Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

El Efecto, a música como instrumento de resistência @ Sesc Pompéia

Ontem rolou o show da banda El Efecto no Sesc Pompéia. E definir a banda não é uma tarefa fácil, quando me recomendaram o som foi exatamente como “ah, é tipo um prog com samba com letras políticas”. Eu confesso que realmente fiquei com um pé atrás porque pensei em como isso realmente funcionaria.  Ouvi algumas músicas no Spotify e achei muito boa, mas a minha maior surpresa viria com o show. O que eu presenciei foi um verdadeiro espetáculo, uma explosão de som, tremenda intensidade, os vários instrumentos que brilhavam sozinhos, mas que ao mesmo tempo se completavam e traziam uma fluidez inesperadamente boa. Um show alegre, divertido, contagiante, que te pegava pela mão e te fazia dançar e pular junto com os artistas. Sincronia impecável, que me fez esquecer de tudo ao meu redor nessas quase 2 horas de show. É realmente mágico ver tanta energia no palco, músicos que se entregam e conduzem a plateia com tanta emoção e paixão por aquilo que fazem. A meu ver, o destaque da noite ficou por conta de Cristine Ariel (guitarra, cavaquinho e voz). Cristine brilha no palco, mostra toda sua maestria e desenvoltura com a guitarra. A noite toda eu a assisti e senti como se ela estivesse apenas brincando e se divertindo, ao mesmo tempo em que nos cativava com sua enorme alegria. Depois de ver mulheres tocando bateria em cima de um palco, o que me alegra mais é ver mulheres tocando guitarra, porque simplesmente é uma das coisas mais belas que existem. Inspira a gente a querer um dia ser tão boa quanto elas. O público foi adorável, sua grande maioria cantando todas as letras a plenos pulmões, o que me fez querer cantar também. Pulavam, dançavam, se permitiam ser levados pela batida, se comoviam com as letras e acabavam comovendo quem estava no palco. Não encontrei maneira melhor de descrevem as letras da banda, então segue um trecho do próprio site da banda “As letras propõem interpretações críticas das atitudes individuais e coletivas, movimentando-se entre a angústia e a esperança, o pessimismo da razão e o otimismo da luta. Não se trata de pensar a arte como um escape para as frustrações de uma vida resignada, mas sim de tomá-la como um estímulo, um ponto de partida para questionamentos e – por que não? – transformações concretas.” A banda trouxe temas ao palco como a libertação de Rafael Braga e a execução da Marielle Franco, mostrando que música é sim instrumento de resistência. Levantar pautas importantes sobre o cenário atual, propor a reflexão e não se deixar abater por conta disso, mas sim mostrar que juntos somos mais fortes e que continuemos lutando. E que apesar de tudo, seguimos lutando, resistindo e fazendo música. Ouça El Efecto: http://www.elefecto.com.br/#home https://www.facebook.com/bandaelefecto/

15 bandas e projetos de música ambient para conhecer

Você aí acha que conhece ambient? Se você já ouviu alguma playlist do Spotify que tenha um título parecido com “músicas para relaxar” ou “músicas para estudar” então eu tenho quase certeza que você conhece. Muita gente também chama de música de consultório de dentista (além das memoráveis músicas que tocam na rádio Alpha FM). Por um lado, tudo isso aí está certo, realmente é muito “chill” music na maioria dos casos, mas nesse post eu vou tentar te convencer a gostar desse gênero muitas vezes esquecido e subestimado. Por favor não durma enquanto ouve essas bandas haha (brincadeira! Elas são legais, confia em mim) A música ambiente nasce da mistura de outros tantos gêneros como música clássica, instrumental, post-rock, eletrônica, jazz, new age, trip hop, noise e etc. Tudo isso cria uma atmosfera calma e envolvente (na maioria dos casos), e isso faz com que ela nem sempre seja o centro das atenções. Alguns artistas e bandas relevantes são: Sigur Rós, múm, Aphex Twin, Boards of Canada, Air, Vangelis, Jóhann Jóhannsson e Brian Eno (muitas vezes dito como “criador” do gênero) Aqui estão as bandas que selecionamos: Eluvium Eluvium é o nome artístico de Matthew Cooper. O americano mistura ambiente com shoegaze e post rock. Já lançou 9 álbuns pela gravadora Temporary Residence Limited que também assinou com Explosions In The Sky e Mono. Seu último álbum é Shuffle Drone (2017) e nele todas as músicas tem exatamente 32 segundos. Grouper Grouper é o projeto solo da musicista, compositora e produtora talentosíssima Liz Harris. Provavelmente é a artista que eu mais gosto e admiro dentro do ambient, é uma das minhas influências na hora de compor minhas músicas (apesar das minhas composições passarem bem longe das dela). Também já lançou mais de 9 álbuns. Seus últimos 3 álbuns, Dragging a Dead Deer Up a Hill (2007),  The Man Who Died in His Boat (2013), Ruins (2014), são os mais aclamados e que melhor expressam seu som único que traz essa mistura maravilhosa de ambient, drone, experimental e shoegaze. Hammock É um duo americano formado por Marc Byrd e Andrew Thompson.  Uma belíssima combinação de ambient, post rock, shoegaze com sua guitarra característica além de batidas eletrônicas e piano. Comumente comparado a Boards of Canada e Explosions In The Sky. Com mais de 10 álbuns lançados, provavelmente é a banda favorita do Spotify para playlists “músicas para relaxar”. Olaf Arnalds É um dos mais famosos cidadãos islandeses, o multi instrumentista e produtor é constantemente associado a seus companheiros islandeses do Sigur Rós. Seus mais de 9 projetos entre álbuns e EP’s transitam entre o neoclássico, indie, experimental e eletrônica. The Album Leaf Começou como um projeto solo do Americano Jimmy LaValle em 1998 e hoje também conta com Matt Resovich, Brad Lee e Dave LeBleu na formação. Seus 6 álbuns lançados, de maioria instrumental, tem influências do post rock, eletrônica e indie. John Hopkins É um músico e produtor britânico.  Ele produziu ou ajudou a produzir os álbuns de Brian Eno, Coldplay, David Holmes, entre outros. Seu estilo principal é a mistura de ambient com música eletrônica. Seu próximo álbum se chamará Singularity e em 6 de março, ele lançou o single Emerald Rush que você pode conferir abaixo: Blue Foundation É um grupo de música eletrônica da Dinamarca. Uma mistura de trip hop, ambiente, dubstep, chillout, muitas influências de shoegaze, folk, indie e dream pop. A formação atual conta com Tobias Wilmer e Bo Rande, e a banda ganhou extrema relevância quando a música Eyes on Fire foi tema do filme Crepúsculo. Arms and Sleepers É um duo de trip hop, post rock e música eletrônica Americano formado por Max Lewis e Mirza Ramic. Mais de 10 álbuns lançados desde 2006 e com performances ao vivo marcantes por conta das projeções visuais feitas por Dado Ramadani. Entheogenic O nome da banda por si só já diz muitas coisas “é qualquer substância psicoativa que induz uma experiência espiritual e se destina ao desenvolvimento espiritual.” Esse duo formado por Piers Oak-Rhind e Helmut Glavar é literalmente música ambient psicodélica ou você pode atribuir um gênero pra eles como psychill, psybient, e etc. Vocais do oriente e do ocidente, instrumentos tribais e muito sintetizador se combinam e formam um som único. Robert Rich Lançou mais de 40 álbuns em quatro décadas de trabalho, ajudou a definir a música ambient, IDM e new age, ainda sim seu som é difícil de descrever. Mistura de música atmosférica, dark ambient e experimental. Ele ajudou a desenvolver a especificação MIDI, um padrão que permite a conexão de vários instrumentos musicais eletrônicos. E também construiu seus próprios sintetizadores analógicos no início da carreira, se tornando um excelente engenheiro de mixagem e masterização. David Sylvain É um músico britânico, ele também foi vocalista da banda Japan. Ele combina vários estilos em suas próprias músicas como jazz, rock clássico, experimental e música eletrônica. Já lançou uma infinidade de discos tanto em carreira  solo como em colaborações. Ben Frost É um músico e produtor australiano. Tem fortes influências de post punk, black metal e noise em seu repertório que tem muitos elementos de ambient, drone, experimental e eletrônica. 11 álbuns lançados, sendo um deles trilha sonora do filme Super Dark Times e a trilha sonora do jogo Tom Clancy’s Siege iamamiwhoami Projeto sueco de Claes Björklund e Jonna Lee. Não é só música e sim uma entidade multimídia por conta de vários videoclipes lançados no Youtube. Música eletrônica, synthpop, experimental e artpop são alguns dos gêneros nos quais esse projeto se encaixa. Nils Frahm Músico alemão, produtor e compositor conhecido por combinar música clássica e eletrônica com uma abordagem diferente. Mais de 8 álbuns solo lançados, já colaborou com grandes artistas como Anne Müller, Ólafur Arnalds, F. S. Blumm and Woodkid. Röyksopp É um duo da Noruega formado por Svein Berge e Torbjørn Brundtland. Produzem música eletrônica com ambient. Mais de 6 álbuns lançados, são notáveis por conta de muitas músicas serem usadas em comerciais, seriados e filmes. E

Lia Kapp lança Metamorphösis

Hoje, dia 23/02, a artista curitibana Lia Kapp lança seu CD Metamorphösis pelo selo Pessoa Que Voa. Já falamos dela no nosso post sobre mulheres e a cena nacional. Para quem não conhece, a Lia começou a escrever músicas aos 16 anos e aos 17 lançou seu primeiro EP chamado Conflito. Seu novo álbum é sobre sua transformação, trazendo muitas emoções fortes, conta sua trajetória de uma garota imatura até se tornar uma mulher confiante. Eu conheci a Lia por meio de vídeos no Youtube. Disponibilizamos o link no final da matéria, mas posso adiantar que fiquei surpresa com a qualidade deles. É tudo extremamente bem feito, as estórias por trás dos vídeos são fantásticas, a estética que permeia todos seus trabalhos é muito bacana. É uma artista que realmente pensa em tudo, não só na música, mas em todos os detalhes e nuances de seus lançamentos. E com o Metamorphösis não foi diferente, por isso, temos uma entrevista logo abaixo para que você possa conhecê-la melhor e se encantar da mesma maneira que me encantei. Ouça ele aqui: Lia, como você começou sua carreira musical? Eu comecei a tocar instrumentos até que tarde, tinha 15 anos quando entrei pras aulas de teclado, mas sempre tive contato com arte, no caso dança, e também sempre gostei de cantar. Inclusive, quando era criança, eu já fiz muito de roubar microfones e ficar cantando na frente de um monte de gente, sem vergonha mesmo (risos). Mas foi aos 16 anos que a minha arte do modo que é hoje começou a aflorar, que foi a época em que eu comecei a me tornar uma pessoa mais sensível. Com essa idade, compus minha primeira música, Lullaby, ao piano, e, posteriormente, Nightmare. Quando completei 17 anos, terminei de compor as músicas restantes que completaram meu primeiro EP, Conflito. E foi assim que tudo começou de verdade. Quando você visualiza a composição do seu álbum, qual seu processo de criação e, consequentemente, quais as coisas que você leva em conta? O meu processo de criação é muito variado. Existem músicas em que eu compus primeiro o instrumental e depois entrei com a letra, e outras em que a letra surgiu antes. Dead River, por exemplo, acordei com a letra e melodia na cabeça e tirei no piano logo em que levantei. Mas todas elas eu procuro passar o que eu realmente estou sentindo, de forma bem sincera. Pra mim, antes de técnica, o sentimento é a coisa mais importante. Quais as barreiras que você encontra? Às vezes é complicado falar sobre coisas tão pessoais nas músicas. Sinto medo e vergonha. Mas conforme os anos foram passando acostumei e agora consigo cantá-las até que tranquilamente. Muitas vezes acabo chorando durante shows porque elas evocam sentimentos muito fortes. Sobre o que você fala nas suas músicas? Falo sobre o que me emociona de modo geral. Decepções amorosas, tristezas, esperanças, entre outros. O quão importante é ter o apoio das pessoas (seus amigos e das pessoas que admiram sua música) sobre o seu trabalho? É uma das coisas que mais importa pra mim. Eu comecei sem muito apoio, com muito medo, mas fui conquistando a minha família e os meus amigos, que começaram a compreender como eu sou como pessoa e como artista. Hoje posso dizer que isso foi crucial para que eu continuasse a me expressar. Ainda é meio difícil de acreditar que existem pessoas que não me conhecem direito, mas que me admiram por causa das músicas que escrevo. Isso me dá muita esperança, sinto como se realmente houvesse um lugar pra mim no mundo da música e faz eu me sentir especial de alguma forma, fico muito emocionada com o carinho que eu recebo. Quais são as pessoas que você admira na música? Eu admiro muitas mulheres. Chelsea Wolfe é uma das que eu mais admiro. Lady Gaga também, por não ter medo de ser quem ela é. Björk, FKA twigs, BANKS. Quando eu crescer quero ser que nem elas (risos). Também admiro o Marilyn Manson pelo mesmo motivo da Lady Gaga, por não ter medo de nada, por ter a atitude que ele tem. Gostaria de ser assim também, de não ter medo. E agora falando mais especificamente sobre o Metamorphösis, conta um pouco mais sobre ele. Ele é uma das coisas mais bonitas que eu já criei. Representa a história da minha vida, o que eu passei de mais intenso, que foi a minha própria metamorfose. Tudo começou com o Conflito, que foi escrito em 2014. Na época eu era muito imatura, uma criança mesmo, que passava por um grande conflito de personalidade. Logo depois eu me metamorfoseei para uma pessoa melhor. Então comecei a escrever o Metamorphösis em 2015 e decidi que ele iria ser mais “pesado” que o Conflito no sentido de ter bateria e guitarras. São 13 músicas ao todo, onde conto todo o processo da minha metamorfose e todos os problemas emocionais que surgiram ao longo disso. Mas pra entender melhor só ouvindo e lendo as letras mesmo. Quais são seus planos para o futuro? Depois do lançamento você pretende fazer mais shows ou tem algum projeto novo em mente? Tenho vários planos que ainda não posso contar, é surpresa (risos), e peço que aguardem com muito carinho, pois vem muita coisa boa pela frente. Eu estou muito feliz com tudo que está acontecendo na minha vida, os projetos finalmente estão tomando forma e pra cada projeto eu tenho uma equipe que me auxilia muito e estamos todos determinados pra fazer a coisa toda rolar. Tenho muitos planos pra shows também. Além do show de lançamento do álbum em 24 de fevereiro, pretendo tocar em São Paulo em março e tenho mais um show marcado em abril aqui em Curitiba. Sobre novos projetos: sim! Já escrevi meu próximo EP! Está bem diferente do Metamorphösis, mas é muito especial também. Estou muito ansiosa para esse projeto. E sobre esses shows, como eles vão funcionar? Para reproduzir o Metamorphösis ao

Apenas a banda Oxy e terraplana podem salvar o shoegaze brasileiro

O shoegaze brasileiro está vivíssimo! A gente já falou da banda Oxy na nossa lista 15 bandas de shoegaze brasileiro, mas achamos que não foi o suficiente. Apesar das brincadeiras à parte no título, porque felizmente a gente tem inúmeras bandas incríveis do gênero no país, realmente temos que admitir que Oxy e a terraplana vem revolucionando o shoegaze brasileiro.  Oxy Formada em Brasília por Sara Cândido, Blandu Correia, Lucas Eduardo Pereira, Marcelo Vasconcelos e Thiago Neves, nos transmite sua genialidade logo de cara ao ver os clipes lançados. O clipe de No Shoes, dirigido e produzido por Enzo Correia, traz uma nostalgia enorme. Apenas de ter nascido no meio da década de 90, essa música me faz sentir como se estivesse vivendo o auge da adolescência em 1994. Embalada pela voz doce da Sara, endossa toda delicadeza e suavidade do dream pop. O segundo clipe, Mad também foi dirigido e produzido por Enzo Correia. Lançado no final de janeiro, assim como No Shoes também faz parte do EP Oxy (2017). Uma atmosfera bem diferente, bem mais escura e com mais influências da música eletrônica, com uma parede de guitarras bem mais acentuada e um pouco mais densa, me traz a confusão da adolescência e o sentimento de tentar achar meu lugar no mundo. Porém o que mais nos encantou na banda veio com o lançamento do disco completo da banda, o Fita (2018). Um disco cativante e que figurou em destaque nas nossas listas de melhores do ano. O álbum traz uma atmosfera cativante, juntando o melhor do dream pop e o melhor do shoegaze e não é a toa que ajudou a figurar a Oxy no hall das melhores bandas de shoegaze brasileiro e também com reconhecimento internacional. A DFKM, rádio online do gênero está sempre tocando algumas das músicas desse disco, a experiência de estar vivendo em algum lugar mágico durante os anos 80 e 90 é real. E por conta do sucesso dos lançamentos anteriores que nós esperamos ansiosamente o próximo álbum da Oxy, com previsão de lançamento ainda no ano de 2021. Se você ainda não se convenceu, segue a banda nas redes: https://oxyuniverse.bandcamp.com/ https://www.facebook.com/oxyuniverse/ https://www.instagram.com/oxyuniverse/ terraplana Outra doce descoberta foi a banda terraplana de Curitiba. Ao questionar qual outro nome poderia salvar o shoegaze brasileiro, essa banda surgiu como forte candidata Formada por Vinícius Lourenço (guitarra e voz), Stephani Heuczuk (baixo e voz), Cassiano Kruchelski (guitarra e voz) e Wendeu Silverio (bateria), a banda tem influências da música alternativa, dream pop, indie, noise e uma forte presença do post rock também. Seu EP, Exílio, lançado no finalzinho de 2017 vem conquistando fãs. Fica impossível não lembrar da icônica frase “Puta merda não existe nada melhor do que músicas feitas por jovens cansados e decepcionados com a vida” já que o álbum foi gravado, mixado e masterizado por Vinícius Lourenço em seu próprio quarto. A faixa Ambedo é impossível não associar a My Bloody Valentine com paredes densas de pedais, vocal distante e etéreo. Outra música memorável é Virou Crime, que expressa todo o peso da existência, a falta de ar e ansiedade que toda a urgência do tempo nos traz. “eu queria me soltar daquilo que pesa sem saber o que falar sou mentira se eu tivesse tempo se eu tivesse tempo pra ser eu mesmo se eu tivesse tempo eu queria me livrar do claustro que é viver” Vida longa a terraplana e estamos esperando mais músicas incríveis! Agradecimentos especiais ao Bruno Jacobovitz pela indicação. Siga a banda nas redes e ouça o novo EP: https://www.facebook.com/terraplanatrrpln/ https://www.instagram.com/trrpln/ https://terraplana.bandcamp.com/releases E se você tem outra banda bacana pra nos indicar, manda uma mensagem no inbox da nossa página!

5 projetos solo que você precisa conhecer

Quando o Fábio me convidou pra ajudar a escrever no Rebobinados, eu me animei demais com a ideia de poder falar de música e de poder ajudar a divulgar artistas que eu sempre admirei, e que sentia que mereciam mais reconhecimento. Na verdade, ainda tem muita coisa boa nesse país que a gente não conhece, mas que iremos achar, admirar e prestigiar. Muita gente que, na maioria das vezes, compõe, grava, mixa, masteriza sozinho tudo que faz. É um trabalho enorme, que merece ser reconhecido. Esse é o caso dos artistas dessa matéria. Gente muito boa, talentosa demais e querida. E eu sugiro fortemente que você dê uma atenção especial para essa galera aqui, porque vale a pena demais! Menir É o projeto solo do João Affonso Dias de rock alternativo/experimental/lo-fi. Em setembro de 2016, ele lançou um disco muito bacana, o Monolito, no qual ele experimenta, se conhece e se expressa, fugindo do óbvio e nos cativando. É curioso perceber que o significado de menir é, em resumo, “um grande bloco de pedra de altura elevada que é cravado verticalmente no solo” e monolito “monumento ou obra constituída por um só bloco de pedra”. E como ao longo do disco, a aparente ideia de solidez e impenetrabilidade da rocha se desfaz, por exemplo, em Retroação transparece a fragilidade, especialmente no trecho “Aquele ninho que se escondia, era só pra o proteger de tudo, exceto de si”. E eu sempre acho o máximo quando o artista nos permite conhecê-lo, pelo menos um pouquinho, conforme aquilo que faz. O João consegue transmitir com muita verdade aquilo que sente e isso realmente toca quem ouve. E eu tive o prazer de ouvir algumas demos do próximo lançamento, então espera que em 2018 vem barulho excelente bom por aí. Logos-Ludus de Menir https://www.facebook.com/menirsound Ana Paia É o projeto de emo/rock triste/alternativo da sorocabana Ana Paula. Seu primeiro disco, Atelofobia, lançado em julho desse foi uma das melhores surpresas que descobri por meio de amigos. A atelofobia “é um tipo de fobia caracterizada pelo medo de não ser bom o bastante ou não se sentir suficiente”. E a Ana consegue expressar tudo muito bem todos esses sentimentos de imperfeição, incompletude e incapacidade, numa voz extremamente doce e suave. Suas referências como Julien Baker e American Football transparecem bastante em suas músicas. Ao meu ver, a Ana promete trazer um ar novo e revigorado que a música independente desse estilo estava precisando. vc n sabe como eu sou de ana paia https://www.facebook.com/anapaulaemo And the night never came É o projeto do Gustavo Mazuroski de música alternativa/eletrônica/industrial/post-punk/post-rock e noise de Curitiba. Ele tem dois trabalhos lançados até agora, o Veneno EP lançado em 2015 e o disco wolves of ill omen lançado em 2016. O último disco traz muitas referências a Chelsea Wolfe, Russian Circles, Have a Nice Life, Nine Inch Nails e Portishead, que distanciam de qualquer coisa que eu tenha visto na cena independente nacional e se aproxima bastante da estética de bandas independentes do metal internacional. O disco é extremamente bem feito, me faz lembrar muito de Les Discrets, não exatamente da música em si, mas da maneira com que o Gustavo consegue transmitir sua música em imagens, como se realmente um filme estivesse passando pela minha cabeça. Acho isso magnífico porque torna a experiência completa e mostra a preocupação com a arte. https://www.facebook.com/andthenightnevercame wolves of ill omen de And the Night Never Came Lucas Brasil O Lucas Brasil é um artista do Rio Grande do Sul. Seu estilo alternativo e lo-fi produziu o EP demos e erros, um compilado de músicas que ele compôs entre 2014 e 2016. Gosto muito desse compilado, porque ele consegue se expressar sua melancolia de uma maneira simples e direta, vai direto ao ponto e consegue me tocar com suas melodias muito bem feitas. Em setembro desse ano, ele lançou o single Manutenção pela Boiola Records, um novo selo independente muito legal com ótimos artistas no casting, o selo nasceu da “vontade de unir e viabilizar o rolê pra músicos e artistas visuais que a princípio não teriam espaço dentro de um cenário que é elitista, misógino, homofóbico, transfóbico e racista.” Manutenção de Lucas Brasil EP demos e erros de Lucas Brasil https://www.facebook.com/sadsoundsx LVCASU O LVCASU é o projeto Lucas Silva de música emo/lo-fi/alternativa de São Paulo Eu já o mencionei aqui no blog algumas vezes, mas até hoje eu não pude recomendá-lo da maneira correta. Seu disco Capacho, lançado em 2016 foi um dos cds que eu mais ouvi esse ano, e que pude ver alguns shows também. Todo clima “sadcore” que envolve o álbum, o sentimento que me traz é como se a gente estivesse colocando pra fora tudo aquilo que nos faz mal, que nos aprisiona e nos maltrata. É como finalmente gritar aos quatro ventos tudo que estava te sufocando, ou como cantar bem alto e pular bastante ao som da sua banda preferida. E se libertar de tudo isso traz um alívio enorme. O split Cisma lançado no final de 2016 juntamente com o Vinicius Mendes também muito bacana, um tanto mais alegre e dançante, com referências ao synthpop. Mas acredito que o melhor esteja guardado para o ano que vem. Pudemos ter uma prévia do que vem por aí com Velvia, single lançado na mixtape da Pessoa que Voa, o Diário de Bordo Vol. I, e a perspectiva é incrivelmente boa. Capacho (EP) de LVCASU https://www.facebook.com/lvcasu

O show cativante do Turnover

Integrantes da banda sentados na grama

No sábado, dia 9/12, aconteceu o show da banda americana Turnover aqui em São Paulo. A turnê que passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba foi organizada pela Tree Productions. Foi a primeira vez que a banda se apresentou em terras tupiniquins e pela recepção da plateia, acreditamos e esperamos que essa não seja a última. A banda formada em Virginia Beach tem influências do pop punk, emo, indie rock, punk e dream pop, tem como integrantes Casey Getz (bateria), Danny Dempsey (baixo) e Austin Getz (vocal e guitarra). Uma boa aposta em conjunto com a Balaclava Records, foi trazer a mais nova banda do casting, a mineira Kill Moves. A banda começou tímida, certamente ciente da responsabilidade de abrir um show internacional, com um público, que em sua maioria, certamente desconhecia a banda. Porém a Kill Moves veio para surpreender positivamente. Com músicas extremamente agradáveis, provenientes da mistura entre o alternativo, punk, emo, indie e shoegaze, conduziu com graça a apresentação. Vitor Jabour (voz e guitarra), Estevão Maldonado (baixo), Adolfo Lothar (guitarra) e Yago Phelipe lançaram o EP Transition esse mês e ano passado o No Rewind, vieram para mostrar todo o talento que a cena de Minas Gerais dispõe. Prometem ser uma das bandas mais memoráveis nos próximos anos de acordo com as músicas de extrema qualidade que já produziram. Destaco especialmente, o baixista, Estevão Maldonado, que consegue se impor e brilhar num estilo musical que dá preferência as guitarras. Desejo toda a sorte a banda e que venham mais vezes para São Paulo. Quanto ao Turnover, que começou timidamente ao som de Super Natural, foi ganhando o palco, sentindo a vibração da galera e foi conquistando um por um ao longo da apresentação. O público foi a loucura quando a banda tocou as músicas do álbum Peripheral Vision (2015), o mais aclamado e amado pelos fãs. Ouvi vários comentários como “agora o show finalmente começou”. E não é difícil de perceber o porquê dele ser o mais queridinho de todos (inclusive o meu), com suas melodias um pouco mais puxadas para o lado do shoegaze/dream pop e letras extremamente sinceras, me remete ao mesmo sentimento que tenho ao ouvir DIIV. Uma vontade tremenda de pular e dançar contagiou a todos conforme o show foi passando. O disco novo, Good Nature, é bem tranquilo, fácil de ouvir, melodias doces e ao contrário do anterior, remete a extrema calma e suavidade.  É um ótimo álbum, mostra uma faceta interessante dos músicos que não poderíamos conhecer nos últimos trabalhos, e principalmente, traz a banda se reinventando, sem parecer mais do mesmo e sem perder a qualidade também. É recente, então é só uma questão de tempo para cair nas graças dos amantes da boa música, pois é impossível não gostar desse disco uma vez que as músicas são performadas ao vivo. O fato é que o show foi facilmente um dos melhores do ano pra mim. O público se comportou com bastante alegria, arrancou sorrisos dos artistas, que já sabiam da fama de amorosos e calorosos que nós brasileiros temos, e ainda sim se surpreenderam com tanto amor que receberam. Uma noite memorável e repleta de bons momentos. SetlistSuper NaturalNightlight GirlHello EuphoriaDizzy on the ComedownHumblest PleasuresI Would Hate You If I CouldSunshine TypePure DevotionButterfly DreamBreezeLike Slow DisappearingNew ScreamBonnie (Rhythm & Melody)Cutting My Fingers Off Encore:Humming Acompanhe a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube Confira mais resenhas de shows.

Conheça o blackgaze, a união do shoegaze e black metal

Você já deve ter percebido que nós aqui do Rebobinados amamos um shoegaze, não? Bom, se não percebeu, agora está avisado. E mais do que isso, a gente também gosta de shoegaze misturado com outros estilos de música. Principalmente o blackgaze. Grande parte das bandas que eu amo fazem parte desse estilo. Mas o que é o blackgaze? Blackgaze talvez nem exista como gênero ou subgênero propriamente dito, mas eu gosto bastante de associar bandas a ele, apesar de muita gente discordar. Também acho um tremendo de um elogio ter um som que soa como blackgaze. Tem coisa mais bonita do que a junção do melhor do shoegaze com melhor do black metal? Acho que não. Outra coisa muito bonita é post rock e post black metal, que são estilos que combinam bem com blackgaze. Então pode ser que você até ache que essas bandas se adequam mais ao post black metal, e eu não iria discordar, porque gênero é uma coisa bem abrangente e limitar não é legal. Usamos gênero para tentar categorizar as bandas que tem uma sonoridade semelhante, mas temos muitas aqui que são de DSBM (depressive suicide black metal), atmospheric black metal e por aí vai. O importante é a oportunidade de conhecer bandas novas e sons bacanas. E se você nunca ouviu nada parecido, fica se perguntando como se misturam duas coisas tão diferentes? O black metal uma vertente do metal tão controversa e polêmica. Vocais guturais, andamentos super rápidos e blast beats, satanismo, paganismo, corpse paint e queimar muitas igrejas (haha). E já falamos de bandas de shoegaze que você precisava conhecer nesse post. Mas como combinar isso e ainda ficar bonito? A resposta está nessas bandas ultra incríveis que separei. Espero que você se apaixone pelo blackgaze tanto quanto eu! Alcest É uma banda francesa formada por Neige (vocais e guitarra) e Winterhalter (bateria). O Neige começou a banda como um projeto solo mesmo e hoje em dia conta com Zero (guitarra) e Indria (baixo) para shows. As memórias de infância do Neige são as inspirações para as composições. A banda já veio para o Brasil duas vezes no Overload Music Fest e esperamos que venham mais uma vez agora em 2018 para um tão aguardado show solo. Os álbuns já lançados são Souvenirs d’un autre monde (2007), Écailles de Lune (2010), Les Voyages De L’Âme (2012), Shelter (2014), Kodama (2016), Spiritual Instinct (2019) além do EP Le Secret (2005). É provavelmente a banda que mais deu destaque ao blackgaze, e é a banda de maior referência para o blackgaze assim como My Bloody Valentine é para o shoegaze. Lantlôs É uma banda alemã formada pelo multi-instrumentista Herbst, nome artístico antigo de Markus Siegenhort, em 2005. Uma das primeiras bandas de post-black metal. O Neige do Alcest foi um membro regular da banda até 2013. Depois da saída do artista, a banda deu uma pequena reformulada em suas músicas, se conectando mais com outros estilos de música, com referências ao Jazz, Screamo, Doom Metal, Noise and Ambient. Mesclando cada vez mais sua nova estética em cada álbum. Suas letras ainda são pessoais e exploram temas como frenesi, solidão/isolamento e negatividade. Hoje em dia a banda é formada por Markus Siegenhort (vocais e vários instrumentos), Felix Wylezik (bateria), Cedric Holler (guitarra, vocais), além de Julian Wulfheide (guitarra) e Chris Schattka (baixo) para performances ao vivo. Seus trabalhos são: Lantlôs (2008), .neon (2010), Agape (2011) e Melting Sun (2014). Heretoir É uma banda alemã formada em 2006 por Eklatanz. É uma bela combinação de elementos do black metal com shoegaze e post-rock. Suas letras lidam com temas como nostalgia, melancolia, solidão e autorreflexão. Hoje em dia temos Eklatanz (composição, vocais, todos os instrumentos), Nathanael (baixo), Nils (bateria) e Max (guitarras). A primeira demo lançada foi Existenz (2008), relançada como .Existenz. (2009), além de dois splits The World Comes to na End in the End of a Journey (2009) e Wiedersehen-Unsere Hoffnung (2010), sendo esse último com a banda Thränenkind. Depois disso, lançaram o álbum Heretoir (2011), Substanz (2012) e The Circle (2017). Esse último álbum tem sido sucesso de críticas, atualmente abrem shows da turnê europeia da banda Enslaved em cidades alemãs, e também já fizeram tour com outras bandas como: Alcest, Graveworm, Negură Bunget e Sólstafir. ColdWorld É um projeto solo do alemão Georg Börner. Uma excelente mistura de elementos de depressive suicide black metal, atmospheric black metal e ambient, além de música clássica e eletrônica. Seus álbuns são Melancholie² (2008) e Autumn (2016). Amesoeurs A banda acabou em 2009, mas não deve ser esquecida. Formada em 2004, na França, por Neige, Audrey Sylvain, Fursy Terrier e Winterhalter. Retrata o mundo em uma época de decadência social, influenciada por Joy Division, The Cure e Depeche Mode. Seu único álbum Amesoeurs (2009), que significa almas gêmeas ou irmãos de alma, é um dos mais memoráveis lançamentos do blackgaze. Les Discrets É uma banda francesa formada em 2003 por Fursy Teyssier. Fursy é um multi-instrumentista e ilustrador. Também temos Audrey Hadorn nas composições e vocais. As canções têm temas como natureza, amor e medo da morte que giram em torno do trabalho artístico de Fursy como um todo, explorando arte e música que resultam em seus álbuns. Ele também é responsável pelas capas do Alcest e Amesoeurs além de outras bandas do gênero. Seus discos são: Septembre et ses Denièrs Pensées (2010), Ariettes oubliées (2012) e Prédateurs (2017), além do dos EP’s:  Split EP (2009) com participações do Alcest, Split EP (2011) com Arctic Plateau, Virée Nocturne (2016) e Rue Octavio Mey / Fleur des Murailles (2017). Também é uma das bandas de referência do blackgaze. Deafheaven É uma banda americana formada em 2010 por George Clarke (vocal) e Kerry McCoy (guitarra). Posteriormente Daniel Tracy (bateria), Stephen Clark (baixo) e Shiv Mehra (guitarra) se juntaram a banda em 2012 e 2013. Seus trabalhos são Roads to Judah (2011), o aclamado Sunbather (2013) e New Bermuda (2015), Ordinary Corrupt Human Love (2018) além dos singles From the

Lançamento: Boas Pessoas São Feitas de Promessas Incompletas – Marchioretto

Hoje saiu o disco novo do Marchioretto, pela Pessoa que Voa, o Boas Pessoas São Feitas de Promessas Incompletas. O Marchioretto vem representando a nova geração do rock jovem. Lembro da primeira vez que ouvi falar dele, um colega meu disse “você precisa conhecer esse garoto, ele tem 16 anos e faz um som incrível”. Na época, ele fazia covers de algumas bandas da cena que ele gostava. E podíamos ver um diamante bruto naquilo, especialmente quando o conheci, ele estava tocando bateria e quebrando tudo, cheio do espírito da juventude e de inquietação. E é essa inquietação que parece movê-lo, todo esse espírito de fazer o agora acontecer. Ele nos transmite em suas músicas aquela época difícil da adolescência, cheia de descobertas, inseguranças, decepções, raiva e todo aquele turbilhão de emoções que todos nós estamos passando ou já passamos faz muito tempo. Sentimentos que refletem bem suas referências que vão desde o emo, citando bandas como Mineral, no lo-fi do LVCASU. Se fosse tentar definir por gênero seria emocore/pop-punk. Ele gravou e tocou tudo sozinho (até o EP novo, que foi todo gravado e produzido pelo Theuzitz) e lançou pro mundo ouvir. E de lá pra cá ele não parou mais de fazer música. Em outubro de 2016, ele lançou o bandeja. Em março de 2017 o No One to Leave You, um compilado de músicas antigas. O single Yasunaga e o EP lançado no começo do ano, Um dia a gente esquece tudo isso. O disco novo, você pode ouvir e baixar nesse link: Boas Pessoas São Feitas de Promessas Incompletas de Marchioretto O álbum mostra uma tremenda evolução do artista, muito bem gravado e mixado. Um grande salto de maturidade desde o EP lançado em janeiro. Muito bonito, traz umas linhas melódicas bem bacanas, que contrastam com a bateria acelerada, explosões de raiva e aquele senso de urgência latente. Momentos de calma e tranquilidade que logo são substituídos por uma guitarra que nos expressa confusão, medo do futuro, preocupações e ansiedades. O Theuzitz nos contou sobre o que o disco passa pra ele: “Eu sinto esse disco do Nickolas como uma orquestração de urgências. São universos muito ricos e distintos que dialogam e não tem o comprometimento em se mostrar tão sóbrios, ao mesmo tempo que possuem uma preocupação muito grande com a forma. As canções têm estruturas flutuantes e ao mesmo tempo tem durações muito curtas. Eu amo as resoluções que ele toma. ” E o Vinicius Mendes também: “Esse disco do Marchioretto é tudo que um disco dele tinha que ser, e a demora (ficamos um ano mais ou menos nesse disco) pra ele sair do papel valeu a pena demais. Ele é um músico incrível, toca qualquer instrumento que você der na mão dele, e um puta compositor, enche as músicas de detalhezinhos e minúcias que talvez só ele vá perceber. O Theuzitz fez um trabalho muito bonito na produção desse disco, poliu algumas músicas (o Nickolas tem uma mania de parar a música demais, Bailarina tinha mais de cinco minutos), e a gravação ficou perfeita. Fiquei orgulhoso demais desse disco.” O álbum também contou com a colaboração do Heitor Martins nas faixas “Trava” e “Nuvem”, além dos vocais do Elliot Garcia (Eliminadorzinho) em “Recomeçar”. Conversamos com o Nickolas para sabermos as inspirações do disco novo e muito mais! Quando você começou a fazer música e por quê? Bem…. Desde pequeno, sempre tive contato com música, afinal, minha família é cheia de músicos talentosos, além dos amigos da minha mãe, que em alguns dias específicos, se juntavam na frente da minha casa pra tocar violão pra galera toda. Mas acho que só comecei a levar música a sério mesmo quando aprendi a tocar violão, em 2012, tanto que 2 anos depois, mesmo sem saber o que era uma oitavada, montei minha primeira banda e gravei demos ridículas naquela época (risos) Para você ter uma noção, eu fiz uma música sobre uma lanchonete que eu costumo frequentar até hoje na vila onde moro, e de alguma forma, eles souberam dessa música e começaram a divulgar todo o material da antiga página da banda! Naquela época, aquilo explodiu minha cabeça (risos) Quem são suas referências/inspirações de modo geral e na cena? Minhas maiores referências são o Blink-182, Kyuss, os irmãos Kinsella (em qualquer um dos projetos que eles já tiveram), Mineral, Neutral Milk Hotel e, atualmente, o Pinback e o Mac Demarco. Dentro da cena é até mais fácil de listar. Admiro demais o Calvin Voichicoski, Theuzitz, o LVCASU, Fábio de Carvalho e os meninos da Eliminadorzinho. Enfim, é muita gente bonita pra listar aqui, mas posso dizer que essas são as influências cruciais da cena pra mim. O que você mais gosta ouvir? Ultimamente eu estou ouvindo muito o novo disco do Knuckle Puck, Shapeshifter e o Seiva do Rancore (que pelo menos pra mim é a banda mais injustiçada que o Brasil já teve). Tenho ouvido também o Self-Titled do Pinback, o 2 do Mac Demarco (que inclusive me demorou MUITO pra bater e agora eu estou ouvindo que nem louco) e o Moscas Volantes do Calvin Voichicoski. Qual a inspiração pro disco novo? Bem, o disco novo é cheio de fronteiras quebradas pra mim, principalmente pelo fato de que apesar dele ser um disco relativamente curto, ele é literalmente uma seleção das 7 melhores músicas de 40 em quase um ano inteiro de composições, e de muita evolução desde o primeiro registro, o “bandeja”. Inclusive, é uma evolução que me pegou muito de surpresa quando eu parei pra pensar. É um disco sutil, porém misterioso, tudo nele é meio cinza e te faz pensar o porquê daquilo estar em tal lugar, e é uma coisa que eu tirei muito pela mistura de influências nas músicas e pelo fato da minha cabeça também estar sempre embolada de pensamentos embaralhados. (risos) Onde você procura inspiração na hora de compor? Em livros, filmes e outras formas de arte também? Honestamente, eu costumo mais trazer coisas

Top #5: Discos que marcaram

Nesse primeiro post vamos listar cinco discos que marcaram nossas vidas e comentar o por quê, começando com os favoritos da Tatyane. É difícil escolher álbuns preferidos. É difícil pensar nos álbuns que você mais ouviu. É fácil escolher músicas, mas álbuns… A maioria dos álbuns que eu conheço eu não gosto de todas as músicas. Impossível controlar aquela vontade de pular algumas faixas. O hábito de ouvir um disco inteiro e amá-lo eu adquiri quando fiquei mais velha. E mesmo assim, por mais que eu tente, são poucos os artistas que me fazem gostar de um álbum inteiro. Eu poderia citar que quando eu tinha 11 anos, eu não desgrudava do American Idiot do Green Day. Eu cantava, bem sofrida, todas as letras de música. Ou que fui fã de Jonas Brothers e McFLY (prevejo caretas dos leitores) e sabia TODAS as músicas. Até mesmo que cresci ouvindo o Greatest Hits do Queen e The Smiths no carro da minha mãe enquanto viajávamos. Mas decidi citar coisas mais atuais. Esses são CD’s que eu compraria (ou já comprei) e que me trazem boas memórias nos últimos anos. gorduratrans – repertório infindável de dolorosas piadas Todo mundo que interage em alguma rede social ou já passou algum tempo considerável comigo sabe que eu sou fã número 1 de gorduratrans. Esses moçoilos cariocas me conquistaram com seu álbum de estreia e ainda me cativam MUITO com o paroxismos lançado esse ano. Eu poderia citar o paroxismos também, porque no seu pouco tempo de vida, ele já me fez chorar dezenas de vezes. Mas com o repertório eu tenho história. Diferente do álbum novo que é maduro, obscuro. O repertório é cru, honesto. É um turbilhão de emoções. É complicado tentar descrever esse disco com uma palavra, ou algumas palavras, porque ele é muita coisa. É uma mistura de tudo que pode acontecer nessa transição final da adolescência e começo da vida adulta. É sobre se apaixonar e não ser correspondido, é sobre se sentir deslocado e imbecil, sobre tentar descobrir quem você é, tentar se encontrar nessa mistura frenética de guitarras e pedais. É a descrição dos meus últimos dois anos de vida: shoegaze, confusão e rock jovem. E agora você tá esperando o que pra ouvir e concordar comigo? Fernando Motta – andando sem olhar pra frente Esse álbum também me conquistou por ser muito sincero e pessoal. Gosto de poder conhecer os artistas pelos seus trabalhos. Eu acredito que ele mostra muito do que o Nando é. Sem expor ou dizer muito, porque você ainda pode interpretar a música do jeito que você queira. Se ela é sobre amor, sobre futebol, sobre a infância. Tem várias intepretações mesmo que na hora de compor tenha sido qualquer outra interpretação. Mas a essência não se perde, a alma do álbum tá ali, intacta. Se o álbum fosse inteiro acústico também seria muito bonito por conta disso. As referências também são muito bacanas, é um álbum fácil de gostar e pra ouvir a qualquer momento. Alcest – Écailles de lune Meu álbum preferido do Alcest, não que eu não ame muito os outros. Mas esse tem a capa mais bonita que eu já vi, feita pelo Fursy do Les Discrets e o melhor conceito. Ouvi demais esse álbum enquanto voltava a pé da faculdade pra casa, quando viajei pro Canadá. De fato, esse foi o único álbum que levei comigo no celular e eu ouvia ele sempre que podia. Alcest é minha banda preferida e ela reúne TUDO que eu gosto de música. Metal, pedais, as linhas melódicas mais bonitas que já vi, a bateria impecável do Winterhalter, blackgaze (desculpa Neige), shoegaze, gutural, a essência do Neige (que é o melhor musicista do mundo na minha humilde opinião) e tudo que há de bom. Essa preciosidade eu deixo bem guardada no meu coração. The Smiths – The queen is dead Como eu disse anteriormente, eu cresci ouvindo The Smiths, talvez tenha sido isso que tenha me tornado uma adulta melancólica que gosta de ouvir música sobre corações partidos haha. Mas falando sério, The Smiths é uma banda que está presente no gosto musical de muita gente e ainda bem! E eu só me dei conta do quão boas eram as letras da banda quando estudei “I know it’s over” em uma aula de inglês. Provavelmente uma das letras que mais me tocam e que me fazem perceber apesar de Morrissey assumir algumas opiniões que eu discordo, não posso negar que é genial quando se trata somente de música. Eu poderia muito bem citar outros álbuns, mas acho esse bastante icônico e denso. Riverside – Love time and fear machine Riverside é uma das bandas de prog rock que eu mais gosto, são diferentes de muitas bandas do gênero, porque eles misturam técnica e emoção. Música sem emoção pra mim não é nada. E esse álbum é recheado de boas emoções. Mariusz Duda tem uma voz de seda que embala canções muito bem feitas, tivemos nesse álbum um dos melhores guitarristas que eu já vi, o Piotr Grudziński, extremamente talentoso e foi uma grande perda. O show desse álbum, certamente foi um dos melhores que eu já vi. Provavelmente o segundo melhor dia da minha vida. Incrível. Na primeira vez que eu ouvi já me conquistou. Esse álbum é como se apaixonar, é aquele sentimento de como se eu estivesse amando quando ouço, aquele quentinho no coração gostoso.

Rebobinados | Falando sobre música alternativa desde 2017.