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Julia Melo abre seu mundo e luta por direitos LGBTQIA+ em Celestial, seu EP de estréia

A música sempre tem aquele poder incrível de ser a válvula de escape, mesmo quando as coisas parecem não ter mais sentido. E foi nela, que a jovem cantora e compositora Julia Melo encontrou um meio de se expressar. Envolvida com música desde os 8 anos de idade, Julia não costumava compartilhar suas composições com amigos ou familiares, tudo por conta de sua timidez. Com o passar dos anos e convivendo com duros processos que qualquer pessoa LGBTQIA+ encara, sentiu que era o momento para finalmente por pra fora seus sentimentos, suas verdades e também poder falar sobre a causa. Cheia de ótimas referências, estão entre suas principais inspirações cantoras como FKA Twigs, Kate Bush, Britney Spears e Lorde. Contudo, o ano de 2018 foi marcado pelo início de sua carreira com o lançamento de um primeiro single. ‘’In the City’’ já trilhava um belo caminho, trazendo uma vibe mais tranquila, com uma pegada bem dream pop, que abordava os desamores da vida. Dois anos mais tarde, foram divulgadas duas novas músicas, “Touch” e ”Heaven”, com um som que transita entre o R&B, synthpop e trap. “Heaven” fala sobre criar seu próprio paraíso diante de condenações conservadoras que recriminam o amor entre pessoas do mesmo sexo: Em seu EP de estreia intitulado ‘’Celestial’’, produzido por Marlon Lopes (Adorável Clichê) e lançado pelo selo independente Nuzzy Records, ela fala sobre temas como depressão, sexualidade e homofobia, que são assuntos recorrentes em meio ao cenário caótico e conservador que estamos vivendo. Durante as cinco faixas, Julia pretende criar uma conexão com o ouvinte, uma espécie de afago para que não temam por suas vidas e que continuem se fortalecendo juntos. Aproveitando o lançamento do EP, mandamos algumas perguntas para Julia e o resultado você confere em seguida. Julia, você começou a tocar violão com 8 anos de idade, porém por ser tímida trazia uma certa dificuldade em se expressar artisticamente. Conta pra gente, quando e como foi o momento em que você se sentiu pronta pra compor e mostrar suas músicas? Então eu componho desde muito cedo, pelo o que me lembro a primeira canção que escrevi eu tinha 12. Mas eu nunca mostrava para ninguém, só em 2018 quando eu tinha 20 anos, mostrei para a Gabi da banda Adorável Clichê e ela gostou muito do som e me incentivou a gravar, acho que sem esse empurrão de alguém acreditar em mim talvez eu não teria lançado um EP hoje. Mesmo sempre ter sido um sonho, acho que é bom sentir que pessoas acreditam na gente. No seu som podemos notar um bom apanhado de influências de trap, pop e r&b, você já vinha com essa sonoridade em mente ou já pensou em apostar em algum outro estilo antes de produzir as músicas? Eu gosto de trabalhar dentro de sonoridades que eu escuto e gosto. Mesmo sendo mais comum no Brasil as pessoas começarem com MPB ou indie rock, eu queria trabalhar com algo que realmente transmite o que eu sinto e o que eu gosto. O EP Celestial traz letras que falam muito sobre sentimentos e experiências pessoais, muitas repressões por ser mulher e LGBTQIA+ também. Como você avalia a cena para artistas LGBTQIA+, afinal a música tem sido também um instrumento político para muitos, que estão finalmente conseguindo se expressar sem medo e ganhando o devido apoio de  um público bem fiel? Acredito que cada vez mais nós artistas LGBTQIA+ estamos conseguindo mais espaço no cenário brasileiro. As pessoas precisavam se sentirem representadas, se sentirem parte de algo. Acredito que a música é sempre uma voz que fala por você, algo que está sentindo ou algo que viveu. Mesmo com o crescimento do conservadorismo no Brasil, acredito que cada vez mais podemos dar mais espaço para falar sobre essas vivências comumente esquecidas pela sociedade. Não é novidade que estamos passando por um período bem complicado devido ao COVID-19, muitos artistas e produtores tiveram prejuízos e não há sequer uma previsão de quando teremos shows e festivais neste ano. Você acha que a pós pandemia mudará a forma como as pessoas consomem música? É realmente muito triste o que está acontecendo no mundo, mas esse afastamento social é necessário para que isso passe logo. Acredito que vai mudar e já está mudando a forma das pessoas se conectarem com os artistas, tanto em lives como em outras plataformas. Comecei a trabalhar com o Tik tok e eu vi um crescimento muito rápido e grande das minhas músicas desde as minhas primeiras postagens, antes eu alcançava as pessoas da minha cidade ou estado, mas agora estou alcançando diversos países e acredito que sempre há uma nova forma de trabalhar e fazer com que seu som seja notado. Seja de forma criativa ou engraçada, podemos sempre pensar fora da caixa. Essa pergunta eu costumo fazer para alguns artistas, se você pudesse escolher apenas uma música sua pra entrar em um filme, qual seria a música e o filme escolhidos? Essa é uma pergunta maravilhosa hahah. Acredito que vou muito por um gosto pessoal do meu filme favorito que é ‘As vantagens de ser invisível’, e a música seria “Moonlight” que mais expressa o sentimento do adolescente que se sente completamente sozinho imerso na sociedade. E se fosse o filme da minha vida seria “Heaven” hahah. Você acabou de lançar o EP em todas as plataformas digitais, quais são os próximos passos? Você pretende lançar algum clipe ou até mesmo fazer uma live? Sim!! Os clipes já estão programados, mas por motivos de locação e equipe estamos esperando passar a situação do COVID-19. Estamos trabalhando em coisas novas e em breve terá uma live sim! Faço algumas lives por semana no Tiktok também cantando pra engajar mais o público, mas penso em algo mais profissional mais para frente também. Deixe um recado para que as pessoas conheçam sua música. Para quem está conhecendo minhas músicas, espero que você se sinta abraçado e parte desse mundo caótico e poderoso que é Celestial e continue me acompanhando porque tem muito mais por vir! 🙂 _______ E aí! Se

Rebobinados indica #17

Rebobinados indica #17, mais uma edição agora diante dos tempos obscuros que estamos vivendo, o que resta é cuidar de nós e dos nossos. O ócio virou rotina para alguns de nós, e uma das melhores formas de aproveitar esse tempo é continuar consumindo arte e cultura. Logo, separamos novamente muita música boa pra indicar. Tem muita coisa fina surgindo, queremos agradecer mais uma vez a todos os artistas e bandas que estão entrando em contato para enviar seus materiais. Estamos em um processo lento de mudança, mas em breve traremos novidades. Cuidem-se e fiquem bem! Julia Melo Julia Melo é uma cantora e compositora da cidade de Blumenau. Em seu primeiro single “Touch”, ela expressa seus sentimentos mais intensos através de um som moderno, que conecta gêneros como synthpop, trap e RnB. Entre suas inspirações estão cantoras como Kate Bush, Lorde, Britney Spears e FKA Twigs. Seu primeiro EP sai em abril pelo selo Nuzzy Records e foi produzido por ela em parceria com Marlon Lopes (Adorável Clichê, Bomfim). Weird Fingers “Indecisão” é o quinto EP do Weird Fingers, projeto do jovem músico Raad Ferreira que estava em hiato há cerca de um ano. O disco foi gravado em seu celular e produzido e mixado em casa, com isso consegue criar um clima bem intimista, a sonoridade lo-fi se entrelaça a letras sobre conflitos internos, nostalgia, conforto e desconforto. Como ele mesmo intitula, ”música para ouvir sozinho com fones de ouvido.” Mulheres que correm com os loucos O clima praiano, leve e ensolarado toma conta do novo single ”Hello Hawai” do Mulheres que correm com os loucos. A banda, de Niterói, no Rio de Janeiro, é originalmente formada pelas cantoras e compositoras Luma e Miramar, elas possuem três singles que estão disponíveis nas principais plataformas digitais. Personas O trio formado por trio Rodrigo Cerqueira (baixo, vocal), João Capecce (baixo) e Fernando Cerqueira (bateria) lançaram o vídeo para a faixa “Mergulho”, que está presente em seu primeiro disco “Nunca Foi para Dar Certo”, lançado em 2019. O som apresenta influências do emo, shoegaze e rock alternativo e aborda temas como angústias, relacionamentos e conflitos do cotidiano. Telefonema O duo formado em 2016 em Buenos Aires por Alelí Cheval e Gustavo Plaza apostam na sonoridade do pós punk e synthpop. Com dois discos lançados, sendo eles, “Pasajes Para Dos” (2017) e “Sin Fecha de Retorno” (2018), acabam de lançar o vídeo para a música ”Numa Fábrica de Carros” de seu segundo álbum. A banda fez uma turnê pelo Brasil, onde passou por cidades como São Paulo, Piracicaba, Rio de Janeiro e Bauru. She is Dead O som enérgico e intenso do She is Dead, banda curitibana formada em 2015 por Mau Carlakoski (vocais, guitarra), Kim Tonieto (baixo, vocais) e Ricky Volpato (bateria) traz fortes influências do punk, indie e hardcore. Em 2020, lançaram seu segundo e novo EP “Forget Our Dreams” contendo quatro faixas. In the Rosemary Dreams Os curitibanos do In the Rosemary Dreams surgiram em 2014 e lançaram seu debut ITRD em janeiro do ano passado, as quatro músicas que compõem o disco saem da mesmice, experimentando com um apanhado de boas influências vindas do indie, jazz, stoner e até hip hop, sem deixar também a autenticidade de lado, destaque para “Eyes” e “Queer Daddy”. Luquimia “Degradação” é o EP de estréia desse quarteto carioca, as quatro músicas sintetizam bem as influências que vão do grunge ao rock alternativo dos anos 90, as letras, todas cantadas em português, dialogam com os tempos atuais e os turbilhões de sentimentos que acompanham o ser humano. Volar Essa banda gaúcha traz em suas músicas a sonoridade do fim dos anos 80 e começo dos 90. Após um hiato sem compor, retornam com o novo EP “Três Tempos” produzido e mixado por eles mesmos, apresentando composições que até então não haviam sido gravadas, o espírito jovem e direto pode ser escutado durante suas quatro faixas. Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.

Shoegaze em 2020: cinco lançamentos

shoegaze em 2020 - pia fraus

Tá afim de descobrir novos lançamentos de shoegaze em 2020? Então continue lendo esse post. As guitarras barulhentas, cheias de camadas, vocais inaudíveis, múltiplos pedais e uma estética muitas vezes confusa, são as principais características do shoegaze, estilo criado no fim da década de 80, influenciado por gêneros como noise rock, pós punk e música ambiente. Em seu auge, no início dos anos 90, o estilo parecia ganhar força, com bandas como My Bloody Valentine, Moose, Slowdive e Lush, porém teve que lutar por espaço em meio a outros movimentos musicais que aconteciam na mesma época, como o grunge e o britpop, que juntos o desbancaram. Algumas bandas tentaram recorrer a outras influencias em sua sonoridade, mesmo assim por volta de 1996 o shoegaze decretou seu fim, nessa época o grunge já tomava conta das rádios em todo o mundo. Os tempos modernos chegaram e com ele um ato nostálgico que fez com que o retrô fosse considerado ”cool”. Posteriormente, muitos artistas decidiram ressuscitar seus projetos e bandas, caso do My Bloody Valentine. Nesse meio tempo, retornaram com um disco de inéditas após vinte anos desde seu último lançamento, o clássico ”Loveless” lançado em 1991 pela Creation Records. Inclusive, mesma gravadora dos ingleses do Slowdive, que lutaram para se manter durante o curto período em que o gênero esteve na ativa, apesar disso, são agora uma das mais adoradas pelos fãs de música alternativa. Muitos artistas ainda resgatam essa sonoridade, e outras muitas bandas estão surgindo ou lançando material novo. De antemão, e aproveitando que o ano está só começando, separamos cinco discos fresquinhos de shoegaze em 2020 que você precisa conhecer, confere aí! Pia Fraus – Empty Parks Em seu sexto disco Empty Parks, o Pia Fraus, banda da cidade de Taillin na Estônia mantém sua sonoridade mais sóbria. Com momentos mais delicados e melódicos, caminham com o indie rock, contudo, algumas passagens ”grosseiras” nas guitarras descrevem os flertes com o shoegaze. Se você gosta de The Pains of Being Pure at Heart, é uma boa pedida! Deserta – Black Aura My Sun Essa banda de Los Angeles, Califórnia dá o pontapé em sua carreira com um belo disco. O debut Black Aura My Sun traz uma sonoridade nostálgica, cheia de camadas, sintetizadores e mostra um apanhado de influências dos anos 90. Os toques mais modernos se apropriam de alguns momentos eletrônicos, ou seja, definitivamente influências de bandas como Slowdive e Cocteau Twins. Greet Death – New Hell Com uma vibe um pouco mais melancólica, o Greet Death traz um disco bacana, um som bonito, com boas doses de melodias e guitarras mais pesadas, às vezes com algumas quebras, temos até um folk como na faixa ”Leit it die”, tudo soa muito bem, sem ser tão genérico, o som aqui nos lembra bastante bandas como Nothing e DIIV. Floral Tattoo – You Can Never Have a Long Enough Head Start Em contrapartida, o Floral Tattoo se distancia do tradicional, em seu segundo disco, fazem um som barulhento e que vai se condensando junto de melodias, sintetizadores e ora spoken words, talvez os vocais fiquem devendo, mas as guitarras são o maior destaque destoando e também criando uma atmosfera bem ambiente sem cair em uma fórmula tediosa. Machine + – Samsara Por último, temos o debut Samsara do Machine+ (Machineplus). Aqui eles passeiam por estilos diferentes, experimentando mais com o eletrônico, ao mesmo tempo que, a junção de sons nos remetem a um lado mais etereal e barulhento, que como falamos é uma das características do shoegaze, se você gosta de música experimental, esse é pra você! Para ouvir os discos de shoegaze em 2020 na íntegra acesse: Pia Fraus BandcampDesertaGreet DeathFloral TattooMachine +

Mondo Noise – Jóias da Década

Mondo Noise, o universo expandido da música; Post-Metal, Post-Rock, Blackgaze, Doomgaze, Post-Black Metal, Math-Rock, Slowcore, Folk, Noise…

Melhores lançamentos nacionais de 2019

E aqui estamos nós com os melhores lançamentos nacionais de 2019. E você se pergunta, por que lançamentos e não álbuns? Porque queríamos ressaltar alguns bons EPs que foram lançados esse ano e que não poderiam ficar de fora da nossa lista de favoritos. Enfim, já que temos trocentas listas de álbuns do ano, vamos direto ao ponto. Tatyane Wagner Almeida – Domingos à Noite Jair Naves – Rente Apeles – Crux Labirinto – Divino Afflant Spiritu A sua alegria foi cancelada – Fresno Mafius – tela azul (EP) Fernando Motta & eliminadorzinho – Lapso (EP) maquinas – o cão de toda noite Sanguessuga – Ultraluna (EP) Raça – Saúde Fábio Thiago Pethit – Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação) Terno Rei – Violeta Boogarins – Sombrou Dúvida MC Tha – Rito de Passá Papisa – Fenda Ave Sangria – Vendavais Céu – Apká! Apeles – Crux Labirinto – Divino Afflante Spiritu maquinas – O Cão de Toda Noite

Melhores discos internacionais de 2019

Então é Natal e o que você fez? Quando essa música tocar, poderemos dizer que conhecemos artistas incríveis e ouvimos álbuns excelentes nesse ano. Algumas coisas que vamos mencionar aqui possivelmente não vão ser surpresa para vocês já que foram mencionadas anteriormente como destaques. A surpresa foi realmente notar que tivemos muitas coisas boas esse ano. Valeu a pena, né? American Football – American Football (LP3) É difícil ser emo, né? Esse álbum foi meu alimento dia e noite nesse ano, amo com todas as minhas forças, virou um dos álbuns preferidos da vida. Muito gostoso sofrer ouvindo essa belezinha, até fingi que tive algumas paixões inesquecíveis para poder sofrer com mais intensidade. Poucas coisas nesse ano me deram tanta paz e prazer quanto curtir esse álbum durante minhas intermináveis viagens de ônibus. É como se eu mesma estivesse me machucando, porém me curando ao mesmo tempo. Uma loucura, eu sei, é muito amor envolvido. American Football você quer o mundo? Eu te dou! Esse disco pra mim é como flutuar em uma galáxia repleta de doces melodias. Emo, midwest emo, post-rock, shoegaze e um math rock suave, e você ainda quer mais? Mike Kinsella te dá. E ainda te dá Elizabeth Powell, Hayley Williams, Rachel Goswell. Acho que não poderia ter sido mais perfeito. DIIV – Deceiver Provavelmente o meu álbum preferido do DIIV até agora. Não que DIIV tenha feito algo até agora que não fosse extremamente bom, mas esse álbum realmente me conquistou. Shoegaze totalmente original, com umas pitadas de alternativo raiz dos anos 90. Tudo que eu poderia esperar de uma banda de shoegaze DIIV me deu. 2019 valeu a pena por ter tido a benção de ouvir essa beleza. Mal posso esperar pela volta deles ao Brasil, vocês vão me ver pulando e cantando muito nesse show. Alcest – Spiritual Instinct Minha banda preferida da vida lançou um álbum, é claro que ele não ficaria de fora da minha lista de melhores do ano. Especialmente porque você nunca espera coisas previsíveis do Neige, são sempre surpresas, sempre tem um conceito gigantesco por trás de cada álbum, é uma junção de todas as artes juntas. Um dia eu gostaria de ter esse senso artístico refinado, por enquanto me resta recomendar álbuns aos meus queridos leitores por meio das minhas listas de indicações. Spiritual Instinct é um disco denso, carregado de emoções, transcendental, catártico, melancólico e turbulento. Duster – Capsule Losing Contact Capsule Losing Contact foi o maior presente que um fã de Duster poderia receber. 51 músicas dos discos Stratosphere e Contemporary Movement além dos EP’s e algumas músicas inéditas. Space rock, indie, shoegaze e slowcore de primeiríssima qualidade.  Caroline Polachek – Pang Caroline Polachek é uma das grandes surpresas pra mim nesse ano. Eu fui lerda e só descobri esse álbum incrível quando estava pensando nessa lista. A Caroline era do duo de indie pop chamado Chairlift. O álbum Pang é uma mistura excelente de art pop e música eletrônica. E pensa numa voz espetacular, poderosíssima, potente e angelical. Eu olho pra esse disco e a persona dele é tudo que eu gostaria de ser, um disco dançante, pra cima, dramático e intenso. Eu basicamente respiro rock alternativo, mas quando eu ouço músicas pop em uma qualidade tão boa quanto essas, eu sinto que tenho que compartilhar com o mundo também. Então acho que mesmo que pop não seja muito sua praia, acho bem impossível não curtir esse disco, vale a pena conferir. ​girl in red – BEGINNINGS Esse disco, que na verdade é uma compilação dos dois primeiros EPs da norueguesa Marie Ulven, foi escolhido por nós como um dos melhores álbuns do ano. Esse compilado marca o começo da carreira dela e o fechamento de um ciclo. Ela é um belíssimo exemplo de jovens tristes que fazem músicas em seu quarto, já que ela aprendeu sozinha a tocar guitarra e piano em pouco tempo. Começou a gravar suas próprias músicas e divulgar através da internet. Ela aborda diversos temas como saúde mental, sexualidade e autoconhecimento com muita verdade, o que faz a gente se identificar imediatamente. Uma voz doce e melódica, música alternativa, indie pop/dream pop da melhor qualidade. 2020 nos promete mais lançamentos desse ícone aí. Tamaryn – Dreaming the Dark Eu já tinha dado a dica no post de lançamentos de 2019 feito em março sobre esse disco excelente. Mas viemos reforçar a grandiosidade desse discão e dessa artista incrível. Um disco forte, cheio de personalidade, uma mistura de luz e escuridão. Basicamente música triste pra dançar enquanto você pensa na sua vida, dançando as mágoas e as dores, usando a tristeza como uma forma de se levantar e lutar, renascendo das cinzas com muito mais força, nesse momento você já está inabalável, pois o pior já aconteceu e você aprendeu a lidar com isso da melhor maneira que pode. Aquele disco pra você ouvir depois de tomar um pé na bunda pra se levantar e se lembrar da rainha empoderada que você é, né meninas? Poderosíssima como a espada de um samurai, fênix ressurgida, um ícone mesmo. Uma mistura de shoegaze com dream pop gótico e como ela mesma descreve, um lugarzinho entre o pop e o post-punk. As bandas de referência são Cocteau Twins, Tears for Fears, Depeche Mode e The Cure. Um rock alternativo cheio de referências pop com a melhor inspiração dos anos 80 possível. For Tracy Hyde – New Young City Para quem é fã de shoegaze, dream pop ou indie pop japonês, vale a pena conferir o lançamento da For Tracy Hyde. Eu sou suspeitíssima pra falar porque eu já fiz trocentos posts pra enaltecer o gênero, mas essa é uma das bandas que sempre chama minha atenção. Linhas de baixo lindíssimas, uma voz extremamente doce e relaxante, melodias felizes e dançantes, como um belo dia ensolarado. Eu gostaria muito de viver nesse mundo colorido e cheio de amor criado por  Eureka, 夏bot, U-1 e Mav. Bat For Lashes – Lost Girls “Lost Girls”

Rebobinados indica #16

Moon Pics Se você pira no shoegaze e todo seu pacote de pedais e efeitos, essa banda é pra você, o Moon Pics acaba de lançar Fall / Like Rain, seus dois novos singles trazem o saudoso estilo dos anos 90 e aquela pegada bem espacial, literalmente pra viajar ouvindo. Versus 3 O trio paulistano formado por Murilo Lourenço (guitarra/voz), João Luis Paes (bateria) e Luiz Fernandes (baixo/voz), comemora o retorno após dois anos de hiato com o novo EP As Pequenas Coisas Que Morrem, a produção tá fina, são seis músicas cheias de ótimas letras e grandes momentos, peso e melodia na medida certa. Tuíra Nós definitivamente amamos bandas com mulheres, e eis que apresentamos aqui a Tuíra, banda queer carioca, que tem em suas influências o pop punk, hardcore e o indie que se misturam numa bela fórmula durante as canções de seu EP de estréia Calma e Força. Weedevil Seguindo a fórmula de um Black Sabbath dos anos 70 juntamente com sua própria identidade, essa banda paulistana apresenta seu stoner rock através de belos riffs de guitarra e vocais femininos, o que traz um certo ar inovador, esse ano lançaram seu primeiro single Morning Star. Deeper Relacionamentos, emoções e a saída para o melhor caminho, essas são os sentimentos que esse trio de Chicago traz em seu novo single Run , as composições trazem um som moderno, lo-fi com a fusão do indie e pós-punk. Gods & Punks And the Celestial Season é o terceiro disco de estúdio dessa banda carioca lançado via Abraxas, o primeiro single lançado é Escape to the Stars, o som é uma mistura de stoner, psicodelia e progressivo. Esquimós A banda enxerga Bonança, seu segundo disco, como uma calmaria após a tempestade trazida pelo primeiro lançamento, suas letras reflexivas e poéticas são bem traduzidas em um instrumental com toques de post-rock e rock alternativo, dentre as influências estão Frank Ocean e Radiohead. DIOKANE Se a sua praia é a música extrema, então dá o play agora, o DIOKANE, banda de Porto Alegre, extravasa seus sentimentos de descontentamento com o mundo através de um som intenso, sujo e pesado do jeito que tem que ser.

Spool, quarteto japonês traz a nostalgia do clássico shoegaze em seu primeiro disco

Há exatamente quatro anos atrás, quatro garotas oriundas da agitada capital de Tóquio, no Japão, se juntam para formar uma banda, a SPOOL (” スプール) é integrada por Ayumi Kobayashi (vocal, guitarra) , Sumika Syoji (guitarra), Minako Abe (baixo) e Aran Inagak (bateria). Grandes fãs da música indie e shoegaze, lançaram seu primeiro EP ‘watashiwaoyogu melonsoda’ em 2015 com três faixas, inicialmente flertando mais com o indie rock. Foi apenas em 2019, que seu primeiro disco cheio saiu, lançado via Testcard Records e com 12 faixas, o auto intitulado ‘SPOOL’ ganhou vida e trouxe em sua estréia o som nostálgico dos anos 90, feito por bandas como My Bloody Valentine e Lush. De faixas mais melódicas e espaciais como ‘Winter’, a outros momentos mais pesados, texturizados e barulhentos como o primeiro single ‘Be My Valentine’, a SPOOL já entrega de cara um disco que facilmente as coloca nos holofotes da cena shoegazer japonesa. Batemos um papo rápido para conhecer um pouco sobre a banda e sobre o primeiro disco lançado nesse ano. Como a banda começou, vocês já se conheciam antes ou tinham algum projeto musical? A vocalista e guitarrista Ayumi, a baixista Minako e a baterista Aran estudavam na mesma escola. Nós começamos uma banda cover quando ainda estávamos estudando, nunca tivemos outra banda. Ayumi criou uma música e subiu no SoundCloud, no ano passado a guitarrista Sumika entrou para a banda e nos tornamos um quarteto. Suas primeiras músicas surgiram em 2016, mas depois vocês não lançaram nada, a banda se separou ou foi apenas um tempo para compor e voltar com novas ideias? Depois de lançarmos ”I Swim, Melon Soda”, Ayumi perdeu a vontade de compor músicas e ter uma banda, como se estivesse esgotada. Mais tarde, sua motivação voltou e lançamos o disco. Recentemente estamos ouvindo muitas bandas interessantes surgindo do seu país, como é a cena shoegaze no Japão? Existem diferentes bandas de shoegaze no Japão, e há muitas que estão abrindo caminhos para novas surgirem. Acho que a melhor coisa é fazer o que você quer, independentemente do gênero. Como o seu primeiro disco tem sido recebido pela media e pelos seus fãs? Foi uma responsabilidade maior do que esperávamos. Ficamos surpresas e muito felizes que muitas pessoas compraram o nosso disco. Vocês tem dois vídeo clipes oficiais no Youtube, eles são simples mas ao mesmo tempo são autênticos, de quem são as ideias? Sobre ”Be My Valentine”, as imagens já estavam na cabeça de Ayumi e fizemos o vídeo baseado nelas enquanto conversávamos com o diretor. Todas nós pensamos no conteúdo durante essa conversa, gostamos muito de ambos os vídeos. Quais são os planos para o futuro da banda? Primeiro, um festival ao ar livre. O objetivo é fazer com que o máximo de pessoas ouçam nossa música. Confira o disco Spool: Siga a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp

Nothing: banda de shoegaze traz ao Brasil a turnê de seu recente disco Dance on the Blacktop

Um estilo que floresceu no final dos anos 80 e ficou mundialmente famoso com My Bloody Valentine, Slowdive e Ride, o shoegaze atravessou décadas com muita distorção. Atualmente é ainda bastante praticado por bandas que tanto escolhem a sutileza, ou aquelas que exploram o peso e a incursão de ruídos. No meio do caminho está a norte-americana Nothing, um colosso sonoro que oferece um turbilhão de sensações com seu shoegaze denso e melódico. No melhor momento da carreira e tida como referência desta nova geração do estilo, a Nothing estreia no Brasil dia 14 de dezembro, em São Paulo, no Fabrique Club. A realização é da Powerline. Nothing Nestes dois últimos anos, a Nothing ganhou enorme reconhecimento. Principalmente devido a uma extensa e concorridíssima turnê ao lado do Basement, a apresentação calorosa na edição deste ano do famoso festival Psycho Las Vegas (com Godspeedyou! Black Emperor e Defheaven como umas das atrações principais) e shows por toda Europa e até Ásia. Mas toda essa exposição é resultado do trabalho da Nothing em Dance on the Blacktop, o terceiro disco pela grande gravadora Relapse Records, em 2018. Absolutamente tudo foi composto por Dominic Palermo, o vocalista e fundador da banda, que é hoje, uma das mais brilhantes mentes criativas do indie rock mundial. O álbum teve a produção do experiente John Agnello (Dinosaur Jr, Sonic Youth, The Hold Steady, entre outras). Dance on the Blacktop colocou a Nothing em um patamar avançado da cena indie mundial, apesar de, musicalmente, ser um prologamento natural dos dois anteriores – Guilty of Everything (2014) e Tired of Tomorrow (2016). Mídias do mainstream, como NME, Pithfork, Pop Matters e Rolling Stone destacaram o álbum, sempre com elogios e reforçando a capacidade da banda em tratar de temas sensíveis e sociais com tamanha sensibilidade, usando diferentes texturas sonoras, ruídos, riffs e o que mais for preciso para expressar uma mensagem pertinente à contemporaneidade. Radical Karma O quarteto, formado por Fausto Oi (baixo, ex-Dance of Day e atual Direction, Good Intentions e Eu Serei a Hiena), Fernando Martins (batera, Horace Green), Gabriel Zander (vocal, do Zander) e Mateus Brandão (guitarra, do Chuva Negra), começou a tocar ao vivo desde o fim de julho e é sempre um show que atrai fãs do hardcore ao indie. Com o EP Entre o Fim e o Começo lançado no primeiro semestre do ano e um novo por vir, o Radical Karma é a banda de abertura deste evento especial dia 14/12 no Fabrique com a Nothing. Esta será mais uma oportunidade para ouvir a força das canções “Ainda Bem que Decidiu Ficar”, “Âmbar Báltico”, “Referente Ausente”, “Sinto Muito que Não Sinta Nada”, além de novidades. SERVIÇO Nothing (EUA) dia 14 de dezembro em São Paulo Evento: https://www.facebook.com/events/605196893350195/Data: 14 de dezembro de 2019Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1075 – Barra Funda/SP)Ingresso: R$ 110,00 (meia/promocional, 1º lote); R$ 220,00 (inteira); R$ 130 (meia/promocional, 2º lote)Venda online: https://pixelticket.com.br/eventos/4448/nothing-em-sao-pauloVenda física: Locomotiva Discos – sem taxa, somente em dinheiro (rua Barão de Itapetininga, 37 – SP/SP)Classificação etária: 16 anos(Promocional para não estudantes doando 1 livro ou 1kg de alimento não perecível) Ouça o mais recente álbum do Nothing, Dance on the Blacktop, no Spotify: https://open.spotify.com/album/4LSHNiX2fM8eKv4TyosARZ

Rebobinados | Falando sobre música alternativa desde 2017.