Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Rebobinados entrevista: Vinícius Mendes do selo Pessoa que Voa

Por Tatyane Oliveira Essa semana rolou um bate papo com um dos idealizadores e representantes do selo paulista independente Pessoa Que Voa, o Vinícius Mendes. Cantor e compositor paulista, seus trabalhos são o EP Pyro (2015), os álbuns Home Is_____(2016) e Mercúrio (2017), e também o EP Cisma (2016) com LVCASU. O selo, formado no início deste ano, já produziu shows com Jair Naves, Vitor Brauer e Jonanathan Tadeu além das bandas do casting que são: Calvin Voichicoski, eliminadorzinho, LVCASU, Marchioretto, Quasar, Theuzitz e Vinicius Mendes. Os próximos lançamentos do selo são, respectivamente, no dia 12 e 26 desse mês os discos da Quasar – Coruja e Eliminadorzinho – Aniquiladorzinho. Fiquem ligados! 1) Por que vocês criaram o selo? E vocês planejaram que ele estaria como está hoje ou a vida tomou outro rumo? Acho que a Pessoa que Voa veio de uma vontade nossa de cuidar das nossas coisas de uma maneira mais eficaz e prática, de ajudar nossas amigas e amigos a gravar e divulgar, e de organizar nossos eventos nos lugares que queríamos, tudo sem tanto telefone sem fio. Hoje funcionamos de uma maneira bem horizontal, todos se ajudam e dão opinião nas primeiras mix das músicas, na arte dos discos, e em questões do selo em si. Antes era só eu, o Lucas, o Theuzitz e o Nickolas, agora temos a ajuda do Guilherme França e de todos os artistas do nosso casting. Acho que isso é uma parte muito importante do que somos. 2) Qual o maior perrengue que vocês já passaram e o que deixa vocês mais felizes nessa vida de artista? Em relação ao selo, acho que organizar um evento é um perrengue em si, porque sempre alguma coisa dá errada e só se resolve nos momentos finais, mas acho que estamos aprendendo a contornar esses problemas pouco a pouco. Não somos produtores culturais, então não temos toda a bagagem que um tem, mas a cada evento aprendemos um pouco. O que me deixa mais feliz como artista é receber uma mensagem de alguém dizendo o quanto certo álbum foi importante, que teve um impacto em sua vida, ou simplesmente conversar sobre de onde veio tal música. Isso me deixa muito realizado, e já me fez continuar diversas vezes. 3) O que vocês fazem para se sentirem inspirados? Não sei os outros meninos, mas eu gosto bastante de pesquisar sobre certo tema e criar um conceito em cima daquilo. “Mercúrio” todo foi escrito assim, em especial “Corpo Incorrupto”. Hoje tento escrever menos sobre a minha vida e mais sobre eu, como personagem, inserido num mundo. 4) Top 3 discos favoritos: “Sam’s Town”, The Killers “Ys”, Joanna Newsom “Blonde”, Frank Ocean 5) Quais são seus filmes preferidos? Então, não gosto muito de assistir filme nem série, mas entre meus favoritos estão “Cães de Aluguel”, “Filhos da Esperança” e qualquer um do Leslie Nielsen. 6) Quais os planos de lançamentos e shows desse ano que vocês podem revelar pra gente? Agora em setembro, vamos lançar o “Coruja” da Quasar (dia 12) e o “aniquiladorzinho” da eliminadorzinho (dia 26). Daqui pra frente tem o disco do Marchioretto, um EP de um artista novo, e uma novidade que estamos preparando todos juntos. Show vai ter de monte, sábado agora toco na Sensorial Discos e dia 16 tem eliminadorzinho com a In Venus, Enema Noise, Leianes e Victrre. Temos coisa agendada no nosso calendário até o ano que vem. 7) E o que vocês esperam pro selo daqui uns 5 anos? Esperamos estar ajudando ainda as pessoas que admiramos, mais do que conseguimos ajudar hoje. 8) Tem algum artista nacional que vocês admiram? Admiro muito o Santos. Gosto muito das composições dele, do jeito que ele fala muito com pouco, com uma coesão que eu sempre quis ter. Ele tem diversos projetos e caminha muito bem por todos eles. Quando fomos pro Rio, ele que nos convidou pra tocar na 57 Casa Aberta e foi muito bonito, conhecemos gente nova e nos sentimos em casa. 9) Qual o melhor show que vocês produziram até agora? Gostei muito do que fizemos com o Jair Naves, junto com o Theuzitz. Foram dois shows lindos, acho que todos precisam ver o Theuzitz ao vivo. O Jair tem uma presença, uma postura ao tocar que me deixou bobo por dias. 10) O que vocês acham que falta ou o que pode melhorar no rolê de músicas independentes do país? Acho que todos nós podemos ser mais profissionais e coordenados. Os selos, produtores, casas e bandas não se conversam o bastante, e coisas que deviam ser simples acabam se complicando. Tem dia que tem show de três bandas importantes do independente nacional num raio de 20 quilômetros. Um engole o outro sem nem perceber. NOS LINKS ABAIXO VOCÊ PODE ENCONTRAR MAIS SOBRE O SELO: Bandcamp | Facebook | Youtube E pra quem gosta de playlist, aqui vai uma que fiz com algumas músicas disponíveis no spotify:    

Do black metal ao pop gótico eletrônico, conheça a cena musical da Islândia

A Islândia é um país localizado no Oceano Atlântico Norte e possui cerca de 320 mil habitantes. É conhecida por suas paisagens espetaculares, mas também por sua música e culinária um tanto excêntrica. Alguns fatos curiosos sobre o país é a inexistência de florestas. A Islândia abriga campos vastos, montanhas, vulcões e glaciares que farão você se sentir em outro planeta. Estão também entre os dez países com maior porcentagem de ateus no mundo. Quando pensamos em música + Islândia o que vem à cabeça? Björk? Sigur rós? Of Monsters and Men? Sim, mas existem muitos outros artistas/bandas que estão ganhando espaço fora do país. Conheça alguns deles, do Black metal passando pelo rock gótico e pop eletrônico. Samaris (Triphop/eletrônica) Samaris é um trio composto por Áslaug Rún Magnúsdóttir (clarinete), Jófríður Ákadóttir (vocal) e Þórður Kári Steinþórsson (sintetizador), começaram suas atividades em 2011, as músicas são bem atmosféricas e passeiam pelo trip hop e música eletrônica. Até o momento a banda lançou três Ep’s e três discos de estúdio, sendo o mais atual intitulado Black Lights, lançado em 2016. Misþyrming (Black metal) Relativamente novos na cena do metal islandês, a banda foi formada em 2013, o primeiro disco Söngvar elds og óreiðu (em português: Canções do fogo e caos) foi lançado em 2015, neste ano lançaram um split chamada Hof com o Sinmara. Como é possível assistir no vídeo acima, não foi nada tão chocante para a população assistir uma banda de black metal tocando em plena cidade. Singapore Sling (Rock Psicodélico) Banda surgiu em 2000 em Reykjavík, tocaram no famoso festival Iceland Airwaves e conseguiram contrato com a gravadora Hitt Records, já lançaram nove discos de estúdio, a sonoridade cheia de guitarras barulhentas e psicodelia nos faz lembrar bastante os ingleses do The Jesus And Mary Chain, eu diria que eles são o JAMC da Islândia. Rökkurró (Indie/experimental) Uma das bandas mais conhecidas e que já fez carreira internacional, surgiram em 2006, são três discos de estúdio lançados, Það kólnar í kvöld… (2007), Í Annan Heim (2010) e Innra (2014), as músicas tem influencia de post-rock, música eletrônica e folk, a banda está sumida tem um tempinho, não fazem shows desde 2015, contudo seus membros tem alguns projetos paralelos. Sólstafir (Black metal/atmosférico) Formado por três amigos na cidade de Reykjavík em 1995, o Sólstafir é uma das bandas que vem ganhando cada vez mais reconhecimento na cena metal. A sonoridade é uma mistura de black metal, metal progressivo e post-rock, já lançaram seis discos de estúdio, sendo que estão promovendo o sexto e novo intitulado Berdreyminn, a banda toca pela primeira vez no Brasil no dia 16/09 em São Paulo no Overload Music Fest. Pascal Pinon (Folk/eletrônica) Duo folk das irmãs Jófríður e Ásthildur Ákadóttir formado na cidade de Reykjavík em 2009, na bagagem trazem os três discos Pascal Pinon (2009), Twosomeness (2013) e Sundur (2016). A sonoridade leve e delicada das músicas é a trilha perfeita para um dia ensolarado no parque ou de frente pro mar. GusGus (Eletropop) GusGus é um projeto de música eletrônica que surgiu em meados de 1995, depois de diversas trocas de line-up, o formação atual conta com Daníel Ágúst Haraldsson, Högni Egilsson e Birgir Þórarinsson. A banda está se preparando para lançar seu décimo disco de estúdio Lies Are More Flexible. Kælan Mikla (Darkwave/synthpop) Kælan Mikla é um trio de mulheres formado em 2013 na cidade de Reykjavík, interessante citar que elas trazem algo novo para a cena, afinal esse é um tipo de música não muito explorado no país, a sonoridade é totalmente influenciada pelo darkwave e synthpop dos anos 80 e aos poucos vem ganhando um bom reconhecimento. Neste ano irão lançar seu primeiro disco. Oyama (Shoegaze/dream pop) Uma grata surpresa, o Oyama é uma banda formada em 2013 e faz um som com riffs melódicos e sonhadores, junto de passagens mais barulhentas e psicodélicas. Em sua discografia dois lançamentos, I Wanna (2013) e o mais recente Coolboy (2014). Uma banda nova e com poucos lançamentos mas que tem tudo para ganhar mais reconhecimento na cena indie/shoegaze. ONI (Stoner/sludge metal) Para finalizar, outra bela surpresa, pois esse também é um estilo pouco explorado na cena musical da Islândia. A banda foi formada em 2010 por Róbert Þór Guðmundsson (vocal), Daníel Magnús (guitarra), Þorsteinn Árnason (baixo, vocal) e Brynjar Örn Rúnarsson (bateria) e possuem apenas um disco lançado em 2014 chamado Misadventures, a sonoridade remete a nomes como Stoned Jesus e Radio Moscow. Siga os artistas da Islândia nas redes sociais: SamarisMisþyrmingSingapore SlingRökkurróSólstafirPascal PinonGusGusKælan MiklaOyamaONI

15 bandas nacionais de shoegaze que você precisa conhecer

O shoegaze está de volta! E por isso, achamos que você deveria conhecer as bandas brasileiras do estilo, então separamos 15 nomes nacionais do gênero que você precisa ouvir. O shoegaze teve sua origem no fim dos anos 80, com bandas como The Jesus And Mary Chain, Cocteau Twins e My Bloody Valentine. Sua sonoridade, com guitarras cheias de reverb, delay e distorções criavam uma estética nostálgica, sonhadora e barulhenta, algo não muito explorado ainda no rock. No começo dos anos 90 o gênero ainda estava em seu auge, trouxe nomes como Slowdive, Chapterhouse, Ride e Lush. Porém, como nem tudo são flores, seu fim foi precoce, e ainda na metade dos anos 90, devido a ascensão do grunge e do britpop. Aqui no Brasil muitas bandas surgiram também, desde os anos 90, como Low Dream, Old Magic Pallas e Brincando de Deus. Hoje temos vários nomes mais atuais que incorporam elementos desse som em suas músicas. O shoegaze parece estar voltando ao seu auge, mesmo depois de quase 20 anos meio esquecido. Abaixo separamos 15 nomes do shoegaze nacional, entre bandas mais antigas e também da atualidade, cada uma com sua particularidade. Vale a pena conferir! JUSTINE NEVER KNEW THE RULES Banda de Sorocaba/SP formada em 2013, tem um EP e um disco de estúdio lançado em 2016 intitulado Overseas. Em 2017 lançaram um novo single chamado Polar Bear (Hibernation Song). Já participaram de diversos festivais importantes como por exemplo o Circadélica, Bananada e Dia da música. Facebook oficial | Bandcamp | Youtube MEDIALUNAS Medialunas é um duo do Rio Grande do Sul formado em 2011 por Andrio Maquenzi (Superguidis, Urso e Worldengine) e Liege Milk (Hangovers e Loomer). Lançaram seu primeiro disco chamado Intropologia em 2012, já tocaram em todo o Brasil e foram responsáveis por abrir o show do Swervedriver em São Paulo, famosa banda britânica de shoegaze. Facebook oficial | Bandcamp | Youtube WRY Wry é uma banda de Sorocaba/SP formada em 1994, são os expoentes do shoegaze nacional. Depois de algum tempo no Brasil, eles embarcaram para a Inglaterra e ficaram por lá durante 7 anos. Na bagagem trazem quatro discos de estúdio, sendo o mais recente intitulado She Science lançado em 2009. Atualmente o grupo está trabalhando em um novo single chamado She’s Falling que vai entrar no novo disco que será lançado em breve. Facebook oficial | Bandcamp | Youtube LOOMER Banda de Porto Alegre formada em 2008 por Richard (guitarra), Guilherme (bateria), Stefano (guitarra, vocal) e Fernanda (baixo, vocal). Possuem dois EP’s e um disco de estúdio You Wouldn’t Anyway lançado em 2009, atualmente estão preparando disco novo ainda sem data de lançamento prevista. Facebook oficial | Bandcamp | Youtube LOW DREAM Uma das bandas mais antigas do shoegaze nacional, formada em 1991 em Brasília. Lançaram dois discos de estúdio, Between My Dreams and Real Things (1993) e Reaching For Balloons (1996), foram considerados a banda favorita de Renato Russo, líder do Legião Urbana. Recentemente se reuniram para alguns shows, também re-lançaram seus discos nas plataformas digitais. Facebook oficial | Soundcloud | Youtube THIS LONELY CROWD Banda de Curitiba formada em 2009, os membros se apresentam com nomes de personagens de contos de fada, Hurleburlebutz (guitarra), Bonijov (guitarra), King Trushbeard (bateria), Rainha Branca (baixo) e Hamelen (guitarra). A sonoridade traz fortes influências do shoegaze e atualmente até do heavy metal. É a banda do gênero com mais material lançado, dentre seus trabalhos estão alguns discos como Acta Obscura (2018), This Lonely Crowd (2017), Meraki (2015), Möbius and the Healing Process (2014). As letras são totalmente influenciadas por contos dos irmãos Grimm e também já trabalharam com o produtor da banda Deafheaven. Facebook oficial | Bandcamp | Youtube BRINCANDO DE DEUS Banda baiana formada no início dos anos 90 e composta por Messias Bandeira (vocal), Dalmo Serravalle (baixo), Marcus Serravalle (bateria) e Cézar Vieira (guitarra). Lançaram três discos de estúdio entre eles também um bootleg e um single: Better When You Love (Me) (1994), Berlinda (1999), Running Live on Your Mind (1997), Brincando de Deus (2000) e No Hay Banda (2004). Facebook oficial | Soundcloud | Youtube OLD MAGIC PALLAS Banda de São Paulo formada em 1994 por Osmar Buono (guitarra), Chris Munin (vocal), Marco Vianna (baixo), Marcelo Shida (bateria) e Fernando Britto (guitarra). Foram lançadas a demo Pull My Daisy e a coletânea Old Moon Whale, porém quando a banda estava trabalhando no primeiro disco, encerraram suas atividades, em 2008 retornaram aos palcos e fizeram alguns shows. Facebook oficial | Bandcamp | Youtube TERRAPLANA Banda de Curitiba-PR formada em 2017 por Vinícius Lourenço (guitarra e voz), Stephani Heuczuk (baixo e voz),  Cassiano Kruchelski (guitarra e voz) e Wendeu Silverio (bateria). A banda tem influências da música alternativa, dream pop, indie, noise e post rock . Um dos grandes nomes do shoegaze nacional atual, seu único EP Exilio (2017) é celebrado pelos fãs, e o lançamento de seu álbum completo ainda em 2021 é aguardado ansiosamente. Facebook oficial | Bandcamp | Site WINTERYARD Winteryard é uma dupla formada em meados de 2012 em São Paulo por Priscila Castro (guitarra, vocal) e Brunella Martina (guitarra, baixo), nesse meio tempo já lançaram dois EP’s, The Place Where I’ve Been Before e o atual Endless Winter, a sonoridade mistura indie rock e shoegaze, com claras influencias de artistas como PJ Harvey, 2:54 e Warpaint. Facebook oficial | Soundcloud | Youtube GORDURATRANS A dupla carioca Gorduratrans surgiu em 2015 formada por Felipe Aguiar (guitarra, vocal) e Luiz Felipe Marinho (bateria). O primeiro disco Repertório Infindável de Dolorosas Piadas (2015) totalmente gravado no quarto obtive sucesso suficiente para ganhar uma grana para as gravações do sucessor Paroxismos (2017) que vem sendo promovido atualmente. A sonoridade tem influencias de noise rock, shoegaze e letras profundas sobre os sentimentos humanos e o vazio. O próximo álbum de estúdio é aguardado ansiosamente pelos fãs da banda. Facebook oficial | Bandcamp | Youtube OXY Direto de Brasília, o berço do rock, o Oxy é formado por Sara Cândido e Blandu Correa em 2015, a sonoridade tem influências de shoegaze, dreampop e psicodelia, o

Labirinto @ Sesc Consolação

 Labirinto é uma banda que pode ter seu gênero definido como post-rock/post-metal/experimental/ambient, som torto ou até mesmo o famoso pagode de islandês. A verdade é que o som não pode ser definido como uma coisa só, mas talvez possa sim ser definido com apenas uma palavra: Incrível! É meu quarto show deles. Já os vi no Overload Music Fest de 2016, no Sesc Belenzinho, no CSSP e agora no Sesc Consolação. Já sei qual a sequência de músicas, mas mesmo que o setlist fosse o mesmo por mais algumas dezenas de vezes, eu não me cansaria. É uma banda extremamente profissional, faz sua performance espetacular, com um poder de deixar qualquer um catatônico. Um som forte e poderoso que certamente surpreende os marinheiros de primeira viagem e encanta aqueles que já seguem a banda há algum tempo. Não é à toa que a banda voltou em junho de uma turnê na Europa que ajudou a consolidar seu nome na terra do metal. Além já ter dividido o palco com nomes como God is an Astronaut, MONO, Alcest, Year of no Light, Stephen O’Malley, Mouse on the Keys e The Ocean. E ontem não foi diferente, em um palco muito bonito, sem as habituais projeções de acordo com cada música, Labirinto esquentou nossos corações em uma noite geladíssima. No último show, no CSSP, a banda conseguiu maravilhar até mesmo aqueles que passavam e olhavam pelos vidros ao redor da sala Adoniran Barbosa. E no Sesc Consolação a plateia queria assobiar e bater palmas em todos os momentos possíveis. Uma noite em que o recém-chegado percussionista Lucas Melo brilhou juntamente com a sempre incrível Muriel Curi. O inegável peso da bateria que faz qualquer teatro tremer e deixa a todos boquiabertos. O próprio Erick nos contou na entrevista depois do show que já ouviu comentários como “ela toca bem né”. Não. A Muriel não toca bem, ela toca extremamente e incrivelmente bem. Ela pertence ao hall dos musicistas mais talentosos que eu já tive o prazer de ver. Conduz a banda com maestria e reafirma que lugar de mulher é na música e onde mais ela quiser. Além do incrível trio, e às vezes quarteto de cordas com o guitarrista Erick Cruxen, o guitarrista Kiko Bueno e o baixista Hristos Eleutério, temos Luis Naressi no sintetizador, guitarra e misterioso sino tibetano. A banda vem para afirmar seu lugar de direito entre as bandas mais célebres da cena instrumental. A banda sempre nos lembra que seu intuito não é apenas tocar. Altamente influenciada pelo movimento do hardcore presente na adolescência de todos os membros, ela quer passar uma mensagem, nos faz pensar em todo o cenário político e social atual, nos lembra da história do Brasil, de tudo que passamos e de que iremos passar. E isso somente prevê que iremos ouvir muitas e muitas coisas boas sobre essa banda excelente. Muito sucesso e vida longa, camaradas! Clique aqui para assistir o vídeo da música Enoch, que está no recente disco Gehenna lançado pela banda. Setlist:

A ressureição de Alice Glass em seu primeiro disco solo

E foi de repente, na sexta-feira dia 18/08 que Alice Glass (ex-Crystal Castles) veio às redes sociais apresentar seu novo trabalho. O EP auto intitulado contendo seis faixas, foi produzido por Jupiter Keyes (ex-Health) e lançado pelo selo Loma. O disco inicia com a faixa ‘Without Love‘, primeira música de trabalho que já tem vídeo clipe. A sonoridade traz batidas com uma pegada trap enquanto os vocais de Alice seguem uma linha mais melódica. Em seguida, ‘Forgiveness‘, uma música agitada e com uma pegada mais eletrônica, lembrando algo do EBM dos anos 90. Os vocais sem tantos efeitos, mostram uma performance mais sóbria, algo que era quase impossível nas músicas do Crystal Castles. Já a terceira faixa ‘Natural Selection’ é mais experimental, com sons mais dark apocalípticos e letras provocativas, como no refrão ”get the fuck out of me…” entoado em um vocal meio robótico e cheio de efeitos, o que chega a ser um pouco bizarro. ‘White Lies’ é a quarta faixa e com certeza uma das melhores do EP. Inevitável não comparar as batidas da música com as da banda Purity Ring ou os vocais mais freaks com as de Grime. O refrão segue uma bela performance de Alice. Afinal, é muito bom ver o que ela tem para mostrar por trás de tantas camadas barulhentas, assim como era em sua antiga banda. O disco segue com ‘Blood Oath‘ que lembra bastante a sua fase antiga, mostra um som mais poptron 8-bite bem agitado. ‘The Altar’ é a sexta faixa e fecha o disco, a voz doce de Alice canta sobre um som ambiente quase imperceptível que dura cerca de 2:38. Concluindo, quando a primeira música de trabalho saiu, a barulhenta ‘Stillborn‘, não havia como prever o que poderia vir pela frente. Acontece que a sonoridade de algumas músicas no EP ainda remetem muito ao Health, ex banda de seu namorado, o produtor Jupiter Keyes. Embora Alice faça um bom trabalho em alguma faixas, parece ainda não ser o bastante. Acredito que ainda há muito ainda a ser explorado tanto em sua voz quanto nas composições. Escute o disco aqui:

Wry e Lava Divers @ CCSP – Centro Cultural São Paulo

Nos últimos anos o CCSP – Centro Cultural de São Paulo tem trazido vários artistas da cena independente brasileira para tocar na Sala Adoniran Barbosa. Todos os artistas que tocaram lá elogiaram bastante a sala, a acústica, o som, o planejamento da casa. E ultimamente tem ocorrido vários shows gratuitos, é uma iniciativa muito bacana, que proporciona conhecer várias bandas de estilos diferentes de vários lugares do país. E não foi diferente no último sábado, 05/08/17, onde tivemos o show da Lava Divers e Wry. Lava Divers É uma banda mineira de shoegaze que eu já ansiava por ver há um tempinho, e esse show para a divulgação do novo álbum, Plush, lançado no finalzinho de julho, foi a oportunidade perfeita. À primeira vista a banda já encanta com a decoração do palco que remete a capa do disco, com vários bichinhos de pelúcia espalhados. E depois pelo carisma de seus integrantes, especialmente a baterista/vocalista Ana Zumpano, que com todo seu talento e maestria conduz o espetáculo sempre sorrindo. A presença de musicistas mulheres dá um novo ar refrescante a este nicho com predominância masculina, além de ser um incentivo a dezenas de garotas por aí que anseiam estar em cima do palco também. Lava Divers promete um show animado, que se contrapõe a postura um tanto melancólica comum em shows do gênero. Uma surpresa excelente e cativante devido aos elementos grunges que o Plush incorpora e que faz um som extremamente agradável. Creio que vários ali estavam ouvindo o disco pela primeira vez e se impressionaram com a qualidade do som. Espero que Lava Divers ganhe cada dia mais espaço na cena independente, um belíssimo show que eu com certeza veria mais vezes. Setlist: 1. I Feel You2. Tearsfall3. Love Is4. Inside His Eyes5. Eddie Shumway Is Dead6. Hash & Weed7. Natural Born Liar8. Great Mistake9. Forbidden Steps On Hearts10. On A Flag Hill Wry Depois da bela apresentação do Lava Divers, foi a vez do Wry, banda de Sorocaba, grande expoente do shoegaze nacional, formada em 1993 que conta com: Mário Bross (vocal e guitarra), Lu Marcelo (guitarra), William Leonotti (baixo) e Renato Bizar (bateria). Logo cedo sempre foram bem reconhecidos no Brasil, mas assim que surgiu a oportunidade de vazar para a gringa eles aproveitaram e viveram alguns anos na conexão Brasil/Inglaterra, o que rendeu mais visibilidade e maturidade em suas composições, até agora foram lançados quatro discos de estúdio. Sendo o primeiro lançado em 1998 intitulado ‘’Direct’’ e o mais atual lançado em 2009 ‘’She Science’’, após sete anos vivendo na Inglaterra a banda volta ao Brasil e excursiona em algumas cidades, em 2010 chegaram a encerrar as atividades, mas felizmente retornaram e com material novo. Foi com uma das mais conhecidas da carreira, ‘’Deeper Within a Dream’’ que iniciam o show, o som e a iluminação estavam perfeitos para o clima, o público que se acomodava nas cadeiras estava hipnotizado pela vibe de cada música, o set foi curto mas contou com músicas de quase todos os discos. Inclusive duas músicas novas ”She’s Falling” e ”Life is Like a Dream” que devem entrar no próximo disco de estúdio, a apresentação durou cerca de quarenta minutos e só firmou que o Wry deixa muita banda, mas muita mesmo no chinelo, desde o profissionalismo ao cuidado em apresentar músicas sinceras e tão bem feitas, cheias de passagens sonoras, nostálgicas ou em alguns momentos ‘’mais agressivas’’, assim que posso resumir essa bela apresentação, espero vê-los o mais rápido possível. Setlist: Quer saber mais sobre as bandas? Acesse as redes sociais: https://www.facebook.com/lavadivers/ https://www.facebook.com/WRYMUSIC/

Rebobinados | Falando sobre música alternativa desde 2017.