou uma guitarra delicada e mais aérea, cheias de letras afetuosas que criam uma ponte com o ouvinte, Arrepio, Astronauta e Medo provavelmente ficarão no seu repeat por algum tempo. O EP batizado de Vazio traz quatro faixas e foi lançado pela gravadora Nuzzy Records, a banda já se apresentou ao lado de nomes como Gorduratrans, Terno Rei e Adorável Clichê. Desert Crows – Age of Despair Goiânia tem sido a nova capital do rock, ultimamente grandes nomes vem surgindo de lá, e pode apostar que o Desert Crows é um deles. O power trio formado por Vitor Mercez (guitarra e vocal), Raul Martins (baixo) e Pedro Nascimento (bateria) nos apresentam seu primeiro disco Age of Despair. Com uma baita produção e um som moderno que transita entre o stoner rock e o grunge, esse é um daqueles discos pra ouvir no último volume, com músicas poderosas, pesadas e cheias de melodias que vão grudar na sua cabeça. O lançamento ficou por conta do selo Monstro Discos. Westkust – Westkust O novo quinteto sueco de Gotemburgo, Westkust, traz seu segundo disco auto intitulado. A capa fofinha com rosas em um campo (mas com uma péssima tipografia) nos dá alguma ideia do que está por vir. Um shoegaze/dream pop mais puxado para o indie rock, com guitarras barulhentas, mas também com melodias bonitas, assim como faziam os The Pains At Being Pure At Heart, os vocais se encaixam bem, o disco mesmo sendo curto não passa despercebido, é um bom lançamento, acredito até que a banda tem tudo pra ser mais conhecida, pois eles fazem o tipo de som que é agradável de se escutar em um festival, não deixe de conferir! FONTAINES D.C. – Dogrel Seria um erro não falar algo sobre esse disco por aqui, afinal o FONTAINES D.C. surgiu em 2018 direto de Dublin e em 2019 chegaram chutando tudo com Dogrel, seu primeiro disco de estúdio. Aqui eles trazem de volta aquele revival do pós-punk do fim dos anos 70, com um sotaque bem puxado, guitarras bem cruas e um som bem agitado, mas com espaço para algo mais ”comercial” como na ótima “Television Screen”. Não é toa que o disco tem atingido ótimos rankings pela Europa, e é também um dos mais comentados em sites de música especializada, a banda tem cerca de cinquenta shows marcados pela Europa e América do Norte. Uns dizem que o rock está morto, nada tão relevante tem sido lançado, talvez essa seja a hora de mudar isso! Ave Sangria – Vendavais Quarenta e cinco anos, esse foi o tempo entre o primeiro disco Ave Sangria (1974) e Vendavais que acabou de ser lançado. Essa importante banda do rock nacional surgiu em Pernambuco, naquela época, impressionaram pelo som com influências de psicodelia, progressivo e da já conhecida tropicália. Não sabemos ainda o por quê, mas depois de todo esse tempo a banda começou a ganhar mais reconhecimento, e tão rápido o disco homônimo de 74 estava nas graças do povo, considerado agora como cult. A parte boa é que a banda vendo o retorno decidiu se reunir para apresentar alguns shows e também gravar um disco novo, por que não? Há poucos dias Vendavais chegou aos streamings do mundo, um disco impressionante, potente, bem composto e bonito. Vida longa ao Ave Sangria! Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.