Como o tempo voa, e voa num raio de luz que a gente mal percebe, parece que foi ontem, mais precisamente em 2011, que conheci a This Lonely Crowd.
Certa vez, um conhecido compartilhou no Facebook um vídeo com a música Laura’s Coming. Quando dei o play, fiquei surpreso com aquela sonoridade, uma atmosfera sonhadora, bonita, barulhenta. Os vocais logo me lembraram algo dos anos 90, mais precisamente o Smashing Pumpkins, era um Pumpkins fazendo shoegaze?!
A partir daí eu entrei em um vício, escutei todos os EP’s disponíveis, pesquisei mais sobre a banda que ainda era tão desconhecida, desemboquei no site do selo Sinewave, aquilo era um acervo de maravilhas pra descobrir, daqueles achados que pertenciam somente aos saudosos blogs da época.
Desde lá, sempre escuto esse pessoal, ainda fico bobo com a criatividade e a qualidade dos discos, cada um com sua identidade, seu pedacinho de história pra contar. É muito bom gostar de This Lonely Crowd!
Eldritch Magnificence traz mais um capítulo de contos, sonhos e barulho
O décimo disco da carreira chega em 17 de julho, um período de três anos desde o último lançamento que também nos trouxe ótimas composições.
Eldritch Magnificence foi gravado nos estúdios O.r.t.a. em Curitiba, cidade natal do quineto, durante o período de agosto de 2024 e março de 2026. A produção (sempre incrível, diga-se de passagem) ficou novamente por conta do baterista Thra’shbeard, e essa arte lindona foi feita pela Laura G.
A proposta da This Lonely Crowd sempre foi trazer o universo da literatura e cinema para a música, existe uma união mais bonita e incrível que essa? Ainda mais, poder falar de contos de fadas (nem sempre é aquele bonitinho que você conhece, tá?), poemas, criaturas e suas histórias.

Com 12 músicas, Eldritch Magnificence leva o ouvinte para uma jornada musical e de fantasia, todas as letras do disco foram inspiradas por autores como Jim Henson, Ursula K. Le Guin, R. L. Stevenson, e alguns rostos misteriosos do cinema alternativo dos anos 70 (El espíritu de la colmena, Valerie a týden divu).
A música que dá início é a instrumental A vast and majestic cosmic drama, podemos destacar o ótimo trabalho de guitarras, algo muito comum nas composições da banda, ela tem aquela atmosfera que já conhecemos, com um gostinho de Mogwai.
Em seguida, Doubt of a Shadown chega com o pé na porta, os blast beats da bateria de início podem dar a entender que teremos uma música extrema, mas na verdade ela é uma ótima combinação de porradaria e melodia, enquanto a bateria se mantém frenética na maior parte do tempo, as guitarras e vocais seguem um tom mais melódico, um equilíbrio perfeito.
Falando ainda em extremo, Mimesis já começa com riffs pesados de guitarra, aqui a banda mostra seu lado mais obscuro, aquele flerte com o metal extremo da qual são fãns. Ainda assim, conseguem dosar bem a sonoridade com partes mais shoegazísticas. Essa é pra ouvir bemmm alto!
Melancholethe tem linhas de baixo em primeiro plano e traz guitarras numa vibe mais post-rock, aqui é como se a banda voltasse há alguns anos atrás em sua sonoridade, mas sem soar datado. É uma música com riffs que vão ecoando de forma bonita, abrindo espaço pra momentos de guitarras mais pesadas e presentes, mas com aquele equilíbrio que já comentei anteriormente.
Em VentaBlue, a dinâmica muda um pouco, ela tem solos muito bonitos de guitarra, aliás, guitarra é o que não falta por aqui. Elas se encaixam muito bem com baixo e bateria, todos os instrumentos se mostram presentes, num trabalho perfeito, parece até uma orquestra sendo regida por alguém que entende do assunto.
The Joy of Exploring Gardens foi o primeiro single lançado, ela tem um clima tão nostálgico e bonito, eu diria que ela me remete aos primeiros trabalhos do grupo. Gosto dessa atmosfera que bebe do shoegaze e rock alternativo, essa aqui é pra sentir, botar os fones e viajar literalmente num clima bem gostosinho.
Misture uma guitarra com uma vibe mais crunchy (crocante) e densa com riffs sonhadores, aos poucos eles evoluem em um plano de fundo bonito, essa é Which Mask Is Your Mirror, mais uma faixa instrumental que soa bem aos ouvidos, é como se ela fosse um breve respiro para o que vem a seguir.
A energia é retomada em riffs pesados e cheios de efeito, e uma bateria bem marcada, Mercurial Fables é aquela fusão de peso e melodia que cai como uma luva na sonoridade da This Lonely Crowd, ela vem pra te dar um chacoalhão, como eu disse, guitarra é o que não falta por aqui.
Um momento de maior calmaria vem com Mourning tiny dears, a faixa aposta em um instrumental devaneador, escondendo um pouco guitarras pesadas e focando em um ritmo um pouco mais cadenciado.
Revivemos aquele clima de rock alternativo e shoegaze anos 90 em Sibyllina, talvez essa poderia ser facilmente uma faixa desconhecida do Siamese Dream dos Pumpkins.
Liminal é uma música um pouco mais introvertida, mas que tem momentos cheios de riffs ecoantes e atmosféricos que encerram com instrumental mais enérgico.
O culto às guitarras pesadas continua em Eldritch Magnificence, inclusive, ela consegue criar um ar cinematográfico com diferentes momentos, da tensão criada com as guitarras pesadas e vocais sussurrados ao respiro em melodias mais abertas, é como se aquela cena do vilão dementador desse espaço para momentos de esperança.
Se você gosta de gêneros dentro do metal, post-rock, shoegaze e rock alternativo, a This Lonely Crowd é pra você! Uma banda produtiva sem soar repetitiva, sempre tem uma surpresinha em cada disco pra te deixar bem maluco por eles, mais uma vez volto a dizer, estão fora da caixinha de bandas que você conhece por aí.
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