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White Canyon and the 5th Dimension traz jornada ritualística em seu novo disco IV

Quando sentei pra escrever a resenha desse disco, busquei na memória a primeira vez que conheci e ouvi o White Canyon and the 5th Dimension. Isso aconteceu em 2020, naquela época estranha e desesperadora da pandemia. Em quarentena, eu buscava ao máximo ocupar minha mente no tempo livre conhecendo artistas novos e que eu nunca tinha escutado. Em algum momento, navegando pelo Last.fm (minha rede social favorita), encontrei a banda entre artistas similares. A imagem de Léo e Gabriela sentados no porta malas traseiro de um carro antigo, com uma paisagem cheia de árvores no fundo me chamou atenção. Em seguida, dei o play no disco autointitulado, e nossa, de primeira já me surpreendeu. Fazia muito tempo que eu não escutava uma banda com tamanha qualidade e fazendo esse tipo de som no Brasil. E assim, fui escutando toda a discografia, acompanhei o lançamento do incrível Gardeners of the Earth, lançado em 2023 e que até então era o melhor trabalho da dupla, mas… será que o novo disco superou? IV traduz mistérios e experiências surreais em forma de música O quarto e novo disco, intitulado IV, chegou em uma data bem simbólica pra quem acredita. Em plena sexta-feira santa, dia 03 de Abril de 2026. Com oito músicas, o trabalho foi gravado, produzido e mixado de forma totalmente independente no home estúdio da banda. Mantendo aquela pegada DIY (do it yourself, faça você mesmo), que a cena independente bem conhece. A White Canyon tem como proposta falar de assuntos como natureza, crenças e espiritualidade. São temas que rondavam seus trabalhos anteriores, e eu diria que dão muito pano pra manga. Com esse novo registro não foi diferente. IV cria um fio condutor entre um conceito criado na Grécia antiga, que fala sobre a representação da vida através dos quatro elementos terra (estrutural), água (emocional), fogo (energético) e ar(mental) e as experiências, mistérios e energias ocultas oriundas da cidade de São Tomé das Letras, em Minas Gerais. Esse é um papo profundo, e que talvez você tenha ouvido falar de forma rasa, eu me incluo nisso. A faixa que abre o disco é “Silver Womb”, sua sonoridade cadenciada é repleta de mistério, que pode ser notado nos vocais conduzidos por Léo e Gabriela em conjunto com os riffs hipnóticos de guitarra que preenchem a faixa, abrindo o trabalho lindamente. Em seguida, “Gravestone Lips” busca uma dinâmica mais “agressiva”, onde as guitarras tomam mais forma, a bateria segue um ritmo mais veloz e tribal, trazendo o ouvinte para uma jornada ao oculto de forma mais intensa. “Where the Dreamers Go” é uma das favoritas, a experiência aqui é surreal. Eu diria que essa é pra botar os fones de ouvido e fazer aquela caminhada sem rumo, só sentindo a música. O desenvolver da faixa vai de riffs desérticos e bateria quase que em loop, mas aos poucos um clima vai sendo construído e logo, você é surpreendido com paisagens sonoras que fazem os pelinhos do braço levantarem, são paredes de guitarra que vão ecoando, assim como um mantra. O primeiro single que deu um gosto do que viria nesse trabalho foi a incrível “Flesh and Bones”, ela passeia pela onda do pós-punk. Os sintetizadores abusam do clima soturno, assim como a bateria, baixo e guitarra evocam a fase mais dark do The Cure em Pornography. Ainda assim, conseguem conectar esse lado sombrio com uma boa dose de melodias, tornando a atmosfera emocional e bonita. “Alumia Part I” funciona como um interlúdio, nela ouvimos um homem narrando sua experiência com duas criaturas desconhecidas, retomando as lendas em torno de OVNI’s, fato que torna a montanhosa São Tomé das Letras como cidade misteriosa e envolta por energias que nunca puderam ser explicadas. A faixa anterior desemboca em “Alumia Part II”, e posso elegê-la como uma das melhores, um feito interessante é que ela é cantada em português, algo não muito comum em composições da banda. Gabriela tira de letra, com muita personalidade ela consegue encaixar sua voz em um instrumental que busca um tom de brasilidade, nos conectando ainda mais com a proposta do disco como um todo. Vale uma menção honrosa a um amigo da banda (Martin Ludl) que gravou algumas linhas de saxofone para a música, enriquecendo ainda mais sua aura. “River Song” surge como um respiro para uma jornada que vai chegando ao fim, sua sonoridade mais experimental mantém um clima ameno, delicado e contemplativo, sem passar despercebida. De repente, um clima noire se instala com “Wicked Eyes”, faixa que fecha o trabalho. Aqui ainda temos tempo para viajar um pouco mais nas linhas psicodélicas que são criadas entre a dualidade de guitarras que dividem o mesmo espaço. Uma ótima maneira de fechar um disco que já figura entre os melhores do ano. Acompanhe o White Canyon and the 5th Dimension nas redes sociais: Instagram | Bandcamp | Youtube | Spotify Confira o disco IV: * Confira outras resenhas aqui.

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