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Quem indica: This Lonely Crowd

A nossa sexta banda convidada para indicar seus 5 discos favoritos são os curitibanos da This Lonely Crowd. A banda vem de Curitiba, Paraná e classificam suas músicas como faerie rock, afinal seus discos exploram contos de fadas, poemas e também transitam entre vários gêneros. Já falamos sobre o último disco deles aqui. A discografia deles é de respeito e traz seis discos, uma coletânea de b-sides e covers e três EP’s. Atualmente eles estão em estúdio terminando a produção do novo disco que deverá sair ainda esse ano sob o título de ‘Bellelouder’. Indicações da banda: Lucifer – Lucifer II (2018) “60% Black Sabbath dos primeiros discos, 30% Heart e 10% Fleetwood Mac (ambos entre 75-78). Não tem como poderia ser melhor. Com certeza, um dos discos mais escutados por aqui nos últimos meses, junto com o novo álbum deles (Lucifer III, também excelente). Uma maneira majestosa de emular a sonoridade do rock pesado dos anos 70! “ Napalm Death – Throes of Joy in the Jaws of Defeatism (2020) ” Sempre. Obrigatório e mais relevante do que nunca. Napalm Death sempre vai ser furioso e eloquente. “ Caspian – Dust and Disquiet (2016) “Coisa finíssima. Uma faixa melhor do que a outra, riffs e arranjos excelentes, inspiradores e densos.” Denali – Denali (2003) “Pérola do começo dos anos 2000 de sonoridade obscura e encantadora. Só digo uma coisa: GUNNER!” JJ72 – JJ72 (2002) “Mais uma maravilha escondida e, infelizmente, pouco conhecida. O disco debut, de 2000, é uma amálgama de bons sons da época.“ Siga o This Lonely Crowd nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp

weird fingers, o afago em dias cinzentos pelo novo EP

weird fingers é o projeto de Raad Ferreira, já falamos sobre ele aqui, um jovem músico que faz parte dessa nova geração que quebra os empecilhos ao se compor e produzir música. Ele é o responsável por todos os processos. Desde as composições, letras e produção que são feitas pelo celular em seu quarto. ‘Paisagens fugitivas’ é como foi batizado seu novo EP, esse já é seu sexto lançamento e marca um trabalho intenso, introspectivo e sentimental. Durante as quatro faixas, o músico externa explicitamente seus sentimentos, abordando temas como saúde mental, problemas familiares, financeiros e as relações modernas. Esses sentimentos conflitantes são envoltos por uma sonoridade amena, ruidosa e introspectiva, trazendo facilmente aquele clima de estar sozinho em um quarto escuro, deitado e olhando pela janela enquanto os minutos correm com os pensamentos ou até mesmo em uma caminhada solitária e sem destino. ”É música para quem sente que precisa de um abraço, pra quem chega de noite cansado e foge do mundo através dos fones de ouvido, pra quem pedala pra longe e tentado pela liberdade reluta em voltar.” Raad Ferreira (weird fingers) Entre suas principais influências musicais estão Keaton Henson, herbal tea, Oupa (projeto do Daniel Blumberg, ex-Yuck), José González, Grouper e fntsma. Todas as canções foram compostas e gravadas num celular em casa por Raad Ferreira durante a quarentena, antes de nascer o sol ou vendo ele se por. Compor e produzir música sem estúdios e selos de divulgação é algo desafiador e pode trazer aquele sentimento de limitação. Conta pra gente como funciona seu processo de composição, gravação e produção das músicas, quais equipamentos você costuma usar? Normalmente eu toco e canto algo espontâneo seguindo alguma ideia ou linhas que ando pensando no momento enquanto gravo no celular. Depois eu começo a gravar faixas de violão/outros instrumentos iniciais mas na verdade sem ter uma ideia muito clara de como a música vai se desenvolver até chegar na DAW. Aí na verdade acaba sendo uma coisa meio aleatória, ir ouvindo o som até pensar no que encaixar em harmonia (ou desarmonia), ir testando sintetizadores, vozes ecoando e tudo que dê pra criar o clima da música. Algumas músicas também são de gravação bem crua, só aperta o rec e segue a ideia junto com o sentimento, depois eu vejo o que fica legal ali de arrumar na sonoridade… aumentar as camadas, reverberar etc… Real que eu gosto de brincar com os efeitos até chegar onde quero.  Já é uma premissa dos seus trabalhos terem uma identidade que parte do lo-fi, folk, e drone. Você pensa em manter essa sonoridade em suas composições futuras ou gostaria de experimentar novas sonoridades? Quero e tento criar uma identidade diferente em cada trabalho, mas a sonoridade segue na mesma intenção de criar que soe distante, submerso, meio sombrio. Eu vivo cheio de ideia de coisas pra inventar e é sempre no último minuto que eu sigo algum caminho, mas as ideias que venho criando são de expandir a instrumentação, gravar mais canções com bateria/guitarra e um ritmo lento.  Se você pudesse escolher apenas uma das suas músicas para fazer parte da trilha sonora de um filme, qual seria a música e o filme escolhidos? Essa pergunta é perfeita!!! Muita coisa que eu faço é pensando em alguma cena sabe? Não sei se faz muito sentido pra todo mundo que ouve mas eu componho/escuto visualizando cenas de um filme que não existe realmente, meio que feito por memórias sei lá… Enfim, acho que “desculpa tudo bem oi” nas cenas iniciais do filme “Árabia”, dirigido por João Dumans e Affonso Uchoa.  O que você diria para quem está pensando em compor músicas, mas ainda se sente inseguro ou limitado quanto a equipamentos? É importante saber o quanto aquela composição tá significando pra você. Independente de como for gravada, aquela importância persiste. E se é importante mesmo a gente corre atrás de fazer independente do material que tiver a disposição. As pessoas vão se ligar que tu fez seu melhor e carregou com sentimento. Insegurança precisa de amizade, alguém que tu confia e que sabe o valor do que cê tá fazendo. Tá lá pra ouvir teu som e dizer o que precisa porque sabe o quanto aquilo vale pra você. Siga o weird fingers nas redes sociais: Facebook | Youtube| Bandcamp

Lançamentos nacionais

Fizemos uma listinha com os últimos lançamentos nacionais de algumas bandas e artistas que já apareceram por aqui. Portanto, esse é o momento pra conhecer música nova e aproveitar também para adicionar música nova às suas playlists e ficar ligado no que tem surgido. É quinta-feira, mas não é desculpa pra não ligar o som alto e aproveitar. Adorável Clichê – Derrota (2020) O novo single “Derrota” marca o retorno da banda Adorável Clichê após dois anos desde o último disco lançado “O que existe dentro de mim’‘. Segundo eles, a letra da música busca explorar as faces e vozes internas e se desenvolve num fluxo de consciência que encara as insatisfações, busca refúgio no passar do tempo e depois decide se levantar e tentar novamente. A sonoridade aqui abusa mais dos synths e traz aquele ar nostálgico e de calmaria. Garbo – Eu gosto de não ter que me preocupar (2020) O cantor e compositor Garbo lançou mais um single inédito, esse já é o sexto após o lançamento de seu primeiro disco ”Jovens Inseguros Vivendo no Futuro” lançado em 2018. Segundo ele, a faixa ”Eu gosto de não ter que me preocupar” fala sobre a liberdade após o fim de um relacionamento abusivo. A sonoridade segue com influências da música pop, a letra foi escrita por Garbo e produzida por Diego Silveira (Cine) e Riff. Jardim Soma – The End (2020) Jardim Soma é o novo projeto de Luca Bori, baixista da banda Vivendo do Ócio. A música surge em um período após o primeiro disco ‘Antena’ lançado em 2019. Em ‘The End’ o músico mescla elementos do lo-fi, indie e tropicalismo, trazendo também novas estéticas. Todos os instrumentos foram gravados por ele, já a composição é de seu amigo pessoal Fábio Trummer. Tôrta – Iron Closet (2020) Aceitação e orgulho lésbico, essa é a mensagem de ‘Iron Closet’ nova música de Tôrta, projeto liderado por May Manão, integrante da banda Crime Caqui. A faixa ganhou um vídeo com um clima bem retrô de filmes em VHS, com bom humor mostra cenas de suas amigas dançando com fundos em chroma key por diversos lugares do mundo. O título faz referência a sair do armário e se aceitar. Diego Neves – Mexicana (2020) Em ‘Mexicana’, o cantor e compositor Diego Neves expressa sua homenagem aos amores vividos e sua relação com a cidade de Juiz de Fora em Minas Gerais. Durante a letra ele cita lugares conhecidos, inclusive, o nome da música vem de uma pastelaria famosa na cidade, o clipe oficial deverá ser lançado em breve devido a pandemia. Diego também é integrante da banda Legrand. Blanches – Weakness (2020) O Blanches vem de Sorocaba e é formado por José Cesar (vocal/guitarra), Ricardo Camargo (bateria), Gabriel Pasini (baixo) e Caio Lobo (guitarra), a banda surgiu neste ano durante a quarentena e lançaram ‘Weakness’, sua primeira música de trabalho. Ela fala sobre a relação afetiva de pessoas e as fraquezas e vulnerabilidades resultantes desse distanciamento forçado. Rocca – O Tigre e o Dragão (2020) ”O Tigre e o Dragão” é o novo single da banda cearense Rocca Vegas e mostra potencia e energia ao falar sobre equilíbrio e espiritualidade. A faixa foi produzida por Leo Ramos (Supercombo). O vocalista e guitarrista Maurílio Ramos explica o significado da música “o filme conta a história de duas lutadoras, mas em suma, frisa que toda escolha tem uma determinada consequência. A partir disso, fizemos um paralelo, ressaltando a importância das transformações em prol da nossa própria evolução espiritual”. Siga os artistas nas redes sociais: Adorável ClichêGarboJardim SomaTôrtaDiego NevesBlanchesRocca Acesse também a nossa seção Rebobinados indica

Nietts resgata pós punk enérgico e dançante em ‘Disco Inferno’

O pós punk é um dos meus gêneros favoritos, acho simplesmente incrível a aura que rodeia o gênero. Aquela estética preto e branco, dark, com influências de cinema, literatura, fotografia e obras de arte ou temas mais melancólicos. A junção do punk aos momentos mais melódicos, dançantes e sombrios. A cada banda nova surgindo fico felizão, e com a Nietts não foi diferente. Os encontrei nas buscas incessantes pela internet e também pelo Last.fm, inclusive, minha rede social favorita, lá estava o EP Disco Inferno e logo soltei o play. A Nietts surgiu em 2019 na cidade de São Paulo e conta com André Guimarães (guitarra/vocal), Allan Carvalho (bateria) e Luiz Fernando (baixo, vocal). A escolha do nome era algo que seria relativamente difícil, afinal, parece que todos os nomes possíveis e impossíveis já estão em uso, segundo o vocalista e guitarrista Andre: Depois de dias procurando nome pra banda, sem sucesso, porque todos os nomes que você imaginar já tem alguma banda no mundo usando, o Allan disse “então não põe nada”. Boa! Só que “Nada” já existe (pra variar). Aí procuramos em outras línguas. Niets é “Nada” em Holandês. Também já existe. Pra não desistir de ter um nome pra banda, estilizamos com mais um T, então ficou NIETTS.  André (Nietts) Disco Inferno é o EP de estréia deles, foi composto durante o ano de 2019, gravado no Caffeine Sound Studio e produzido por Kleber Mariano e Andre Leal. As quatro faixas trazem uma sonoridade que faz jus ao pós punk da década de 80, junto de influências do rock alternativo que trazem um ar mais moderno, com uma pegada enérgica, dançante e sombria, que são premissas do gênero e agitam a pistinha. A música que abre o disco é ‘Bad Times’, que inclusive, mesmo com as limitações da pandemia ganhou vídeo oficial mostrando imagens de shows e captações caseiras. A ideia do clipe é passar para as pessoas algo que quase todo mundo viveu na pandemia, assistindo seus próprios demônios e mergulhando em seus pensamentos mais obscuros. André (Nietts) A produção e edição ficou a cargo de Allan Carvalho e as imagens por Nietts e Clóvis Stage Struck. As letras falam sobre a onda fascista que se instaurou no Brasil nos últimos dois anos. Você pode conferir o resultado abaixo: A banda se apresentou apenas duas vezes ao vivo, em dezembro de 2019 em Santo André no 74 Club como abertura para o Sky Down e Fuck Youth, e em fevereiro desse ano que marcou a despedida do baixista Zezito (Luiz Fernando) que se mudou para o Rio Grande do Sul. A substituição do ex baixista e planos futuros serão resolvidos apenas a pós-pandemia, ou seja, no momento sem previsões. — Como foi o processo de juntar a banda, compor e gravar o primeiro EP? Vocês tiveram alguma dificuldade durante esse processo ou tudo ocorreu tranquilamente? André – Eu conheci o Allan no começo do ano passado, no FFFront. Se eu não me engano era um show da Sky Down. Quem me apresentou ao Allan foi o Daniel Cardoso (Toro Roco e The Fingerprints), que na ocasião disse que a gente tinha que unir as influências de Melvins e afins e montar uma banda. Eu e o Allan vínhamos de uma carência musical, ambos sem bandas e de passado “Stoner Rock”. Por isso chegamos muito espontaneamente ao Post-Punk, combinando com nossa salada musical de Alternative, Indie, Disco, Grunge, etc. Para o baixo chamamos o Luiz (Lata do Lixo da História), que é meu amigo de longa data. Fevereiro à Dezembro de 2019 foi dedicado à composição de 6 músicas, de onde saíram as 4 músicas do EP Disco Inferno. 90% dos ensaios ocorreram em nossa segunda casa, o 74 Club, em Santo André/SP. Gravamos o EP em Janeiro deste ano, no Caffeine Sound Studio (estúdio que fechou as portas durante a pandemia), com produção de Kleber Mariano e Andre Leal, do Estúdio Jukebox (Volta Redonda/RJ). Durante o processo de Mix e Master veio a pandemia, que nos deixou que nem barata tonta e nos fez pausar o processo de produção do EP. Depois de levantar da paulada, decidimos finalizar a Masterização e lançar o trampo. O EP Disco Inferno é modesto e foi produzido com muito pé no chão, considerando nossas possibilidades, principalmente financeira. Não dá pra dizer que o processo necessariamente foi tranquilo, mas não tivemos problemas em prorrogar, já que não havia pressa.  A letra de ‘Bad Times’ tem um tom político e se encaixa perfeitamente nos dias de hoje. Quais temas tiveram impacto na banda ao compor as músicas do EP? André – Tudo veio de uma naturalidade muito grande. A única ligação entre todas as letras é que a gente fala do que vive. Todas as letras são em 1ª pessoa. O fato de termos muito forte a questão ideológica, faz com que a gente fale dos problemas estruturais de nossa sociedade, de um ponto de vista individual. Bad Times fala da onda fascista, Antihero fala de iconoclastia, Fire In Your Eyes de questões afetivas e Soy Lo Que Soy foi inspirada no processo de transição de um homem trans. Como tem sido enfrentar os desafios de promover uma banda em meio a pandemia e o que vocês esperam fazer quando a situação voltar ao normal? André – Tá tudo muito doido, né? Eu não vejo o Allan desde 14 de Março, na semana anterior à quarentena. O Luiz eu vi antes disso ainda, já que ele havia se mudado para Rio do Sul/SC. Por enquanto não temos perspectivas nem de nos reunirmos para ensaio, já que estamos respeitando o isolamento, na medida do possível, considerando que somos obrigados a trabalhar e fazer outras coisas básicas. Também tem o fato de estarmos sem baixista. O primeiro passo, quando voltar a normalidade, é definir o baixo. Estávamos conversando com a Debb, da Gran Tormenta, então há fortes possibilidades dela ser a substituta. Depois disso queremos fazer shows e em paralelo compor um próximo

Quem indica: Lia Kapp

Bem vinda segunda-feira! Hoje temos mais uma edição do Quem indica, trazendo uma galera da música independente underground pra indicarem seus discos favoritos, mais escutados ou idolatrados. Como falamos antes, essa seção busca criar um vínculo entre artista e fã, pra matar aquela curiosidade. Hoje temos indicações da querida Lia Kapp, no final da matéria você encontra todos os links pra segui-lá nas redes sociais e escutar seus discos. Lia Kapp Lia Kapp é uma cantora e compositora de Curitiba, Paraná. Ela tem um disco de estúdio, o Metamorphösis (2018) e dois EP’s, Conflito (2015) e Jupiter (2019). Podemos classificar o som dela como um dark rock com influências vindas de música clássica, post-rock e doom metal. Ideal pra quem curte: Chelsea Wolfe, Emma Ruth Rundle e Lethian Dreams. Indicações da Lia Quem conhece o meu som, conhece só uma parte de quem eu sou. Pensando nisso, tentei escolher os meus álbuns preferidos pra mostrar o quanto eu sou eclética e escuto muita coisa diferente. Foi um pouco difícil de escolher, porque eu geralmente não sou uma ávida ouvinte de álbuns, eu sou de ficar ouvindo umas três músicas e é isso… hahaha. Britney Spears – In The Zone (2003) Decidi começar com esse por ser o mais distante do que faço na minha arte, mas também porque é o álbum que eu mais escuto desde que eu o conheci. Esse álbum seria o álbum mais perfeito do mundo se não tivesse a música ‘Brave New Girl’, que mais parece uma música do primeiro álbum da Britney, quando ela ainda era adolescente, mas fora isso é muito bom. O ‘In The Zone’ é muito interessante pra mim pelas influências de hip hop e também pelos sintetizadores, como em ‘Breathe On Me’, por exemplo. O que eu acho muito legal desse álbum também é que a Britney participou ativamente da produção e entregou composições próprias, mostrando ao público mais sobre a artista que ela é. Infelizmente, depois disso a gravadora começou a podar ela e nunca mais fomos capazes de ver um trabalho tão autêntico assim… Radiohead – OK Computer (1997) Esse álbum é especial pra mim porque foi o primeiro álbum do Radiohead que eu escutei. Na época que eu conheci, eu tinha um celular que não dava pra baixar música, mas tinha um app que baixava vídeos do youtube, então baixei o full album e ouvia todos os dias no ônibus a caminho da faculdade de psicologia em 2015. São boas memórias. ‘Exit Music (For A Film)’ é minha preferida e acho que me influenciou muito inconscientemente no modo em que escolho os elementos pras minhas músicas. ‘No Surprises’ também é perfeita. Quase morri de chorar quando eles tocaram essas duas músicas no show de 2018 em São Paulo. Tool – Lateralus (2001) Eu conheci o Lateralus e o Tool no ano passado, 2019, através do meu namorado e desde a primeira audição eu fiquei bem encantada, tão encantada que até fiz um trabalho sobre ele pra uma disciplina da faculdade. O que eu mais gosto nesse álbum é que tem músicas que a fórmula de compasso muda um milhão de vezes, e eles utilizam tempos bem inusitados comparados ao famoso 4/4. Outra característica bem marcante pra mim é a voz do vocalista, Maynard Keenan, que entrega um trabalho incrível tanto na voz limpa quanto na voz distorcida. Minha música preferida é ‘Schism’. Labirinto & thisquietarmy Split (2013) Esse álbum é tudo pra mim. Em 2014 eu fui por acaso num show da Labirinto no Teatro Paiol, aqui em Curitiba, e desde então me tornei muito fã deles. Esse álbum me ajudou a passar no vestibular de psicologia, sério! Eu estudava e ouvia ele num rádio dos anos 2000 que tenho até hoje, e me ajudava muito a manter a concentração. Meu sonho, quando eu tinha a banda, era dividir o palco com o pessoal da Labirinto, e uma das melhores coisas de 2020 foi poder conhecer alguns deles pessoalmente! Eu estava bem fã girl morrendo de vergonha hahaha. Quem sabe um dia a banda volta e a gente não toca junto, né? Chelsea Wolfe – Hiss Spun (2017) Eu não podia deixar a Célia de fora, né? Escolhi esse porque nesse disco ela assumiu uma imagem mais ousada, que, por eu ser fã de divas pop, me conquistou bastante. Mas o que mais me agrada nesse álbum é a agressividade das guitarras, acho que combina muito com a maneira que minha mente funciona agora. Antigamente, o meu álbum preferido dela era o ‘Pain is Beauty’ por ser mais eletrônico e melancólico, mas no momento em que estou da minha vida não sou muito mais fã de melancolia, por isso a agressividade do ‘Hiss Spun’ me representa mais. ‘The Culling’ e ‘Scrape’ são as minhas faixas preferidas. Siga Lia Kapp nas redes sociais: Facebook | Instagram | Bandcamp | Youtube Confira outros artistas que indicaram seus discos favoritos.

Salvage conecta brasilidades e post-rock em novo EP ‘Desvio’

O post-rock é um dos gêneros mais interessantes justamente porque que vai contra o tradicional, dando espaço para a liberdade, a experimentação. Os timbres e texturas criam paredes sonoras que levam o ouvinte a uma viagem. E não é a toa que pra expressar esses momentos usam o termo soundcapes, algo como paisagens sonoras. Já que mencionamos as misturas e experimentações, vamos falar de uma das bandas que tem mostrado uma das sonoridades mais interessantes do post-rock nacional, inclusive, já entraram em nossa lista de 15 bandas de post-rock nacional pra conhecer. O SALVAGE surgiu no Rio de Janeiro em 2014, em sua proposta sonora trazem influências do math-rock, post-rock e ritmos afro-brasileiros. Essa fórmula ainda não havia sido tão explorada no primeiro disco ‘MΔE’, lançado em 2016 com quatro músicas. O álbum colocou a banda na rota da cena independente, onde dividiram palco com nomes como: Bike, El Toro Fuerte, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante e Odradek. Após uma temporada de shows, os músicos deram uma pausa na banda, que depois de um tempinho voltou a se reunir em Búzios, no Rio de Janeiro para colocar as ideias em prática e se reestruturar, visualizando um futuro novo disco. Foi deste processo que surgiram as composições que integram ‘Desvio’, o novo EP. A faixa ”AL” antecedeu seu lançamento oficial, apresentada em março desse ano. O álbum veio em julho, conta com 4 músicas inéditas, suas gravações ocorreram entre agosto e setembro de 2019. As influências de música regional adicionaram uma identidade forte ao som da banda, além disso, se conectam perfeitamente as estruturas dos outros gêneros. Temos aqueles lances mais métricos de guitarra herdados do math-rock, que vão de encontro ao ritmo de baião ou ora com percussões que vão preenchendo a música em um ritmo bem leve e agradável, como por exemplo na faixa ”Lasso”. Em ”Sorte Ferida” somos introduzidos com calmaria pelos riffs de guitarra, e ao decorrer dos 4 minutos da faixa acompanhamos seus momentos de evolução, que vão de passagens mais ”grosseiras” até as mais rítmicas em seu final. Pra fechar temos ”Maré Baixa”, e ela parece reunir tudo muito bem redondinho, como comentei anteriormente, as músicas tem toques tão suaves que trazem uma calmaria boa, difícil não se manter relaxado ouvindo, mesmo vivendo na selva de pedra. Siga o SALVAGE nas redes sociais: FacebookBandcampInstagram

10 lançamentos nacionais pra você ficar ligado

O ano é 2020, e nunca pensamos que passaríamos por um momento tão conturbado, não é mesmo? Mas, paralelo a isso procuramos as nossas válvulas de escape, nem preciso dizer que a nossa favorita é a música né? Pois bem, temos aqui 10 lançamentos nacionais que queremos dividir com vocês, tentamos separar de forma mais democrática possível, mas calma que ainda vai ter mais. Por enquanto, respirem fundo, se cuidem e apreciem os ótimos artistas e bandas que listamos nessa matéria. Riders of Death Valley – Going Down (2020) Se você gosta de stoner então vai pirar com o som do Riders of Death Valley. O quarteto paulista surgiu em 2015 e já lançou um EP auto intitulado que saiu no ano passado via Abraxas Records. Este ano acabaram de lançar o single ‘Going Down’ contendo duas faixas inéditas. Aqui eles apostam numa mistura pesada e enérgica do grunge com o stoner rock, lembrando bastante a cena dos anos 90. Facebook | Bandcamp RSR Beats – High Hopes (2020) Rafael Sena é um artista e estudante de psicologia, o disco High Hopes é fruto de seu projeto composto inteiramente pelo celular. As 7 faixas de sonoridade lo-fi hip-hop, contam com algumas técnicas e sons que trazem o ouvinte para alguma lembrança de infância ou até mesmo se sentir acolhido em momentos de concentração. Essa foi a forma que Rafael encontrou para aliar as coisas que gosta, a música e seus estudos em psicologia, esse é o terceiro disco lançado. Instagram | Bandcamp Cronistas – Queda/Ascensão (2020) A banda Cronistas vem da cidade de Santos e foi formada no ano de 2016. Em seu novo EP Queda/Ascensão, eles trazem um rock alternativo que dialoga bem com os tempos atuais. As cinco músicas abordam temas de superação em meio a situações tempestuosas, como é o caso da faixa recém lançada e que ganhou vídeo clipe ”O Revoar”, que fala justamente sobre esse sentimento de dar adeus às coisas do passado e seguir em frente após um processo de recuperação. Facebook | Instagram giules – Sleepyhead (2020) Músicas sensíveis, mas ao mesmo tempo cheias de personalidade, conexões amorosas e sentimentos, é assim que podemos classificar as quatro faixas que fazem parte de Sleepyhead, o EP de estréia de Giules. A cantora e compositora vem da cidade de Sorocaba em São Paulo, mas já morou durante algum tempo na Hungria, país que definitivamente teve influencia sobre suas composições. Entre suas principais influências estão City and Colour, Neck Deep e Ed Sheeran. Youtube | Instagram lllucas – Kit/processo (2020) lllucas é um projeto de São Paulo, que faz um som que transita entre o experimental e o synthwave num clima bem intimista e lo-fi. O EP “Kit/processo” vem após dois anos desde ”Creme Azedo”, o primeiro trabalho, que inclusive já falamos aqui. As composições mantém o foco no jovem suburbano, que lida com um amontoado de situações cotidianas, como relacionamentos superficiais, a solidão da cidade e a tristeza, como podemos destacar em ”Azul”, uma das músicas que compõem o disco. Facebook | Bandcamp Crime Caqui – Your Forehead (2020) A Crime Caqui é o que estávamos precisando no indie nacional, o quarteto paulistano de garotas apresenta seu terceiro e novo single ”Your Forehead”, nele ouvimos um clima bem leve, nostálgico e até dançante, que facilmente nos lembra algo do Warpaint. Aqui as letras são cantadas em inglês, e falam sobre as coisas inusitadas que gostamos na pessoa pela qual nos apaixonamos, diferente das outras faixas já lançadas que são cantadas em português. Já estamos ansiosos para um futuro lançamento. Facebook | Bandcamp Applegate – Miragem (2020) Em seu novo single ‘Miragem’ , o Applegate faz jus a suas influências vindas do rock psicodélico. Com passagens aéreas e um belo duelo entre vocais e riffs de guitarra siderais, conseguem criar um clima bem suave e experimental, fazendo com que o ouvinte se sinta imerso. A banda surgiu em São Paulo no ano de 2016, trazem na bagagem o primeiro disco Movimentos Regulares, além de 4 singles e uma demo. Facebook | Instagram Maoa – Curupira (2020) Incorporando em seu som influências do rock indie, soul e funk, a banda Maoa vem de Cuiabá, no Mato Grosso do Sul. A faixa ”Curupira” é o segundo single lançado e fala sobre a marginalização social, tendo como exemplo o triste caso do menino João Pedro que foi baleado enquanto brincava dentro de sua casa. A proposta é falar sobre auto conhecimento, expansão da consciência e espiritualidade, a faixa é o segundo single lançado pela banda. Facebook | Instagram Danny D. Weirdo – Maníaco (2020) Danny D. Weirdo é um projeto musical que utiliza performances surrealistas, sendo a estética um de seus pontos fortes. O grupo utiliza máscaras e personas, tudo para fazer de sua apresentação uma experiência hipnótica. A sonoridade experimenta com diferentes estilos musicais como o noise, stoner e indie rock. Este ano lançaram ”Maníaco”, seu novo single produzido por Gil Mosolino. Facebook | Instagram Bravaguarda – Chega (2020) ”Esta é uma música sobre despertar para as coisas que realmente nos interessam”, diz o vocalista e guitarrista Dan Barreto sobre o novo single ”Chega” do Bravaguarda, que fala justamente sobre enfrentar empecilhos do dia-a-dia que nos desvirtuam de nossos objetivos. A banda paulistana faz um som contemporâneo passeando pelo folk e pop rock, e já tem um disco de estúdio lançado em 2018. Facebook | Site

Ousel, disco de estréia tem doses de post-rock, dream pop e composições intensas

ousel

A banda, o disco de estréia e a recepção A Ousel foi formada no ano de 2016 em Goiânia, e atualmente conta com João Paulo Guimarães (guitarra), Renato Fernandes (guitarra/teclados), Thais (voz) e Túlio Queiroz (baixo). Em janeiro desse ano lançaram seu primeiro disco de estúdio, o auto intitulado Ousel. As oito músicas tem como tema emoções variadas, que surgem diante da vulnerabilidade e da insegurança das pessoas e suas relações. Pra expressar esses sentimentos, as composições vão de momentos bonitos, etéreos a climas mais intensos. Dentre suas principais influências estão bandas já conhecidas na rota do post-rock e dream pop, nomes como Mogwai e Slowdive. A viabilidade do disco seu deu por conta da Lei de Incentivo a Cultura da cidade de Goiânia, o material foi gravado, mixado e masterizado no Estúdio Resistência, com produção de Lucas Rezende (Aurora Rules) e Francisco Arnozan, profissionais renomados na cena local. Assim, como resultado ganharam recepção tanto dentro do país em blogs já conhecidos da cena musical alternativa e independente, como também em outros lugares no mundo. A banda já teve suas músicas executadas em rádios como DKFM (EUA), Tribe FM (Austrália), Kaos Caribou (França), WFMU (Nova Iorque), só pra citar algumas. A música ”Silent Mess” foi escolhida como single e ganhou um vídeo clipe que você pode conferir logo abaixo: — Entrevista — Contem pra gente como a banda surgiu, vocês já se conheciam de algum projeto anterior? A banda surgiu no início de 2016.  Nas férias de Janeiro, eu chamei o João (guitarra) pra começar a criar algumas canções instrumentais de forma despretensiosa, em casa mesmo. Fizemos alguns ensaios e compusemos “Maya”, em estrutura e melodia. Quando a gente percebeu que havia um potencial na música, decidimos deixar de ser um duo e passamos a mirar na idéia de ter a Ousel com uma formação mais completa, com baixo, bateria e voz. Falando baseado na formação atual da banda, somente eu e o Túlio (baixo) já havíamos tocado juntos anteriormente. Foi um projeto musical que não durou muito tempo. Fizemos alguns ensaios, mas não chegamos a lançar nenhuma música. Em uma pesquisa descobri que Ousel é o nome de um pássaro, como vocês chegaram até esse nome e por que o escolheram? A escolha do nome foi feita logo no início do projeto quando eu e o João éramos um duo, como já havia dito. Sempre buscamos algo que fosse simples, minimalista e o ousel (melro, em português), por ser um pássaro selvagem típico de regiões frias, nos parecia uma escolha certeira. Era um nome diferente, curto, e a imagem do pássaro dialogava bem com o som que a gente fazia, muito baseado na construção de ambiências e paisagens sonoras etéreas. O disco de estréia fala muito de emoções, que inclusive são muito bem transmitidas nas suas músicas que mesclam elementos de post-rock e dream pop. Como vocês chegaram até essa sonoridade? Essa sonoridade é proveniente de coisas que ouvi ou longo de praticamente toda minha vida adulta (risos). Quando entrei na universidade, em 2009, eu já ouvia artistas como Brian Eno, Daniel Lanois e bandas como Slowdive, Low, Cocteau Twins entre outras do gênero. Na nossa primeira reunião como duo, já havíamos decidido que era esse o rumo sonoro que a banda tomaria. Falando ainda sobre sonoridade, existem outros gêneros musicais fora do rock que vocês escutam ou que de alguma forma influenciam a banda? Bem, fora do rock eu acredito que possa citar a música ambiente como o gênero que mais influenciou de forma direta o som da banda. É difícil citar influências fora do rock porque se trata de um estilo de música com diversas ramificações, mas vou citar duas cantoras jovens que admiro e ouço, ambas da música pop. Maggie Rogers, e Heloise Letissier, conhecida pelo nome artístico, Christine and the Queens. Elas são demais! Em tempos de pandemia tem sido difícil manter uma rotina, como vocês tem passado os dias em casa? Eu, o João, e a Thais (vocal), como não temos vínculo com nenhuma empresa privada, temos seguido à risca a quarentena. Recentemente, comecei a ler o livro “Projeto Nacional: O Dever da Esperança”, do Ciro Gomes. Tenho ouvido bastante coisa lançada esse ano de 2020. Gostei do novo da Phoebe Bridgers, ela canta demais!  O João gosta de passar o tempo com jogos online, ele é o fera dos games da banda (risos). A Thaís estuda canto e acredito que deve estar no final semestre, assistindo aulas remotamente. O Túlio, por fazer parte de uma empresa privada que não aderiu ao home office, ainda trabalha de segunda a sexta, mas tem seguido com responsabilidade as recomendações e todos os cuidados pra evitar a contaminação. Como vocês definiriam o som da banda para uma pessoa que nunca escutou algo parecido? Indie Rock ou Rock Alternativo. Sem complicação (risos)! O que vocês tem escutado nos últimos meses, existe algum artista ou banda que não sai da playlist? Cada um tem ouvido alguma referência em específico. A Thaís gosta muito de The Gathering, o João curte Tool, o Túlio tem influências mais pesadas como a banda Silent Planet, eu tenho ouvido muito Big Thief, por exemplo. Mas se for pra citar apenas uma artista que todos temos gostado em comum, é a Sharon Van Etten. A unanimidade! (risos). Se vocês pudessem escolher apenas uma música do disco para fazer parte da trilha sonora de um filme, qual seria a música e o filme escolhidos e por quê? A música escolhida seria “Mistaken”, para o filme “The Warriors”, no Brasil, “Os Selvagens da Noite”, clássico cult do Walter Hill de1979. A escolha se deve, entre outras coisas, pelo fato de uma das trilhas ter me influenciado bastante na gravação das camadas de teclados em “Mistaken”. A composição a qual me refiro é, “Baseball Furies Chase”, de Barry de Vorzon, que no filme é trilha pra uma das perseguições mais legais entre gangues da história do cinema (risos). “Mistaken”é a nossa composição que sugere mais fortemente o

10 artistas e bandas LGBTQIA+ brasileiras para conhecer em 2020

Esse é conhecido como o mês da diversidade, é nele que é comemorado o dia do orgulho LGBTQIA+, e onde também acontece anualmente a famosa Parada do Orgulho LGBTQIA+, que teve em sua primeira edição cerca de 2 mil pessoas, mas que hoje atrai milhões ocupando a famosa Avenida Paulista para celebrar o amor e a luta por direitos. Infelizmente, ainda vivemos em um dos países que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, mas ainda temos esperança que essa triste realidade mude, mesmo que a passos lentos como vem sendo. Portanto, pensando nisso separamos dez nomes da cena LGBTQIA+ que você precisa conhecer, nada mais justo exaltar artistas que vem surgindo e dando voz e representatividade às pessoas que compõem a sigla. JUP DO BAIRRO Jup do Bairro já era conhecida por suas falas e apresentações intensas ao lado de Linn da Quebrada, com quem divide os palcos. Em seu primeiro EP Corpo sem Juízo (2020), produzido por Badsista, ela marca uma nova fase de sua carreira musical. Nele, suas composições externam dores, injustiças, mas também trazem representatividade, força e empoderamento. Um dos singles, a música ”All You Need Is Love”, conta com participações de Linn da Quebrada e Rico Dalasam e traz um som influenciado por funk e música experimental eletrônica. GETÚLIO ABELHA Quem disse que não pode rolar um forrozinho queer? O artista visual Getúlio Abelha vem do Piauí, mas foi em Fortaleza que começou a construir sua carreira. As gírias LGBTQIA+, a cidade, pessoas, costumes e mais outras tantas inspirações são o ponto forte em suas letras e vídeo clipes. O que nos chama a atenção são as ótimas performances e a criatividade de Getúlio em lidar com as estéticas de seu projeto. Recentemente ele lançou um vídeo clipe para seu novo single “Sinal Fechado”, que traz um clima bem anos 80 de filmes trash. SAPATARIA Com influências vindas dos movimentos riot grrrl, punk e hardcore, a banda Sapataria foi formada em 2016 na cidade de São Paulo. É liderada por quatro garotas lésbicas que tinham justamente o desejo de poder se expressar e dar voz a outras mulheres através da música. De forma totalmente independente lançaram seu primeiro EP Sapataria (2019). No vídeo da música ”M.S.B (Movimento das Sem Banheiro)” elas criticam as hostilizações que mulheres lésbicas sofrem devido a preconceitos de uma sociedade machista, homofóbica e conservadora. ENME Enme vem do Maranhão e já chegou quebrando tudo com seu primeiro EP, o ótimo Pandú (2019). Pra comprovar o que estou falando, o disco ganhou destaque até fora do país, na Vogue Itália. A estética traz influências regionais da cantora, assim como o som que tem um punhado de referências musicais que vão do reggae, hip hop ao r&b e promete não deixar ninguém parado, a faixa ”Killa” já nos mostra isso. Se preparem para ouvir falar muito de Enme por aí. TEU PAI JÁ SABE? Como uma de suas músicas diz, punk também é pra veado! A banda curitibana Teu Pai Já sabe? (ótimo nome) formada em 2008, vem justamente para desmistificar a ideia de que homens gays não podem fazer esse tipo de som. Suas músicas convocam toda a galera LGBTQIA+ para shows cheio de ”carão e caos”, com letras cheias de críticas e ironias contra pessoas que tentam privar pessoas LGBTQIA+ de suas liberdades. Na discografia trazem os álbuns: Blasfêmia pouca é bobagem (2009) e Agora Sabe (2013). VINAA O cantor e compositor VINAA também vem do Maranhão, e é com certeza uma das gratas surpresas dessa nova geração de músicos. Em seus dois discos de estúdio, Bordel de Amianto e a Glória dos Loucos por Sex Appeal (2017) e Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos (2019), ele traz belas performances durante suas canções românticas, além disso, também nos mostra uma rica mistura de ritmos. Vale destacar a participação de Zeca Baleiro na faixa “Cicatriz (No Regresa)” que compõe o último álbum. JUCCAS O jovem cantor e compositor Juccas é uma das promessas da música nacional, nascido na cidade de São Paulo e com apenas 19 anos ele já mostra um grande potencial. Entre suas suas influências musicais estão o samba, mpb e pop. Ele lançou um EP intitulado Juccas (2019), com três faixas e produzido por Rick Bonadio. Mais recentemente lançou a nova “Quero Que O Amor (Exploda)”, com uma mistura inusitada de tango e funk. HAYZ O trio queercore HAYZ formado em 2018 em São Paulo, também levanta a bandeira das mulheres lésbicas e feministas, fortalecendo a cena musical de pessoas LGBTQIA+. No ano passado a banda começou a promover seu primeiro disco de estúdio Não Estamos Mais em Casa (2019). As músicas são influenciadas pelo rock feito durante os anos 90 e 2000 e falam sobre as angustias e lutas, baseadas em experiências pessoais das integrantes. MONNA BRUTAL Monna Brutal é uma rapper trans nascida na cidade de São Paulo, o ano de 2018 foi marcado pelo lançamento de seu aguardado primeiro disco batizado de 9/11. Mesmo estando em um ambiente machista como o do rap e hip hop, as músicas carregam mensagens diretas e empoderadas, que através de rimas bem afiadas fazem bonito na representatividade. O disco ainda traz participações de Brisa Flow e a slammer Katrina. TUÍRA O quarteto carioca Tuíra surgiu em meados de 2017 com a proposta de fazer um som influenciado pelo pop punk, hardcore e indie e que trouxesse em suas letras temas políticos e afetivos. Em 2019 lançaram o EP ‘Calma e Força’, com cinco faixas. O nome da banda é uma homenagem a uma indígena Kayapó, que com seu facão barrou a construção de uma barragem em Belo Monte durante a década de 80. Apoie seguindo as redes sociais: Jup do BairroGetúlio AbelhaSapatariaENMETeu Pai Já Sabe?VINAAJuccasHAIZMonna BrutalTuíra

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