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Imagem em preto e branco com integrantes da banda Model/Actriz

Model/Actriz e sua catarse no segundo disco Pirouette

A primeira vez que ouvi falar de Model/Actriz foi em uma lista de melhores discos de 2023, com o primeiro disco, o Dogsbody, e quando ouvi fiquei impressionado!

A história da banda tem um ponto interessante. Ruben Radlauer (baterista) e Jack Wetmore (guitarrista) se conheciam desde a infância. Seus pais são músicos e já haviam tocado juntos durante a década de 80. Anos mais tarde, os dois se conectaram numa escola de música, a Berklee College of Music e isso selou uma decisão: formar uma banda.

Em 2015 os dois conheceram o vocalista Cole Haden, enquanto ele fazia uma performance. Segundo eles, Colen se contorcia no chão de espartilho e com o rosto coberto de sangue falso escorrendo. A partir daquele momento eles tinham a escolha certa para assumir os vocais da banda.

Model/Actriz ao vivo

O grupo lançou alguns singles e um EP durante os anos de 2016 e 2017. Depois deram uma pausa e dois anos mais tarde convidaram o baixista Aaron Shapiro para completar o time. Em 2020 foram convidados para se apresentar no SXSW, que devido a pandemia do COVID foi cancelado.

Sem muitas perspectivas, a banda se trancou no estúdio e começou a trabalhar em seu primeiro disco, Dogsbody, que foi lançado em 2023. Ele teve um feedback muito positivo dos meios de comunicação especializados e do público. Na Pitchfork, receberam uma média 8.2, sabemos que uma nota dessas vindo da Pitchfork é pra glorificar de pé.

Pirouette traz um clima mais íntimo e emotivo nas composições

Após o sucesso do primeiro disco a banda retorna com Pirouette. O segundo trabalho mostra composições mais maduras e íntimas. Ao mesmo tempo vai explorando um pouco mais dessa sonoridade que passeia em partes entre o noise rock, pós-punk e dance.

Em entrevista ao Primavera Sound Radio em 2024, a banda falou que gosta de usar a guitarra de formas diferentes, descobrindo texturas e sonoridades. Isso é visível nas composições que conseguem criar uma atmosfera dançante e outrora caótica. Colocando o ouvinte em completo ecstase, como é o caso de Vespers, música que abre o trabalho.

Já nas letras, podemos notar vivências pessoais de Cole, declaradamente gay, ele parece encontrar uma forma de exorcizar suas dores e algumas experiências. Elas vão desde a ida a um bar a noite onde conhece um cara, mas não pode levá-lo pra casa (o famoso: tem local?) ou uma festa de aniversário de 5 anos em que ele queria o tema de Cinderela, mas devidos as pressões normativas da sociedade, acaba se recolhendo dentro de sua concha, como podemos ouvir nas faixas Cinderella e Diva, uma das melhores do disco.

Com uma direção um pouco diferente de Dosbody, em Pirouette a banda parece focar mais nas melodias de guitarra e um pouco menos no som caótico.

Cole se mostrou um ótimo performer, seus vocais estão mais intensos e confiantes, um bom exemplo é a faixa Poppy, onde podemos apreciar linhas vocais em tons mais emocionais.

Outra faixa interessante é Acid Rain. Ela traz o ouvinte para esse lado mais emotivo e melancólico, que ficou um pouco de lado no primeiro disco. Ela se diferencia muito das outras composições da banda, por ser mais emotiva, lenta e sem tantos ruídos como de costume.

Na mesma tracklist eles conseguem colocar duas faixas que tem aquela fórmula noise dançante, caso de Departures e Audience. Em seguida, voltam a se rebelar com a barulhenta Ring Road e seu noise contagiante.

Quase chegando ao fim, Doves é uma música que traz um apanhado das referências. Ela traz o peso do noise, o dance e aqueles vocais mais emotivos que comentei anteriormente. Baton é mais uma que foge do caos. Ela busca vida em um instrumental mais eletrônico limpo e psicodélico, que vai muito bem acompanhado da bela voz de Haden.

É fato que o Model/Actriz já é uma banda muito querida pelos fãs e festivais. Não apenas isso, o quarteto tem vários shows ao lado do Panchiko, com noites caóticas e dançantes.

As performances ao vivo são um dos pontos altos, com os quatro músicos se entregando como um todo e trazendo o público para, de fato, vivenciar um show. Longe dos celulares e com foco nas experiência e na catarse que eles conseguem criar a cada noite.

Confira o disco Pirouette:

Acompanhe a banda nas redes sociais:

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