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Wagner Almeida – Com Cuidado

Wagner Almeida - Com Cuidado

Faz um tempo que eu não posto por aqui. Às vezes por falta de inspiração, às vezes por ser atropelado por outras esferas da vida. O dia a dia tem sido cansativo demais pra gente poder se dedicar aos hobbies e coisas que a gente de fato gosta. Só o capitalismo como sempre minando o que há de melhor em nós. É o que dizem: trabalhe com o que você gosta e termine odiando o que você gosta. Mas, enfim… Eu não vou prometer uma frequência de postagem, mas o que eu acabo sempre fazendo é falar toda vez que o Wagner Almeida solta um disco novo. E estou muito triste de essa ser a última vez que escrevo sobre um lançamento dele na carreira solo, com esse nome e essa identidade. O Wagner é um dos meus artistas favoritos de longe. Quem acompanha o blog sabe que eu sou fã irremediável dele e de todas as coisas que ele lança. Quando ele lançar mais coisas sob novos nomes, projetos e bandas, também estarei lá para ouvir. Eu demorei um pouco pra conhecer o primeiro álbum dele Crescimento/desistência (2018). Apesar de vários blogs terem escolhido esse disco como um dos melhores do ano. Eu tô sempre perdida nos lançamentos (e na vida em geral), porém esse álbum foi amor à primeira ouvida. E tudo que veio depois dele também. Esse provavelmente é o álbum xodó de muita gente, mas eu tenho mais história com o Domingos a Noite (2019). Se fosse um cd físico (que eu também tenho) teria riscado de tanto ouvir.  Essas músicas me acompanharam em bons e maus momentos, muito mais em bons do que qualquer coisa, porque elas estavam lá comigo. Naqueles minutos que você ouve depois de enfrentar uma onda de raiva, os primeiros acordes te acalmam. No geral, o poder dessas músicas é de me acalmar e me fazer chorar. Nem sempre esse é o intuito, eu sei, mas é o que acontece. Letras sempre tão pessoais, mas que me atravessam de uma maneira como se aquilo tivesse acontecido comigo. Ou que eu posso muito bem relacionar a algo que eu vivi. Talvez por sermos da mesma geração, estarmos vivendo nesse momento no aqui e agora, sob a influência das mesmas condições. Uma geração de jovens tristes, angustiados, preocupados com o futuro e sem certeza de nada. O coming of age forçado, que a gente amadurece na marra, deixando para trás os amigos, as memórias e as vivências da adolescência. A vida adulta tem muito menos coisa legal do que imaginávamos, é muito mais cinza do que colorida. Esse contraste com as cores que a gente conseguia enxergar na adolescência e agora não consegue mais.  E eu vejo isso muito claramente nos trabalhos do Wagner quanto na vida em geral, pré-pandemia um cenário esperançoso, vivaz. E na pandemia e pós pandemia, a sociedade do cansaço, onde as responsabilidades tomam conta da gente, nossa personalidade, essência e quem nós somos ficam em segundo ou terceiro lugar. Em primeiro ficam todas as preocupações e emprego. É preciso muito mais do que férias, mais do que férias um do outro. Receber o e-mail com o álbum “Com Cuidado” na minha caixa foi uma das surpresas mais gratas dos últimos meses. Aliás, receber música nova do Waguinho é sempre uma alegria pra mim. E tenho ouvido esse álbum constantemente nas últimas semanas, acredito que pra muita gente já que a receptividade do público nas redes sociais tem sido grande desde o lançamento dos singles “Primordial”, “Saldo” e “Simples e Legal”. Nesse disco o Wagner vem com banda cheia nas gravações, contando com outro grande artista que admiro muito, o Fábio de Carvalho nas guitarras que já escrevi muito sobre aqui no blog, Gabriel Elias Sadala também nas guitarras e trompete, Clara Borges no baixo, João Pedro Silva na bateria e Mateus Gregs nos sintetizadores. É uma super banda que trouxe muito mais corpo e densidade para as músicas. Eu gosto muito do estilo de gravação “sozinho no quarto” do Wagner, porém achei que trazer uma banda completa foi uma decisão excelente e muito bem acertada.  Você pode ouvir o disco aqui: https://wagneralmeida.bandcamp.com/album/com-cuidado Wagner Almeida – Com Cuidado – Faixa a faixa O disco começa com a faixa “Irrompe”, muito marcada pelo violão no começo e depois pela entrada do restante da banda. Tímida, depois vai crescendo e explodindo. É uma boa escolha para abertura do álbum, pois seta o tom e nos apresenta uma pincelada do que virá daqui pra frente. É uma música longa, com 10 minutos, o que a faz ter várias nuances, se alternando entre dedilhado no violão como no início e trechos com banda completa que em vários momentos soam como uma parede de som advinda de discões célebres do shoegaze. Apesar de eu não considerar as músicas do Wagner como shoegaze, e sim como um folk, um rock alternativo, mais puxado para o lofi, dá pra ver claramente como o shoegaze tem bastante influência no que ele faz. O trompete nas músicas me traz muito para o midwest emo, principalmente uma vibe muito American Football. A segunda faixa é “Saldo” que foi um dos singles que vieram antes do lançamento oficial. Wagner nos contou nas redes sociais como foi o processo de composição das letras dessa música, que se não me engano, alguém lhe falou algumas palavras e ele foi criando em cima disso. Ele quis dizer que com isso nem todas as músicas tem algum significado muito complexo e elaborado, e que muita coisa pode virar música assim, do nada. E Saldo saiu assim, uma música muito boa por sinal, mais animada.  A música seguinte é a “5401”, também com a temática de ônibus como a 33, mas bem menos triste, com guitarras muito marcadas. Eu gosto de música de ônibus, especialmente músicas que fazem a gente refletir ou chorar no ônibus pensando na vida. Depois vem “Com Cuidado” em parceria com o Gustavo Scholz, bem mais shoegaze triste e reflexiva,

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