A ressureição de Alice Glass em seu primeiro disco solo

E foi de repente, na sexta-feira dia 18/08 que Alice Glass (ex-Crystal Castles) veio às redes sociais apresentar seu novo trabalho. O EP auto intitulado contendo seis faixas, foi produzido por Jupiter Keyes (ex-Health) e lançado pelo selo Loma. O disco inicia com a faixa ‘Without Love‘, primeira música de trabalho que já tem vídeo clipe. A sonoridade traz batidas com uma pegada trap enquanto os vocais de Alice seguem uma linha mais melódica. Em seguida, ‘Forgiveness‘, uma música agitada e com uma pegada mais eletrônica, lembrando algo do EBM dos anos 90. Os vocais sem tantos efeitos, mostram uma performance mais sóbria, algo que era quase impossível nas músicas do Crystal Castles. Já a terceira faixa ‘Natural Selection’ é mais experimental, com sons mais dark apocalípticos e letras provocativas, como no refrão ”get the fuck out of me…” entoado em um vocal meio robótico e cheio de efeitos, o que chega a ser um pouco bizarro. ‘White Lies’ é a quarta faixa e com certeza uma das melhores do EP. Inevitável não comparar as batidas da música com as da banda Purity Ring ou os vocais mais freaks com as de Grime. O refrão segue uma bela performance de Alice. Afinal, é muito bom ver o que ela tem para mostrar por trás de tantas camadas barulhentas, assim como era em sua antiga banda. O disco segue com ‘Blood Oath‘ que lembra bastante a sua fase antiga, mostra um som mais poptron 8-bite bem agitado. ‘The Altar’ é a sexta faixa e fecha o disco, a voz doce de Alice canta sobre um som ambiente quase imperceptível que dura cerca de 2:38. Concluindo, quando a primeira música de trabalho saiu, a barulhenta ‘Stillborn‘, não havia como prever o que poderia vir pela frente. Acontece que a sonoridade de algumas músicas no EP ainda remetem muito ao Health, ex banda de seu namorado, o produtor Jupiter Keyes. Embora Alice faça um bom trabalho em alguma faixas, parece ainda não ser o bastante. Acredito que ainda há muito ainda a ser explorado tanto em sua voz quanto nas composições. Escute o disco aqui:
Wry e Lava Divers @ CCSP – Centro Cultural São Paulo

Nos últimos anos o CCSP – Centro Cultural de São Paulo tem trazido vários artistas da cena independente brasileira para tocar na Sala Adoniran Barbosa. Todos os artistas que tocaram lá elogiaram bastante a sala, a acústica, o som, o planejamento da casa. E ultimamente tem ocorrido vários shows gratuitos, é uma iniciativa muito bacana, que proporciona conhecer várias bandas de estilos diferentes de vários lugares do país. E não foi diferente no último sábado, 05/08/17, onde tivemos o show da Lava Divers e Wry. Lava Divers É uma banda mineira de shoegaze que eu já ansiava por ver há um tempinho, e esse show para a divulgação do novo álbum, Plush, lançado no finalzinho de julho, foi a oportunidade perfeita. À primeira vista a banda já encanta com a decoração do palco que remete a capa do disco, com vários bichinhos de pelúcia espalhados. E depois pelo carisma de seus integrantes, especialmente a baterista/vocalista Ana Zumpano, que com todo seu talento e maestria conduz o espetáculo sempre sorrindo. A presença de musicistas mulheres dá um novo ar refrescante a este nicho com predominância masculina, além de ser um incentivo a dezenas de garotas por aí que anseiam estar em cima do palco também. Lava Divers promete um show animado, que se contrapõe a postura um tanto melancólica comum em shows do gênero. Uma surpresa excelente e cativante devido aos elementos grunges que o Plush incorpora e que faz um som extremamente agradável. Creio que vários ali estavam ouvindo o disco pela primeira vez e se impressionaram com a qualidade do som. Espero que Lava Divers ganhe cada dia mais espaço na cena independente, um belíssimo show que eu com certeza veria mais vezes. Setlist: 1. I Feel You2. Tearsfall3. Love Is4. Inside His Eyes5. Eddie Shumway Is Dead6. Hash & Weed7. Natural Born Liar8. Great Mistake9. Forbidden Steps On Hearts10. On A Flag Hill Wry Depois da bela apresentação do Lava Divers, foi a vez do Wry, banda de Sorocaba, grande expoente do shoegaze nacional, formada em 1993 que conta com: Mário Bross (vocal e guitarra), Lu Marcelo (guitarra), William Leonotti (baixo) e Renato Bizar (bateria). Logo cedo sempre foram bem reconhecidos no Brasil, mas assim que surgiu a oportunidade de vazar para a gringa eles aproveitaram e viveram alguns anos na conexão Brasil/Inglaterra, o que rendeu mais visibilidade e maturidade em suas composições, até agora foram lançados quatro discos de estúdio. Sendo o primeiro lançado em 1998 intitulado ‘’Direct’’ e o mais atual lançado em 2009 ‘’She Science’’, após sete anos vivendo na Inglaterra a banda volta ao Brasil e excursiona em algumas cidades, em 2010 chegaram a encerrar as atividades, mas felizmente retornaram e com material novo. Foi com uma das mais conhecidas da carreira, ‘’Deeper Within a Dream’’ que iniciam o show, o som e a iluminação estavam perfeitos para o clima, o público que se acomodava nas cadeiras estava hipnotizado pela vibe de cada música, o set foi curto mas contou com músicas de quase todos os discos. Inclusive duas músicas novas ”She’s Falling” e ”Life is Like a Dream” que devem entrar no próximo disco de estúdio, a apresentação durou cerca de quarenta minutos e só firmou que o Wry deixa muita banda, mas muita mesmo no chinelo, desde o profissionalismo ao cuidado em apresentar músicas sinceras e tão bem feitas, cheias de passagens sonoras, nostálgicas ou em alguns momentos ‘’mais agressivas’’, assim que posso resumir essa bela apresentação, espero vê-los o mais rápido possível. Setlist: Quer saber mais sobre as bandas? Acesse as redes sociais: https://www.facebook.com/lavadivers/ https://www.facebook.com/WRYMUSIC/