Killing Joke comemora 40 anos de carreira em São Paulo com show cheio e pesado

O Killing Joke surgiu em 1978, na cidade de Londres, Reino Unido. Emergindo da cena pós-punk inglesa ao lado de nomes como Joy Division, The Fall e Bauhaus. Mesmo com uma história turbulenta envolvendo altos e baixos, um hiato e troca de line-up, são responsáveis por grandes hits como Love Like Blood, Eighties e Wardance. No total são quinze discos lançados, uma sonoridade que partiu de um pós-punk dançante em seu debut Killing Joke (1980) ao metal industrial no disco do mesmo título, mas lançado em 2003. As letras, em grande maioria de cunho político e as performances pesadas e explosivas mantiveram a banda muito ativa nos últimos anos. Em 2018 completaram 40 anos de carreira e nada melhor do que uma turnê mundial para comemorar, dessa vez, o Brasil foi rota e o show aconteceu no último domingo (23/09) no Carioca Clube Pinheiros realizado pela EV7 Live. Com poucos minutos de atraso, a banda entrou no palco com a casa cheia e sem delongas iniciaram com o maior hit da carreira, o clássico das pistas de dança dos clubes góticos do mundo todo Love Like Blood. O público correspondeu calorosamente cantando o refrão em alto e bom som. Em seguida, músicas dos discos mais recentes, a dançante e pesada European Super State e Autonomous Zone. Para esses shows eles montaram um setlist especial com músicas de toda a carreira, a também clássica Eighties do disco Night Time agitou bem o público, tiveram também New Cold War, onde Jaz Coleman fez um breve comentário sobre a situação política no Brasil. Ainda tiveram as ótimas Requiem, Follow the Leaders, Bloodsport, Butcher e a pesada Loose Cannon. Nesse momento, o público que estava mais concentrado na performance da banda, e diga-se de passagem que é ótima ao vivo, foi se agitando mais, Jaz Coleman é uma figura e faz caras e bocas a todo momento, sua performance teatral é um dos pontos fortes do Killing Joke. A apresentação prosseguiu com Labyrinth, emendando com Corporate Elect, faixa do disco MMXII e Asteroid que esquentaram ainda mais o set, sinal de que os fãs gostam também dessa fase atual e pesada que eles vem fazendo em seus últimos discos. A antiga The Wait trouxe um feeling nostálgico das eras passadas e junto com Psyche fecharam a primeira parte do set, os integrantes deixaram o palco para um pequeno descanso, enquanto isso o público pediu biss e ovacionou com palmas. Aos poucos todos voltaram ao palco, empunharam seus instrumentos e continuaram com Primitive e Wardance, faixas do primeiro disco. E pra fechar com grandeza, apresentaram Pandemonium, do disco de mesmo título, que naquela época foi considerado pela banda o último de sua carreira. Coleman e sua trupe se despediram do público agradecendo a presença de cada um e aparentemente bem felizes e animados com o calor dos fãs. Esse show foi um sonho realizado para muitos que estavam ali, pois o Killing Joke é com certeza uma das bandas mais importantes do gênero. Setlist:Love Like BloodEuropean Super StateAutonomous ZoneEightiesNew Cold WarRequiemFollow the LeadersBloodsportButcherLoose CannonLabyrinthCorporate ElectAsteroidThe WaitPssyche Encore:PrimitiveWardancePandemonium Siga o Killing Joke nas redes sociais: Facebook |Site | Instagram Agradecimentos a produtora EV7 Live pelo credenciamento e ótima produção do show.
Peter Murphy apresentará In the Flat Field em São Paulo na íntegra para comemorar os 40 anos do Bauhaus

I get bored, I do get bored, In the flat field…” vociferava Peter Murphy no refrão da música In the Flat Field, faixa título do primeiro disco lançado em 3 de novembro de 1980 pela 4AD e produzido pela própria banda. As gravações aconteceram em um estúdio em Londres, no período de dezembro de 1979 a julho de 1980, depois de uma turnê considerada até longa, com 30 shows para promover o single Bela Lugosi’s Dead. Duas grandes influências para a música do Bauhaus foram sem dúvida David Bowie e Iggy Pop, citadas pelo próprio Peter Murphy, aliás a versão bônus conta com um cover maravilhoso de Ziggy Stardust. A banda tinha a criatividade e o controle que precisavam, por esse motivo decidiram eles mesmos produzirem o álbum, de músicas com atmosfera dark e experimentações que flertavam com pianos, sax e alguns efeitos de sintetizadores. Assim que saiu, o disco foi muito bem aceito pelos fanzines e público, mas por outro lado foi bem criticado pela mídia inglesa, algumas descreviam o disco como ”sombrio, de sentimentos incertos…”, talvez ele fosse atemporal demais para a época, quatro rapazes vestidos de preto, com guitarras barulhentas e baterias frenéticas, performances teatrais ao vivo, referências a clássicos do cinema e da literatura, como O Gabinete do Dr. Caligari, Nosferatu e Drácula. A famosa capa que mostra uma pintura em preto e branco de um homem nu em um quarto vazio, foi escolhida pelo próprio Peter ao folhar uma revista de filmes de Hollywood, a contra capa é a imagem do personagem O Sonâmbulo, do filme O Gabinete do Dr. Caligari. A versão oficial em vinil conta com nove faixas, mais tarde foram lançadas versões em CD e com faixas bônus. A última vez que Peter Murphy esteve no Brasil foi em 2014 apresentando a turnê de seu disco solo mais recente Lion, agora ele volta para comemorar os 40 anos de sua ex-banda, e melhor do que a última vez, com o clássico In the Flat Field na íntegra além de outros hits e quer notícia melhor? Com a participação de ninguém menos que David J, baixista original da banda, ou seja, teremos 2/4 do Bauhaus em terras brasileiras, vai perder? SERVIÇO – Peter Murphy no Brasil Data: 7 de outubro de 2018 (domingo)Local: Carioca Club – Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros, São Paulo (SP)Abertura da casa: 18h00Horário do show: 20h00 Ingressos:– Pista 1º Lote: R$ 200 (inteira) / R$ 100 (meia-entrada)– Pista 2º Lote: R$ 220 (inteira) / R$ 110 (meia-entrada)– Pista 3º Lote: R$ 240 (inteira) / R$ 120 (meia-entrada)– Mezanino: R$ 340 (inteira) / R$ 170 (meia-entrada) Vendas: Clube do IngressoClassificação etária: 18 anosRealização: Free Pass Entretenimento
Adorável Clichê traz letras profundas e boas doses de shoegaze e rock alternativo em seu primeiro disco

Formada em Blumenau, Santa Catarina em meados de 2013, o quarteto Adorável Clichê é composto por Marlon Lopes (guitarra), Gabrielle Phillipi (vocal), Lucas Toledo (baixo) e Diogo Leal (bateria), a primeira música da banda, a faixa Eu Invisível, foi lançada em 2015, seguida pelo primeiro EP São Tantos Anos Sem Dizer, contendo cinco músicas gravadas de forma totalmente independente. Durante os anos seguintes a banda foi amadurecendo e também se preparando para um próximo disco, que veio a calhar em 2018 com o lançamento de O que existe dentro de mim, lançado pela Nuzzy Records e com nove músicas cheias de letras pessoais, que soam como um diário aberto, sobre ansiedade, frustrações e situações da vida cotidiana. O álbum já pode ser considerado um dos melhores lançamentos dentro do rock independente nacional, com uma sonoridade feita na medida certa. De guitarras barulhentas a momentos nostálgicos e melódicos, e letras todas cantadas em português que criam um afeto com o ouvinte, um sentimento de compreensão e de compartilhar de vários sentimentos turbulentos. As gravações foram realizadas no quarto do guitarrista Marlon Lopes, e todas as composições feitas da forma mais sincera e orgânica possível. Nós tivemos o prazer de conversar com Lucas e Marlon que nos responderam algumas perguntas sobre o processo de composição, as gravações e os planos futuros da banda. A banda Adorável Clichê foi formada em 2013, vocês estão prestes a completar cinco anos, como avaliam esse período? Marlon: Foi um período de aprendizado e transformação. A banda que se formou em 2013 não existe mais, ao menos pra mim. Tudo tá muito diferente daquela época. A gente era bem novo e meio descompromissado. Se a gente tivesse fundado outra banda em 2015 e contado as coisas a partir daí teria sido mais justo com o som que fazemos hoje. Enfim, somos uma banda que ficou muito tempo sem lançar nada. Como você pode bem ver, fora gravações ao vivo em estúdio, nosso primeiro EP de verdade só saiu em 2016. O primeiro single pensado só no final de 2015, que é pra mim o marco inicial de uma consciência acerca do nosso role e o que nós queríamos com isso. Vocês trabalharam mais de um ano nas músicas do primeiro disco, como foi o processo como um todo? Marlon: Foi um processo sem muita pressão. Queríamos fazer algo bom e pronto. Apenas no final rolou um correzinho pro disco finalmente sair, mas acredito que fizemos tudo bem pensado. Compomos várias músicas nos ensaios, mas todas elas passaram por um processo de pós-produção no qual adicionamos sintetizadores, backing vocals, outras linhas de guitarra, etc. Lucas: Complexo e simples ao mesmo tempo, as composições das músicas surgiam namaioria das vezes nos ensaios com a Gabrielle (vocalista) fazendo as letras na hora seguindo o instrumental ou vice-versa. De forma natural e sincera. Já as gravações feitas tudo no quarto do Marlon (guitarrista) foi o processo mais demorado e complicado para chegarmos num resultado que nos agradasse! Se pudessem resumir o disco da Adorável Clichê em uma só palavra, qual seria? Marlon: Sinceridade. Cantar em português geralmente traz uma sensação maior de exposição, mas ao mesmo tempo traz uma identidade mais forte e também uma conexão com o ouvinte, qual a opinião de vocês sobre isso? Marlon: Concordo com a exposição, ainda mais por serem letras muito íntimas. A conexão é inevitável, ao meu ver, quando você realiza um trabalho honesto como o nosso. Lucas: Ao meu ver, cantar e, principalmente, compor em português é mais complicado do que em inglês. As letras da Gabrielle conseguem passar de maneira mais verdadeira os sentimentos ainda mais por ser em português. É ela cantando ali como fala no dia a dia. O Que Existe Dentro de Mim revela muito sobre sentimentos, isso é bem transmitido nas letras e sonoridade, como foi a escolha do título? Marlon: Além de ser uma continuação do título do EP “São Tantos Anos Sem Dizer”, o título do álbum resume o que se encontra no seu conteúdo. São canções íntimas, emocionais, de coisas que muitas vezes não deixamos transparecer pela rotina ser rodeada de relações superficiais em que se não se sente à vontade de se expor. Vocês pensam em gravar um vídeo clipe para alguma música? Lucas: Já gravamos, porém não curtimos os resultados, agora queremos fazer pelo menos algum que podemos dizer: “Agora sim! Isso tá digno de ser nosso clipe.” Se vocês pudessem escolher uma música do disco para fazer parte da trilha sonora de um filme, qual seria ambos e por quê? Marlon: Acho que “Traços” é a música com mais cara de trilha sonora de filme. A letra e o arranjam casam tão bem que muito combinaria Lucas: Acredito que todas têm potencial para fazer parte de um filme, depende do tema do filme, qual momento do filme e da música. Eu gosto muito de “Poluição”, o instrumental e a letra são boas para se encaixar em vários momentos diferentes. Qual a opinião da banda sobre o cenário atual da música brasileira? Marlon: Acho que o cenário nacional vive um grande momento em praticamente todos os estilos. Tem muita banda boa rolando aí. As que eu citaria seriam terraplana, Terno Rei, Raça, Between Summers, Wolken, Fevereiro da Silva, Carmen e Céu de Vênus. Agora com o disco lançado, o que planejam pela frente? Marlon: Particularmente adoraria tocar o máximo possível em festivais. Acho que esse seria um grande passo pra banda profissionalmente. Esperamos agora lançar clipes e live sessions. Enfim, quem sabe até um EP novo ano que vem, veremos! Muito obrigado pelas respostas, deixem uma mensagem final. Lucas: O que me resta pra dizer é agradecer todas essas pessoas maravilhosas que estão dando tantas respostas positivas e acreditando no potencial do álbum e da banda. Pra quem ainda não ouviu o álbum, escute e chore, compartilhe e faça os outros chorarem também. Abraços! Siga a banda Adorável Clichê nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Youtube Escute o disco O que existe dentro
Duo de pós punk The Lautreamonts lança seu primeiro EP Who Are You Wearing

O duo carioca The Lautreamonts é formado por Martha F. e Hudson, o nome é inspirado pelo escritor francês Conde de Lautreamont (Isidore Lucien Ducasse) considerado um dos percussores do surrealismo. Who Are You Wearing é o primeiro EP da banda, com cinco faixas produzidas em um home estúdio e lançadas pelo selo Efusiva. O título do disco é uma menção a uma pergunta feita frequentemente no tapete vermelho aos famosos para saber de qual estilista é a roupa que estão usando. Pensando nisso, a banda questiona o modo como vivemos e quem realmente somos, essas questões reflexivas são o tema principal das músicas do disco. A sonoridade, mesmo que classificada como pós-punk, passeia e mergulha por vários estilos e experimentações possíveis, trazendo algo exótico e fora da caixinha, com influências que vão desde a música árabe, passando pelo dreampop, eletrônico e psicodelia. É uma ótima pedida para quem gosta de ouvir algo fora do tradicional, ficou curioso? Então aproveita pra escutar o EP na íntegra no link abaixo e não se esqueça de acompanhar a banda pelas redes sociais. Siga o The Lautreamonts nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Youtube
The Daysleepers: Jeff Kandefer sobre o hiato de dez anos, suas inspirações e o novo disco

O The Daysleepers foi formado em 2004, na cidade de Bufalo em Nova Iorque. No ano de 2006 foram lançados dois EP’s, Hide Your Eyes e The Soft Attack. Apenas em 2008 saiu o primeiro disco de estúdio Drowned in the Sea of Sounds. O trabalho trouxe influências de bandas como The Cure, Slowdive e Cocteau Twins. Eles já foram comparados com grandes nomes do gênero, mas eis que ainda cedo entraram em um hiato de dez anos sem lançar nada. Foi aí, que em 2014 presentearam os fãs com a nova Dream Within A Dreamworld, música que mostrou uma sonoridade mais ampla, explorando um lado mais pop e eletrônico. Em seguida, também fizeram um cover maravilhoso para There Is A Light That Never Goes Out dos Smiths, que ganhou o coração até de quem não era fã da banda. Porém, apenas em 2017 que as preces de seus adoradores foram atendidas e algumas músicas novas surgiram nas plataformas digitais. Sundiver e Foreverpeople vieram com a promessa de um novo disco de inéditas para 2018. Eis que agora temos capa, tracklist e título. O segundo disco de estúdio tem 9 faixas e se chama Creation, tem data de lançamento prevista para o dia 07 de setembro, e foi totalmente produzido por Jeff Kandefer em seu estúdio. É com muita felicidade que tivemos a honra de mandar algumas perguntas para o fundador da banda Jeff Kandefer sobre o início do The Daysleepers, a fase do hiato e as considerações sobre o novo disco que está por vir. Escute o novo disco Creation enquanto lê a entrevista: A banda foi formada em 2004, em Buffalo, Nova Iorque. Como vocês se conheceram? Nos conhecemos através de amigos em comum em nossa área. Eu sabia que Mario e Scott eram músicos super talentosos que tocavam em outras bandas, e quando descobri que gostávamos de músicas semelhantes eu pedi para que eles viessem até minha casa para fazermos uma jam session. Eu também sabia que Elizabeth, a irmã de Mario, era uma boa cantora e soaria bem em uma banda de shoegaze, então eu a convidei para participar e ela concordou. Todos nós nos conectamos imediatamente desde a primeira vez então decidimos continuar. Seu primeiro disco foi lançado há dez anos atrás, quais memórias vocês tem daquele tempo, das composições até as gravações? Foi um ótimo tempo! Todas aquelas músicas vieram juntas de forma tão orgânica. Eu também estava casado com Elizabeth em 2008, então aquele ano foi muito emocionante para mim. Todos aqueles sentimentos de amor e expressão artística estão todos envolvidos naquele álbum, então ele sempre será especial para mim.Nós gravamos ele no Watchmen Studios em uma semana. Foi uma tonelada de trabalho naquela quantidade de tempo, mas estávamos preparados e tudo funcionou muito bem no final. Estamos muito orgulhosos desse disco. A banda teve um hiato de dez anos, o que vocês tem feito durante esses anos? Realmente vivendo a vida. Muitas coisas mudaram para todos nós depois do disco Drowned in a Sea of Sound. Tentamos começar a produzir novo material várias vezes, mas as circunstâncias não eram justas para criarmos algo que estivesse á altura do nosso padrão. Não queríamos apenas repetir o último disco, mas não tínhamos certeza de onde queríamos ir ou de como fazer isso. Se nós apenas gravássemos um novo disco da mesma forma que fizemos com o primeiro e os Ep’s antes dele, senti que começaria a ficar repetitivo. Eu queria algo diferente para o próximo disco e eu queria que nós mesmos produzimos o novo material, mas eu ainda não tinha certeza de como fazer isso. No fim, eu consegui o equipamento que eu precisava para construir meu estúdio simples, mas poderoso. Isso abriu uma certa liberdade criativa que levou ao nosso novo disco Creation. Em 2014 vocês lançaram uma música nova chamada Dream Within A Dreamworld que soava mais cativante e pop do que suas músicas anteriores. Como foi a aceitação dos fãs e por quê ela não está no novo disco? Aquela música era para ser mesmo apenas um single. Estávamos experimentando gravar músicas da nossa forma e queríamos tentar algo diferente. Ela tem uma sonoridade bem new wave e anos 80 que amamos mas era muito diferente para nós. No que diz respeito aos fãs, eles ficaram muito felizes em ouvir novo material vindo de nós e muitas pessoas absolutamente amaram aquela música! Tivemos muitos comentários legais sobre ela e estações de rádio de shoegaze ainda continuam a tocando. Houve um pequeno grupo de fãs que não gostaram da mudança mas já esperávamos isso, mas não era pra ser uma mudança permanente em nossa sonoridade, apenas um experimento. Mais tarde decidimos que o The Daysleepers é, no fundo, uma banda de shoegaze/dreampop e se vamos nos distanciar muito daquele som seria melhor como um projeto diferente. Foi por isso que depois fizemos um grande mergulho de volta ao shoegaze com nossa faixa título Creation. Queríamos que os fãs soubessem que o novo disco seria um verdadeiro disco de shoegaze. O último ano foi muito produtivo para vocês, há quanto tempo estiveram trabalhando em Creation? Eu comecei a planejar e escrever o álbum seriamente no fim de 2016. Vocês tem planos de promover o disco novo com uma turnê? Isso seria ótimo, mas não é algo que possamos fazer com nossas circunstâncias. E também, somos artistas 100% independentes. Recebemos várias ofertas de gravadoras, algumas de selos que amamos, mas todos querem mais controle da música e royalties do que estaríamos dispostos a dar. Nós trabalhos muito duro nessa música. Quero a satisfação de saber que tudo o que lançamos retorne a nós como criadores dessa arte. É o que parece certo para mim. Mas por causa dessa decisão isso também limita nossa exposição e não temos o financiamento de um selo para nos ajudar a pagar uma turnê. Estamos muito bem com essas trocas. Nosso foco sempre foi criar músicas bonitas para vocês que vem do lugar mais puro e imaginável, sem
Shoreline Tales: novo projeto mistura post-rock, jazz e psicodelia

Zeh Antunes é um músico brasileiro mais conhecido por suas participações nas bandas Billy Goat (1997-2007) e Electric Goat Combo (2009-2016) onde foi fundador e baixista. Recentemente ele deixou o Brasil para viver em Braga, Portugal. O lugar trouxe novas perspectivas e inspirações ao músico que teve a ideia de criar o projeto Shoreline Tales em 2017. A primeira demo com alguns singles foi lançada em outubro do ano passado, mas há poucos dias, mais precisamente em 27 de agosto finalmente saiu seu primeiro registro, o disco Semoto que contém cinco músicas e está sendo lançado pelo selo Abraxas Records. Em suas composições Zeh faz uma experimentação que passeia pelo post-rock, jazz e rock psicodélico. Segundo ele, esse é um projeto de alguém que chegou em um novo lugar e não consegue parar de fazer música, uma mistura de tudo o que aconteceu durantes os anos e que simula cognição. Acompanhe pelas redes sociais: Facebook | Bandcamp
Dolorem: quarteto de post-black metal exala melancolia e peso em primeiro single

O post-black metal tem sido um gênero bem controverso dentro do metal, pois sua fusão de gêneros como shoegaze, post-rock e black metal ainda soa muito discrepante para alguns ouvidos. O fato, é que existem artistas desse estilo criando novos conceitos e músicas incríveis, que conseguem fundir peso e melodia na medida certa, sem soar clichê, como a Dolorem. Aqui no Brasil esse som ainda não é muito explorado, são poucas as bandas que se auto intitulam post-black metal. Na verdade, o público do gênero é bem forte por aqui. Talvez, por conta de alguns nomes da cena francesa como o Alcest, Amesoeurs e Deafheaven. Essas são queridas do nosso público e difundem algo de novo para um nicho (se é que posso chamar assim), que está de mente aberta para novas possibilidades dentro da música pesada. Dessa vez, vamos conhecer uma banda que tem tudo para ser um dos grandes representantes do estilo em nosso país. O Dolorem foi formado no fim de 2017, em João Pessoa, Paraíba. Conta com Marcos Sena (guitarra, vocal), Jackson Luciano (guitarra), Paulo Roberto (baixo) e Nichollas Jaques (bateria). Todos os integrantes já vem de outras bandas do underground, as influencias já são bem conhecidas pelo público como, Katatonia, Alcest, Slowdive, Deafheaven entre outros. Em 2018, eles entraram em estúdio para compor cinco músicas, a primeira a ser lançada foi Abandoned. A sonoridade traz uma atmosfera melancólica, mas que também se entrosa com a agressividade e momentos bem ambientados por guitarras, assim como no post-rock, uma música dinâmica e profunda. As letras assim como um geral dentro desse estilo, falam sobre existencialismo e sentimentos inerentes a qualquer pessoa, como dor, amor, frustrações e desesperanças. Conversamos com eles sobre como surgiu a ideia de formar a banda, a gravação do primeiro single, e sobre os planos para o lançamento do primeiro disco. Confira! O Dolorem foi formado em 2017, mas muitos de vocês já haviam participado de outras bandas do underground. Como foi o processo de se reunirem pra montar a banda, todos já se conheciam? João Pessoa, apesar de ser uma capital, tem um aspecto de cidade pequena. Logo, todos nós participamos de círculos sociais em comum. Alguns de nós já havíamos tentado montar alguns projetos em outrora. No entanto, apenas a Dolorem acabou vingando, devido ao interesse mútuo de montar uma banda com sonoridade diferenciada. A banda começou com Marcos, Paulo e Nichollas e então começamos uma incessante busca por vocalista, pois nenhum de nós havíamos cantado em outros projetos no passado. Depois de muita procura sem nenhum sucesso, nós achamos apropriado Marcos assumir os vocais, que mostrou-se uma ótima escolha. Por fim, para dar uma maior incorporada no som, principalmente no quesito ambiência, convidamos Jackson, que já era velho conhecido e já tinha tocado com o Paulo e Marcos em outros projetos no passado, para fazer parte da segunda guitarra. O post-black metal ainda é um estilo pouco explorado aqui, vocês acham que muitas bandas tem medo de se arriscar nesse tipo de som? Nós acreditamos que o Post-Black é um gênero já bem difundido no mundo. Sabemos da existência de bandas de post black metal no cenário nacional. Porém achamos que ainda não é muito explorado por não ser muito popular. Sendo mais comum nascerem bandas de gêneros mais populares como Thrash, Death e Black. Esperamos que com a inserção da Dolorem na cena, assim como o trabalho de outras bandas do estilo nós podemos difundir melhor este tipo de musicalidade para o grande público e estimule tanto as pessoas a conhecerem o post-black, quanto a se interessar em criar novas bandas do gênero. Abandoned é uma música bem dinâmica, com letras profundas e passagens mais pesadas e melancólicas, uma ótima escolha para um primeiro single, como foi o processo de composição? Marcos Sena já tinha algumas ideias para Abandoned antes mesmo da banda ser formada. Quando Nichollas e Paulo entraram para o projeto, cada um pôs um pouco de suas influências musicais, que são um pouco distintas, e a música ficou do jeito que conhecemos hoje. Vale ressaltar que Abandoned foi a primeira música composta por nós. Escolhemos esta música para o single não por ela ser a primeira música, mas justamente por esta pluralidade de melodias e passagens. Logo, ela consegue refletir grande parte do contexto e musicalidade que exploramos na banda como um todo. O Nordeste tem uma cena metal muito forte, vocês se vêem como uma novidade dentro dessa rota da música pesada? A Dolorem por explorar este gênero do post-black já é uma novidade tanto no Nordeste quanto no Brasil, pois como já havíamos dito anteriormente é um gênero pouco explorado. Porém algo que nos destaca é este flerte entre melodias com bastante atmosfera, característico do post e shoegaze, alternando pra blasts e partes mais pesadas e frenéticos, que tem como fundamento o black metal. De uma maneira sutil acaba deixando nosso público surpreendido e curioso a cada transição de riffs. Na hora de escrever uma letra, vocês procuram ler um livro, ouvir musica ou situações do cotidiano pra se inspirar? Digamos que a nossa maior fonte de inspiração seja a própria vida, vemos a vida como um processo cheio de desafios, frustrações, conquistas, fracassos, perdas, tristeza e dor. Refletir e enxergar esses aspectos da vida, é uma fonte rica que nos desperta o lado criativo, traduzindo os pensamentos em composições. O que vocês tem em mente para o futuro, além dos shows já agendados, pretendem lançar um disco cheio ainda esse ano ou algum vídeo clipe? Para o futuro, a banda está trabalhando para fechar o repertório e iniciar a gravação do primeiro álbum ainda no fim deste ano. No momento, estamos divulgando o single “Abandoned” nas redes sociais e plataformas de streaming. Também iremos divulgar um vídeo clipe no dia 24/09, com imagens captadas da gravação da música em parceria com a Tártaros Produções. Neste mesmo mês, dia 30, tocaremos no Kraken Festival, em João Pessoa. Agradecimentos à banda pela disponibilidade em responder a
ionnalee surpreende e encanta fãs em primeiro show no Brasil

Jonna Emily Lee Nilson (ionnalee), cantora sueca de 36 anos de idade, é a mente por trás do projeto iamamiwhoami, que teve início em 2009 ao lado de seu marido, o produtor Claes Björklund. Ganhadora de um prêmio em inovação pelo Grammy sueco em 2011, ela lançou três discos de estúdio, são eles: Kin (2012), Bounty (2013) e o maravilhoso Blue (2014). Além de sua bela voz e performance, Jonna se destaca pelos discos conceituais e seus clipes sempre muito bem produzidos. Uma apresentação por aqui parecia apenas um sonho, já que ela não tinha costume de fazer muitos shows. Agora, assumindo apenas o nome de ionnalee, a cantora conseguiu através de um crowdfunding fechar uma turnê mundial para apresentar o seu disco Everyone Afraid to Be Forgotten, renovando assim também a esperança dos fãs brasileiros, que colaboraram para que São Paulo fosse uma das rotas da turnê. A apresentação inédita aconteceu na quinta-feira dia 23 de agosto no Cine Jóia em São Paulo. As portas abriram por volta das 19h00, a fila em frente a casa já era imensa e chegava quase até a entrada do metrô. A princípio, conforme anunciado haveria uma exibição de um curta sobre o disco e a abertura ainda ficaria a cargo de Tangurna, artista também sueco que faz parte da gravadora de ionnalee. Porém, devido ao extravio das malas a apresentação foi cancelada, sendo assim, o filme e o show tiveram seus horários alterados, mas sem prejuízos. O fato também comprometeu o vestiário usado por Jonna, que mais tarde comentou sobre isso em sua conta do instagram. Com a casa cheia, foi exibido o filme sobre o disco, e todos fãs empolgados acompanharam e cantaram a cada trecho das músicas apresentadas, mas foram mesmo a loucura assim que a apresentação teve início com Work, faixa do disco Everyone Afraid to Be Forgotten. Todos pularam e cantaram tão alto que as vezes mal se ouvia a voz de Jonna. O setlist foi bem equilibrado e parece ter agradado a todos. Tiveram músicas do projeto iamamiwhoami, passando por seus três discos, como as faixas o do disco Bounty, e outras muito esperadas, como Fountain, Play e Chasing Kites. Jonna estava aparentemente muito feliz, saltitante, dançando com toda energia possível. Sempre agradecendo a todos e sempre em contato com os fãs que estavam mais próximos da grade. Talvez por conta dos problemas ocorridos tenha faltado além dos vestuários, uma iluminação e projeções melhores durante algumas músicas. Ainda assim, tudo foi maravilhoso, a energia e cada refrão cantado a plenos pulmões foram a compensação dos imprevistos. Outro fato comum entre os fãs eram as coreografias, muitos ali acompanhavam a performance perfeitamente, o que deixa claro o quanto são fiéis. Os brasileiros foram privilegiados, pois o set contou com algumas músicas que não estavam em muitos dos shows que vinham acontecendo pelos EUA. Músicas como SIMMER DOWN, NOT HUMAN e Shadowshow que foi cantada a capella depois de todos pedirem em um coro. Além disso, outro momento marcante foi em HARVEST, música que conta com a participação de TR/ST. Foi muito lindo ver o Cine Jóia estremecer com todos acompanhando o refrão. ”come closer, my love, let’s drown in misery, there is an ocean of possibilities”. Mais tarde, soltaram um ”Jonna eu te amo”, com certeza ela sentiu todo o amor que seus fãs tem por sua pessoa e sua música. Logo depois, Gone e Blue Blue finalizaram parte da apresentação. Um destaque para um fã que subiu ao palco para dançar com Jonna durante a última música. A faixa Goods, conseguiu levantar o público que mais uma vez dançou conforme a coreografia. Contudo, ainda não era o fim, assim que as luzes se apagaram ficou um clima de retorno. Eis que ionnalee e o fã retornam ao palco para uma surpresa inusitada, um pedido de casamento, sim o garoto pediu seu namorado em casamento. Esse momento bonito emocionou a todos que aplaudiram e ovacionaram muito. Uma ótima maneira de fechar um show tão esperado e que com certeza ficará na memória. Mas, agora que sabemos que foi sucesso, é torcer para que ela volte o mais breve possível, com um disco novo, seja como iamamiwhoami ou ionnalee. Setlist: IntroWORKo (iamamiwhoami cover)BLAZINGfountain (iamamiwhoami cover)SIMMER DOWNt (iamamiwhoami cover)play (iamamiwhoami cover)TEMPLEchasing kites (iamamiwhoami cover)ISLANDNOT HUMANSAMARITANHARVESTy (iamamiwhoami cover) Bis:shadowshow (iamamiwhoami cover) (acapella)GONEblue blue (iamamiwhoami cover)goods (iamamiwhoami cover) Acompanhe ionnalee nas redes sociais: Facebook | Instagram
6 discos de shoegaze em destaque para 2018

Essa lista de 6 discos de shoegaze lançados em 2018 é dedicada a todos os adoradores do nosso querido rock sonhador e barulhento, é estranho como certas coisas tem o tempo certo para acontecer, digo isso porque é hilário que um gênero musical que teve início no fim dos anos 80 e começo dos 90 tenha sido enterrado até ressurgir das cinzas durante os anos 2000. O mesmo tipo de música que faziam alguns torcerem o nariz, uma vez que o grunge e o britpop dominavam as paradas. Vemos muitas bandas surgindo no mundo e inclusive aqui no Brasil, estamos em 2018 e ainda tem muita coisa pra rolar, muito disco pra sair, enquanto não ouvimos nada novo do nosso querido My Bloody Valentine e Slowdive, listamos aqui alguns lançamentos de ótimas bandas que tem me impressionado, e é isso, vamos manter o shoegaze vivo! Kraus – Path (2018) Banda liderada por Will Kraus, um jovem de 22 anos do Texas que costumava criar músicas em seu quarto. Path é seu segundo disco, e mesmo que traga músicas na veia lo-fi do shoegaze dos anos 90 ele também soa moderno e criativo, barulhento, melódico, com distorções e vocais que as vezes fazem parte do instrumental. 93MillionMilesFromTheSun – New Fuzz EP (2018) Novo EP dessa banda inglesa já bem conhecida no meio underground do shoegaze, seu som é mais frenético, com várias camadas de guitarras, mas é uma boa pedida para quem justamente curte um som mais barulhento. Teenage Wrist – Chrome Neon Jesus (2018) Trio californiano formado por Kamtin Mohager , Marshall Gallagher e Anthony Salazar, Chrome Neon Jesus é o primeiro disco da carreira, ele combina guitarras distorcidas com vocais etereais, e explora o lado emocional em suas letras, Marshal descreve isso como: ”perceber que o mundo é maior, mais brilhante e aterrorizante do que você imagina”. Mint Field – Pasar de las luces (2018) Uma grata surpresa vinda desse duo mexicano de Tijuana, formado por Estrella Sanchez (vocal, guitarra) e Amor Amezcua (bateria, sintetizador) lançam seu primeiro disco Pasar de las luces. Durante as treze faixas escutamos um som melancólico e itinerante, com belas melodias alinhadas a vocais angelicais, todas as músicas são cantadas em espanhol o que traz uma identidade ímpar para a banda. Lowtide – Southern Mind (2018) Banda australiana formada em 2018 na cidade de Melbourne, esse é seu segundo disco de estúdio, as músicas são uma mistura de dream pop e um shoegaze bem melancólico, com melodias hipnotizantes. Drowse – Cold Air (2018) O Drowse vem da cidade de Portland, Kyle Bates é o único membro e traz mais um disco na bagagem, Cold Air foi gravado em sua própria casa durante uma temporada difícil de depressão, medicamentos e álcool que resultou em 12 composições com letras influenciadas por escritos religiosos de Anne Carson e Karl Ove. Siga as bandas nas redes sociais: Kraus93millionmilesfromthesunTeenage WristMint FieldLowtideDrowse Quer conhecer mais bandas, confira essa também matéria: Rebobinados indica #5 Shoegaze