Deafheaven vive seu momento mais glorioso em Ordinary Corrupt Human Love

No dia 13 de Julho, sexta feira bem trevosa, Deafheaven lançou seu último disco o Ordinary Corrupt Human Love. Nesse meio tempo já rolou muita controvérsia nas redes sociais sobre esse disco ser o novo preferido da galera ou se aclamado Sunbather (2013) continua sendo o preferido. Teve gente que gostou e teve gente que odiou. Mas nós vamos te contar o que achamos dele. Essa é uma das bandas mais incríveis dos últimos tempos. E eu tenho certeza disso, por mais que alguns fãs mais conservadores de black metal discordem de mim. Eu acredito que a intenção da banda nunca foi ser “true black metal”, até porque o visual deles nem remete a isso. É blackgaze e esse estilo consegue ser bem amplo e se comunicar tão bem com outros estilos como post rock, ambient, DSBM, atmospheric e por aí vai. E a banda inova e se reinventa a cada disco e isso fica claro com Ordinary Corrupt Human Love. Eu particularmente gosto bastante do New Bermuda (2015), apesar de não conhecer ninguém que goste desse álbum ou que o prefira ao Sunbather. Acho um excelente disco, foi o disco que me fez conhecer a banda e ele consegue me emocionar bastante. Ao vivo é excelente também. Eu já imaginava que a banda iria se esforçar para impressionar com o álbum novo, mas as minhas expectativas foram superadas. A estética do disco segue bastante o que a banda costumava postar nas redes nos últimos tempos. Para quem acompanha o Clarke, fica óbvia a influência das poesias e outros trechos de livros que ele continua compartilhando. Esse disco balanceia perfeitamente a suavidade com a agressividade, elementos de shoegaze e black metal respectivamente, com uma fluidez tremenda. Esse disco tem uma pitada de melancolia, mas apenas o suficiente para dar o tom, sem se deixar levar pela tristeza. Essa pitada também leva esperança, romance, suavidade, doçura. É como se apaixonar e ao longo dele você aprende a amar. Parece extremamente brega quando digo isso, mas essa é a sensação que me passa e no final das contas não fica brega. A jornada soft começa com You Without End. O piano nessa música é sensacional e ele marca o tom da nossa belíssima experiência. Eu não conseguiria pensar em uma “intro” melhor. A gente nota que tem bem menos blast beat que nos outros trabalhos da banda, a transição para o shoegaze e post rock é bem mais definida. Para quem não é muito fã de black metal, esse disco é uma perfeita introdução, porque uma enorme inspiração do gênero e o torna bem mais suavizado e fácil de ouvir. O baterista Daniel Tracy sempre preciso e meticuloso em suas viradas não deixa a desejar e nos proporciona uma linha de bateria interessantíssima e muito rica. Na sequência vem Honeycomb e ela tem um trecho que consegue sintetizar a estética do disco. É quase como se a banda estivesse mostrando um outro lado seu, um lado mais romântico, mais sensível e que se permite mais sentir as coisas sem ter vergonha alguma disso. É o lado artístico sendo relevado e com ele vem uma maturidade muito grande na medida que você consegue se expressar. “I’m reluctant to stay sad Life beyond is a field a flowers My love is a nervous child Lapping from the glowing lagoon Of their presence My love is a bulging, blue-faced fool Hung from the throat By sunflower stems” Canary Yellow descrita pelo George como uma “música sobre viver na memória de outros”. É bem fácil de sentir uma grande nostalgia nessa faixa, o Kerry McCoy é mestre em traduzir sentimentos em suas belíssimas melodias. Possivelmente um dos meus guitarristas preferidos, porque consegue criar músicas deslumbrantes, suntuosas e magníficas. Só as melodias já são um show a parte e eu não preciso nem mencionar o excelente uso dos pedais para criar a atmosfera perfeita nos solos e nos momentos onde o shoegaze brilha enquanto traz a calma depois da tempestade. Near é uma das músicas mais bonitas e tranquilas do álbum, bem post rock e bem melódica. Temos um vocal limpo nos três versos da canção que mostra as outras faces da banda. Glint é uma daquelas músicas que a gente faz um headbanging bem orgulhoso, tem a volta dos blast beats, da agressividade e a pungência da guitarra. Consigo até imaginar o stage diving dos fãs quando a banda trouxer essa turnê para o Brasil. Night People é literalmente a música mais bonita e a que eu mais gostei do álbum. Primeiro pela Chelsea Wolfe e depois pelo vocal lindo e limpo do George. Ninguém fazia ideia de quão belo era seu vocal limpo e do quão poderoso ele é. Não tem uma música que seja mais romântica que essa, mesmo se a letra estivesse dizendo qualquer outra coisa eu poderia dizer que só há romance entre os vocalistas. É magnífico como as duas vozes se mesclam, se cruzam, se completam e se emaranham deliciosamente. Se eu estivesse descrente do amor, eu voltaria a acreditar depois dessa música, de tão poderosa e lindíssima que ela é. O clipe recentemente lançado transmite bem esse sentimento com a sobreposição de imagens dos dois, quase como se um fizesse parte do outro, em uma dualidade que se completa e se satisfaz. Worthless Animal é a última faixa do disco, encerrando nossa jornada pelas terras misteriosas e sinuosas desse romance. Uma mistura de sensações trazidas por Canary Yellow e Glint, que convergem num tom de despedida e com mais um tanto de melancolia. E já que mencionamos a turnê, a banda está em turnê pela América do Norte com Drab Majesty e Uniform anunciou uma tour pelos Estados Unidos com DIIV em Outubro e Novembro, logo depois tem tour pela Europa também. Certamente vivendo seu auge, esperamos que em breve tenhamos shows aqui no Brasil também. O álbum está disponível em suas plataformas preferidas de streaming:
Já podemos afirmar que FITA é um dos álbuns do ano?

Talvez esteja meio tarde pra resenhar sobre esse álbum. Mas eu acredito que nunca é tarde demais para falar sobre o que a gente gosta. E o que eu gosto no momento é desse álbum. Resenhar sobre álbuns não é nem de longe o meu forte, especialmente porque eu só consigo falar de algum disco quando eu crio algum tipo de conexão emocional com ele. Quando as músicas me comovem e me trazem sensações intensas. E esse é justamente o caso aqui. Então, na verdade, resenha nem é a palavra certa a ser usada aqui. Eu vou simplesmente ter que abrir meu coração e tentar convencer todo mundo que está lendo isso a se apaixonar pelo FITA junto comigo. Já falei sobre a Oxy anteriormente nesse post aqui, mas não parece o suficiente. Ainda mais quando eu me peguei ouvindo esse álbum no repeat nos últimos dias. Gostei tanto que eu estava praticamente cantando junto enquanto o ouvia no ônibus. É um álbum muito coeso e harmônico. Eu não mudaria nada nele e nem tiraria alguma música dele. As linhas de baixo, os solos de guitarra, a bateria, os vocais… É tudo perfeito. Os clipes das músicas são incríveis, a fotografia, toda a identidade visual e o Enzo Correia é o cara por trás disso, ele faz tudo ser mais visual e palpável. A primeira música, Into, de cara já nos joga na atmosfera sonhadora, doce e angelical proporcionada pela voz angelical da Sara. É difícil descrever tudo que esse álbum consegue me passar em termos de sentimentos. Vai soar bem cafona isso que eu vou dizer, mas é como se eu fosse transportada pra outra dimensão ou pra uma vida passada minha. O meu eu vivendo em alguma noitada dos anos 80 e 90. Algumas músicas com a vibe do shoegaze também me proporcionam essa sensação. Mas nunca com a intensidade que FITA me transportou. É uma sensação muito boa, te tira da realidade e te leva a um lugar por ora tranquilo, ora intenso, ora animado e colorido. Outra coisa que eu também consigo notar é que eu não consigo desgostar de nenhuma música, mesmo que num primeiro momento eu já não a defina como uma das minhas preferidas, ao longo da música surge algum pequeno elemento diferente que me prende e no final das contas eu me pego cantarolando e querendo ouvir de novo e de novo e de novo. Eu não faço ideia de como eu posso definir esses elementos, porque às vezes são trechos de música que grudam, de uma maneira bem positiva, na minha cabeça. Pink Socks consegue me conquistar logo de primeira, sua vibe alegre nos faz querer dançar. Certamente é um dos destaques de um álbum impecável. Aliás, Oxy nunca nos decepcionou. O EP lançado em 2016 é uma das preciosidades que jamais poderemos esquecer. Um belíssimo trabalho que me fez conhecer e admirar a banda, e que é reflexo de todas as nuances, elementos diversos e ricos que temos no FITA. É shoegaze, dream pop, post-rock, tudo junto e misturado que resulta num som incrível e único. Eu consigo eleger a minha preferida nesse álbum. Foi uma tarefa difícil, mas a escolhida foi Carriage. Eu tenho certeza que a Sara Cândido, o Blandu Correia, o Lucas Eduardo Pereira, o Marcelo Vasconcelos e Thiago Neves compartilharam um pedacinho da mente para poder fazer algo tão bonito quanto essa música. Eu não tenho adjetivo melhor para descrevê-la do que perfeita. Consigo colocá-la na minha lista de músicas preferidas de todos os tempos facilmente. Ela é melancólica, mas é agitada e acelerada ao mesmo tempo. É viciante e você termina de ouvir e já quer ouvir de novo e quando vê já está cantando junto. Porque só pra tentar escrever esse parágrafo para poder de alguma maneira tentar descrevê-la, eu fui obrigada a ouvir umas 8 vezes, de tão boa que ela é. E eu um dia adoraria aprender a tocar o solo de guitarra que aparece quase no final da música. Fairytale me traz a mesma vibe do shoegaze japonês, certamente não teve essa intenção, mas é reconfortante perceber isso. Provavelmente é uma das músicas mais doces presentes no disco e com um refrão mais adorável ainda. Sempre há algo de reconfortante em músicas com vocal feminino, aliás essa é uma das coisas que eu mais admiro no nicho shoegaze/dream pop e uma das razões pelas quais esse é meu nicho preferido. Trying é outra das minhas preferidas. Mais um solo incrível no meio, mais um refrão excelente, letras ótimas que te fazem querer ouvir várias vezes. A vibe anos 90 é certeira, eu me sinto em casa apesar de ter nascido em 95 e de nessa época não ter noção do que estava acontecendo. 80’s é a atmosfera Beach House da maneira mais descolada possível. É como uma despedida triste que anuncia o fim do disco. Essa é pra você ouvir e ficar borocoxô, e depois se animar e ouvir o disco inteiro de novo. Eu mal posso esperar pela vinda da Oxy para São Paulo e curtir ao vivo todas essas músicas maravilhosas. Não preciso nem falar que é uma das bandas que certamente vão estourar nos próximos meses. O sucesso, nacional e internacional, é certo. Mais uma coisa notável nesse álbum é de como ninguém teve medo de ousar, de soltar a voz e inovar. O resultado disso é um dos melhores álbuns que já tive o prazer de ouvir. Renova as esperanças em todo o talento que temos no país, todo o potencial que os jovens tem. Faz valer todo o esforço e dedicação que colocamos no blog e em descobrir novos artistas, porque no final das contas, a música vale muito a pena. Acompanhe a Oxy nas redes: Bandcamp Facebook Site Instagram
Rebobinados indica #1

O ano de 2018 continua sendo bem produtivo, e por conta disso criamos esse post para indicar lançamentos, de diversos gêneros, bandas conhecidas ou não, o que importa é divulgar o máximo de música possível para todos que leem esse blog. Nesse post temos pérolas que encontramos no bandcamp. Temos vários estilos como blackgaze, post-rock, atmospheric black metal, ambient e post-metal, mas a ideia do Rebobinados indica é trazer vários estilos/gêneros bacanas e interessantes de músicas boas. O importante é que seja boa! Vamos procurar trazer mais músicas e bandas diferentes para vocês ao longo do tempo. E se você tem alguma banda que queira ver na nossa próxima postagem, deixe sua indicação nos comentários que iremos ouvir. Habitants Habitants é uma banda holandesa que está lançando seu primeiro álbum em 2018. Esse é um álbum que eu aguardava há meses e a espera não foi em vão. A expectativa vem desde o single Meraki lançado em 2017 que conquistou uma legião de fãs sozinho. O disco veio apenas para estreitar essa relação incrível. É difícil definir o gênero, provavelmente uma mistura de darkwave, indie pop, post-rock e um pouco de shoegaze. É suave e delicado como a incrível voz da Anne van den Hoogen que embala essa deliciosa experiência do começo ao fim. We Made God Banda islandesa de post-metal formada em 2004, com três discos de estúdio lançados, sendo o mais atual Beyond the Pale, com oito faixas cheias de climas entre peso e atmosferas que dão forma a uma sonoridade profunda e bonita. Pale Temos várias bandas com esse mesmo nome, mas a Pale que nós nos referimos é a banda de post black metal japonesa. Além disso, também temos vários elementos de blackgaze, post metal e atmospheric black metal. Nós indicamos o último EP deles, lançado em julho, é bem pauleira e mostra a variedade de gêneros e nuances de bandas do Japão. Unreqvited É um projeto solo canadense de DSBM, post black metal, blackgaze e atmospheric. Já indicamos essa banda no nosso post sobre blackgaze, mas vale a pena conferir o álbum Stars Wept to the Sea lançado em Abril. Esse é um grande momento para o blackgaze, que vem ganhando força e robustez nos últimos meses e Unreqvited é um dos belos frutos que podemos apreciar. Sojourner Sojourner é uma banda composta por membros de países como Nova Zelândia, Suécia e Itália de atmospheric metal com grande influência de folk. Seu segundo álbum, lançado em Março, The Shadowed Road foi gravado em partes por cada membro da banda ao redor do mundo e também mixado e masterizado em lugares diferentes. Sojourner está aí para mostrar que nem sempre é preciso que os integrantes estejam todos no mesmo lugar para lançar um excelente álbum. Apenas na hora de fazer shows que as coisas se complicam, mas vale a pena conferir. Black Book Lodge É uma banda de prog metal e stoner da Dinamarca. O álbum que indicamos é Steeple And Spire, lançado em Maio, que é o último da banda, tem uma pegada mais alternativa e não tão stoner quanto os outros trabalhos já lançados. Sam Haven É um projeto solo australiano de ambient. Também temos influências de atmospheric black metal, drone, post metal e post rock. A capa resume bem o que é apresentado no álbum lançado em Junho. É música melancólica e obscura, se você gosta de música triste, esse é o álbum perfeito. The Ever Living É uma banda britânica de post metal, sludge e atmospheric. A capa do álbum de estreia da banda chamado Herephemine não é exatamente a capa de um disco de post metal que a gente espera, mas certamente o som é bem mais do que a gente poderia sequer imaginar. O som é intenso e cinematográfico. Vale a pena conferir essa banda que dividiu palco com outras bandas excelentes como Rosetta e Ghost Bath, e também foi parte do Hammerfest IX. Bloodbark É uma daquelas bandas misteriosas de metal que preferem não revelar suas identidades e nem de onde vieram. E geralmente essas bandas são bem boas, Bloodbark não deixa a desejar com seu atmospheric black metal, post black metal, blackgaze e ambient. Seu único álbum, Bonebranches, lançado em Janeiro é uma experiência deliciosamente rica e intensa, consegue misturar vários gêneros sem perder identidade, sem parecer confuso e perdido. Se realmente existisse um gênero como epic black metal, Bloodbark certamente faria parte dele. Skyborne Reveries Projeto solo australiano de atmospheric black metal. Melodias melancólicas e sombrias, muito inspiradas pelo universo do Tolkien e que lembram o som das bandas Windir e Eldamar. Mesarthim Mesarthim é uma mistura black metal, DSBM, atmospheric e até black metal “cósmico” que formam algo singular e belo. Esse duo australiano usa fotos da NASA em suas capas de discos, o último lançado em Abril é o The Density Parameter, vale a pena conferir. Ephilexia Projeto solo da Hungria de música ambiente, atmospheric, experimental e post rock. Suas músicas são bem suaves, melódicas e calmas. O álbum que indicamos é o segundo, lançado em março deste ano, Hope Is Our God. Realm of Wolves Uma banda também da Hungria, mas de atmospheric black metal, DSBM, blackgaze e post black metal. Eles descrevem o próprio som como “sombrio, triste, furioso, mas também melódico e belo”. É mais uma das novas bandas de blackgaze que vale a pena conferir. Seu álbum de estreia, lançado em Maio, é excelente. Destacamos a música Fragments of the self. Esperamos que venham mais coisas boas pela frente conforme a banda vai ganhando personalidade e consistência. Spurv Spurv vem fechar a nossa lista de indicações com seu instrumental e post-rock de Oslo, Noruega. Por mais que a Noruega seja conhecida por seu black metal de raiz, Spurv é uma melhores bandas de post rock do momento, representando e orgulhando bastante seu país. O álbum Myra, lançado em Maio, é considerado por muitos como um dos melhores do ano e, possivelmente, veremos a banda tocando em vários festivais europeus nos próximos anos.
15 bandas de shoegaze nacional que você precisa conhecer pt. II

Espero que os poucos leitores assíduos do nosso blog ainda não tenham se cansado do excesso de bandas de shoegaze que trazemos aqui com muita frequência. Desde o nosso primeiro post falando sobre shoegaze nacional, esse virou o gênero pelo qual somos mais conhecidos por escrever. É quase o prato da casa e se nós servíssemos comida boa, com certeza seria um set de pedais com reverb (com muito reverse), chorus, delay, fuzz e muito mais distorção do que você poderia imaginar. Percebam que eu ainda não me cansei de falar de shoegaze. Então como eu só penso nisso, decidi trazer algumas bandas memoráveis que acredito que vocês devam conhecer (e provavelmente se apaixonar). Já tem um tempinho que eu quero falar sobre elas, mas até então não tinha surgido a oportunidade. Dessa vez a gente tem bandas de todos os gostos, bandas que, infelizmente, encerraram suas atividades há anos, bandas novas, bandas mais populares, bandas que estão começando a ganhar nome e espaço. Mas simplesmente são bandas que você não pode deixar de ouvir. Grande parte das bandas que estão aqui estão presentes nos castings da Sinewave e da midsummer madness. Recomendo conhecer as outras bandas incríveis que integram o casting, vale muito a pena! Alberi Facebook | Bandcamp Céus de Abril Facebook | Bandcamp Early Morning Sky Facebook | Bandcamp Astrocrushing Blog | Bandcamp A Página do Relâmpago Elétrico Facebook | Bandcamp The Soundscapes Facebook | Bandcamp Kid Foguete Facebook | Bandcamp Rec on Mute Facebook | Bandcamp Devilish Dear Facebook | Bandcamp Gray Strawberries Spotify Robsongs Facebook | Bandcamp Duelectrum Facebook | Bandcamp Stella Maris Facebook | Bandcamp Killing Surfers Facebook | Bandcamp Venus in Fuzz Facebook | Bandcamp Nossa playlist de shoegaze nacional no Spotify: E se você ainda quer mais shoegaze, recomendamos essa playlist feita pelo Mario C T Silva da banda Wry (uma das melhores bandas brasileiras do gênero):
A cena musical de Minas Gerais
Minas Gerais é o berço de vários artistas talentosos que conhecemos hoje. Em Belo Horizonte, na década de 60, foi formado o Clube da Esquina, coletivo de artistas hiper importantes da MPB como Lô Borges, Flávio Venturini, Beto Guedes, Milton Nascimento, entre outros. Esse coletivo lançou dois discos, Clube da Esquina (1972) e Clube da Esquina II (1978), álbuns memoráveis que constam em várias listas como os melhores já lançados. Fizeram e continuarão fazendo história por mais muitos anos. E no cenário independente/underground não poderia ser diferente. Uma das bandas mais influentes é a Lupe de Lupe, que conquistou uma legião de fãs com produções DIY. É referência para praticamente todo mundo que quer conhecer essa cena como fã ou artista. Mais de oito mil ouvintes em plataformas como Spotify, a Lupe até hoje lançou Recreio (2011), Sal Grosso (2012) e Quarup (2014). No dia 17 de maio, a Lupe soltou o seu polêmico clipe O Brasil quer mais, que faz parte do CD que será lançado em setembro de 2018 e anunciando 6 datas de shows após um hiato de 2 anos. Toda essa atmosfera de criatividade, arte e originalidade faz de Minas um dos lugares mais importantes e especiais voltados para o tipo de música que apreciamos. Aqui nós vamos listar alguns artistas banacas e que fazem um som que a gente acredita, mas sinta-se à vontade para continuar explorando todas as possibilidades e gêneros musicais que o país pode te oferecer. Fábio de Carvalho Aldan Não-Não Eu Kill Moves Sara não tem nome El Toro Fuerte Fernando Motta Young Lights Miêta Sentidor JP Vitor Brauer Jonathan Tadeu Rebelde Sem Calça Quase Coadjuvante Pedro Flores Lava Divers Paola Rodrigues Wagner Almeida
O riot grrrl muito bem representado no Hard Grrrls Festival

Nos dias 18, 19 e 20 de maio aconteceu o Hard Grrrls Festival no Presidenta Bar na Augusta, um festival idealizado pela Hard Grrrls com bandas femininas/feministas do cenário underground que teve sua primeira edição em 2003. O Hard Grrrls, surgiu em 2000 e há dez anos era um site muito importante e relevante onde você podia encontrar matérias, mp3, conhecer bandas e conhecer também outras minas que gostavam ou faziam música. Hoje em dia faz parte do site AzMina para divulgação desse nicho que não é nem de longe explorado e apreciado como deveria. Convido você a explorar esse espaço e conhecer o trabalho incrível que elas fazem. Inúmeras mulheres que estão de alguma forma ligadas com música sempre acabam reforçando a mensagem de que as mulheres precisam ter mais participação. Nós precisamos ver mulheres no palco, mulheres atrás do palco, mulheres produzindo shows, mulheres na plateia e em todos os lugares possíveis. Parece exagero da minha parte, mas quantas bandas com mulheres na formação você conhece? Você conseguiria listar 20 bandas formadas por mulheres? Dificilmente. É difícil até para quem está envolvido nesse meio, nós precisamos escavar para poder encontrá-las. Não deveria ser assim, as coisas poderiam ser mais fáceis e simples. E é por isso que festivais como esse e que o trabalho dessas mulheres se torna tão especial e necessário. As bandas que participaram nesses três dias de fest foram: Clandestinas, Animalia, Letty, Ema Stoned, Bloody Mary Una Chica Band, Camila Garófalo, Sixkicks, Weedra, Moxine, Harmônicos do Universo, Winteryard, Bertha Lutz e The Biggs. Infelizmente eu não pude acompanhar todos os dias, apenas no domingo. A ideia do festival é ressaltar o movimento punk-feminista conhecido como riot grrrl, e produzir um espaço no qual todos pudessem se sentir à vontade e acolhidos. O lema era: “Todas as pessoas são bem vindas desde que venham despidas de intolerância, machismo, racismo, lesbo-trans-homofobia, gordofobia e qualquer outra forma de preconceito.” A primeira atração do domingo foi o ”Pedalaço das Minas” organizado pela Desirée Marantes da Hérnia de Discos. Sinceramente foi uma das coisas mais legais que eu já presenciei. Eu como grande entusiasta de pedais, mesmo não sabendo tocar absolutamente nada decente na guitarra, fiquei maravilhada com a quantidade de pedais que estavam disponíveis para todas experimentarem. Era possível pegar uma guitarra e/ou microfone, sair apertando e combinando diversos efeitos diferentes. Enquanto isso a Desirée nos dava um resumo da história desses pedais, de como eles funcionavam e para quê. Foi muito bom e esclarecedor, uma pena que não durou mais, porém pretendo participar dos próximos eventos de pedalaços das minas. Se você tiver interesse, tem mais informações na página da Hérnia de Discos. Os pedalaços acontecem em outras cidades do país também. A segunda atração foi o show da Harmônicos do Universo, também da Desirée no qual ela experimenta livremente com guitarras, pedais, teclado e uma performance incrível no violino. Ela vai criando camadas, muitas vezes com múltiplos instrumentos, com o auxílio de um pedal de loop. O resultado é incrível. Vale a pena conferir aqui A terceira e última atração que eu presenciei foi o show da Winteryard. Formada por Priscila Castro e Brunella Martina, seu som é intimista e minimalista com influências do shoegaze e post-rock. Já havíamos falado dessa banda no post sobre Mulheres e a cena nacional. O show foi muito bom e muito agradável, toda sua estética extremamente minimalista e o vocal doce faz até quem não conhece a banda se apaixonar à primeira vista. O setlist curto trouxe canções do EP Endless Winter (2015), uma música nova e a promessa de novos trabalhos nos próximos meses. Confira mais sobre o Hard Grrrls: https://www.facebook.com/hardgrrrls/ https://www.facebook.com/feitoporelasdoc/ (Documentário Feito Por Elas) https://www.facebook.com/events/187774465148982/
Shoegaze estourando janelas com homeninvisivel, eliminadorzinho e terraplana

Tempo nublado e chuvoso em alguns lugares da capital de São Paulo, um vendaval forte assolando alguns bairros, a noite era o primeiro dia da virada cultural, mas essas bandas conseguiram aquecer e lotar o lumen studios. homeninvisivel A primeira banda foi a homeninvisivel, com seu indie, post-punk, shoegaze e noise, marcando presença e se fazendo notável. Lançou um EP em março, chamado formas negativas, pela casa da árvore records. O debut EP é excelente, passeia livremente pelo shoegaze e post-punk com força e originalidade, o baixo não se deixa intimidar ou nem mesmo ser apagado pelas guitarras (brilhou com bastante força durante o show), bateria marcante e cativante que ao invés de se mesclar com a habitual melancolia do estilo, consegue trazer ânimo e entusiasmo ao show e fica quase impossível não ser contagiado pela vontade de pular. É isso que eu chamo humildemente de rock guitarrinha/rock jovem. O que não poderia ficar de fora também é a guitarra, belíssimo uso dos pedais, consegue trazer a característica parede de som do shoegaze, sem fazer com que as misturas de gêneros musicais se percam ou caiam na mesmice, além da performance que encantou o público. Uma das melhores músicas é, sem sobra de dúvidas, já não me encontro mais em casa nesse mundo, que é a terceira faixa do EP. Baseado nesse debut, você pode esperar coisas muito boas vindas da homeninvisível. Essa é uma das bandas que a gente recomenda fortemente que você fique de olho nos próximos dias, um clipe foi anunciado ontem e estamos na expectativa por isso. Especialmente pela organização do show, feito com duas bandas com pegada muito semelhante e fazendo uma das melhores combinações de “mini festival” que a gente poderia esperar. Anote aí a data do próximo show: dia 15/06 na Casa do Mancha junto com a Meyot num show de lançamento do seu EP também pela casa da árvore records. Ouça o EP em https://homeninvisivel.bandcamp.com/releases eliminadorzinho Já falamos sobre a eliminadorzinho em alguns posts do blog. Ela acabou de terminar a turnê pelo Sudeste com a Quasar divulgando o slipt em conjunto chamado Peleja, comentamos sobre o show de São Paulo na Breve nesse post aqui O público cativo de shows sempre acaba marcando presença sempre que pode (me incluo nessa) e não há show monótono ou sem graça. A banda já é conhecida pelo seus shows animados, muita gritaria (no bom sentido) e por suas músicas que fazem todos os fãs cantarem apaixonadamente. Desculpa n2 é sempre o ponto alto pra mim. terraplana A terraplana é uma banda que eu estava na expectativa por um show há um tempinho. Já escrevemos sobre eles nesse post aqui A expectativa foi muito bem correspondida e acho que até superada. Na minha opinião é uma das melhores bandas de shoegaze do país. Ainda acredito muito que ela pode salvar o shoegaze nacional, aliás, já está salvando. A atmosfera do EP Exílio sempre me faz lembrar de My Bloody Valentine, mas de um jeito novo e original. Os vocais de Stephani Heuczuk e seu baixo marcante e poderoso trazem a estética sonhadora, etérea e reconfortante que você nem sabia, mas que precisava ouvir. Minha única ressalva foi o show curto, eu realmente queria que durasse por mais tempo, mas foi compreensível por conta da Virada Cultural. A banda tocou as músicas que mais gostava e ainda por cima acabou tocando também uma música nova, que ainda não estava completamente finalizada, mas que também foi muito boa. Espero mais shows da terraplana em breve aqui em São Paulo e em vários outros estados também. Vale muito a pena escutar terraplana, acredito fortemente que você não vai se arrepender, reforço a mensagem aqui com o link do Exílio em https://terraplana.bandcamp.com/releases Siga as bandas nas redes: https://www.facebook.com/terraplanatrrpln/ https://www.facebook.com/eliminadorzinho/ https://www.facebook.com/homeninvisivelmusic/
Ainda estamos esperando o shoegaze japonês dominar o mundo

Você já deve ter percebido que nós aqui do Rebobinados amamos um shoegaze, shoegaze japonês então nem se fala. A gente procura ouvir todas as variantes e nuances desse que pra mim, é o melhor gênero (pra quem discordar). Brincadeiras a parte, hoje decidimos trazer um nicho talvez não tão conhecido como deveria, o shoegaze japonês. O Japão é um dos países com o maior mercado de música do mundo, sua arte é muito relevante, reconhecida e bem vista pelo mundo todo. Ultimamente tem ganhado bastante relevância os gêneros de J-rock e J-pop, vários boybands e girl groups que fazem sucesso com os jovens. Eles também têm boas bandas de rock alternativo no geral que são bastante conhecidas no país e essas bandas tem suas músicas nas aberturas de anime, então acabam sendo reconhecidas no resto do mundo também. Voltando para o cenário mais underground/alternativo, talvez possamos citar que uma das bandas mais conhecidas de shoegaze japonês no ocidente seja Asobi Seksu. Formada nos Estados Unidos tem letras em inglês e japonês e sempre aparece em playlists de shoegaze/dream pop. Muitas bandas surgiram nos anos 90 e 00, não tiveram o devido reconhecimento e acabaram. Tem muita coisa boa por aí e infelizmente muitas bandas dessa lista também já se separaram ou não lançam músicas há bastante tempo, mas vale a pena ouvir todas! As bandas que selecionamos a seguir contemplam não só o shoegaze japonês, também o indie pop e dream pop. É interessante ver como algumas transmitem a sensação de que toda a glória, atmosfera e êxtase do shoegaze que começou com My Bloody Valetine, Slowdive, The Jesus and Mary Chain e outras, ainda estivesse vivo, superando expectativas e às vezes até superando os principais expoentes e sem perder suas qualidades únicas, toda sua originalidade e conceitos próprios. 1. For Tracy Hyde 2. Plantcell 3. Luby Sparks 4. Seventeen Years Old and Berlin Wall 5. Kinoko Teikoku 6. Cattle 7. Plastic Girl in Closet 8. Shelling 9. Lemon’s Chair 10. Dive 11. Oeil 12. Sugar Plant 13. Niz 14. Luminous Orange 15. The Florist 16. Citrus Nowhere 17. Pasteboard 18. Cruyff in the bedroom 19. I saw you yesterday 20. Hartfield 21. Burrrn 22. Tokyo Shoegazer 23 Collapse 24. Pastel Blue 25. Clams Quer mais conteúdo relacionado a shoegaze japonês? Então confere essas matérias aqui: Spool, shoegaze asiático, música japonesa
Eliminadorzinho e Quasar pelejam na Breve (e pelo país) @ Breve, 06/04/18

Faz um tempinho que as duas bandas da cena de rock independente paulista e parceiras do selo Pessoa Que Voa tem se unido para criar coisas incríveis. O split chamado Peleja que foi lançado semana passada é o melhor exemplo disso: Sexta-feira foi o primeiro show da turnê de lançamento do Peleja que vai passar por algumas cidades do Sul e Sudeste: O show foi eletrizante, fica claro que as duas bandas melhoram a cada apresentação e sempre conseguem cativar o público. O espírito da juventude sempre aflora quando eles sobem ao palco, motivo de seu grande carisma. A gente sempre sabe que qualquer show vai ser animado e cheio de alegria, a banda contagia o público e o público motiva a banda a dar o seu melhor. Setlist Quasar: Setlist Eliminadorzinho: Os próximos shows da turnê são em Curitiba e Rio de Janeiro, respectivamente dia 14/04 e 28/04 . Para mais informações:https://www.facebook.com/events/234308640447343/ – Curitibahttps://www.facebook.com/events/789933934527239/ – RJ Você pode conferir os álbuns Coruja e aniquiladorzinho lançados no ano passado: