DIIV nos mostra que o shoegaze está mais vivo do que nunca em Deceiver

deceiver – DIIV
shoegaze, indie
Quanto custa ser uma pessoa decente?
Eu queria escrever sobre um negócio que tem me incomodado faz um tempo. Um negócio que está difícil de engolir. Eu estou tentando organizar meus pensamentos para que todo mundo entenda e veja com meus óculos o que eu estou tentando dizer. Espero que eu não soe pedante de alguma maneira. Eu estou escrevendo isso aqui como mulher, frequentadora de um espaço ou espaços em comum com um montão de gente da internet e da vida real, não como colaboradora de um blog sobre música independente. Porque hoje eu não vou indicar banda alguma, eu quero falar apenas sobre um assunto que tem pairado sob nossas cabeças já faz um tempo. Óbvio que como essa é minha visão, talvez ela possa parecer seja meio privilegiada e meio sem noção pra algumas pessoas, mas eu convido todo mundo a discutir isso comigo de alguma maneira também. A sua visão também é muito importante. Pode comentar aqui embaixo, mandar mensagem para a página do blog, mandar mensagem diretamente ou o que for. Se você quiser falar, eu vou escutar. Eu quis falar por aqui porque o blog é o lugar onde eu tenho voz, é onde podem me ouvir e talvez me entender. Não tô usando o blog de palanque pra nada. Eu só não quero que isso se perca em textões do Facebook, eu queria escrever sobre isso em um lugar que outras pessoas talvez possam entender. Da mesma maneira que eu “visto a camisa” pra indicar e torcer pelos artistas, eu sinto que eu tenho algo pra dizer agora também. Agora contextualizando… Nos últimos tempos (ou últimos meses) tem surgido denúncias frequentes sobre casos de assédio, abuso (físico e emocional) e umas coisas bem pesadas sobre a cena alternativa. Sobre cena eu me refiro aos espaços (virtual ou real) onde rolam coisas sobre música independente brasileira, o tipo de música que geralmente escrevemos por aqui, não tem gênero específico, é sobre o indie e alternativo em geral. E eu não me refiro somente a São Paulo. A gente sabe e ouve falar de casos que acontecem no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Goiânia e por aí vai. Eu não me lembro quando isso começou, eu só lembro de ter me assustado com a quantidade, tem horas que parece que toda semana tem algo novo rolando. Isso me assusta demais. Eu tenho deixado de ir em muito shows, eu tenho deixado de frequentar esses espaços, eu não vou a lugares que eu já ouvi boatos de que coisas estranhas acontecem, deixei de ouvir as bandas e artistas envolvidos com esses casos. Mas nada aconteceu comigo, eu não fui vítima disso. Se tá complicado pra mim, imagina pra quem sofreu e ainda tá sofrendo com tudo isso. Eu sinto muito pela cabeça de todas essas garotas que tão lidando com isso, que estão expondo, que estão dando a cara pra bater com seus relatos. Eu admiro todas elas pela coragem, mas eu imagino como elas devem estar se sentindo ao colocar tudo que as corrói pra fora, pra ver se algo acontece e esses caras sejam impedidos de continuar fazendo horrores. Mas eles não são. Alguns são “cancelados” por algumas semanas, até meses, mas logo eles voltam a ativa. Produtores voltam a organizar shows com eles, a fan base se renova, lançam novas músicas e as pessoas esquecem o que aconteceu. Parece que é um fato isolado e tudo está normal de novo. Não. Não tem nada normal acontecendo aqui, eu não consigo achar isso normal, eu não consigo achar isso certo. A ferida criada no físico e principalmente no emocional dessas meninas abusadas e silenciadas não se cura tão facilmente, algumas não se curam jamais. E o pior é que isso volta a acontecer, os casos estão ficando tão comuns que parece até que muitos fingem o que cantam. A cultura machista, a cultura do estupro, a cultura da soberania masculina domina. Os rapazes que muitas vezes estão em cima dos palcos acham que tem o direito de invadir e dominar essas meninas. Acham que sua “fama”, sua posição de poder os fazem irrecusáveis. “Como essa garota está dizendo não pra mim? Ela não sabe quem eu sou? Por que ela não iria me querer? Eu sou o máximo”. Eles não aceitam o “não”. Não conhecem os limites, não conhecem o respeito. A situação é gravíssima e parece não ter fim. Quanto mais se é denunciado, mais casos aparecem. Um pronunciamento aqui e outro lá e a história se repete. É óbvio que não existe lugar perfeito, todo mundo comete erros, nada é perfeito, mas em um lugar onde praticamente todo mundo se conhece, é de se esperar que haja conversa e compreensão. As coisas erradas não estão acontecendo lá fora, elas estão acontecendo aqui dentro. Não está seguro pra mim, não é seguro para as minhas amigas. Como que deixamos um imbecil medíocre segurando uma guitarra, cantando músicas de dois ou três acordes ter tanto poder assim? Como a gente para isso? Será que conversar resolve? Eu não tenho resposta pra isso, aliás eu já não tenho certeza de mais nada. Pra falar a verdade eu acho que eu tô errada, que eu erro muito, que eu faço pouco e que tem vezes que eu não faço nada. Da maneira que posso, tento oferecer espaço pra mais mulheres ocuparem e também exporem suas vozes. Talvez num ambiente rodeado de mulheres, os homens fiquem coagidos e não tentem fazer mais merda. Talvez num ambiente que nós estejamos em peso, eles consigam minar essas atitudes. Não sei se é falta de orientação e conversa enquanto cresciam, mas eu sei que precisamos conversar agora e colocar o dedo na ferida de assuntos assim para podermos criar um ambiente menos tenebroso pra todo mundo. A gente pode tentar culpar a socialização, achar explicação dentro da psicologia e filosofia, e o que for. Não acho que adianta. Acho que a gente tem que tentar resolver o problema. Falar sobre isso nesses espaços,
15 bandas de post-rock brasileiro para você se apaixonar II

Uma das matérias mais acessadas do nosso querido blog, a de post rock brasileiro finalmente ganhando uma parte 2. Essa é pra quem estava com saudade de ouvir um post rock brasileiro, instrumental e experimental daora. Dessa vez pedi ajuda a um ilustre colaborador, o Israel. Famosíssimo por seu conhecimento extenso em post-rock e por ser o maior fã de Immanu El, também é uma enciclopédia humana quando se trata de boa música. Muito obrigada pela ajuda nesse post! Aproveito também para quem sabe incentivar bandas de post rock brasileiro para nos mandarem material. Sentimos falta de vocês no cenário brasileiro, por favor, apareçam! Bandas antigas que estão em hiato, voltem!!! Há tanto potencial para bandas de post rock aqui no Brasil não sendo explorado. E você, caro leitor, quais outros estilos/gêneros de música quer ver aqui? Conta pra gente aqui nos comentários! Ema Stoned O trio paulista de rock instrumental/experimental é formada por Alessandra Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo) e Theodora Charbel (bateria). Até hoje lançaram os álbuns Gema (2013), Live from Aurora (2016) e Phenomena (2018). Banda incrível formada por mulheres super talentosas, vale a pena conferir. Instagram | Soundcloud | Bandcamp | Facebook Herod Banda paulista de post-rock, instrumental, experimental formada em 2006 por Daniel Ribeiro (guitarra), Azeite de Leos (guitarra), Elson Barbosa (baixo) e Bruno Duarte (bateria). Contam com 4 álbuns na bagagem: In Between Dust Conditions (2008), Absentia (2010), Umbra (2013), as coletâneas The Rest 2006-2016 (2016) e The Best 2006-2016 (2016) e Herod Plays Kraftwerk (2017). Facebook | Spotify | Bandcamp | Youtube Hurtmold Uma das bandas mais antigas e famosas de post rock brasileiro, math-rock, instrumental e experimental do país, muito influenciada por jazz, punk e eletrônica. Formada em São Paulo em 1998 e atualmente conta com Fernando Cappi (guitarra), Guilherme Granado (teclado, vibrafone e eletrônicos), Marcos Gerez (baixo), Mário Cappi (guitarra), Mauricio Takara (bateria e trompete) e Rogério Martins (percussão e clarone). Os trabalhos lançados até hoje foram: Et Cetera (2000), Cozido (2002), o split Hurtmold/The Eternals (2003), Mestro (2004), Hurtmold (2008), Mils Crianças (2012). Facebook | Spotify | Instagram Dunas A banda curitibana Dunas se destaca por seu post rock ambiente meio experimental. Um som bem etéreo, sonhador, leve e um pouco psicodélico. Atualmente formada por Gabriel França, Guilherme Nunes e Lorenzo Molossi, a banda já lançou os trabalhos Incenso/Ascenso (2014), Boas Vindas (2014), Ad Astra (2015), Quarenta e Cinco Minutos (2015) e Descortinar dos Seres (2016) e o single Antecipei (2018). Bandcamp| Youtube| Facebook| Soundcloud| Spotify Veenstra A também curitibana Veenstra tem um som bem lo-fi, com nuances de dream pop, post rock, experimental e música ambiente. Formada por Guilherme Nunes, Leonardo Gumiero, Lorenzo Molossi, Lucas Leite e Marcela Mancino. Os álbuns lançados são Journey to the Sea (2012), Six Months of Death (2013), People & The Woods (2013), Map of the Limbo (2016). Atualmente se encontra em hiato. Spotify | Facebook | Bandcamp Let the Clouds Projeto solo do carioca Alef de Deus, diretamente de Duque de Caxias, de post rock/ambient/post metal. Seus trabalhos são Let’s the clouds EP (2017), My Soul (2018) e Sky and Rain (2019). Bandcamp| Facebook | Youtube Halfdream É uma banda paulista de post rock instrumental com metal progressivo. Fundada por um grande amigo meu (e se o destino permitir colaborador desse humilde blog em breve) chamado Marcelo Murata. Formada por Marcelo Murata (guitarra), Bruno Cabral (guitarra) e Vitor Nishikiori (baixo). O primeiro álbum, The Dark Melody, foi lançado em 2013. Seguido por Kaleidoscope em 2014. Em 2015 lançaram os singles Stellar Enigma e Electrosphere juntamente com o álbum Imaginarium. Em 2016 o single Trapped in Time. A banda está em hiato atualmente. Bandcamp | Facebook | Youtube| Site Some Sleepless Nights Mais um projeto do Marcelo Murata, dessa vez com influências de música eletrônica, música instrumental, música progressiva e trilha sonora de vídeo game. O único lançamento até agora é o álbum Do the Ghosts Inside My Head Also Cry? (2019). Spotify | Youtube Leaving The Planet Banda de João Pessoa (Paraíba), formada pelos guitarristas Diego Nóbrega e Lineker Diego, depois vieram Victor Hugo T no baixo e Daniel Alves na bateria. Influências de ambient, rock progressivo, música instrumental e post rock brasileiro. Lançaram até hoje Leaving The Planet (2014), o single Searching for the Sun (2017) e Space (2019). Bandcamp | Facebook Mais Valia Banda de Jaú (SP) formada por Alexandre Palacio, Ricardo Cezario e Vitor Martins. Post rock influenciado por experimental, stoner e space rock. Os singles e EP’s lançados até hoje foram: Flamingo (2016), Mesopotamia (2016), Desterro (2018) e Malária (2018). O álbum Mais Valia (2015) é um lançamento da Sinewave (um dos maiores selos do país – que só tem bandas pra lá de boas no casting). Bandcamp | Facebook | Youtube | Instagram Dibigode Banda de instrumental de Belo Horizonte (MG), influenciada por funk, jazz, samba, ritmos afro e folclóricos. Formada por Antônio Vinícius (baixo), Gabriel Perpétuo (guitarra), Guilherme Peluci (sax alto, flauta e piano), Tiago Eiras (bateria) e Vicente França (guitarra). Discos lançados são Naturais e Idênticos ao Natural de Pimentas da Jamaica e Preta (2014) e Garnizé (2015). A banda aparenta estar em hiato. Bandcamp | Facebook Laverna Projeto solo do curitibano Francisco Bley de música instrumental bem soft, delicada e gostosa de ouvir. Aquece o coração e alinha o chakra. Bandcamp| Playlist com todos os singles Polvo Nanquim/Namomo Costumava se chamar Polvo Nanquim, agora é Namomo. Banda curitibana de ambient, post-rock, lo-fi e experimental. Formada por Lucas Bieni, Lorenzo Molossi, Seithy Handa e Yuri Grigoletti. A banda aparenta estar em hiato. Soundcloud| Spotify |Youtube Ankou Ankou é uma boa mistura de música eletrônica, experimental, instrumental, dream pop, house, hip-hop, vaporwave e por aí vai. Projeto do Leonardo Gumiero, lá lançou 3 discos: Toro (2019), Anête‘ytaba (2016) e Ascending Dive (2015). Bandcamp | Facebook The Large Quasar Group Projeto solo do Guilherme Nunes de post-rock/ambient/experimental de Curitiba. Lançamentos até hoje: o single tudo vai, tudo fica (2017), o single we found peace right at the bottom of the hill, so we never felt the need to climb it (2017), o single rain, 1993 (2015), o EP life is fragile (2015). Bandcamp | Facebook Quer saber mais sobre post rock brasileiro? Se você quer um pouco mais de experimentalismo/música ambiente/post rock brasileiro, confere o bandcamp do coletivo atlas com
Lançamento Jupiter EP + Entrevista com Lia Kapp

Primeiramente, já solta o play no novo EP Jupiter da Lia Kapp: Lia Kapp é uma cantora e compositora curitibana, sua carreira musical começou quando ela tinha 15 anos e começou a escrever algumas músicas, o resultado foi o primeiro EP ‘Conflito’. Em 2018 ela lançou seu primeiro disco de estúdio, ‘Metamorphosis’ que marca as transformações musicais e pessoais durante sua trajetória de vida. Na verdade, ele funciona como uma continuação do primeiro EP ‘Conflito’ lançado lá por volta de 2015 e que deu início a sua carreira musical. Lia é responsável por todas as composições, estética e produção do álbum, agora em 2019 ela retorna com seu novo EP ‘Jupiter’, mas dessa vez acompanhada de uma banda, formada por Gustavo Mazuroski (guitarra), Erich Zimmermann (baixo e teclas) e Gabriel Bryl (bateria), além dela nos vocais. O disco novo promete uma pegada mais doom, bem mais voltado pro metal, mais dark do que os outros trabalhos, sem perder a essência do vozeirão da Lia. A formação da banda veio pra dar peso ao projeto, para encorpar e aprimorar o que já era muito bom. Acho que já podemos intitular como Chelsea Wolfe brasileira, não? Aproveitando o lançamento das novas músicas batemos um papo com ela para saber como foi a transição de solo para banda, as composições e ideias do novo disco e planos para o futuro. No que o Júpiter se diferencia do Conflito e do Metamorphosis? LIA: A característica principal desse trabalho é que não é mais algo solo meu. O Jupiter foi criado por nós quatro (Erich, Gabriel, Mazu e eu), então há um pedacinho de cada, com influências que eu sozinha não tinha. Além disso, nós optamos por gravar todos os instrumentos organicamente, então não tem mais bateria de preset e nem timbre gerado pelos programas de áudio (ok, tem uma beatzinha em uma das músicas e a gente deu leves lapidadas nos timbres através do guitar rig, risos). Outra coisa é que o Mazu evoluiu muito na mix e na master, e tivemos auxílio de amigos nossos que também trabalham com produção, então tudo está muito maior, e eu considero ótimo, modéstia à parte, risos. A gente tem que gostar do que cria, né? Então basicamente é isso. A gente tá muito contente mesmo. É um passo enorme na nossa carreira e não dá nem pra comparar com os antigos. MAZU: Jupiter é um álbum que nasceu de ensaios, então diferentemente dos trabalhos anteriores, ele é um álbum feito para performance ao vivo. Isso refletiu na produção, nos vimos na obrigação de gravar as baterias e guitarras em estúdio, sem depender demais de plugin. ERICH: Com o Conflito eu nunca tive muito contato, mas o Metamorphösis eu vejo muito essa pegada meio épica, conceitual, super ambiciosa que eu acho muito foda… De certa forma então eu acho o Jupiter mais contido, porque pra mim ele é muito sobre quatro pessoas que queriam mandar um som, sacas? E aí nisso também entra algo que pra mim é muito característico do Jupiter, que nele a gente é permeado por um monte de influências cruzadas, porque cada um de nós tem um rolê completamente diferente e de algum jeito juntando tudo dá nisso aí. Acho massa que cada um esteja presente ali de maneiras variadas, mas que o resultado acabe sendo bastante coeso, como é pra mim o EP. Quais as influências desse álbum novo? LIA: Acho que a mais perceptível é que a gente bebeu das fontes do doom metal, o que eu particularmente gosto muito e não conseguia fazer, mas com eles veio fácil. No dia que a música “Jupiter” surgiu, a gente já notou que essa seria a vibe toda. De artistas acho que posso citar sempre nossa musa Chelsea Wolfe, mas dessa vez tem um certo saxofone no meio que nos influenciamos em trabalhos do Bohren & Der Club of Gore e Oiseaux-Tempête. Além disso, o Mazu trouxe o post-rock, o Erich, o black metal e o Gabriel, o jazz. ERICH: Na época eu estava ouvindo bastante black metal atmosférico, então rolava muito Deafheaven, Alcest, Amesoeurs, o rolê… Acho que acabou saindo ali um tanto de Black Rebel Motorcycle Club, um stoner que ouvi muito… E talvez um A Place To Bury Strangers na coisa meio batendo forte & lento… GABRIEL: Na minha visão, o álbum tem muitas influências bem mistas, num nível que acho muito difícil enquadrá-lo em um gênero específico. Pegamos muita coisa de post rock, ruídos e sopros, também tem orquestrações e momentos rápidos que transicionam para partes lentas. Acho que meus colegas de banda não concordariam muito com essa afirmação, mas eu acho que Jupiter chega a poder ser considerado um trabalho de rock progressivo. Como foi a transição de Lia Kapp artista solo pra banda Lia Kapp e como você conheceu os atuais integrantes? LIA: A transição ocorreu bem naturalmente mesmo. Nós estávamos ensaiando e eu tive a ideia de criarmos juntos uma introdução para os shows, e na hora a música simplesmente apareceu pra nós. No mesmo dia também decidimos reformular a música Verdict, do Metamorphösis, e aí surgiu a banda propriamente dita, visto que antigamente os meninos eram meus músicos de apoio. Quanto aos integrantes, o Mazu sempre esteve comigo, desde o começo. Na verdade, sempre teve um pedacinho dele, tanto nos shows quanto no próprio Metamorphösis. O Erich era amigo nosso (ele conheceu o Gustavo antes e em 2015 fomos apresentados) e sempre fez umas músicas muito interessantes e que eu aprecio muito. No começo da banda de apoio, a Ana (minha amiga que estuda comigo) era quem ficava nas teclas, mas ela não pôde viajar conosco para São Paulo, e então o Erich entrou no lugar dela, e assim permaneceu. O Gabriel surgiu num momento de desespero em que ficamos sem baterista e ele entrou correndo e tivemos apenas um ensaio antes do show do dia 14 de abril de 2018, que foi o primeiro show em que nós quatro tocamos juntos. Nos conhecemos na faculdade de
Rebobinados Indica #14: bandas brasileiras

Mais uma edição do Rebobinados Indica, dessa vez com bandas brasileiras. Temos opções para todos os gostos: indie, shoegaze, black metal, MPB, experimental e post punk. John Filme Às vezes a vida tem umas coisas muito doidas, do tipo que fazem você ir pro show de alguma banda independente pra conhecê-la. Fiquei muito brava porque ninguém havia me falado desses caras antes, apesar deles terem mais de 8 anos de carreira (talvez eu só seja a última a saber de tudo mesmo). Antes tarde do que nunca, apresento-lhes a John Filme. Chapecoenses recém chegados em São Paulo sendo contaminados por essa cidade maluca. Experimental, stoner, shoegaze, pop são algumas tags usadas no bandcamp da banda para descrevê-los. Eu diria que é como ouvir metal sem de fato ouvir metal… Estranho né? Dá pra fazer um headbanging maneiro durante o show e garanto que vale muito a pena vê-los ao vivo. Cada álbum segue uma estética diferente e isso torna o setlist é bem diverso. A banda é bem louca (no ótimo sentido), experimentalismo no talo, são engraçados pra caramba nas redes sociais e durante as performances também, garanto que levantam qualquer defunto por mais mal humorado que ele esteja e que impressionam bastante. O youtube é recheado de clipes maneiros e descolados, tem muita coisa engraçada, confesso que fiquei um bom tempo assistindo e dando gargalhada. Recentemente lançaram o curta abaixo mostrando o cenário de Chapecó com a John Filme, Marshnello, Carpanos e Cocobobonut: Próximo show vai ser dia 27/07, mais detalhes no evento Lançamento Do Zine Dezoito – Coisa Horrorosa e John Filme, confere lá! Youtube | Bandcamp | Facebook | Instagram | Spotify Ímã Ímã ou Ímã de nove pontas é uma super banda formado por: André Garcia (guitarra), Dayane Battisti (cello e voz), Francisco Okabe (cavaquinho e voz), Leonardo Gumiero (baixo, sintetizador e voz), Lorenzo Molossi (bateria e voz), Luciano Faccini (clarineta e voz), Má Ribeiro (percussões e voz), Melina Mulazani (percussões e voz), Yasmine Matusita (bateria e voz). 9 artistas super talentosos, alguns que eu já conhecia de outros projetos anteriores, prometem lançar um super álbum de 9 faixas de canções tortas. Só pela qualidade desse single, garanto que podemos esperar algo espetacular vindo em breve. Facebook|Spotify| Instagram Cãos O quarteto curitibano Cãos faz um pós-punk caótico e sujo, com letras sobre existencialismo, dor e sentimentos inerentes a qualquer ser humano, tudo isso muito bem incorporado nos vocais de Gustavo (vocal, eletrônico), Ariel (guitarra), Akio (baixo, sax) e Michael (bateria). A banda tem dois discos de estúdio, Cães (2016), Domesticado (2018) e o ao vivo Incapacidade Civilizatória (2018), lançados pelo selo Meia Vida. Youtube| Instagram | Bandcamp Apeles Apeles é o pseudônimo de Eduardo Praça, conhecido pelas incríveis Ludovic e Quarto Negro. O músico talentosíssimo e com muitos anos de estrada, prepara o lançamento do seu próximo álbum “Crux” em agosto. Tive a oportunidade de presenciar seu primeiro disco, Rio do Tempo (2017), sendo tocado ao vivo durante o último show junto com a Quarto Negro na Breve, foi uma experiência lindíssima e memorável. Pelos singles lançados até agora: Torre dos Preteridos, Reflexo Turvo e A Alegria dos Dias Dorme no Calor dos Teus Braços, podemos esperar mais um álbum grandioso. Facebook | Spotify | Instagram | Youtube | Site Jovem Werther É claro que essa banda seria relacionada com o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther do Goethe, um dos marcos e obra prima do romantismo. O emocional tem que estar um pouco preparado pra ouvir essa banda triste pra caramba, ou você pode apenas querer curtir a bad intensamente. Esse punk, emo, shoegaze e gritaria realmente mexe com a gente. O EP lançado em 2014 é uma das coisas que a gente guarda com carinho, porque a banda entrou em um hiato, ainda estamos aguardando esperançosos pela volta, também levamos a esperança de presenciar um showzinho, certo? A cena de emo/shoegaze/gritaria está carente e precisa de vocês (e nós também). Facebook | Instagram Lado Esquerdo Vazio Confesso que descobri a banda enquanto procurava indicações para esse post e foi uma surpresa muito boa. Uma mistura muito boa de shoegaze com black metal, o famoso blackgaze, com tons experimentais. Apesar da banda ter entrado em hiato depois do lançamento do EP Póstumo, boatos e posts no Facebook indicam que vem material novo ainda esse ano, vale a pena ficar de olho. Facebook | Bandcamp Anil Anil é o novo projeto do Antíteses. Músico curitibano de MPB, emo, indie e lofi. Em junho lançou o Outono, primeiro de uma série de 4 EPs que serão lançados ao longo do ano. Ele expressa uma inadequação e sensação de não pertencimento, canções agridoces, transitando entre alegria e melancolia como ele mesmo descreve. Sábado agora, dia 22/07, é o evento de lançamento do EP em Curitiba, com abertura do Érico. Mais detalhes no link: https://www.facebook.com/events/2323715297747225 Bandcamp | Spotify | Youtube | Facebook
Especial Mulheres Independentes – Parte I: Amanda Conti

A divulgação de projetos de artistas independentes anda com passos de formiguinha, porém, aos poucos, chegaremos lá. Faz parte da minha missão como colaboradora desse blog divulgar cada vez mais projetos muito bons de mulheres independentes. E a gente espera que, de pelo menos alguma forma, o que fazemos aqui ajude a projetá-las para o mundo. Não sei se já comentei aqui, mas eu tenho a sensação de que é muito mais difícil achar mulheres na música do que parece. Não temos elas mandando seus materiais para o blog, não temos muita divulgação na internet quanto deveria ou poderia. O que temos são projetos realmente incríveis de outras mulheres igualmente incríveis, que tentam fazer com que todas nós tenhamos oportunidades de subir ao palco. Gosto de sempre reiterar a importância de ajudarmos umas as outras da forma como pudermos: compartilhando, curtindo, comentando, apresentando para os amigos e indicando. É mega importante ter essa visibilidade tanto para quem já está no ramo da música quanto para meninas novinhas para se inspirar a tocar e cantar. Se vocês tem projetos legais pra indicar, mandem pra gente no Facebook, Instagram ou na página de contato. Na primeira parte do post eu vou falar sobre um dos dois projetos muito bons que conheci através do Sarau As Mina Tudo. E alô selos, coletivos e projetos para alavancar bandas/artistas de plantão, prestem atenção nas mulheres que estão começando na música. É muito importante contar com a ajuda de vocês na divulgação e para arranjar shows. Toda ajuda é sempre bem vinda e você pode estar perdendo uma artista de ouro. Se liga! Amanda Conti Um passarinho me contou sobre a apresentação da Amanda no sarau e eu decidi pedir uma entrevista. Amanda é uma cantora/intérprete/cantatriz/desenhista muito talentosa. Assim como Maria Bethânia, ela ainda não compôs nenhuma música de sua autoria, porém isso não quer dizer que ela não nos encanta quando solta a voz. João Gilberto (que descanse em paz) também se escondia um pouco atrás do violão e cantava timidamente. Amanda também, mas apesar de muito tímida, ela se liberta e mostra seu verdadeiro potencial nos palcos. Os estilos preferidos dela são MPB, Jazz e Soul. A tecnologia do Instagram não nos permitiu incorporar os vídeos do perfil dela aqui no post, porém você pode conferir eles tanto no IGTV (https://www.instagram.com/seis.mandacarus/channel/) quando os vídeos menores no feed (https://www.instagram.com/seis.mandacarus/) ENTREVISTA Primeiramente, para que nós possamos te conhecer, como você descreveria seu projeto e sobre o que você canta? Por que eu canto? Eu me pergunto isso sempre, e nos últimos tempos, em que cantar cada vez mais assume o lugar daquilo que eu quero fazer da minha vida, tenho me perguntado cada vez mais. Eu não encontrei ainda nenhum motivo muito significativo, simbólico, ou qualquer coisa do tipo. Acho que eu posso inventar mil motivos, mas o que me move de verdade verdadeira sempre acaba sendo o fato de que eu sou completamente apaixonada por cantar. Eu gosto, de verdade, e parece que eu sinto que eu existo mais quando eu estou cantando e quando eu estou no meio da música. É engraçado, mais pra mim, que sou uma pessoa com alguma dificuldade em me expressar oralmente, cantar às vezes aparece quase como uma alternativa. E eu penso muito na minha relação com cada uma das linguagens artísticas que eu estudo: artes cênicas, o desenho e a música; e acho que das três, a música, quando eu canto, é a que me deixa mais vulnerável, é a que mais me expõe. Do que eu fiz até agora no teatro, tanto como atriz quanto como dramaturga, sempre tem mediações muito claras entre eu e o mundo: os personagens, ou, se estou escrevendo, o próprio texto. É como se eu me revestisse de alguma coisa antes de me expor. E com o desenho também, o próprio desenho é a minha mediação. É claro que algo de mim está no desenho – inclusive tem desenhos profundamente pessoais – mas a mediação do papel é mais um nível entre eu e, sei lá, uma exposição. Mas quando eu canto, apesar de ter a mediação da música, sou eu quem está lá. E estou cantando com a minha voz, eu sou a Amanda cantando. E eu poderia dizer que até hoje eu não consegui compor nada autoral – não por falta de tentar – e então as composições de outras pessoas, as coisas que elas quiseram contar usando a música como linguagem, são uma mediação parecida com a dos personagens que eu interpreto como atriz. Mas eu nem sei de verdade até que ponto eu acredito nisso. A verdade é que quando eu canto eu me sinto sem revestimentos, eu sinto que não estou nem um pouco escondida. E ao mesmo tempo que é um pouco assustador, é uma coisa maravilhosa. Eu viro quase que uma cúmplice de mim mesma, fico até meio boba de vaidade. E cantar com outras pessoas, cantar com gente tocando, é quase como se todo mundo estivesse contando algum segredo seu, conversando. Acho que o que eu poderia falar de projeto meu agora é que estou num momento de procurar e tentar construir cada vez mais espaços pra música na minha vida: procurando lugares pra tocar, gente com quem tocar, tentando dar os primeiros passos me acompanhando sozinha. Talvez mais que um projeto, eu estou num momento de projetos, vários projetos. Projetos de duo, de banda, rascunhos de projetos, vídeos… Criar a conta no instagram, a seis mandacarus, acho que faz parte de um projeto de começar a me colocar de algum jeito, e nesse sentido até me fazer vulnerável, cantar pra pessoas. Foi uma saga pra criar a conta, por mil travações que iam desde vergonha até achar que era uma bobagem vaidosa e ruim ficar cantando e querer que alguém quisesse escutar. Talvez eu até ache isso ainda às vezes, mas gente que me apoia muito me dá uns empurrões quando eu mais preciso deles. Minha irmã foi quem me deu pra criar
A beleza do caos do EP lapso – Fernando Motta e eliminadorzinho

Talvez vocês já tenham se cansado de me ouvir falar do Fernando Motta nesse blog, porém eu não posso perder a oportunidade de falar dele de novo. Especialmente depois do lançamento do EP lapso em parceria com a eliminadorzinho. Esse EP foi uma pancada no coração que eu não estava esperando, aliás, acho que foi uma pedrada que nenhum de nós esperava. Foi uma surpresa extremamente boa. O desde que o mundo é cego lançado no finalzinho de 2017 era uma vibe completamente diferente, um álbum feito pra te acalmar, te tranquilizar e te impedir de xingar todo mundo. Pelo menos era esse o efeito que ele sempre teve em mim. Definitivamente é um dos meus álbuns preferidos da vida. Meus scrobbles do last.fm não me deixam mentir, é um dos álbuns que eu mais ouvi nos últimos anos. Falei muito bem dele nesse post aqui, porém acho que nunca o descrevi como ele merecia. Um dos poucos álbuns que eu posso afirmar que me salvou a vida (sem exageros). Teve semanas que eu o ouvia sem parar, quando eu estava prestes a explodir de tanto stress, ele era a calmaria de que eu justamente precisava. Era como pisar no freio quando meu corpo só queria acelerar até bater. Dito isso, lapso é o oposto do último disco. É algo que me surpreendeu positivamente. Nos últimos trabalhos a eliminadorzinho já vem apresentando seu lado mais emo, visceral, quebradeira e gritaria. Eles fluíram bastante na sonoridade desde o nada mais restará até o single Baixo Astral lançado esse ano. A eliminadorzinho é uma banda que sintetiza bastante a expressão rock jovem pra mim. Rock alternativo bravíssimo, cheio de vigor e raiva (a raiva que serve como agente de mudança e faz as pessoas acordarem, ou seja, o bom sentido). é incrível porque eu acompanho os dois projetos desde o começo e fico extremamente orgulhosa e na expectativa a cada lançamento. A evolução só culmina para o bem. E é também maravilhosa a influência que as bandas e artistas talentosos transmitem uns aos outros quando lançam projetos juntos assim. Lembro que o nada mais restará foi meu “disco de cabeceira” por tanto tempo, meu companheiro de karaokê na hora do banho e meu companheiro inseparável por conta da presença fortíssima do shoegaze trazida pela mix e master feita pelo Felipe Aguiar da gorduratrans. E vocês já perceberam que eu não enjoo de shoegaze por nada neste mundo, lembro de ter pedido muitas vezes para que a eliminadorzinho soltasse mais algumas músicas naquela vibe. Não lançaram, porém se redimiram comigo depois do lapso. Foi a influência shoegazer que os trabalhos do Fernando nem sabiam que precisavam. Certamente lapso não é um EP que você ouve de primeira e já assimila de uma vez. Requer várias ouvidas para poder assimilar tudo que tá acontecendo. É a beleza do caos, a desordem perfeita, o grito de alívio. Às vezes você só consegue encontrar paz na gritaria (meus amigos admiradores do blackgaze e post hardcore me entenderiam nessa hora). Eu estou ouvindo esse EP desde que foi lançado e às vezes eu me distraio e noto alguma coisa nova. As bpm são tão frenéticas que eu jamais me atreveria a tocar, porém admiro quem o faz. E também não existe essa de música com muito pedal, pedal nunca é demais e é sempre bem vindo. E a melhor coisa sinceramente é a música paranoia. Eu não sei nem o que eu poderia dizer sobre ela. Me traz a sensação de estar no meio do mosh ou fazer stage diving e ser carregado pelo público enquanto você grita e se liberta. Eu confesso que pouquíssimas vezes quis moshar tanto na vida quanto eu quis ontem ao assistir ao show no Almanaque Urbano. Ao presenciar a performance ao vivo, chega a ser um desperdício não moshar. Essa música é extremamente visceral e crua ao vivo. Dá vontade de ouvir de novo e de novo e de novo. E o conceito também é incrível, a arte do disco é maravilhosa (foto do Tiago Baccarin e arte do Bruno Queiroz), combina muito esteticamente com o som. Memória, nostalgia, paranoia e contraditória – tudo dentro do lapso. Tudo muito verdadeiro, tudo muito sincero e isso sempre acaba transparecendo. O Nando é uma das pessoas mais verdadeiras e sinceras com a arte que eu conheço. Desde que eu vi meu primeiro dele e meu primeiro show na Breve, lugar que posteriormente seria o reduto de boas lembranças atreladas a shows nacionais, já se via o carinho com o público. Põe o coração e a alma em tudo que faz. Colabora e ajuda a produzir outros artistas em início de carreira, faz o melhor que pode pros seus amigos e é sempre um amor com seus fãs. Se todos os artistas fossem pelo menos um pouco parecidos com ele, o mundo seria um lugar bacana. Eu só tenho a agradecer por algo que eu nem esperava, porém que veio na hora certa. Você merece todo o sucesso do mundo. Voa alto que o mundo é teu. Acompanhe os artistas nas redes sociais:
Rebobinados Indica #13

Mafius – Tela Azul (2019) A expectativa para o lançamento do EP do artista mineiro Mafius era altíssima e a espera valeu a pena. Com seis músicas, incluindo o single Trânsitos Astrológicos, uma mistura muito doida de lo-fi, indie, alternativo e dream pop. Os gêneros que eu acabei de mencionar são apenas pra referência, porque ele não quer ser limitado em suas criações, o espírito criativo é livre e vasto. E ele muitas vezes se descreve como “filho do Mac Demarco” e eu acho que não tem como explicar melhor sua arte. Na minha opinião, num claro exemplo de como os filhos podem superar seus pais. Coloco muita fé nessa nova onda de artistas jovens e com sede pra ganhar o mundo, mostrar de onde vieram e com um potencial enorme para ir onde bem quiserem. Especialmente quando se é cria do coletivo Geração Perdida de Minas Gerais, reduto da maior parte dos meus artistas preferidos da música nacional. https://mafius.bandcamp.com/track/tr-nsitos-astrol-gicos https://www.instagram.com/mafiusmefius/ Céu de Vênus – Por Todo o Inverno e a Primavera (2019) Outra boa surpresa foi o lançamento do álbum Por Todo o Inverno e a Primavera dos curitibanos da Céu de Vênus com seu intenso post-rock e math-rock. Lançamento da Sinewave a gente já confia e ouve com a tranquilidade de que vem coisa excelente por aí. E a recomendação do Rebobinados só vem para endossar o talento dos rapazes. Post rock revigorado com a candura para os ouvidos que só uma boa guitarra pode nos proporcionar. É uma das bandas que eu quero muito assistir ao vivo, na minha opinião uma das melhores bandas da música instrumental brasileira atualmente. A lindíssima arte da capa é da autoria da multi artista Stephani Heuczuk, baixista da terraplana. Bobeei de não ter dado essa dica antes para vocês, porém antes tarde do que nunca. https://www.facebook.com/ceudevenus/https://www.instagram.com/ceudevenusoficial/https://twitter.com/ceudevenus Sublunar Express – Sublunar Express (2019) Esses dias recebi uma mensagem de um colega que conheci em um desses sites que você encontra pessoas com afinidades musicais em comum. E ele me disse que havia lançado o primeiro álbum da sua banda, a Sublunar Express. O trio québécois é formado por Denis Dufour, Emmanuel Heis e Daniel Paras. Trazem uma mistura interessante de krautrock (gênero atribuído a bandas experimentais alemãs da década de 60 e 70), stoner, post rock, rock atmosférico e psicodélico. Me lembrou bastante Kraftwerk, fica a dica para quem curte a banda. A capa foi feita pelo talentosíssimo Joan Llopis Doménech. Vale a pena conferir e ver o som muito bom que rola em terras canadenses. https://sublunarexpress.bandcamp.com/album/sublunar-expresshttps://www.facebook.com/sublunarexpress/https://www.sublunarexpress.com/ LVCASU – estrelas ocas: diários, notas, esboços (mixtape) – 2019 Esse lançamento até aqueceu o meu coração de tamanha saudade que eu estava de ouvir coisas novas do meu amigo e ídolo Lucas Silva, mais conhecido como Lvcasu. Foi inesperado para quem não o acompanhava no soundcloud, onde ele lança algumas pérolas de vez em quando (fica a dica). E uma grata surpresa pra mim – que morro de saudades de ver um show dele. A mixtape reúne experimentações e músicas – em tese inacabadas – que estavam guardadas na gaveta. Nada pretensioso ou com intenção de ser. Apenas a mente fluindo junto com a arte. O jeitão lo-fi continua em alta e os riffs marcantes também. Quem sabe Lvcasu volta se a gente pedir bastante? https://youtu.be/vue_On-Embo https://www.youtube.com/watch?v=vue_On-Embo Jair Naves – Rente (2019) Jair Naves é gigante, referência pra todo artista talentoso, percursor do meio alternativo e o cara que abriu e que continua abrindo caminho para possamos fazer e falar de música hoje. Sempre lúcido, com músicas profundamente reflexivas, honestas e brutalmente reais, seja na Ludovic ou com assinando com seu próprio nome. Consegue captar e transmitir em arte a atual conjuntura política e social brasileira, toda vez que se pronuncia consegue dar voz a uma geração aprisionada em seus próprios fantasmas, porém determinada a não deixar que os antepassados cometam os mesmos erros. Jair fala da sociedade e fala dele mesmo, atemporal apesar de falar sobre o que acontece no aqui e agora, expondo a complexidade do ser e as peripécias do viver. Se eu pudesse indicar um artista para que todos possam se inspirar, esse artista é Jair Naves. É sempre uma honra e um prazer vê-lo ao vivo. E você pode conferir o novo disco no evento Sounds Like FFFront IV – Jair Naves – 24/06 https://jairnaves.bandcamp.com/releases Confira outras indicações da seção Rebobinados indica.
Lançamento do clipe Ode – Ultraluna + entrevista

Quem acompanha o nosso blog desde o começo provavelmente já deve ter ouvido falar do Vinicius Mendes, certo? Já fizemos matérias aqui falando do Festival Pessoa que Voa que aconteceu no ano passado e fizemos uma entrevista com ele falando sobre o nosso querido e finado selo. Mas o que você talvez não saiba é que o Vinicius agora está com um novo projeto, chamado Ultraluna. Clipe de Ode Ode é bem diferente da primeira música lançada anteriormente, a Como uma Raposa nos Faróis (veja abaixo), é mais alegre, bem mais pop, grudou facilmente na minha mente o trecho “eu não vou sentir medo ou nem sentir culpa, só quero sentir seu braço na minha nuca”, me vi cantarolando essa parte pelo resto do dia quando ouvi as demos. Não posso dar spoilers do EP que será lançado em breve, porém posso adiantar que é um ótimo álbum, diferente de Mércurio que sempre me fazia chorar ou emocionava quando eu via ao vivo. Mércurio era bem mais voz e violão, right in the feels, o EP é mais “guitarrístico”, pop, refrões marcantes, solos de guitarra pra fazer você se apaixonar, pedal como a gente gosta e uma bateria animada e acelerada. Pelo menos que é a impressão que me passa. Ultraluna não é necessariamente um renascimento ou recomeço, é apenas uma das inúmeras facetas de um artista que procura diversas maneiras pra se expressar. O passado não ficou para trás, ele é sempre valorizado e querido. Mas temos que dar passagem para que o novo possa entrar e mostrar suas qualidades também. Acho que é sempre importante experimentar e ir descobrindo o que mais te agrada na música, confesso que as duas abordagens funcionam muito bem pra mim, tanto a melancolia quanto a alegria da juventude, aquela abordagem musical trazida pelo núcleo independente que eu chamo de rock jovem. O rock jovem me lembra do espírito da juventude, que muitas vezes eu perco (talvez eu já esteja velha demais pra isso), mas de vez em quando eu acho quando vou aos shows independentes. Essa abordagem dá um vigor pra discografia do Ultraluna, mostra as camadas criativas e a capacidade de se reinventar sem perder a essência, mantendo a alma, a paixão pela música e a criatividade. https://youtu.be/8Tb4dJ2yeSo Na entrevista abaixo, conversamos um pouco mais pra tentar entender os planos para o novo projeto: O que significa Ultraluna pra você? Uma mudança de nome ou estilo até um tipo de renascimento ou algo mais? Acho que o nome Ultraluna e o fato de ter mudado de nome não significa necessariamente uma mudança, porque meu estilo de compor e fazer música continua praticamente o mesmo, e nem um recomeço, porque gosto muito da minha discografia, e tudo que fiz nesse meio tempo. Acho que é um jeito de me distanciar da minha vida pessoal e poder ter mais liberdade em fazer o que eu me sinto confortável fazendo enquanto artista. Em qual direção as suas próximas músicas serão? (ex: vai ocorrer uma mudança de estilo/gênero) Então, eu não faço ideia. Essas músicas novas foram as ultimas que eu tinha guardadas, não tenho mais nada escrito, tudo daqui pra frente vai ser novo. Por enquanto, a ideia é fazer uma mistura desse som mais trabalhado do EP com o som acústico dos meus trabalhos anteriores, mas não comecei a escrever nada. A vontade agora é tocar esse EP ao vivo, junto das músicas antigas arranjadas com a banda pela primeira vez. Com quais artistas você vai colaborar nas músicas novas? Além da ajuda do Lucas (LVCASU), que desde sempre me ajuda na produção de tudo que faço, e fez as fotos e o vídeo de “Ode”, pela primeira vez tô contando com a ajuda do meu amigo talentosíssimo Nickolas (Marchioretto), que tocou bateria, guitarra e cantou em todas as músicas do EP. Nós gravamos lá no estúdio Fiaca, com o Yann Dardenne e com o Chris Kuntz, da Goldenloki, e eles ajudaram muito também a moldar esse trabalho todo. Quais são as inspirações pro álbum novo? Enquanto compunha eu ouvia muito Title Fight, Adventures, Mineral, I Hate Sex, Eliminadorzinho e o “Boas Pessoas São Feitas de Promessas Incompletas” do Marchioretto. Acho que o fim da PQV inspirou um pouco as composições e o jeito que eu tô lançando esse EP também. Quais são as histórias por trás das fotos do EP? As fotos da capa e do vídeo de “Ode” retratam um dos temas do EP, acho que essas canções lidam muito com amadurecimento, com o medo de crescer e finalmente lidar com a vida sem filtro algum. Queria que elas passassem uma história meio “coming of age”, de jovens crescendo e se descobrindo. Tem algum plano de show/tour em breve? O primeiro show da Ultraluna com banda vai rolar em julho, junto de artistas que sou muito fã. Não sei se vou conseguir fazer uma turnê tão cedo, porque minha rotina de trabalho é bem justa, mas tenho muita vontade de ir pra Minas e pro interior de São Paulo pela primeira vez. Tem algum outro músico independente que você gostaria de trabalhar? Sou muito fã da Lia Kapp, do Weird Fingers, da Ana Paia, do Nymo, do Juma e da Goldenloki, além do pessoal que era da PQV, como a Eliminadorzinho, Quasar, Pelocurto, e todo o pessoal. Pra qualquer coisa que um dia resolverem me chamar eu topo demais. Agradecemos ao Ultraluna pela entrevista e aguardamos ansiosos pelo disco novo! Quer saber mais sobre o artista? Bandcamp | Facebook | Youtube