Cinco discos de black metal em destaque para 2018

O ano de 2018 está sendo especialmente fértil para o black metal. Entre trabalhos que expandiram os limites do gênero e discos que resgataram sua essência mais crua e atmosférica, surgiram lançamentos capazes de marcar a década. Nesta seleção, reunimos cinco discos de black metal que traduzem diferentes faces do gênero, do caos visceral às paisagens melancólicas, passando por experimentações ousadas e composições profundamente imersivas. Abstracter – Cinereous Incarnate Em seu terceiro disco de estúdio lançado pela Vendetta Records, essa banda americana de Oakland, CA, apresenta durante as seis faixas um som extremo e soturno, com momentos que vão de blast-beats furiosos a passagens mais cadenciadas e cheias de riffs obscuros criando uma atmosfera das profundezas do mau. As influências vão de black e death metal ao doom. Uada – Cult Of A Dying Sun Mais uma banda americana, dessa vez de Portland. Esse é o segundo disco lançado pela Eisenwald Tonschmiede, os riffs precisos e as melodias os encabeçam mais dentro do Melodic Black Metal, mas momentos mais crus lembrando o saudoso som feito no fim da década de 80, também se fazem presentes nas sete faixas que compõem o disco. Destaque para a faixa Snakes & Vultures. GAEREA – Unsettling Whispers De identidade ainda misteriosa, a banda foi formada em 2016 em Lisboa, Portugal. Esse é seu segundo disco de estúdio, e traz um black metal com influência de outros estilos como sludge e death metal, vem sendo muito bem recebido pela crítica européia, assim como os vídeos que também são bem produzidos. Destaque para as faixas Absent e Whispers. Imperial Triumphant – Vile Luxury O Black metal americano ganhando força em 2018, Vile Luxury é o quarto disco desse trio que surgiu em meados de 2005. A banda faz um som técnico e progressivo, mas totalmente fora do clichê, aqui as músicas tem quebras de tempo bem interessantes, com direito a pianos, coros e saxofones. Destaque para as faixas Lower World e Chernobyl Blues. Drudkh – Їм часто сниться капіж (They Often See Dreams About the Spring) Os ucranianos do Drudkh são bem conhecidos na cena do black metal atmosférico, esse ano lançaram seu décimo segundo disco. A combinação de riffs ríspidos e melódicos flerta também com a música folk, que mesmo acompanhados de um vocal agressivo conseguem criar atmosferas densas. Destaque para as faixas У дахів іржавім колоссю… e Накрите небо бурим дахом.
A doce e sombria Nicole Dollanganger

Nicole Dollanganger é o nome artístico de Nicole Bell, uma cantora e compositora canadense de 28 anos de idade, conhecida por seu visual infantil, voz aguda e letras de temas como sexo, estupro, depressão e gore. Infelizmente ainda muito jovem ela foi diagnosticada com anorexia nervosa, o que resultou em um longo tempo de repouso em seu quarto. Durante esse período, Nicole começou a compor algumas músicas e postá-las em seu tumblr e twitter, se sentindo insegura, ela chegou a deletar algumas composições, mas logo foi encorajada por muitos que já acompanhavam seu trabalho. O Dollanganger de seu nome é uma referência a escritora Cleo Virginia Andrews, responsável por uma série de novelas (Dollanganger Series), que aborda o incesto entre tio e sobrinha em uma série de cinco capítulos. Seus primeiros lançamentos são Curdled Milk (2012), Flowers of Flesh And Blood (2012), Ode to Dawn Wiener: Embarrasing Love Songs (2013) e Observatory Mansion (2014), todos foram gravados por ela em seu quarto e banheiro, a sonoridade é bem minimalista, apenas com vocal, violão e posteriormente teclado, além disso a venda foi feita de forma totalmente independente, com CD-R’s e fitas cassete produzidos artesanalmente. Em 2015 as coisas deram uma reviravolta, Nicole já bem conhecida, foi convidada para abrir os shows de Lana Del Rey e Grimes em Toronto. Nessa mesma época ela já tinha um novo disco pronto, mas sem gravadora para lançar, o fato chamou a atenção da artista também canadense Grimes, que mais tarde criou a Eerie Organization, um selo para ajudar com o lançamento de Natural Born Losers (2015). Ainda no final de 2015 Nicole deu suporte a Grimes em sua turnê Rhinestone Cowgirls Tour. Agora com seu disco lançado e mais visível ela teve uma de suas músicas, a faixa Chapel, como destaque na trilha sonora da 14º temporada da série The Walking Dead. Já em 2016 foi lançado o EP CUTE AGGRESSION, contendo três faixas com um direcionamento bem diferente, na faixa título as guitarras e batidas eletrônicas lembram a sonoridade da cantora Grimes em seu Art Angels, já as outras duas faixas, Beautiful and Bad e Have You Seen Me? tem um som totalmente sombrio, com guitarras pesadas e bateria. Nesse ano ela também embarcou em uma nova turnê com as bandas Elvis Depressedly e Teen Suicide. Para os shows ao vivo, Nicole tem o suporte de dois integrantes, Matt Tomasi (guitarra) e Kevin Jenkins (baixo). Em 2017 foi lançada uma prévia com cinco faixas do próximo disco de estúdio que recebeu o título de Heart Shaped Bed, a sonoridade no entanto é mais emocional, sem uso de guitarras e bateria como no disco anterior, aqui temos mais pianos e batidas eletrônicas bem sutis acompanhados pelo vocal doce de Nicole. No Bandcamp a data de lançamento está para 30 de Março, mas ainda não se tem notícias de quando o disco completo será finalmente lançado. Siga Nicole Dollanganger nas redes sociais: FacebookBandcampTwitterInstagram
Twin Peaks, shoegaze e psicodelia marcam a sonoridade do That Gum U Like

O casal Fábio Popinigis e Andressa vem de Brasília, a capital conhecida como berço do rock, mas pra falar a verdade o That Gum U Like está bem fora dessa ”bolha”, a começar pelo nome influenciado pela série Twin Peaks do incrível David Lynch. O duo traz uma sonoridade que gira em torno da década de 80, flertando com estilos como eletrônico, trip-hop, psicodelia, dream pop e shoegaze. Em 2014 lançaram o primeiro single Charlotte Sometimes, um cover do maravilhoso The Cure seguindo uma linha mais dream pop, que se encaixou perfeitamente nos vocais de Andressa, o que os fez continuar com a fórmula bem sucedida em 2017 ao lançar o próximo single, Falling Apart. The Black Lodge é o título do primeiro EP lançado em 2017 pelo selo Quadrado Mágico, que também é totalmente inspirado na série Twin Peaks. A faixa título e Killer que abrem o disco apresentam um clima mais cinematográfico, com uma vibe mais atmosférica/eletrônica, já Raika e Donna abusam mais das guitarras e ficam numa fusão entre o shoegaze/dream pop de bandas como Cocteau Twins e Curve, além disso todas as faixas do EP ganharam um remix. O lançamento mais recente é o single Biography que também já está disponível nas plataformas digitais. Se você não conhecia o som do That Gum U Like, pode dar o play agora mesmo, todos os singles e EP estão no Spotify. Siga a banda nas redes sociais: FacebookBandcamp
Sigrún, a nova face da música eletrônica islandesa

A Islândia, um país pequeno e exuberante, com paisagens de tirar o fôlego, deixou de ser apenas a rota favorita de viajantes do mundo todo, e tem se destacado por sua música que vem ganhando grandes proporções com artistas mega talentosos. Hoje iremos conhecer Sigrún, o projeto de Sigrún Jónsdóttir. É inevitável comentarmos sobre alguns nomes que trouxeram o país aos holofotes, a talentosa Björk que desde os anos 80 vinha fazendo música na cena punk com suas bandas KUKL e The Sugarcubes, e os queridos do Sigur rós que no início dos anos 90 trouxeram seu maravilhoso post-rock de outro mundo. Que a Islândia abriga artistas criativos e ousados nós temos certeza, inclusive o termo Icelandic music já se tornou um novo gênero para a música, pra comprovar isso, falaremos um pouco hoje sobre uma artista relativamente nova, mas que já teve experiências ao lado de grandes artistas e agora mostra um grande potencial com sua música autoral. Sigrún Jónsdóttir é uma jovem e talentosa artista, nascida na capital de Reikavýk na Islândia, com três EP’s lançados, sendo Smarti o mais recente de 2017, ela me conta que sempre esteve envolvida com música desde pequena, ”meu pai era professor de bateria na escola local de música em nossa cidade, então eu sempre estive por lá…”. Foi então que começou a estudar clarinete e trombone, o que lhe abriu portas para trabalhar como músico de sessão de ninguém menos que Björk, Sigur rós e atualmente Florence and the Machine, ” Foram experiências muito importantes para mim e aprendi tantas coisas disso, tanto como artista quanto como ser humano ”. Somando suas experiências em turnês mundiais ao apoio que artistas como ela tem em seu país, foi a hora certa para dar o próximo passo, e assim sua música começou a tomar forma. Talvez poderíamos classificá-la apenas como Icelandic music ou eletronic/experimental, isso não importa muito, na verdade, os sons conseguem transmitir sentimentos que vão da calmaria a agressividade passando por partes etéreas, e é justamente assim que ela classifica sua música, como temperamental. Ainda sem muitas informações pela internet, entramos em contato com ela que se prontificou a responder algumas perguntas sobre sua carreira, música e planos para o futuro. Primeiro, eu gostaria de saber se Sigrún é o seu nome verdadeiro ou apenas como decidiu chamar o seu projeto. Sigrún: Sim, Sigrún é o meu nome verdadeiro e decidi usá-lo como meu nome artístico também. Há quanto tempo você está envolvida com música? Você já teve outra banda ou projeto? Sigrún: Estive fazendo música desde que conheço a mim mesma. Meu pai era professor de bateria na escola local de música em nossa cidade, então eu sempre estive por lá. Eu estudei clarinete por anos e então comecei com trombone. Eu já estive em algumas bandas com amigos tocando clarinete e também trabalhei bastante como músico de sessão tocando trombone, fazendo turnê com artistas como Björk, Sigur rós e recentemente com a Florence and the Machine. Quais coisas te inspiram pra fazer música? Você sente necessidade de estar em conexão com algo ou apenas se isolar por algum tempo? Sigrún: Um pouco de cada, eu trabalho solitária e isso funciona para mim, mas ao mesmo tempo eu tenho certeza que preciso socializar também, então não fico muito só. Múltiplas coisas me inspiram a fazer música, meu amor por música em si é uma grande parte disso, e o poder real que a música e os sons tem sobre nós. E também as pessoas que estão ao meu redor e com quem trabalhei ao longo dos anos me inspiram grandemente, e a proximidade geral que isso traz às pessoas. Apenas ir a um clube e dançar juntos e sentir aquele baixo bater em seu corpo é tudo. Em 2016 você lançou dois EP’s Hringsjá e Tog, eles soam muito atmosféricos e experimentais, como é para você expressar seus sentimentos através de um tipo de música considerado complexo para alguns ouvidos? Sigrún: É um grande privilégio poder expressar meus pensamentos e sentimentos através da minha música e sou grata também pelas ferramentas que tenho para isso, levou um tempo para eu aprender e me encontrar no ambiente de trabalho que é o meu computador junto com meus instrumentos para poder trazer o que eu tenho agora. Muita paciência e repetição, mas principalmente, foi preciso esforço para silenciar as críticas internas para poder trabalhar em paz comigo mesma. Como a sua música tem sido recebida em seu país, tem muitas pessoas que te apoiam? Sigrún: Eu sinto que foi recebida muito bem e me sinto sortuda. O ambiente criativo na Islândia e as pessoas que o compõem são muito fortes e de apoio, eles sempre fazem questão de apoiar uns aos outros. As casas de show estão abertas para qualquer um e estão felizes em ver pessoas fazendo experimentos, junto com várias organizações musicais que se certificam em acompanhar coisas novas e apoiá-las. Recentemente a música islandesa tem sido muito procurada e muitos artistas são destaque fora do seu país. Para você, quais são as razões disso? Sigrún: Sim, e é muito interessante, na verdade. Recentemente a música islandesa cresceu muito para ser algo único, quase um gênero. Mas eu acho que isso é baseado na herança de obras de artistas como Björk e Sigur rós que abriram espaço para um playground muito fértil que teve a chance de florescer e se espalhar pelo mundo. Fiquei sabendo que você já trabalhou com artistas como Björk, Sigur rós e Florence and the Machine. Como foram essas experiências? Sigrún: Foram experiências muito importantes para mim e aprendi tantas coisas disso, tanto como artista quanto ser humano. Fiz turnês mundiais com esses artistas e como toda jornada, tem seus altos e baixos. Mas a coisa mais preciosa que tirei disso foi ver o quanto algo que você construiu pouco a pouco com paixão e alegria pela música pode crescer em um projeto enorme trazendo centenas de pessoas juntas para apreciá-lo. Se você pudesse escolher uma palavra para descrever a sua
Acta Obscura, novo disco do This Lonely Crowd imerge em um mundo de poemas, criaturas, peso e melodias

Acta Obscura é o novo disco da This Lonely Crowd, mas antes, vamos falar um pouco sobre a história da banda. Tudo começou em 2009, quando o quinteto de Curitiba se juntou para compor músicas com temáticas que exploram obras literárias, sejam elas poesias, cantigas ou contos de fadas. Em 2010 lançaram nada menos do que três EP’s via Sinewave records, são eles: An Endless Moment Everyday All the Time, EPhemeris e Entangled Chaos, com uma sonoridade influenciada por gêneros como o post-rock, heavy metal, pop e shoegaze, trazendo dissonâncias, peso e melodias que nos remetem a uma fusão de bandas como Slowdive, The Smashing Pumpkins e até Napalm Death. Desde aí o This Lonely Crowd já sabia a receita certa parar criar suas músicas, com adaptações para obras maravilhosas como Tinkerbell (Sininho, em português), Irmãos Grimm, A Fantástica Fábrica de Chocolates ou poemas de escritores como Lewis Carroll, William Blake e Emily Dickinson. A banda dá vida (musicalmente falando) à obras que estiveram adormecidas ou não descobertas, em 2011 lançaram o seu primeiro disco cheio, o belo e barulhento Some Kind of Pareidolia, repleto de ótimas músicas na qual uma delas ganhou vídeo, Spotty Powder. Até agora são seis discos, uma coletânea que inclusive traz ótimas sobras de estúdio, músicas ao vivo e dois covers adoráveis de Everything Counts do Depeche Mode e Lucid Fairytale do Napalm Death e três EP’s mencionados acima. O TLC é sem dúvida uma banda muito produtiva, e claro, muito criativa. Todos os seus discos são uma imersão em um mundo paralelo de histórias e criaturas, que se desdobram em climas mais nostálgicos e melódicos ou agressivos, seus integrantes usam codinomes a cada disco, dessa vez temos Ludo (guitarra), Bonifuzz (guitarra), Trushbeard I (bateria), Rainha Branca (baixo, vocal) e Fizzgig (guitarra, vocal). Assim caminha Acta Obscura, seu novo trabalho, onde continuam uma jornada afim de personificar poemas de Lewis Carroll e também muitos outros de autoria desconhecida. Produzido pelo baterista Trushbeard I, gravado nos estúdios O.R.T.A em Curitiba, conta ainda com a participação de Régis Garcia e Mônica da banda The Sorry Shop na faixa Amálgama. Aproveitando o lançamento batemos um papo com a banda, que nos contou um pouco sobre as composições, carreira e também o conceito do disco. As portas estão abertas, bem vindos ao universo de Acta Obscura! Vamos começar falando sobre o processo de composição, desde os primeiros lançamentos vocês compõem músicas influenciadas por obras literárias e gêneros diversos. Como funciona o processo de criação na hora de conectar esses dois campos? Fizzgig: isso acaba variando um pouquinho em cada disco. Em geral, a gente primeiro pensa no tema, que pode vir de uma obra, ou de um autor, ou de um estilo inusitado. Com o tema, a gente seleciona dentro das coisas que gostamos de ler: literatura fantástica, poesia. Daí depois a gente cruza essa seleção com o que quisermos passar no disco. No Acta a gente queria um som entre o Fleetwood Mac de 1975-1976 com Cannibal Corpse!! Daí pra sair isso é uma outra história…mas fica servindo como guia e a gente vai se inspirando e desenrolando a coisa. Rainha Branca: O tema vai sendo modelado desse jeito. Vamos selecionando as passagens, compondo, colando as partes, encaixando etc…tem meio que uma fórmula nossa, que a gente sempre muda pra não repetir tanto! Acta Obscura é o sexto disco de estúdio da banda, o que podem nos contar sobre a escolha do título e o conceito? Fizzgig: queríamos um disco voltando mais uma vez ao Lewis Carroll. Ou seja: poesia absurda, non-sense. Boa parte das letras são poemas anônimos de livros com mais de duzentos, trezentos anos e são simplesmente fantásticos. Com uma temática tão volátil, é fácil ir da barulheira para o leve, é mais simples se inspirar. ‘Acta’ remete à revistas de publicação científica; ‘Obscura’ combina com a gente, das profundezas do subterrâneo do rock. Ludo: até rolou dois títulos diferentes. O outro vamos usar pro PRÓXIMO disco. Dessa vez a arte da capa foi criada por outra artista, como chegaram até ela? Fizzgig: a Vassilissa é uma jovem e talentosa desenhista francesa especializada em fantasia. Caímos nos desenhos dela pela internet afora, com ilustrações para role playing games e, em preto e branco, as imagens soaram exatamente como nossas músicas e temas. Um dos primeiros desenhos dela foi aquele dos servos em posição fetal rodeados por uma coroa de galhos e, poxa, aquilo é lindo demais. Imagino que pra ela desenvolver a arte tenha sido moleza, por já ser muito familiarizada com esse mundo de fábulas. Bonifuzz: Foi legal que variamos também a arte! O Julian Fisch sempre trabalhou com fotos ou imagens abstratas. Agora tivemos um disco com uma capa desenhada em preto e branco! Nos últimos trabalhos vocês tem trazido influências nacionais, seja em títulos em português ou cantando como nas faixas Daguerreotypes e também Voynich Decoded, que é uma adaptação para a música “Elefante” de Robertinho do Recife. Como foi feita a escolha, foi difícil adaptar a sonoridade da banda às letras? De onde vem as letras de Daguerreotypes? Fizzgig: minha primeira guitarra foi uma flying V, que ainda tenho, por causa de 1. rock pesado/heavy metal e 2. por causa do clipe da música “O Elefante”, acho que de 1982, que eu via passar quando criança. Eu achava aquilo maravilhoso, o riff inicial, a letra amalucada, a Emilinha cantando e tocando em uma Flying V, revesando com as crianças, enquanto o Robertinho do Recife fazia pose. É um marco para a minha paixão pela música. Como a gente não quis tocar uma cover, reinterpretamos para uma instrumental totalmente nova. Fica como nossa homenagem modesta para eles. Adaptar a letra foi moleza porque é exatamente como nos sentimos. Rainha Branca: Daguerreotypes tem uma letra que é uma poesia que o meu pai aprendeu quando criança. Daí ele cantava de brincadeira para mim quando eu era pequena. E não tem sentido nenhum, são versos divertidíssimos. Falando sobre contos de fada, na sua opinião qual a importância dessas histórias? Vocês acham que as novas gerações estão
O My Bloody Valentine está voltando e… com música nova!

O Meltdown Festival 2018 foi provavelmente um dos festivais com o melhor line-up que você já viu, ninguém menos que Robert Smith (The Cure) ficou a cargo da curadoria. Ele escolheu todos os artistas que formaram a escalação durante os dias 15 a 26 de junho em Londres no Southbank Centre. Entre os nomes estão Nine Inch Nails, Deftones, The Church, Alcest, The Twilight Sad e muito mais… Um dos destaques com certeza ficou por conta dos irlandeses do My Bloody Valentine. A banda ícone do shoegaze que estava longe dos palcos há alguns anos desde o lançamento do último disco MBV de 2013, fez um set maravilhoso onde apresentaram músicas de todos os discos, inclusive What You Want do famoso Loveless que não vinham tocando há muito tempo. E a melhor parte foi que ainda mostraram com exclusividade uma música nova, que provavelmente fará parte do próximo disco que ainda não tem data de lançamento confirmada. Confira abaixo os vídeos dessa apresentação: Only Shallow Nothing Much to Loose Cigarette In Your Bed Música nova Setlist: I Only SaidWhen You SleepNew You(New Song)You Never ShouldHoney PowerCigarette in Your BedOnly TomorrowCome in AloneOnly ShallowWhat You WantNothing Much to LoseWho Sees YouTo Here Knows WhenSlowSoonWonder 2Feed Me With Your KissYou Made Me Realise
Silva mais brasileiro que nunca em seu novo disco

Depois de quase três anos desde seu terceiro disco Júpiter, lançado em 2015, e de uma turnê extensa cantando Marisa Monte, que inclusive rendeu dois discos, um com versões de estúdio e ao vivo, o capixaba Silva lança ‘Brasileiro‘, seu tão aguardado novo trabalho. A estética visual traz cenários suburbanos, natureza e simplicidade, que se encaixam perfeitamente ao título. Sobre a sonoridade, aqui Silva deixa de lado seus sintetizadores, batidas eletrônicas e guitarras e incorpora nas composições elementos mais orgânicos. A primeira faixa ‘Nada Será Mais Como Era Antes’ já abre o disco com sons de percussão, bem ao estilo carnaval, mas aqui ainda ouvimos um pouco de sintetizadores e piano, como se essa fosse uma conexão saindo da antiga sonoridade para a nova proposta do disco. ‘A Cor é Rosa’ é o primeiro single, é pegajosa, leve, com um groove de baixo bem gostoso e vocais suaves como só o Silva consegue fazer, aqui também temos instrumentos mais bem explorados como sax, percussão e palmas que dão um clima bem brasileiro a música. ‘Duas da Tarde’ segue um estilo bem bossa nova, violão dedilhado bem suave e um baixo discreto. Até aqui já da pra notar o quanto as coisas mudaram se comparado aos discos anteriores. Na quarta faixa ‘Cajú’, podemos destacar os backing vocals, o sax e novamente as batidas eletrônicas que deram lugar às percussões, tornando as composições mais orgânicas. Uma das parcerias mais aguardadas está na próxima música, ‘Fica Tudo Bem’, com a participação de Anitta, a faixa começa com tamanha sutileza, o violão acompanha as vozes que entram em perfeita sintonia e criam aquele clima de calmaria, pena ser tão curta, pois ficou um gosto de quero mais. ‘Let Me Say’ traz de volta algo do Silva antigo, mas com uma pitada nova, aqui a levada da bateria nos remete ao baião, ela é embalada pelo samba da instrumental ‘Sapucaia’. Em seguida ‘Prova dos Nove’ tem uma linha calcada no samba mas bem cadenciada, trazendo de volta uma calmaria. ‘Palmeira’ é mais uma faixa instrumental, dessa vez só no piano, porém bem curtinha e singelamente abre caminho para ‘Milhões de Vozes’, e é claro que preciso demonstrar aqui todo o amor que tenho por ela, que música! Primeiro que a letra é tão atual, ela fala muito por nós: ” Tanta implicância, que só quer se amplificar, tanta ignorância, ansiando se mostrar… ” e diga-se de passagem que Silva só na voz e violão é uma das coisas mais maravilhosas, ainda mais com um backing vocal tão lindo e delicado desses. Não menos querida, temos ‘Ela Voa’, outra música que destaco como uma das melhores do disco, ela nos lembra facilmente algumas canções do debut Claridão (2012), com a volta dos sintetizadores, piano e uma batida eletrônica de leve. Como tudo o que é bom dura pouco, temos as duas últimas músicas que fecham o disco, ‘Guerra de Amor’, também segue a linha bossa nova e não traz muita novidade, já ‘Brasil, Brasil’ entra com clima de encerramento, a letra enaltece o país de forma bonita em um musicalidade minimalista com apenas vocal, palmas, percussão e um synth de fundo. Se no início de sua carreira Silva trazia uma musicalidade mais moderna, aqui ele tenta se reinventar e dar destaque as suas raízes mais brasileiras, com uma mistura de estilos, da MPB, passando pelo samba e baião, sem deixar de lado sua essência. Talvez daqui há alguns anos esse seja um cult ou não, isso só o tempo dirá. Escute Brasileiro no Spotify:
Drab Majesty apresenta seu som gótico nostálgico em São Paulo

O Drab Majesty foi formado em 2011 em Los Angeles, Califórnia, por Andrew Clinco, que anteriormente foi baterista do Marriages, banda de post-rock que conta também com Emma Ruth Rundle. Nesse projeto Andrew encarna seu alter ego Deb DeMure, um personagem andrógino com um visual meio gótico futurista, e assim também caminha a proposta da sonoridade que traz batidas dançantes e típicas do New Wave dos anos 80, acompanhadas das guitarras nostálgicas do Shoegaze e Post-punk. O primeiro disco do Drab Majesty, Careless foi lançado em 2015, assim que assinaram com a gravadora Dias Records, logo receberam grande atenção por parte das mídias e fãs desse tipo de música, antes disso apenas uma fita cassete intitulada Unarian Dances havia sido lançada com apenas 100 cópias distribuídas, quando ainda faziam parte da gravadora Lolipop Records. Ainda em 2016, saíram em turnê com as bandas Charnier e True Widow pelos EUA, além de tocarem também com o grande Clan Of Xymox. Já em 2017, a turnê continuou a todo vapor dessa vez ao lado do Cold Cave e King Dude, para o lançamento do segundo disco The Demonstration, esse que alavancou mais a carreira da banda internacionalmente. Em 2018 continuaram com uma série de shows pelo mundo divulgando o recente disco e felizmente e para a surpresa dos fãs, foi fechada uma turnê na América do Sul, que passou por Colômbia, Peru, Chile, Argentina e Brasil. Os responsáveis pela vinda do Drab Majesty ao nosso país foram a produtora Casa del Puente Discos e o conhecido Madame Club, onde foi realizado o show no domingo dia 10 de junho ao lado também das bandas Fronte Violeta, Anvil FX, Altocamet e Acavernus. Inicialmente a entrada estava programada para 20h00, em um domingo tranquilo onde a temperatura estava amena e não foi desculpa para ficar em casa, ainda mais com um ingresso a R$30 reais, um preço desses nos dias de hoje é valioso. Pois bem, a fila já estava grande em frente a casa, o que de certa forma já deixou muitos ansiosos por conta do atraso, mais ou menos às 20h40 a entrada foi liberada (lembrando que 21h00 era o início do show da segunda banda da noite). Ao entrar, o lounge estava bloqueado para a organização dos shows principais, então caí direto no porão, onde ocorreria o primeiro show da noite com o Fronte Violeta, projeto de Carla Boregas (Rakta) e Anelena. Pouco depois das 21h a apresentação começou enquanto muitos ainda entravam na casa, a sonoridade da dupla é um noise industrial bem caótico e às vezes dançante, a apresentação durou cera de 30 minutos. Em seguida, uma pausa de pouco mais de 30 minutos, a pista de dança foi liberada e algumas pessoas (inclusive eu) dançaram ao som de The Sisters Of Mercy, The Mission entre outros. Anvil FX (Biba, Juliana R e Paulo Beto) A próxima banda da noite era o Anvil FX, nesse momento havia ainda uma banda argentina chamada Altocamet que se apresentaria no palco principal, no lounge da casa, pois bem, a minha vontade em assistir o Anvil FX era maior então fiquei por ali mesmo. O público tímido foi chegando aos poucos, mas encheu bem o local, enquanto isso se não me engano, a banda argentina já estava se apresentando simultaneamente. Para a minha surpresa o público ali embaixo era de respeito, e diga-se de passagem que o trio formado por Biba (vocal), Paulo Beto (sintetizadores) e Juliana R (sintetizador) fez uma ótima apresentação. A galera dançou e enlouqueceu em seu som influenciado por post-punk e minimal synth, além de músicas do último disco Prova de Biologia (2015), rolou um tributo maravilhoso de Discipline do Throbbing Gristle. Pouco antes do show acabar eu resolvi subir para ver o que estava rolando, afinal faltavam poucos minutos para as 23h00 e o Drab Majesty ainda não tinha entrado no palco (aliás nem teve palco, o que prejudicou totalmente a visão de todos que tentavam achar um lugar melhor para ver a banda). Drab Majesty entrou por volta de 23h10, e eu sinceramente não conseguia ver nada, apenas cabeças e celulares mirados, muita fumaça e um ambiente quente. Eis que abriram o set com a conhecida Dot in the Sky, a empolgação do público não foi muito calorosa, talvez porque muitos não conheciam ou porque não estavam afim devido as condições em que o show estava sendo realizado. (Drab Majesty ao vivo no Madame em São Paulo) Em seguida rolaram ainda 39 by Design e Kissing the Ground do disco The Demonstration, a visão ainda era horrível, o som também, muita fumaça, muito calor, pessoas subindo nos sofás e em todas as partes para tentar ter uma visão melhor. Em seguida, deram início a minha música favorita, Unknown to the I, do primeiro disco Careless. Foi triste assistir a apresentação naquelas condições, consegui ficar apenas um pouco mais perto pois algumas pessoas estavam desistindo e indo para o fundo da pista. Naquele momento eu estava torcendo para que desse tempo de assistir o show completo, rolaram ainda Y.K.E.D.A e Cold Souls, além de um interlude que a banda costuma fazer entre algumas músicas. Felizmente a próxima era Too Soon To Tell, eu estava um pouco mais perto e assim que a música acabou já eram 23h50, tive que sair às presas, mesmo faltando ainda cerca de três músicas para fechar o set. Vale lembrar que ainda faltava a apresentação do Acavernus projeto solo da Paula Rebellato (Rakta) e sabe-se lá que horas começou. Infelizmente tive que correr para a estação de metrô como um bom paulistano que mora na pqp. Concluindo, a produção pecou e muito na organização, nenhum horário foi seguido e bloquear o lounge principal só atrapalhou a circulação pela casa. Ouvi alguns relatos de pessoas que tiveram prejuízo ao depender de Táxi e Uber para voltar pra casa devido ao horário. Setlist Drab Majesty: 01. Dot in the Sky02. 39 by Design03. Kissing the Ground04. Unknown to the I05. Y.K.E.D.A06. Cold Souls07. Too Soon To Tell08. Hallow09. The Foyer10. Not Just
Camille Claudel: Shoegaze, black metal, letras em português e ballet?

A Camille Claudel surgiu na metade dos anos 90 em Volta Redonda (RJ), um ano mais tarde (1995) a banda se desfez, e apenas 18 anos depois ressurgiram com nova formação, novas músicas e ideias.Pra começar, lançaram em Abril de 2016 o seu primeiro registro, o single Balada Borderline, em seguida lançaram ainda Novo Qualquer (2016) e Céu Laranja (2016). A sonoridade é uma mistura de vários estilos como o indie rock, shoegaze, post-punk, bossa nova e até black metal, as músicas são cantadas em português, o que traz também uma identidade forte à banda. A formação conta com Frederico (guitarra, vocal), Luiza (baixo), Rafael (guitarra) e Daniela (bateria), e foi com esse time que eles lançaram seu primeiro álbum de estúdio, o auto-intitulado Camille Claudel, com 8 músicas. Um fato curioso foi um projeto criado pela banda chamado A Nuvem de Calças, baseado no livro de Vladimir Vaiakovski, onde unem ballet e shoegaze. A seguir, temos um vídeo com o resultado dessa experiência no mínimo incrível. Por trás da ideia está Daniela, a baterista, no ano passado ela deu uma entrevista ao blog Noise Artists explicando como aconteceu: ” Primeiramente, estou muito feliz por você se interessar por este projeto, ele é muito importante para mim, e eu amo falar sobre o processo dele, então é legal saber que tem alguém interessado… hehe Tudo começou com um projeto de pesquisa para a conclusão da minha especialização em um sistema de análise de tipos de movimento, chamado Laban/Bartenief. Naquele tempo eu estava trabalhando como professora e coreógrafa de dança contemporânea em uma escola de dança, na Escola de Dança Fundação Porto Real. Então decidi fazer essa pesquisa com um grupo de estudantes. Foi uma experiência incrível. A pesquisa foi para explorar a linguagem poética na dança, e escolhi um poema de Manoel de Barros, chamado O Fotógrafo. Então, eu e esses estudantes (todos jovens, de 13 a 18 anos) trabalhamos juntos nesse laboratório para transformar essa poesia em dança. Em algum momento, decidimos fazer uma peça de dança completa com isso, e foi aí que o Fred se envolveu. No poema, Manoel começa com uma tentativa de fotografar o silêncio, entre outras coisas, e ele percebe que o silêncio é um transmissor. Eu chamei Fred para criar a música que seria o transmissor da dança. A música do silêncio (poderia ser mais shoegaze? hehe)! Ele pegou a guitarra e alguns pedais e desenvolveu um pattern enquanto acompanhava os ensaios. Ele iria improvisar, reagindo aos dançarinos e à coreografia. O vídeo que você viu foi parte dessa peça, rearranjado especialmente para apresentarmos em um local aberto, com apenas três dançarinos (a peça original tinha 10 dançarinos) e a respeito da parte do poema que fala sobre a nuvem de calças. E o resultado foi o que você viu. Esse é um resumo disso.” Deixamos aqui alguns links para conhecer mais o Camille Claudel, inclusive, o primeiro disco e os singles estão todos para download gratuito. Bandcamp | Facebook Outras matérias que você pode gostar: