E com essa lista nós fechamos o ano de 2025!
Dessa vez, selecionamos os 13 discos internacionais lançados este ano que mais gostamos. O legal é ver a diferença de gêneros musicais, do hip hop, pop, metal ao jazz, no geral, 2025 mostrou que foi mais um ano de ótimos discos.
Nos vemos em 2026 com mais música e shows!
Danny Brown – Stardust

Stardust não poderia ficar de fora desta lista. Aqui, o querido Danny Brown, recém-saído da reabilitação, transforma suas dores em um disco profundo e sóbrio.
O artista se diferencia desse escopo do chamado hip hop experimental, e traz uma dinâmica diferente para suas novas composições. Aqui ele flerta com as sonoridades do hyperpop, a música eletrônica e incorpora algumas texturas e ritmos que trazem novidade para o seu som, fato que se torna importante ao quebrar a bolha e conquistar uma nova geração de ouvintes acostumada com gêneros novos. Com certeza um dos melhores e mais criativos rappers da atualidade.
Escute: Stardust, Copycats e The End.
Model/Actriz – Pirouette

Model/Actriz é uma das bandas mais legais que surgiram no cenário musical recente. É impressionante como eles conseguiram fundir a sonoridade dançante, o emocional e o caótico na mesma linguagem.
Esse quarteto de Boston transformou desconstruiu o rock, usando riffs de guitarra, bateria e baixo em músicas perfeitas para aquela festinha underground de energia punk regada a bons drinks, bate cabeça e muita dança. Curioso pelo que há por vir nos futuros lançamentos deles.
Escute: Cinderella, Diva e Poppy.
Maruja – Pain to Power

Uma banda relativamente nova, e que vem de um gênero um pouco saturado nos últimos anos. Os rapazes do Maruja nos mostraram com Pain to Power uma sonoridade experimental, caótica, melancólica, agressiva e cheia de intensidade.
Esse é um daqueles discos que levam o pós-punk para outro nível e fazem o ouvinte vivenciar essa experiência catártica cheia de emoções, é como se a cada faixa você sentisse na pele a intensidade das composições.
Escute: Look Down On Us, Saoirse e Break the Tension.
Melody’s Echo Chamber – Unclouded

Faltando pouquinho para o ano acabar, eis que esse disco surge de repente, e ainda que esteja longe das notas altas das mídias e algumas pessoas, ele tem o seu valor.
A cantora e compositora francesa Melody Prochat vem com mais um lançamento dentro dos moldes da música psicodélica. Em Unclouded ela chama atenção por manter sua sonoridade de guitarras cintilantes, vocais angelicais e baixo retrô mas, buscou uma produção mais limpa e o uso de cordas, fato que trouxe uma beleza ímpar em suas novas composições. É o tipo de disco que te leva do momento presente pra uma jornada psicodélica amena e gostosa de ouvir.
Escute: In the Stars, Eyes Closed e Broken Roses.
Ichiko Aoba – Luminescent Creatures

A cantora e compositora japonesa Ichiko Aoba, que inclusive se apresentou recentemente no Brasil, trouxe em seu novo trabalho Luminescent Creatures uma atmosfera incrível.
A estética sonora e lírica se debruçou em algumas pesquisas acerca de criaturas marinhas do oceano na ilha de Hateruma, isso fez com que Ichiko nos levasse a uma jornada sonora que faz a melancolia e a amenidade brindarem juntas, com faixas que soam cinematográficas, daquelas trilhas sonoras que dá gosto em ouvir.
Escute: COLORATURA, FLAG e Wakusei No Namida.
Rosalía – LUX

Rosalía voltou com mais um trabalho muito elogiado. LUX é um marco e anda conquistando fãs ao redor do mundo.
Reconhecida como um dos principais nomes do reggaeton mundial, ela resolveu caminhar em direções opostas e desafiar sua própria criatividade e escrita. Dessa vez, seu trabalho conta com muitas orquestrações, cordas, corais e vocais altos, colocando a cantora e compositora catalã em outro nível. Nota 10 para os feats que contam com Björk e Yves Tumor. Surpreendente e inovador!
Escute: Divinize, Berghain e La Rumba Del Perdón.
Rochelle Jordan – Through the Wall

Escutar Through the Wall da Rochelle Jordan é se transportar para a vida noturna dos clubes. É um disco sexy, dançante, sofisticado e maduro.
Aqui ela buscou construir um trabalho coeso e sem se preocupar tanto com o que está na moda, buscando referências na deep house, r&b e pop, o que resultou em um álbum maduro, bem produzido e que com certeza se manterá como ponto alto de sua carreira. Acho que ainda ouviremos falar muito dela por aí!
Escute: Ladida, The Boy e Doing it Too.
clipping. – Dead Channel Sky

Cinco anos após seu último álbum, o trio de hip hop experimental clipping. retorna com o ambicioso Dead Channel Sky.
O disco mergulha em uma estética cyberpunk e industrial, explorando temas da atualidade, como a alienação social e dependência digital. Embora a construção desse cenário distópico seja desafiadora para quem não conhece o grupo, o clipping. se reafirma como um dos nomes mais inovadores do gênero. Para entender melhor o que estou falando, vale a pena conferir a apresentação deles no Tiny Desk gringo.
Escute: Keep Pushing, Run It e Dominator.
FKA Twigs – EUSEXUA

Esse é o terceiro disco de estúdio da Twigs, e mais uma vez ela conseguiu manter o nível de suas composições.
Podemos dizer que aqui ela se permitiu explorar um pouco mais a sonoridade das faixas, que vão de momentos desconstruídos a outros que foram feitos para as pistas de dança. Com influências de house, hyperpop e trip hop, as composições costuram muito bem as atmosferas mais expressivas e etéreas que são sua marca e abrem espaço para momentos de total intimidade em suas letras.
Escute: Girls Feel Good, Sticky e Striptease.
Igorrr – Amen

“Amen”, quinto álbum de estúdio do francês Gautier Serre, sob o pseudônimo Igorrr, com uma mistura de todos os gêneros possíveis e impossíveis alinhados a uma autenticidade imparável, entrega uma das experiências sonoras mais incríveis de 2025.
Usando uma língua inventada, as músicas são guiadas pela celestial voz da vocalista mezzo-soprano Marthe Alexandre, que, por entre uma faixa e outra, se une ao diversificado instrumental que vai de influências árabes ao eletrônico (flertando com dubstep), da ópera clássica ao black metal, uma verdadeira sinfonia (e filosofia) clamada, em que é impossível você não sentir seu corpo todo se arrepiar ao longo das doze faixas.
Escute: Limbo, Blastbeat Falafel e ADHD.
Deftones – private music

O décimo álbum de estúdio do Deftones traz uma volta às origens da sonoridade que os fez ficar conhecidos, mas sem se repetir, com a adição de vários elementos novos.
Por aqui, nos bastidores do Rebobinados, sempre discordamos sobre a questão de se Deftones era ou não uma banda shoegaze e, pra mim, apesar disso já estar meio certo, com Private Music acho que dá pra retomar essa discussão.
Mesmo transitando facilmente pela cena nu metal e recentemente retomando bastante os olhares, ficando em evidência novamente com o boom que teve principalmente devido aos virais do TikTok, a sonoridade do Deftones sempre se diferenciou muito das outras bandas desse cenário. Fazendo uma falsa equivalência aqui, é como o System of a Down, que também se diferenciava, por exemplo, mas aqui é em níveis absurdos.
Mesmo com essa nostalgia ao ouvir o disco, lembrando muito algumas faixas de outros discos do passado, ele foge de um som anacrônico, não sendo nada datado e funcionando muito bem como um disco contemporâneo.
Com a voz do Chino Moreno ecoando em perfeita sincronia com cada passagem distorcida com uma bateria muito bem marcada, dando o ritmo perfeito em cada faixa, e com alguns toques digitais, entrega belas surpresas, lembrando até em alguns momentos Nine Inch Nails, Private Music se torna um dos melhores discos do ano.
Escute: my mind is a mountain, ecdysis e cut hands
Deafheaven – Lonely People With Power

Não é o meu álbum preferido do Deafheaven, mas não deixa de ser um albão da porra. Porque tem lugares que só uma das suas bandas preferidas sabe onde dói e pode curar.
Se esse álbum tivesse uma pegada um pouco mais etérea e com mais paredes de som pesadonas como em Sunbather, ele seria ainda melhor. Mas ele não deixa de ser como aquela sua comida preferida que a sua mãe prepara, com um tempero a mais, porém com o gostinho de tudo que é reconfortante, familiar e maravilhoso. Apesar das melodias e do instrumental não estarem EXATAMENTE na vibe que eu esperava, os vocais de George Clarke estão simplesmente em sua melhor fase, pois tudo que nosso anjo toca, vira ouro. Que sabor!
Pool Kids – Easier Said Than Done

Confesso que descobri essa banda ao pesquisar pra fazer essa lista, já que não estou tão ligadas nas novidades quanto deveria.
Mas grata foi a minha surpresa ao ver emo-pop na descrição e escutar esse belíssimo álbum. Pegou o melhor do pop, colocou uma guitarrinha safada, uma malemolência e me conquistou imediatamente. Quando você percebe já está balançando a cabeça, curtindo a música e mandando o mesmo passinho que Never Meant do American Football necessita. Esse álbum é uma brisa fresca e ao mesmo tempo um abraço de referências conhecidíssimas, só escuta e seja feliz.
