O projeto brasileiro Warmest Winter rompe um hiato de cinco anos com o lançamento de Ongoing Longing, seu novo álbum de estúdio. Com oito faixas inéditas, o trabalho representa uma virada estética decisiva: se os registros anteriores dialogavam com o espectro do post-punk atmosférico e do shoegaze melancólico, o novo disco se volta a uma linguagem mais aberta, entrelaçando elementos acústicos, eletrônicos e ambientais.
A sonoridade de Ongoing Longing reflete uma busca por maior elasticidade emocional e textural. Violões em primeira camada, sintetizadores discretos e programações minimalistas criam um espaço sonoro que se afasta da opacidade ruidosa do passado — mas sem perder o senso de introspecção que caracteriza o projeto desde seu início.
“Existe um deslocamento nesse disco — uma vontade de deixar o som e as letras respirarem mais, de aceitar os espaços vazios, as perdas, as aceitações da vida, como parte da composição. Mas o desejo, o impulso, continua ali. Apenas menos encoberto”, afirma Tiago Duarte Dias.
Ao longo do álbum, é possível perceber influências que vão de Nick Cave e Bob Dylan a recortes mais recentes como Weyes Blood, Lucy Dacus, além de Big Thief. Em vez de uma ruptura abrupta, o disco propõe um deslocamento suave, quase meditativo, da linguagem musical — como se a tensão entre passado e presente se dissolvesse lentamente ao longo das faixas.
Produzido de forma independente, Ongoing Longing é também um ensaio afetivo sobre o tempo, o silêncio e o desejo como estado permanente. Mais do que um retorno, é uma reconfiguração — estética e sensível — de um projeto que se recusa a repetir a si mesmo.
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