Two Witches reflete sobre o disco “The Vampire’s Kiss” mais de 30 anos após o seu lançamento.

english version Como prometido em nossa segunda edição da Cápsula, o fundador da banda, Jyrki Witch (vocal), e os outros membros atuais, Miss Blueberry (vocal e sintetizadores) e Marko Gravehill (guitarra), falaram com a gente a respeito dos mais de 30 anos do lançamento de The Vampire’s Kiss (1993). Eles comentaram sobre a repercussão do público europeu e brasileiro, além de contarem histórias de bastidores sobre a gravação e o lançamento do material. Mais uma vez, meus agradecimentos à banda pela gentileza! Conhecia a banda? Conheceu agora? Conte para a gente o que achou da entrevista e qual é o próximo artista que você quer ver por aqui! Rebobinando A banda finlandesa foi originalmente criada pelo vocalista e compositor Jyrki Witch e pela cantora, compositora e tecladista Anne Nurmi, que logo após o lançamento do disco deixou a banda para se juntar ao Lacrimosa. As letras do Two Witches abordam temas como vampirismo, terror psicológico, medo e sexualidade. Com um som mais cru, rasgado e menos comercial, o Two Witches traz uma tonalidade marcante e única para a música gótica, e esse registro de 93 com certeza merece um local de destaque, alternando entre os vocais de Jyrki e passagens vocais de Anne e Nauku (segunda backing vocal que viria a deixar a banda alguns anos depois) com elementos de darkwave e punk. The Vampire’s Kiss – O lançamento Jyrki fez alguns comentários sobre o lançamento do disco antes da entrevista em si; segue na íntegra: Como o som da banda evoluiu desde os anos 90? Suas influências mudaram? Jyrki: É claro que cada músico trouxe sua própria influência para o som e para as composições da banda. Sou o único que restou da formação dos anos 90. A tecnologia de estúdio também mudou muito, e isso afeta o som. Antigamente, tínhamos que preparar tudo completamente com antecedência e depois íamos ao estúdio apenas para gravar as músicas rapidamente. Se algo desse errado na execução ou ocorresse algum imprevisto, tínhamos que deixar todos os erros na gravação, pois não tínhamos dinheiro para pagar por novos dias de estúdio. Hoje em dia, podemos gravar tudo em home studios. Nosso guitarrista, Marko Hautamäki, entrou na banda em 2001 e, atualmente, ele também compõe a maioria das nossas músicas. Miss Blueberry entrou em 2017 e toca teclados. Também temos três músicos de apoio para os shows: Alarik Valamo (bateria), Antti Hermanni (baixo) e Haydee Sparks (guitarra). Ao longo dos anos, minhas influências certamente mudaram de várias formas, mas, em algum momento, elas sempre retornam ao ponto de partida. Ainda gosto das mesmas bandas, livros, filmes e outras coisas que gostava lá nos anos 80. Marko Hautamäki: Com a evolução da formação ao longo dos anos, todos os novos membros obviamente trouxeram algumas de suas próprias influências. Além disso, toda a cena musical passou por sua própria evolução, e isso também nos afeta como ouvintes e, consequentemente, como compositores. Não acho que existam influências “originais” cujo peso em nossa música tenha diminuído com o passar dos anos, mas agora há muito mais influências misturadas. O Two Witches sempre foi uma banda mais experimental do que as pessoas costumam pensar. No início, havia experimentos com poesia e coisas do gênero. Hoje, experimentamos mais dentro do amplo estilo “gótico” e dos vários elementos musicais inseridos no contexto maior da cena. Dito isso, nosso álbum GoodEvil também apresentou alguns daqueles experimentos poéticos dos primeiros dias, então também não abandonamos nossas raízes nesse sentido. Miss Blueberry: Eu amo dançar e tento injetar “dançabilidade” em nossas músicas atuais. Gostaria de trazer para as canções mais ritmos que funcionem na pista de dança. Como você vê a recepção do Two Witches no Brasil em comparação com a Europa? Marko Hautamäki: Além de o público se comportar de forma muito diferente na América do Sul em comparação com a Europa, estamos vendo uma grande mudança na cena como um todo. A cena gótica europeia tem muita história, mas isso também tende a tornar as coisas um pouco estagnadas. As pessoas tendem a se concentrar nas bandas e artistas pelos quais se apaixonaram lá nos anos 80 ou 90, e não parecem se importar muito com o que aconteceu desde então. Por outro lado, as bandas de goth/darkwave dos anos 2000 em diante parecem ser apoiadas, em sua maioria, por um público diferente. Elas ainda estão na mesma cena, mas as pessoas são, em grande parte, outras. Isso significa que existe basicamente uma divisão entre a “velha guarda” (old school) e a “nova escola” (new school) dentro da cena. No Brasil e na América do Sul em geral (junto com alguns outros lugares), a cena é mais jovem e, embora as bandas influentes sejam as mesmas, esse tipo de divisão não parece tão drástica, o que torna a cena muito mais forte no geral. Para o Two Witches, isso se reflete no imenso apoio e entusiasmo que recebemos do público brasileiro. Esperamos estar de volta aí o mais rápido possível! Jyrki Witch: Eu não sei por que, mas o Two Witches tem sido mais popular nos países da América Latina do que na Europa desde os anos 90. Especialmente no Brasil, temos sido recebidos com muito carinho. Mas, é claro, nós amamos os países latino-americanos e o nosso público de volta. Se fosse financeiramente possível, gostaríamos de tocar no Brasil todos os anos. Miss Blueberry: Há públicos muito mais incríveis no Brasil do que na Europa. Embora tenhamos tido uma recepção calorosa na Europa, o acolhimento dos fãs brasileiros tem sido algo realmente especial. Como foi a saída da Anne Nurmi para o Lacrimosa? Vocês mantiveram contato ao longo dos anos? Jyrki: A Anne queria ir e ver como era o mundo fora do nosso lar. Ela se juntou ao Lacrimosa e eu dei continuidade ao Two Witches. Nós dois éramos muito jovens na época e o futuro parecia estar totalmente aberto. Agora, ambos construímos nossas próprias carreiras e talvez alguns dos fãs até gostem das duas bandas. Depois que a Anne saiu, decidi continuar com o Two Witches; a Nauku aprendeu a tocar teclados