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Quem indica: Conrado Passarelli (Atalhos)

Estamos de volta! O Quem indica é a seção onde convidamos músicos e bandas para falarem sobre seus discos favoritos ou os que mais tem escutado. Estreando em 2021, hoje quem traz pra gente cinco indicações é Conrado Passarelli guitarrista da banda Atalhos. A Atalhos surgiu em 2008 na cidade de Birigui em São Paulo, hoje é composta pela dupla Gabriel Soares (Vocal, guitarra) e Conrado Passarelli (guitarra), até o momento foram lançados três discos de estúdio, são eles: Em Busca do Tempo Perdido (2012), Onde A Gente Morre (2014) e Animais Feridos (2017). O duo busca inspirações no mundo literário e cinematográfico, trazendo referências de alguns nomes conhecidos como: Sylvia Plath, Dante Alighieri e Ingmar Bergman. Em 2013 suas músicas chegaram em territórios vizinhos, o resultado foi uma pequena turnê pela Argentina, onde retornaram mais tarde em 2015 como parte do line-up do Festival Internacional Postpop Barenboim IV. Recentemente lançaram um vídeo para a nova ‘A Tentação do Fracasso‘, que dá uma prévia do que está por vir no próximo disco com previsão de lançamento para este ano. Você pode conferir abaixo: Acompanhe a Atalhos nas redes sociais: Facebook | Instagram | Youtube As indicações: Tennis – Swimmer “Pop, romântico, esse álbum parece uma máquina do tempo. Basta ouvir uma vez a introdução de bateria da música “Need Your Love” para lembrar dela pelo resto do dia, talvez até pelo resto da vida.“ LCD Soundsystem – American Dream “Embora o álbum seja de 2017, ele apareceu na minha lista dos mais ouvidos de 2020 e tem  sonoridades dos anos 1980. O destaque vai para a música I Used To.“ Her’s  – Songs of Her’s “As guitarras dedilhadas de “What once was” e a bateria de “Dorothy” que segue pulsando em uma levada constante são duas características que me fazem admirar o trabalho dessa dupla que deixou o mundo da música de maneira precoce e inesperada.” BADBADNOTGOOD  – IV “É uma mistura muito bem feita entre jazz e elementos de música eletrônica. Instrumentos como o sax e sintetizadores ficam bem evidentes. A minha faixa preferida é Time Moves Slow, além da beleza na melodia tem a participação do Samuel T. Herring (Future Islands).” Bandalos Chinos – Bach “Grande álbum da banda Argentina. O convite para desfrutar dos bons momentos vem logo na primeira faixa: Vámonos de viaje.” Confira outros artistas e bandas que passaram pelo Quem indica clicando aqui.

Bryson Cone: show gravado em São Paulo estreia na série de sessions da Brain Productions

O músico norte-americano Bryson Cone, de Portland (EUA), da novíssima geração do indie, é quem estreia a Brain Sessions, uma série de sessions exclusivas produzidas pela Brain Productions Booking. O primeiro episódio já está no ar, assista aqui: https://youtu.be/FVs0i8fpTJw. Bryson Cone faz música alternativa contemporânea e esquisita – no bom sentido dentro do âmbito musical. É essencialmente pop e flerta com synths, dreampop; tem ambientações soturnas e também riffs de guitarra que remetem ao indie dos anos 90. Na primeira Brain Sessions, gravada em novembro de 2020 na capital paulista, Bryson se apresenta ao lado da brasileira Isa Georgetti, que toca guitarra. Isa é a tour manager da icônica banda indie norte-americana Built to Spill. São dois momentos: em 15 minutos, Bryson Cone toca quatro músicas, entre elas o hit ‘Devotion’, faixa do seu disco de estreia Magnetism, do ano passado, além de três inéditas – ‘Reflections’, ‘Mirror Mirror’ e New Me. A segunda parte é uma entrevista, gravada e produzida pelo músico em janeiro de 2021 no Uruguai. Magnetism marca a estreia de Bryson na Cleopatra Records, lendária gravadora de Los Angeles que já trabalhou com bandas do alto escalão, como ‪Iggy Pop e Information Society‬. Ficha técnica da session: Criação e Produção Geral: Carlo Bruno MontalvãoDireção: Gustavo VargasDireção de Fotografia: Gustavo Vargas e Alexandre SerafiniOperação de Câmera: Alan Borgatz e Alexandre SerafiniSom Direto: Felipe FaracoEdição/Finalização: Alexandre Serafini Bryson Cone aparece por cortesia da Cleopatra Records, 2020/2021. Todos os direitos reservados. BRAIN SESSIONS é um projeto de live sessions exclusivo criado por Carlo Bruno Montalvão, produzido e promovido pela Brain Productions Booking. Fotos: Alexandre Serafini Brain Productions Booking nas redes: Instagram: @brainproductionsFacebook: /Productions.BrainTwitter: @brainbooking Bryson Cone nas redes: Soundcloud: soundcloud.com/bryson-coneFacebook: /brysonconemusicInstagram: @brysonconeTwitter: @brysonconemusic

Melhores discos nacionais de 2020

melhores discos nacionais

Chegou o momento listinhas de fim de ano! E hoje trouxemos nossa lista de melhores discos nacionais de 2020. Acho que nem precisamos falar mais sobre 2020 né, já deu, conseguimos chegar ao fim dele, se a sanidade tá 100% é outra história, mas chegamos. Queremos agradecer aos que acompanham o blog, que mandaram músicas, releases, e também nos desculparmos se alguém ficou sem resposta, foi tudo muito louco e não conseguimos dar conta, somos apenas duas pessoas e um colaborador que escrevem sobre as músicas que gostam. Por fim, aqui vão nossos discos favoritos, vale lembrar que é nossa opinião pessoal, são os que mais escutamos durante o ano. Isso mostra também o quanto de música boa nosso Brasil tem, acho que essa lista sintetiza bem isso, escutem e apoiem os artistas e bandas nacionais! Mahmundi – Mundo Novo Em seu terceiro disco, a cantora e compositora carioca Mahmundi faz um trabalho que dialoga bastante com os tempos de isolamento, a conexão por meios tecnológicos e os sentimentos envolvidos nisso. A sonoridade se distancia um pouco dos discos anteriores, então aqui não rola tanto aquele flerte com o eletrônico indie, na verdade, temos a presença de instrumentos mais orgânicos, e acredito que isso é o que mantém um clima leve e gostoso de se ouvir. Faixas favoritas: ‘Nova Tv‘ e ‘Vai‘. Taco de Golfe – Nó Sem Ponto II Já tinha ouvido falar muito bem dessa banda, e aí fiquei curioso com esse lançamento e fui correndo ouvir. É um disco de rock instrumental bem feito, dinâmico, tem ótimos solos, melodias bonitas, não é aquele disco que você põe pra escutar e ficando penando. Ele é interessante, bonito e tudo bem redondinho, posso dizer facilmente que são uma das melhores bandas do gênero. Faixas favoritas: ‘Grade Grade’ e ‘Cortes’. Suco de Lúcuma – Quase Azul O que me fez querer ouvir essa banda foi o nome, inclusive eu não sabia que lúcuma é uma fruta, vivendo e aprendendo. Esse ano eles lançaram um disco duplo que foi separado em ‘Quase Azul‘ e ‘Quase Rosa‘. As músicas transitam por melodias psicodélicas e do neo soul alinhadas a um visual surrealista, destaco o disco ‘Quase Azul‘ como favorito, nele as composições se derretem em nossos ouvidos, criando até mesmo uma dimensão paralela como na faixa ‘Belém‘, uma das mais gostosas que ouvi esse ano. Faixas favoritas: ‘Nada no Ar’ e ‘Belém’. Wagner Almeida – Campeão da Avenida Campeão da Avenida é o terceiro álbum do Wagner Almeida, esse álbum nos leva a uma jornada cheia de emoções, ora com canções mais animadas que seriam uma boa pedida para as performances ao vivo, ora com canções introspectivas, repletas de melancolia e reflexão. Um pouco de shoegaze, ambientalismo, muita honestidade e verdade nas letras, riffs melódicos e vários dilemas que essa geração se encontra. Uma excelente pedida pra quem gosta de slowcore, folk, emo folk e lo-fi. Faixas favoritas: ‘Piloto Automático’, ‘Acordar’ e ‘Afogar’. Institution – Ruptura do Visível Ruptura do Visível é o segundo disco do Institution, e o que podemos destacar são as composições em português que acabam criando uma conexão melhor com o ouvinte. Aqui eles escancaram de forma poética as injustiças, questões sociais e a política podre que assombra o nosso país. O som intenso e pesado é um verdadeiro tapa na cara e definitivamente crava a importância de se discutir esses temas na música. Faixas favoritas: ‘Memória Falha’ e ‘Metástase’. Vivian Kuczynski – N ENTENDI ND O novo EP da Vivian Kuczynski foi uma grata surpresa, aqui ela pisa em territórios desconhecidos, sai de sua zona de conforto, se é que podemos falar isso, e aposta em um som eletrônico mais desconstruído, com algumas quebras abruptas durante as batidas frenéticas e os vocais cheios de efeitos e camadas. Esse tipo de música ainda não é muito explorado por aqui, e acaba sendo um plus a mais, muito bom saber que tem artistas criando algo fora da caixinha. Faixas favoritas: ‘PELE’ e ‘N ENTENDI ND’. Letrux – Letrux Aos Prantos Já tem muita gente falando isso por aí, mas é incrível como nesse disco a Letícia parece prever os tempos sombrios que viriam. Ela é uma das artistas mais interessantes da música nacional, muito expressiva, interpreta suas músicas de forma intensa, traz ótimas referências de música e literatura, e além disso consegue escrever letras que vão de momentos cômicos aos mais trágicos. Esse disco é ótimo, e com certeza é um dos shows que mal posso esperar pra ver em 2021, vem vacina! Faixas favoritas: ‘Contanto Até Que’ e ‘Eu Estou Aos Prantos’. Julico – Ikê Maré Esse disco pode ser considerado uma pérola desse ano, já conseguimos imaginar ele daqui uns 20 anos sendo citado como uma obra prima da música nacional, digo isso porque infelizmente as pessoas demoram pra dar atenção a certos artistas. Ikê Maré tem uma identidade incrível e avassaladora, ele traz uma conexão imagética forte com a natureza, rios, lagos e mangues, é sentimental e faz tão bonito diante de seu instrumental com ritmos brasileiros, guitarras cheias de fuzz e as ótimas letras de Júlio. Faixas favoritas: ‘Nuvens Negras’ e ‘Pelejamor‘. ÀIYÉ – Gratitrevas Em Gratitrevas, Larissa Conforto traz um trabalho bonito e sofisticado, no bom sentido. Fica visível seu renascer, explorando sons e temáticas, ela consegue uma sonoridade bem produzida, que funciona e conecta vários sons, indo desde as percussões africanas, samba, funk ao trip hop. Além disso, interpreta lindamente as composições com sua bela voz, mais um show que estamos ansiosos pra ver ao vivo. Faixas favoritas: ‘Pulmão’ e ‘Terreiro’. Luedji Luna – Bom Mesmo é Estar Debaixo D’água Luedji Luna nos presenteou com um disco potente. Esse é seu segundo trabalho e busca força e inspiração nas raízes africanas, algo que fica explícito em sua identidade visual e musical. Para isso, as gravações aconteceram em países diferentes como Quênia, Madagascar e Burundi, e contou com participações de músicos locais, além de nomes conhecidos como a autora Conceição Evaristo e a

11 artistas franceses para conhecer antes de 2020 acabar

Meus amigos, o ano está chegando ao fim e em breve faremos nossa lista de discos favoritos de 2020, mas antes disso, resolvemos selecionar mais 11 artistas que conhecemos através da plataforma Groover, inclusive já comentamos algumas vezes antes, como nessa matéria aqui. Por ser um site francês, dessa vez decidimos divulgar apenas artistas franceses, mas em breve vai rolar mais música de tudo quanto é lugar do mundo também. Vocês vão encontrar uma diversidade de sonoridades, do rap ao post-rock, eletrônica e pop. Profiter et découvrir de la nouvelle musique! Sopycal Sopycal é uma parceria entre Calypso Buijtenhuijs, uma atriz, dançarina e rapper/slammer e o produtor estadunidense Alex Siegel. A música ‘Tabou‘ faz parte do EP Dans l’eau, o vídeo tem direção de Alba Camarero e foi selecionado no Festival Indie de Cinema de Madri. Em suas letras, ela discute temas do universo feminino, a música inclusive, fala sobre o aborto e como o tema é visto por outros olhares. Facebook | Instagram | Spotify Myoon Música eletrônica é definitivamente algo que os franceses sabem fazer bem, a dupla Myoon é composta por dois irmãos. Recentemente eles vem lançando algumas músicas que estarão em seu primeiro disco, ‘Jump‘ é uma delas, com boas melodias e um clima de verão, eles buscam trazer mensagens de amor, positividade e esperança. Facebook | Instagram | Spotify Le Crapaud et La Morue Que Faire? é o segundo disco da banda Le Crepaud et La Morue. Suas músicas trazem uma certa versatilidade sonora, transitando entre momentos enérgicos e explosivos a outros mais melódicos. Isso explica suas influências vindas de vários gêneros como post-rock, indie e progressivo, algo que definitivamente quebra qualquer tipo de limitação em suas composições. Facebook | Bandcamp Clio A cantora e compositora Clio retorna após um ano desde o lançamento de seu último disco Déjà Venise, com a nova ‘Ai-je perdu le nord?’. A música fará parte de seu terceiro e novo disco que está previsto para sair em 2021, o vídeo teve direção de Isabelle Maure. Já conhecida mundialmente, ela traz músicas com influências vindas do dream pop e new wave, seus belos vocais dão um clima suave e gostoso de se ouvir. Facebook | Instagram | Spotify Marie LEONDHARDT Buscando se desafiar e encontrar seu lugar na música, Marie LEONDHARDT encontrou a felicidade ao usar o tempo de confinamento em casa para estudar e compor músicas. Entre suas influências estão artistas como: Pink Floyd, Caribou e Hot Chip. ‘Feel‘ é sua primeira música lançada, e mostra o início de um longo e bom caminho que vem pela frente. Facebook | Soundcloud Kwoon O Kwoon é liderado pelo músico e compositor Sandy, ele busca com sua música explorar imaginários e paisagens sonoras que facilmente te levarão para uma imersão musical. No vídeo abaixo ele apresenta a faixa ‘King Of Sea‘, para isso se isolou no topo de uma torre na Ilha de Lanzarote, com a ajuda de drones filmou sua apresentação solitária em meio a uma paisagem de tirar o fôlego e que foi o cenário perfeito para sua música. INDIGO Indigo é uma banda formada por Alexis (bateria), Andreas (baixo) e Tristan (guitarra/vocal), a música ‘Darwin‘ ganhou um vídeo clipe que representa a teoria de Darwin, além disso ela faz parte do projeto ‘The Distance‘ que consiste em três EP’s que no fim darão em um disco completo. O grupo busca inspiração em bandas da década de 90, como Sonic Youth, Pavement, Oasis e Nirvana. Facebook | Instagram | Spotify Chiara Foschiani A jovem cantora e compositora Chiara Foschiana mostra grande potencial ao apostar em um pop moderno com alguns climas mais dark. A trilha divide momentos com suas composições sensíveis e também perturbadoras. Seus vocais intensos e a boa produção em todo o trabalho abrem caminho para uma carreira que pode trazer bons ganhos, no momento ela trabalha em seu primeiro EP ‘Trouble Maker‘. Facebook | Instagram | Bandcamp Show Me Your Universe Em ‘Kid Forever‘ os franceses do Show Me Your Universe mandam um post-harcore intenso e vigoroso. A banda foi formada em 2015, no ano passado lançaram seu primeiro disco, o álbum ‘Origins‘. Com boas doses de melancolia, raiva e peso, eles tem tudo para ser facilmente destaque não só na cena francesa do metal, mas do mundo. Facebook | Instagram | Bandcamp Magon Magon é com certeza um dos artistas mais interessantes que escutamos nos últimos tempos, em sua música podemos encontrar influências que vão de The Velvet Underground a Pixies. A faixa ‘Aerodynamic‘ é prova disso, nos lembrando bastante o rock feito durante a década de 90. Esse é o segundo single lançado nesse ano, fica ligado que vem disco novo por aí. Facebook | Instagram | Bandcamp Rose Rose Essa dupla de produtores formam o Rose Rose, uma banda que traz os sintetizadores do dream pop, guitarras rítmicas e criam uma atmosfera dançante que flerta também com a música disco dos anos 70, mas que ainda assim também permanece moderna. A partir dessa fusão de sons digitais e orgânicos, como na faixa ‘Sugar Hill‘, eles seguem trabalhando em seu quarto disco de estúdio. Facebook | Instagram | Bandcamp

Anis Estrelado: novo EP mistura shoegaze, dream pop e psicodelia

Thalita Arruda é uma jovem multiinstrumentista e também a mente por trás da Anis Estrelado, projeto que surgiu na cidade de Araucária no Paraná. Para quem não sabe, Anis Estrelado é uma planta medicional originária da China ou Vietnã, conhecida por ser utilizada como calmante, óleo essencial ou aromatizante. O significado está conectado com o que ela desejava transmitir com suas músicas, um sentimento de amenidade e conforto. A estreia do projeto veio com o primeiro EP sonhandoacordado, lançado em junho de 2019 com três músicas gravadas e produzidas de forma totalmente independente, em casa, com microfone de celular, violão e um notebook. Pouco tempo depois Thalita começa a trabalhar em novas composições, e a partir daí surge seu novo disco, o EP Como Vão As Plantas Lá Fora?, resultado do período em que esteve reclusa em casa. As quatro músicas são envoltas por uma sonoridade que vai de momentos delicados, espaciais e até barulhentos, vindos de suas referências em estilos como shoegaze, dream pop e psicodelia. Você pode escutar o EP na íntegra: Abaixo conversamos com a Thalita sobre seu projeto, as composições e inspirações para o novo EP: Desde quando existe o projeto e como surgiu a escolha do nome Anis Estrelado? Toda a ideia do projeto surgiu em 2019, passei alguns meses quebrando a cabeça pra encontrar um nome, mas até então não tinha encontrado nada que combinasse com a proposta. Num certo um dia, passeado na internet, surgiu uma matéria sobre Anis Estrelado, e descobri que se usado medicinalmente, é um anti-inflamatório poderoso, e que o banho proporciona leveza e bem-estar. Achei que esse conceito casava bastante com o que eu queria passar e decidi que esse seria o nome. Como foi o processo de composição e gravação do novo EP? Você acha que a situação atual teve um peso maior nas suas composições? Todas as letras surgiram no meio da pandemia. Como tive bastante tempo, resolvi investir numa interface e gravar tudo em casa. Trabalhei sem pressa, explorei bem as letras e sonoridades até chegar nos arranjos que eu queria. O processo todo levou em torno de 7 meses, tive a ajuda do Diego Wandal (Blue Rattle Funk), que me auxiliou com opiniões e na mixagem, e do Alexandre Honório (Estúdio Bunker Cultural), que fez a masterização “The Winter Came”. Com certeza! No meio da ansiedade e angústia do momento, surgiram as letras de “The Winter Came” e “I Cannot Wait to See”, que falam justamente sobre a nossa  relação com o mundo externo, e a importância de ter esperança de que as coisas vão passar. Geralmente você busca inspirações em quais coisas para compor suas músicas? Nas letras, eu gosto muito de refletir sobre ansiedade, futuro, nossa relação com o tempo e espaço, a inspiração vem das experiências que tenho no cotidiano. Sonoramente, gosto da ideia de criar paisagens sonoras. Ouço várias coisas, mas me inspiro muito em estilos como dreampop e neo psicodélico, bandas como Melody’s Echo Chamber, Winter, Beach House, Slowdive, Courtney Barnett. Hoje existem diversas ferramentas e possibilidades de se criar música em casa, você acredita que isso foi um fator importante para o surgimento de projetos liderados por mulheres? Sim! Hoje em dia é cada vez mais simples criar conteúdo, mesmo que não se tenha tantos recursos. Se aprende muita coisa na internet, é mais fácil de encontrar e contatar pessoas que tem ideias parecidas, é lindo de ver as parcerias que tem surgido nessa era.É fundamental que as mulheres tomem a frente do meio artístico e consigam mais visibilidade! Fico muito feliz em ver cada vez mais artistas e produtoras no ramo. Ainda é cedo pra falar, mas o que você espera realizar no futuro, shows ao vivo com banda ou um novo vídeo? Tenho planos para montar uma banda! Gostaria muito de participar de alguns eventos e tocar com outras bandas do meio alternativo. Quanto aos vídeos, já tenho o de “I Cannot Wait To See” pronto! Sai em dezembro. Pra finalizar, se você pudesse escolher uma das suas músicas para compor a trilha sonora de um filme, qual música e filme você escolheria e por quê? A música “O Que Eu Não Sou”. Para o filme “As Vantagens de ser Invisível” A letra fala sobre não se encaixar no que nos é imposto e assumir o que você é, criar seu próprio lugar de conforto, mesmo que ele não seja o que esperam. No filme, os personagens estão em fase de descobertas, e lidam com diversos conflitos, onde eles precisam se desfazer e refazer o tempo todo. Na cena icônica, em que Charlie, Mary Elizabeth e Patrick percorrem o túnel de carro, os três se sentem livres e confortáveis em serem exatamente quem eles são, e no desfecho, eles estão seguros com suas escolhas, um estado de espírito que casa bem com a música. Siga a Anis Estrelado nas redes sociais: Facebook | Bandcamp | Instagram | Youtube Para conhecer mais artistas de shoegaze, acesse também: 15 bandas nacionais de shoegaze que você precisa conhecer

The Self-Escape: projeto de pop indie fala sobre relações modernas em novo EP

The Self-Escape é o projeto comandado pelo cantor, compositor e produtor pernambucano Felipe Buarque. Além de criar sua própria identidade, ele busca referências num apanhado de ótimos artistas do meio pop e eletrônico como Alt-J, Lana del Rey e The Weeknd. Em 2017, ele lançou seu primeiro EP Uma Carta de Mudança, que trazia cinco músicas e uma sonoridade mais voltada ao folk e mpb. No ano seguinte, começou a divulgar algumas músicas novas, dessa vez assinando como The Self-Escape, o resultado foi o EP Polarize (Pt. 1). Um ano depois ele retorna com o lançamento de Polarize (Pt. 2), o disco tem seis músicas, todas compostas no período que antecedeu a pandemia. A sonoridade segue um clima moderno, ameno e minimalista, tanto nas guitarras quanto nas batidas e sintetizadores. Nas letras Felipe retrata as relações humanas, seja aquela amizade falsa, tóxica e gananciosa como no single ‘Go‘, ou até mesmo as paixões e os diferentes momentos que vivenciamos, desde seu início ‘nas nuvens’ até o seu fim mais amargo como em ‘From Lovers to Dust’. ‘From zero to friendsFrom friends to loversFrom lovers to dustI gotta start all over… Refrão da faixa 1 ‘From Lovers to Dust’. Sobre a composição do novo EP ele diz: “Me doei 100% aqui. Este EP é fruto de uma imersão de seis meses no meu home studio. Ele fica no meu quarto. E bem, não saio de casa há mais de seis meses devido ao COVID-19. Isso mostra a profundidade que essas músicas têm para mim. Me inspiro em The Weeknd, The xx, Lana Del Rey e Khalid enquanto crio o meu próprio estilo. Não me preocupei com o que está ou em alta ou rende dinheiro. Apenas coloquei tudo o que penso e sinto”. Aproveitando o lançamento de Polarize (Pt. 2), batemos um papo rápido com o músico sobre o disco e suas letras: Conta pra gente como foi compor o novo EP em casa, em meio a toda essa situação nova e desafiadora de lidar com um bocado de notícias e acontecimentos ruins? Cara, com relação às letras em si, boa parte delas foram de situações pré-pandemia. E, assim como o próprio processo de produção, até me ajudaram a desconectar um pouco da vibe apocalíptica que está rolando. Além disso, já tenho um processo bem solitário de criação, então, nesse quesito, foi até um pouco mais “fácil” de me adaptar. Logo no começo da pandemia decidi fazer o máximo que podia para ajudar (basicamente ficando em casa enquanto fosse possível) e sem criar muitas expectativas de quando iria acabar. Então isso acabou me desprendendo um pouco dos acontecimentos diários. No disco você fala sobre relacionamentos e relações tóxicas, você acredita que a internet é a grande vilã do novo amor, uma vez que se tem tudo de forma rápida e prática, e pessoas são descartadas em apenas um deslize? Eu acredito que a internet de certa maneira realmente contribua negativamente em muitas relações pessoais. A superexposição de tudo, a necessidade de aprovação de pessoas que muitas vezes a gente nem conhece direito, etc. Mas também tenho convicção que as relações, quando verdadeiras, transcendem o digital. Mesmo que tenham nascido nela. Acho que cabe a nós, como indivíduos, sabermos diferenciar o que realmente é real, e, continuar entendendo os impactos das redes sociais nas nossas vidas. Sou otimista quanto a essa conscientização haha Você citou alguns nomes internacionais que são suas influências, falando agora sobre a cena nacional, quais artistas você gosta ou costuma ouvir? Pode até soar como surpresa, mas dois dos artistas brasileiros que mais ouço são Luiz Gonzaga e Djavan. Não só por simplesmente gostar demais das músicas (em todos os sentidos), me inspiro neles ainda mais pelo fato de serem excelentes cantores, compositores e instrumentistas. Características que busco demais evoluir em mim como músico. (A impressão que tenho, é que a identidade artística fica bem mais coerente/evidente). Além dos que citei acima, outros nomes como Nação Zumbi, Geraldo Azevedo, Cazuza e Tim Maia também são influências. Quanto a artistas mais atuais, Mateus Asato é realmente um ídolo pra mim, tenho acompanhado um tanto da cena do rap/trap (Baco Exú do Blues, Djonga, Matuê) e pra um lado mais alternativo, eu diria que a Tuyo, hoje, é minha banda nacional predileta. Mesmo com as limitações de uma pandemia, o que você tem de planos pela frente, pretende gravar algum vídeo para as músicas? Essa é a pergunta de ouro haha Voltei para Recife recentemente e pretendo ficar por aqui até que essa situação toda se normalize. Esses dias tenho organizado um lugar para que eu possa voltar a produzir normalmente, e, resolvendo isso, já tenho algumas ideias engatilhadas. Quero demais fazer trabalhos audiovisuais para músicas como “Go”, “From Lovers to Dust” e/ou “Again”; tenho ensaiado para gravar um EP com versões acústicas para algumas das músicas; e quero, claro, dar continuidade a algumas músicas novas! Siga o The Self-Escape nas redes sociais: FacebookInstagramSpotify Escute o novo EP Polarize (Pt. 2): Quer conhecer mais música? Confira também essa matéria: Rebobinados indica #17

Quem indica: Rafael Sade (Soulsad)

Rafael Sade é um cantor, compositor e tecladista da banda de melodic death doom Soulsad, que inclusive já indicamos nessa lista aqui. Ele também já fez parte de outro nome conhecido na cena nacional, o Helllight, banda de funeral doom metal que surgiu em meados de 1996. Foi responsável por difundir o gênero criando vários eventos que contavam com bandas de outros estados, em 2013 criou o Doomsday Fest com um cast de cinco bandas, trazendo nomes como Lugubres, Les Mémoires Fall, Apocalyptichaos, Mythological Cold Towers e Helllight. Comanda a Last Time Produções onde organiza sessions, notícias e releases de bandas do gênero, que inclusive conta com um canal no Youtube, você pode conhecer clicando aqui. Dez anos mais tarde, Rafael retorna com o Soulsad na versão duo e lança o EP Two Funerals, contendo três músicas. As faixas ganharam vídeos produzidos por ele mesmo. Em 2019, mais um lançamento marca o retorno da banda, dessa vez como trio, o single ‘Doomed to Failure‘ é lançado e ganha um lyric video, atingindo boas visualizações em poucas semanas. Recentemente o Soulsad integrou a coletânea brasileira homenageando a banda britânica de death doom metal My Dying Bride com a música ‘The Dreadful Hours’. As indicações: Draconian – Under a Godless Veil (2020) Alcançaram a perfeição com esse novo disco, é o álbum do ano. Paradise Lost – Obsidian (2020) PL é como vinho: quanto mais velho, melhor My Dying Bride – The Ghost of Orion (2020) O MDB faz aquilo que todo fã aprecia e continua usando a velha fórmula de sempre, sem novidades Desire – Locus Horrendus (2002) Esse é um disco de 2002, mas eu gosto tanto que sempre retorno pra escutar. É poesia e tragédia Lacrimas Profundere – Memorandum (1999) Álbum de 99 que escuto desde o lançamento. Definiu a sonoridade que eu iria usar em meus futuros trabalhos. Sou totalmente inspirado por esse disco! Siga os trabalhos de Rafael Sade nas redes sociais:Facebook | Instagram | Youtube | Bandcamp Last Time Produções:Facebook | Instagram | Youtube

Rebobinados | Falando sobre música alternativa desde 2017.