Você piscou e dezembro chegou!
O mês do panetone, uva passa em tudo que é comida, lojas cheias, trânsito, caos, presentes, almoços em família, piadas do tipo “quando vai casar?”, “e as namoradinhas?”, discussão, confusão e também harmonia (por quê, não?).
A essa altura já tivemos vários lançamentos na música, artistas novos e outros que já conhecemos bem lançaram trabalhos muito bons e trouxeram aquele gostinho de dar o play em música nova e seguir sendo fã por muito tempo.
Trouxemos aqui 16 discos nacionais de artistas que acompanhamos e gostamos muito, são trabalhos que consideramos tão bons e que merecem espaço nessa listinha querida que foi feita com carinho por Fábio, Gabriel e Tati, trio que comanda esse site, que nem sempre está tão na ativa, mas quando pode traz algumas coisinhas que gostamos e sentimos de compartilhar com vocês.
Obrigado à galera que segue a gente aqui e nas redes sociais, nos vemos em 2026 com muita música boa e shows!
Jonabug – Três Tigres Tristes

Era óbvio esperar qualidade de um disco cheio da Jonabug, a banda já vinha lançando singles promissores e agora mergulhou nas influências do rock alternativo dos anos 90. Com 10 composições muito boas e que trazem guitarras intensas, boas doses de melodias, climas melancólicos e vocais cativantes. As composições alternam entre o português e inglês, mas falam bem sobre angústias, fragilidade dos laços afetivos e a vivência nos tempos de hoje onde somos devorados pela tecnologia .
Escute: look at me, sua voz é o motivo da minha insônia e you cut my wings.
Mateus Fazeno Rock – Lá Na Zárea Todos Querem Viver Bem

Mateus Fazeno Rock continua com uma discografia concisa e verdadeira, que, mesmo com a evolução na qualidade de produção e a adição de novos ritmos e sons, continua fiel a si mesmo, com um som que faz total sentido com a ideia de “Rock Favela” apresentada nos discos anteriores, tanto na forma quanto no conteúdo.
“Lá Na Zárea Todos Querem Viver Bem” é o terceiro trabalho do cearense, no qual mais uma vez ele consegue misturar histórias da vida real na quebrada com memórias que se tornam melodias intensas e penetrantes, entregando um som que vai ficar martelando na sua cabeça o dia inteiro depois de ouvir uma única vez.
Com um mix de Rock, Reggae, Rap e Soul, o trabalho do Mateus se torna um dos sons mais “invocados” e disruptivos a surgir nos últimos tempos, sendo cru e elegante ao mesmo tempo. Só escutando para sentir.
Escute: Melô do Sossego, Daquilo que Nois Merece e ARTE MATA.
Desastros – Desastros

Álbum de estreia, autointitulado, dos mineiros Desastros, emerge com arranjos soturnos, cósmicos, lúdicos e de longas camadas, apresenta uma sonoridade que algumas vezes remete ao Radiohead em A Moon Shaped Pool, em outras aos trabalhos alternativos de seus membros, como Sara Não Tem Nome, que já passou por aqui, além de outras ótimas surpresas.
O álbum ecoa sobre o caos que vivemos na sociedade (e que o liberalismo tenta individualizar em nós), passando pelos desastres que estão acontecendo agora e os que ainda poderiam acontecer, de forma leve (mas melancólica) e irônica (mas consciente).
É um trabalho totalmente cinematográfico, no sentido de te deixar náufrago à deriva entre as galáxias, te guiando por entre um evento astronômico e outro, até o fim de tudo.
O excesso de estímulos, sensações e informações também é um dos desastros do nosso tempo; portanto, por “Desastros” ser tão cinematográfico, assim como um bom filme, deixo uma recomendação aqui: escute no fone de ouvido, em um momento em que consiga se desligar das preocupações do dia a dia, pois ele demanda que você o acompanhe, senão seu som também se esvai pelo vazio do espaço.
Escute: Desastres, Só um bicho e Via Láctea.
Vera Fischer Era Clubber – Veras I

VERAS I lança os cariocas do Vera Fischer Era Clubber para o mundo, direto pra fora da bolha underground. Com uma sonoridade sexy, divertida e eletrônica, com uma pegada darkwave/EBM, fazem um resgate do uso de spoken word muito usado por Fausto Fawcett (que já passou por aqui) nos anos 80, atrelado a uma lírica operística, atmosférica e cyberpunk, remetendo também ao trabalho de Fernanda Abreu em seu SLA e aos paulistanos precursores da cena clubber, o No Porn.
Não é de se estranhar se alguém como os alemães do Miss Construction lançasse algum trabalho inspirado por Vera Fischer nos próximos anos. Mesmo com tantas referências, VERAS I ainda cresce com uma identidade própria, difícil de descrever em palavras.
Dance e Escute: Ina, LOLOLOVE U e Eu Sem Depressão.
Julia Mestre – Maravilhosamente Bem

Uma continuação mais melancólica de seu último registro, “ARREPIADA” de 2023, o álbum “MARAVILHOSAMENTE BEM” emula alguns momentos anteriores, demonstrando uma continuidade e constância, com uma forte influência de Rita Lee, mas com alguns outros elementos adicionais.
Neste disco, executa alguns sons que fazem relembrar seu trabalho na banda Bala Desejo e outros que trazem um ar novo e surpreendente em algumas faixas, além da participação de Marina Lima de uma forma muito bem-humorada.
Te faz dançar em uma música, refletir em outra, desmanchar noutra e resistir, por fim.
Julia Mestre é uma artista diferente, que sempre entrega músicas que servem de trilha sonora para seus ouvintes; é quase impossível não viver um ou dois momentos inesquecíveis ao som de suas músicas.
Escute: Maravilhosamente Bem, Sou Fera e Sentimento Blues.
Marina Sena – Coisas Naturais

Marina Sena traz um ar fresco para o cenário musical BR, é sem dúvida um dos nomes que vem entregando trabalhos bem acima da média.
Com uma sonoridade que vibra entre o pop, a mpb, o funk e reggaeton, ela cultiva uma legião bem fiel de fãs e ainda consegue manter sua identidade artística, combinando poesia lírica e batidas dançantes contemporâneas, provando que dá pra ser pop e sofisticada.
Escute: Numa Ilha, Desmistificar e CARNAVAL.
Mahmundi – BEM VINDOS DE VOLTA

Quase acabando o ano, Mahmundi presenteia o mundo com um sorriso no rosto em “BEM VINDOS DE VOLTA”.
Com um som nostálgico, cheio de trip hop com passagens eletrônicas, descritivo e de cenários vividos, o novo registro retoma muito da atmosfera dos anos 2000, lembrando em algumas passagens aquelas músicas que sempre ouvíamos passando em algum programa, novela ou em uma festa no bairro, e que ao ouvir novamente automaticamente te transportavam para aquele exato momento. Sentia coisa parecida com a Sandra de Sá ou com o Ed Motta. Conhecem esse sentimento?
De casa nova, depois do encerramento do contrato com a gravadora Universal, Mahmundi se reconecta e reencontra, retomando controle de sua sonoridade original e fecha o ano com um lindo disco.
Escute: MAPA MUNDI, FALTA e O MUNDO PODE ESPERAR.
Getúlio Abelha – Autópsia Pt. 1

Autópsia conta com cinco músicas, e embora seja um disco relativamente curto, ele traz composições que ficaram marcadas e já são muito adoradas pelo fãs.
A mente inquieta de Getúlio se arrisca a experimentar com diferentes gêneros, neste segundo trabalho ele continua apostando no seu forró freak e trazendo um caldeirão de referências do pop, piseiro, funk, techo, punk e emo. É interessante como ele consegue ser criativo e unir o melhor desses estilos tão diferentes.
Escute: Freak, Toda Semana e Zezo.
terraplana – Natural

O segundo ábum da terraplana, banda curitibana que conquistou um baita destaque na cena nacional mostrou uma clara evolução em sua sonoridade.
Ainda que no disco anterior apostassem em uma abordagem mais instrospectiva, desta vez, a proposta foi mais ousada nas estruturas e arranjos. A banda ampliou seu repertório e incorporou elementos tanto do dream pop, slowcore e indie rock, que teve como resultado um disco mais expansivo, seguro e que manteve a qualidade.
Escute: Salto no Escuro, Hear a Whisper e Morro Azul.
Catto – Caminhos Selvagens

Desde o último trabalho dedicado à interpretação de músicas de Gal Costa, Catto têm chamado atenção pela intensidade de suas performances impecáveis.
CAMINHOS SELVAGENS, aguardado há bastante tempo, chegou confirmando nossas expectativas ao apresentar uma sonoridade envolvente, com atmosfera lo-fi, guitarras em destaque e composições íntimas. O resultado é um trabalho coeso, de escuta gostosa, fluida e que evidencia a maturidade da artista.
Escute: EU TE AMO, MADRIGAL e 1001 NOITES IS OVER.
lento, Distante – Tecendo Ficções

A banda lento, Distante surgiu como uma grata descoberta e rapidinho conquistou espaço entre as nossas audições. Ainda que tenha aparecido de forma quase despretensiosa em alguma playlist, o projeto desperta interesse a ponto de levar o ouvinte ao conforto de seu disco completo.
As composições carregam a atmosfera nostálgica, cadenciada e melancólica do shoegaze dos anos 90, mas trazem o diferencial ao serem interpretadas em português, fato que aproxima ainda mais o público de suas canções, criando aquela sensação de acolhimento tanto pelas letras quanto pela sonoridade do grupo.
Escute: Saudades, Quase-Lembrança e Quando Tudo Me Lembra Você.
De Carne e Flor – Em Teus Olhos Vejo Fendas

O emo e o post-hardcore se uniram e tiveram um filho lindo. E esse filho é a banda De Carne e Flor. Desde a primeira vez que ouvi esse álbum, ele despertou um amor e uma empolgação pela música que estava meio apagado em mim.
Fazia tempo que eu não chorava ouvindo um álbum, ainda mais se ele ainda não teve tempo de criar memórias profundas em mim e esse em pouquíssimo tempo já criou. Sinos é uma das músicas mais bonitas que eu já ouvi nessa vida, só de começar a ouvir eu já quero chorar copiosamente.
Visceral, absurdamente incrível. Como diria Lady Gaga: Talented, brilliant, incredible, amazing, show stopping, spectacular, never the same, totally unique, completely not ever been done before, unafraid to reference or not reference, put it in a blender, shit on it, vomit on it, eat it, give birth to it.
Escute: (em teus olhos), Furores Perdidos, Sinos e A Última Canção do Mundo Não É Essa
Jovens Ateus – Vol. 1

Com o lançamento de seu primeiro álbum, o Jovens Ateus se consolida como um dos nomes mais relevantes do pós-punk nacional.
Em Vol. 1, a banda dá continuidade à sua trajetória com sonoridade que equilibra tensão e melancolia nas bases dançantes, sem abrir mão de sua identidade. O disco reafirma a personalidade do grupo e também evidencia sua importância e proposta estética dentro do gênero.
Escute: Passos Lentos, Espelhos e Flores Mortas.
Luedji Luna – Um Mar Pra Cada Um

Um Mar Pra Cada Um é um disco sofisticado e de grande qualidade estética, a cantora e compositora soteropolitana Luedji Luna reafirma, mais uma vez, sua posição entre as principais artistas do país.
O álbum reúne composições intensas, arranjos cuidadosamente elaborados e uma atmosfera envolvente que divide espaço entre a música moderna, o jazz e a música brasileira. Esse é um daqueles trabalhos que evidenciam a capacidade de Luedji em criar experiências musicais profundas e que reforçam a conexão com seu público.
Escute: Kyoto, Harém e Gamboa.
Apeles – Cru

Se foi feito pelo Eduardo Praça, Ludovic, Quarto Negro e Apeles, é impossível não ser bom. Se você já acompanha a carreira do Apeles, se já gosta do trabalho dele, esse álbum tem apenas voz e violão, é uma ótima pedida pra matar a saudade dos seus clássicos e também ouvir músicas novas.
Cru, mas não incompleto, nem sinônimo de algo que falta, mas sim despido de qualquer vaidade, qualquer coisa além de sua beleza. Real e verdadeiro. Talvez seja um elogio eu compará-lo a um dos meus EPs preferidos que é a trilha sonora do filme Submarine do Alex Turner? Pra mim é. Baita álbum, do talentosíssimo, criativo, sensível e super gentil, Apeles.
Escute: Vesânia I (Cabo Horn) e Clérigo.
Ana Paia – Continuar

Nada mais emo do que trabalhar duro pra botar sua música no mundo. Esse disco é o coming of age do emo brasileiro pra mim. Acompanho a Ana desde o começo da carreira, em suas primeiras músicas com outro nome. O sentimento, a delicadeza da sua voz, a melancolia, o sentimento de inadequação, a intensidade e o talento continuam.
Agora com banda full, que complementa e contribui muito para seu amadurecimento e consolidação como a grande artista que é. Um disco que todo emo, jovem ou mais velho e calejado vai gostar. A releitura de Essa Noite Bateu, uma velha conhecida nossa, ficou sensacional. Vale muito a pena ouvir!
Escute: Essa noite bateu, Pra onde eu não sei e 5h da manhã.
