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Existe vida após um show do Sigur rós?

Na quarta-feira dia 29 de novembro fomos agraciados com o show de uma das bandas mais incríveis desse planeta, da Islândia para São Paulo, pela segunda vez, desde sua última passagem há dezesseis anos atrás, Sigur rós e sua Krunk Tour. Por volta das 17h30 da tarde já havia uma fila grandinha em frente o Espaço das Américas, o que se via eram pessoas muito ansiosas e felizes, a maioria iria assisti-los pela primeira vez, de diversos estados do Brasil, bandeiras da Islândia, bandanas, chapéus de viking, camisetas e papéis com a palavra Takk (obrigado em Islandês) eram vistos por ali. Exatamente às 19h30 as portas se abriram para diminuir a ansiedade de todos, lá dentro um espaço organizado e amplo, merchandising oficial a venda por um preço salgado, mas já esperado em shows desse porte. No fundo da pista foi montado um camarote premium, com uma visão ‘’privilegiada’’ há uns três níveis acima da pista normal, havia também um bar e os banheiros estavam localizados próximos. O show estava marcado para começar apenas às 21h30, enquanto isso o público que chegava aos poucos lotou completamente o local e deu sold-out! Exatamente às 21h45 as luzes se apagaram e a banda subiu ao palco, o público prontamente foi à loucura, a música escolhida para abrir a apresentação foi À, detalhe para o palco e suas estruturas de ferro cheias de luzes de led que inicialmente pareciam vagalumes, no fundo algumas projeções e no telão imagens da banda ao vivo, alguns efeitos que eu até então nunca havia visto antes. A próxima do set foi Ekki Múkk do disco Valtari de 2012, e diga-se de passagem que o vídeo dessa música é um dos mais bonitos já feitos, ao vivo é inexplicável. A voz de Jónsi tem um poder e ao mesmo tempo uma calmaria que faz você se transportar para uma outra dimensão. Em seguida, uma das mais conhecidas da carreira, Glósoli do disco Takk, foi recebida calorosamente por todos que estavam aparentemente emocionados. E-bow e Dauðalagið do disco ( ) de 2002 foram um dos melhores momentos da apresentação, o público estava completamente extasiado, sem desgrudar os olhos do palco, logo em seguida tivemos a honra de escutar uma música inédita, intitulada Varða. A linda Sæglópur teve uma performance majestosa e também hipnotizante, aliás, qualquer música do Sigur rós soa assim ao vivo, e se você acha exagero, Ný baterrí também pode provar o que estou dizendo. Uma pequena pausa, todos os integrantes saíram do palco e apenas Jónsi voltou para dar início a Vaka faixa do disco ( ), a sombria Kveikur do último disco lançado com o mesmo nome veio em seguida para quebrar o clima de calmaria. Mais uma pequena pausa e eis que Jónsi prepara seu arco e dá início a Festival do disco Með suð í eyrum við spilum endalaust, uma das mais emocionantes de toda a apresentação. A banda saiu do palco e enquanto isso o público pediu bis durante alguns minutos, eles voltam para fechar aquela noite mágica com Popplagið e que espetáculo! Inclusive aqui vai os meus parabéns para Georg Hólm, eu poderia ficar ouvindo aquelas linhas de baixo a noite inteira, o público ficou em êxtase enquanto a banda tocava intensamente durante seus quase 11 minutos de música. E então era o fim, o sonho de ver os islandeses do Sigur rós estava realizado aquela noite. Concluindo nas palavras da Tatyane: O show foi mágico! E se você acha os discos incríveis, imagine que eles não fazem jus a apresentação ao vivo. Foi como ser criança e presenciar o mundo todo de uma vez só. Foi como se esse fosse meu primeiro show mesmo e eu nunca tivesse experienciado nada parecido. Aliás, eu nunca realmente presenciei nada nesse porte. Já perdi as contas de quantos shows vi, mas nada como Sigur Rós. Só as luzes, com a câmera filmando cada movimento dos músicos e projetando no telão, ora com luzes vermelhas, ora com pontinhos, ou apenas um borrão, já valiam o ingresso. Jónsi é incrível ao vivo. Provavelmente um dos músicos mais afinados que vou ter a honra de conhecer, uma presença de palco tão imensa e majestosa, que torna impossível desgrudar os olhos de sua apresentação. Tudo é tão intenso, tão bonito, esteticamente pensado em cada detalhe. Foi tudo tão bonito, que me pegava praticamente chorando em diversos momentos. O “crescendo” das músicas é tão bem trabalhado, especialmente pelo baterista, Orri Páll Dýrason, a explosão arrebatadora, chega a aquecer a alma e acalentar todos os corações da plateia. As músicas tem melodias extremamente bem trabalhadas, trazem paz e sensibilidade, depois de um momento se tornam agitadas, trazem uma mistura de sensações tão fortes que fica difícil descrever. É de tirar o fôlego, e quando você pensa que não vai mais conseguir respirar, ela acaba. Uma grande tempestade seguida de imensa calma. Acho praticamente impossível alguém não ter gostado da performance de ontem. É inegável o talento dos artistas, seu comprometimento em entregar um momento inesquecível e mágico a todos nós. Espero que essa não seja a última vez que teremos a honra de presenciar tal espetáculo! Setlist:01. Á02. Ekki Múkk03. Glósoli04. E-bow05. Dauðalagið06. Varða07. Sæglópur08. Ný batteri09. Vaka10. Kveikur11. Festival12. Popplagið Acompanhe a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube

Witch house: o lado mais sombrio da música eletrônica

O termo Witch House foi criado no fim dos anos 2000 por Travis Egedy, DJ e mente por trás do Pictureplane, projeto de música eletrônica do Brooklyn, Nova Iorque. Travis já revelou em algumas entrevistas que o termo soa bobo e não passava de uma brincadeira para descrever a música dark eletrônica, ou o que segundo ele seria a trilha sonora para casas mal-assombradas. Talvez ele não imaginasse que a partir dali um novo gênero estava sendo criado. A estética A estética do witch house está ligada com o ocultismo e o glitch, as capas de discos ou as imagens relacionadas ao estilo exibem pentagramas, cruzes invertidas, florestas e também simbologias. Toda essa estética é influenciada por filmes de terror, obras de arte. Parece também ser uma forma de manter o estilo o mais underground possível. A moda também está presente, basicamente os adoradores do estilo usam roupas esportivas, abusam do preto, coturnos, meias arrastão, crucifixos e maquiagens pesadas. Sonoridade A sonoridade tem influências de estilos como o gothic rock, ebm, shoegaze, bass, synthpop e hip-hop, mas além disso muitas outras características podem ser incorporadas ao estilo, como zumbidos, ruídos, gritos ou falas de filmes, atmosferas obscuras e vocais etéreos. Witch house na Rússia O país que definitivamente abraçou a cena o mais forte foi a Rússia onde existem centenas de projetos musicais do estilo e também raves dedicadas a ele, confira o vídeo abaixo do festival mais famoso batizado de VV17CHØUZE: Artistas no mundo: IC3PEAK CRIM3S SALEM oOoOO WHITE RING CRYSTAL CASTLES Witch house no Brasil Embora aqui no Brasil o estilo não seja muito explorado, também temos nossos representantes nacionais. Até mesmo algumas festas esporádicas como a SAD RAVE que acontece em São Paulo. Alguns nomes já são bem reconhecidos lá fora também, caso do BRUXA. FIENDGRIEF DIE DIE BRUXA SINISTR0

Fernando Motta – Desde que o mundo é cego (2017)

Semana passada, dia 8 de novembro, o Fernando Motta lançou o álbum desde que o mundo é cego. Lembrando que você pode baixá-lo aqui e no final da matéria tem links pra outras plataformas de streaming! E eu precisei de um pouco de tempo para poder assimilar esse disco. Aliás, eu duvido muito que tenha conseguido agora. Ele é como um livro, que a cada lida, revela pequenos detalhes que passaram despercebidos. Ouvi várias vezes nessa semana enquanto fazia meu trajeto para o trabalho e percebi várias nuances novas a cada play. O Fernando Motta é mineiro, de Belo Horizonte para o mundo. Ele já tocou guitarra na banda Young Lights, fez uma turnê bem grande pelo Brasil chamada “Sem Sair na Rolling Stone” ao lado de Vitor Brauer e Jonathan Tadeu. Extremamente talentoso, faz jus ao ditado “quem canta seus males, espanta” e também encanta. Ano passado, o andando sem olhar para frente e era um dos meus discos mais tocados. Até já falei dele no blog em um post dos meus discos favoritos. Mas é fato que o Nando se superou nesse novo disco. É como se a gente pudesse ver a alma dele por meio das músicas. Uma belíssima viagem na qual sua voz magnificamente doce te acompanha. Quando ele canta, é tudo tão bonito e é como a gente pudesse comprar qualquer coisa que ele estivesse tentando vender. No disco lançado em 2016, eu já conseguia associá-lo a grandes vozes, que também são suas referências, como Elliot Smith e um tanto de Jeff Buckley também, mas nesse disco isso fica mais claro ainda. O disco inteiro me passa uma paz (se você pensou em Fábio de Carvalho – Paz Imensa, também está muito certo), e uma tristeza enorme. Mas não é uma tristeza ruim, pesada, ele é necessária, é daquelas que te faz mais forte. Aquela tristeza da madrugada, quanto tudo está quieto, você finalmente está sozinho com seus pensamentos enquanto todos dormem. E todas as coisas te atingem com uma força enorme. É como se dar conta de quem você realmente é. E não estar ok com isso. Aquela questão que assombra os filósofos desde os primórdios, “quem sou eu?” “onde estou e para onde vou?”, entre outros diversos conflitos. Como antes de dormir, pensando na vida, tentando organizá-la, a ansiedade nos virando de um lado para o outro na cama e terminar não decidindo nada, assim como ele diz em um trecho de A Noite “de novo eu tenho que decidir, tudo que foi ou vale o mundo antes de conseguir dormir”. Álbum também é um tanto visual, as cores do clipe de Impulso pra Voar, dirigido por Jonathan Tadeu, permeiam todas as músicas. Roxo/lilás, cores frias que combinam muito bem com o clima emo/lo-fi/sadcore. A música futebol (colônia de férias) traz momentos reais da infância, tão presentes no último disco, de volta à luz. E o perdão que não é pelo simples fato de perdoar a outra pessoa, e sim pelo que o perdão faz com a gente como em “uma forma de lutar por nossa própria existência, mas como? se no nosso caso a gente não consegue reconhecer nem o próprio conflito”. Meus planos são como nuvens é o desfecho perfeito pro álbum, o piano me lembra muito finais de filme com trilhas sonoras magníficas, o clima de despedida e possivelmente a tornam a música mais triste e bonita de todas especialmente por conta do trecho “e ao mesmo tempo que penso nisso, me desespero com o fato que em 70 anos, da próxima vez que o solstício de verão coincidir com a lua de morango, nenhum de nós estará mais aqui.” O Nando possui uma alma sensível e é sempre muito bom com as letras, nunca é óbvio e elas permite uma interpretação bem única para cada um. É o responsável por todas as vozes, letras, guitarras, violões e piano do álbum. Foi produzido e mixado pelo João Carvalho, que também tocou baixo, e com bateria de Fábio de Carvalho. Grandes artistas da música mineira independente atual que colaboraram pra fazer esse, que ao meu ver, é um dos melhores lançamentos do ano. Se eu fosse você, não perderia! Links pra outras plataformas: Spotify: https://open.spotify.com/album/00ORSVuZ9seUqnw4nr0hXRBandcamp: https://fernandomotta.bandcamp.com/Deezer: https://www.deezer.com/br/album/51281042Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=TKewZlnTLmU E segue o Fernando Motta nas redes: Facebook: https://www.facebook.com/fernandomottabh/Instagram: fnandomotta

O synthpop nacional em boas mãos com Dolphinkids

Que o synthpop é um estilo pouco explorado em nosso país nós já sabemos, e é por isso que me surpreendi tanto quando em um dia qualquer eu escutava alguma playlist aleatória no spotify e me apaixonei por uma música chamada ‘Meet Me in Mars‘ da banda Dolphinkids. A voz doce, o instrumental meio dream pop, ora meio obscuro me lembraram bastante bandas como Chvrches e Crystal Castles. Depois de escutar muito é que fui descobrir quem eram e de onde vinham. O duo surgiu na cidade de Suzano em meados de 2016, formada por Larissa Braga e João F P Irente. Lançaram no mesmo ano Bluebird, o primeiro EP com seis músicas e logo ganharam destaque em alguns sites nacionais de música indie. Mesmo sendo um estilo pouco explorado, tem surgido alguns artistas interessantes que trazem influências de synthpop ou até mesmo do dream pop, o Dolphinkids é um deles. A dupla faz música de qualidade, e não fica devendo nada pra bandas gringas, aos poucos estão ganhando um público bacana por aqui e a tendência é que conquistem mais ainda. Infelizmente ainda não pude assistir ao vivo, mas vou ficar de olho na agenda da banda, e se eu fosse você ficaria também. Os links para segui-los nas redes sociais estão no fim da matéria. Escute também o novo single ”Get Down” em parceria com Peartree: Aqui vão alguns links para conhecer a banda, o disco Bluebird e os singles estão disponíveis para download gratuito: FacebookSoundcloudSiteYoutube

Os cinco melhores discos de shoegaze de 2017 segundo a AOTY

O ano ainda nem acabou e existem centenas de discos sendo lançados. Alguns bons, outros ruins, mas o que interessa é que “meu shoegaze tá mais vivo do que nunca!”. Selecionamos para vocês os cinco melhores discos de shoegaze de 2017. O site AOTY (album of the year) é o responsável por listar tops de diversos estilos, resenhas e charts, é claro que logo fui verificar como andava a lista do nosso querido gênero sonhador e barulhento. Algumas opções não me surpreenderam, outras eu nem ao menos conhecia, por isso vou listar aqui os cinco melhores discos desse ano segundo o site. Aí, já fica a deixa para que você conheça algum deles caso nunca tenha ouvido falar. Ride – Weather Diaries Assim como o Slowdive, o Ride retornou às atividades e também prometeu disco de inéditas, em Weather Diaries a banda traz a sonoridade que os consagrou mas com um ar mais refrescante, com influências mais eletrônicas,  o destaque vai para a faixa ”All I Want”, com certeza uma das melhores da carreira. Spectres – Condition Spectres é uma banda de de Bristol. Condition é o segundo disco de estúdio e tem um potencial a ser descoberto, eu diria que eles são um tipo de Sonic Youth mais obscuro, guitarras barulhentas, climas soturnos e melódicos, além disso os vídeo clipes são ótimos, bizarros, sem noção. Não os confunda com o Spectres de Vancouver, banda de post-punk. Wilsen – I Go Missing in My Sleep I Go Missing in My Sleep é o segundo trabalho de estúdio dessa banda nova-iorquina, e traz influências do folk e dream pop. Pra ser sincero, eu não o colocaria em um top cinco de melhores discos shoegaze, pois as influências de folk são muito mais fortes aqui, de qualquer forma, é um bom trabalho. Jefre Cantu-Ledesma – On the Echoing Green O multi-instrumentista Jefre Cantu-Ledemas que iniciou sua carreira por volta de 1995 e é co-fundador do selo Root Strata em São Francisco, Califórnia. A sonoridade é bem minimalista, passeando por outros gêneros como drone e a psicodelia. Slowdive – Slowdive O quarto e tão esperado disco de um dos ícones do estilo foi muito bem recebido desde que saiu. A banda retornou às atividades em 2014, saiu em turnê e finalmente passou pelo Brasil. É inevitável dizer que esse é um dos melhores lançamentos de 2017, na verdade, é tudo o que um fã esperava ouvir, uma mistura do clássico Souvlaki com um pouco do experimentalismo de Pygmalion. Siga as bandas nas redes sociais: RideSpectresWilsenJefre Cantu-LedesmaSlowdive

Myrkur e o machismo no black metal

Myrkur

Amalie Brunn nasceu em 6 de Janeiro de 1985, em Copenhague na Dinamarca. Sua carreira como artista começou por volta de 2006 quando se mudou para Nova Iorque. Lá ela compôs seu primeiro disco solo, com a ajuda do pai Michael Bruun. Foram lançados três ep’s sendo eles: Housecat (2008), Branches (2010) e Crush (2012). Além de musicista, Bruun foi modelo e até já participou de uma campanha para um perfume da marca Chanel em 2010, você pode assistir no vídeo abaixo. Nessa mesma época, ela formou uma banda de indie rock chamada Ex-cops, com quem lançou dois discos, The Hallucinations (2013) e Daggers (2014). A sonoridade do grupo passeava pelo pop eletrônico e indie rock. Em uma entrevista feita em 2012 para um blog ela falou um pouco sobre seu gosto musical. Quando perguntada sobre quais artistas estava escutando no momento: ”Não consigo escolher um artista em particular, mas gosto de ouvir eurodance/rave de vez em quando…” ”Eu sou uma garota black metal de coração, recentemente descobri uma banda de black metal sinfônico dos anos 90 chamada Kvist. Estive escutando muito a música ”Vettenetter”. O início do Myrkur Em 2014, ela deu vida ao projeto Myrkur (escuridão em islandês), no mesmo ano adotou roupas pretas, tatuagem e cabelos desajeitados. Assinou com a gravadora Relapse Records para o lançamento de seu primeiro EP também intitulado Myrkur, com sete músicas que mostravam um som ríspido, com influências vindas do black metal e música folk. Algo que também chamou atenção, foi o fato de ser uma one-woman band, pois dentro do estilo existem as chamadas one-man-band (banda de um homem só), que são projetos de um só artista que costumam compor, gravar e tocar todos os instrumentos. O primeiro disco de estúdio oficial veio em 2015, sob o título de M, com a produção de ninguém menos que Kristoffer Rygg, mais conhecido como Garm vocalista da banda norueguesa Ulver. Além disso, a gravação contou com participações de Teloch, guitarrista da lendária banda noruguesa de black metal Mayhem e Christopher Amott ex-guitarrista do Arch Enemy. Então, é aí que tudo começa. Assim que o disco foi lançado, recebeu muitas críticas positivas, mas também um enxurrada de insultos vindos de fãs tr00 do black metal e dos fiscais do metal de internet. Acontece, que o que até então pareciam apenas críticas ao som, viraram insultos contra a artista, que recebeu xingamentos, comentários sobre seu corpo e até ameaças de morte. A onda de ódio gratuito e seus possíveis motivos O que ficou evidente para ela e seus fãs, foi o fato de ser uma mulher assumindo a posição de líder em uma banda que acabou entrando para a cena do black metal. Inclusive, cena essa que é esmagadoramente constituída por homens. Outro motivo seria a forma com que ela classificou seu som, algo como uma transição entre a luz e a escuridão, mesmo não existindo evidências de um rótulo claro de black metal. Talvez, houve uma frustrada expectativa de tê-la em cima dos palcos blasfemando com seu corpse paint (pintura facial usada por bandas do gênero), suja de sangue e cuspindo na platéia? Hum… se bem que ela já usou corpse paint em uma de suas primeiras apresentações… Outros comentários mais vistos contra o Myrkur, são coisas do tipo: ”soa falso”, ”não é black metal de verdade”, ”é uma vagabunda a procura de dinheiro”. Além de, implicâncias com seu sotaque ou sua real naturalidade (alguns dizem que Brunn nasceu nos EUA) e por aí vai… Só não sabíamos que quem procura fama e dinheiro deveria lançar um disco de black metal, não acham? Muitos também comentaram sobre algumas músicas serem cópias do famoso disco Bergtatt da banda Ulver, ou que seus riffs são bobos e comuns, enfim… Sabemos que na verdade o Myrkur não é mesmo uma banda de black metal, o estilo apenas faz parte das influências, a música folk veem predominando as composições que utilizam coros, nickelharpa (instrumento tradicional sueco), violinos e também sons ambientes da natureza. De qualquer forma, sempre existiu essa necessidade de se categorizar uma banda ou seu som, mas também tem o fato de termos uma mulher, que já foi modelo, morou em Nova Iorque e participou de outros projetos que não tenham a ver com o mundo metal, ainda assim sua banda é comumente inserida em uma das cenas mais obscuras e extremas do metal, a do black metal. Mesmo com essa chuva de insultos e críticas negativas por parte de alguns, Amalie segue firme com sua banda, mas em algumas entrevistas já disse estar cansada de receber mensagens de ódio, e por isso até optou por bloquear o envio de mensagens em suas redes sociais. Atualmente, o Myrkur lançou seu segundo disco de estúdio intitulado Maredit, que conta também com a participação de Chelsea Wolfe. Siga Myrkur nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp Confira o disco Maredit no spotify:

Mulheres e a cena nacional

Mulheres e a cena nacional é um post feito para tentar trazer relevância para as mulheres que tem feito diferença dentro do cenário do rock alternativo. Temos uma infinidade de mulheres musicistas extremamente talentosas no país, a cena ainda é em sua maior parte constituída por homens, mas temos muitas mulheres incríveis batalhando para conseguir seu espaço. Eu poderia escrever um texto enorme ressaltando todas as qualidades de todas elas, mas é melhor você ouvir para crer e que eu possa dizer “tá vendo como eu avisei?”. Aqui vão alguns exemplos de artistas incríveis que estão abrindo caminho para todas nós: Lia Kapp A Lia é uma cantora/compositora de Curitiba. Suas referências são Chelsea Wolfe e Amy Lee que refletem bastante esse estilo “dark” em suas músicas. Larissa Conforto A Larissa é uma baterista que já tocou na Tipo Uísque, no momento toca na Ventre e Xóõ. Além de acompanhar a cantora Tiê em alguns shows junto com a Nathanne Rodrigues e a Rita Oliva. Papisa Rita Oliva comanda com maestria seus multi instrumentos, traz um som psicodélico/indie, ela também faz parte das bandas Cabana Café e Parati. Rakta O trio formado por Paula Rebellato, Carla Boregas e Nathalia Viccari engloba uma mistura bem pauleira que resulta em um post-punk experimental. Miêta Célia Regina, Marcela Lopes e Bruna Vilela são as mulheres da Miêta, que faz um som alternativo com várias influências de gêneros como shoegaze e dream pop. Gabriela Deptulski A Gabriela é vocalista/guitarrista responsável pelo projeto My Magical Glowing Lens que faz um som bem indie pop/psicodélico. Nathanne Rodrigues A Nathanne Rodrigues é a baixista/vocalista/compositora da Chico de Barro, ela também já tocou baixo na Def e na Noras de Newton. Nicole Patrício A Nicole comanda a Alambradas. Alambradas é o projeto de uma mulher só, como ela gosta de chamar. Winteryard É a banda da guitarrista/vocalista Priscila Castro e da baixista/guitarrista Brunelia Martina que faz um som shoegaze/post-rock. Mahmundi É o projeto da cantora/compositora Marcela Vale, com influências de música eletrônica/indie e lo-fi. In Venus A In Venus que conta com Camila Ribeiro na bateria e Patrícia Saltara no baixo que tem um som bem puxado para o post-punk/noise. Sabine Holler A Sabine é a mente por trás de Jennifer Lo-Fi de rock progressivo/post-hardcore, da Ema Stoned de música experimental/instrumental, do Mawn música eletrônica, além do projeto solo com o seu nome. Quer mais conteúdo sobre mulheres na cena nacional? Conheça nossos especiais sobre mulheres na música: Top 10 mulheres na cena nacionalEspecial mulheres baixistasEspecial mulheres bateristasEspecial mulheres guitarristas Foto: Papisa | Fotógrafa: Filipa Aurélio

Overload Music Fest 2017: quarta edição do festival trás somente bandas inéditas ao Carioca Club

Overload Music Fest

No sábado dia 16 de setembro, sob um calor infernal de 32º graus fomos em direção ao conhecido Carioca Clube Pinheiros, que recebeu a edição do Overload Music Fest 2017, o festival mais foda e com as melhores bandas do planeta (sem exageros). Como é de praxe fizemos um esquenta no bar ao lado e exatamente às 16h30 começou a entrada do público, a fila ainda estava pequena, mas algumas pessoas estavam ali desde às 7 da manhã, outras chegaram no momento em que as portas foram abertas. Ao entrar, fomos direto para a área externa ao lado da casa onde havia um espaço para meet & greet com as bandas e também um para a venda de hambúrgueres gourmet, na parte interna havia uma pequena exposição com ilustrações feitas por Fursy Teyssier, fundador da banda francesa Les discrets. Dentre as obras haviam as artes das capas de discos do Alcest, do próprio Les discrets e outras inéditas, todas estavam à venda por um preço bacana em impressão do tipo pôster. Havia também uma banca com camisetas das bandas e do festival, inclusive formou-se uma fila bem grande, e a banca de discos também estava bem movimentada. John Haughm do lendário Agalloch O público ainda entrava quando por volta das 17h40 subiu ao palco a primeira atração da noite, o vocalista John Haughm da extinta banda Agalloch, que encerrou suas atividades em 2016, e inclusive, já foi uma das mais pedidas pelo público. Com um visual que lembrava o vocalista da banda inglesa Fields of the Nephilim, sozinho com sua guitarra e pedais, ele deu início a uma apresentação fria e introspectiva, acompanhada por algumas imagens no telão. Não que John não seja um bom músico, pelo contrário, é talentoso e poderia ter feito uma apresentação em formato acústico que seria mais interessante, acontece que a sonoridade de sua carreira solo é algo mais direcionado ao drone, com riffs repetitivos e passagens mais atmosféricas que talvez façam mais sentido se assistidos sentado em um teatro. A apresentação durou cerca de 35 minutos, o músico simplesmente se retirou do palco sem agradecer o público, antes mesmo disso muitos já deixavam a pista para participar do primeiro meet & greet da noite com a banda islandesa Sólstafir. Les discrets e a mágica de suas composições Com a casa mais cheia e também no horário previsto subiu ao palco a segunda atração da noite, muito esperada por todos, os franceses do Les discrets foram muito ovacionados pelo público, o set já começou com L’échappée e deixou os fãs enlouquecidos, em seguida a pesada Les feuilles de ”l’olivier. Durante a apresentação Fursy esboçou sorrisos de felicidade por estar ali tocando pela primeira vez para o público brasileiro, que há tempos aguardava um show aqui e que até então parecia tão impossível de acontecer. O set teve músicas de todos os discos, inclusive interessante citar que as músicas do recente Prédateurs funcionam muito bem ao vivo, como podemos ouvir em Le Reproche e Virée Nocturne, além do mais foi incrível escutar Le Mouvement Perpétuel, Après l’ombre, La nuit muette e La traverséee do segundo disco lançado Ariette Oubliées, a clássica Song For Mountains fechou majestosamente a apresentação. Sem sombra de dúvida esse foi um dos melhores shows que o festival já teve, nada menos esperado de uma banda extremamente simpática e profissional, o som estava perfeito, a iluminação, todas as pessoas que estavam ao redor ficaram apaixonadas e emocionados com a performance, parece que tudo colaborou para que aquele momento fosse eterno, daqueles que serão lembrados para o resto da vida. Durante o meet & greet eu tive a oportunidade de dizer ao Fursy que Alcest e Les discrets são uma das melhores bandas desse mundo, ele sorriu e disse ‘’Ohh muito obrigado’’. Exagero meu? Não! Setlist:01. L’Échappée02. Les feuilles de l’olivier03. Le Reproche04. Virée Nocturne05. Le Mouvement perpétuel06. Chanson d’automne07. Après l’ombre08. La nuit muette09. La traversée10. Song for Mountains No meio tempo entre o fim do show do Les discrets e a espera pela próxima banda, algumas pessoas foram ao meet & greet com John Haughm e outras esperavam ansiosamente pelo Sólstafir, banda que tem ganhado destaque e sucesso por onde passa. Sólstafir e a beleza do metal islandês Com um pequeno atraso, eis que as cortinas se abrem e ali estão, os quatro rapazes de um dos países mais adoráveis do mundo, de início um pouco tímidos, mas os islandeses mostraram que não tem nada de frios, o vocalista Aðalbjörn Tryggvason extremamente carismático conquistou o público, o baixista e guitarrista mantiveram a pose, mas certamente também foram contagiados pelo belíssimo show e pelo carinho dos fãs brasileiros. Mesmo com letras impronunciáveis, conseguiram arrancar alguns versos da comovida platéia que tentava acompanhar as músicas, como em Ótta e Fjara, que os tornou conhecidos no mundo inteiro. O set foi curto levando em consideração a duração das músicas, mas tiveram canções de quase todos os discos e parece ter deixado os fãs satisfeitos. Aðalbjörn fazia sempre questão de estar em contato com o público, antes de anunciar uma das músicas agradeceu e disse que seu português não era bom, então perguntou a um fã como se falava Black Sands em português, ”Areias negras?” – perguntou ele. Em seguida, mais uma mensagem de agradecimento por estar pela primeira vez tocando no Brasil, emocionado ele anunciou a última música da noite, bem esperada por todos, finalizaram com Goddess of the Ages, do disco Köld, durante a performance o vocalista se equilibrou na grade, cumprimentou todas as pessoas possíveis, tirou selfies e filmou com os vários celulares que lhe eram entregues. Setlist:01. Silfur-Refur02. Ótta03. Náttmál04. Ísafold05. Djákninn06. Fjara07. Svartir Sandar08. Goddess of the Ages Enslaved e a fúria do black metal experimental O último show da noite ficou a cargo da banda norueguesa Enslaved. De primeira já podemos dizer que eles não decepcionaram como headliners, um pequeno atraso de 15 minutos e algumas falhas no início da apresentação somado a uma parte do público que não sabia muito o que esperar mas… valeu a pena! Mesmo quem estava cansado

Conheça o Overload Music Fest

Dia 16/09/17 acontece o Overload Music Fest, carinhosamente apelidado por OMF, em Pinheiros – SP no Carioca Club. O festival está em sua 4ª edição e esse ano contamos com nomes como: John Haughm (ex Agalloch e atual Pillorian), Les Discrets, Enslaved e Sólstafir. O OMF é um festival que busca trazer bandas do cenário “underground” do metal e suas vertentes, bandas que grandes produtoras geralmente não apostariam e que tem um nicho de fãs relativamente menor. A produtora Overload constamentemente traz alguns grandes nomes como Anathema, Opeth, Blind Guardian, Pain of Salvation, Symphony X e Epica. A proposta do festival é extremamente bacana, diferente dos outros megafestivais que estamos acostumados, com um clima mais intimista, mais tranquilo, um ambiente bem agradável que nos permite curtir nossas bandas queridas e também conhecer artistas novos. Inclusive foi por meio do festival (e de grupos do facebook e amigos em comum) que eu, Tatyane, conheci o Fábio. E que conheci outros tantos amigos e bandas incríveis. 2014 – A estréia Assim que a produtora Overload anunciou seu primeiro festival, prontamente as pessoas foram fazer seus pedidos de bandas. E eis que a internet foi a loucura com o cast da primeira edição do Overload Music Fest, que trazia nada menos que Labirinto, Fates Warning, Swallow the Sun, Alcest e God Is An Astronaut. Quando imaginaríamos um festival com essas bandas juntas em nosso país? Pois bem, foram cerca de 9 horas de música, um formato um tanto exaustivo já que os shows aconteciam durante a noite/madrugada. Havia merchandising das bandas, e uma grata surpresa para todos os fãs com certeza foi o fato de todos os integrantes do Alcest irem assistir ao show do God Is An Astronaut ali na pista com os fãs. Simpáticos e atenciosos deram autógrafos, tiraram fotos e conversaram com grande parte dos que estavam ali. Tive oportunidade de conhecê-los no backstage e o Stéphane (Neige) me disse  ”estou muito feliz por estar aqui e mal posso esperar para voltar”. Nesse mesmo dia tive a oportunidade de conhecer pessoas de vários estados, pessoas que se tornaram amigos e que mantenho contato até hoje, essa foi a grata experiência de participar de um evento desse, assistir o show de uma das minhas bandas favoritas (Alcest) e fazer amizades com pessoas de todos os lugares. 2015 – Continuando com o sucesso A primeira edição que eu (Tatyane) participei foi a 2015, eu fui especialmente por Anathema. Mas Anathema era a última banda da noite do primeiro dia e eu não conhecia ninguém no festival, não conhecia as outras bandas e artistas que iriam tocar. Pensei que iria ficar extremamente entediada nesse dia, e eu não poderia estar mais enganada. Foi sem dúvida um dos melhores dias da minha vida. No primeiro dia, conheci Novembers Doom (set acústico), Andy McKee, Riverside e The Reign of Kindo. O show do Anathema foi incrível, me emocionei bastante, mas de longe o do Riverside foi o melhor de todos. O lançamento de um dos álbuns que hoje em dia é um dos meus preferidos: Love, Fear and The Time Machine. Especialmente porque seria o último show da banda com o excelentíssimo guitarrista Piotr Grudziński, que veio a falecer em fevereiro de 2016, que eu poderia ver. O OMF foi paixão a primeira ida, fiquei tão maravilhada que decidi ir no dia seguinte, mesmo sem ainda conhecer muito Antimatter, Mono, Novembers Doom (elétrico) e Paradise Lost. Também foi tão incrível quanto o dia anterior. A maior surpresa foi Mono, com um show ensurdecedor que te faz ficar feliz pelo ouvido zumbir no dia seguinte. Tudo isso me fez procurar mais sobre o festival na internet. Foi lá que encontrei um monte de gente bacana no grupo oficial do evento, onde ficamos o tempo todo fazendo especulações sobre quais serão as bandas dos próximos festivais. 2016 – O line-up perfeito? A terceira edição do festival contou com Vincent Cavanagh, Labirinto, Alcest e Katatonia, para muitos era o cast dos sonhos, o retorno do Alcest ao nosso país e também do Katatonia, depois de cinco anos desde o último show em 2011 no Hangar 110 com a turnê do disco Night Is the New Day. Dessa vez houveram alterações no formato, os shows aconteceram no Carioca Club entre a tarde/noite, além disso havia um local com merchandising de todas as bandas, um espaço gastronômico com hamburgueria e ainda uma bela exposição de fotografias de Alessandra Tolc (fotógrafa oficial da produtora). A casa estava cheia, os shows fora todos pontuais e memoráveis, ouvir Vincent Cavanagh tocando um set acústico de músicas do Anathema, a nacional Labirinto apresentando seu recente e apocalíptico disco Gehenna, a volta do tão amado Alcest tocando na íntegra o segundo disco Écailles de Lune além de outros clássicos e por fim o Katatonia com a turnê do recente The Fall Of Hearts, que já era esperada há muito tempo pelos fãs brasileiros. Abaixo segue o aftermovie da terceira edição do festival: [youtube https://www.youtube.com/watch?v=r7AjmKL3Gvc&w=560&h=315] 2017 – O que esperar? A quarta edição tem tudo para ser memorável, contará com John Haughm (Agalloch), Les discrets, Sólstafir e Enslaved, as bandas estão com discos novos e irão apresentar com exclusividade em nosso país um repertório de sucessos e músicas novas. Além de seguir o formato anterior, com espaço gastronômico e merchandising, haverá uma exposição exclusiva com as obras e desenhos do líder da banda francesa Les discrets, Fursy Teyssier. Dessa vez todas as atrações são inéditas em nosso país, sendo que três bandas irão se apresentar somente em São Paulo, ou seja, nossos irmãos sul-americanos de países como Chile, Argentina, Peru, Colombia… também irão comparecer assim como tem acontecido em outras edições. Fotos: Alessandra Tolc Vai perder? Para mais informações sobre o festival e venda de ingressos acesse os links abaixo: Site Overload Music Fest | Venda de ingressos

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