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Deafheaven vive seu momento mais glorioso em Ordinary Corrupt Human Love

No dia 13 de Julho, sexta feira bem trevosa, Deafheaven lançou seu último disco o Ordinary Corrupt Human Love. Nesse meio tempo já rolou muita controvérsia nas redes sociais sobre esse disco ser o novo preferido da galera ou se aclamado Sunbather (2013) continua sendo o preferido. Teve gente que gostou e teve gente que odiou. Mas nós vamos te contar o que achamos dele. Essa é uma das bandas mais incríveis dos últimos tempos. E eu tenho certeza disso, por mais que alguns fãs mais conservadores de black metal discordem de mim. Eu acredito que a intenção da banda nunca foi ser “true black metal”, até porque o visual deles nem remete a isso. É blackgaze e esse estilo consegue ser bem amplo e se comunicar tão bem com outros estilos como post rock, ambient, DSBM, atmospheric e por aí vai. E a banda inova e se reinventa a cada disco e isso fica claro com Ordinary Corrupt Human Love. Eu particularmente gosto bastante do New Bermuda (2015), apesar de não conhecer ninguém que goste desse álbum ou que o prefira ao Sunbather. Acho um excelente disco, foi o disco que me fez conhecer a banda e ele consegue me emocionar bastante. Ao vivo é excelente também. Eu já imaginava que a banda iria se esforçar para impressionar com o álbum novo, mas as minhas expectativas foram superadas. A estética do disco segue bastante o que a banda costumava postar nas redes nos últimos tempos. Para quem acompanha o Clarke, fica óbvia a influência das poesias e outros trechos de livros que ele continua compartilhando. Esse disco balanceia perfeitamente a suavidade com a agressividade, elementos de shoegaze e black metal respectivamente, com uma fluidez tremenda. Esse disco tem uma pitada de melancolia, mas apenas o suficiente para dar o tom, sem se deixar levar pela tristeza. Essa pitada também leva esperança, romance, suavidade, doçura.  É como se apaixonar e ao longo dele você aprende a amar. Parece extremamente brega quando digo isso, mas essa é a sensação que me passa e no final das contas não fica brega. A jornada soft começa com You Without End. O piano nessa música é sensacional e ele marca o tom da nossa belíssima experiência. Eu não conseguiria pensar em uma “intro” melhor. A gente nota que tem bem menos blast beat que nos outros trabalhos da banda, a transição para o shoegaze e post rock é bem mais definida. Para quem não é muito fã de black metal, esse disco é uma perfeita introdução, porque uma enorme inspiração do gênero e o torna bem mais suavizado e fácil de ouvir. O baterista Daniel Tracy sempre preciso e meticuloso em suas viradas não deixa a desejar e nos proporciona uma linha de bateria interessantíssima e muito rica. Na sequência vem  Honeycomb e ela tem um trecho que consegue sintetizar a estética do disco. É quase como se a banda estivesse mostrando um outro lado seu, um lado mais romântico, mais sensível e que se permite mais sentir as coisas sem ter vergonha alguma disso. É o lado artístico sendo relevado e com ele vem uma maturidade muito grande na medida que você consegue se expressar. “I’m reluctant to stay sad Life beyond is a field a flowers My love is a nervous child Lapping from the glowing lagoon Of their presence My love is a bulging, blue-faced fool Hung from the throat By sunflower stems” Canary Yellow descrita pelo George como uma “música sobre viver na memória de outros”. É bem fácil de sentir uma grande nostalgia nessa faixa, o Kerry McCoy é mestre em traduzir sentimentos em suas belíssimas melodias. Possivelmente um dos meus guitarristas preferidos, porque consegue criar músicas deslumbrantes, suntuosas e magníficas. Só as melodias já são um show a parte e eu não preciso nem mencionar o excelente uso dos pedais para criar a atmosfera perfeita nos solos e nos momentos onde o shoegaze brilha enquanto traz a calma depois da tempestade. Near é uma das músicas mais bonitas e tranquilas do álbum, bem post rock e bem melódica. Temos um vocal limpo nos três versos da canção que mostra as outras faces da banda.  Glint é uma daquelas músicas que a gente faz um headbanging bem orgulhoso, tem a volta dos blast beats, da agressividade e a pungência da guitarra. Consigo até imaginar o stage diving dos fãs quando a banda trouxer essa turnê para o Brasil. Night People é literalmente a música mais bonita e a que eu mais gostei do álbum. Primeiro pela Chelsea Wolfe e depois pelo vocal lindo e limpo do George. Ninguém fazia ideia de quão belo era seu vocal limpo e do quão poderoso ele é. Não tem uma música que seja mais romântica que essa, mesmo se a letra estivesse dizendo qualquer outra coisa eu poderia dizer que só há romance entre os vocalistas.  É magnífico como as duas vozes se mesclam, se cruzam, se completam e se emaranham deliciosamente. Se eu estivesse descrente do amor, eu voltaria a acreditar depois dessa música, de tão poderosa e lindíssima que ela é. O clipe recentemente lançado transmite bem esse sentimento com a sobreposição de imagens dos dois, quase como se um fizesse parte do outro, em uma dualidade que se completa e se satisfaz. Worthless Animal é a última faixa do disco, encerrando nossa jornada pelas terras misteriosas e sinuosas desse romance. Uma mistura de sensações trazidas por Canary Yellow e Glint, que convergem num tom de despedida e com mais um tanto de melancolia. E já que mencionamos a turnê, a banda está em turnê pela América do Norte com Drab Majesty e Uniform anunciou uma tour pelos Estados Unidos com DIIV em Outubro e Novembro, logo depois tem tour pela Europa também. Certamente vivendo seu auge, esperamos que em breve tenhamos shows aqui no Brasil também. O álbum está disponível em suas plataformas preferidas de streaming:

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