Paradise Lost: os mestres do Gothic Metal retornam ao Brasil

Os ingleses do Paradise Lost ainda vivem o auge de sua carreira, mesmo beirando os 30 anos, Nick Holmes (vocal), Gregor Mackintosh (guitarra), Aaron Aedy (guitarra) e Steven Edmondson (baixo) parecem ter uma fórmula certa de como manter um line-up consistente e até mesmo de como gravar discos de qualidade. É inevitável mencionar o quão importante os discos Gothic (1991) e Draconian Times (1995) são para o metal, se no início a banda era rotulada como um Metallica do death metal, hoje são vistos como os mestres de um estilo que as vezes causa um pouco de confusão nos headbangers, afinal esse tal Gothic Metal que se fala é muitas vezes comparado apenas a bandas como Tristania e Nightwish. Na verdade, ele começou com uma fusão entre o doom metal, o rock dos anos 80 e a música clássica, gêneros que vieram na música do Paradise Lost desde o início de sua carreira, a própria Gothic já tinha vocais femininos e algumas passagens clássicas. A banda foi cada vez mais se afastando da música extrema nos próximo discos, se em Shades of God (1992) Nick ainda continuava com seus vocais agressivos, por outro lado, as músicas começavam a trazer mais riffs melancólicos, sonoridade essa que se consolidou no disco Icon (1993), que começa a deixar os guturais de lado e traz um vocal mais arrastado e rasgado, sendo comparado ao de James Hetfield. Assim como um bom vinho, o Paradise Lost foi envelhecendo e ficando melhor, em 1995 lançam Draconian Times, provavelmente o melhor de sua carreira e o favorito de muitos fãs, aqui eles são fortemente rotulados como Gothic Metal, pelo uso de pianos, teclados e riffs mais sombrios e melancólicos. Os próximos anos foram de experimentação, One Second e Host são os discos mais diferentes de toda a discografia, alguns fãs torcem o nariz, outros amam e até consideram como um dos melhores da carreira. One Second passa a deixar o peso de lado e caminha em um som com sintetizadores, pianos e cordas, um disco mais rock comparado com os anteriores, mas que mesmo assim trouxe músicas que são tocadas pela banda até hoje, como a própria faixa título e Say Just Words. Em 1999, o velho Paradise Lost está definitivamente morto e dá luz a um som totalmente influenciado por Depeche Mode, com abuso de batidas eletrônicas, guitarras e sintetizadores, e Nick se aventurando em um vocal mais pop, até as roupas pretas e os cabelos compridos e bagunçados deram lugar a um visual mais moderno, quem diria, roupa colorida e cabelo arrepiado? Believe in Nothing, é um disco ponte e tenta retomar aos poucos a sonoridade antiga, porém sem tanto sucesso, o álbum é rejeitado pela própria banda, mesmo tendo ótimas músicas como os hits Mouth, I Am Nothing e Fader. Em Symbol of Life as coisas vão se encaminhando entre um som um pouco mais pesado e moderno, um ótimo disco, que de quebra trouxe dois covers maravilhosos de Xavier (Dead Can Dance) e Smalltown Boy (Bronski Beat). Em 2005 sai o auto intitulado Paradise Lost, que seria mais um ”Symbol of Life 2.0”, foi a partir do disco In Requiem (2007) que definitivamente a música extrema tomou conta das composições que ficaram até mais sombrias, com certeza um dos melhores da era atual. Com a bela recepção do disco e uma grande turnê que passou até por São Paulo em 2008, a banda continuou firme, lançando o aguardado Faith Divides Us – Death Unite Us (2009) que continua o legado do antecessor e trouxe mais esperanças de que sua música voltasse a forma dos anos 90, essa fase Gothic Metal perdura até o próximo álbum Tragic Idol (2012), que acaba sendo mais uma continuação. Eis que em 2015 o décimo quarto disco The Plague Within volta às origens e traz um som mais cadenciado, pesado e também com guturais, para a alegria dos saudosistas dos primeiros discos. No Hope in Sight é uma das mais adoradas pelos fãs, pois traz justamente aquela mescla de riffs melancólicos, peso e vocais alterando entre agressividade e algo mais soturno. Na turnê do disco, músicas do início da carreira são tocadas ao vivo, como Gothic, Embers Fire, True Belief e até Eternal. Pra continuar essa saudosa era, a banda lança o seu décimo quinto disco intitulado Medusa, ele pode ser considerado uma mistura entre o passado e presente, as músicas From the Gallows e Blood and Chaos são destaque e vem sendo apresentadas nos shows, com um som pesado e cheio de belos riffs e Nick mostrando boa forma ao entonar seus vocais maléficos. Em 2018 os discos Host e Believe in Nothing foram remasterizados, e a banda voltou a tocar músicas como Mouth, Forever Failure e Hallowed Land. A última passagem em nosso país foi em 2015 no Epic Metal Fest, festival idealizado por membros da banda holandesa Epica que aconteceu em São Paulo na Audio Club, produzido também pela Overload e contou com Finntroll, The Ocean, Tuatha de Dannan, Xandria e o próprio Epica. Agora eles voltam para dois shows em nosso país, dia 31/08 no Teatro Rival BR no Rio de Janeiro, dia 01/09 no Carioca Club de São Paulo e finalizando dia 02/09 no Bar da Montanha em Limeira.
Them Are Us Too finaliza um ciclo com disco póstumo emocionante

Amends é um disco póstumo na carreira desse jovem duo de São Francisco, Califórnia, formado em 2012 por Kennedy Ashlyn e Cash Askew. Cash faleceu tragicamente em 2016 em um incêndio a uma casa de performances chamada Ghost Ship em Oakland. A dupla já vinha trabalhando em algumas demos depois de seu primeiro disco, Remain lançado em 2014, em homenagem a memória do ex membro, Kennedy Ashlyn resolveu entrar em estúdio com o tio, a namorada e amigos dele junto do produtor Joshua Eustis para finalizá-las e criar novas composições. A faixa que abre o disco é Angelene, o vocal hipnótico de Kennedy nos faz lembrar facilmente Kate Bush, uma aura totalmente voltada aos anos 80, com synths bem ambientes e baterias eletrônicas. Em Grey Water temos batidas também marcantes, e fica difícil não comparar com o som feito pelo Cocteau Twins, com guitarras mais viajantes e vocais etéreos. A terceira faixa é Floor, ela se diferencia pelo ritmo mais frenético acompanhado das guitarras mais barulhentas e Kennedy em vocais mais entonados, uma faixa que tocaria facilmente em uma pista de dança de um clube gótico. Em seguida, No One, continua com o feeling nostálgico, mas com uma intensidade ímpar nos vocais, casando os belos sintetizadores com as guitarras mais duras durante o refrão, os vocais com certeza são um dos maiores destaques desse disco, pois ficam marcados a cada audição. Could Deppen é a faixa mais longa do disco, mas com uma vibe tão boa que seus 9:48 minutos passam voando. Em um ritmo lento e emocional, riffs de guitarra ao estilo dream pop, Kennedy soltando a voz em uma atmosfera celestial, destaque para os últimos momentos que atingem uma carga de emoção forte: ”I wanted to be something that I’m just not, A thousand lies, a thousand lies…”, a forma como a música evolui de um clima mais dramático para algo mais leve é incrível. Pra concluir o disco temos a faixa título Amends, ela encaminha o ouvinte ao fim desse sonho, pois todo o disco soa como uma viagem cheia de emoções entre perda, despedida e sentimentos profundos, em seguida nos resta apenas o silêncio e algum tipo de reflexão sobre nossa breve existência. Acompanhe a banda nas redes sociais: FacebookInstagram
7Peles: conhecendo a misteriosa banda carioca de black metal

O 7Peles é uma banda de Black Metal do Rio de Janeiro, formada em 2016 por músicos de identidade ainda desconhecida, eles se nomeiam com o mesmo nome da banda. Até o momento lançaram três singles, ‘Qayin’, ‘Heylel’ e ‘Yehudhah Ish Qeryoth’, o primeiro disco de estúdio está previsto para ser lançado ainda no fim desse ano. Eles fazem parte de um subgênero dentro do black metal, categorizado como black metal ortodoxo, onde reconhecem Satã como uma entidade legitima e o Deus cristão como uma entidade tirânica, ou seja, uma adoração a nível religioso e metafísico. Nesse conjunto de ideias, são discutidos assuntos em cima de crenças do Luciferianismo, satanismo teísta e gnosticismo. Os shows parecem cultos, com castiçais e velas, altar, os integrantes geralmente escondem seus rostos completamente e usam vestimentas semelhantes a túnicas. A música traz forte influência do black metal no início dos anos 90, com a adição de uma atmosfera mais sombria ainda, com riffs de guitarra dissonantes e até mesmo cantos gregorianos. O 7Peles ainda que uma banda nova, tem conquistado uma boa legião de fãs pelo país, foram responsáveis por tocar ao lado do Mayhem, lenda do black metal, onde de quebra tiveram a ilustre participação do vocalista Attila Csihar (Tormentor, Mayhem, SunnO))) no palco ao apresentar um cover de Beyond, música de sua antiga banda Tormentor que está voltando a ativa. Em setembro eles participarão do No Class Festival II, ao lado dos suecos do Marduk. A banda conversou com a gente sobre sua origem, estética, a experiência de tocar ao lado do Mayhem e planos para o futuro. O 7 Peles é uma banda relativamente nova, o que podem nos contar sobre a origem e ideias que os levaram a formar a banda? Boa noite irmãos, boa noite irmãs… o 7PELES surgiu da reunião de músicos, amigos em comum, de outros projetos, outros estilos musicais, porém com a mesma paixão em comum: o Black metal. Sobre as identidades escondidas dos músicos, vocês acham que há um interesse maior na música quando não se sabe quem está por trás dela, ou trata-se apenas de uma questão ”teatral” estética? É simplesmente uma questão de RELEVÂNCIA… nada interessa, que não o 7PELES como um todo… e isso não se trata apenas dos músicos pois todos vós sois o 7PELES! Algumas bandas do gênero black metal ortodoxo tem ficado populares, como Batushka e Cult of Fire que recentemente se apresentaram em nosso país. O 7Peles se enquadra nesse gênero e o que vocês pensam sobre isso? Dentro do contexto ocidental SIM! Uma vez que utilizamos a escritura usada pelos exploradores da fé alheia. Como é fazer música com essa temática em um país considerado laico, mas que tem a maior população católica do mundo? Laico????? HAHAHAHAHAHAHAHA… aqui mesmo em nosso município vivemos o DESGOVERNO de um maldito Bispo! A bancada evangélica cresce a passos largos… Não sei dizer nem se os católicos ainda prevalecem… Não me importa também! A grande MERDA é que esses evangélicos são entusiastas… CHATOS e suas lideranças extremamente mal intencionadas, mas por enquanto ainda temos liberdade para nos expressarmos… e assim faremos! Vocês tem apenas três singles lançados, mas tem uma boa legião de fãs para uma banda nova, pretendem lançar disco completo ainda este ano? O primeiro evangelho do 7PELES, será finalizado até o fim do ano!!!! As letras das músicas são em inglês e português, vocês pretendem manter esse padrão ou terão composições futuras somente em português? Procuramos fazer refrões ou momentos marcantes em português para que fique bem clara a mensagem a todos os nossos… e temos sim uma palavra, já pronta, toda em português. Atualmente vocês se apresentaram ao lado do Mayhem, banda lendária do Black Metal, como foi essa experiência? O MAYHEM é um ícone do gênero… escreveram a grande obra prima do Black Metal. Só o fato de ter participado do evento já seria uma grande honra… mas como para o 7PELES e todos os seus as vitórias e conquistas são imensuráveis, ainda tivemos o prazer de receber no palco o próprio ATTILA CSIHAR, para cantar uma canção conosco… foi ÉPICO! Não só para o 7PELES mas para toda história do metal nacional. Quais os planos futuros da banda, pretendem lançar algum vídeo clipe ou turnê pelo país? O 7PELES tem um grande plano para todos vocês… ampliar nosso ministério mais e mais, conduzindo todos num caminho de conhecimento, sabedoria… e por que não muita diversão e bons momentos! AMÉM??? Agradecemos a banda pelo tempo em responder as nossas perguntas. Siga a banda nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube Escute o 7Peles:
Killing Joke pela primeira vez no Brasil, motivos para não perder esse show

O Killing Joke é um dos principais nomes do post-punk inglês, e tudo começou em 1978 quando Jaz Coleman (vocal), Kevin “Geordie” Walker (guitarra), Martin “Youth” Glover (baixo) e Paul Fergusson (bateria) se juntaram para o lançamento do primeiro EP Almost Red, que inclusive só foi gravado pois a namorada de Coleman na época emprestou o dinheiro para a banda, o disco chamou a atenção da BBC Radio, que os convidou para uma performance ao vivo. Exatamente em 1980 a banda fecha com a gravadora EG e lançam o primeiro disco de estúdio, auto intitulado Killing Joke, a partir daí começam a fazer sucesso, os shows, no entanto, fizeram algumas pessoas torcerem o nariz, pois traziam imagens controversas relacionadas ao nazismo (como na capa da coletânea Laugh? I Nearly Bought One, que mostra um papa abençoando uma legião de nazistas), mesmo assim se mantiveram bem com seu som pesado e dançante. No ano seguinte, sai o segundo disco, What’s this For …! e mantém sua boa reputação, mas a partir do terceiro disco Revelations de 1982, o vocalista Jaz Coleman deixa a banda para se aprofundar em sua ligação com o ocultismo, acreditando que o Apocalipse estava próximo ele viaja para a Islândia com o guitarrista Kevin ”Geordie”. Em 1983, os membros retornam à Inglaterra e se juntam novamente para gravar o quarto disco, Fire Dances, com uma postura mais pacífica comparado aos lançamentos anteriores. O sucessor Night Time trouxe o hit Love Like Blood que obteve boas posições nas paradas, mas ainda assim não teve todo o alcance que os seus primeiro discos, durante a década de 80 a banda ainda lançou mais quatro álbuns, entre trocas de line-up resolveram dar uma pausa de cerca de quatro anos, e retornaram como trio em 1994 para o lançamento de Pandemonium, e logo após afirmaram que fariam a gravação de seu último disco, Democracy lançado em 1996. Em 2003 a banda retorna a ativa e lança novo material, mais uma vez intitulado Killing Joke, que até hoje causa um pouco de confusão com o primeiro lançamento de 1980. Aproveitando a nova turnê, gravam um álbum ao vivo, XXV Gathering: Let Us Prey de 2005 e posteriormente mais um EP Hosannas from the Basements of Hell, nesse mesmo ano o ex-baixista Paul Raven que participou do disco Fire Dances substituindo Martin Youth falece de um ataque cardíaco, toda a banda esteve presente no funeral e em sua homenagem se reúnem com a formação original. Após uma turnê mundial, entram em estúdio para a gravação de Absolute Dissent (2010), seu décimo quarto disco. Os próximos anos são de turnê, a atual formação ainda lançou MMXII em 2012 e Pylon de 2015, inclusive muito elogiado pela media da música. Agora em 2018 a banda comemora 40 anos de carreira com sua turnê Laught at Your Peril: 40th Anniversary Tour e felizmente já tem presença confirmada em setembro na América do Sul, com shows no Brasil, Argentina, Chile e Peru. Sabe por que você não pode perder? Simplesmente porque esses shows serão únicos, com apenas uma data em São Paulo, no Carioca Clube, onde se apresentarão pela primeira vez tocando músicas de toda a carreira, uma banda importante no cenário do post-punk e rock industrial, com shows explosivos e pesados. Se você conhece a história da banda, com seus altos e baixos, trocas de line-up e diversas pausas sabe bem que não pode perder essa chance né? Serviço:Killing Joke – “Laugh At Your Peril – Fortieth Anniversary World Tour – Brasil 2018” Data: 23/09/2018Local: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros – São Paulo/SPAbertura da casa: 17 horasApresentação: 19 horas Ingressos:1º lote – PistaR$100,00R$200,00 1º Lote – CamaroteR$160,00R$320,00 Evento no Facebook: www.facebook.com/events/232988214105286/Realização: EV7 Live
William Maybelline das bandas Lebanon Hanover e Qual sobre música e a era sombria

Entrevista com William Maybelline das bandas Lebanon Hanover e Qual
Cinco discos de black metal em destaque para 2018

O ano de 2018 está sendo especialmente fértil para o black metal. Entre trabalhos que expandiram os limites do gênero e discos que resgataram sua essência mais crua e atmosférica, surgiram lançamentos capazes de marcar a década. Nesta seleção, reunimos cinco discos de black metal que traduzem diferentes faces do gênero, do caos visceral às paisagens melancólicas, passando por experimentações ousadas e composições profundamente imersivas. Abstracter – Cinereous Incarnate Em seu terceiro disco de estúdio lançado pela Vendetta Records, essa banda americana de Oakland, CA, apresenta durante as seis faixas um som extremo e soturno, com momentos que vão de blast-beats furiosos a passagens mais cadenciadas e cheias de riffs obscuros criando uma atmosfera das profundezas do mau. As influências vão de black e death metal ao doom. Uada – Cult Of A Dying Sun Mais uma banda americana, dessa vez de Portland. Esse é o segundo disco lançado pela Eisenwald Tonschmiede, os riffs precisos e as melodias os encabeçam mais dentro do Melodic Black Metal, mas momentos mais crus lembrando o saudoso som feito no fim da década de 80, também se fazem presentes nas sete faixas que compõem o disco. Destaque para a faixa Snakes & Vultures. GAEREA – Unsettling Whispers De identidade ainda misteriosa, a banda foi formada em 2016 em Lisboa, Portugal. Esse é seu segundo disco de estúdio, e traz um black metal com influência de outros estilos como sludge e death metal, vem sendo muito bem recebido pela crítica européia, assim como os vídeos que também são bem produzidos. Destaque para as faixas Absent e Whispers. Imperial Triumphant – Vile Luxury O Black metal americano ganhando força em 2018, Vile Luxury é o quarto disco desse trio que surgiu em meados de 2005. A banda faz um som técnico e progressivo, mas totalmente fora do clichê, aqui as músicas tem quebras de tempo bem interessantes, com direito a pianos, coros e saxofones. Destaque para as faixas Lower World e Chernobyl Blues. Drudkh – Їм часто сниться капіж (They Often See Dreams About the Spring) Os ucranianos do Drudkh são bem conhecidos na cena do black metal atmosférico, esse ano lançaram seu décimo segundo disco. A combinação de riffs ríspidos e melódicos flerta também com a música folk, que mesmo acompanhados de um vocal agressivo conseguem criar atmosferas densas. Destaque para as faixas У дахів іржавім колоссю… e Накрите небо бурим дахом.
A doce e sombria Nicole Dollanganger

Nicole Dollanganger é o nome artístico de Nicole Bell, uma cantora e compositora canadense de 28 anos de idade, conhecida por seu visual infantil, voz aguda e letras de temas como sexo, estupro, depressão e gore. Infelizmente ainda muito jovem ela foi diagnosticada com anorexia nervosa, o que resultou em um longo tempo de repouso em seu quarto. Durante esse período, Nicole começou a compor algumas músicas e postá-las em seu tumblr e twitter, se sentindo insegura, ela chegou a deletar algumas composições, mas logo foi encorajada por muitos que já acompanhavam seu trabalho. O Dollanganger de seu nome é uma referência a escritora Cleo Virginia Andrews, responsável por uma série de novelas (Dollanganger Series), que aborda o incesto entre tio e sobrinha em uma série de cinco capítulos. Seus primeiros lançamentos são Curdled Milk (2012), Flowers of Flesh And Blood (2012), Ode to Dawn Wiener: Embarrasing Love Songs (2013) e Observatory Mansion (2014), todos foram gravados por ela em seu quarto e banheiro, a sonoridade é bem minimalista, apenas com vocal, violão e posteriormente teclado, além disso a venda foi feita de forma totalmente independente, com CD-R’s e fitas cassete produzidos artesanalmente. Em 2015 as coisas deram uma reviravolta, Nicole já bem conhecida, foi convidada para abrir os shows de Lana Del Rey e Grimes em Toronto. Nessa mesma época ela já tinha um novo disco pronto, mas sem gravadora para lançar, o fato chamou a atenção da artista também canadense Grimes, que mais tarde criou a Eerie Organization, um selo para ajudar com o lançamento de Natural Born Losers (2015). Ainda no final de 2015 Nicole deu suporte a Grimes em sua turnê Rhinestone Cowgirls Tour. Agora com seu disco lançado e mais visível ela teve uma de suas músicas, a faixa Chapel, como destaque na trilha sonora da 14º temporada da série The Walking Dead. Já em 2016 foi lançado o EP CUTE AGGRESSION, contendo três faixas com um direcionamento bem diferente, na faixa título as guitarras e batidas eletrônicas lembram a sonoridade da cantora Grimes em seu Art Angels, já as outras duas faixas, Beautiful and Bad e Have You Seen Me? tem um som totalmente sombrio, com guitarras pesadas e bateria. Nesse ano ela também embarcou em uma nova turnê com as bandas Elvis Depressedly e Teen Suicide. Para os shows ao vivo, Nicole tem o suporte de dois integrantes, Matt Tomasi (guitarra) e Kevin Jenkins (baixo). Em 2017 foi lançada uma prévia com cinco faixas do próximo disco de estúdio que recebeu o título de Heart Shaped Bed, a sonoridade no entanto é mais emocional, sem uso de guitarras e bateria como no disco anterior, aqui temos mais pianos e batidas eletrônicas bem sutis acompanhados pelo vocal doce de Nicole. No Bandcamp a data de lançamento está para 30 de Março, mas ainda não se tem notícias de quando o disco completo será finalmente lançado. Siga Nicole Dollanganger nas redes sociais: FacebookBandcampTwitterInstagram
Twin Peaks, shoegaze e psicodelia marcam a sonoridade do That Gum U Like

O casal Fábio Popinigis e Andressa vem de Brasília, a capital conhecida como berço do rock, mas pra falar a verdade o That Gum U Like está bem fora dessa ”bolha”, a começar pelo nome influenciado pela série Twin Peaks do incrível David Lynch. O duo traz uma sonoridade que gira em torno da década de 80, flertando com estilos como eletrônico, trip-hop, psicodelia, dream pop e shoegaze. Em 2014 lançaram o primeiro single Charlotte Sometimes, um cover do maravilhoso The Cure seguindo uma linha mais dream pop, que se encaixou perfeitamente nos vocais de Andressa, o que os fez continuar com a fórmula bem sucedida em 2017 ao lançar o próximo single, Falling Apart. The Black Lodge é o título do primeiro EP lançado em 2017 pelo selo Quadrado Mágico, que também é totalmente inspirado na série Twin Peaks. A faixa título e Killer que abrem o disco apresentam um clima mais cinematográfico, com uma vibe mais atmosférica/eletrônica, já Raika e Donna abusam mais das guitarras e ficam numa fusão entre o shoegaze/dream pop de bandas como Cocteau Twins e Curve, além disso todas as faixas do EP ganharam um remix. O lançamento mais recente é o single Biography que também já está disponível nas plataformas digitais. Se você não conhecia o som do That Gum U Like, pode dar o play agora mesmo, todos os singles e EP estão no Spotify. Siga a banda nas redes sociais: FacebookBandcamp
Sigrún, a nova face da música eletrônica islandesa

A Islândia, um país pequeno e exuberante, com paisagens de tirar o fôlego, deixou de ser apenas a rota favorita de viajantes do mundo todo, e tem se destacado por sua música que vem ganhando grandes proporções com artistas mega talentosos. Hoje iremos conhecer Sigrún, o projeto de Sigrún Jónsdóttir. É inevitável comentarmos sobre alguns nomes que trouxeram o país aos holofotes, a talentosa Björk que desde os anos 80 vinha fazendo música na cena punk com suas bandas KUKL e The Sugarcubes, e os queridos do Sigur rós que no início dos anos 90 trouxeram seu maravilhoso post-rock de outro mundo. Que a Islândia abriga artistas criativos e ousados nós temos certeza, inclusive o termo Icelandic music já se tornou um novo gênero para a música, pra comprovar isso, falaremos um pouco hoje sobre uma artista relativamente nova, mas que já teve experiências ao lado de grandes artistas e agora mostra um grande potencial com sua música autoral. Sigrún Jónsdóttir é uma jovem e talentosa artista, nascida na capital de Reikavýk na Islândia, com três EP’s lançados, sendo Smarti o mais recente de 2017, ela me conta que sempre esteve envolvida com música desde pequena, ”meu pai era professor de bateria na escola local de música em nossa cidade, então eu sempre estive por lá…”. Foi então que começou a estudar clarinete e trombone, o que lhe abriu portas para trabalhar como músico de sessão de ninguém menos que Björk, Sigur rós e atualmente Florence and the Machine, ” Foram experiências muito importantes para mim e aprendi tantas coisas disso, tanto como artista quanto como ser humano ”. Somando suas experiências em turnês mundiais ao apoio que artistas como ela tem em seu país, foi a hora certa para dar o próximo passo, e assim sua música começou a tomar forma. Talvez poderíamos classificá-la apenas como Icelandic music ou eletronic/experimental, isso não importa muito, na verdade, os sons conseguem transmitir sentimentos que vão da calmaria a agressividade passando por partes etéreas, e é justamente assim que ela classifica sua música, como temperamental. Ainda sem muitas informações pela internet, entramos em contato com ela que se prontificou a responder algumas perguntas sobre sua carreira, música e planos para o futuro. Primeiro, eu gostaria de saber se Sigrún é o seu nome verdadeiro ou apenas como decidiu chamar o seu projeto. Sigrún: Sim, Sigrún é o meu nome verdadeiro e decidi usá-lo como meu nome artístico também. Há quanto tempo você está envolvida com música? Você já teve outra banda ou projeto? Sigrún: Estive fazendo música desde que conheço a mim mesma. Meu pai era professor de bateria na escola local de música em nossa cidade, então eu sempre estive por lá. Eu estudei clarinete por anos e então comecei com trombone. Eu já estive em algumas bandas com amigos tocando clarinete e também trabalhei bastante como músico de sessão tocando trombone, fazendo turnê com artistas como Björk, Sigur rós e recentemente com a Florence and the Machine. Quais coisas te inspiram pra fazer música? Você sente necessidade de estar em conexão com algo ou apenas se isolar por algum tempo? Sigrún: Um pouco de cada, eu trabalho solitária e isso funciona para mim, mas ao mesmo tempo eu tenho certeza que preciso socializar também, então não fico muito só. Múltiplas coisas me inspiram a fazer música, meu amor por música em si é uma grande parte disso, e o poder real que a música e os sons tem sobre nós. E também as pessoas que estão ao meu redor e com quem trabalhei ao longo dos anos me inspiram grandemente, e a proximidade geral que isso traz às pessoas. Apenas ir a um clube e dançar juntos e sentir aquele baixo bater em seu corpo é tudo. Em 2016 você lançou dois EP’s Hringsjá e Tog, eles soam muito atmosféricos e experimentais, como é para você expressar seus sentimentos através de um tipo de música considerado complexo para alguns ouvidos? Sigrún: É um grande privilégio poder expressar meus pensamentos e sentimentos através da minha música e sou grata também pelas ferramentas que tenho para isso, levou um tempo para eu aprender e me encontrar no ambiente de trabalho que é o meu computador junto com meus instrumentos para poder trazer o que eu tenho agora. Muita paciência e repetição, mas principalmente, foi preciso esforço para silenciar as críticas internas para poder trabalhar em paz comigo mesma. Como a sua música tem sido recebida em seu país, tem muitas pessoas que te apoiam? Sigrún: Eu sinto que foi recebida muito bem e me sinto sortuda. O ambiente criativo na Islândia e as pessoas que o compõem são muito fortes e de apoio, eles sempre fazem questão de apoiar uns aos outros. As casas de show estão abertas para qualquer um e estão felizes em ver pessoas fazendo experimentos, junto com várias organizações musicais que se certificam em acompanhar coisas novas e apoiá-las. Recentemente a música islandesa tem sido muito procurada e muitos artistas são destaque fora do seu país. Para você, quais são as razões disso? Sigrún: Sim, e é muito interessante, na verdade. Recentemente a música islandesa cresceu muito para ser algo único, quase um gênero. Mas eu acho que isso é baseado na herança de obras de artistas como Björk e Sigur rós que abriram espaço para um playground muito fértil que teve a chance de florescer e se espalhar pelo mundo. Fiquei sabendo que você já trabalhou com artistas como Björk, Sigur rós e Florence and the Machine. Como foram essas experiências? Sigrún: Foram experiências muito importantes para mim e aprendi tantas coisas disso, tanto como artista quanto ser humano. Fiz turnês mundiais com esses artistas e como toda jornada, tem seus altos e baixos. Mas a coisa mais preciosa que tirei disso foi ver o quanto algo que você construiu pouco a pouco com paixão e alegria pela música pode crescer em um projeto enorme trazendo centenas de pessoas juntas para apreciá-lo. Se você pudesse escolher uma palavra para descrever a sua