Há exatamente um mês atrás a produtora e selo Balaclava Records anunciou o tão aguardado line-up de mais um de seus festivais, o Balaclava Fest. O evento já recebeu bandas como Swervedriver, Slowdive, Yuck, Quarto Negro, Supercombo entre outros.
O que não sabíamos é que em alguns dias seria anunciado também um aquecimento pré festival, marcado para o dia 12/05/2018 no Fabrique Club. Esse contou com as nacionais Ombu, Rakta e a tão adorada pelos indies e post-punkers Beach Fossils.
A primeira banda da noite foi o Ombu, formado em 2012 na cidade de São Paulo, conta com João Viegas, Santiago Mazzoli e Thiago Barros. A discografia ainda é pequena, possuem um single, um EP e um disco full intitulado Mulher lançado em 2016.
Já fazia mais ou menos um ano que estavam longe dos palcos, porém nessa noite trouxeram aos fãs um set curto e um clima de calmaria que percorreu do início ao fim. As músicas carregadas de sentimento e distorções eram tão serenas ao ponto da conversa do público sem noção se sobressair em alguns momentos. mesmo assim a apresentação foi impecável e já abriu bem a noite.
Em seguida foi a vez do Rakta, sob as luzes vermelhas, subiram ao palco Paula Rebellato, Carla Borega e Maurício Takara. Os shows do Rakta geralmente são descritos como um ritual, e sinceramente não ficam muito longe disso. Quem conhece a banda sabe que as performances são sempre intensas, dessa vez, devido ao horário curto a aposta foi em um set mais direto. No entanto, trouxe músicas de quase todos os discos lançados.
Parte do público parecia familiarizado com as músicas, atualmente elas estão promovendo seu compacto 7′ Oculto Pelos Seres, lançado pela Nada Nada Discos e Dama da Noite Discos aqui no Brasil, no set rolaram as novas Rodeados pela Beleza, Memória do Futuro, assim também como as já conhecidas Filhas do Fogo, Serpente e Intenção.
A última apresentação do Beach Fossils aqui aconteceu em 2013, na turnê do famoso Clash the Truth onde se apresentaram no Sesc Belenzinho por um valor super acessível. Com a casa já cheia (os ingressos de meia entrada de todos os lotes esgotaram), os quatro rapazes subiram ao palco e surpreenderam abrindo o set com a nova Sugar, particularmente uma das melhores do disco Somersault, e aquele refrão maravilhoso: “On the outside, on the outside, on the outside, change your mind… “.
O público correspondeu cantando do início ao fim, em seguida, a clássica Clash the Truth, uma das mais conhecidas da carreira, praticamente o hino da banda e presente em diversas playlists de indie por aí. O setlist foi bem escolhido, tiveram músicas mais antigas como Youth, e não faltaram novidades com This Year, Down the Line e Saint Ivy, ambas muito esperadas pelo público que muito animado também dançou ao som da deliciosa Adversity, What a Pleasure e Vacation.
Em seguida, mais uma faixa do disco Clash the Truth, essa pegou os fãs de surpresa, pois até então não estava sendo tocada nos últimos shows, Crashed Out. A banda fez algumas pequenas pausas para conversar com os fãs, e é tão bom sentir o espírito jovem, melancólico mas também feliz que as músicas causam. Be Nothing, também do disco novo é um bom exemplo, eu poderia ficar ali a noite toda escutando aquelas linhas maravilhosas de guitarra e baixo, sussurrando na minha cabeça com tamanha nostalgia.
Calyer, faixa do segundo disco What a Pleasure, fez o público dançar novamente, mas a vibe logo mudou assim que iniciaram a triste Sleep Apnea, uma das mais adoradas pelos fãs. Careless e Daydream fecharam a primeira parte do set. A banda saiu do palco e depois de alguns minutos voltaram com as duas mais aguardadas da noite, Generational Synthetic e Shallow, cantada em coro por todos.
Mais uma pequena pausa para afinação dos instrumentos e o vocalista Dustin Payseur anunciou que tocariam uma faixa pela primeira vez ao vivo, então prosseguiram com That’s All For Now, do novo disco Somersault.
Para fechar a noite, como já era esperado, ele pediu para que apenas três pessoas subissem no palco na última música da noite. É claro que a galera aproveitou e foi em peso, cerca de dez fãs, e assim eles iniciaram Wonderwall, cover do Oasis, uma das bandas mais amadas e odiadas do planeta. Como o próprio Dustin já disse em alguns shows, ele não gosta de despedidas, então a banda saiu do palco timidamente enquanto o público ainda esperava por algum bis.
Setlist:
Sugar
Clash the Truth
Youth
This Year
Down the Line
Saint Ivy
Adversity
What a Pleasure
Vacation
Crashed Out
Be Nothing
Calyer
Sleep Apnea
Careless
Daydream
Encore:
Generational Synthetic
Shallow
That’s All for Now
Wonderwall (Oasis cover)