El Efecto, a música como instrumento de resistência @ Sesc Pompéia

Ontem rolou o show da banda El Efecto no Sesc Pompéia. E definir a banda não é uma tarefa fácil, quando me recomendaram o som foi exatamente como “ah, é tipo um prog com samba com letras políticas”. Eu confesso que realmente fiquei com um pé atrás porque pensei em como isso realmente funcionaria. Ouvi algumas músicas no Spotify e achei muito boa, mas a minha maior surpresa viria com o show. O que eu presenciei foi um verdadeiro espetáculo, uma explosão de som, tremenda intensidade, os vários instrumentos que brilhavam sozinhos, mas que ao mesmo tempo se completavam e traziam uma fluidez inesperadamente boa. Um show alegre, divertido, contagiante, que te pegava pela mão e te fazia dançar e pular junto com os artistas. Sincronia impecável, que me fez esquecer de tudo ao meu redor nessas quase 2 horas de show. É realmente mágico ver tanta energia no palco, músicos que se entregam e conduzem a plateia com tanta emoção e paixão por aquilo que fazem. A meu ver, o destaque da noite ficou por conta de Cristine Ariel (guitarra, cavaquinho e voz). Cristine brilha no palco, mostra toda sua maestria e desenvoltura com a guitarra. A noite toda eu a assisti e senti como se ela estivesse apenas brincando e se divertindo, ao mesmo tempo em que nos cativava com sua enorme alegria. Depois de ver mulheres tocando bateria em cima de um palco, o que me alegra mais é ver mulheres tocando guitarra, porque simplesmente é uma das coisas mais belas que existem. Inspira a gente a querer um dia ser tão boa quanto elas. O público foi adorável, sua grande maioria cantando todas as letras a plenos pulmões, o que me fez querer cantar também. Pulavam, dançavam, se permitiam ser levados pela batida, se comoviam com as letras e acabavam comovendo quem estava no palco. Não encontrei maneira melhor de descrevem as letras da banda, então segue um trecho do próprio site da banda “As letras propõem interpretações críticas das atitudes individuais e coletivas, movimentando-se entre a angústia e a esperança, o pessimismo da razão e o otimismo da luta. Não se trata de pensar a arte como um escape para as frustrações de uma vida resignada, mas sim de tomá-la como um estímulo, um ponto de partida para questionamentos e – por que não? – transformações concretas.” A banda trouxe temas ao palco como a libertação de Rafael Braga e a execução da Marielle Franco, mostrando que música é sim instrumento de resistência. Levantar pautas importantes sobre o cenário atual, propor a reflexão e não se deixar abater por conta disso, mas sim mostrar que juntos somos mais fortes e que continuemos lutando. E que apesar de tudo, seguimos lutando, resistindo e fazendo música. Ouça El Efecto: http://www.elefecto.com.br/#home https://www.facebook.com/bandaelefecto/
15 bandas e projetos de música ambient para conhecer

Você aí acha que conhece ambient? Se você já ouviu alguma playlist do Spotify que tenha um título parecido com “músicas para relaxar” ou “músicas para estudar” então eu tenho quase certeza que você conhece. Muita gente também chama de música de consultório de dentista (além das memoráveis músicas que tocam na rádio Alpha FM). Por um lado, tudo isso aí está certo, realmente é muito “chill” music na maioria dos casos, mas nesse post eu vou tentar te convencer a gostar desse gênero muitas vezes esquecido e subestimado. Por favor não durma enquanto ouve essas bandas haha (brincadeira! Elas são legais, confia em mim) A música ambiente nasce da mistura de outros tantos gêneros como música clássica, instrumental, post-rock, eletrônica, jazz, new age, trip hop, noise e etc. Tudo isso cria uma atmosfera calma e envolvente (na maioria dos casos), e isso faz com que ela nem sempre seja o centro das atenções. Alguns artistas e bandas relevantes são: Sigur Rós, múm, Aphex Twin, Boards of Canada, Air, Vangelis, Jóhann Jóhannsson e Brian Eno (muitas vezes dito como “criador” do gênero) Aqui estão as bandas que selecionamos: Eluvium Eluvium é o nome artístico de Matthew Cooper. O americano mistura ambiente com shoegaze e post rock. Já lançou 9 álbuns pela gravadora Temporary Residence Limited que também assinou com Explosions In The Sky e Mono. Seu último álbum é Shuffle Drone (2017) e nele todas as músicas tem exatamente 32 segundos. Grouper Grouper é o projeto solo da musicista, compositora e produtora talentosíssima Liz Harris. Provavelmente é a artista que eu mais gosto e admiro dentro do ambient, é uma das minhas influências na hora de compor minhas músicas (apesar das minhas composições passarem bem longe das dela). Também já lançou mais de 9 álbuns. Seus últimos 3 álbuns, Dragging a Dead Deer Up a Hill (2007), The Man Who Died in His Boat (2013), Ruins (2014), são os mais aclamados e que melhor expressam seu som único que traz essa mistura maravilhosa de ambient, drone, experimental e shoegaze. Hammock É um duo americano formado por Marc Byrd e Andrew Thompson. Uma belíssima combinação de ambient, post rock, shoegaze com sua guitarra característica além de batidas eletrônicas e piano. Comumente comparado a Boards of Canada e Explosions In The Sky. Com mais de 10 álbuns lançados, provavelmente é a banda favorita do Spotify para playlists “músicas para relaxar”. Olaf Arnalds É um dos mais famosos cidadãos islandeses, o multi instrumentista e produtor é constantemente associado a seus companheiros islandeses do Sigur Rós. Seus mais de 9 projetos entre álbuns e EP’s transitam entre o neoclássico, indie, experimental e eletrônica. The Album Leaf Começou como um projeto solo do Americano Jimmy LaValle em 1998 e hoje também conta com Matt Resovich, Brad Lee e Dave LeBleu na formação. Seus 6 álbuns lançados, de maioria instrumental, tem influências do post rock, eletrônica e indie. John Hopkins É um músico e produtor britânico. Ele produziu ou ajudou a produzir os álbuns de Brian Eno, Coldplay, David Holmes, entre outros. Seu estilo principal é a mistura de ambient com música eletrônica. Seu próximo álbum se chamará Singularity e em 6 de março, ele lançou o single Emerald Rush que você pode conferir abaixo: Blue Foundation É um grupo de música eletrônica da Dinamarca. Uma mistura de trip hop, ambiente, dubstep, chillout, muitas influências de shoegaze, folk, indie e dream pop. A formação atual conta com Tobias Wilmer e Bo Rande, e a banda ganhou extrema relevância quando a música Eyes on Fire foi tema do filme Crepúsculo. Arms and Sleepers É um duo de trip hop, post rock e música eletrônica Americano formado por Max Lewis e Mirza Ramic. Mais de 10 álbuns lançados desde 2006 e com performances ao vivo marcantes por conta das projeções visuais feitas por Dado Ramadani. Entheogenic O nome da banda por si só já diz muitas coisas “é qualquer substância psicoativa que induz uma experiência espiritual e se destina ao desenvolvimento espiritual.” Esse duo formado por Piers Oak-Rhind e Helmut Glavar é literalmente música ambient psicodélica ou você pode atribuir um gênero pra eles como psychill, psybient, e etc. Vocais do oriente e do ocidente, instrumentos tribais e muito sintetizador se combinam e formam um som único. Robert Rich Lançou mais de 40 álbuns em quatro décadas de trabalho, ajudou a definir a música ambient, IDM e new age, ainda sim seu som é difícil de descrever. Mistura de música atmosférica, dark ambient e experimental. Ele ajudou a desenvolver a especificação MIDI, um padrão que permite a conexão de vários instrumentos musicais eletrônicos. E também construiu seus próprios sintetizadores analógicos no início da carreira, se tornando um excelente engenheiro de mixagem e masterização. David Sylvain É um músico britânico, ele também foi vocalista da banda Japan. Ele combina vários estilos em suas próprias músicas como jazz, rock clássico, experimental e música eletrônica. Já lançou uma infinidade de discos tanto em carreira solo como em colaborações. Ben Frost É um músico e produtor australiano. Tem fortes influências de post punk, black metal e noise em seu repertório que tem muitos elementos de ambient, drone, experimental e eletrônica. 11 álbuns lançados, sendo um deles trilha sonora do filme Super Dark Times e a trilha sonora do jogo Tom Clancy’s Siege iamamiwhoami Projeto sueco de Claes Björklund e Jonna Lee. Não é só música e sim uma entidade multimídia por conta de vários videoclipes lançados no Youtube. Música eletrônica, synthpop, experimental e artpop são alguns dos gêneros nos quais esse projeto se encaixa. Nils Frahm Músico alemão, produtor e compositor conhecido por combinar música clássica e eletrônica com uma abordagem diferente. Mais de 8 álbuns solo lançados, já colaborou com grandes artistas como Anne Müller, Ólafur Arnalds, F. S. Blumm and Woodkid. Röyksopp É um duo da Noruega formado por Svein Berge e Torbjørn Brundtland. Produzem música eletrônica com ambient. Mais de 6 álbuns lançados, são notáveis por conta de muitas músicas serem usadas em comerciais, seriados e filmes. E
Lia Kapp lança Metamorphösis

Hoje, dia 23/02, a artista curitibana Lia Kapp lança seu CD Metamorphösis pelo selo Pessoa Que Voa. Já falamos dela no nosso post sobre mulheres e a cena nacional. Para quem não conhece, a Lia começou a escrever músicas aos 16 anos e aos 17 lançou seu primeiro EP chamado Conflito. Seu novo álbum é sobre sua transformação, trazendo muitas emoções fortes, conta sua trajetória de uma garota imatura até se tornar uma mulher confiante. Eu conheci a Lia por meio de vídeos no Youtube. Disponibilizamos o link no final da matéria, mas posso adiantar que fiquei surpresa com a qualidade deles. É tudo extremamente bem feito, as estórias por trás dos vídeos são fantásticas, a estética que permeia todos seus trabalhos é muito bacana. É uma artista que realmente pensa em tudo, não só na música, mas em todos os detalhes e nuances de seus lançamentos. E com o Metamorphösis não foi diferente, por isso, temos uma entrevista logo abaixo para que você possa conhecê-la melhor e se encantar da mesma maneira que me encantei. Ouça ele aqui: Lia, como você começou sua carreira musical? Eu comecei a tocar instrumentos até que tarde, tinha 15 anos quando entrei pras aulas de teclado, mas sempre tive contato com arte, no caso dança, e também sempre gostei de cantar. Inclusive, quando era criança, eu já fiz muito de roubar microfones e ficar cantando na frente de um monte de gente, sem vergonha mesmo (risos). Mas foi aos 16 anos que a minha arte do modo que é hoje começou a aflorar, que foi a época em que eu comecei a me tornar uma pessoa mais sensível. Com essa idade, compus minha primeira música, Lullaby, ao piano, e, posteriormente, Nightmare. Quando completei 17 anos, terminei de compor as músicas restantes que completaram meu primeiro EP, Conflito. E foi assim que tudo começou de verdade. Quando você visualiza a composição do seu álbum, qual seu processo de criação e, consequentemente, quais as coisas que você leva em conta? O meu processo de criação é muito variado. Existem músicas em que eu compus primeiro o instrumental e depois entrei com a letra, e outras em que a letra surgiu antes. Dead River, por exemplo, acordei com a letra e melodia na cabeça e tirei no piano logo em que levantei. Mas todas elas eu procuro passar o que eu realmente estou sentindo, de forma bem sincera. Pra mim, antes de técnica, o sentimento é a coisa mais importante. Quais as barreiras que você encontra? Às vezes é complicado falar sobre coisas tão pessoais nas músicas. Sinto medo e vergonha. Mas conforme os anos foram passando acostumei e agora consigo cantá-las até que tranquilamente. Muitas vezes acabo chorando durante shows porque elas evocam sentimentos muito fortes. Sobre o que você fala nas suas músicas? Falo sobre o que me emociona de modo geral. Decepções amorosas, tristezas, esperanças, entre outros. O quão importante é ter o apoio das pessoas (seus amigos e das pessoas que admiram sua música) sobre o seu trabalho? É uma das coisas que mais importa pra mim. Eu comecei sem muito apoio, com muito medo, mas fui conquistando a minha família e os meus amigos, que começaram a compreender como eu sou como pessoa e como artista. Hoje posso dizer que isso foi crucial para que eu continuasse a me expressar. Ainda é meio difícil de acreditar que existem pessoas que não me conhecem direito, mas que me admiram por causa das músicas que escrevo. Isso me dá muita esperança, sinto como se realmente houvesse um lugar pra mim no mundo da música e faz eu me sentir especial de alguma forma, fico muito emocionada com o carinho que eu recebo. Quais são as pessoas que você admira na música? Eu admiro muitas mulheres. Chelsea Wolfe é uma das que eu mais admiro. Lady Gaga também, por não ter medo de ser quem ela é. Björk, FKA twigs, BANKS. Quando eu crescer quero ser que nem elas (risos). Também admiro o Marilyn Manson pelo mesmo motivo da Lady Gaga, por não ter medo de nada, por ter a atitude que ele tem. Gostaria de ser assim também, de não ter medo. E agora falando mais especificamente sobre o Metamorphösis, conta um pouco mais sobre ele. Ele é uma das coisas mais bonitas que eu já criei. Representa a história da minha vida, o que eu passei de mais intenso, que foi a minha própria metamorfose. Tudo começou com o Conflito, que foi escrito em 2014. Na época eu era muito imatura, uma criança mesmo, que passava por um grande conflito de personalidade. Logo depois eu me metamorfoseei para uma pessoa melhor. Então comecei a escrever o Metamorphösis em 2015 e decidi que ele iria ser mais “pesado” que o Conflito no sentido de ter bateria e guitarras. São 13 músicas ao todo, onde conto todo o processo da minha metamorfose e todos os problemas emocionais que surgiram ao longo disso. Mas pra entender melhor só ouvindo e lendo as letras mesmo. Quais são seus planos para o futuro? Depois do lançamento você pretende fazer mais shows ou tem algum projeto novo em mente? Tenho vários planos que ainda não posso contar, é surpresa (risos), e peço que aguardem com muito carinho, pois vem muita coisa boa pela frente. Eu estou muito feliz com tudo que está acontecendo na minha vida, os projetos finalmente estão tomando forma e pra cada projeto eu tenho uma equipe que me auxilia muito e estamos todos determinados pra fazer a coisa toda rolar. Tenho muitos planos pra shows também. Além do show de lançamento do álbum em 24 de fevereiro, pretendo tocar em São Paulo em março e tenho mais um show marcado em abril aqui em Curitiba. Sobre novos projetos: sim! Já escrevi meu próximo EP! Está bem diferente do Metamorphösis, mas é muito especial também. Estou muito ansiosa para esse projeto. E sobre esses shows, como eles vão funcionar? Para reproduzir o Metamorphösis ao
Apenas a banda Oxy e terraplana podem salvar o shoegaze brasileiro

O shoegaze brasileiro está vivíssimo! A gente já falou da banda Oxy na nossa lista 15 bandas de shoegaze brasileiro, mas achamos que não foi o suficiente. Apesar das brincadeiras à parte no título, porque felizmente a gente tem inúmeras bandas incríveis do gênero no país, realmente temos que admitir que Oxy e a terraplana vem revolucionando o shoegaze brasileiro. Oxy Formada em Brasília por Sara Cândido, Blandu Correia, Lucas Eduardo Pereira, Marcelo Vasconcelos e Thiago Neves, nos transmite sua genialidade logo de cara ao ver os clipes lançados. O clipe de No Shoes, dirigido e produzido por Enzo Correia, traz uma nostalgia enorme. Apenas de ter nascido no meio da década de 90, essa música me faz sentir como se estivesse vivendo o auge da adolescência em 1994. Embalada pela voz doce da Sara, endossa toda delicadeza e suavidade do dream pop. O segundo clipe, Mad também foi dirigido e produzido por Enzo Correia. Lançado no final de janeiro, assim como No Shoes também faz parte do EP Oxy (2017). Uma atmosfera bem diferente, bem mais escura e com mais influências da música eletrônica, com uma parede de guitarras bem mais acentuada e um pouco mais densa, me traz a confusão da adolescência e o sentimento de tentar achar meu lugar no mundo. Porém o que mais nos encantou na banda veio com o lançamento do disco completo da banda, o Fita (2018). Um disco cativante e que figurou em destaque nas nossas listas de melhores do ano. O álbum traz uma atmosfera cativante, juntando o melhor do dream pop e o melhor do shoegaze e não é a toa que ajudou a figurar a Oxy no hall das melhores bandas de shoegaze brasileiro e também com reconhecimento internacional. A DFKM, rádio online do gênero está sempre tocando algumas das músicas desse disco, a experiência de estar vivendo em algum lugar mágico durante os anos 80 e 90 é real. E por conta do sucesso dos lançamentos anteriores que nós esperamos ansiosamente o próximo álbum da Oxy, com previsão de lançamento ainda no ano de 2021. Se você ainda não se convenceu, segue a banda nas redes: https://oxyuniverse.bandcamp.com/ https://www.facebook.com/oxyuniverse/ https://www.instagram.com/oxyuniverse/ terraplana Outra doce descoberta foi a banda terraplana de Curitiba. Ao questionar qual outro nome poderia salvar o shoegaze brasileiro, essa banda surgiu como forte candidata Formada por Vinícius Lourenço (guitarra e voz), Stephani Heuczuk (baixo e voz), Cassiano Kruchelski (guitarra e voz) e Wendeu Silverio (bateria), a banda tem influências da música alternativa, dream pop, indie, noise e uma forte presença do post rock também. Seu EP, Exílio, lançado no finalzinho de 2017 vem conquistando fãs. Fica impossível não lembrar da icônica frase “Puta merda não existe nada melhor do que músicas feitas por jovens cansados e decepcionados com a vida” já que o álbum foi gravado, mixado e masterizado por Vinícius Lourenço em seu próprio quarto. A faixa Ambedo é impossível não associar a My Bloody Valentine com paredes densas de pedais, vocal distante e etéreo. Outra música memorável é Virou Crime, que expressa todo o peso da existência, a falta de ar e ansiedade que toda a urgência do tempo nos traz. “eu queria me soltar daquilo que pesa sem saber o que falar sou mentira se eu tivesse tempo se eu tivesse tempo pra ser eu mesmo se eu tivesse tempo eu queria me livrar do claustro que é viver” Vida longa a terraplana e estamos esperando mais músicas incríveis! Agradecimentos especiais ao Bruno Jacobovitz pela indicação. Siga a banda nas redes e ouça o novo EP: https://www.facebook.com/terraplanatrrpln/ https://www.instagram.com/trrpln/ https://terraplana.bandcamp.com/releases E se você tem outra banda bacana pra nos indicar, manda uma mensagem no inbox da nossa página!
O show cativante do Turnover

No sábado, dia 9/12, aconteceu o show da banda americana Turnover aqui em São Paulo. A turnê que passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba foi organizada pela Tree Productions. Foi a primeira vez que a banda se apresentou em terras tupiniquins e pela recepção da plateia, acreditamos e esperamos que essa não seja a última. A banda formada em Virginia Beach tem influências do pop punk, emo, indie rock, punk e dream pop, tem como integrantes Casey Getz (bateria), Danny Dempsey (baixo) e Austin Getz (vocal e guitarra). Uma boa aposta em conjunto com a Balaclava Records, foi trazer a mais nova banda do casting, a mineira Kill Moves. A banda começou tímida, certamente ciente da responsabilidade de abrir um show internacional, com um público, que em sua maioria, certamente desconhecia a banda. Porém a Kill Moves veio para surpreender positivamente. Com músicas extremamente agradáveis, provenientes da mistura entre o alternativo, punk, emo, indie e shoegaze, conduziu com graça a apresentação. Vitor Jabour (voz e guitarra), Estevão Maldonado (baixo), Adolfo Lothar (guitarra) e Yago Phelipe lançaram o EP Transition esse mês e ano passado o No Rewind, vieram para mostrar todo o talento que a cena de Minas Gerais dispõe. Prometem ser uma das bandas mais memoráveis nos próximos anos de acordo com as músicas de extrema qualidade que já produziram. Destaco especialmente, o baixista, Estevão Maldonado, que consegue se impor e brilhar num estilo musical que dá preferência as guitarras. Desejo toda a sorte a banda e que venham mais vezes para São Paulo. Quanto ao Turnover, que começou timidamente ao som de Super Natural, foi ganhando o palco, sentindo a vibração da galera e foi conquistando um por um ao longo da apresentação. O público foi a loucura quando a banda tocou as músicas do álbum Peripheral Vision (2015), o mais aclamado e amado pelos fãs. Ouvi vários comentários como “agora o show finalmente começou”. E não é difícil de perceber o porquê dele ser o mais queridinho de todos (inclusive o meu), com suas melodias um pouco mais puxadas para o lado do shoegaze/dream pop e letras extremamente sinceras, me remete ao mesmo sentimento que tenho ao ouvir DIIV. Uma vontade tremenda de pular e dançar contagiou a todos conforme o show foi passando. O disco novo, Good Nature, é bem tranquilo, fácil de ouvir, melodias doces e ao contrário do anterior, remete a extrema calma e suavidade. É um ótimo álbum, mostra uma faceta interessante dos músicos que não poderíamos conhecer nos últimos trabalhos, e principalmente, traz a banda se reinventando, sem parecer mais do mesmo e sem perder a qualidade também. É recente, então é só uma questão de tempo para cair nas graças dos amantes da boa música, pois é impossível não gostar desse disco uma vez que as músicas são performadas ao vivo. O fato é que o show foi facilmente um dos melhores do ano pra mim. O público se comportou com bastante alegria, arrancou sorrisos dos artistas, que já sabiam da fama de amorosos e calorosos que nós brasileiros temos, e ainda sim se surpreenderam com tanto amor que receberam. Uma noite memorável e repleta de bons momentos. SetlistSuper NaturalNightlight GirlHello EuphoriaDizzy on the ComedownHumblest PleasuresI Would Hate You If I CouldSunshine TypePure DevotionButterfly DreamBreezeLike Slow DisappearingNew ScreamBonnie (Rhythm & Melody)Cutting My Fingers Off Encore:Humming Acompanhe a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube Confira mais resenhas de shows.
Top #5: Discos que marcaram
Nesse primeiro post vamos listar cinco discos que marcaram nossas vidas e comentar o por quê, começando com os favoritos da Tatyane. É difícil escolher álbuns preferidos. É difícil pensar nos álbuns que você mais ouviu. É fácil escolher músicas, mas álbuns… A maioria dos álbuns que eu conheço eu não gosto de todas as músicas. Impossível controlar aquela vontade de pular algumas faixas. O hábito de ouvir um disco inteiro e amá-lo eu adquiri quando fiquei mais velha. E mesmo assim, por mais que eu tente, são poucos os artistas que me fazem gostar de um álbum inteiro. Eu poderia citar que quando eu tinha 11 anos, eu não desgrudava do American Idiot do Green Day. Eu cantava, bem sofrida, todas as letras de música. Ou que fui fã de Jonas Brothers e McFLY (prevejo caretas dos leitores) e sabia TODAS as músicas. Até mesmo que cresci ouvindo o Greatest Hits do Queen e The Smiths no carro da minha mãe enquanto viajávamos. Mas decidi citar coisas mais atuais. Esses são CD’s que eu compraria (ou já comprei) e que me trazem boas memórias nos últimos anos. gorduratrans – repertório infindável de dolorosas piadas Todo mundo que interage em alguma rede social ou já passou algum tempo considerável comigo sabe que eu sou fã número 1 de gorduratrans. Esses moçoilos cariocas me conquistaram com seu álbum de estreia e ainda me cativam MUITO com o paroxismos lançado esse ano. Eu poderia citar o paroxismos também, porque no seu pouco tempo de vida, ele já me fez chorar dezenas de vezes. Mas com o repertório eu tenho história. Diferente do álbum novo que é maduro, obscuro. O repertório é cru, honesto. É um turbilhão de emoções. É complicado tentar descrever esse disco com uma palavra, ou algumas palavras, porque ele é muita coisa. É uma mistura de tudo que pode acontecer nessa transição final da adolescência e começo da vida adulta. É sobre se apaixonar e não ser correspondido, é sobre se sentir deslocado e imbecil, sobre tentar descobrir quem você é, tentar se encontrar nessa mistura frenética de guitarras e pedais. É a descrição dos meus últimos dois anos de vida: shoegaze, confusão e rock jovem. E agora você tá esperando o que pra ouvir e concordar comigo? Fernando Motta – andando sem olhar pra frente Esse álbum também me conquistou por ser muito sincero e pessoal. Gosto de poder conhecer os artistas pelos seus trabalhos. Eu acredito que ele mostra muito do que o Nando é. Sem expor ou dizer muito, porque você ainda pode interpretar a música do jeito que você queira. Se ela é sobre amor, sobre futebol, sobre a infância. Tem várias intepretações mesmo que na hora de compor tenha sido qualquer outra interpretação. Mas a essência não se perde, a alma do álbum tá ali, intacta. Se o álbum fosse inteiro acústico também seria muito bonito por conta disso. As referências também são muito bacanas, é um álbum fácil de gostar e pra ouvir a qualquer momento. Alcest – Écailles de lune Meu álbum preferido do Alcest, não que eu não ame muito os outros. Mas esse tem a capa mais bonita que eu já vi, feita pelo Fursy do Les Discrets e o melhor conceito. Ouvi demais esse álbum enquanto voltava a pé da faculdade pra casa, quando viajei pro Canadá. De fato, esse foi o único álbum que levei comigo no celular e eu ouvia ele sempre que podia. Alcest é minha banda preferida e ela reúne TUDO que eu gosto de música. Metal, pedais, as linhas melódicas mais bonitas que já vi, a bateria impecável do Winterhalter, blackgaze (desculpa Neige), shoegaze, gutural, a essência do Neige (que é o melhor musicista do mundo na minha humilde opinião) e tudo que há de bom. Essa preciosidade eu deixo bem guardada no meu coração. The Smiths – The queen is dead Como eu disse anteriormente, eu cresci ouvindo The Smiths, talvez tenha sido isso que tenha me tornado uma adulta melancólica que gosta de ouvir música sobre corações partidos haha. Mas falando sério, The Smiths é uma banda que está presente no gosto musical de muita gente e ainda bem! E eu só me dei conta do quão boas eram as letras da banda quando estudei “I know it’s over” em uma aula de inglês. Provavelmente uma das letras que mais me tocam e que me fazem perceber apesar de Morrissey assumir algumas opiniões que eu discordo, não posso negar que é genial quando se trata somente de música. Eu poderia muito bem citar outros álbuns, mas acho esse bastante icônico e denso. Riverside – Love time and fear machine Riverside é uma das bandas de prog rock que eu mais gosto, são diferentes de muitas bandas do gênero, porque eles misturam técnica e emoção. Música sem emoção pra mim não é nada. E esse álbum é recheado de boas emoções. Mariusz Duda tem uma voz de seda que embala canções muito bem feitas, tivemos nesse álbum um dos melhores guitarristas que eu já vi, o Piotr Grudziński, extremamente talentoso e foi uma grande perda. O show desse álbum, certamente foi um dos melhores que eu já vi. Provavelmente o segundo melhor dia da minha vida. Incrível. Na primeira vez que eu ouvi já me conquistou. Esse álbum é como se apaixonar, é aquele sentimento de como se eu estivesse amando quando ouço, aquele quentinho no coração gostoso.
Ainda não entendemos como o Nordeste não conquistou o mundo
Você já deve imaginar que a cena do nordeste é top, não?! Temos vários artistas da MPB que fazem um sucesso danado pelo país todo. E na cena independente, muitas vezes DIY, não poderia ser diferente. A gente já citou por aqui as bandas: Maquinas, Kalouv, Mahmed, O Mar Cobrindo o Sol, Astronauta Marinho e Brincando de Deus. Também temos selos muito bacanas que apoiam as bandas como a Transtorninho Records, a Banana Records, que vai dominar o mundo e a Fiasco Records. A Gabriella Pompeu (uma das donas da banana records) falou um pouco comigo sobre como é a cena de lá: “A Banana nasceu justamente da necessidade que nós tínhamos (e ainda temos) de ter visibilidade. O Nordeste é muito marginalizado e são pouquíssimos os artistas daqui que conseguem ser conhecidos pelas pessoas das outras regiões. Nossa sorte é que aqui no Nordeste há muito um “se a gente não se ajudar, ninguém mais vai”, então todo mundo é muito unido e visa crescer junto.’’ Separamos aqui alguns nomes para você conhecer as belezas e nuances de gêneros musicais variadas da região. Amandinho A banda não pode ser confundida com o cantor Armandinho, mas até pode se quiser. A banda de Recife sumariza bem o que é o rock jovem, com influências emo, punk e indie rock dos anos 90. Em 2015 lançaram o EP Coisas novas são assim e o icônico Rugby Japonês. São responsáveis pelo selo Transtorninho. Talude Esqueça Talude como a inclinação na superfície lateral de um aterro e lembre-se só da banda de Natal. O grupo tem seu gênero definido como shoegaze psicodélico lançou os EPs Fragmento, Sorry The Trouble e o single Saturday Night/New Amsterdam. Kataphero Com influências de melodic death metal e letras que falam sobre existencialismo, o Kataphero, banda de Natal formada em 2009, traz uma estética pouco explorada dentro do metal, com direito a teatralidade e experimentalismo. Foram lançados dois discos de estúdio, Life (2012) e From Dust (2015). Altamente recomendada para fãs de Septic Flesh e Rotting Christ. Emerald Hill A banda de João Pessoa tem influências shoegaze, post-punk, indie rock e emo. São os donos da Fiasco Records. Já lançaram o álbum Dreams to Come, o single Seasounds e Presciência. Ximbra A Ximbra nasceu de duas bandas a Morra tentando e Dad Fucked and the Mad Skunks. Suas letras falam sobre a realidade de Maceió e seu gênero é “hardcore com música”. A banda possui o álbum A maldição dessa cidade cairá sobre nós e o single às vezes morga. Trave É o projeto solo de Recife, do Thiago Costa. Nos remete a aquele sentimento de frustração de quando a bola quase acerta, mas bate na trave. Possui o álbum 2007 e os EPs 4 e 3. Inner kings É uma banda de Recife que tem influências do grunge, indie rock e stoner. A banda lançou em 2016 o álbum High. Old books room Banda de rock alternativo de Fortaleza. Em 2014 lançaram o álbum Songs About Days e em 2015 o EP the Last Angry Boys in Town. Estão trabalhando no EP Where Do the Wild Dogs Live e seu novo single lançado em agosto se chama Saving Smiles. Melinna É o projeto solo da Melinna Guedes de Maceió. Ela já lançou o single sonhos amigos/estradas douradas, os EPs Pedras no Sutiã e Enquanto Não Durmo o Dia é o Mesmo. Baztian A baztian é uma banda de Maceió que surgiu em 2009. Com influências indie, grunge e emo, em 2012 lançaram o álbum You Lovely Giant e em 2016 Wrong Side of the Shore. Joseph little drop Banda de Natal, com suas inspirações em “filmes exploitation e cult/trashs, cotidiano underground e mitologia brego-sertaneja”. Algumas influências são o emo, lo-fi e punk. Seu álbum chamado Punk José foi lançado em 2016. Ciro e a cidade É uma banda de Natal de rock alternativo, alt-folk, MPB e post-brega. Seu primeiro álbum lançado no começo desse ano se chama Encharcado. Luísa & os alquimistas É uma banda de Natal idealizada por Luisa Guedes, um som que transita entre o cumbia, dubstep, tecnobrega e dub. Seu álbum lançado em 2016, chama-se Cobra Coral com letras em português, inglês, espanhol e francês.
15 bandas de post rock nacional pra você se apaixonar

Há muitas divergências sobre como o termo post rock surgiu, assim como sobre o que ele é exatamente. Alguns dizem foi primeiramente usado para definir o álbum Hex da Bark Psychosis em 1994, outros dizem surgiu no final da década de 80 na Europa. Ainda temos os que afirmam que o post rock veio para renovar famigerado o rock, usando elementos do post-punk, do jazz, da música ambiente, do rock progressivo, e também criando novos timbres, explorando diversos tipos de pedais e experimentações musicais. Se eu pudesse definir o post rock de maneira bem singela e com bastante humildade, diria que é um estilo musical que toca o coração. As bandas mais bonitas que eu conheço utilizam elementos de post rock em suas composições. Seja instrumental em sua maior parte ou não, uma música agitada ou mais calma amplamente utilizada em playlists para estudar e relaxar. Se acaba misturando elementos de shoegaze, música eletrônica, math rock ou new age. É claro que você conhece ou provavelmente já ouviu falar de nomes como Sigur Rós, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai, God Is An Astronaut, Explosions in the Sky e Tortoise. No Brasil nós também temos bandas incríveis, tive mais de 25 bandas em uma lista prévia e tive que selecionar apenas essas 15 superbandas de post rock nacional que valem a pena conhecer: maquinas É uma banda incrível de Fortaleza – CE formada por Allan Dias, Roberto Borges, Samuel Carvalho, Gabriel de Sousa e Ricardo Guilherme Linsque, que mistura elementos de post rock com shoegaze, noise e slowcore, influenciada por movimentos dos anos 80 e 90. Seus singles são mal-agradecido (2016), zolpidem (2015) e o EP maquinas (2014). Seu álbum lado turvo, lugares inquietos lançado em 2016 é definitivamente um dos melhores álbuns que eu ouvi nos últimos tempos. A banda há pouco fez uma turnê no sudeste celebrando o álbum. Uma banda que você não pode perder a oportunidade de ver ao vivo. Facebook | Bandcamp | Youtube O Mar Cobrindo o Sol É um projeto de um homem só, do músico B.F. (como gosta de ser chamado) de Vitória da Conquista – BA que se mistura com elementos de shoegaze, lo-fi, e dream pop que possuem a mesma alma de seus outros projetos como Gray Souvenirs e Lumnos, que são mais puxados pro metal. O seu primeiro EP, chamado Por Aqui Nada é o Que Parece tem um som melancólico que marca o tom do projeto, que recebe a seguir o álbum Nível de Volatilidade, extremamente recomendado àqueles que querem sofrer um pouco sobre um coração partido com esse disco. Facebook | Bandcamp | Youtube Kalouv É uma banda de Recife – PE formada por Basílio Queiroz, Bruno Saraiva, Rennar Pires, Saulo Mesquita e Túlio Albuquerque. Conta com o álbum de estreia chamado Sky Swimmer, que aparece em algumas listas como o melhor álbum de 2011, em seguida o álbum Pluvero de 2014, que fez mais sucesso ainda saindo em jornais importantes e blogs da cena independente. Conta ainda com singles Boa Sorte, Santiago e Planar Sobre o Invisível. Em 2017 lançaram o álbum Elã, bastante aclamado e reconhecido entre as listas de melhores do ano. O último single lançado foi o Talho (2020) em parceria com o Boogarins. Facebook | Bandcamp | Youtube E a terra nunca me pareceu tão distante É o nome do quarteto de São Paulo – SP de música instrumental formado por Lucas Theodoro, Luden Viana, Luccas Villela e Rafael Jonke. Seus trabalhos são o EP homônimo lançado em 2014, o EP Vazio e o single Medo de Morrer | Medo de Tentar. A banda ganhou seu espaço no cenário musical independente divulgando o post rock nacional, fazendo shows constantes em São Paulo, e também abriu em outros estados para bandas internacionais. Em 2018 lançaram o disco Fundação e seu último lançamento foi Quando o vento cresce e parece que chove mais (2020) em parceria com o Sentidor. Facebook | Bandcamp | Youtube Labirinto Labirinto é de São Paulo – SP e nossa representante de post rock/post-metal da lista. É formada por Erick Cruxen, Kiko Bueno, Luis Naressi, Hristos Eleutério e Muriel Curi. Seus álbuns são Anatema (2010), o split Labirinto & Thisquietarmy (2013), e o célebre Gehenna (2016) e seus singles são Masao (2014), Labirinto & Thisquietarmy (2013) e Kadjwynh (2012). A banda já fez shows bandas grandiosas como God is an Astronaut, MONO, Alcest, Year of no Light, Stephen O’Malley, Mouse on the Keys e The Ocean. Facebook | Bandcamp | Youtube Mahmed É uma banda muito bacana de Natal – RN que faz um som experimental praticamente indescritível de tantas misturas e influências que nos deixa exatamente como primeira faixa “AaaaAAAaAaAaA” do disco Sobre a Vida em Comunidade, lançado em 2015, possui também os singles Ciao, Inércia (2016), Shuva (2015) e Domínio das Águas e dos Céus (2013). Formada por Walter Nazário, Dimetrius Ferreira, Leandro Menezes e Ian Medeiros, a banda já se apresentou no Coquetel Molotov (Recife), DoSol e Mada (Natal), Mundo e Hacienda (João Pessoa), Picnik (Brasilia), Mimpi Film Fest (Rio de Janeiro) e Balaclava Fest #2 (São Paulo). O Mahmed faz um show incrível e surpreendente que vale muito a pena ver! Facebook | Bandcamp | Youtube Salvage Banda do Rio de Janeiro – RJ que mistura elementos de música experimental com math-rock formada por Herbert Santana, Henrique Araujo, Ingo Lyrio e Victor Cardoso. Seu único single é chamado MΔE com 4 faixas lançado em 2014. Facebook | Bandcamp | Youtube Astronauta Marinho É uma banda de Fortaleza – CE, formada por Felipe Lima, Rafael Viana, Caio Cartaxo, Chagas Neto, Guilherme Alvez e Daniel Lima, é altamente influenciada pela cidade, e por suas experiências pessoais e musicais, misturando elementos experimentais e alternativos. Lançaram 3 álbuns: Menino Sereia (2014), Astronauta Marinho – Estúdio Som Livre (Ao vivo) (2017) e Perspecta (2018). Facebook | Bandcamp | Youtube Ruído/mm Banda de Curitiba – PR, fundada em 2003 que mistura elementos de música experimental com noise e rock psicodélico. Formada por
Steven Wilson – To the Bone (2017)

Steven Wilson é conhecido por seus trabalhos com as bandas Porcupine Tree, Blackfield, Storm Corrosion e No-Man como por sua carreira solo. A primeira música é To the Bone que por ser a música título do álbum creio que deveria ter mais peso. É uma música um tanto quanto genérica para ser sincera, não chama muita atenção. E se for comparar com os últimos trabalhos e com o potencial que sabemos que Steven Wilson tem, vai perder feio. Deixando o ser ranzinza de lado, a segunda música é Nowhere Now, que quebra um pouco o clima genérico deixado pela primeira música, continua muitíssimo pop como deve ser. Pariah é a terceira música do álbum e merece um coraçãozinho ao lado, realmente essa música é de longe a melhor. Tanto que quando foi lançado o vídeo do SW e da Ninet Tayeb que colabora nessa faixa, eu a ouvi uma vez e ela grudou na minha cabeça de um jeito muito bom. A melancolia presente nessa faixa remete a outras músicas de outros álbuns que me agradavam imensamente. Essa é uma música para você deitar no chão geladinho do banheiro e pensar em toda sua vida enquanto solta suaves lágrimas. The Same Asylum As Before é a faixa seguinte, sem muitas emoções provocadas como a anterior. Porém com uma pegada diferente das suas irmãs pops do início. Até vejo a tentativa de fazer algo diferente, mas não obteve muito sucesso. Refuge traz de volta um pouco do clima melancólico de sua amiga Pariah, mas não é tão memorável. Permanating é de longe a música mais feliz do álbum, a gente pode notar isso no clipe também, é bom que uma vez que você o assiste, não vai conseguir esquecer. (Clique aqui cuidado ao clicar você poderá ser contagiado com alegria colorida extrema). Provavelmente é a música que eu menos gosto, é muito feliz para minha alma shoegazer aguentar. Blank Tapes é bonita, a voz do SW se mistura lindamente com a voz da Ninet nessa faixa, achei extremamente curta, deveria ser um pouco mais longa para que os fãs tristes pudessem aguentar o disco até o final. People Who Eat Darkness repete a fórmula genérica novamente até a metade, quando parece que vai engrenar para algo muito bom, mas volta ao começo sem progressos. Song Of I lembra um pouco músicas que tocam em filmes em momentos de suspense. Mas nada realmente acontece. Detonation continua um pouco do clima deixado pela última, com a exceção de um solo de guitarra que explode depois dos dois minutos de música. Ainda bem que fez jus ao nome e que trouxe uma nuance energética para recuperar o fôlego. É a mais “prog” do álbum e a mais longa. Um pequeno alívio eu diria. Song of Unborn é a última, soa realmente como uma despedida, por mais clichê que isso possa soar. SW se encontra triste em terminar seu álbum e nos entrega um presente 7/10 que parece pertencer a seus álbuns antigos. Uma pequena luz no túnel haha. Devo dizer que sempre admirei bastante os trabalhos do SW em sua maioria, No-Man não dá pois é extremamente sem graça mesmo. E que algumas músicas foram um pouco dolorosas de ouvir, quis pulá-las mesmo que fosse obrigatório ouvir. A tática de intercalar as canções mais felizes com as um pouquinho mais tristes foram boas, assim pelo menos conseguimos ouvir o disco até o final ainda esperando pelo que ele tem a oferecer. Essas que eu quis pular me lembraram muito aquelas que a gente costuma ouvir na rádio e mudar de estação quando ela começa, ou simplesmente nada memoráveis que você nem tem curiosidade de saber quem é o artista. Steven Wilson é um artista incrível, que talvez esteja buscando também um novo público, e espero que esse álbum seja uma fase de experimentação e que não caia no espiral que Coldplay caiu de fazer músicas extremamente tediosas e que nunca mais saiu. Você pode pensar que ele não consegue fazer música ruim, mas consegue sim às vezes.