Rebobinados indica #16

Moon Pics Se você pira no shoegaze e todo seu pacote de pedais e efeitos, essa banda é pra você, o Moon Pics acaba de lançar Fall / Like Rain, seus dois novos singles trazem o saudoso estilo dos anos 90 e aquela pegada bem espacial, literalmente pra viajar ouvindo. Versus 3 O trio paulistano formado por Murilo Lourenço (guitarra/voz), João Luis Paes (bateria) e Luiz Fernandes (baixo/voz), comemora o retorno após dois anos de hiato com o novo EP As Pequenas Coisas Que Morrem, a produção tá fina, são seis músicas cheias de ótimas letras e grandes momentos, peso e melodia na medida certa. Tuíra Nós definitivamente amamos bandas com mulheres, e eis que apresentamos aqui a Tuíra, banda queer carioca, que tem em suas influências o pop punk, hardcore e o indie que se misturam numa bela fórmula durante as canções de seu EP de estréia Calma e Força. Weedevil Seguindo a fórmula de um Black Sabbath dos anos 70 juntamente com sua própria identidade, essa banda paulistana apresenta seu stoner rock através de belos riffs de guitarra e vocais femininos, o que traz um certo ar inovador, esse ano lançaram seu primeiro single Morning Star. Deeper Relacionamentos, emoções e a saída para o melhor caminho, essas são os sentimentos que esse trio de Chicago traz em seu novo single Run , as composições trazem um som moderno, lo-fi com a fusão do indie e pós-punk. Gods & Punks And the Celestial Season é o terceiro disco de estúdio dessa banda carioca lançado via Abraxas, o primeiro single lançado é Escape to the Stars, o som é uma mistura de stoner, psicodelia e progressivo. Esquimós A banda enxerga Bonança, seu segundo disco, como uma calmaria após a tempestade trazida pelo primeiro lançamento, suas letras reflexivas e poéticas são bem traduzidas em um instrumental com toques de post-rock e rock alternativo, dentre as influências estão Frank Ocean e Radiohead. DIOKANE Se a sua praia é a música extrema, então dá o play agora, o DIOKANE, banda de Porto Alegre, extravasa seus sentimentos de descontentamento com o mundo através de um som intenso, sujo e pesado do jeito que tem que ser.
Spool, quarteto japonês traz a nostalgia do clássico shoegaze em seu primeiro disco

Há exatamente quatro anos atrás, quatro garotas oriundas da agitada capital de Tóquio, no Japão, se juntam para formar uma banda, a SPOOL (” スプール) é integrada por Ayumi Kobayashi (vocal, guitarra) , Sumika Syoji (guitarra), Minako Abe (baixo) e Aran Inagak (bateria). Grandes fãs da música indie e shoegaze, lançaram seu primeiro EP ‘watashiwaoyogu melonsoda’ em 2015 com três faixas, inicialmente flertando mais com o indie rock. Foi apenas em 2019, que seu primeiro disco cheio saiu, lançado via Testcard Records e com 12 faixas, o auto intitulado ‘SPOOL’ ganhou vida e trouxe em sua estréia o som nostálgico dos anos 90, feito por bandas como My Bloody Valentine e Lush. De faixas mais melódicas e espaciais como ‘Winter’, a outros momentos mais pesados, texturizados e barulhentos como o primeiro single ‘Be My Valentine’, a SPOOL já entrega de cara um disco que facilmente as coloca nos holofotes da cena shoegazer japonesa. Batemos um papo rápido para conhecer um pouco sobre a banda e sobre o primeiro disco lançado nesse ano. Como a banda começou, vocês já se conheciam antes ou tinham algum projeto musical? A vocalista e guitarrista Ayumi, a baixista Minako e a baterista Aran estudavam na mesma escola. Nós começamos uma banda cover quando ainda estávamos estudando, nunca tivemos outra banda. Ayumi criou uma música e subiu no SoundCloud, no ano passado a guitarrista Sumika entrou para a banda e nos tornamos um quarteto. Suas primeiras músicas surgiram em 2016, mas depois vocês não lançaram nada, a banda se separou ou foi apenas um tempo para compor e voltar com novas ideias? Depois de lançarmos ”I Swim, Melon Soda”, Ayumi perdeu a vontade de compor músicas e ter uma banda, como se estivesse esgotada. Mais tarde, sua motivação voltou e lançamos o disco. Recentemente estamos ouvindo muitas bandas interessantes surgindo do seu país, como é a cena shoegaze no Japão? Existem diferentes bandas de shoegaze no Japão, e há muitas que estão abrindo caminhos para novas surgirem. Acho que a melhor coisa é fazer o que você quer, independentemente do gênero. Como o seu primeiro disco tem sido recebido pela media e pelos seus fãs? Foi uma responsabilidade maior do que esperávamos. Ficamos surpresas e muito felizes que muitas pessoas compraram o nosso disco. Vocês tem dois vídeo clipes oficiais no Youtube, eles são simples mas ao mesmo tempo são autênticos, de quem são as ideias? Sobre ”Be My Valentine”, as imagens já estavam na cabeça de Ayumi e fizemos o vídeo baseado nelas enquanto conversávamos com o diretor. Todas nós pensamos no conteúdo durante essa conversa, gostamos muito de ambos os vídeos. Quais são os planos para o futuro da banda? Primeiro, um festival ao ar livre. O objetivo é fazer com que o máximo de pessoas ouçam nossa música. Confira o disco Spool: Siga a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp
Nothing: banda de shoegaze traz ao Brasil a turnê de seu recente disco Dance on the Blacktop

Um estilo que floresceu no final dos anos 80 e ficou mundialmente famoso com My Bloody Valentine, Slowdive e Ride, o shoegaze atravessou décadas com muita distorção. Atualmente é ainda bastante praticado por bandas que tanto escolhem a sutileza, ou aquelas que exploram o peso e a incursão de ruídos. No meio do caminho está a norte-americana Nothing, um colosso sonoro que oferece um turbilhão de sensações com seu shoegaze denso e melódico. No melhor momento da carreira e tida como referência desta nova geração do estilo, a Nothing estreia no Brasil dia 14 de dezembro, em São Paulo, no Fabrique Club. A realização é da Powerline. Nothing Nestes dois últimos anos, a Nothing ganhou enorme reconhecimento. Principalmente devido a uma extensa e concorridíssima turnê ao lado do Basement, a apresentação calorosa na edição deste ano do famoso festival Psycho Las Vegas (com Godspeedyou! Black Emperor e Defheaven como umas das atrações principais) e shows por toda Europa e até Ásia. Mas toda essa exposição é resultado do trabalho da Nothing em Dance on the Blacktop, o terceiro disco pela grande gravadora Relapse Records, em 2018. Absolutamente tudo foi composto por Dominic Palermo, o vocalista e fundador da banda, que é hoje, uma das mais brilhantes mentes criativas do indie rock mundial. O álbum teve a produção do experiente John Agnello (Dinosaur Jr, Sonic Youth, The Hold Steady, entre outras). Dance on the Blacktop colocou a Nothing em um patamar avançado da cena indie mundial, apesar de, musicalmente, ser um prologamento natural dos dois anteriores – Guilty of Everything (2014) e Tired of Tomorrow (2016). Mídias do mainstream, como NME, Pithfork, Pop Matters e Rolling Stone destacaram o álbum, sempre com elogios e reforçando a capacidade da banda em tratar de temas sensíveis e sociais com tamanha sensibilidade, usando diferentes texturas sonoras, ruídos, riffs e o que mais for preciso para expressar uma mensagem pertinente à contemporaneidade. Radical Karma O quarteto, formado por Fausto Oi (baixo, ex-Dance of Day e atual Direction, Good Intentions e Eu Serei a Hiena), Fernando Martins (batera, Horace Green), Gabriel Zander (vocal, do Zander) e Mateus Brandão (guitarra, do Chuva Negra), começou a tocar ao vivo desde o fim de julho e é sempre um show que atrai fãs do hardcore ao indie. Com o EP Entre o Fim e o Começo lançado no primeiro semestre do ano e um novo por vir, o Radical Karma é a banda de abertura deste evento especial dia 14/12 no Fabrique com a Nothing. Esta será mais uma oportunidade para ouvir a força das canções “Ainda Bem que Decidiu Ficar”, “Âmbar Báltico”, “Referente Ausente”, “Sinto Muito que Não Sinta Nada”, além de novidades. SERVIÇO Nothing (EUA) dia 14 de dezembro em São Paulo Evento: https://www.facebook.com/events/605196893350195/Data: 14 de dezembro de 2019Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1075 – Barra Funda/SP)Ingresso: R$ 110,00 (meia/promocional, 1º lote); R$ 220,00 (inteira); R$ 130 (meia/promocional, 2º lote)Venda online: https://pixelticket.com.br/eventos/4448/nothing-em-sao-pauloVenda física: Locomotiva Discos – sem taxa, somente em dinheiro (rua Barão de Itapetininga, 37 – SP/SP)Classificação etária: 16 anos(Promocional para não estudantes doando 1 livro ou 1kg de alimento não perecível) Ouça o mais recente álbum do Nothing, Dance on the Blacktop, no Spotify: https://open.spotify.com/album/4LSHNiX2fM8eKv4TyosARZ
Garbo lança vídeo para novo single ‘A Nossa Música’

Na cena indie pop há cerca de dois anos, o paulista Garbo acaba de lançar mais um single inédito, a faixa ”A Nossa Música” ganhou vídeo clipe oficial e fará parte do sucessor de ”Jovens Inseguros Vivendo no Futuro”, disco lançado em 2018. Assista o vídeo abaixo: Siga o Garbo nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube
Rebobinados indica #15

Dizzy Wave – Feel the Wind ‘Fell the Wind’ é o primeiro single que antecede o primeiro EP da banda que deve sair até outubro desse ano, a sonoridade é uma viagem sonora que serve de calmante ao ouvinte, com fortes influências da psicodelia e do dream pop. Thiago Pethit – Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação) O quarto disco de estúdio do músico e compositor Thiago Pethit traz nove composições influenciadas por Orfeu, o personagem da tragédia grega vem reformulado e vive os desamores pelos pontos urbanos de São Paulo. A sonoridade que traz uma mistura de MPB, música clássica e trip-hop cria uma aura às vezes obscura, melancólica e contemporânea. Vivian Kuczynski – Ictus A jovem cantora Vivian Kuczynski já vinha ganhando destaque com seu primeiro EP ‘Sonder’ lançado em 2017, que trazia um som maduro e um vocal singular, agora retorna com seu primeiro disco de estúdio, ‘Ictus’ traz nove faixas com influências de indie pop e momentos mais introspectivos. lllucas – Azul (single) lllucas é um projeto de dreampop de São Paulo, ”Azul” é seu novo single após um ano do lançamento de seu primeiro EP Creme Azedo. O nome azul foi escolhido pela associação da cor com a tristeza e solidão, nas letras lllucas fala sobre a solidão do jovem suburbano e é acompanhado por um instrumental leve e psicodélico. Applegate – Enfim (single) Applegate banda que surgiu em São Paulo no ano de 2016, lança ”Enfim”, o terceiro single apresentado antes do lançamento oficial de Movimentos Regulares, seu primeiro disco de estúdio que deve sair em outubro, a letra fala sobre auto-confiança e aceitação nos tempos turbulentos que vivemos. Sussurruído – Palavras Nos Muros (single) Esse é o primeiro single do novo EP da banda que será lançado em 05 de setembro, entre as principais influências está o rock alternativo dos anos 90 de bandas como Dinossaur Jr., Smashing Pumpkins, Pixies e Pavement. Flechas e Luzes – Dias de luta! Noites de luto! Dias de Luta! Noites de luto! é o primeiro EP da banda paulistana Flechas e Luzes com cinco faixas, de letras fortes acompanhadas de um rock moderno e de atitude. A música escolhida para primeiro single foi ‘O Mundo que Mudou de Cor’. Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.
Fogo Caminha Comigo lança disco de estréia influenciado por livro de Franz Kafka

Formada em Curitiba no ano de 2018, a Fogo Caminha Comigo conta com Rawph Rodrigues (Guitarra/Vocal), Richardyson Marafon (Guitarra/Vocal), Rômulo Dea (bateria) e Julio Donato (baixo). Suas músicas trazem influencias vindas do emo, dream pop e shoegaze. Pra antecipar os preparativos para o novo álbum que sai dia 29 de agosto, foram liberados dois singles, são eles ‘Capablanca’ e ‘2015’, faixas que estarão no disco que recebeu o belo título de ‘O Lamentoso cair de pétalas dança dentro da primavera de minha cabeça’. A ideia vem de uma passagem do livro ‘Cartas a Milena’ de Franz Kafka publicado em 1952. O disco lançado pelo selo NapNap Records foi gravado ao vivo no Estúdio Sabine em junho de 2019, e foi produzido, mixado e masterizado por Michael Wilseque, a capa foi feito por Nicole Gonçalves. Vocês poderiam nos contar como a banda começou e sobre a escolha do nome ‘Fogo Caminha Comigo’? Começamos tocando juntos com projeto do Rawph. Com o passar do tempo, compondo novas músicas juntos, resolvemos assumir a banda como nosso role.A escolha do nome veio do filme da Laura Palmer, parte da série Twin Peaks. A gente queria alguma coisa forte e que fizesse sentido pra nós, nisso vimos que não havia banda com esse nome e tratei de salvar no bandcamp. Como surgiu a influência do livro do Franz Kafka no conceito do disco? O nome do disco foi tirado de um trecho de Cartas a Milena. É uma leitura rápida/densa que te apresenta de Franz Kafka toda sua sensibilidade, apreensão, angústia e amor. Sinto que isso seja sincero o bastante! Enxergo o mundo de Kafka de um modo em que as coisas precisam mudar drasticamente pra se tornarem memoráveis. O que vocês podem nos contar sobre o disco, como o definiriam? Nos baseamos em algumas bandas dos anos 70 que gravavam ao vivo, foi assim que gravamos esse disco. Buscávamos trazer a maior naturalidade possível, afim de que nossos shows não soassem de uma forma tão diferente do disco em si. E entendemos que seria a melhor forma de conseguir representar nossas emoções para o/a ouvinte. Se vocês pudessem escolher apenas uma música dele para estar em um filme, qual seria e por quê? Sempre encaro algumas músicas de viagem, de estrar na estrada. Essa música em questão me descreve um carro andando solitariamente numa rodovia, fim de tarde quase noite. Há alguns momentos de clareza e escuridão nessa faixa, que eu a associo assim. Estamos vivendo tempos obscuros na política, isso impacta a banda de alguma forma ou é algo que vocês preferem não incorporar nas músicas? Impacta sim, é inevitável infelizmente ficar apar do contexto político que estamos. A faixa 2015 mesmo, foi feita sobre um ano muito conturbado pra todo mundo, teve o impeachment e toda aquela agitação vestida de verde e amarelo nas ruas. Outra vez, tocamos juntos com o Early Morning Sky no dia das eleições do primeiro turno. Fomos tocar com os resultados saindo e o desespero quase tomou conta. Mas, estávamos entre amigos e isso ajudou muito. Ter banda nesses momentos é uma válvula de escape pra cada notícia ruim que vem até nós diariamente. Quais são os planos após o lançamento, algum clipe em vista, em quais cidades vocês gostariam de tocar? Nossos planos de pegar a estrada existem sim. Devemos ir pra São Paulo, Maringá, Londrina, Ponta Grossa, e passar por algumas cidades de Santa Catarina. Gostaríamos de passar por mais cidades, porém, todos trabalhamos bastante e no final de semana, precisamos nos organizar melhor. Acredito que deve sair mais algum clipe… piramos em fazer lives tocando o disco cheio, é algo que deve ser feito também. Deixem alguma mensagem para os fãs. Façam bandas com seus amigos e amigas, antes de se verem como banda lembrem-se sempre de sua amizade em primeiro lugar. Confira o disco na íntegra: Siga a Fogo Caminha Comigo nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Instagram | Youtube Confira mais artistas e bandas na seção entrevistas.
Sob clima leve e psicodélico, os alagoanos do Milkshakes lançam ‘Wanderlust’ seu novo disco

O Milkshakes vem da linda cidade de Maceió, no Alagoas. A banda foi formada em 2015 por Duda Bertho (vocal, guitarra, synths). Ele já vinha compondo algumas músicas, e então decidiu chamar alguns amigos para grava-lás. O resultado foi o primeiro EP intitulado ‘Technicolor’, lançado em 2015 com cinco faixas e produzido pela própria banda. A sonoridade psicodélica e nostálgica do grupo ganhou destaque em diversos meios de comunicação pelo país. Sendo o EP considerado um dos melhores discos do ano. Em 2019 eles retornam com seu novo álbum ‘Wanderlust’. Durante as oito faixas podemos escutar uma sonoridade leve, praiana e com influências que vão do indie, passando pelo pós punk e psicodélico, com características que conseguem unir o retrô e o moderno. Encontramos boas doses de psicodelia e viagem na faixa ‘Wanderlust’ que abre o disco, ou uma pegada mais eufórica em Summer. De repente, caímos na melancólica e romântica ‘Take Me to the Stars’ e dançamos ao som de ‘Highway’ com sua vibe mais pós-punk. Wanderlust mostra um som cada vez mais maduro, mais bem trabalhado, onde a banda procura experimentar mais e definir de vez sua faceta. Ouso dizer que já é facilmente um dos melhores discos nacionais desse ano. Aproveitamos esse lançamento para bater um papo com os integrantes e saber um pouco mais sobre a banda e o que tem rolado nesses últimos anos. O primeiro EP ‘Technicolor’ foi lançado em 2015 e de cara mostrou uma baita qualidade e maturidade. Como vocês o avaliam agora quatro anos após seu lançamento? Gostamos bastante. Eram músicas que tinham sido feitas desde 2012, e tinham um lado mais jovem, mais Wavves rockinho de praia, e a partir daí elas foram moldadas com as referências que eu e Chase (Fellipe Pereira) curtíamos na época. Bem dizer muito Innerspeaker, Lonerism e Currents (que foi lançado enquanto a gente gravava). Tem músicas ali que eu não conseguiria repetir. Acho que a inspiração vem do momento e simplesmente acontece, então olho pro ‘Technicolor’ com muito carinho e orgulho. Vocês acham que a cidade onde vivem tem grande influencia sobre o som e estética, ou isso tem mais a ver com suas influências musicais? A cidade influencia sim, mas acredito que as influências estéticas e musicais são muito mais fortes nesse aspecto. Acho que tem um lado de praia, da brisa do mar do fim da tarde que a gente pega de Maceió, mas consumimos tanto de tanto lugar que fica difícil dizer que é só sobre aqui. Em ‘Wanderlust’ vocês experimentam mais e trazem um trabalho que facilmente pode torná-los uma das melhores bandas do indie nacional, como foi trabalhar no disco? Muito obrigado pelo elogio. Foi um trabalho bem interessante e desgastante no bom sentido. Muitas noites viradas, muitas ideias puxadas do HD, músicas sem meio nem final sendo criadas sem fórmula. Algumas vieram de gravações que fiz em casa como ‘Breakfast With You’ e ‘Wanderlust’ e que mostrei pro Chase, já outras como ‘Outerspace’ foram moldadas com a banda. No fim, acabamos levando essas demos e ideias não acabadas pro Montana Records do Filipe Mariz que mixou o disco e nos ajuda sempre no rolê, fomos lapidando as músicas e criando um disco que conta uma história e faz sentido no fim. A produção é do Chase e minha, independente e com muito aprendizado no meio do caminho. Não toco bem, mas brinco com todos os instrumentos, e o Chase toca muito bem bateria e guitarra. O processo era basicamente: levar música estranha inacabada, passar pelo filtro Chase, melhorar melhorar melhorar, gravar, regravar e sair com algo legal. No fim, deu certo. Gravamos tudo em 2017 e nesse ano eu fui morar fora. Passamos um tempo num hiato por que não queria lançar sem poder tocar e investir o tempo nisso. O disco passou a fazer mais sentindo ainda quando voltei, tendo viajado o mundo e sentido um pouco o significado da palavra ‘Wanderlust’, que é a vontade de conhecer novos lugares, novas experiências. Se vocês pudessem escolher um filme para ter o disco ‘Wanderlust’ como trilha sonora, qual seria e por quê? Acho que seria um blend entre 2001: Uma odisseia no espaço, algum filme com pessoas dirigindo carros no deserto e um filme romântico com Owen Wilson na sessão da tarde. A verdade é que cada música desperta uma imagem diferente nas nossas cabeças. Quais são os próximos planos agora que o disco foi lançado? Consideram gravar algum clipe? Queremos gravar ao menos 2 clipes, possivelmente lyric videos e com certeza umas lives mais pocket, na linha desse de Oh Baby do Technicolor – e algumas Lives completas. Existe algum lugar ou artista/banda que vocês gostariam de tocar? Gostaríamos de tocar em novos lugares aqui no Brasil, em um primeiro momento ir a São Paulo. Seria legal tocar com bandas como Boogarins, Glue Trip, Terno Rei e etc. Se fossem artistas de fora, amaríamos tocar com Homeshake, DIIV, Beach Fossils, Mac Demarco. Iríamos abraçar todos. Quais artistas independentes vocês indicariam para o público conhecer? A gente tem ouvido bastante a Taco de Golfe, uma banda instrumental muito boa de Aracaju. Gostamos muito da Mahmed, de Natal, também Obrigado pela disponibilidade em responder as perguntas, deixem um recado para conhecerem a banda. Valeu, gente, ouçam a Milkshakes! Nos aguarde na sua cidade. Confira o disco Wanderlust: Siga o Milkshakes nas redes sociais: Facebook | Bandcamp
ionnalee traz ótimas composições e visuais em REMEMBER THE FUTURE, seu segundo disco

A cantora, produtora e diretora sueca Jonna Lee conhecida por seu projeto audiovisual iamamiwhoami, surgido em 2009 durante uma série de vídeos com mensagens subliminares e três discos de estúdio lançados, resolveu ressurgir sob uma nova e simples identidade assinando apenas como ionnalee. Mesmo passando por alguns problemas de saúde e temendo perder sua voz durante a composição de seu primeiro disco, ela entrou em estúdio e trabalhou duro para que ele saísse como ela tanto queria. Eis que EVERYONE AFRAID TO BE FORGOTTEN foi lançado em maio de 2018, e mostrou uma artista mais aberta, se arriscando mais e com músicas consideradas até mais ”comerciais”. Como é o caso de ‘SAMARITAN’, o primeiro single, isso tudo rendeu uma bem sucedida primeira turnê mundial financiada pelos próprios fãs através do site kickstarter que teve passagem pelo Brasil em agosto de 2018. O êxtase de estar tão próxima de seus fãs, algo que não acontecia após anos de carreira como iamamiwhoami era claramente visto em todas as suas apresentações, tudo isso pareceu um novo recomeço. Em algumas entrevistas ela disse que o apoio dos fãs e a turnê lhe deu forças para continuar compondo um segundo disco, e isso rendeu bons frutos, depois de exatamente um ano ela retorna com novo single e o título do novo trabalho REMEMBER THE FUTURE. ‘OPEN SEA’ abre o disco, é o primeiro single e tem um dos melhores refrões que ionna já fez, enérgica, a música é um synthpop dançante que nos remete um pouco às músicas do disco BLUE, ganhou um vídeo clipe com um clima espacial muito bem trabalhado. Em seguida, temos ‘WIPE IT OFF’, mais ‘dreamy’ e cheia de sintetizadores (do jeito que a gente gosta) que envolvem a música até seu final mais dançante. ‘SOME BODY’ é a terceira faixa e o segundo single, também ganhou vídeo clipe, sua sonoridade é dançante e mistura alguns elementos antigos e novos, com um refrão também bem pegajoso. Em seguida, temos ‘MATTERS‘ que conta com a participação de Zola Jesus, uma música mais sombria e introspectiva, o clima logo muda com ‘ISLANDER’, uma faixa instrumental com uma pegada mais atmosférica e que vai evoluindo com batidas mais pulsantes. A faixa título ‘REMEMBER THE FUTURE’ é o terceiro single, tem boas influências de um pop mais anos 80, nostálgico e com vocais marcantes, é um dos pontos altos do disco, já em ‘CRYSTAL’ temos mais uma colaboração, dessa vez com a cantora também sueca Jennie Abarahamson, a canção também é um pouco mais introspectiva, tem alguns efeitos vocais bacanas e passa um pouco despercebida se você gosta de algo mais agitado. ‘RACE AGAINST’ é uma faixa instrumental e serve de interlude para a próxima, ‘SILENCE MY DRUM’, uma das melhores do disco, é incrível como a voz de ionna consegue criar climas tão belos, temos aqui uma música encantadora e envolvente. A versão de ‘MYSTERIES OF LOVE‘ é definitivamente apaixonante, originalmente composta por Angelo Badalamenti, famoso pelas trilhas sonoras de Blue Velvet e Twin Peaks, aqui temos mais um feat, dessa vez com o Röyksopp, o resultado foi algo profundo e emocional, uma vibe leve que paira até o fim, assim como dançar em slow-motion. O disco termina com ‘I KEEP‘, mesmo sendo a última do disco, ela entrega um clima mágico, dançante e tira qualquer ideia de música aleatória para finalizar um disco. REMEMBER THE FUTURE superou as expectativas, ele traz uma mistura de climas mais nostálgicos e etéreos que são marcas de ionnalee desde seus antigos trabalhos, mas tem também elementos mais novos, os singles foram bem escolhidos e toda a parte visual continua inspiradora e ótima como sempre.
Música, brilho e escuridão com a drag king islandesa Mighty Bear

Máscaras brilhantes, visuais obscuros, misteriosos, homem, mulher ou apenas um ser?Mighty Bear (Urso Poderoso) é como se denomina essa drag queen islandesa, quem está por trás dessa persona artística é Magnús Bjarni Gröndal, conhecido também por assumir os vocais de sua antiga banda de pós-rock We Made God. Seguindo por caminhos totalmente diferentes, Mighty Bear parece algo mais pessoal, um encontro ao ”eu” de um musico que parece procurar novas possibilidades dentro da música. Batidas pulsantes, diferentes climas, experimentos e atmosferas que vão de momentos mais frenéticos a outros mais obscuros e vazios, parece estranho, mas essas palavras descrevem a música eletrônica islandesa, é como se esse som fosse o par perfeito para as paisagens desoladoras, bonitas e deslumbrantes que viram cenário de uma persona totalmente enigmática. Mighty Bear traz uma estética nova para o mundo drag, deixando de lado o visual espalhafatoso e colorido, aqui temos espaço para o brilho e a escuridão. Seu primeiro single ‘Leyndarmál’ foi lançado em 2016, seguido de ‘Hvarf’, mas foi apenas em 2018 que o EP ‘Einn’ ganhou vida, com quatro faixas produzidas por ele mesmo. Junho é o mês da diversidade, por isso decidimos bater um papo com Mighty Bear sobre sua estética, música e o mundo drag, além de questões políticas que estão inevitavelmente ligadas ao tema. Como começou a sua carreira musical, antes do Mighty Bear você participou de uma banda de pós-rock, mas antes de todos esses projetos o que você já havia feito? A música sempre fez parte da minha vida. Desde quando eu era pequeno sempre estive cantando e criando alguma coisa. Eu comecei a minha primeira banda quando eu tinha 16 anos, uma banda punk. Depois de um curto tempo nasceu o We Made God. Nós lançamos três discos e fizemos uma turnê no Reino Unido, Itália e China. Nós fomos uma banda por mais de 15 anos. O que você pode nos falar sobre essa persona Mighty Bear? Mighty Bear é uma extensão de mim mesmo. É uma combinação de ambos os meus lados masculino e feminino. Com o Mighty Bear eu me permito ser verdadeiro sem pensar muito no que os outros vão achar. Sobre a sua estética, geralmente drag queens tem um visual colorido e exuberante, o que você pensa sobre isso e como foi criar algo totalmente diferente, mais sombrio e misterioso? Foi importante para me expressar, e sempre gostei dos visuais mais obscuros. Quando eu era adolescente e encontrei o rock minha vida mudou completamente. Eu finalmente tinha encontrado algo que falava comigo. Quando eu estava criando o Mighty Bear eu queria muito expressar isso. Nesse projeto o seu foco é a música eletrônica, experimental, como foi essa escolha, você acredita que esse gênero é mais amplo? Sempre fui fã da música experimental e de fazer algo novo. Mas nunca foi uma decisão consciente criar esse tipo de música. Já que eu queria me expressar e sabia que eu teria que fazer tudo, então a música eletrônica foi uma escolha óbvia já que eu poderia criar tudo sozinho. Eu amo trabalhar com outras pessoas, mas o Mighty Bear foi sempre suposto a ser apenas a minha criação. Definitivamente penso que esse gênero é amplo e pode se expandir mais. Como é a cena drag na Islândia? A cena drag na Islândia ainda é nova mas está crescendo rapidamente. Nós temos um monte de drag kings o que é muito interessante. É algo muito diverso para um país tão pequeno. Atualmente o Brasil está ganhando destaque por sua cena musical queer, Pabllo Vittar é uma das drag queens com milhões de visualizações no Youtube. Você conhece nossas drags? Não conheço, mas definitivamente irei procurar sobre. Junho é o mês da diversidade e recentemente nossa justiça criminalizou a homofobia, isso é muito importante tendo em vista os momentos difíceis que estamos vivendo na política. Como são as políticas para as pessoas LGBT na Islândia? A Islândia é muito liberal quando se fala em políticas LGBT e sou muito grato por isso. Diálogos de ódio são ilegais já faz um bom tempo. Nós tivemos a primeira presidenta mulher do mundo e tivemos um primeiro ministro assumidamente gay. Ainda temos um longo caminho a percorrer, principalmente no que diz aos direitos trans. Quais são os seus planos futuros, está gravando música nova ou tem planos para um disco cheio? Atualmente estou trabalhando em um novo EP, que está quase pronto. Ele deverá ser lançado em breve. Se você pudesse escolher um artista favorito para se apresentar ao lado qual seria e por que? Tenho uma música que será lançada em breve onde trabalhei junto com Hans, uma drag king da Islândia e estou super animado com isso. Muito obrigado pela disponibilidade em falar com a gente, deixe um recado se quiser. Muito obrigado por mostrar interesse no meu trabalho. Visite: www.mightybearmusic.com para mais informações. Siga Mighty Bear nas redes sociais: BandcampFacebookSiteYoutubeInstagram