Jupiterian e Herod @ CCSP

No último domingo, dia 04/02/2018 o CCSP (Central Cultural São Paulo) recebeu dois artistas nacionais de peso. Os paulistanos do Jupiterian e Herod dividiram o palco para apresentar seus últimos lançamentos pelo selo Sinewave.

Exatamente no horário subiu ao palco a primeira banda da noite, o Jupiterian. Com um clima mais soturno e um visual ritualístico, o quarteto que surgiu em meados de 2013 ainda sob o nome de Codex Ivpter, apresentou músicas de seu mais recente disco Terraforming.

A sonoridade traz influências de old school death metal, doom e sludge, seus integrantes já passaram por bandas importantes do underground como The Black Coffins e Kroni, então eu não esperava nada menos do que coisa fina.

O som que o Jupiterian faz ainda é pouco explorado no Brasil, ainda mais se falando nessa estética, e por mais que isso ainda choque muita gente, tudo faz parte de um conjunto, a caracterização dos integrantes, as caveiras sobre os amplificadores, a simbologia e primeiramente as letras e a música que soa impecável ao vivo.

Talvez eu tenha me enganado ao achar que assistira a uma apresentação comum de doom metal, e fiquei ”feliz” ao saber que foi muito mais que isso, as músicas ao vivo são mais pesadas e tão intensas que fazem com que você fique praticamente estático.

Não há nada tão teatral por trás da performance da banda, mesmo os quatro integrantes estando ali no palco com suas túnicas e em certos momentos com seus olhares fixos para a plateia. Algo que chama atenção, pelo menos para mim, foram a construção das músicas, os riffs tem um feeling com passagens mais melancólicas e ora mais fúnebres.

Essa atmosfera lembra os trabalhos de bandas de doom em seus primórdios, podemos citar aqui um Anathema ou My Dying Bride, e aproveitando, eles fizeram uma versão impecável de Mine is yours to drown in do Anathema.

Se você tem algum preconceito com bandas que usam esse tipo de estética, sério, eu te convido pra ir a um próximo show deles e tirar suas próprias conclusões, nada de Disneyland, just pure fucking metal. Vida longa ao Jupiterian!

Setlist:
Terraforming (intro)
Matriarch
Unearthly Glow
Forefathers
Us and Them
Sol

Em seguida, foi a vez do Herod, antigo Herod Layne, que surgiu por volta de 2006 na cidade de São Paulo, formado hoje por Elson Barbosa (baixo), Sacha Ferreira (guitarra), Daniel Ribeiro (guitarra) e Bruno Duarte (bateria).

O Herod é uma das bandas mais conhecidas do selo Sinewave, a primeira vez que assisti a um show deles quando ainda se chamavam Herod Layne foi na abertura do The Cure, convidados pelo próprio Robert Smith, isso em 2013 na Arena Anhembi para 30 mil pessoas, que baita presente pra banda e também uma baita pressão. Lembro que foi tudo ótimo, mas isso não vem ao caso agora.

A banda já tem uma bagagem bacana, com dois EP’s sendo eles Sealand Fire (2009) e Disruption (2015), e três discos de estúdio, In Between Dust Conditions (2008), Absentia (2010) e Umbra (2013), lançaram ainda duas compilações em 2016 The Rest of 2006-2016 e The Best of 2006-2016. Em 2017 lançaram um tributo à banda alemã Kraftwerk, onde gravaram versões para músicas famosas como Das Modell, Autobahn e Radioactivity.

O foco da apresentação foi o recente tributo, a banda conseguiu transformar as músicas originais em ótimas versões post-rock, preenchidas com guitarras pesadas, solos e outras adaptações que soam muito bem ao vivo. Os vocais ficaram por conta do guitarrista Daniel Ribeiro e em alguns momentos me lembraram até os vocais feitos pelo Sólstafir, banda islandesa de post-black metal.

A apresentação também foi impecável e durou cerca de 50 minutos, eu estava muito curioso pra ver como funcionavam as músicas ao vivo, já que no CD estava tudo tão lindo e fiel, e não é novidade que me surpreenderam, espero que possam apresentar esse material em outros estados também, pois isso só mostra o quanto a banda é versátil e competente, acredito que não seja nada fácil transformar músicas rotuladas como synthpop/eletronic em algo voltado ao post-rock, mas eles conseguiram!

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